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RenovaBio irá vincular CBios a sustentabilidade no uso da terra

Foto: Embrapa

19/04/2018

Para receberem créditos de descarbonização, usinas deverão produzir sem desmatamento

Miguel Ivan Lacerda de Oliveira¹
Marcelo Boechat Morandi²
Marília Folegatti Matsuura³ 
Marcelo Ramalho Moreira4

Quando o assunto é a redução de gases do efeito estufa (GEE) por biocombustíveis, o risco de aumento do desmatamento está entre as principais preocupações em nível nacional e internacional.

Em meados dos anos 2000, quando as primeiras políticas internacionais para produção de biocombustíveis começaram a ser elaboradas, houve uma grande mobilização na comunidade científica para investigar que impactos elas teriam na mudança de uso da terra (MUT) – termo técnico para designar todas as alterações no emprego da terra, incluindo desmatamento para uso agrícola – ao redor do globo. Diversas publicações científicas alertaram para o risco de aumento de emissões e, a partir de então, a consideração da MUT se tornou indispensável em políticas energéticas. Com isso, a pressão mundial para evitar que o desmatamento aconteça em decorrência da produção de biocombustíveis se tornou imensa.

Com a assinatura, em 14 de março de 2018, do decreto que regulamentou a Lei nº 13.576/17, da Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio), os próximos passos para a implementação do RenovaBio passam pela regulação do processo de certificação. Ela ocorrerá por meio de resoluções da Agência Nacional de Petróleo (ANP), que definirão, por exemplo, o método de cálculo da nota de eficiência energético-ambiental – que, por sua vez, influenciará na quantidade de créditos de descarbonização (CBios) que cada produtor de biocombustíveis poderá emitir.

A nota de eficiência energético-ambiental será calculada por meio da RenovaCalc, ferramenta desenvolvida por pesquisadores especialistas em Avaliação de Ciclo de Vida. Entre as instituições envolvidas estão: Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Agroicone.

Mas como o risco de aumento do desmatamento será tratado pelo RenovaBio? Os pesquisadores levantaram uma série de alternativas para consideração da mudança de uso da terra, tendo como base a literatura científica, as políticas vigentes e diálogos com os atores do setor produtivo e de certificação. Após alguns meses de trabalho, a proposta foi submetida à ANP no último mês de março.

Basicamente, os produtores de biocombustíveis terão de cumprir três critérios de elegibilidade para ingressar no programa e ter direito aos CBios:

1. Toda a produção certificada deve ser oriunda de área sem desmatamento após a data de promulgação da lei do RenovaBio (26 de dezembro de 2017)

2. Toda a área deve estar em conformidade com o Código Florestal, por meio da regularização do Cadastro Ambiental Rural (CAR)

3. As áreas de produção de cana e palma devem estar em conformidade com os zoneamentos agroecológicos da cana-de-açúcar e da palma-de-óleo, definidos pelos Decretos Federais 6.961 e 7.172, respectivamente. Essa é a configuração que atualmente está em análise pela ANP e que, em breve, será colocada em consulta pública.

Essa proposta apresenta uma série de vantagens quando comparadas com outras alternativas disponíveis. Nas políticas de biocombustíveis norte-americanas, a principal forma de abordar essa questão é por meio da adoção de fatores de mudança indireta de uso da terra (iLUC factors). Já na Europa são utilizados mecanismos de gestão de risco, como a definição de áreas vetadas para produção de biocombustíveis e a contabilização direta do uso da terra (dLUC).

As mudanças são consideradas diretas (dLUC) quando ocorrem dentro do sistema do produto avaliado e indiretas (iLUC), quando ocorrem como consequências da dLUC, mas fora do sistema de produto avaliado. Por exemplo, há dLUC quando a produção de cana ou soja se expande diretamente sobre pastagens e há iLUC quando essa pastagem se desloca para outras áreas.

Já o Brasil aparece como um destaque no contexto mundial quando se trata de políticas para ordenamento do uso da terra. Dono de uma vasta área de vegetação nativa – mais de 60% do território – e de uma agricultura pujante em expansão, o país definiu marcos legais únicos no mundo para conciliar produção agrícola e preservação ambiental, como por exemplo, zoneamentos agroecológicos, políticas de monitoramento e prevenção de desmatamento e o código florestal.

