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ÓRGÃOS PÚBLICOS ESTÃO COM 18 CHAMADAS ABERTAS PARA AQUISIÇÃO DE ALIMENTOS

Foto: Rafael Zart/MDS

19/07/2018

Os editais preveem a compra da agricultura familiar de itens como açúcar, arroz, farinhas, carnes e frutas

Unidades Militares de dez Estados, a Universidade Federal Rural da Amazônia e a Prefeitura Municipal de São Paulo estão com chamadas públicas abertas para a aquisição de alimentos produzidos pela agricultura familiar. Ao todo, são 18 órgãos que vão investir R$ 36 milhões por meio da modalidade Compra Institucional do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento Social (MDS).

Serão comprados itens como açúcar, arroz, farinhas, feijão, leite em pó, sucos, carnes, frutas e verduras, entre outros itens. Tudo é produzido por pequenos produtores e cooperativas da agricultura familiar.

A Prefeitura Municipal de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Educação, vai investir R$ 4 milhões na compra de alimentos, como explica o secretário Alexandre Schneider. “Temos uma pauta variável que vai de arroz passando por geleia, sucos e frutas. Temos ampliado o consumo aqui na cidade de São Paulo de alimentos provenientes da agricultura familiar e de produtos de base agroecológica, também da agricultura familiar”. 

A legislação determina que pelo menos 30% dos alimentos adquiridos para abastecer órgãos federais venham da agricultura familiar. Os prazos para o envio das propostas encerram em diferentes datas. Para acompanhar os editais é só acessar o Portal de Compras da Agricultura Familiar.

Como participar – A coordenadora geral de Aquisição e Distribuição de Alimentos do MDS, Hetel Santos, explica como os interessados podem participar. “Para a agricultura familiar, os agricultores, as cooperativas e as associações é importante que acessem o Portal de Compras da Agricultura Familiar, entrem no link ‘chamadas abertas no seu Estado’, procurando os editais para ver as especificações técnicas dos produtos e os prazos para a entrega das suas propostas de venda, conforme especificações no edital.”

Cada agricultor familiar pode vender até o limite de R$ 20 mil, por ano, para cada órgão comprador. Já para as cooperativas ou associações, o limite é de R$ 6 milhões por ano, por órgão comprador.

*Reportagem: Roberto Rodrigues

Informações sobre os programas do MDS:
0800 707 2003



AGROECOLOGIA E AGRICULTURA FAMILIAR MANTÊM A FORÇA PRODUTIVA NO CAMPO

A agricultura familiar de base agroecológica é suporte bastante viável para a 
sustentabilidade da produção no campo - Foto: Nabyla Carneiro

20/05/2018

Durante a realização da 16ª edição da Agro Centro-Oeste Familiar2018  (Acof2018), que aconteceu em São Luiz de Montes Belos (GO), entre os dias 9 e 11 de maio, a equipe técnica da Embrapa Arroz e Feijão (GO) apresentou palestras e oficinas, participando também em mesas redondas, fórum de trocas de experiências e conhecimentos, além do estande institucional, com demonstração de tecnologias e publicações disponíveis ao homem do campo.

Promovida pela Universidade Estadual de Goiás (UEG), em parceria com as cooperativas de agricultores, sindicatos rurais, movimentos sociais, instituições públicas em âmbito federal, estadual e municipal, centros de pesquisa agropecuária e pela sociedade civil organizada, a Agro Centro-Oeste Familiar2018 teve como tema central “Agricultura Familiar: oportunidades e desafios na produção de alimentos saudáveis”.

Durante a realização da Acof2018, a pesquisadora Flávia Alcântara, da Embrapa Arroz e Feijão ministrou palestra sobre ‘Agroecologia e Agricultura Familiar’. Ela destacou o aspecto multidisciplinar da agroecologia, isto é, mostrou a agroecologia num contexto dimensional que evolve, ao mesmo tempo, ciência - a agroecologia prioriza a pesquisa participativa, a abordagem holística e a transdiciplinariedade; como uma prática - se baseia nos conhecimentos e nas práticas que os agricultores e agricultoras exercem no dia-a-dia; e, também, como um movimento - busca fortalecer a agricultura familiar e camponesa, para que se alcance segurança e soberania alimentar.

