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ARTIGO - ÁGUA NA AGRICULTURA E PRODUÇÃO DE ALIMENTO

Foto: Fabio Henrique Torresan

22/02/2021

Por Lineu N. Rodrigues - pesquisador da Embrapa Cerrados (DF)

No dia 22 de março, celebra-se o Dia Mundial da Água. É uma oportunidade para se discutir a importância desse recurso para a vida e para o desenvolvimento econômico e social. É fundamental que o tema seja analisado dentro das suas várias dimensões, sendo preponderante adotar estratégias de manejo que considerem os recursos hídricos de forma integrada, e que almejem uma alocação equitativa, considerando os usos múltiplos da água e a bacia hidrográfica como unidade de referência. Água é sinônimo de dialogar, de compartilhar e de integrar. Não é geradora de conflitos, mas sim de oportunidade para produzir e de criar desenvolvimento.

Nesse contexto, não teria como não aproveitar a oportunidade e trazer para a reflexão o tema água na agricultura e produção sustentável de alimento. Segurança alimentar e hídrica estão no centro das maiores preocupações da sociedade. A água é o principal fator de produção de alimentos. Como balancear produção de alimento e demanda hídrica em um mundo onde cerca de 820 milhões de pessoas não têm acesso à quantidade de alimento suficiente para manter níveis básicos de saúde e onde dois terços da população enfrentarão algum problema de falta de água é o grande desafio a ser enfrentado.

A relação água-alimento é complexa. Esses dois elementos estão intrinsecamente e fortemente interconectados. A complexidade inerente a essa interação é um dos motivos dos debates e disputas, muitas vezes desnecessárias, entre os setores usuários. Mantidas as condições atuais, o aumento na produção de alimentos demandará mais água e poderá aumentar ainda mais as disputas pelo uso da água, reduzindo a qualidade de vida da população. É nesse sentido que a ciência tem papel fundamental. As inovações modificam a situação atual, possibilitando produzir mais sem aumentar as demandas hídricas.

Atender as demandas atuais e futuras por alimento vai requerer um rápido aumento de produtividade, que precisa ser alcançado sem danos adicionais ao ambiente. Para que isso ocorra, é fundamental que os princípios de sustentabilidade sejam parte central das políticas agrícolas. As pessoas estão, em sociedade, cada dia mais conscientes sobre as questões ambientais e têm optado, de forma crescente, por alimentos produzidos nessas bases sustentáveis.

Nesse sentido, o objetivo de produzir mais alimentos deve ser visto dentro de uma abordagem mais ampla, considerando os aspectos de sustentabilidade ambiental, ou seja, buscando produzir mais alimentos com melhor qualidade e com menores danos aos recursos naturais. Para isso é necessário intensificar a agricultura de maneira sustentável e melhorar a eficiência dos sistemas agrícolas, tornando-os mais produtivos. Qualquer estratégia que vise intensificar a agricultura, reduzindo a variação na produção e aumentando a produtividade das culturas, deve necessariamente incluir a irrigação.

A irrigação é tecnologia essencial no xadrez da produção de alimentos. Atualmente, com a variabilidade climática cada vez mais acentuada, não se pode pensar no desenvolvimento de uma política de segurança alimentar e de segurança ambiental que não estabeleça políticas de longo prazo para o desenvolvimento da agricultura irrigada.

No mundo, a agricultura irrigada é responsável por cerca de 40% de toda a produção, viabilizando produzir fisicamente, em uma mesma área, até quatro vezes mais que a agricultura de sequeiro. A grande vantagem da agricultura irrigada, entretanto, está em trazer estabilidade para a produção, o que possibilita planejar estratégias de segurança alimentar e propor políticas públicas de médio e longo prazo.

O desenvolvimento de uma agricultura sustentável passa, necessariamente, pelo uso sustentável dos recursos hídricos, que por sua vez, depende de uma gestão que incorpore os usos múltiplos da água e considere os fundamentos e diretrizes da Política Nacional de Recursos Hídricos. Não se pode pensar em agricultura e desenvolvimento sustentável sem que haja um equilíbrio entre a oferta e a demanda de água. O Brasil é um país de dimensões continentais com grandes diferenças sociais, ambientais e econômicas, o que deixa a atividade de gestão muito mais complexa. Fazer a gestão de recursos hídricos de forma igualitária em todo o País pode levar a conflitos em bacias hidrográficas que já se encontram em estado crítico em termos de disponibilidade hídrica.

A água tem diversas formas e recebe diferentes nomes. A água na agricultura é sinônimo de produção de alimento e segurança alimentar. Aparentemente, a quantidade de água doce renovável anualmente no mundo é muito maior que a quantidade de água necessária para sustentar as demandas dos três usos consuntivos de água (abastecimento doméstico da população; produção industrial; e produção agrícola sob irrigação). Dentre esses usos, a agricultura irrigada é o único que faz uso tanto da água verde (água proveniente da chuva e armazenada no solo) quanto da água azul – água existente nos rios ou aquíferos. Em países tropicais como o Brasil, a água verde representa um componente significativo para a produção e estratégias devem ser desenvolvidas para maximizar o seu uso.

O crescimento das áreas irrigadas, entretanto, não pode mais ser fundamentado apenas no aumento do uso de recursos hídricos. O crescimento desejado e possível é cada vez mais dependente dos ganhos de eficiência nos sistemas já existentes. O desafio da agricultura irrigada é a promoção do irrigar com qualidade. Isso quer dizer que deve ser buscada continuamente uma elevada eficiência e produtividade de uso das águas. A agricultura irrigada deve ser capaz de utilizar os recursos de forma eficiente, com mínimas perdas e deterioração da qualidade da água. Neste cenário, a agricultura irrigada terá a grande oportunidade de contribuir para a segurança ambiental, hídrica e alimentar, podendo ainda contribuir para reduzir os impactos na produção advindos das mudanças climáticas, garantindo alimento em quantidade, qualidade e a custos acessíveis para as pessoas.

As retiradas de água dos mananciais, necessárias para garantir a prática da agricultura irrigada, devem estar previstas nos planejamentos estratégicos, especialmente em cronogramas existentes nos planos de recursos hídricos, conforme as condições climáticas, a vocação dos cultivos regionais, as potencialidades das áreas produtivas e os mercados consumidores e, posteriormente, consolidadas por meio da definição de planos de concessão de outorga de uso de água para irrigação, possibilitando que seja feita uma gestão compartilhada em cooperação e a prevenção com redução dos conflitos.

No olhar da gestão quanto à oferta, deve-se considerar as desigualdades hídricas regionais e ter um olhar diferenciado para as bacias hidrográficas críticas, onde a disponibilidade hídrica já está comprometida, assim como onde a ocorrência de conflitos pelo uso da água já é realidade. No olhar da gestão quanto à demanda, a irrigação precisa de uma gestão com olhar ampliado. O produtor precisa ter uma visão além de sua propriedade e de sua área de produção. É preciso ter sempre uma visão macro da bacia hidrográfica. A irrigação tem que ser feita considerando a bacia hidrográfica. O rio é, na verdade, reflexo daquilo que acontece na bacia como um todo. Ou seja, é preciso olhar a bacia de forma mais integrada, considerar estratégias de conservação de água e solo, que vão refletir diretamente na quantidade e na qualidade das águas.

