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COP30 - O que é a COP?

16/10/2025

Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC)

A Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês) foi aberta para assinatura na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (Rio-92). Ela inaugurou o regime multilateral para responder ao aquecimento global.

Seguindo o princípio das “responsabilidades comuns, porém diferenciadas”, o regime reconhece a obrigação de que os países desenvolvidos devem liderar os esforços para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e para oferecer recursos financeiros, tecnológicos e de capacitação para ações de mitigação e adaptação em países em desenvolvimento.

São cinco os pilares do regime: mitigação, adaptação, financiamento, tecnologia e capacitação. Além desses, outros temas têm ganhado destaque nos debates, como perdas e danos, transição justa, gênero, povos indígenas, jovens, agricultura e oceanos.

O que é a COP

A Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (CQNUMC ou UNFCCC, na sigla em inglês) criou a Conferência das Partes (COP) como órgão responsável por tomar as decisões necessárias para implementar os compromissos assumidos pelos países no combate à mudança do clima. A COP é composta por todos os países que assinaram e ratificaram a Convenção. Atualmente, 198 países participam da UNFCCC, o que faz dela um dos maiores órgãos multilaterais do sistema das Nações Unidas (ONU).

A COP é assessorada por um Órgão Subsidiário de Implementação (SBI) e outro de Aconselhamento Científico e Tecnológico (SBSTA). Além disso, a COP também atua como Reunião das Partes no Protocolo de Quioto (CMP, na sigla em inglês) e no Acordo de Paris (CMA, na sigla em inglês).

O que é conhecido como “COP” são as cúpulas anuais de mudança do clima, que normalmente acontecem em novembro ou dezembro. Nesse contexto, reúnem-se não apenas a COP, mas também a CMP, a CMA, o SBI e o SBSTA.

Protocolo de Quioto e Acordo de Paris

Protocolo de Quioto

No âmbito da UNFCCC, foi adotado, em 1997, o Protocolo de Quioto, que estabeleceu metas quantitativas individuais de redução de emissões a países desenvolvidos. O Protocolo estabeleceu obrigação para que esses países reduzissem suas emissões em 5%, entre 2008 e 2012, em relação aos níveis de 1990.

Um dos elementos importantes do Protocolo foi a criação de mecanismos de mercado para o cumprimento dos compromissos assumidos. Entre eles, destaca-se o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), que permitiu o desenvolvimento de projetos rentáveis de redução de emissão de gases do efeito estufa (GEE), garantindo benefícios de mitigação e criando incentivos para a economia sustentável.

Acordo de Paris

O Acordo de Paris, adotado em dezembro de 2015 durante a 21ª Conferência das Partes (COP21), reforçou a centralidade da Convenção-Quadro (UNFCCC), ao qual está vinculado.

O Acordo reforçou os princípios da UNFCCC e introduziu três objetivos:

(iii) manter o aumento da temperatura global bem abaixo de 2º C, com esforços para limitá-lo a 1,5º C;

(iii) incrementar capacidades de adaptação e resiliência; e

(iii) alinhar os fluxos financeiros aos demais objetivos do Acordo.

O Acordo de Paris inovou, ainda, ao criar obrigação para que todos os países, tanto desenvolvidos quanto em desenvolvimento, apresentem periodicamente “Contribuições Nacionalmente Determinadas” (NDCs, na sigla em inglês). Nas NDCs, cada país explica quais ações pretende realizar para responder à mudança do clima. A implementação dessas ações é acompanhada por um regime reforçado de transparência.

Como as NDCs são definidas por cada país, elas respeitam a realidade nacional e a soberania de cada nação.

Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima

O Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima, IPCC, foi criado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (ONU Meio Ambiente) e pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) em 1988 com o objetivo de fornecer aos formuladores de políticas avaliações científicas regulares sobre a mudança do clima, suas implicações e possíveis riscos futuros, bem como para propor opções de adaptação e mitigação. Atualmente, o IPCC possui 195 países membros, entre eles o Brasil.

Por meio de suas avaliações, o IPCC determina o estado do conhecimento sobre a mudança do clima, identifica temas de consenso na comunidade científica, e em quais áreas mais pesquisas são necessárias. Os relatórios resultantes da avaliação do IPCC constituem insumos fundamentais para as negociações internacionais que visam o enfrentamento da mudança do clima.