No caso do RenovaBio, o desafio consiste em definir uma estratégia que tenha reconhecido potencial de mitigação de emissões de GEE associadas a MUT, baixo nível de complexidade para implementação na primeira fase do programa, baixos custos de certificação para as unidades produtoras, forte embasamento técnico-científico, sinergia com políticas e programas de uso da terra em vigor no Brasil e internacionais, e capacidade de cumprimento e assimilação pelo setor produtivo.

As principais vantagens da proposta de tratamento de MUT no RenovaBio são apresentadas abaixo:

1. Garante um controle rigoroso da conversão direta de áreas de vegetação nativa, que consiste no tipo de mudança de uso da terra com maior potencial de emissões de GEE e de maior preocupação para a comunidade científica e sociedade em geral. Outros tipos comuns de MUT têm emissões de uma ordem de grandeza menores que a MUT de vegetação nativa para uso agrícola e são muito mais dinâmicos no tempo – por exemplo, a MUT entre pastagem, lavouras anuais e cana podem se alternar rapidamente ao longo dos anos. Dois outros tipos de MUT poderiam ter emissões mais altas: a conversão de uso com lavouras permanentes ou com silvicultura para culturas agrícolas anuais. No entanto, eles são relativamente raros no Brasil, considerando os outros casos.

2. Assegura o controle da expansão de biocombustíveis para áreas sensíveis ao seu cultivo, conforme definido nos zoneamentos agroecológicos e na lei de proteção da vegetação nativa. Esses instrumentos não permitem, por exemplo, a expansão de cana e soja sobre floresta Amazônica ou a sobreposição das áreas de produção com áreas de preservação, como Áreas de Preservação Permanente (APP). Tais casos estariam associados a um grande potencial de emissão de GEE e poderiam ser objeto de grande preocupação pela sociedade brasileira e internacional.

3. Está alinhada com instrumentos de ordenamento territorial já estabelecidos e assimilados pelos setores produtivos. Com isso, seu uso como critérios de elegibilidade beneficia produtores atentos a questões ambientais, os quais provavelmente não terão dificuldades de ingresso no RenovaBio, indicando uma alta capacidade de assimilação pelo setor produtivo.

4. Tem baixo custo de comprovação e certificação quando comparada a outras alternativas. Todos os critérios de elegibilidade podem ser verificados de forma remota por imagens de satélite ou outras fontes de informações disponíveis, como, por exemplo, o Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural (Sicar), evitando, assim, alternativas que necessitam de verificações em campo, que podem ter custos muito altos.

5. Evita a adoção de modelos e métodos de maior complexidade e grandes incertezas metodológicas, como a estimativa de iLUC; a discriminação entre níveis de degradação de pastagens, tipos de vegetação nativa ou tipos de manejo de solo; e a verificação de estoques de carbono no solo. Tais incertezas poderiam desencadear grande insegurança jurídica, além de maiores custos e tempo para certificação e para a regulamentação do programa em si.

6. Resguarda o programa de críticas sobre a promoção da competição entre alimentos e combustíveis. Os usos da terra com cana-de-açúcar ou pastagens tipicamente apresentam estoques de carbono bem maiores que lavouras anuais alimentícias, como arroz e feijão. A adoção de modelos de dLUC propiciaria uma menor intensidade de carbono para a expansão de biocombustíveis sobre lavouras anuais, em detrimento da expansão sobre pastagens e, portanto, estaria premiando a competição com lavouras alimentícias, resultado indesejado em uma política pública dessa natureza.

7. Tem sinergia com vários padrões internacionais e literatura científica. A diretiva europeia e vários protocolos internacionais (como por exemplo, Bonsucro, ISCC e RSB) se valem de mecanismos de gestão de risco pelo estabelecimento de áreas sensíveis vedadas à expansão de produção de biomassa para biocombustíveis. Por outro lado, a adoção de iLUC factors tem sido alvo de grandes críticas e controvérsias na comunidade científica. Esse histórico dá à proposta apresentada robustez científica e política aos olhos internacionais.

8. É transparente e de simples comunicação para o setor produtivo e sociedade. A contabilização de MUT direta ou indireta envolve modelos complexos, de difícil compreensão por boa parte da sociedade, enquanto a adoção de critérios simples e de amplo conhecimento pode trazer transparência e facilitar a comunicação.