O Brasil, com 12% da água doce superficial disponível no planeta e 28% da disponibilidade as Américas, é estratégico para suprir o aumento de cerca de 60% da demanda por alimentos, necessários para atender a uma população mundial que em 2050 será de aproximadamente 10 bilhões de habitantes. O sucesso dependerá da capacidade da sociedade em entender estrategicamente o nexo água-alimento. Para responder à pergunta sobre o quanto de água será necessário, é preciso saber antes o quanto de alimento se deseja produzir.

Segurança hídrica e alimentar devem fazer parte de qualquer política de estado que vise ao desenvolvimento e ao bem estar de sua população. Nesse contexto, é importante aprender com os erros do passado e planejar um futuro melhor, que consiste necessariamente em tratar a água como um bem estratégico para o País. Para isso, é preciso integrar a Política Nacional de Recursos Hídricos com as demais políticas públicas. É fundamental definir as prioridades de uso da água, levando-se em consideração as necessidades básicas do País e as especificidades de cada região.

Os avanços tecnológicos na agricultura irrigada vão muito além do desenvolvimento de novos equipamentos de irrigação. Os processos de tomada de decisão estão cada vez mais complexos, com necessidade de decisões mais rápidas, além de depender de análises de quantidade de dados cada vez maiores. Notam-se, nesse campo, avanços significativos relacionados às tecnologias da informação, da comunicação, de big-data e de modelos de inteligência computacional e simulação. As possibilidades tecnológicas são ilimitadas, sendo muito arriscado fazer qualquer previsão sobre o futuro.

Todo esse avanço, entretanto, não será suficiente para o desenvolvimento sustentável se, na gestão da água no meio agrícola, não forem observadas as especificidades da agricultura, que depende da chuva. É preciso criar mais valor e bem-estar com os recursos hídricos disponíveis. Isso não significa, é claro, incentivar a cultura do desperdício de água. Com uma gestão de recursos hídricos competente e aberta para incorporar os novos conceitos e tendências, é possível trazer segurança hídrica e atender a todos os usos e usuários sem comprometer a disponibilidade hídrica.

Mais informações: Embrapa Cerrados

DE PLANTAS COMESTÍVEIS A HORTA EM CASA, EMBRAPA OFERECE CURSOS GRATUITOS NA PANDEMIA

Peixinho da horta, uma das PANC mais conhecidas (Foto: Pixabay )
10/07/2020

Capacitação sobre as PANC oferece 10 mil vagas para todo o Brasil

A Embrapa está com inscrições abertas para dois cursos on-line que têm despertado o interesse de muitos brasileiros durante a pandemia. Um é sobre hortas em pequenos espaços e o outro sobre a produção de Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC).

Dividido em cinco módulos, o curso sobre PANC ensina o aluno a cultivar as hortaliças em quintais e varandas para o consumo doméstico, além de quais recipientes e solos mais adequados, como preparar a compostagem e a vermicompostagem e a forma correta de usar adubação verde.

Ao todo, são 10 mil vagas gratuitas disponibilizadas para todo o Brasil - número que pode aumentar de acordo com a procura dos interessados. Também faz parte do curso o planejamento e produção dentro do espaço disponível, aconselhamento das espécies mais apropriadas e onde encontrar mudas e sementes para iniciar a horta. 

Vídeo: Como cultivar flores comestíveis

Vídeos, leituras, receitas, informações culturais e uma avaliação de aprendizagem também fazem parte da programação. “A produção e consumo das hortaliças PANC também é uma forma de resgate histórico-cultural dos tempos em que o Brasil era um país predominantemente rural”, diz o pesquisador da Embrapa Nuno Madeira, que coordena trabalhos com as plantas desde 2006.

As PANC

De acordo com a Embrapa, a rusticidade é a principal característica dessas plantas. Elas apresentam qualidades nutricionais que representam papel importante para a segurança alimentar das famílias, que terão à disposição alimentos que fornecem nutrientes necessários para uma dieta saudável e diversificada.

Mais de 300 espécies são catalogadas como PANC, segundo a entidade. O curso contempla as mais conhecidas do público em geral, como amaranto, azedinha, beldroega, bertalha, capuchinha, cará-do-ar, caruru, chaya, chuchu-de-vento, dente-de-leão, fisális, jambu, mangarito, moringa, muricato, ora-pro-nóbis, peixinho, serralha, taioba e vinagreira.

Hortas em pequenos espaços

Além da produção das PANC para consumo doméstico, a Embrapa também está com novas vagas abertas para o curso online de hortas em pequenos espaços. Gratuito, o curso é voltado ao público urbano, estabelecendo-se como atividade ideal em tempos de isolamento social.

Dividido em quatro módulos, a atividade online apresenta informações básicas das diferentes etapas de plantio, condução e manutenção de hortas em espaços urbanos reduzidos.

Em maio, as primeiras oito mil vagas já haviam sido preenchidas, o que fez com que a instituição abrisse nova turma com até 10 mil participantes. Com a procura, o curso teve melhorias, como adição de vídeos práticos e mais conteúdos sobre colheita e consumo de hortaliças.

Fonte: Globo Rural

ÓRGÃOS PÚBLICOS ESTÃO COM 18 CHAMADAS ABERTAS PARA AQUISIÇÃO DE ALIMENTOS

Foto: Rafael Zart/MDS

19/07/2018

Os editais preveem a compra da agricultura familiar de itens como açúcar, arroz, farinhas, carnes e frutas

Unidades Militares de dez Estados, a Universidade Federal Rural da Amazônia e a Prefeitura Municipal de São Paulo estão com chamadas públicas abertas para a aquisição de alimentos produzidos pela agricultura familiar. Ao todo, são 18 órgãos que vão investir R$ 36 milhões por meio da modalidade Compra Institucional do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento Social (MDS).

Serão comprados itens como açúcar, arroz, farinhas, feijão, leite em pó, sucos, carnes, frutas e verduras, entre outros itens. Tudo é produzido por pequenos produtores e cooperativas da agricultura familiar.

A Prefeitura Municipal de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Educação, vai investir R$ 4 milhões na compra de alimentos, como explica o secretário Alexandre Schneider. “Temos uma pauta variável que vai de arroz passando por geleia, sucos e frutas. Temos ampliado o consumo aqui na cidade de São Paulo de alimentos provenientes da agricultura familiar e de produtos de base agroecológica, também da agricultura familiar”. 

A legislação determina que pelo menos 30% dos alimentos adquiridos para abastecer órgãos federais venham da agricultura familiar. Os prazos para o envio das propostas encerram em diferentes datas. Para acompanhar os editais é só acessar o Portal de Compras da Agricultura Familiar.

Como participar – A coordenadora geral de Aquisição e Distribuição de Alimentos do MDS, Hetel Santos, explica como os interessados podem participar. “Para a agricultura familiar, os agricultores, as cooperativas e as associações é importante que acessem o Portal de Compras da Agricultura Familiar, entrem no link ‘chamadas abertas no seu Estado’, procurando os editais para ver as especificações técnicas dos produtos e os prazos para a entrega das suas propostas de venda, conforme especificações no edital.”

Cada agricultor familiar pode vender até o limite de R$ 20 mil, por ano, para cada órgão comprador. Já para as cooperativas ou associações, o limite é de R$ 6 milhões por ano, por órgão comprador.

*Reportagem: Roberto Rodrigues

Informações sobre os programas do MDS:
0800 707 2003



Moita Bonita pode se tornar Capital Nacional da Batata Doce



03/01/2018

Por Aparecido Santana

A batata doce de Moita Bonita tem mercado na região nordeste, além de São Paulo e Rio de Janeiro.

