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AGROECOLOGIA E AGRICULTURA FAMILIAR MANTÊM A FORÇA PRODUTIVA NO CAMPO

A agricultura familiar de base agroecológica é suporte bastante viável para a 
sustentabilidade da produção no campo - Foto: Nabyla Carneiro

20/05/2018

Durante a realização da 16ª edição da Agro Centro-Oeste Familiar2018  (Acof2018), que aconteceu em São Luiz de Montes Belos (GO), entre os dias 9 e 11 de maio, a equipe técnica da Embrapa Arroz e Feijão (GO) apresentou palestras e oficinas, participando também em mesas redondas, fórum de trocas de experiências e conhecimentos, além do estande institucional, com demonstração de tecnologias e publicações disponíveis ao homem do campo.

Promovida pela Universidade Estadual de Goiás (UEG), em parceria com as cooperativas de agricultores, sindicatos rurais, movimentos sociais, instituições públicas em âmbito federal, estadual e municipal, centros de pesquisa agropecuária e pela sociedade civil organizada, a Agro Centro-Oeste Familiar2018 teve como tema central “Agricultura Familiar: oportunidades e desafios na produção de alimentos saudáveis”.

Durante a realização da Acof2018, a pesquisadora Flávia Alcântara, da Embrapa Arroz e Feijão ministrou palestra sobre ‘Agroecologia e Agricultura Familiar’. Ela destacou o aspecto multidisciplinar da agroecologia, isto é, mostrou a agroecologia num contexto dimensional que evolve, ao mesmo tempo, ciência - a agroecologia prioriza a pesquisa participativa, a abordagem holística e a transdiciplinariedade; como uma prática - se baseia nos conhecimentos e nas práticas que os agricultores e agricultoras exercem no dia-a-dia; e, também, como um movimento - busca fortalecer a agricultura familiar e camponesa, para que se alcance segurança e soberania alimentar.

A solução da fome no mundo passa pelo reconhecimento de que a segurança alimentar na maioria dos países em desenvolvimento só será alcançada por meio do fortalecimento da agricultura familiar; e a agricultura de base agroecológica, com seus sistemas ambiental e socialmente funcionais, resistentes a produtos industriais e mais voltada a processos ecológicos naturais, podem contribuir imensamente para esse fim, garantindo a sustentabilidade socioeconomica, ambiental e cultural dos agricultores.

Nestes 18 anos de Agro Centro-Oeste Familiar fizeram com que o evento se consolidasse em um espaço aberto de debates, diálogos e construção de conhecimento para o desenvolvimento rural, além de valorização do potencial artístico e cultural dos agricultores familiares.

Fonte: Embrapa


CORREDORES AGROECOLÓGICOS SÃO APRESENTADOS NO SUDESTE GOIANO



17/02/2018

Nos dias 27 e 28 de fevereiro, pesquisadores da Embrapa, representantes do movimento camponês e agricultores de Catalão e Silvânia (GO) vão promover a segunda edição do circuito de visitas técnicas em propriedades rurais da região Sudeste de Goiás – as Rotas Agroecológicas. O objetivo é demonstrar os corredores agroecológicos como estratégias para a produção de alimentos e sementes voltadas ao manejo da agrobiodiversidade e sustentabilidade de pequenas propriedades familiares.

As Rotas Agroecológicas são organizadas pela Embrapa Cerrados (DF), em parceria com a Associação Camponesa Nacional (ACAN) e Movimento Camponês Popular (MCP) e a Central de Associações de Minis e Pequenos Produtores Rurais do Município de Catalão (CAMPPRMC). As atividades integram o projeto “Corredores agroecológicos como estratégias para produção de alimentos e sementes, focados no manejo da agrobiodiversidade e sustentabilidade de pequenas propriedades familiares – Agrobio II”, liderado pela pesquisadora Cynthia Torres, da Embrapa Cerrados.