Em resumo, a proposta é suficientemente robusta para garantir segurança e baixo risco de emissões de GEE devido à MUT e, ao mesmo tempo, simples o suficiente para ser implementada. Se aprovada, ela tornará o Renovabio um importante vetor para promoção do uso sustentável da terra para produção de biocombustíveis e assegurará a manutenção da posição de destaque do Brasil na promoção da agricultura e matriz energética sustentáveis.

1 - Miguel Ivan Lacerda de Oliveira é diretor do Departamento de Biocombustíveis da Secretaria de Petróleo e Gás do Ministério de Minas e Energia (MME)
2 - Marcelo Boechat Morandi é pesquisador e chefe geral da Embrapa Meio Ambiente
3 - Marília Folegatti Matsuura é pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente
4 - Marcelo Ramalho Moreira é especialista do setor sucroenergético, energias renováveis, agronegócio e sustentabilidade e sócio do Agroicone

Com informações da  Embrapa Meio Ambiente


JAPAN AIRLINES FAZ PARCERIA PARA TRANSFORMAR ROUPAS EM COMBUSTÍVEL



19/08/2017

A Japan Airlines está trabalhando em associação com a empresa de reciclagem Japan Environmental Planning (Jeplan) e o Green Earth Institute para desenvolver um processo de transformação de roupas usadas em biocombustível para aviões a partir de tecnologias de fermentação. A expectativa da companhia aérea é que esse projeto inédito de reaproveitamento tenha um impacto significativo no Japão, país que descarta 1,97 milhão de toneladas de têxteis anualmente - volume suficiente para lotar quase três estádios de beisebol.

O empresário Michihiko Iwamoto, que fundou a Jeplan em 2007, passou cinco anos desenvolvendo uma forma de criar bioetanol a partir camisetas e calças jeans, usando fermentação para quebrar os açúcares contidos no algodão em alcoóis. “Apesar dos avanços tecnológicos, a fibra têxtil continua sendo queimada ou enviada para aterros. Só no Japão são quase 2 milhões de toneladas por ano que poderiam ser reaproveitadas”, destaca Iwamoto ao comentar um dos assuntos que mais atrai seu interesse: a reciclagem. “Quero incentivar a formação de uma sociedade orientada para a reciclagem.”

A empresa vem pesquisando também o reaproveitamento de outros materiais. Um exemplo é a fibra de poliéster. Segundo dados da Jeplan, essa fibra é usada na fabricação de cerca de 60% do vestuário produzido hoje e grande parte de sua matéria-prima é derivada do petróleo. A reciclagem começa com a dissolução da fibra de poliéster que é purificada e transformada em uma resina de poliéster utilizada novamente como matéria-prima para fabricar fibra de poliéster.

A Jeplan está agora construindo uma planta para produzir combustível aeronáutico experimental em uma de suas unidades fabris. Embora o algodão produza apenas uma pequena quantidade de combustível, os benefícios de desviar roupas usadas dos aterros são bastante promissores. Estima-se que 100 toneladas de algodão gerem cerca de 10 quilolitros de combustível. A reciclagem de todo o algodão usado do Japão poderia produzir 70.000 quilolitros de combustível por ano, o que representa menos de 1% do consumo do país. Vale notar, porém, que a tecnologia que está no radar da Jeplan também poderá ser aplicada para outros tipos de resíduos, incluindo papel. Ou seja, o vestuário pode ser apenas o começo.

A Jeplan já está trabalhando com 12 varejistas - como as gigantes Aeon e Muji - para coletar itens em mais de 1.000 lojas em todo o país. A empresa planeja iniciar voos de teste usando uma mistura de combustível convencional e derivado de algodão em 2020, antes de estabelecer uma fábrica comercial até 2030.

Para saber mais: 

http://www.jal.com/en/ 
https://www.jeplan.co.jp/en/

Fonte: CEMPRE

PESQUISA DA EMBRAPA IDENTIFICA MICROALGAS QUE GERAM BIOCOMBUSTÍVEIS

Fotobiorreator utilizado nas pesquisas da Embrapa - DivulgaçãoEmbrapa/Vivian Chies

01/04/2017 

Pesquisa de biocombustíveis realizada em Brasília pela Embrapa Agroenergia identificou espécies de microalgas que podem ser cultivadas em resíduos líquidos de processamento em agroindústrias, gerando matéria-prima renovável. Além dos combustíveis, podem ser gerados, entre outros produtos, rações e cosméticos. Os estudos duraram três anos e também identificaram espécies na biodiversidade brasileira.