A solução da fome no mundo passa pelo reconhecimento de que a segurança alimentar na maioria dos países em desenvolvimento só será alcançada por meio do fortalecimento da agricultura familiar; e a agricultura de base agroecológica, com seus sistemas ambiental e socialmente funcionais, resistentes a produtos industriais e mais voltada a processos ecológicos naturais, podem contribuir imensamente para esse fim, garantindo a sustentabilidade socioeconomica, ambiental e cultural dos agricultores.

Nestes 18 anos de Agro Centro-Oeste Familiar fizeram com que o evento se consolidasse em um espaço aberto de debates, diálogos e construção de conhecimento para o desenvolvimento rural, além de valorização do potencial artístico e cultural dos agricultores familiares.

Fonte: Embrapa


A hora e a vez da agricultura familiar



10/01/2018

Segundo o último Censo Agropecuário feito no Brasil, de 2006, 84,4% dos estabelecimentos agropecuários brasileiros pertencem a grupos familiares
   
Por Chico Junior

O Brasil é um grande produtor de alimentos, um dos maiores do mundo. Somos o terceiro maior produtor mundial de produtos agropecuários, atrás da China e dos Estados Unidos. Somos o maior produtor mundial de café, de cana de açúcar, de suco de laranja, o segundo maior de soja, o segundo em mandioca. E por aí vai.

E o Brasil é, também, grande exportador de alimentos. Por conta dessa grande produção, o café, a soja, o suco de laranja, o açúcar são importantes commodities agrícolas. O agronegócio é responsável por sete dos 10 principais produtos exportados pelo Brasil em 2017.

Mas agora segue uma informação que talvez lhe surpreenda: quando você se senta à mesa para tomar o seu café da manhã, para almoçar, para jantar, você está, basicamente, sendo alimentado pela agricultura familiar, pelo pequeno produtor brasileiro. Isso porque os grandes conglomerados agrícolas destinam grande parte da produção à exportação, deixando para o pequeno produtor a tarefa de alimentar considerável parcela da população brasileira. Segundo o último Censo Agropecuário feito no Brasil, de 2006, 84,4% do total dos estabelecimentos agropecuários brasileiros pertencem a grupos familiares. São aproximadamente 4,4 milhões de estabelecimentos, metade deles na Região Nordeste. Segundo dados da Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead), ex- Ministério do Desenvolvimento Agrário, mais da metade da cesta básica do brasileiro é composta por produtos da agricultura familiar. Estima-se que a agricultura familiar é responsável por colocar em sua mesa 70% de todo o alimento que você consome cotidianamente. Para citar alguns exemplos, ela é responsável pela produção de 87% da mandioca, 70% do feijão 59% da carne suína, 58% do leite e 50% da carne de aves.

No Estado do Rio de Janeiro, a ação da agricultura familiar é marcante. Em 2006 eram mais de 44 mil estabelecimentos, representando 75% do total das propriedades rurais, responsáveis por 58% dos postos de trabalho no campo e pela produção da maior parte da produção agrícola do estado: 75% da mandioca, 68% do feijão, 67% do milho em grão, 55% do arroz e 52% do café.

Além de tudo o que se disse aí em cima, por que a agricultura familiar deve ser cada vez mais fomentada e valorizada? Primeiro porque tem dinâmica e características distintas em comparação à agricultura não familiar: a gestão da propriedade é compartilhada pela família, e a atividade produtiva é a principal fonte geradora de renda. Além disso, o agricultor familiar tem uma relação especial com a terra, seu local de trabalho e moradia. Por isso, presume-se, tem mais respeito e carinho pela terra, base do seu sustento. A diversidade produtiva também é uma característica do setor.