No dia 27, a Fazenda Corinalves, no distrito de Santo Antônio do Rio Verde, vai sediar as atividades. Serão apresentadas a estratégia do projeto Agrobio II, o corredor agroecológico, a produção de sementes agroecológicas e melhoramento participativo de milho e feijão, além da atuação e as estratégias do MCP. A visita será finalizada com uma roda de diálogo.

Já no dia 28, na comunidade Barrinha, em Silvânia, haverá visita técnica ao corredor agroecológico implantado na propriedade da família Carvalho Lima, também com uma roda de diálogo ao final.

As inscrições serão feitas no dia e local do evento. Mais informações podem ser obtidas pelos telefones (61) 3388-9891 e 3388-9832, ou pelo e-mail cerrados.eventos@embrapa.br.

Programação

27/02/18: Visita técnica à Fazenda Corinalves – Comunidade Olhos d’Água, distrito de Santo Antônio do Rio Verde, Catalão - GO

9h30 – Recepção e credenciamento dos agricultores – Técnicos da ACAN (Associação Camponesa Nacional)/ MCP (Movimento Camponês Popular)

10h30 – Boas vindas - Jamil Corinto e Lucimar Alves – agricultores associados ao MCP e ACAN e proprietários da Fazenda

· Estratégia do projeto Agrobio II – Cynthia Torres (Embrapa Cerrados)
· Produção de sementes agroecológicas e melhoramento participativo de milho e feijão – Altair Machado (Embrapa Cerrados)
· Atuação e estratégias do Movimento Camponês Popular – Sandra Alves (MCP e ACAN)

10h50 – Lanche: degustação de produtos de milho – variedade Sol da Manhã

11h – Início das visitas às experiências:
· Corredor agroecológico – Cynthia Torres e Jamil Corinto
· Programa de desenvolvimento de sementes agroecológicas de milho e feijão – Altair Machado

14h – Almoço e Roda de Diálogo

16h – Encerramento do dia

28/02/18: Visita técnica à propriedade da Família Carvalho Lima – Comunidade Barrinha, Silvânia - GO

10h30 – Boas vindas – Sra. Benedita Carvalho, Adair dos Santos Lima e Joselina Maria R. S. Santos – agricultores associados ao MCP e ACAN e proprietários da Fazenda

11h – Visita ao Corredor Agroecológico – Adair Lima e Cynthia Torres

13h – Almoço e Roda de Diálogo

15h – Encerramento


Morre aos 87 anos o agrônomo Yoshio Tsuzuki, referência da agroecologia

Yoshio Tsuzuki (Foto: Virgínia Knabben/Arquivo Pessoal)

07/08/2016

Nascido e criado no Japão, ele veio para o Brasil em 1953, onde se tornou um dos principais nomes do manejo sustentável e ecológico

Morreu na manhã desta sexta-feira (5/8) o agrônomo e produtor orgânico Yoshio Tsuzuki, um dos mais importantes pesquisadores da agroecologia e da agricultura orgânica no Brasil.  Ao lado de nomes como a engenheira agrônoma Ana Maria Primavesi, Tsuzuki ensinava, na prática, como lidar com a terra de maneira sustentável e ecológica.

Filho caçula de Masao e Tsune Tsuzuki, Yoshio nasceu em 11 de julho de 1929 na província de Ehime, no Japão. Formou-se agrônomo pela Faculdade de Agronomia da Universidade de Osaka e chegou ao Brasil em 1953, a convite de seu tio, Tokio Tsuzuki.

Entre 1954 e 1958, Yoshio trabalhou como agrônomo na Cooperativa Agrícola de Cotia e, em seguida, foi para a Bayer, onde atuou como vendedor de agrotóxicos de 1959 a 1963. Na biografia Ana Primavesi, histórias de vida de de agroecologia, Virgínia Knabben dedica um capítulo a Tsuzuki, relatando que, na companhia, ele era o campeão de vendas. “Das 9 mil toneladas produzidas, um terço, ou 3 mil toneladas, eram vendidas por ele”, diz o texto.