Os estudos utilizaram a vinhaça, formada na produção de açúcar e etanol de cana, e o pome (palm oil mill effluent), gerado no processamento de dendê, aproveitado na fertirrigação das plantações. De acordo com técnicos da Embrapa, utilizá-los como meio para produzir microalgas deverá agregar valor às cadeias produtivas da cana e do dendê, produzindo mais biomassa e óleo para obter energia e bioprodutos.

Produtividade

As microalgas são organismos unicelulares e microscópicos que vivem em meios aquáticos. Elas não são plantas, mas são capazes de realizar fotossíntese e de se desenvolver utilizando luz do sol e gás carbônico. Se reproduzem muito rapidamente, proporcionando grande quantidade de óleo e de biomassa.

A produtividade pode ser de dez a 100 vezes maior que de cultivos agrícolas tradicionais. Isso chamou a atenção de setores que necessitam de grandes quantidades de matéria-prima, como biocombustíveis.

Óleos produzidos por algumas espécies quase sempre contêm compostos muito valiosos, como Ômega 3 e carotenoides. Por isso, elas também encontram espaço em indústrias que atendem nichos de mercado e pagam mais caro por matérias-primas com propriedades raras. É o caso dos cosméticos e dos suplementos alimentares.

Segundo a Embrapa Agroenergia, já existem no Brasil pelo menos quatro empresas produzindo microalgas: duas no Nordeste, com foco em nutrição humana e animal, e outras duas no interior de São Paulo, atendendo indústrias de cosméticos e também de rações, além de projetos para tratamento de efluentes.

Mercado

Estudo sobre microalgas do governo dos Estados Unidos mostrou que o uso de linhagens modificadas geneticamente chega a reduzir em 85% o custo de produção. O mercado de biocombustível está em ascensão no mundo. Na Europa, mil ônibus movidos a biometano, um biogás refinado, circulam grandes cidades do continente.

Conforme a Associação Europeia de Biogás, a Alemanha, com 185 plantas de produção do biocombustível, é o país com o maior grau de implementação da tecnologia, seguida pela Suécia, com 61.

Pesquisa encontra microalgas que crescem em resíduos e geram biocombustíveis

Foto: Vivian Chies

27/02/2017

A Embrapa Agroenergia (DF) conseguiu identificar espécies de microalgas que podem ser cultivadas em resíduos líquidos de processos de agroindústrias, os efluentes. Esse cultivo pode gerar matéria-prima renovável para biocombustíveis, rações, cosméticos e vários outros produtos. A pesquisa, que durou três anos, também teve como resultado a descoberta de espécies até então desconhecidas, na biodiversidade brasileira.

Os efluentes utilizados nos estudos foram a vinhaça, formada na produção de açúcar e etanol de cana, e o Pome (palm oil mill effluent), que é gerado no processamento do dendê. Eles são aproveitados, hoje, para fertirrigação das plantações. Utilizá-los, contudo, como meio para produzir microalgas, pode agregar valor às cadeias produtivas da cana e do dendê, gerando mais biomassa e óleo para obter energia e bioprodutos.

As microalgas são organismos unicelulares e microscópicos que vivem em meios aquáticos e têm uma característica curiosa: embora não sejam plantas, são capazes de realizar fotossíntese e se desenvolver utilizando luz do sol e gás carbônico. Elas se reproduzem muito rapidamente, gerando grandes quantidades de óleo e biomassa em pouco tempo. A produtividade pode ser de dez a 100 vezes maior do que os cultivos agrícolas tradicionais. Isso chamou a atenção de setores que necessitam de grandes quantidades de matéria-prima, como o de biocombustíveis.

Ao mesmo tempo, os óleos produzidos por algumas espécies quase sempre contêm compostos muito valiosos como, por exemplo, Ômega 3 e carotenoides. Por isso, elas também encontram espaço em indústrias que atendem nichos de mercado e pagam mais caro por matérias-primas com propriedades raras. É o caso dos cosméticos e dos suplementos alimentares.

Já existem pelo menos quatro empresas no Brasil produzindo microalgas: duas no Nordeste, com foco em nutrição humana e animal, e outras duas no interior de São Paulo, já atendendo indústrias de cosméticos e rações, ou projetos para tratamento de efluentes. Contudo, há ainda muito que avançar no conhecimento e desenvolvimento de tecnologias para impulsionar o setor. A redução do custo de produção é uma das principais preocupações, principalmente quando se quer alcançar mercados que necessitam de grandes volumes e preços baixos, como é o caso dos biocombustíveis.