Como a produção de 50 mil toneladas de bata doce por ano, o município de Moita Bonita pode ganhar o título de Capital Nacional da Batata Doce é o que afirma o Secretário de Agricultura e presidente da Cooperativa de Produtores da Agricultura Familiar e Solidária de Moita Bonita (Cooperafes), José Joelito Costa Santos.

O município possui cerca de 900 hectares de plantação em pequenas propriedades de batata doce. O cultivo do tubérculo representa 70% da renda da agricultura familiar, que é praticada durante os 365 dias do ano, com maior produtibilidade durante o período chuvoso (março a novembro).

O cultivo da batata doce nem sempre foi a principal fonte de renda. O prefeito Marcos Costa lembra que houve uma migração da plantação da mandioca para o cultivo da batata doce. “Essa maior rentabilidade fez com que os agricultores passassem a cultivar a batata doce, que hoje é maior fonte de renda dos moitenses e proporcionalmente uma das maiores produções do Brasil”, destaca o prefeito Marcos Costa.

Ainda segundo o prefeito, a Cooperafes tem sido exemplo de sucesso para todo o Brasil, pela forma como funciona no município. “É uma cooperativa que funciona muito bem, o associado, planta, cultiva e vende, sem a figura do atravessador, onde os lucros são maiores, dando uma condição devida melhor para os nossos agricultores”, acrescenta.

Joelito acredita que o município esteja no topo dos maiores produtores de batata doce. “Moita é a Capital Nacional da batata doce. Eu duvido que outro município, que outra região, tenha a bata doce tão importante para sua economia, para o desenvolvimento da sua agricultura como a nossa. Nossa área geográfica é pequena (95,820 km²), mas temos produção de batata doce muito alta, sendo uma das maiores médias de produtividade do país, superando 6 toneladas por tarefa, que equivale a mais de 20 toneladas por hectare”, afirma o secretário.

Em qualquer época do ano tem caminhão sendo abastecido. De acordo com levantamento realizado pela Secretaria de Agricultura em parceria com a cooperativa são carregados 50 caminhões de batata doce por semana. “Cada caminhão deste carrega 16 toneladas, e emprega aproximadamente 50 pessoas. Fazendo uma multiplicação simples de 50 (número de caminhões) x 50 (número de pessoas) vai dá R$ 2.500 diárias de pessoas ocupadas no serviço da bata doce por semana e se multiplicar isso por 50 (preço médio pago por diária) vai dá uma renda semanal de R$ 125.000 mil reais, só com aquelas pessoas que trabalham vendendo suas diárias no cultivo, na comercialização e na colheita da bata doce. Com isso mensalmente são gerados mais de R$ 500 mil reais com o beneficiamento da batata doce”, acrescenta Joelito.

Criação da Cooperativa

No ano de 2007 o município de Moita Bonita deu um passo importante para a produção e beneficiamento da batata doce. Através da ideia do então deputado Bosco Costa, Joelito foi convidado para visitar a cidade de Uauá (BA), e lá eles constataram uma cooperativa de sucesso no beneficiamento do Umbu. O exemplo foi trazido e aperfeiçoado. No dia 30 de outubro de 2007 foi realizada a ata de fundação da Cooperativa de Produtores da Agricultura Familiar e Solidária de Moita Bonita.

Atualmente com 75 cooperados, a Cooperafes é um exemplo nacional seguido por outros estados. Joelito comenta que no princípio foi difícil conseguir mercado, recebendo muitas cobranças dos cooperados, mas graças ao apoio do município, a cooperativa se consolidou e sendo imprescindível para produção de batata doce no município.

A cooperativa possui parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMPRABA), SEBRAE e CONAB, e com isso os cooperados tem acesso a políticas públicas como emissão de DAP (Declaração de Aptidão ao Pronaf), um documento necessário para financiamento, comercialização e assistência. “No espaço que denominamos de “Núcleo Administrativo da Agricultura Familiar são oferecidos todos os serviços relacionados a agricultura. Lá o agricultor dispõe do conselho municipal, posto de atendimento da ENDAGRO, Secretaria de Agricultura, e a cooperativa”, comenta o presidente.

Através do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e com a Compra da Agricultura da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a cooperativa chega a comprar o produto do produtor em até 100% a mais que o valor utilizado pelos atravessados. O governo federal também compra esses produtos para a merenda escolar.

Com o objetivo de beneficiar a produção a cooperativa teve a iniciativa de produzir alguns produtos a partir da batata doce, como a farinha, o bolo e pão semi integral. Alimentos ricos em betacaroteno, ômega 3, fibras, vitaminas e minerais.

Festival da batata doce 2018

No ano de 2018, a Secretaria de Agricultura em  parceria com a Cooperativa de Produção da Agricultura Familiar e Economia Solidaria (Cooperafes) estará realizando o Festival da Batata-doce.  Na programação é realizado o concurso da Rainha da Bata Doce, apresentação de grupos de reisado, pífano, apresentação da filarmônica do município, além de apresentação de artistas da cidade. Também está previsto a Copa da Batata Doce de Futebol de Campos, realização de receitas culinárias, que utilize a batata doce como principal ingrediente, palestras, a exposição de stands, a apresentação de orquestra sanfônica e resgaste de brincadeiras.

Fonte: FaxAju


EMBRAPA LANÇA A PRIMEIRA CULTIVAR DE MARACUJÁ-DOCE



15/12/2017

Produtores, extensionistas, técnicos e estudantes participaram, no dia 13 de dezembro, na Embrapa Cerrados (Planaltina, DF), do lançamento da primeira cultivar da espécie Passiflora alata Curtis, maracujá-doce BRS Mel do Cerrado (BRS MC) registrada e protegida no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. A cultivar é uma nova opção para os fruticultores, tanto para os tecnificados que utilizam o cultivo em estufas, como para os pequenos produtores e agricultores urbanos e periurbanos. Com flor de cor exuberante (vermelho arroxeada), a cultivar é indicada para uso na fruticultura ornamental, com utilização das flores, frutos e da própria planta no paisagismo de grandes áreas como cercas e pérgulas.

A abertura do evento de lançamento, que contou com apoio da Agrocinco e Emater-DF, foi feita pelo chefe-geral da Embrapa Cerrados Cláudio Karia e pelo assessor de gabinete da Secretaria de Agricultura do DF, Aloísio Martins, representando o secretário de Agricultura do DF, Argileu Martins da Silva. Aloísio Martins destacou a importância do novo material para o produtor rural. “Mais uma vez a Embrapa nos entrega um produto que irá contribuir para o aumento da renda do produtor e fortalecer a cadeia produtiva do maracujá. Expresso aqui, em nome da secretaria de Agricultura do DF, nosso reconhecimento e agradecimento à Embrapa”, afirmou.

O chefe-geral da Embrapa Cerrados ressaltou o esforço da empresa em disponibilizar tecnologias para atender à demanda da sociedade e sua importância social. “A nossa missão é viabilizar soluções tecnológicas para a sustentabilidade da agricultura. A empresa não está aqui para ganhar dinheiro, mas para beneficiar a sociedade. A agricultura é importante para a sociedade brasileira e o país precisa ter uma empresa pública que responda aos interesses sociais e econômicos do país e que não tenha o foco em gerar lucro para si”, declarou Karia.