Com o tempo, Tsuzuki percebeu o aparecimento de pragas resistentes aos venenos e, mesmo tendo ganhado muito dinheiro com a venda de agrotóxicos, decidiu mudar de carreira. "Quem fazia tudo direitinho e não precisava usar tanto veneno, mas só um pouquinho, acabava comprando e usando sempre a mais para bater a meta de vendas e obter descontos”, disse Tsuzuki em depoimento à autora.

Em 1970, o agrônomo deixou de comercializar inseticidas e herbicidas e, dois anos depois, comprou uma chácara em Cotia, no bairro do Tijuco Preto, onde passou a pesquisar a agricultura orgânica. Lá, aprendeu a trabalhar com a enxada e a preparar o solo, que ele, mesmo sendo agrônomo, não sabia manejar. 

Em quatro anos, a chácara tinha 2,5 hectares de plantio de hortaliças e três mil galinhas, criadas de maneira totalmente diferente do que se fazia nas granjas convencionais da época.

Tsuzuki costumava dizer que sua vida era dividida em duas partes: "até 1970, cheia de agrotóxicos, ganhando bastante dinheiro. Depois de 1971, 1972, sem agrotóxico, nenhum grama de agrotóxico". 

Em 1989, Tsuzuki ajudou a criar a Associação de Agricultura Orgânica (AAO) e, desde então, passou a oferecer cursos práticos de horticultura orgânica em sua granja.

“O equilíbrio do solo sempre está mudando, nunca é estável. Esta é uma das leis da natureza mais importantes. Pensando globalmente, é preciso ter uma base e depois se ajustar, conversando com as plantas. As próprias plantas ensinam o que está faltando ou sobrando. São plantas indicadoras”, diz Tsuzuki em um dos trechos do livro. 

Yoshio Tsuzuki deixa seis filhos e um importante legado para a agroecologia brasileira.



Seminário reúne referências em Agroecologia em Porto Alegre


24/11/2011


Crédito: Kátia Marcon

Acadêmicos, pesquisadores, extensionistas e produtores rurais estarão reunidos na próxima semana, em Porto Alegre, para debater o papel da Agroecologia na promoção do desenvolvimento rural sustentável. O XI Seminário Internacional sobre Agroecologia e o XII Seminário Estadual sobre Agroecologia traz à cidade nomes como o professor espanhol, da Universidade de Jaen, Francisco Garrido Pena, o economista e professor da PUC-SP, Ladislau Dowbor, e produtores que obtêm êxito em experiências de produção Agroecológica, como a agricultora familiar de Cerro Grande do Sul, Cristiane Stefanowski. Os seminários acontecem de segunda a quarta-feira (28 a 30/11), no auditório Dante Barone, da Assembleia Legislativa, e a participação é gratuita. 

A atividade traz como tema central “Outro Olhar Para o Desenvolvimento”, e promoverá a reflexão, discussão e a elaboração de propostas sobre os limites do modelo produtivo atual e as possibilidades de se construir novas relações, baseadas nos princípios da Agroecologia. Os painéis e palestras abordarão os limites, necessidades e possibilidades da relação de produção e consumo; um outro olhar para os agroecossistemas; reaprendendo o valor da biodiversidade; além de levantar os questionamentos sobre onde estamos e para onde vamos, debatendo a soberania, construção e distribuição da riqueza.

Através destas linhas, será oportunizada a discussão entre professores, extensionistas, pesquisadores e produtores, sobre as questões acadêmicas e práticas relacionadas à Agroecologia. Para o diretor técnico da Emater/RS, Gervásio Paulus, o modelo produtivo vigente tem vida curta. “A sociedade é altamente degradadora, e isto está comprometendo a saúde das pessoas e do planeta. Será que este é o único caminho? Será que não existem outros estilos possíveis de vida e de relação entre ser humano e natureza?”, questiona Paulus. 

