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A oportunidade da COP30: Investir na natureza para um futuro resiliente.

Rios da floresta amazônica
© Agência Pará

18/11/2025

Manuel Pulgar-Vidal, Líder Global de Clima e Energia do WWF  
Vanessa Morales,  Especialista Sênior do WWF, Nexo Clima-Natureza 

No início da  segunda semana da  COP30 em Belém , Brasil,  fica claro que  a crise climática não é mais uma ameaça distante;  é  uma realidade diária para milhões de pessoas. O furacão Melissa, uma tempestade recente de categoria 5 que devastou o Caribe, é apenas um lembrete contundente de que a adaptação aos impactos cada vez mais severos das mudanças climáticas não pode mais ser deixada de lado. Por muito tempo, as negociações globais ficaram presas em um falso debate: devemos nos concentrar em reduzir as emissões ou investir em resiliência? Esse pensamento binário tem impedido o progresso, como se a construção de defesas contra tempestades, secas e a elevação do nível do mar devesse ocorrer às custas do investimento em energias renováveis ​​e descarbonização. 

Mas a ciência é clara: mesmo os esforços de mitigação mais ambiciosos  não  eliminarão a necessidade de adaptação. Os gases de efeito estufa produzidos pelo homem, que já  poluem a atmosfera, significam  que  os  riscos climáticos  se intensificarão. Os impactos resultantes são sentidos com mais intensidade pelas comunidades pobres e marginalizadas, bem como pelos ecossistemas vulneráveis. Reduções rápidas,  profundas e sustentadas nas  emissões  são essenciais para um futuro habitável,  e  a adaptação é fundamental para proteger vidas e bens  —  casas, infraestrutura e meios de subsistência — agora mesmo.      

As soluções baseadas na natureza ( SbN ) oferecem uma maneira poderosa de abordar tanto a adaptação quanto a mitigação. Os manguezais, por exemplo, podem reduzir as ondas de tempestade em até 71%, as florestas tropicais nubladas geram chuva e protegem a água potável, e os parques urbanos podem refrescar as cidades em até  10 °C em dias  de  calor intenso. Essas defesas naturais são comprovadas, econômicas e oferecem uma série de benefícios adicionais  – desde o sequestro de carbono até o habitat da vida selvagem e o lazer.  

No entanto, a adaptação ,  especialmente as soluções baseadas na natureza ,  continua  lamentavelmente subfinanciada. De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA ) , apenas 28% do financiamento público para o clima é destinado à adaptação, e uma mera fração desse valor apoia a biodiversidade e a proteção dos ecossistemas. Para atender às necessidades básicas de adaptação, o investimento global precisa aumentar doze vezes, sendo que o NbS (Nuclear, Biodiversidade e Sustentabilidade) requer o triplo do financiamento atual até 2030. O valor dos serviços ecossistêmicos da natureza é estimado entre US$ 125 e 140 trilhões anualmente, superando em muito os custos do investimento e oferecendo um retorno de dez vezes cada dólar gasto. Para os países de baixa renda, os riscos são ainda maiores: a perda desses serviços pode significar uma queda de 10% no PIB.    

Então, por que essa lacuna persistente? Diálogos recentes liderados pelo WWF e pelo Centro Mundial de Monitoramento da Conservação  do Programa  das Nações Unidas para o Meio Ambiente mostram  que o financiamento insuficiente e a capacidade limitada de mensurar o desempenho da natureza são os principais obstáculos. Como disse um especialista do governo, “precisamos capacitar os financiadores”. 

A COP30 representa uma oportunidade crucial. Quase metade  dos países já apresenta Planos Nacionais de Adaptação com necessidades claras e acionáveis,  incluindo abordagens baseadas na natureza. Com  um acordo  praticamente fechado  sobre como monitorar o progresso na adaptação, é  hora de todas as nações, especialmente as mais ricas, intensificarem seus esforços. Investir em florestas, zonas úmidas e litorais não se  trata  apenas  de resiliência climática; trata-  se  de apoiar economias e comunidades em harmonia com a natureza.    

A mensagem é clara: adaptação e mitigação devem andar de mãos dadas, e a natureza merece ser financiada como a atração principal que realmente é. 

Fonte: WWF Brasil

Síntese Diária da COP30 – 17 de Novembro

17/11/2025

Dia 8: segunda-feira, 17 de novembro

Preparado pela Equipe de Comunicação da COP30

Áreas Temáticas de Foco: Florestas, Oceanos, Biodiversidade, Povos Indígenas, Comunidades Locais e Tradicionais, Crianças e Juventude, e Pequenos e Médios Empreendedores

Resumo Geral:

A Natureza no Centro da Ação Climática

No sétimo dia da COP30, países e parceiros demonstraram como colocar a natureza no centro da ação climática impulsiona avanços reais para as pessoas, as economias e o planeta. Ao longo da agenda, líderes evidenciaram uma mudança decisiva de promessas para a prática, avançando ferramentas, destravando financiamentos e mobilizando a liderança comunitária para acelerar a implementação, reforçar a cooperação multilateral e apoiar aqueles na linha de frente dos impactos climáticos.

Um marco importante foi a operacionalização do  Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), o maior mecanismo de financiamento florestal já criado, sinalizando que as florestas valem mais em pé. Com parceiros da RDC à China e novas lições de modelos de governança de Povos Indígenas e Comunidades Locais (IPLC), como o Mecanismo Dedicado de Doações (DGM), o TFFF está redefinindo o financiamento climático por meio de incentivos de longo prazo voltados para investimentos e um caminho para o acesso direto por comunidades. Esse impulso foi reforçado por progressos históricos no tema fundamental da regularização fundiária, com doadores excedendo o Compromisso de USD 1,7 bilhão para IPLCs um ano antes do previsto, e 14 países endossando o primeiro Compromisso Intergovernamental Global de Posse e Uso da Terra, fortalecendo direitos em mais de 160 milhões de hectares.

Novas iniciativas aprofundaram a virada positiva em direção à natureza: o Desafio da Bioeconomia lançou um esforço global para operacionalizar os 10 Princípios de Alto Nível do Brasil, enquanto a Coalizão para Ampliação do JREDD+ uniu governos, grupos indígenas e atores de mercado para expandir a proteção florestal jurisdicional e ajudar a fechar o déficit anual de USD 66,8 bilhões em financiamento. A prevenção global integrada de incêndios avançou com o novo Centro Global de Gestão de Incêndios (Global Fire Management Hub), sediado na FAO, e o Motor de Investimento da Terra (Earth Investment Engine) superou sua meta de USD 5 bilhões, mobilizando mais de USD 10 bilhões para soluções baseadas na natureza.

Lideranças jovens influenciaram diálogos políticos em toda a Blue e Green Zone, enquanto organizações indígenas compartilharam estratégias de adaptação baseadas na governança territorial e no conhecimento ancestral.

Em conjunto, esses esforços mostram que proteger e valorizar a natureza é a materialização da ambição climática — um fundamento vital para sociedades resilientes e uma economia real próspera.