Melhoramento genético - as principais características da cultivar BRS Mel do Cerrado - alta produtividade, qualidade física e química dos frutos e maior nível de resistência a pragas e doenças - foram trabalhadas no programa de melhoramento genético da Embrapa. O pesquisador Nilton Junqueira explicou que em 1996, com o objetivo de desenvolver cultivares mais resistentes a doenças como virose e bacteriose foi montada na Embrapa Cerrados uma coleção de genótipos de maracujá procedentes da Amazônia Ocidental, Cerrados e Mata Atlântica do Nordeste, Sudeste e Sul.

“Em 1996 a virose e a bacteriose destruíram os plantios de maracujá em São Paulo e mais tarde no DF e Goiás. A cultura foi praticamente abandonada, reduzindo a pequenas áreas em estufas e a campo nos estados de Santa Catarina e Paraná, onde estas doenças não haviam chegado. Após montarmos a coleção, os genótipos selecionados foram enviados para Rio de Janeiro, Santa Catarina, São Paulo e Minas Gerais. O BRS Mel do Cerrado foi um dos genótipos desenvolvidos a partir desta coleção”, afirmou Junqueira, que foi o pioneiro dessas pesquisas na década de 1990.

A cultivar melhorada pelo melhoramento genético apresenta maior nível de tolerância às principais doenças foliares que a população original de melhoramento, entretanto ainda apresenta suscetibilidade à bacteriose e à virose. Para conviver com a virose, o pesquisador Nilton Junqueira recomenda o uso da tecnologia do “mudão”, onde as mudas são conduzidas em ambiente protegido até atingirem mais de 1,5 metros, quando então são levadas para o campo.

As principais vantagens do “mudão” são a menor perda de mudas em campo após o plantio; maior tolerância ao ataque de virose, podridão de raízes, cupins, fungos e bactérias; maior durabilidade do plantio e maior produtividade. Essas vantagens, de acordo com Junqueira, compensam o preço do “mudão” que é o dobro da muda convencional, o custo do transporte que é mais caro e mais complicado e a exigência de maior espaço dentro da estufa e do telado.

Outra orientação para os produtores de maracujá-doce conviverem com a bacteriose são as pulverizações preventivas, principalmente feitas no início das chuvas e durante as épocas do ano mais úmidas e quentes. Para minimizar os problemas enfrentados com os insetos, como mosca da fruta, besouro da flor, percevejos e tripés, o pesquisador recomenda fazer o manejo de pragas do mesmo modo que é feito com o maracujá-azedo.

Cultivo e produção – o sistema de produção da cultivar BRS Mel do Cerrado segue as recomendações técnicas do maracujazeiro-azedo comercial, com relação às exigências edafo-climáticas, preparo e correção do solo, necessidade de espaldeiramento, podas, irrigação e adubações. A partir das informações obtidas nas unidades de validação da cultivar e áreas experimentais, os pesquisadores fizeram alguns ajustes no sistema de produção que devem ser realizados com base na realidade local do produtor.

O plantio de maracujá-doce pode ser feito de duas formas: espaldeira ou latada. A pesquisadora Ana Maria Costa apresentou resultados em que foram comparados os dois sistemas de plantio. O maracujá-doce no sistema latada foi 87% mais produtivo que em espaldeira. A vantagem do sistema de espaldeira é poder aproveitar a área para cultivos consorciados, como por exemplo, com as culturas de arroz, feijão, amendoim e maxixe.

“Os resultados de produtividade foram melhores em latada, mas isso não quer dizer que todos os produtores devem usar esse sistema. A tomada de decisão deve ser pela mão-de-obra. Como os tratos culturais são mais difíceis na latada, o produtor deve decidir se vale a pena ou não fazer o cultivo em latada. Se ele não tiver mão-de-obra para fazer os tratos culturais é preferível a espaldeira, mesmo com menor produtividade”, disse a pesquisadora.

A principal recomendação para o momento do plantio, como frisou o pesquisador Fábio Faleiro, é o uso de sementes e mudas certificadas. “O produtor não deve economizar nessa hora. A qualidade da semente ou da muda é a base para garantir a produtividade do maracujazeiro”, afirmou Faleiro.

O uso de sementes de pomares anteriores – recurso comumente utilizado pelo produtor - gera a endogamia (união entre indivíduos aparentados, geneticamente semelhantes) que provoca perda de vigor da planta, menor vingamento de frutos, menor enchimento de frutos, desuniformidade do pomar, maior suscetibilidade a doenças e maior desuniformidade dos frutos.

Para o produtor de Brazlândia (DF) Mauro César, a grande vantagem no cultivo da BRS Mel do Cerrado é o período de polinização que não coincide com o do maracujá-azedo. “A polinização do doce ocorre pela manhã e a floração do azedo é pela tarde. Então isso casou e deu a oportunidade do meu funcionário trabalhar com os dois maracujás. Outra coisa é que produzo maracujá o tempo todo, aumentando minha receita, principalmente por que o preço do doce é quatro vezes mais que do azedo”, disse o produtor que pretende aumentar o número de estufas com cultivo do maracujá-doce à medida que for abrindo mercado.

Aproveitamento integral – paralelo ao programa de melhoramento genético do maracujazeiro são desenvolvidas tecnologias para produção e agregação de valor aos maracujás do Cerrado. A pesquisadora Ana Maria Costa explicou que para todos os elos da cadeia produtiva são estudadas maneiras de aproveitamento e agregação de valor ao maracujá-doce.

Do maracujá BRS Mel do Cerrado se aproveita as folhas, a polpa, sementes e a casca do fruto. A polpa tem menos acidez que o maracujá-silvestre e por isso come-se in natura. Cerca de 80% do fruto, que tem peso variando de 120 a 300 gramas, é formado pela casca, que também é comestível. A casca pode ser utilizada para fazer farinha, saladas e doce em compotas, entre outras receitas.

As indústrias de medicamentos e de cosméticos têm interesse pelas folhas do maracujá-doce. “A Passiflora alata, conhecida também como maracujina ou maracujá-doce, já é conhecida das indústrias que utilizam suas folhas para a fabricação de medicamentos, fitoterápicos e cosméticos. As folhas são ricas em antioxidante e flavonoides. O óleo extraído das sementes é utilizado na produção de cosméticos”, afirma a pesquisadora Ana Maria.

É justamente nesses múltiplos usos do maracujá que está apostando o produtor Luiz Carlos Cotta. “No início vou comercializar o maracujá em embalagens com 10 ou 12 unidades e depois espero abrir mercado para atender os interessados em aproveitar o produto. Na próxima safra, vou abrir área para plantar mais desse maracujá para ter mais essa opção de renda na propriedade”, disse Cotta, um dos produtores que validou o material em sua propriedade em Sobradinho, no DF.  Os produtores interessados em plantar a cultivar BRS Mel do Cerrado já podem fazer a reserva de mudas com os viveiristas licenciados pela Embrapa. O contato desses viveiristas pode ser obtido em  https://www.embrapa.br/busca-de-solucoes-tecnologicas/-/produto-servico/4126/maracuja-doce---brs-mel-do-cerrado-brs-mc

Do melhoramento genético ao produtor

O pesquisador da Embrapa Cerrados Fábio Faleiro apresentou, durante o lançamento da cultivar de maracujá-doce BRS Mel do Cerrado, o programa de melhoramento genético do maracujazeiro e listou os produtos já desenvolvidos pela pesquisa. A fase de pós-melhoramento até a disponibilização dos materiais aos produtores foi abordada pelo gerente do escritório de Brasília da Embrapa Produtos e Mercado Isaac de Almeida.