O XI Seminário Internacional sobre Agroecologia e o XII Seminário Estadual sobre Agroecologia é realizado pela Emater/RS-Ascar, Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), Fepagro, Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Embrapa, Assembleia Legislativa e Governo do Estado do Rio Grande do Sul, com promoção da ABA-Agroecologia, Associação dos Servidores da Emater/RS-Ascar, Associação de Engenheiros Agrônomos de Porto Alegre, Sociedade de Agronomia do Rio Grande do Sul, Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), Banrisul, Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul, Assembleia Legislativa, Grupo de Agroecologia Terra Sul, Núcleo Ecologia e Agriculturas da Guayí, MA/SFA/CPOrg, Movimento do Pequenos Agricultores, Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul, Secretaria de Agricultura, Pecuária e Agronegócio, Secretaria Estadual de Meio Ambiente, universidades federais do Rio Grande do Sul e de Santa Maria. 

A programação completa do XI Seminário Internacional sobre Agroecologia e do XII Seminário Estadual sobre Agroecologia está disponível no site da Emater/RS-Ascar: www.emater.tche.br, onde podem ser realizadas ainda as inscrições. Mais informações podem ser obtidas através do telefone (51) 2125 3100, ou pelos e-mails plantec@emater.tche.br e agroecologia2011@emater.tche.br.

Participantes
Ladislau Dowbor é formado em economia política pela Universidade de Lausanne, na Suíça; Doutor em Ciências Econômicas pela Escola Central de Planejamento e Estatística de Varsóvia, Polônia (1976). Professor titular no departamento de pós-graduação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, nas áreas de economia e administração. Consultor para diversas agências das Nações Unidas, governos e municípios, conselheiro na Fundação Abrinq, Instituto Polis e outras instituições. Sua área principal de atuação é o ensino e organização de sistemas de planejamento. 

Nos anos 1970, foi professor de finanças públicas na Universidade de Coimbra. A convite do ministro Vasco Cabral, tornou-se coordenador técnico do Ministério de Planejamento da Guiné-Bissau (1977-81). Foi consultor do Secretário Geral da ONU, na área de Assuntos Políticos Especiais (1980-81). Dirigiu vários projetos de organização de sistemas de gestão econômica, na qualidade de Assessor Técnico Principal de projetos das Nações Unidas, em particular na Guiné Equatorial e na Nicarágua. É consultor de vários governos, particularmente para a organização de sistemas descentralizados de gestão econômica e social (Costa Rica, Equador, África do Sul). 

No período 1989-92 foi Secretário de Negócios Extraordinários da Prefeitura de São Paulo, respondendo em particular pelas áreas de meio ambiente e de relações internacionais. É autor e co-autor de cerca de 40 livros, e de numerosos artigos.

Francisco Garrido Peña - Doutor em Filosofia de direito pela Universidade de Granada e foi professor da Universidade de Jaén. Licenciado em Filosofia e Ciências da Educação, atualmente Professor Agregado de bacharelado de Filosofia da Universidade de Jaén, no Departamento de Filosofia de Direito, Moral e Política. Professor de Direito Natural na Faculdade de Ciências sociais e Jurídicas da Universidade de Jaén. Em 1982 fundou o coletivo de Ecología Urbana. Foi porta-voz na Andalcuia da Coordinadora de Organizações Ecologistas e Pacifistas da Andalucía (1985-1987), fundou a Federação Eco-pacifista Granadina (1991) e os Verdes de Andalucía (1989), encabeçou a candidatura da presidência do Governo pelos Verdes (1993) e foi Deputado dos Verdes no parlamento andaluz (1994-1996). É atualmente porta-voz estadal dos Verdes e Deputado por Sevilla, no Parlamento Espanhol.

Assessoria de Imprensa Emater/RS-Ascar 
Jornalista Patrícia Strelow
imprensa@emater.tche.br



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