Ações e resultados notáveis:

Agenda de Ação:

- Destravando o Financiamento para Florestas Tropicais e Governança Indígena

▪ Instalação Fundo Florestas Tropicais para Sempre Operacionalizado

A operacionalização do Fundo Florestas Tropicais para Sempre Operacionalizado representa um passo transformador na valorização das florestas em pé por meio de financiamento sustentável. Como o maior e mais ambicioso fundo da história da conservação florestal, o TFFF está remodelando o financiamento climático ao migrar de doações para parcerias; de doadores tradicionais para não tradicionais; e de subsídios para investimentos em um mecanismo misto público-privado. Com seu lançamento, acompanhado de um conjunto de instrumentos econômicos, Brasil e parceiros enviam uma mensagem poderosa de que as florestas valem mais vivas. Durante o lançamento, governos da República Democrática do Congo, Colômbia, Guiana, Reino Unido, Noruega e China apresentaram listas abrangentes de anúncios e destacaram a complementaridade entre diferentes instrumentos financeiros.

- Reunião Ministerial sobre Florestas e Povos Indígenas: Lições para o TFFF

Hoje, governos, fundos multilaterais e líderes indígenas se reuniram para explorar como modelos comprovados de governança de comunidades indígenas e locais (IPLC), como o Mecanismo de Subsídios Dedicados (Dedicated Grant Mechanism/ DGM), podem informar e fortalecer a geração emergente de mecanismos de financiamento climático. O TFFF serve para equipar os povos indígenas e as comunidades locais com os recursos necessários para manter a conservação florestal por meio da Alocação Financeira Dedicada (TFFF-DFA), que reserva um mínimo de 20% dos pagamentos florestais para as IPLCs, representando um cenário em evolução para o financiamento climático inclusivo e baseado em direitos. As lições do DGM sobre governança, capacidade e responsabilidade podem apoiar os esforços futuros de conservação, fornecendo uma estrutura para informar o acesso direto futuro, como o TFFF.

“Permaneço muito otimista quanto ao avanço do TFFF. Os USD 5 bilhões em capital são um ótimo começo. Sim, tínhamos ambições altas, mas é preciso estabelecer a ambição para que as pessoas levem a sério e se mobilizem. E USD 5 bilhões é um resultado bem-sucedido que pode crescer.”
— Daniel Hanna, Diretor do Grupo Barclays para Finanças Sustentáveis e de Transição

- Anúncio sobre finanças e posse da terra; compromisso excede meta:

▪ Dois compromissos foram assinados hoje para deter e reverter a perda florestal e a degradação de terras até 2030:

▪ O Compromisso de Posse da Terra e Florestas para Povos Indígenas e Comunidades Locais, avançado pelo Forest Tenure Funders Group (FTFG); e

▪ O Compromisso Intergovernamental de Posse da Terra.

▪ Em 2021, na COP26, os governos do Reino Unido, dos EUA, da Alemanha, da Noruega e dos Países Baixos, juntamente com 17 fundações, anunciaram o Compromisso sobre a Posse da Terra e das Florestas dos Povos Indígenas e das Comunidades Locais. O evento de hoje comemorou a entrega desses resultados e a renovação do compromisso. Mais de 30 doadores e governos excederam seu Compromisso de Posse de Terras e Florestas de USD 1,7 bilhão um ano antes do previsto e renovaram o apoio para USD 1,5 a 2 bilhões até 2030.

▪ Além disso, os governos do Brasil, Noruega e Peru, juntamente com a Parceria de Líderes Florestais e Climáticos (FCLP) e o Grupo de Financiadores da Posse Florestal (FTFG), lançaram o primeiro compromisso global sobre o reconhecimento da posse da terra na Cúpula Mundial de Líderes por meio do Compromisso Intergovernamental sobre Posse da Terra. Este é o primeiro compromisso global sobre a posse da terra por povos indígenas e comunidades locais, que visa reconhecer e fortalecer coletivamente os direitos de posse em 160 milhões de hectares — dos quais o Brasil se comprometeu a contribuir com pelo menos 59 milhões de hectares. O compromisso foi endossado por quatorze países.

▪ Ambos serão implementados ao longo de cinco anos.

- Fundo de Adaptação recebe milhões em novas contribuições

▪ Governos se reuniram para reconhecer a importância de fortalecer a resiliência global por meio de novas contribuições ao Fundo de Adaptação. As contribuições são destinadas diretamente à implementação da Nova meta coletiva quantificada sobre financiamento climático (New Collective Quantified Goal on climate finance/ NCQG), à medida que os países se uniram para elevar a adaptação e fornecer o apoio financeiro necessário para aqueles que estão na linha de frente das mudanças climáticas.

“A demanda nunca foi tão alta. Garantir recursos suficientes não é apenas sobre números, é sobre cumprir nosso mandato.”
— Washington Zhakata, Vice-Presidente, Conselho do Fundo de Adaptação.
“Não estamos mais no tempo das negociações, precisamos acelerar a implementação. Crescimento climático positivo, sustentado por financiamento sólido, é central.”
— Alice de Moraes Amorim Vogas, Diretora de Programas, COP30

- Bioeconomia como Motor de Desenvolvimento Socioeconômico e Conservação Florestal

▪ Após o lançamento dos Princípios da Bioeconomia durante as reuniões do G20, foi lançado hoje o Global BioChallenge para mobilizar investimentos de grande escala para crescimento baseado na natureza até 2028.

▪ Em 2025, a Presidência brasileira do G20 foi pioneira ao estabelecer a Iniciativa de Bioeconomia do G20 (GIB) e emitir os 10 Princípios de Alto Nível (10HLPs), que estabelecem diretrizes globais para o desenvolvimento da bioeconomia. O evento marca o lançamento oficial do Desafio da Bioeconomia – a uma Plataforma multissetorial de três anos destinada a transformar esses 10 Princípios em ações concretas e estabelecer uma visão comum para mercados de bioeconomia em todo o mundo, que protejam a natureza ao mesmo tempo, em que fortalecem a descarbonização e colocam pessoas e comunidades no centro da tomada de decisão.

▪ O Desafio da Bioeconomia é apoiado pelo Governo do Brasil, NatureFinance, BID, FAO, UNCTAD e WRI. Com metas até 2028, o Desafio aborda quatro lacunas sistêmicas: (i) a falta de parâmetros, métricas e indicadores de impacto internacionais para a bioeconomia; (ii) a necessidade de expandir instrumentos de financiamento e reduzir riscos; (iii) mercados de bioeconomia emergentes; e (iv) ferramentas para ampliar os impactos positivos nas comunidades e territórios.

“Esta é uma mensagem de esperança que precisamos transformar em ação, uma mensagem capaz de criar um novo ciclo de prosperidade. Graças aos membros que sustentarão esse desafio como uma aliança global, a bioeconomia abriu caminho para uma transição justa e para a prosperidade necessária para alcançar as metas de 2030. Essa abordagem introduz um novo método de produzir bens e serviços, proteger o território e criar um ciclo de prosperidade renovada. Sei que pode soar ingênuo e romântico, mas estou animada e esperançosa de que isso se tornará realidade.”
— S. Exa. Marina Silva, Ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Brasil

- Lançamento da Coalizão para Ampliar o JREDD+

▪ Com base nos avanços em países como Guiana, Costa Rica e Gana, a Coalizão para Ampliar o JREDD+ foi lançada na COP30, unindo governos, povos indígenas, investidores e sociedade civil para direcionar financiamento à proteção florestal em escala. Em vez de financiar projetos individuais, essa abordagem remunera estados, províncias ou países inteiros por reduções mensuráveis no desmatamento – criando incentivos estáveis e de longo prazo para manter as florestas em pé.

▪ A Coalizão inclui países tropicais (Costa Rica, Etiópia, Gana, Guiana, Quênia), nações doadoras (Reino Unido, Noruega, Cingapura), grupos indígenas (Grupo Indígena Peru), grandes organizações de mercado de carbono (Emergent, Verra, ART, South Pole) e outras organizações da sociedade civil.