Grupos de Trabalho e Força-Tarefa

As avaliações e relatórios especiais do IPCC são preparados por três Grupos de Trabalho, cada um olhando para um aspecto diferente da ciência relacionada à da mudança do clima:

Grupo de Trabalho I (Base da Ciência Física),

Grupo de Trabalho II (Impactos, Adaptação e Vulnerabilidade) e

Grupo de Trabalho III (Mitigação da Mudança do Clima).

O IPCC também possui uma Força-Tarefa sobre Inventários Nacionais de Gases de Efeito Estufa, cujo principal objetivo é desenvolver e refinar a metodologia para o cálculo e relatório de emissões e remoções nacionais de gases de efeito estufa.

Os Grupos de Trabalho e a Força-Tarefa lidam com a preparação de relatórios, selecionando e gerenciando os especialistas que neles trabalham neles como autores.

Tudo isso é apoiado por Unidades de Suporte Técnico que orientam a produção de relatórios de avaliação do IPCC e outros produtos.

Glossário IPCC

O Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC) disponibiliza, em inglês, um glossário de termos técnicos utilizados em seus relatórios e nas negociações de clima. Consultar o glossário pode ajudar no entendimento dos temas discutidos e facilitar o acompanhamento dos debates.

Glossário do IPCC

Fonte: COP30

COP30: Cidades destaca sustentabilidade e parceria público-privada em evento da CNI


15/10/2025

Secretário Hailton Madureira reforçou o papel da agenda urbana nas ações climáticas

O secretário-executivo do Ministério das Cidades, Hailton Madureira, participou nesta quarta-feira (15) da abertura do evento “Pré-COP30 – O papel do setor privado na agenda climática”, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília, no âmbito da iniciativa Sustainable Business COP. Também participaram da solenidade o presidente da CNI, Ricardo Alban, o chair da Sustainable Business COP, Ricardo Mussa, e o High-Level Climate Champion da COP30, Dan Ioschpe.

Em sua fala, o secretário representou o ministro das Cidades, Jader Filho, e destacou que o Brasil vive um momento histórico às vésperas da COP30, que será realizada em Belém (PA) em novembro. “Estamos a menos de um mês de um evento que coloca o Brasil e a Amazônia no centro da agenda global. E é nas cidades, onde vivem 87% dos brasileiros, que os efeitos das mudanças climáticas se manifestam com mais força”, afirmou.

O secretário ressaltou que o Ministério das Cidades incorporou de forma permanente a agenda ambiental à formulação das políticas públicas urbanas, por meio da criação da Diretoria de Sustentabilidade, responsável por incluir critérios ecológicos e de eficiência energética em programas como o Minha Casa, Minha Vida e em ações de mobilidade urbana. “Não haverá justiça climática sem justiça urbana. As cidades concentram emissões, mas também são o espaço onde construiremos as soluções”, reforçou.

Foram destacados investimentos do governo federal de R$ 4,7 bilhões em Belém, voltados à infraestrutura urbana associada à COP30, que ficarão de legado para a capital paraense, e mais de R$ 90 bilhões do Ministério das Cidades em ações em todo o país. Os recursos incluem projetos de prevenção de desastres, drenagem urbana, mobilidade sustentável e urbanização de favelas.

O secretário-executivo também anunciou a criação de um fundo para cidades sustentáveis, com previsão de lançamento nas próximas semanas em parceria com a Caixa Econômica Federal, que apoiará municípios — especialmente os pequenos — na elaboração e execução de projetos urbanos com foco ambiental.

Hailton Madureira ressaltou ainda a importância da parceria entre o setor público e a iniciativa privada para a transição verde. “Não vamos conseguir avançar sem o setor privado. É ele que terá papel fundamental na implementação do novo marco do saneamento, na mobilidade e na construção civil”, disse. O ministério vem incentivando o setor da construção civil e empresas que adotem processos de baixo carbono a participar do programa Minha Casa, Minha Vida.

Como exemplo de construção sustentável, o secretário citou o projeto de 45 casas ecológicas na Ilha do Combu, em Belém, construídas com madeira apreendida e equipadas com sistemas de captação de água da chuva, que serão apresentadas durante a COP30.

“O Brasil tem uma matriz elétrica 80% limpa e condições únicas de liderar a transição verde. Temos um desafio e oportunidade, de tornar a COP30 em um exemplo de convergência entre os setores público e privado, mostrando que desenvolvimento e sustentabilidade não são caminhos opostos”, concluiu.