Das 500 espécies conhecidas de maracujá cerca de 200 são encontradas no Brasil, sendo que 70 espécies dão frutos comestíveis. O melhoramento genético tem o objetivo de desenvolver cultivares nas linhas de maracujazeiro-azedo, doce, ornamental e espécies silvestres. “Fazemos cruzamentos com combinação de características de interesse. Nossos trabalhos vão desde a caracterização dos maracujás silvestres até a transferência de tecnologias. Para isso contamos com várias parcerias na rede de pesquisa”, ressaltou Faleiro.

Para desenvolver a cultivar BRS Mel do Cerrado, os primeiros ciclos de seleção e recombinação foram realizados em 1999, utilizando acessos e populações de Passiflora alata Curtis de diferentes origens. Faleiro explicou que o melhoramento genético populacional foi obtido por meio da seleção recorrente massal entre e dentro de família de meios irmãos. Matrizes e progênies superiores foram selecionadas e utilizadas na geração da nova cultivar.

Mais de 90% dos pomares de maracujá no Brasil são de maracujazeiro-azedo (espécie Passiflora edulis Sims). Dentro do programa de melhoramento genético do maracujazeiro-azedo, foram desenvolvidas e estão disponíveis para os produtores as cultivares BRS Gigante Amarelo, BRS Sol do Cerrado e BRS Rubi do Cerrado.

Novas espécies de maracujá estão conquistando o mercado, como a espécies de maracujazeiro-silvestre Passiflora setacea. O lançamento da cultivar BRS Pérola do Cerrado (BRS PC) em 2013 pelo programa de melhoramento genético contribuiu para o fortalecimento da cadeia produtiva desta espécie.

Das últimas cultivares lançadas, Faleiro destacou a BRS Sertão Forte (BRS SF) da espécie Passiflora cincinnata desenvolvida sob a liderança do pesquisador Francisco Pinheiro de Araújo da Embrapa Semiárido. Esta cultivar é indicada para cultivo no semiárido e também no Cerrado.
Fábio Faleiro também adiantou que estão em desenvolvimento outras variedades de maracujá-silvestre da série fruta e série minimaracujás, além de maracujazeiros-ornamentais e cultivares de porta-enxertos.

“A expectativa é que as cultivares desenvolvidas das diferentes espécies de maracujá possam diversificar os sistemas de produção gerando novas opções de geração de emprego e renda, melhorando a qualidade de vida dos produtores e proporcionando aos consumidores produtos derivados de uma biodiversidade essencialmente brasileira”, ressaltou Faleiro.

Mercado – o gerente do escritório de Brasília da Embrapa Produtos e Mercado Isaac  de Almeida explicou como as novas cultivares chegam ao mercado. Depois que os materiais são selecionados pela equipe de pesquisa, eles vão para os ensaios nacionais para definir qual desses materiais será lançado pela Embrapa. No caso da BRS Mel do Cerrado, a cultivar foi testada em 16 pontos de validação em 13 unidades federativas do país.

Com as informações obtidas até o momento, a cultivar de maracujazeiro-doce BRS Mel do Cerrado tem sido indicada para cultivo no Cerrado do Planalto Central. A expectativa é ampliar as áreas de recomendação com base nas experiências de sucesso da cultivar nos diferentes pontos de validação em todas as regiões do Brasil.

Após a decisão sobre a cultivar a ser lançada é feito o plano de posicionamento. Isaac de Almeida explicou que neste plano é feita a comparação com concorrentes, verificada a viabilidade de lançamento, definição do modelo de negócio, o planejamento das atividades de divulgação e marketing e o atendimento à legislação. Com o lançamento do produto, ocorre a inscrição no mercado e disponibilizadas sementes/mudas para viveiristas licenciados pela Embrapa. A partir daí a comercialização é feita ao produtor pela iniciativa privada.

Os modelos de desenvolvimento de parceria público privada também foram abordados por Isaac de Almeida. Ele disse que após o material genético chegar à Embrapa Produtos e Mercado são feitas as sementes genética/básica e selecionados os licenciados que multiplicarão as sementes ou mudas a serem comercializadas aos produtores. Há dois modelos para que o produto chegue ao mercado: licenciamento de viveiristas e licenciamento de produtores de sementes.

Para se tornar um viveirista e/ou produtor de sementes licenciado pela Embrapa, o interessado deve ficar atento, respectivamente, aos comunicados de oferta e edital de oferta pública, divulgados pela Embrapa. Mais informações em www.embrapa.br/produtos-e-mercado.


Acesse o vídeo sobre a BRS Mel do Cerrado https://www.youtube.com/watch?time_continue=3&v=eakXG0e74z8

Mais informações sobre a cultivar BRS Mel do Cerrado, incluindo recomendações técnicas do cultivo, podem ser obtidas na página www.cpac.embrapa.br/lancamentomeldocerrado



ASPECTO NUTRICIONAL DOS ALIMENTOS: O QUE SE DEVE SABER SOBRE OS ALIMENTOS



07/11/2017

Por Sidinéa Cordeiro de Freitas*

Alimentar vem do verbo latino alere, que significa crescer. Tanto para crescer, como para viver, ou até mesmo sobreviver, um indivíduo precisa se alimentar, isto é, ingerir alimentos. Mas isto não basta. É preciso que o alimento ingerido seja metabolizado pelo organismo, ou seja, transformado naquilo que o organismo realmente necessita. Sendo assim, o alimento ingerido deve ser nutritivo e seguro.

O alimento possui a finalidade de fornecer ao corpo humano a energia e os nutrientes necessários à formação e manutenção do corpo, tais como: carboidratos, proteínas, gorduras, sais minerais, vitaminas e água.

Os carboidratos, as proteínas e as gorduras são os nutrientes que fornecem energia ao corpo. Os carboidratos ditos disponíveis, ou metabolizáveis, constituem os açúcares simples que são: glicose e a frutose presentes em frutas e vegetais; a lactose, presente em derivados de leite, e a sacarose, presente em frutas e legumes e amido, presente em sementes, raízes e tubérculos.

Os carboidratos não metabolizáveis compreendem as fibras, presentes nas células de frutas, tubérculos, folhas, cereais etc., e que são benéficos para o funcionamento intestinal.

As gorduras, ou lipídios, constituem um grande número de compostos e são os maiores componentes do tecido adiposo constituindo, junto com as proteínas e carboidratos, a principal estrutura das células vivas. Além disso, são utilizados como reserva de energia do corpo humano e dos vegetais, como por exemplo, nas sementes oleaginosas (ex.: castanha do Brasil) e no corpo dos animais. As gorduras desempenham um papel importante na nutrição. Elas não só fornecem energia (calorias), como também, ácidos graxos essenciais, que agem no transporte das vitaminas lipossolúveis e tornam os alimentos mais saborosos.

As proteínas são moléculas de grande tamanho, que podem constituir 50%, ou mais, do peso seco das células vivas, e exercem funções fundamentais como catalisadores biológicos (enzimas) e componentes estruturais da célula. Algumas delas, além de carbono, hidrogênio, oxigênio, nitrogênio e enxofre, podem apresentar também: ferro, cobre, fósforo ou zinco. A maioria das proteínas é formada por unidades de 20 aminoácidos, entre os quais a histidina, lisina, metionina e triptofano. O ser humano necessita de aminoácidos essenciais, e essa necessidade varia de acordo com as condições fisiológicas do indivíduo como gravidez, fase de crescimento etc. Segundo a FAO (Órgão das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), a proteína considerada completa é a do ovo, que contém oito aminoácidos essenciais, sendo facilmente digerível.