▪ Essas iniciativas apoiam diretamente o Roteiro de Financiamento Florestal, endossado por 36 governos que representam 45% da cobertura florestal mundial e 65% do PIB global. O roteiro busca fechar o déficit anual de USD 66,8 bilhões para proteção e restauração de florestas tropicais. O JREDD+ sozinho pode mobilizar entre USD 3 e 6 bilhões por ano até 2030.

- Integração da Gestão do Fogo para Prevenção Coordenada

▪ Por meio do Chamado à Ação endossado por 61 países durante a Cúpula de Líderes de Belém, o Brasil definiu a visão da prioridade política de esforços coordenados de prevenção na gestão integrada de incêndios ao nível global.

▪ Hoje, os parceiros  apresentaram o caminho para o cumprimento do compromisso: o Centro Global de Gestão de Incêndios, sediado pela FAO, a “Gestão Integrada de Incêndios e Resiliência a Incêndios Florestais”. Seu objetivo é fortalecer a resiliência a incêndios florestais em todo o mundo, expandindo o compartilhamento de dados, a capacidade da comunidade, a liderança do conhecimento indígena e os sistemas de alerta precoce, servindo, em última instância, para proteger milhões de hectares.

▪ O Centro pretende alcançar mais de 5.000 profissionais por meio de plataformas de aprendizagem e apoiar mais de 10.000 indígenas e detentores de conhecimento local em atividades de GIF no território. Usando o GWIS, MapBiomas e outras plataformas regionais e globais para aprimorar sistemas de alerta precoce e avaliação de riscos, mais de 10 milhões de hectares estarão sob manejo de paisagens mais resilientes ao fogo até 2028.

- Motor de Investimento na Terra

▪ O Motor de Investimento na Terra ilustra a operacionalização do potencial da bioeconomia na geração de recursos para conservação florestal e da biodiversidade. A Mobilização de Capital para Soluções Baseadas na Natureza da COP30 Brasil já garantiu mais de USD 10 bilhões em compromissos para projetos florestais e de bioeconomia no Brasil até 2027, superando a meta inicial de USD 5 bilhões.

▪ Este é um exemplo de um pipeline de investimentos coordenado de um mercado em expansão no Brasil — que oferece um modelo para esforços globais de ampliação do financiamento para a natureza, com evidências de crescente dinamismo em outros grandes mercados.

- Bilhões comprometidos para agricultura e restauração de terras

▪ A Agenda de Ação da COP sobre Paisagens Regenerativas (AARL) anunciou no sábado um aumento nos investimentos para promover a produção, conservação e restauração, avançando em soluções integradas para oferecer sistemas agroalimentares resilientes. Mais de 40 organizações relataram mais de USD 9 bilhões em investimentos comprometidos, cobrindo mais de 210 milhões de hectares de terra, alcançando 12 milhões de agricultores em mais de 90 commodities e mais de 110 países até 2030, marcando um progresso significativo desde o lançamento da iniciativa na COP28.

▪ Este ano marca uma mudança da ambição para a implementação: investimentos quadruplicaram desde 2023, o primeiro Acelerador de Paisagem no Brasil já está demonstrando caminhos comercialmente viáveis para restaurar mais de 50 milhões de hectares no Cerrado e na Amazônia. Esses esforços são apoiados por parceiros como o Ministério da Agricultura do Brasil, o WBCSD, o BCG e importantes empresas do agronegócio e financiadores que estão alinhando políticas, sistemas de MRV e soluções de financiamento misto para acelerar a transformação regenerativa no terreno.

- Compromisso de Metano: Caminhos Adiante

▪ Hoje, o Relatório Global sobre a Posição do Metano 2025 marcou um momento significativo na aceleração da ação climática de curto prazo, destacando tanto os avanços alcançados quanto o esforço ainda necessário para cumprir o Compromisso Global do Metano. Embora novas políticas, regulações setoriais e mudanças de mercado já estejam reduzindo a projeção de emissões, ministros enfatizaram que somente a adoção completa de medidas de mitigação comprovadas e economicamente viáveis — a maioria já disponível nos setores de energia, agricultura e resíduos — pode fechar a lacuna remanescente até 2030.

▪ O relatório mostra que os planos nacionais de metano apresentados até agora poderiam gerar a maior queda sustentada nas emissões de metano da história, se plenamente implementados. No entanto, medições mais robustas, relatórios mais fortes e maior financiamento são urgentemente necessários para elevar a ambição nas principais economias. Líderes reiteraram que ação decisiva sobre metano está entre as formas mais rápidas e impactantes de proteger a saúde, fortalecer a segurança alimentar e manter 1,5 °C ao alcance. O evento de hoje mostrou que as ferramentas já existem, os benefícios são substanciais e os próximos cinco anos determinarão se os países conseguirão transformar ambição em reduções rápidas e sistêmicas.

“O Compromisso Global do Metano transformou ambição em progresso tangível. Em setores e continentes, países e empresas estão demonstrando que a redução do metano é possível — e traz ar mais limpo, economias mais fortes e um clima mais seguro. Nossa tarefa agora é ampliar essas soluções rapidamente, trabalhando juntos para manter 1,5 °C ao alcance e garantir um futuro mais saudável para nossas populações e nosso planeta.”
— Dan Jørgensen, Comissário Europeu de Energia e Habitação

Negociações:

- A Presidência da COP30 divulgou sua 11ª carta às Partes, delineando suas prioridades para os próximos dias. Leia a carta aqui.

Mobilização Global:

"Um em cada três pessoas vive em grande vulnerabilidade por causa das mudanças climáticas. Para elas, a mudança do clima não é uma ameaça distante, e ignorá-las é negar nossa humanidade comum. [...] Como guardiões da criação de Deus, somos chamados a agir com rapidez, fé e profecia, para proteger o dom que Ele nos confiou.”
— Papa Leão XIV, em mensagem aos bispos e cardeais do Sul Global participantes da COP30 no Brasil

- Liderança jovem ganha destaque na COP30:

▪ Programações voltadas à juventude ao longo do dia destacaram a crescente influência das novas gerações na governança climática global.

▪ No Pavilhão de Crianças e Jovens, a Campeã da Juventude pelo Clima, Marcele Oliveira, reuniu 30 crianças e jovens do Brasil e de outros países para “Do Escutar à Ação”, um diálogo que evidenciou como jovens vivenciam a crise climática e desejam moldar soluções — encerrando com um manifesto poderoso de jovens indígenas pedindo água limpa, rios livres de petróleo e respeito a todos os seres vivos.

▪ Em uma sessão ministerial sobre a Agenda de Ação da COP30, Marcele Oliveira, líderes da Agenda de Ação e representantes de organizações juvenis apresentaram maneiras práticas de ampliar contribuições da juventude nos esforços de implementação.

▪ Na Zona Azul, um Diálogo Intergeracional de Alto Nível trouxe crianças para uma conversa direta com líderes globais, incluindo Mary Robinson, Ana Toni e Hindou Oumarou Ibrahim, refletindo sobre a necessidade de políticas climáticas que protejam os direitos das crianças e as futuras gerações.