Explorando a biodiversidade

A pesquisa da Embrapa buscou soluções em uma das maiores riquezas do Brasil: a imensa biodiversidade, que pode abrigar um quarto das espécies de microalgas de água doce, segundo as estimativas. O primeiro trabalho tinha como objetivo encontrar espécies capazes de crescer na vinhaça, em ambientes industriais e biomas brasileiros (Amazônia, Pantanal e Cerrado). Os cientistas identificaram duas espécies que podem ser cultivadas nesse efluente, com bom rendimento − uma delas ainda não está sequer descrita na literatura. A análise dos componentes da biomassa dessas duas microalgas indica maior concentração de carboidratos e proteínas do que de lipídeos e carotenoides, que as tornam mais adequadas para a produção de etanol do que de biodiesel, quando o assunto é biocombustíveis. Podem ser utilizadas, ainda, em rações.

A vinhaça é rica em nitrogênio, fósforo e potássio (NPK), nutrientes tão necessários às microalgas quanto às plantas. Utilizá-la como meio de cultivo, contudo, tem seus desafios, explica o pesquisador Bruno Brasil, da Embrapa Agroenergia. Se, por um lado, a concentração de nutrientes favorece o crescimento dos organismos, por outro a coloração escura dificulta a passagem de luz, sem a qual não há fotossíntese. Para minimizar esse problema, a equipe da Embrapa Agroenergia utilizou métodos de clarificação química de baixo custo ou simplesmente diluiu a vinhaça em água. Outro desafio associado à vinhaça é a elevada carga de material orgânico. Ela favorece a proliferação de bactérias e leveduras, que se tornam contaminantes no meio de cultivo e prejudicam o crescimento das microalgas.

As duas espécies selecionadas pela equipe da Embrapa Agroenergia são mixotróficas. Isso quer dizer que elas realizam fotossíntese, mas também utilizam a matéria orgânica da vinhaça para crescer. Elas não chegam a reduzir significativamente essa carga orgânica e, por isso, não podem ser utilizadas isoladamente para tratamento do efluente. No entanto, isso pode ser bom porque permite que a vinhaça ainda seja usada para fertirrigação dos canaviais após a retirada das microalgas.




Cultivos em efluente do processamento do dendê

O Pome tem características poluidoras muito parecidas com as da vinhaça, mas a composição é diferente, já que se origina de um fruto rico em óleo, o dendê, e não de uma gramínea rica em açúcar como é o caso da cana. Por isso, o trabalho de busca de microalgas capazes de crescer nesse material envolveu tanto experimentos com cepas já testadas para a vinhaça quanto novas coletas de amostras, em ambientes diferentes. Neste caso, também, duas espécies mostraram-se eficientes. Uma delas tem capacidade de crescimento tão elevada que faz desaparecer a coloração quase preta do Pome e coloca no lugar um verde intenso. Além disso, foi demonstrado que a retenção do Pome em uma lagoa anaeróbica seguida de cultivo utilizando estas microalgas promove tratamento eficiente do efluente, processo conhecido como biorremediação.

A ideia de buscar espécies capazes de crescer em efluentes industriais explora justamente uma das vantagens das microalgas, a robustez. Diferentemente das plantas, elas não exigem água doce e limpa; podem ser cultivadas em água salgada, salobra ou mesmo residual. Esse é um fator bastante positivo para a sustentabilidade do cultivo. Soma-se a isso a característica de elas não precisarem ocupar terras férteis e a alta produtividade para se chegar à conclusão de que microalgas podem compor o rol de soluções sustentáveis para fornecer alimentos, energia e bens de consumo a uma população mundial crescente.

Engenharia genética

A equipe de cientistas da Embrapa e instituições parceiras está, agora, empenhando-se em construir ferramentas que permitam a modificação genética das espécies selecionadas para crescimento na vinhaça e no Pome, com o objetivo de potencializar o rendimento. O investimento na engenharia genética tem motivo: toda a produção de commodities agrícolas atual está baseada em espécies que passaram por décadas ou séculos de domesticação e melhoramento genético. Além disso, um grande estudo sobre microalgas financiado pelo governo dos Estados Unidos mostrou que o uso de linhagens modificadas geneticamente chega a reduzir em 85% o custo de produção – uma das grandes metas estabelecidas pelos cientistas.