As vitaminas são substâncias não energéticas, que estão presentes em diferentes alimentos, mas em pequenas quantidades. Algumas vitaminas atuam como apoio de certas reações enzimáticas e outras exercem funções fisiológicas específicas, controlando simultaneamente os processos de digestão, orientação e utilização dos nutrientes, como também atuam nos mecanismos de funcionamento do organismo. Daí a importância de se ingerir alimentos contendo vitaminas. Cada uma delas (A, D, E, K, B1, B2, B3, B5, B9, B12 e C) desempenha um papel essencial e específico no metabolismo. São divididas em hidrossolúveis (B1, B2, pró-vitamina B3, B5, B6, B8, B9, B12, C) e lipossolúveis (A, A2, Provitamina A, D2, Provitamina D2, D3, Provitamina D3, E, K).

 Tabela 1: Quantidade de vitaminas encontradas em alguns alimentos (em mg/100g).

ER – equivalente de retinol (soma das vitaminas provenientes do retinol pré-formado e dos carotenóides).

A tabela 2 abaixo exemplifica o valor da recomendação diária aceitável de algumas vitaminas.

Tabela 2: Recomendação diária de vitaminas (RDA).
 


Os minerais são necessários ao processo vital, devendo estar presentes em quantidades e proporções adequadas. Alguns participam da formação do esqueleto (Ca, P, Fe, Mg etc.) outros são necessários para manter o equilíbrio osmótico das células (Na, K, P etc.) e outros para o transporte de substâncias através das células. Pode-se descrever a importância deles, descrevendo-se o percentual de sua presença no organismo, como por exemplo, o cálcio, que participa de 1 a 2%. Já o magnésio é o principal elemento intracelular com papel importante nas atividades físicas, sendo sua deficiência responsável por doenças cardíacas, hipertensão, asma e diabetes. A deficiência em ferro causa anemia que, por sua vez, afeta o desenvolvimento mental, a capacidade de concentração e o aprendizado e causa apatia ou irritabilidade. O cobre é um dos constituintes de enzimas responsáveis por atividades de oxirredução, importante no tratamento de anemia por deficiência de ferro. O zinco, o segundo elemento mais abundante no corpo humano, é responsável pela atividade de mais de 300 enzimas, participa da síntese e degradação de carboidratos, lipídios, proteínas e ácidos nucleicos. O selênio é importante na redução de radicais livres, tem ação anticancerígena, diminui o risco de doenças cardíacas etc. O iodo foi o elemento responsável pelo controle da doença denominada “bócio”, hoje IDD (desordem associada à deficiência de iodo). O manganês faz parte de enzimas que reagem com o ferro. A deficiência em cromo prejudica a utilização da glicose no organismo. O molibdênio faz parte da enzima xantina oxidase, porém não há ainda sinais de sua deficiência em seres humanos.

A água é o componente em maior concentração na maioria dos alimentos. É um nutriente absolutamente essencial à vida funcionando como estabilizador da temperatura corporal dos seres humanos e da maioria dos animais, pois é o solvente universal, indispensável aos processos metabólicos, a pressão osmótica, participando também em reações metabólicas. Além disso proporciona, na maioria dos alimentos, a sua peculiar estrutura, aparência e gosto. A importância de se beber água está ligada, pois, ao favorecimento dos processos metabólicos.

É fundamental reiterar que a segurança é o principal requisito para a ingestão de qualquer alimento. Portanto, o mais importante será a ingestão de um alimento livre de quaisquer contaminações, embora em muitos casos essas contaminações não sejam visíveis. No caso de qualquer efeito adverso provocado pelo consumo de alimentos, sobretudo diarreia e vômitos, sempre será aconselhável recorrer a um médico.

*Pesquisadora da Embrapa Agroindústria de Alimentos, responsável pelo Laboratório de Análises Físico-Química de Alimentos.

Embrapa

Presidente do Haiti alerta para emergência alimentar no país

O Furacão Matthew provocou a morte de 546 pessoas no Haiti e grande destruição - AP

15/11/2016

Roma (RV) – A comunidade internacional não está cumprindo o seu compromisso em favor da reconstrução do Haiti. A denúncia é do Presidente interino, Jocelerme Privert, que em uma entrevista à BBC, falou das perdas devastadoras provocadas pelo Furacão Matthew.

Os danos provocados pela passagem do furacão, em 4 de outubro, correspondem ao PIB do Haiti. O Presidente falou à BBC nos dias passados, denunciando uma crise alimentar sem precedentes e o aumento da taxa de desnutrição. Ele fez um premente apelo para uma rápida intervenção da comunidade internacional, pois aquilo que foi feito até agora “não é o suficiente”.

O furacão,  elevado à Categoria 4, devastou grande parte do Haiti, atingindo mais de dois milhões de pessoas. O governo estima que 1,5 milhões de haitianos têm necessidade de assistência imediata, entre eles, os mais de 140 mil que vivem em abrigos temporários.

Sem um aporte econômico imediato que apoie a retomada da agricultura – explica ainda Privert – a situação somente irá piorar. O risco é que em três ou quatro meses nos encontraremos em uma grave crise alimentar.

Assiste-se a uma propagação da fome, denunciam também as organizações não governamentais que trabalham no país. O Haiti, antes da devastação provocada pelo furacão, já enfrentava três anos de seca, ou seja, já era marcado por altos níveis de desnutrição.

Federico Palmas,  responsável por uma das ONGs que atua no país (GVC Itália), falou aos microfones da Rádio Vaticano:

“Infelizmente, este tufão chegou com uma pontualidade terrível em relação ao calendário agrícola: dizimou praticamente toda a segunda colheita anual, de uma população que vive principalmente da agricultura de subsistência, sobretudo naquelas áreas. Penso que nos Departamentos de Grand-Anse, do Sul, e de Nippes - que são as três mais atingidas pelos ventos de mais de 100 km horários – o furacão tenha destruído até 80% das colheitas. Isto leva a uma situação em que 1 milhão e meio de pessoas estão em situação de fome neste momento. E estarão assim nos próximos meses, porque além do impacto imediato, danificou também aquilo que deveria ser colhido, destinado ao suprimento das necessidades alimentares para toda a seguinte estação seca”.

RV: Falando em termos econômicos, de quanto teria necessidade atualmente o Haiti para reconstruir aquilo que o Matthew destruiu?

“Para reconstruir tudo aquilo que o Matthew destruiu, provavelmente será necessário mais, no entanto, as estimativas para as operações de life-saving para os próximos três meses, fala-se de 120 milhões de dólares. Destes, cerca de 70 são necessários para resolver o problema alimentar, da segurança alimentar e da nutrição em geral. Claramente, a segunda emergência é aquela relativa à disponibilidade de água para o consumo humano e para conter os possíveis focos do cólera, assim como de toda uma série de outras doenças ligadas à contaminação da água”.


Câmara aprova exigências relativas a embalagens de frutas e verduras

23/10/2015

Objetivo da proposta é reduzir os riscos de contaminação de frutas e hortaliças e assegurar melhor conservação dos produtos

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania aprovou na quinta-feira (22) projeto que define as características de embalagens de frutas e hortaliças não processadas. Pelo texto aprovado, esses invólucros podem ser descartáveis ou retornáveis e devem ter dimensões para permitir empilhamento em palete com medidas de 1 metro por 1,2 metro.

Como tramitava em caráter conclusivo, a proposta está aprovada pela Câmara e deve ser analisada em seguida pelo Senado.