- Líderes indígenas compartilham estratégias comunitárias de adaptação climática na COP30:

▪ No Pavilhão Indígena, membros do Comitê Indígena de Mudanças Climáticas (CIMC) do Brasil realizaram um diálogo sobre como povos indígenas de diversas regiões do país estão desenvolvendo seus próprios planos de adaptação em resposta aos impactos climáticos crescentes. Palestrantes como Jânio Avalo, Suhyasun Pataxó, Sineia do Vale e Cristiane Julião discutiram a história e a estrutura do CIMC, suas contribuições ao planejamento nacional de adaptação indígena e experiências concretas, como as iniciativas pioneiras de adaptação climática em Roraima. Moderado pela pesquisadora Martha Fellows, o debate destacou como sistemas de conhecimento indígena, governança territorial e liderança jovem estão moldando soluções práticas e comunitárias para proteger vidas, culturas e ecossistemas em um clima em transformação.

Fonte: COP30

COP30 marca virada histórica ao colocar os oceanos no centro da agenda climática

© Shutterstock / Tatiana Popova / WWF-Sweden

11/11/2025

Lançado nesta segunda-feira, “Pacote Azul” marca um avanço na integração entre oceano, clima e biodiversidade

Por WWF-Brasil

O Pacote Azul (Plan to Accelerate Ocean-based Climate Solutions: A Blue Package), uma das principais entregas da agenda de ação da COP30, representa um avanço inédito com a integração do oceano de forma estrutural à agenda climática. A iniciativa reúne ações voltadas à conservação marinha, à transição energética, ao uso sustentável dos recursos oceânicos e à ampliação de mecanismos de financiamento capazes de escalar soluções baseadas no oceano, como a restauração de manguezais e a proteção de recifes de corais. O pacote faz parte de uma estrutura coordenada pela Presidência da COP30, pelo governo brasileiro e pelos High Level Climate Champions, que conecta atores não governamentais para acelerar a implementação dessas soluções, no âmbito do Eixo 2, Objetivo 7 da nova Agenda de Ação Climática Global, voltado a florestas, oceanos e biodiversidade.

Os oceanos cobrem mais de 70% da superfície do planeta e exercem papel essencial no equilíbrio climático global. São eles e seus ecossistemas que absorvem cerca de um quarto das emissões de CO₂ e mais de 90% do calor adicional retido na atmosfera pela ação humana, funcionando como um verdadeiro regulador do clima. Os ecossistemas costeiros e marinhos são fundamentais para adaptação climática, sustentando economias, provendo segurança alimentar e proteção costeira contra eventos climáticos extremos. Ainda assim, historicamente, o oceano foi tratado de forma marginal nas negociações climáticas internacionais, um paradoxo diante de sua importância para conter o aquecimento global e sustentar a vida no planeta.

Desde a criação do Ocean and Climate Change Dialogue, a integração entre as agendas de clima e oceano tem avançado. O Relatório Especial sobre o Oceano e a Criosfera do IPCC (2019) trouxe evidências científicas contundentes sobre o impacto da mudança climática nos mares, e a COP26 consolidou o oceano como componente essencial das estratégias de adaptação e mitigação. O Balanço Global, lançado em 2023, reconhece a importância da conservação e restauração do oceano e seus ecossistemas para adaptação e mitigação também foi reconhecida. Mesmo assim, o nexo oceano-clima segue sub-representado no espaço formal de negociação. Nesse contexto, a decisão da Presidência brasileira de incluir os oceanos entre as prioridades da COP30 e a forte presença dessa agenda durante a Cúpula dos Líderes representa um marco histórico e um passo necessário para corrigir esse descompasso.

Em paralelo, o Desafio das NDCs Azuis (Blue NDC Challenge), lançado por Brasil e França em junho deste ano, mobiliza os países a incluir o oceano em suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), reconhecendo seu potencial de contribuir para mitigação e adaptação às mudanças climáticas. A sinergia entre o Desafio das NDCs Azuis e o Pacote Azul cria, pela primeira vez, uma estrutura de coordenação entre os governos e atores não estatais voltada especificamente às soluções climáticas baseadas no oceano, abrindo caminho para a construção de mecanismos de financiamento semelhantes aos existentes para florestas tropicais.

“O Brasil tem desempenhado um papel de liderança fundamental na elevação da agenda de oceano e clima nas negociações internacionais da UNFCCC. Liderança que se iniciou no G20, se consolidou com a co-facilitação no Diálogo sobre Mudanças Climáticas e Oceano (Ocean Climate Change Dialogue) e se fortalece na COP30, com o objetivo de criar estruturas robustas para soluções climáticas baseadas no oceano de forma participativa e com apoio da sociedade civil organizada”, destaca Marina Corrêa, analista de conservação do WWF-Brasil.

Para Marina, o conjunto de iniciativas lideradas pelo Brasil simboliza um novo momento de ambição e coordenação global. “A história das COPs revela uma evolução clara: de quando o oceano era apenas uma nota de rodapé, aos diálogos formais da COP27 e aos pavilhões temáticos das COP28 e COP29, até esta COP30 — quando o mar finalmente infiltrou à cúpula dos líderes. A presidência brasileira, com apoio de outros países, deixou evidente que a Natureza é parte essencial da agenda climática, evidenciando que ela também é oceano. Agora, o desafio ao longo da COP30 será transformar essa ambição e reconhecimento em caminhos para ação: avançar na implementação de soluções baseadas no oceano e financiamento que lhes dê escala e impacto, e aumentar a presença do tema no espaço de negociação.”

Embora os oceanos não constituam um tema formal de negociação dentro da UNFCCC, as decisões tomadas no âmbito da Convenção moldam diretamente políticas e instrumentos como as NDCs, os Planos Nacionais de Adaptação e os mecanismos de financiamento climático. Por isso, é essencial que o oceano esteja no centro das decisões sobre mitigação, adaptação e transição justa. O sucesso do Pacote Azul dependerá da criação de instrumentos concretos de governança e financiamento que priorizem a conservação da natureza e reconheçam as comunidades tradicionais e pesqueiras como protagonistas da gestão dos recursos oceânicos e soluções climáticas.

Além dos oceanos, a COP30 inova também ao destacar a importância das florestas - responsáveis por capturar cerca de 30% dos gases de efeito estufa - no debate climático. Juntos, oceanos e florestas ajudam a conferência de Belém a entregar um robusto Pacote Natureza que permita equacionar a dupla crise de clima e biodiversidade que ameaça o século 21. Somente assim será possível garantir que o oceano continue a cumprir seu papel vital, sustentar a vida na Terra, proteger as comunidades e ajudar a conter a crise climática. 

Sobre o WWF-Brasil

O WWF-Brasil é uma ONG brasileira que há 28 anos atua coletivamente com parceiros da sociedade civil, academia, governos e empresas em todo país para combater a degradação socioambiental e defender a vida das pessoas e da natureza. Estamos conectados numa rede interdependente que busca soluções urgentes para a emergência climática.

Fonte: WWF-Brasil

CIENTISTAS DA EMBRAPA E POPULAÇÕES TRADICIONAIS SE UNEM PARA UTILIZAR E, AO MESMO TEMPO, CONSERVAR A BIODIVERSIDADE

 Mesa debateu a história e experiência das mulheres na luta por autonomia no campo 

06/12/2017

Projeto Bem Diverso, realizado em parceria pela Embrapa e PNUD, também ajudará a cumprir metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU

Cientistas e povos tradicionais estão reunidos em Brasília de 05 a 07 de dezembro para trocar conhecimentos e compartilhar experiências e informações relacionadas a um mesmo objetivo: conservar a biodiversidade com o uso sustentável de espécies da Amazônia, Caatinga e Cerrado. Essa é a ideia central do Projeto Bem Diverso, uma parceria entre a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), financiado com recursos do Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF).