Fonte: Ministério das Cidades

Plataforma Saúde do Solo BR será lançada na COP30, em Belém

Foto: Fabiano Bastos


26/09/2025

Por: Juliana Caldas - Embrapa Cerrados 

A Plataforma Saúde do Solo BR: Big Data para Solos Resilientes e Sistemas Alimentares será lançada na AgriZone, durante a COP30, que acontece de 10 a 21 de novembro, em Belém (PA). O evento de lançamento está marcado para o dia 17 de novembro, às 11h. A plataforma é uma ferramenta inédita que transforma dados em conhecimento, apoiando agricultores, pesquisadores e gestores na construção de uma agricultura sustentável, resiliente e de baixo carbono.

A iniciativa democratiza o acesso da sociedade brasileira ao maior banco de dados de saúde do solo do mundo, criado cinco anos depois do lançamento da tecnologia de Bioanálise de Solo (BioAS). “Hoje o Brasil detém um banco de dados de saúde do solo sem precedentes, baseado na atividade enzimática e nos teores de matéria orgânica. Esse banco é dinâmico e cresce a cada dia. Nesse primeiro momento, vamos disponibilizar os resultados das primeiras 52 mil amostras”, destaca a pesquisadora da Embrapa Cerrados, Ieda Mendes.

O banco de dados está sendo construído por meio de uma parceria inovadora com os 33 laboratórios comerciais de análises de solo, membros da Rede Embrapa que utilizam a tecnologia BioAS. O Brasil foi pioneiro ao incluir parâmetros biológicos nas análises de rotina, mostrando que avaliar a saúde do solo em larga escala pode ser um processo simples e acessível. Segundo a pesquisadora Ieda, a escolha da plataforma para lançamento durante a COP30 foi recebida com entusiasmo. “Foi com grande alegria que recebemos essa notícia”, comemora.

 “A criação da Plataforma Saúde do Solo é um desdobramento natural da ampla adoção da Tecnologia de Bioanálise de Solo (BioAS) no Brasil”, avalia o pesquisador Guilherme Chaer, da Embrapa Agrobiologia. Segundo ele, a análise integrada dos dados possibilita classificar cada amostra dentro de padrões de saúde do solo. O sistema de classificação considera os resultados das análises químicas e biológicas, e organiza os solos em cinco padrões: saudável, em processo de degradação (adoecendo), degradado (doente), em recuperação e intermediário.

Outro diferencial da Plataforma é o mapa de tendência do carbono do solo (TCS), que se baseia no Índice de Tendência do Carbono do Solo (ITCS), calculado a partir dos bioindicadores da BioAS em conjunto com os teores de matéria orgânica do solo (MOS). “O ITCS parte do princípio de equilíbrio entre MOS e atividade biológica: em sistemas naturais ou manejados de forma estável por longos períodos, observa-se um balanço bioquímico entre ambos. Alterações nas práticas de manejo rompem esse equilíbrio temporariamente e os bioindicadores permitem detectar a direção e a intensidade das mudanças, sinalizando tendências futuras da MOS”, explicou.

A ferramenta

A Plataforma Saúde do Solo reúne os dados de todas as bioanálises realizadas pelos laboratórios da Rede BioAS no território nacional. As informações são coletadas e armazenadas de forma anônima pela Embrapa. O grande volume de informações permite gerar mapas e estatísticas sobre a saúde dos solos em escalas municipal, estadual e nacional — o principal objetivo da Plataforma.

A plataforma disponibiliza índices de ciclagem, armazenamento e suprimento de nutrientes, além da classificação da saúde do solo e do Mapa de Tendência do Carbono do Solo (TCS), que estima se o solo tende a ganhar ou perder carbono. Os usuários poderão explorar os dados por meio de filtros que permitem consultas em diferentes escalas espaciais e temporais, seleção por culturas agrícolas e classes texturais de solo. A plataforma ainda possibilitará a visualização simultânea de dois mapas comparativos, favorecendo análises paralelas.

COP30

A AgriZone integra a Jornada pelo Clima, iniciativa da Embrapa que busca ampliar o conhecimento da sociedade sobre a questão climática e divulgar tecnologias, pesquisas e soluções desenvolvidas pela ciência brasileira nessa área. O projeto conta com patrocínio máster do Senar; patrocínio Diamante+Ouro da Nestlé; patrocínio Diamante da Bayer e do IICA; patrocínio Ouro+Bioma Local da Caixa; e parceria institucional do Sebrae.

Fonte: Embrapa

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