A versão final do texto é o substitutivo da Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio ao Projeto de Lei 3778/12, da deputada Iracema Portella (PP-PI). O texto exige que as embalagens retornáveis sejam resistentes ao manuseio a que se destinam, às operações de higienização e não se constituam em veículos de contaminação. Essas embalagens devem ser mantidas íntegras e higienizadas a cada uso, devendo ser apresentado, quando solicitado, o respectivo laudo de higienização.

Informações obrigatórias

O substitutivo amplia o rol de informações que devem constar das embalagens de frutas e hortaliças. Além da razão social, do número do Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) e do endereço do fabricante, previstos no projeto inicial, o substitutivo exige ainda a inscrição da data de fabricação e do peso da embalagem.

O relator da proposta, deputado Jerônimo Goergen (PP-RS), apenas reverteu uma mudança feita pelo substitutivo anterior. Os órgãos responsáveis pela fiscalização do cumprimento da lei, segundo Goergen, precisam ser genéricos na lei, porque suas atribuições podem mudar, assim, ele retirou a menção direta aos ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, além do Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro).

Desde 2002, os ministérios da Agricultura, da Saúde e do Desenvolvimento publicaram a Instrução Normativa Conjunta 9, que estabeleceu as características das embalagens de produtos hortícolas in natura, que vem sendo implantada gradativamente, e deve ser substituída por essa lei.



Carta de Santa Cruz defende reforma agrária e produção de alimentos saudáveis



08/08/2015

Documento entregue ao Papa Francisco foi elaborado no 2º Encontro Mundial de Movimentos Populares, na Bolívia.

Por Catiana de Medeiros

A defesa da terra e da soberania alimentar fazem parte da Carta de Santa Cruz, elaborada por militantes sociais de 40 países durante o 2º Encontro Mundial de Movimentos Populares, realizado entre os dias 7 a 9 de julho, em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia.

O documento defende a promoção da Reforma Agrária integral, com a distribuição de terra de forma justa e equitativa.

Alerta ainda para “o surgimento de novas formas de acumulação e especulação da terra e do território como mercadorias, vinculadas ao agronegócio, que promove a monocultura destruindo a biodiversidade, consumindo e contaminando a água, deslocando populações camponesas e utilizando agrotóxicos que contaminam os alimentos”.

As organizações também reafirmaram a luta em defesa da produção de alimentos saudáveis e da soberania alimentar, condenando os transgênicos.

A Carta de Santa Cruz foi entregue ao Papa Francisco no último dia 11, quando esteve reunido pela segunda vez com os movimentos populares, na Bolívia. O primeiro encontro dos militantes com o Papa ocorreu em 2014, no Vaticano.

Confira abaixo a íntegra da carta:

Carta de Santa Cruz

As organizações sociais reunidas no Segundo Encontro Mundial de Movimentos Populares, em Santa Cruz de la Sierra, Bolívia, durante os dias 7, 8 e 9 de julho de 2015, concordamos com o papa Francisco em que as problemáticas social e ambiental emergem como duas faces da mesma moeda. Um sistema incapaz de garantir terra, teto e trabalho para todos, que mina a paz entre as pessoas e ameaça a própria subsistência da Mãe Terra, não pode seguir regendo o destino do planeta.

Devemos superar um modelo social, político, econômico e cultural onde mercado e o dinheiro se converteram nos reguladores das relações humanas em todos os níveis.

Nosso grito, o grito dos mais excluídos e marginalizados, obriga que os poderosos compreendam que não se pode seguir dessa forma. Os pobres do mundo se levantaram contra a exclusão social que sofrem cotidianamente. Não queremos explorar, nem sermos explorados. Não queremos excluir, nem sermos excluídos. Queremos construir um modo de vida no qual a dignidade se alce por cima de todas as coisas.

Por isso, nos comprometemos a:

1. Impulsionar e aprofundar o processo de mudança

Reafirmamos nosso compromisso com os processos de transformação e libertação como resultado da ação dos povos organizados, que a partir de suas memória coletiva tomam a história em suas mãos e decidem transformá-la, para dar vida às esperanças e às utopias que nos convocam a revolucionas as estruturas mais profundas de opressão, dominação, colonização e exploração.

2. Viver bem, em harmonia com a Mãe Terra

Seguiremos lutando para defender e proteger a Mãe Terra, promovendo a “ecologia integral” de que fala o papa Francisco. Somos fiéis a filosofia ancestral do “bem viver”, nova ordem de vida que propõe harmonia e equilíbrio nas relações entre os seres humanos e entre estes e a natureza.

A terra não nos pertence, nós pertencemos à terra. Devemos dela cuidar e trabalhá-la em benefício de todos. Queremos leis ambientais em todos os países em função do cuidado dos bens comuns.

Exigimos a reparação histórica e um marco jurídico que resguarde os direitos dos povos indígenas em nível nacional e internacional, promovendo um diálogo sincero a fim de superar os diversos e múltiplos conflitos que atravessam os povos indígenas, originários, camponeses e afrodescendentes.

3. Defender o trabalho digno

Nos comprometemos a lutar na defesa do trabalho como direito humano. Pela criação de fontes de trabalho digno, pelo desenho e implementação de políticas que restituam todos os direitos trabalhistas eliminados pelo capitalismo neoliberal, tais como os sistemas de seguridade social, a aposentadoria e o direito de sindicalização.

Rechaçamos a precarização, a terceirização e buscamos que se supere a informalidade através da inclusão, nunca com perseguição ou repressão.

Também levantamos a causa dos migrantes, deslocados e refugiados. Instamos aos governos dos países ricos a que derroguem todas normas que promovem tratamento discriminatório contra eles e que estabeleçam formas de regulação que eliminem o trabalho escravo, o tráfico de pessoas e a exploração infantil.

Impulsionaremos formas alternativas de economia, tanto em áreas urbanas como em zonas rurais. Queremos uma economia popular e social comunitária que resguarde a vida das comunidades e que prevaleça a solidariedade acima do lucro. Para isso é necessário que os governos fortaleçam os esforços que emergem das bases sociais.

4. Melhorar nossos bairros e construir moradias dignas

Denunciamos a especulação e a mercantilização dos terrenos e bens urbanos. Rechaçamos os despejos forçados, o êxodo e o crescimento dos bairros marginalizados. Rechaçamos qualquer tipo de perseguição judicial contra aqueles que lutam por uma casa para sua família, porque entendemos a moradia como um direito humano básico, o qual deve ter caráter universal.

Exigimos políticas públicas participativas que garantam o direito à moradia, a integração urbana de bairros marginalizados e o acesso integral ao habitat para edificar casas com segurança e dignidade.

5. Defender a Terra e a soberania alimentar

Promovemos a reforma agrária integral para distribuir a terra de maneira justa e equitativa. Chamamos a atenção dos povos para o surgimento de novas formas de acumulação e especulação da terra e do território como mercadorias, vinculadas ao agronegócio, que promove a monocultura destruindo a biodiversidade, consumindo e contaminando a água, deslocando populações camponesas e utilizando agrotóxicos que contaminam os alimentos.

Reafirmamos nossa luta pela eliminação definitiva da fome, pela defesa da soberania alimentar e pela produção de alimentos saudáveis. Também rechaçamos enfaticamente a propriedade privada de sementes por grandes grupos agroindustriais, assim como a introdução de produtos trangênicos substituindo aos nativos, pois destroem a reprodução da vida e da biodiversidade, criam dependência alimentar e causam efeitos irreversíveis sobre a saúde humano e o meio ambiente. Nesse sentido, reafirmamos a defesa dos conhecimentos tradicionais dos povos indígenas em relação à agricultura sustentável.