“Não há mais espaço para a ciência atuar sozinha. É preciso agregar o conhecimento científico ao tradicional”, afirma o líder do projeto, Aldicir Scariot, pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia.

Para Aldicir, o uso sustentável da biodiversidade só pode ser feito se forem respeitados e valorizados os meios de vida das populações tradicionais que vivem nos seis territórios de atuação do projeto, espalhados pelos recantos mais carentes de desenvolvimento do País: o Alto Rio Pardo (MG), o sertão do São Francisco (PE e BA), Sobral (CE), o Médio Mearim (MA), o Marajó (PA) e o Alto Acre (AC). “Afinal de contas, são eles os verdadeiros guardiões da biodiversidade”, diz Scariot.

E é de mãos dadas com essas populações que o projeto tem caminhado desde março de 2016, desenvolvendo atividades técnicas e capacitações em manejo sustentável, ações de restauração, levantamento de espécies, pesquisas socioeconômicas, estudos de tecnologia, cadeia de valor e mercado entre outras ações que um dia poderão ser transformadas em políticas públicas para melhorar a condição de vida das gerações futuras e garantir que as florestas continuem em pé.

“O projeto está fortemente alinhado aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas”, lembrou Rose Diegues, oficial de programa da unidade de desenvolvimento sustentável do PNUD Brasil. Trata-se de uma agenda proposta pela Organização das Nações Unidas (ONU) que, se cumprida, poderá transformar o mundo para melhor até 2030.

“Há 12 unidades da Embrapa envolvidas neste grande projeto, que considero uma oportunidade única para envolver públicos, integrar experiências e levar inovação ao campo”, afirmou a pesquisadora Soraya Barrios, representante da Diretoria de Transferência de Tecnologia da Embrapa na abertura do Encontro Anual do Projeto Bem Diverso.

O que a gastronomia pode fazer para a biodiversidade

O jornalista, ambientalista e chef de cozinha Renato Smeraldi fez a palestra de abertura do evento. Autor de ensaios e livros sobre desenvolvimento, sustentabilidade, políticas públicas, Amazônia, florestas, viagem e gastronomia, Smeraldi compartilhou as experiências do Centro Global de Gastronomia e Biodiversidade, do Instituto Atá (do famoso chef Alex Atala). Ele falou de temas como a inserção e valorização de produtos da biodiversidade brasileira pelo mercado.

“É preciso ter capacidade instalada nos territórios de onde são extraídos os produtos, como laboratórios que garantam questões sanitárias e a própria qualidade do produto”, disse.

Além de melhorar a infraestrutura dos locais de coleta, Smeraldi ressaltou a importância da formação periódica de pessoas para a criação e o desenvolvimento de produtos, da necessidade de serem ofertados mais espaços para o empreendedorismo e coworking e da socialização como forma de proteção do conhecimento tradicional. “Na hora em que a sociedade se apropria dos saberes, eles passam a ser reconhecidos e a ter autoria”, disse. “A própria marca é um exercício de reconhecimento coletivo”, concluiu.

Que o diga Luís Carrazza, diretor e fundador da Central do Cerrado, uma central de cooperativas que reúne 21 empreendimentos e comercializa mais de 220 produtos e artesanatos da biodiversidade do Cerrado. “O problema não é que falta mercado, mas que a produção e o mercado não se encontram”, disse Carrazza.

Em Juazeiro, na Bahia, parte desse problema já foi resolvido com a construção do Armazém da Agricultura Familiar, que vende os produtos da Central da Caatinga, fundada no ano passado. Talvez o único lugar do mundo onde se pode saborear uma autêntica “Cerveja de Umbú”.

E as mulheres, onde ficam?

Dados levantados pelo projeto Bem Diverso mostram que boa parte das atividades agroextrativistas no Brasil é realizada por mulheres. Sejam indígenas, quilombolas ou geraizeiras, a história e a experiência delas na luta por autonomia no campo ajudam na construção do conhecimento almejado pelo projeto.

“As mulheres ainda têm participação na economia 70% menor que os homens”, contou Ismália Afonso, que atua no Programa Gênero e Etnia do PNUD.

Mas o Bem Diverso quer mudar essa realidade e, por isso, estimula o protagonismo feminino por meio da capacitação e do empoderamento das mulheres.

“O que as mulheres precisam? De acesso ao crédito e ao mercado? Precisamos estar atentas às necessidades delas”, lembrou a pesquisadora da Embrapa Amapá Ana Margarida Euler.

A jovem Joaquina Malheiros, representante da Associação dos Trabalhadores Agroextrativistas da Ilha das Cinzas, em Gurupá – PA (ATAIC) e do Grupo Mulheres em Ação, já sabe que se organizar e compartilhar conhecimentos com outras comunidades pode ser um dos caminhos para o empoderamento feminino.

O projeto Manejo Comunitário de Camarão de Água Doce, por exemplo, venceu o Prêmio FINEP Inovação em 2011 na categoria Tecnologia Social. “Somos extrativistas de açaí, coletoras de sementes, mulheres, mães, amazônicas e nortistas. Não temos nem internet, mas até as redes de televisão de outros países já vieram nos entrevistar”. Aos poucos, o mundo vai conhecendo e se encantando com o poder dessas mulheres.

Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

RESERVA NO AMAZONAS ZERA DESMATAMENTO E É CONSIDERADA MODELO NO PAÍS E NO MUNDO


05/09/2017 

Por Bianca Paiva - Agência Brasil

A Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Juma, localizada às margens da BR-319, no Amazonas, é considerada modelo no país e no mundo. Além de zerar o desmatamento, o projeto desenvolvido na área tem promovido a geração de renda e a defesa da floresta pela comunidade local.

Na contramão do crescimento do desmatamento, a reserva vem registrando nos últimos anos redução das taxas de devastação. Os dados mais atualizados do governo federal são de 2015 e mostram que não foi registrado nenhum novo desmatamento. A redução é atribuída à implantação na área, em 2008, do primeiro projeto brasileiro de Redd, que significa Redução de Emissão de Gases de Efeito Estufa provenientes do Desmatamento. No mesmo ano, a iniciativa, idealizadas pela organização não governamental (ONG) Fundação Amazonas Sustentável (FAS), foi a primeira do país e do Continente Americano a receber um certificado internacional por desmatamento evitado.

No Dia da Amazônia, comemorado hoje (5), o coordenador do programa Soluções Inovadoras da FAS, Victor Salviati, fala sobre a reserva. “A gente desenvolveu vários estudos. A gente viu que se nada fosse feito, de 2008 a 2050, que é o nosso cenário, seriam desmatados quase 66% da área e seria emitido algo em torno de 189 milhões de toneladas de carbono. Esse desenho foi feito com três eixos para tratar os vetores do desmatamento: primeiro um investimento estruturante em geração de renda, programas comunitários e geração de emprego, o segundo, investimento em capacitação e educação formal e o terceiro, desenvolvimento científico e monitoramento”, explica.

Por meio do Redd, empresas nacionais e internacionais apoiam atividades de redução de desmatamento e de emissões na Reserva do Juma, que é um mecanismo financeiro para geração de créditos de carbono. Atualmente, o projeto beneficia 476 famílias, cerca de 2 mil pessoas, divididas em 38 comunidades em áreas remotas. De acordo com Victor Salviati, elas recebem apoio para produção, principalmente, de farinha, açaí, castanha e pesca artesanal e ainda um pagamento pelos serviços ambientais, por meio do Programa Bolsa Floresta.