Ela é a base econômica de 90% dos municípios brasileiros com até 20 mil habitantes (ressalte-se que a maioria dos municípios tem menos de 20 mil habitantes), responde por 35% do PIB e absorve 40% da população economicamente ativa do país. Tem, portanto, importância econômica vinculada ao abastecimento do mercado interno e ao controle da inflação dos alimentos.

Ela é, em suma, a base da produção sustentável de alimentos.

O Brasil não é diferente do resto do mundo. Em todos os cantos do planeta, a agricultura familiar é base da alimentação. A importância que se dá ao assunto é tanta que, no último dia 20 de dezembro, a 72ª Assembleia Geral da ONU proclamou a Década para a Agricultura Familiar 2019-2028, com o objetivo principal de promover melhores políticas públicas de agricultura e propor uma oportunidade única para contribuir com a erradicação da fome e da pobreza. O documento da Resolução da Década da Agricultura Familiar foi proposto no início de outubro por um grupo de 14 países, liderados pela Costa Rica, copatrocinado por 104 nações e aprovado por unanimidade pela Assembleia Geral. A partir de agora, um plano de ação será apresentado à FAO, o órgão da ONU para alimentação e agricultura, e aos governos.

A nós, modestamente, cabe seguir as diretrizes da ONU para que o espaço da agricultura familiar no Brasil seja cada vez maior.

Fonte: O Globo


AGRICULTURA FAMILIAR, UM ESTÍMULO À ECONOMIA BRASILEIRA



01/04/2017

Por Paulo Figueiredo

O agronegócio é uma das principais atividades responsáveis por movimentar a economia brasileira. De acordo com um levantamento feito pelo Centro de Estudos de Economia Agrícola, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz de Piracicaba/SP (Cepea/Esalq), o setor emprega 19 milhões de pessoas, o que representa 20% do total das oportunidades de trabalho do país. 

Nesse cenário, uma atividade que chama a atenção é a agricultura familiar, que conta com 11,5 milhões de trabalhadores e é responsável por produzir 70% dos alimentos consumidos no país. Entre as culturas que provêm dela, estão: mandioca, feijão, milho, café, arroz e trigo, além da produção de leite e a criação de suínos, aves e bovinos.

A partir dos números positivos e do potencial de expansão que possui, diferentes segmentos da economia voltaram seus olhares aos profissionais dessa atividade. Um exemplo é a indústria de maquinários agrícolas, que se adaptou à necessidade específica dos produtores para oferecer eficiência e segurança no trabalho.

Isso porque o agricultor familiar está em busca de tecnologias com custos acessíveis, de fácil manuseio, com menos esforço físico na operação e capazes de garantir o aumento da produtividade. O uso do motocultivador no lugar da enxada, por exemplo, é indicado para atividades de preparo do solo, principalmente em hortas. Sua utilização também é muito difundida em granjas para remover a cama de frango, melhorando o ambiente de criação. Com o equipamento, o produtor consegue diminuir o tempo de trabalho de forma significativa.

Outro exemplo de inovação é o uso da derriçadora na colheita do café e também da acerola. Conhecida por "mãozinha", a tecnologia substitui a colheita manual de grãos e frutos, pois gera vibrações para que eles se desprendam das plantas e sejam projetados ao solo, sem danificar os arbustos ou o mecanismo atuador. 

Essas são apenas duas das soluções destinadas ao pequeno produtor. No entanto, é possível notar que cada vez mais a tecnologia tem um papel essencial no campo. Além de garantir o aumento da produtividade na manutenção de diferentes culturas, ela contribui com o fim das jornadas exaustivas de trabalho. 

O importante é enxergar que a agricultura familiar se transformou em uma atividade muito competitiva, por isso devemos dar uma atenção especial aos pequenos produtores rurais. Com o aumento da produtividade e a redução dos custos, é possível gerar ainda mais valor ao agricultor.

* Paulo Figueiredo consultor técnico de produtos da Husqvarna, líder global no fornecimento de equipamentos para o manejo de áreas verdes.

