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A oportunidade da COP30: Investir na natureza para um futuro resiliente.

Rios da floresta amazônica
© Agência Pará

18/11/2025

Manuel Pulgar-Vidal, Líder Global de Clima e Energia do WWF  
Vanessa Morales,  Especialista Sênior do WWF, Nexo Clima-Natureza 

No início da  segunda semana da  COP30 em Belém , Brasil,  fica claro que  a crise climática não é mais uma ameaça distante;  é  uma realidade diária para milhões de pessoas. O furacão Melissa, uma tempestade recente de categoria 5 que devastou o Caribe, é apenas um lembrete contundente de que a adaptação aos impactos cada vez mais severos das mudanças climáticas não pode mais ser deixada de lado. Por muito tempo, as negociações globais ficaram presas em um falso debate: devemos nos concentrar em reduzir as emissões ou investir em resiliência? Esse pensamento binário tem impedido o progresso, como se a construção de defesas contra tempestades, secas e a elevação do nível do mar devesse ocorrer às custas do investimento em energias renováveis ​​e descarbonização. 

Mas a ciência é clara: mesmo os esforços de mitigação mais ambiciosos  não  eliminarão a necessidade de adaptação. Os gases de efeito estufa produzidos pelo homem, que já  poluem a atmosfera, significam  que  os  riscos climáticos  se intensificarão. Os impactos resultantes são sentidos com mais intensidade pelas comunidades pobres e marginalizadas, bem como pelos ecossistemas vulneráveis. Reduções rápidas,  profundas e sustentadas nas  emissões  são essenciais para um futuro habitável,  e  a adaptação é fundamental para proteger vidas e bens  —  casas, infraestrutura e meios de subsistência — agora mesmo.      

As soluções baseadas na natureza ( SbN ) oferecem uma maneira poderosa de abordar tanto a adaptação quanto a mitigação. Os manguezais, por exemplo, podem reduzir as ondas de tempestade em até 71%, as florestas tropicais nubladas geram chuva e protegem a água potável, e os parques urbanos podem refrescar as cidades em até  10 °C em dias  de  calor intenso. Essas defesas naturais são comprovadas, econômicas e oferecem uma série de benefícios adicionais  – desde o sequestro de carbono até o habitat da vida selvagem e o lazer.  

No entanto, a adaptação ,  especialmente as soluções baseadas na natureza ,  continua  lamentavelmente subfinanciada. De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA ) , apenas 28% do financiamento público para o clima é destinado à adaptação, e uma mera fração desse valor apoia a biodiversidade e a proteção dos ecossistemas. Para atender às necessidades básicas de adaptação, o investimento global precisa aumentar doze vezes, sendo que o NbS (Nuclear, Biodiversidade e Sustentabilidade) requer o triplo do financiamento atual até 2030. O valor dos serviços ecossistêmicos da natureza é estimado entre US$ 125 e 140 trilhões anualmente, superando em muito os custos do investimento e oferecendo um retorno de dez vezes cada dólar gasto. Para os países de baixa renda, os riscos são ainda maiores: a perda desses serviços pode significar uma queda de 10% no PIB.    

Então, por que essa lacuna persistente? Diálogos recentes liderados pelo WWF e pelo Centro Mundial de Monitoramento da Conservação  do Programa  das Nações Unidas para o Meio Ambiente mostram  que o financiamento insuficiente e a capacidade limitada de mensurar o desempenho da natureza são os principais obstáculos. Como disse um especialista do governo, “precisamos capacitar os financiadores”. 

A COP30 representa uma oportunidade crucial. Quase metade  dos países já apresenta Planos Nacionais de Adaptação com necessidades claras e acionáveis,  incluindo abordagens baseadas na natureza. Com  um acordo  praticamente fechado  sobre como monitorar o progresso na adaptação, é  hora de todas as nações, especialmente as mais ricas, intensificarem seus esforços. Investir em florestas, zonas úmidas e litorais não se  trata  apenas  de resiliência climática; trata-  se  de apoiar economias e comunidades em harmonia com a natureza.    

A mensagem é clara: adaptação e mitigação devem andar de mãos dadas, e a natureza merece ser financiada como a atração principal que realmente é. 

Fonte: WWF Brasil

COP30: Cidades destaca sustentabilidade e parceria público-privada em evento da CNI


15/10/2025

Secretário Hailton Madureira reforçou o papel da agenda urbana nas ações climáticas

O secretário-executivo do Ministério das Cidades, Hailton Madureira, participou nesta quarta-feira (15) da abertura do evento “Pré-COP30 – O papel do setor privado na agenda climática”, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília, no âmbito da iniciativa Sustainable Business COP. Também participaram da solenidade o presidente da CNI, Ricardo Alban, o chair da Sustainable Business COP, Ricardo Mussa, e o High-Level Climate Champion da COP30, Dan Ioschpe.

Em sua fala, o secretário representou o ministro das Cidades, Jader Filho, e destacou que o Brasil vive um momento histórico às vésperas da COP30, que será realizada em Belém (PA) em novembro. “Estamos a menos de um mês de um evento que coloca o Brasil e a Amazônia no centro da agenda global. E é nas cidades, onde vivem 87% dos brasileiros, que os efeitos das mudanças climáticas se manifestam com mais força”, afirmou.

O secretário ressaltou que o Ministério das Cidades incorporou de forma permanente a agenda ambiental à formulação das políticas públicas urbanas, por meio da criação da Diretoria de Sustentabilidade, responsável por incluir critérios ecológicos e de eficiência energética em programas como o Minha Casa, Minha Vida e em ações de mobilidade urbana. “Não haverá justiça climática sem justiça urbana. As cidades concentram emissões, mas também são o espaço onde construiremos as soluções”, reforçou.

Foram destacados investimentos do governo federal de R$ 4,7 bilhões em Belém, voltados à infraestrutura urbana associada à COP30, que ficarão de legado para a capital paraense, e mais de R$ 90 bilhões do Ministério das Cidades em ações em todo o país. Os recursos incluem projetos de prevenção de desastres, drenagem urbana, mobilidade sustentável e urbanização de favelas.

O secretário-executivo também anunciou a criação de um fundo para cidades sustentáveis, com previsão de lançamento nas próximas semanas em parceria com a Caixa Econômica Federal, que apoiará municípios — especialmente os pequenos — na elaboração e execução de projetos urbanos com foco ambiental.

Hailton Madureira ressaltou ainda a importância da parceria entre o setor público e a iniciativa privada para a transição verde. “Não vamos conseguir avançar sem o setor privado. É ele que terá papel fundamental na implementação do novo marco do saneamento, na mobilidade e na construção civil”, disse. O ministério vem incentivando o setor da construção civil e empresas que adotem processos de baixo carbono a participar do programa Minha Casa, Minha Vida.

Como exemplo de construção sustentável, o secretário citou o projeto de 45 casas ecológicas na Ilha do Combu, em Belém, construídas com madeira apreendida e equipadas com sistemas de captação de água da chuva, que serão apresentadas durante a COP30.

“O Brasil tem uma matriz elétrica 80% limpa e condições únicas de liderar a transição verde. Temos um desafio e oportunidade, de tornar a COP30 em um exemplo de convergência entre os setores público e privado, mostrando que desenvolvimento e sustentabilidade não são caminhos opostos”, concluiu.

Fonte: Ministério das Cidades

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