“Além dos investimentos estruturantes, há os investimentos nas pessoas. A fundação acredita muito que a conservação da floresta está ligada às pessoas, são os guardiões da floresta. A gente dando oportunidade a essas pessoas de sonhar, dando educação de qualidade, infraestrutura produtiva, capacitação, comunicação e transporte, elas conseguem viver melhor. E quem vive melhor faz a melhor gestão desses recursos naturais”, afirma Salviati.

A Reserva do Juma foi criada em 2006 pelo governo do Amazonas e é gerenciada pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente. Ela está situada em uma área de alto risco de desmatamento, no município de Novo Aripuanã, a 227 quilômetros de Manaus.

“Há um empoderamento dos benefícios da biodiversidade da unidade de conservação, tanto que eles estão sempre vigilantes. Sempre que há uma ameaça à integridade daquilo de que tanto zelam, eles acionam o órgão ambiental para fazer a fiscalização. Isso nos deixa muito satisfeitos com os resultados até aqui alcançados”, ressalta o secretário de Meio Ambiente, Antônio Stroski.

Rosângela dos Santos Ribeiro é moradora e representante da comunidade São Félix. Ela tem 47 anos, é casada, tem oito filhos e trabalha na cadeia produtiva da farinha. Dona Rosa, como é conhecida, tem muito orgulho de viver na reserva e de contribuir com a preservação da floresta.

“Aqui na nossa reserva (esse projeto) é muito importante, muito mesmo porque ajudou muitas pessoas financeiramente a cuidar de onde mora. Vieram muitos projetos para os jovens também. Isso daqui é nosso. A gente tem que cuidar. Eu me sinto bem morando na minha comunidade”, destacou a moradora.

A expectativa do projeto de Redd na Reserva do Juma é conter, até 2050, a emissão de aproximadamente 190 milhões de toneladas de gás carbônico e evitar o desmatamento de 366 mil hectares de floresta. Até 2015, cerca de 6 milhões de toneladas de gases de efeito estufa deixaram de ser emitidas na atmosfera por meio da iniciativa.

Pesquisa encontra microalgas que crescem em resíduos e geram biocombustíveis

Foto: Vivian Chies

27/02/2017

A Embrapa Agroenergia (DF) conseguiu identificar espécies de microalgas que podem ser cultivadas em resíduos líquidos de processos de agroindústrias, os efluentes. Esse cultivo pode gerar matéria-prima renovável para biocombustíveis, rações, cosméticos e vários outros produtos. A pesquisa, que durou três anos, também teve como resultado a descoberta de espécies até então desconhecidas, na biodiversidade brasileira.

Os efluentes utilizados nos estudos foram a vinhaça, formada na produção de açúcar e etanol de cana, e o Pome (palm oil mill effluent), que é gerado no processamento do dendê. Eles são aproveitados, hoje, para fertirrigação das plantações. Utilizá-los, contudo, como meio para produzir microalgas, pode agregar valor às cadeias produtivas da cana e do dendê, gerando mais biomassa e óleo para obter energia e bioprodutos.

As microalgas são organismos unicelulares e microscópicos que vivem em meios aquáticos e têm uma característica curiosa: embora não sejam plantas, são capazes de realizar fotossíntese e se desenvolver utilizando luz do sol e gás carbônico. Elas se reproduzem muito rapidamente, gerando grandes quantidades de óleo e biomassa em pouco tempo. A produtividade pode ser de dez a 100 vezes maior do que os cultivos agrícolas tradicionais. Isso chamou a atenção de setores que necessitam de grandes quantidades de matéria-prima, como o de biocombustíveis.

Ao mesmo tempo, os óleos produzidos por algumas espécies quase sempre contêm compostos muito valiosos como, por exemplo, Ômega 3 e carotenoides. Por isso, elas também encontram espaço em indústrias que atendem nichos de mercado e pagam mais caro por matérias-primas com propriedades raras. É o caso dos cosméticos e dos suplementos alimentares.

Já existem pelo menos quatro empresas no Brasil produzindo microalgas: duas no Nordeste, com foco em nutrição humana e animal, e outras duas no interior de São Paulo, já atendendo indústrias de cosméticos e rações, ou projetos para tratamento de efluentes. Contudo, há ainda muito que avançar no conhecimento e desenvolvimento de tecnologias para impulsionar o setor. A redução do custo de produção é uma das principais preocupações, principalmente quando se quer alcançar mercados que necessitam de grandes volumes e preços baixos, como é o caso dos biocombustíveis.

Explorando a biodiversidade

A pesquisa da Embrapa buscou soluções em uma das maiores riquezas do Brasil: a imensa biodiversidade, que pode abrigar um quarto das espécies de microalgas de água doce, segundo as estimativas. O primeiro trabalho tinha como objetivo encontrar espécies capazes de crescer na vinhaça, em ambientes industriais e biomas brasileiros (Amazônia, Pantanal e Cerrado). Os cientistas identificaram duas espécies que podem ser cultivadas nesse efluente, com bom rendimento − uma delas ainda não está sequer descrita na literatura. A análise dos componentes da biomassa dessas duas microalgas indica maior concentração de carboidratos e proteínas do que de lipídeos e carotenoides, que as tornam mais adequadas para a produção de etanol do que de biodiesel, quando o assunto é biocombustíveis. Podem ser utilizadas, ainda, em rações.

A vinhaça é rica em nitrogênio, fósforo e potássio (NPK), nutrientes tão necessários às microalgas quanto às plantas. Utilizá-la como meio de cultivo, contudo, tem seus desafios, explica o pesquisador Bruno Brasil, da Embrapa Agroenergia. Se, por um lado, a concentração de nutrientes favorece o crescimento dos organismos, por outro a coloração escura dificulta a passagem de luz, sem a qual não há fotossíntese. Para minimizar esse problema, a equipe da Embrapa Agroenergia utilizou métodos de clarificação química de baixo custo ou simplesmente diluiu a vinhaça em água. Outro desafio associado à vinhaça é a elevada carga de material orgânico. Ela favorece a proliferação de bactérias e leveduras, que se tornam contaminantes no meio de cultivo e prejudicam o crescimento das microalgas.

As duas espécies selecionadas pela equipe da Embrapa Agroenergia são mixotróficas. Isso quer dizer que elas realizam fotossíntese, mas também utilizam a matéria orgânica da vinhaça para crescer. Elas não chegam a reduzir significativamente essa carga orgânica e, por isso, não podem ser utilizadas isoladamente para tratamento do efluente. No entanto, isso pode ser bom porque permite que a vinhaça ainda seja usada para fertirrigação dos canaviais após a retirada das microalgas.




Cultivos em efluente do processamento do dendê

O Pome tem características poluidoras muito parecidas com as da vinhaça, mas a composição é diferente, já que se origina de um fruto rico em óleo, o dendê, e não de uma gramínea rica em açúcar como é o caso da cana. Por isso, o trabalho de busca de microalgas capazes de crescer nesse material envolveu tanto experimentos com cepas já testadas para a vinhaça quanto novas coletas de amostras, em ambientes diferentes. Neste caso, também, duas espécies mostraram-se eficientes. Uma delas tem capacidade de crescimento tão elevada que faz desaparecer a coloração quase preta do Pome e coloca no lugar um verde intenso. Além disso, foi demonstrado que a retenção do Pome em uma lagoa anaeróbica seguida de cultivo utilizando estas microalgas promove tratamento eficiente do efluente, processo conhecido como biorremediação.