O que são agroflorestas e como um novo projeto ajudará a recuperar áreas degradadas da Amazônia

(Crédito:  Thaís Antunes)
19/09/2016

O programa Olhos da Floresta, da Coca-Cola Brasil, incentiva a agricultura familiar e a cadeia do guaraná no Amazonas, levando oportunidades de inclusão social, geração de renda e uso racional dos recursos naturais na região. Lançado em maio em parceria com a ONG Imaflora, o programa vai oferecer apoio técnico à agricultura familiar para a adoção dos chamados Sistemas Agroflorestais (SAFs) — modelo alternativo de produção que combina culturas agrícolas e espécies florestais em um mesmo espaço, recuperando o bioma de áreas degradadas. O guaraná do Amazonas também será certificado, com a adoção de registros, controles e ferramentas de rastreabilidade ao longo de toda a cadeia, do plantio até o produto final.

O que são agroflorestas

No modelo de produção, espécies arbóreas, culturas agrícolas e pequenos animais convivem em harmonia. O cultivo de plantas de diferentes características promove a recuperação natural da floresta. Plantações de milho e mandioca, por exemplo, se desenvolvem mais rapidamente que as árvores e na presença de muito sol. Assim, preparam o ambiente para outras espécies, como bananeiras, palmeiras e árvores que, além de produzirem frutas e castanhas, capturam os nutrientes mais profundos do solo através de suas raízes. É um ciclo que impacta diretamente a conservação do solo e de microbacias. Com o tempo, animais e microrganismos voltam a essas áreas, aumentando a diversidade de espécies. Para os agricultores, o programa aumenta a geração de renda ao diminuir a monodependência, associando culturas de curto e longo prazos e permitindo a permanência dos trabalhadores no campo.

"Uma cadeia produtiva forte do guaraná, que fortaleça a agricultura familiar promovendo a inclusão social com o uso sustentável dos recursos naturais, responde não apenas aos desafios relacionados à nossa cadeia de fornecedores, mas também é uma condição para o desenvolvimento do interior do estado do Amazonas”, diz Pedro Massa, diretor de Valor Compartilhado da Coca-Cola Brasil. “Não existe empresa sustentável se as comunidades não forem sustentáveis. Esse é um projeto de todos nós", completa. 

O programa Olhos da Floresta prevê ainda ações, em parceria com o Imaflora, de estímulo a formas de organização social, construção dos referenciais técnicos para agricultura familiar e guaraná em oficinas e workshops, práticas de manejo agroecológico e estímulo à preservação da biodiversidade, além da atuação para o desenvolvimento de uma cadeia de preço justo e transparente.

A lenda do guaraná da Amazônia

O fruto do guaraná lembra muito o desenho dos olhos humanos e sua origem é cercada de lendas. A principal é sobre um casal de índios da tribo amazônica Maués, que, após muitos anos juntos, ainda não tinham filhos. Um dia eles pediram a Tupã (manifestação divida em forma de trovão) para dar a eles uma criança. Tupã, sabendo que o casal era merecedor da alegria, atendeu o desejo do casal trazendo a eles um menino, que cresceu belo e generoso.

No entanto, Jurupari, o deus da escuridão, que sentia inveja do menino e da paz e felicidade que ele transmitia, decidiu ceifar a vida do pequeno. Um dia, o menino foi coletar frutos na floresta e Jurupari se aproveitou da ocasião para lançar sua vingança. Ele se transformou em uma serpente venenosa e mordeu o menino, matando-o instantaneamente.

A triste notícia se espalhou rapidamente. No mesmo instante, trovões ecoaram e fortes relâmpagos caíram pela aldeia. A mãe, que chorava em desespero, entendeu que os trovões eram uma mensagem de Tupã, dizendo que ela deveria plantar os olhos da criança e que deles uma nova planta cresceria dando saborosos frutos.

Os índios seguiram o pedido da mãe e plantaram os olhos do menino. No lugar, cresceu o guaraná, cujas sementes são negras, cada uma com um arilo em seu redor, muito semelhante aos olhos humanos.



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