6. Construir a paz e a cultura do encontro

Nos comprometemos, a partir da vocação pacífica de nossos povos a intensificar as ações coletivas que garantam a paz entre todas as pessoas, povos, religiões, etnias e culturas.

Reafirmamos a pluralidade de nossas identidades culturais e tradicionais que devem conviver harmoniosamente sem que umas se sobreponhas a outras. Nos levantamos contra a discriminação de nossa luta, pois estão criminalizando nossos costumes.

Condenamos qualquer tipo de agressão militar e nos mobiliamos pelo cessar imediato de todas as guerras e ações desestabilizadoras ou golpes de Estado, que atentam contra a democracia e a vontade dos povos livres.

Rechaçamos o imperialismo e as novas formas de colonialismo, sejam militares, financeiras ou midiáticas. Nos pronunciamos contra a impunidade dos poderosos e a favor da liberdade dos lutadores sociais.

7. Combater a discriminação

Nos comprometemos a lutar contra qualquer forma de discriminação entre os seres humanos, seja por diferenças étnicas, cor de pele, gênero, origem, idade, religião ou orientação sexual. Todas e todos, mulheres e homem, devemos ter os mesmos direitos. Condenamos o machismo, qualquer forma de violência contra a mulher, em particular os feminicídios, e gritamos: Nenhuma a menos!

8. Promover a liberdade de expressão

Promovemos o desenvolvimento de meios de comunicação alternativos, populares e comunitários, frente ao avanço dos monopólios midiáticos que ocultam a verdade. O acesso à informação e a liberdade de expressão são direitos dos povos e fundamento de qualquer sociedade que se pretenda democrática, livre e soberana.

O protesto é também um forma legítima de expressão popular. É um direito e aqueles que o exercem não devem ser perseguidos.

9. Colocar a ciência e a tecnologia a serviço dos povos

Nos comprometemos a lutar para que a ciência e o conhecimento sejam utilizados a serviço do bem-estar dos povos. Ciência e conhecimento são conquistas de toda a humanidade e não podem estar a serviço do lucro, exploração, manipulação ou acumulação de riquezas por parte de alguns grupos. Persuadimos a que as universidades se encham de povo e seus conhecimentos sejam orientados a resolver os problemas estruturais mais que a gerar riquezas para as grandes corporações. Deve-se denunciar e controlar as multinacionais farmacêuticas que, por um lado, lucram com a expropriação de conhecimentos milenares dos povos originários e, por outro, especulam e geram lucros com a saúde de milhões de pessoas, colocando o negócio na frente da vida.

10. Rechaçamos o consumismo e defendemos a solidariedade como projeto de vida

Defendemos a solidariedade como projeto de vida pessoal e coletivo. Nos comprometemos a lutar contra o individualismo, a ambição, a inveja e a ganância que se aninham em nossas sociedade e muitas vezes em nós mesmos. Trabalharemos incansavelmente para erradicar o consumismo e a cultura do desperdício. Seguiremos trabalhando para construir pontes entre os povos, que nos permitam derrubar os muros da exclusão e da exploração!

Fonte: MST


Mauritânia: cancelamento da distribuição de alimentos aumenta o risco de desnutrição para refugiados malineses

Foto: Avril Benoit/MSF
12/07/2015

Mais de 49 mil pessoas deixaram suas casas para fugir da violência e podem ser prejudicadas com o corte de alimentos

O cancelamento da distribuição mensal de alimentos de julho para 49.500 refugiados malineses no campo de Mbera poderá causar um aumento dos níveis globais de desnutrição aguda, alerta a organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF), que oferece cuidados médicos e apoio para tratar a desnutrição no acampamento. MSF pede à comunidade internacional de doadores que garanta o acesso a fontes confiáveis de alimentos aos refugiados no campo de Mbera.

O Programa Alimentar Mundial (PAM), diante da enfrenta escassez de recursos financeiros, não tem conseguido assegurar o financiamento da distribuição geral de alimentos de julho. Além disso, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), que é responsável pela gestão do acampamento, insiste estar sem fundos para propor uma solução alternativa à consequência inevitável do aumento da desnutrição.

A atual realidade é consequência de uma situação já precária, em que a distribuição de arroz foi cortada de 12 kg para 5,4 kg por pessoa em junho, e a distribuição geral de alimentos foi cancelada por completo em março, o que causou um aumento das admissões de crianças doentes nos programas de nutrição terapêutica de MSF de 30, no mês anterior ao cancelamento, para 79, no mês seguinte ao corte.

“A taxa de desnutrição aguda global no acampamento estava em torno de 20% em 2012, quando iniciamos nossas atividades ali”, disse o Dr. Mahama Gbané, coordenador médico de MSF na Mauritânia. “Trabalhamos junto a agências como o PAM para diminuir essa taxa para estimados 9%. Seria trágico se permitíssemos que a saúde dos mais vulneráveis novamente atingisse níveis catastróficos.”

Esses refugiados escaparam para a Mauritânia em 2012 quando o conflito consumiu o norte do Mali. Apesar dos acordos de paz assinados recentemente por alguns grupos armados de oposição no país, as pessoas ainda não se sentem seguras para voltar para casa. Desde 2012, sua sobrevivência no deserto – onde as temperaturas alcançam os 50ºC e tempestades de areias são comuns – tem dependido largamente da assistência humanitária. Alguns refugiados conseguiram manter seu gado, mas as secas sucessivas têm empobrecido drasticamente o pasto residual para alimentar animais em toda a região do Sahel. Ataques recentes e saques de cidades e vilarejos no norte do Mali aumentaram o receio de que ainda levará um bom tempo até que os refugiados se sintam seguros para voltar à sua terra natal.

“As pessoas tentaram cultivar alimentos nos jardins das comunidades, mas o calor escaldante, as tempestades de areia e insetos destruíram a maioria das plantações”, disse Maya Walet Mohamed, líder do comitê feminino do acampamento. “O momento do intervalo na distribuição de alimentos é ainda mais cruel porque as pessoas já estão jejuando durante o dia para o mês de Ramadan, e agora elas têm poucos alimentos para quebrar o jejum ao pôr do sol.”

Após três anos de seu exílio, a maioria dos refugiados já venderam o pouco que tinham deixado para trocar por fontes alternativas de alimentos, como carne e leite, ou seja, os insumos básicos da dieta tradicional nômade, que não fazem parte das distribuições do PAM. Essa reserva de fonte de alimentos agora está escassa. “Isso é crítico para nós, assim como para a população da Mauritânia, porque os animais estão morrendo ou não servem de nada por causa das secas”, acrescentou Maya Walet Mohamed.

Médicos Sem Fronteiras (MSF) é uma organização internacional médico-humanitária independente que leva ajuda de emergência a pessoas em mais de 60 países afetadas por conflitos armados, epidemias, desastres naturais e exclusão do acesso a cuidados de saúde.

MSF começou a atuar na Mauritânia em 1994. Hoje, 370 profissionais humanitários apoiam o Ministério da Saúde local, oferecendo serviços como cuidados de saúde primária, cirurgias de emergência e cuidados de saúde sexual e reprodutiva na região sudeste do país, incluindo o campo de refugiados de Mbera, em Bassikounou e em Fassala.



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