A ideia de buscar espécies capazes de crescer em efluentes industriais explora justamente uma das vantagens das microalgas, a robustez. Diferentemente das plantas, elas não exigem água doce e limpa; podem ser cultivadas em água salgada, salobra ou mesmo residual. Esse é um fator bastante positivo para a sustentabilidade do cultivo. Soma-se a isso a característica de elas não precisarem ocupar terras férteis e a alta produtividade para se chegar à conclusão de que microalgas podem compor o rol de soluções sustentáveis para fornecer alimentos, energia e bens de consumo a uma população mundial crescente.

Engenharia genética

A equipe de cientistas da Embrapa e instituições parceiras está, agora, empenhando-se em construir ferramentas que permitam a modificação genética das espécies selecionadas para crescimento na vinhaça e no Pome, com o objetivo de potencializar o rendimento. O investimento na engenharia genética tem motivo: toda a produção de commodities agrícolas atual está baseada em espécies que passaram por décadas ou séculos de domesticação e melhoramento genético. Além disso, um grande estudo sobre microalgas financiado pelo governo dos Estados Unidos mostrou que o uso de linhagens modificadas geneticamente chega a reduzir em 85% o custo de produção – uma das grandes metas estabelecidas pelos cientistas.

O desafio para chegar a essas novas linhagens, contudo, é grande. Qualquer programa de engenharia genética precisa primeiramente de conhecimento sobre a espécie com a qual se pretende trabalhar. No caso das microalgas, essa base ainda está em construção. Basta comparar: o primeiro genoma completo de bactéria foi apresentado em 1995, o humano foi concluído em 2003, mas só em 2012 foi sequenciado o DNA de uma microalga com potencial para produção de biocombustíveis.

Quando se trata de espécies originárias do Brasil, a carência de dados é ainda maior. “Nós sabíamos que, trabalhando com espécies nativas, tínhamos a chance de encontrar coisas novas e mais produtivas do que materiais de outras partes do mundo, mas, ao mesmo tempo, por ser novo, sabíamos que iríamos ter que desenvolver esse pacote tecnológico”, conta o pesquisador Bruno Brasil.

Na Embrapa e na Universidade Federal do Rio Grande (FURG), além das microalgas, os cientistas estão explorando a genética das cianobactérias, conhecidas como algas azuis. São organismos também unicelulares, microscópicos e capazes de realizar fotossíntese, porém mais simples. Luis Fernando Marins, professor da FURG, compara os genomas delas. Enquanto o de uma das cianobactérias com que ele está trabalhando tem 2,6 milhões de pares de bases, o de uma microalga chega a 120 milhões, ou seja, é 60 vezes maior. Além disso, os meios de cultivo para as cianobactérias são geralmente mais baratos e elas têm capacidade de secretar substâncias, o que facilita os processos de obtenção dos produtos de interesse.

Além dos estudos do genoma e da engenharia genética, o pesquisador da Embrapa Agroenergia antecipa os próximos passos do centro de pesquisa: “Do ponto de vista de processos industriais, o que falta? Escalonamento de sistemas de cultivo, métodos eficientes para colheita das microalgas e processos de conversão da biomassa em produtos. Os próximos projetos vão focar esses três pontos”.

Mercado das microalgas

Uma das empresas que se tornou referência no tema microalgas é a TerraVia, que até março de 2016 chamava-se Solazyme. Com origem na região do Vale do Silício, nos Estados Unidos, a companhia estabeleceu sua unidade de produção no Brasil, numa joint venture com a Bunge. A biofábrica está associada a uma usina sucroalcooleira, em Orindiúva (SP), porque a espécie de microalga com que trabalha não realiza fotossíntese, mas alimenta-se de açúcar.

O diesel e o combustível de aviação obtidos a partir do óleo dessa microalga, o Soladiesel e o Solajet, eram destaque entre os produtos oferecidos pela tecnologia da empresa, mas isso mudou junto com o nome, justamente por causa de valor de mercado. “Esses mercados podem se tornar maiores e rentáveis no futuro e ainda são ativos valiosos para nós. Porém, com os níveis de preços atuais do barril de petróleo, biocombustíveis nesse momento não são o principal driver econômico para nós”, revela o presidente da joint venture TerraVia / Bunge, Walfredo Linhares. O executivo afirma que a empresa está voltada, agora, exclusivamente para alimentos, nutrição animal e ingredientes especiais para o mercado de cuidados pessoais. Empresas como Natura, Nestlé e Unilever já utilizam ou vão utilizar, em seus produtos, óleos e compostos originários das microalgas cultivadas em Orindiúva.

Menos vultosa, porém consistente, é a iniciativa da Fazenda Tamanduá, no sertão da Paraíba. Ali foi estabelecido um cultivo orgânico de cianobactérias do tipo spirulina, que já são bastante conhecidas pelos benefícios à saúde humana. “Eu tomo spirulina e acho um produto maravilhoso: há oito anos não sei o que é uma gripe. Não é um milagre, mas se você toma todos os dias vai sentir uma melhora na sua saúde, pele, cabelo”, testemunha o biotecnólogo José Franciraldo de Lima, responsável-técnico pela produção. A Fazenda Tamanduá foi a primeira a obter registro do produto como alimento na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Ele é comercializado em cápsulas ou em pó.

Um pouco mais ao norte do País, no Ceará, a professora Francisca Pinheiro aplicou o conhecimento adquirido durante anos na Universidade Federal do estado para estabelecer em uma chácara, no Município de Cascavel, um cultivo de spirulina. Nesse caso, o foco é o mercado de rações para aquicultura, especialmente camarões, tilápias e peixes ornamentais, graças ao elevado teor de proteína do produto. Ela acredita no futuro do cultivo de microalgas e cianobactérias. “É um mercado consumidor crescente, autossustentável, com potencial no mercado interno e externo”, analisa. A empresária pretende consolidar seus métodos de cultivo e, a partir daí, iniciar um projeto de transferência de tecnologia para comunidades do Nordeste.

Em Piracicaba (SP), o parque tecnológico local abriga a Algae Biotecnologia, uma start up voltada para o desenvolvimento de projetos baseados em microalgas, com o foco em biorremedição e captura de carbono. O que está mais avançado é a iniciativa com a fabricante de cimentos Intercement, que consiste em utilizar as microalgas para biofixar o grande volume de CO2 gerado nesse segmento industrial. Já foram selecionadas espécies eficientes nesse trabalho e o projeto está entrando em fase pré-comercial.

Vivian Chies (MTb 42.643/SP) 
Embrapa Agroenergia 
agroenergia.imprensa@embrapa.br 
Telefone:  (61) 3448-2264

Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

Fonte: Embrapa

Ferramentas do SiBBr aprimoram publicação de dados e pesquisa sobre biodiversidade

As novas ferramentas do SiBBr foram lançadas durante o 67º Congresso Nacional de Botânica.
Crédito: Divulgação/SiBBr

30/09/2016 

Dicionário taxonômico e validador de nomes científicos estão entre as ferramentas criadas. "Elas levam o SiBBr para um novo patamar, permitindo análises mais aprofundadas e diversas dos dados", explicou a diretora Andrea Portela.

O Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr) lançou um conjunto de ferramentas e serviços para facilitar a publicação de dados e as pesquisas acadêmicas. Os aplicativos podem consolidar o SiBBr como a principal infraestrutura nacional de dados e conteúdos sobre a biodiversidade. Criado em novembro de 2014, o sistema é uma iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) que reúne aproximadamente 9 milhões de registros de ocorrências de quase 100 mil espécies brasileiras.

"As novas aplicações levam o SiBBr para um novo patamar e agregam valor ao sistema, permitindo análises mais aprofundadas e diversas dos dados disponíveis. As ferramentas também são um passo importante no aprimoramento da qualidade dos dados publicados, um dos grandes desafios de qualquer sistema de informação", explicou a diretora do SiBBr, Andrea Portela Nunes, coordenadora-geral de Gestão de Ecossistemas da Secretaria de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do MCTIC.

As ferramentas foram lançadas durante o 67º Congresso Nacional de Botânica, que será realizado até sexta-feira (30), em Vitória (ES). Cada uma recebeu o nome de uma espécie brasileira. 

O AttaPublica, por exemplo, é uma porta de entrada para os publicadores do SiBBr e homenageia as formigas do gênero Atta, que apresentam uma complexa organização social e vivem em ninhos subterrâneos. 

Já o HarpiaTax é um dicionário taxonômico, que permite a consulta fácil e rápida do status de um nome científico. Como bases de dados para a pesquisa, o dicionário utiliza o Catálogo Taxonômico da Fauna do Brasil e a Lista de Espécies da Flora do Brasil – Reflora. Os dois catálogos abrangem boa parte da biodiversidade conhecida do Brasil e são listas de referência para o SiBBr. O nome da ferramenta homenageia a popularmente conhecida Harpia ou Gavião-Real, a maior água brasileira, considerada criticamente em perigo em alguns estados do país. 

O RivulusValida é um validador de nomes científicos. Por meio da ferramenta, é possível carregar uma planilha com vários nomes científicos e verificar se eles são aceitos, sinônimos ou inválidos, bem como a referência da fonte consultada. O nome homenageia os peixes do gênero Rivulus, que vivem em ambientes aquáticos temporários, como poças da água, e se locomovem por meio de saltos.
Junto com as ferramentas também está disponível o SiBBr Fórum, um espaço de discussão, informações e suporte sobre as ferramentas e serviços do sistema, softwares de curadoria de coleções, publicação de dados biológicos e outros temas.

O SiBBr tem suporte técnico do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e apoio financeiro do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF).

Fonte: MCTIC

PRÊMIO NACIONAL DE BIODIVERSIDADE – 2° EDIÇÃO



10/09/2016

O PRÊMIO NACIONAL DA BIODIVERSIDADE, instituído pela Portaria MMA nº 188, de 22 de maio de 2014, tem por finalidade reconhecer o mérito de iniciativas, atividades e projetos que se destacam por buscarem a melhoria do estado de conservação das espécies da biodiversidade brasileira, contribuindo para o alcance das Metas Nacionais de Biodiversidade.

Podem concorrer ao Prêmio iniciativas, atividades e projetos concluídos ou em estágio avançado de execução, que apresentem resultados e impactos comprovados para a melhoria do estado de conservação da biodiversidade brasileira.

A Segunda Edição do PRÊMIO NACIONAL DA BIODIVERSIDADE contemplará 07 (sete) categorias para inscrição de iniciativas relacionadas à melhoria no estado de conservação ou divulgação da biodiversidade brasileira:

I – Sociedade Civil
II – Empresas
III- Iniciativas Comunitárias
IV – Academia
V – Órgãos públicos
VI – Imprensa
VII – Ministério do Meio Ambiente

Cronograma:

Inscrições: 30 de junho de 2016 a 22 de outubro de 2016
Avaliação: até 18 de abril de 2017
Divulgação dos finalistas: 22 de abril de 2017
Cerimônia de premiação: 22 de maio de 2017

Acesse o Edital (Edital nº 1, de 28 de junho de 2016)

Informações adicionais:

premionacionaldabiodiversidade@mma.gov.br

Fonte: PND


PRÊMIO NACIONAL DE BIODIVERSIDADE – 2° EDIÇÃO



07/08/2016

O PRÊMIO NACIONAL DA BIODIVERSIDADE, instituído pela Portaria MMA nº 188, de 22 de maio de 2014, tem por finalidade reconhecer o mérito de iniciativas, atividades e projetos que se destacam por buscarem a melhoria do estado de conservação das espécies da biodiversidade brasileira, contribuindo para o alcance das Metas Nacionais de Biodiversidade.

Podem concorrer ao Prêmio iniciativas, atividades e projetos concluídos ou em estágio avançado de execução, que apresentem resultados e impactos comprovados para a melhoria do estado de conservação da biodiversidade brasileira.

A Segunda Edição do PRÊMIO NACIONAL DA BIODIVERSIDADE contemplará 07 (sete) categorias para inscrição de iniciativas relacionadas à melhoria no estado de conservação ou divulgação da biodiversidade brasileira:

I – Sociedade Civil
II – Empresas
III- Iniciativas Comunitárias
IV – Academia
V – Órgãos públicos
VI – Imprensa
VII – Ministério do Meio Ambiente

Cronograma:

Inscrições: 30 de junho de 2016 a 22 de outubro de 2016
Avaliação: até 18 de abril de 2017
Divulgação dos finalistas: 22 de abril de 2017
Cerimônia de premiação: 22 de maio de 2017
Acesse o Edital (Edital nº 1, de 28 de junho de 2016)

Informações adicionais:
premionacionaldabiodiversidade@mma.gov.br


Perda de biodiversidade ameaça ecossistemas do planeta, diz estudo

Pradarias, savanas e tundras são ecossistemas mais afetados (Foto: Markus Schreiber/AP)

17/07/2016

Em 58% da superfície terrestre há perda substancial dos ecossistemas.
Estudo foi publicado na revista "Science" nesta quinta.

A dimensão da perda de biodiversidade no mundo todo ameaça o funcionamento dos ecossistemas da Terra e inclusive a sobrevivência dos seres humanos, segundo um estudo publicado na quinta-feira (14) na revista científica americana "Science".

Em 58% da superfície terrestre, onde vive 71% da população mundial, "o nível de perda de biodiversidade é substancial o suficiente para questionar a capacidade dos ecossistemas de suportar as sociedades humanas", alerta o estudo.

"É a primeira vez que quantificamos os efeitos da perda de biodiversidade a nível planetário de forma tão detalhada que agora podemos dizer que esta perda ultrapassou os limites considerados seguros pelos ecologistas", explica o líder da pesquisa, Tim Newbold, da University College London.

Nestas zonas, é cada vez mais incerta a possibilidade de assegurar funções essenciais dos ecossistemas como a reprodução e crescimento de seres vivos e a manutenção de ciclos de produção de nutrientes.

"Sabemos que as perdas de biodiversidade afetam o funcionamento dos ecossistemas, mas o processo ainda não está totalmente claro", acrescentam os pesquisadores.

"O que sim sabemos é que em várias partes do mundo nos aproximamos de uma situação na qual uma intervenção humana poderia ser necessária para manter as funções do ecossistema", afirmam.

"A utilização dos solos já levou a biodiversidade até os limites do que poderia ser considerado não arriscado", ressaltou o professor Andy Purvis, do Museu de História Natural de Londres, um dos coautores do estudo.

Para o estudo, foram analisados 2,38 milhões de relatórios sobre 39.123 espécies e 18.659 lugares, dados fornecidos por centenas de pesquisadores de várias partes do mundo.

Fonte: G1 Natureza


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