O desafio para chegar a essas novas linhagens, contudo, é grande. Qualquer programa de engenharia genética precisa primeiramente de conhecimento sobre a espécie com a qual se pretende trabalhar. No caso das microalgas, essa base ainda está em construção. Basta comparar: o primeiro genoma completo de bactéria foi apresentado em 1995, o humano foi concluído em 2003, mas só em 2012 foi sequenciado o DNA de uma microalga com potencial para produção de biocombustíveis.

Quando se trata de espécies originárias do Brasil, a carência de dados é ainda maior. “Nós sabíamos que, trabalhando com espécies nativas, tínhamos a chance de encontrar coisas novas e mais produtivas do que materiais de outras partes do mundo, mas, ao mesmo tempo, por ser novo, sabíamos que iríamos ter que desenvolver esse pacote tecnológico”, conta o pesquisador Bruno Brasil.

Na Embrapa e na Universidade Federal do Rio Grande (FURG), além das microalgas, os cientistas estão explorando a genética das cianobactérias, conhecidas como algas azuis. São organismos também unicelulares, microscópicos e capazes de realizar fotossíntese, porém mais simples. Luis Fernando Marins, professor da FURG, compara os genomas delas. Enquanto o de uma das cianobactérias com que ele está trabalhando tem 2,6 milhões de pares de bases, o de uma microalga chega a 120 milhões, ou seja, é 60 vezes maior. Além disso, os meios de cultivo para as cianobactérias são geralmente mais baratos e elas têm capacidade de secretar substâncias, o que facilita os processos de obtenção dos produtos de interesse.

Além dos estudos do genoma e da engenharia genética, o pesquisador da Embrapa Agroenergia antecipa os próximos passos do centro de pesquisa: “Do ponto de vista de processos industriais, o que falta? Escalonamento de sistemas de cultivo, métodos eficientes para colheita das microalgas e processos de conversão da biomassa em produtos. Os próximos projetos vão focar esses três pontos”.

Mercado das microalgas

Uma das empresas que se tornou referência no tema microalgas é a TerraVia, que até março de 2016 chamava-se Solazyme. Com origem na região do Vale do Silício, nos Estados Unidos, a companhia estabeleceu sua unidade de produção no Brasil, numa joint venture com a Bunge. A biofábrica está associada a uma usina sucroalcooleira, em Orindiúva (SP), porque a espécie de microalga com que trabalha não realiza fotossíntese, mas alimenta-se de açúcar.

O diesel e o combustível de aviação obtidos a partir do óleo dessa microalga, o Soladiesel e o Solajet, eram destaque entre os produtos oferecidos pela tecnologia da empresa, mas isso mudou junto com o nome, justamente por causa de valor de mercado. “Esses mercados podem se tornar maiores e rentáveis no futuro e ainda são ativos valiosos para nós. Porém, com os níveis de preços atuais do barril de petróleo, biocombustíveis nesse momento não são o principal driver econômico para nós”, revela o presidente da joint venture TerraVia / Bunge, Walfredo Linhares. O executivo afirma que a empresa está voltada, agora, exclusivamente para alimentos, nutrição animal e ingredientes especiais para o mercado de cuidados pessoais. Empresas como Natura, Nestlé e Unilever já utilizam ou vão utilizar, em seus produtos, óleos e compostos originários das microalgas cultivadas em Orindiúva.

Menos vultosa, porém consistente, é a iniciativa da Fazenda Tamanduá, no sertão da Paraíba. Ali foi estabelecido um cultivo orgânico de cianobactérias do tipo spirulina, que já são bastante conhecidas pelos benefícios à saúde humana. “Eu tomo spirulina e acho um produto maravilhoso: há oito anos não sei o que é uma gripe. Não é um milagre, mas se você toma todos os dias vai sentir uma melhora na sua saúde, pele, cabelo”, testemunha o biotecnólogo José Franciraldo de Lima, responsável-técnico pela produção. A Fazenda Tamanduá foi a primeira a obter registro do produto como alimento na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Ele é comercializado em cápsulas ou em pó.

Um pouco mais ao norte do País, no Ceará, a professora Francisca Pinheiro aplicou o conhecimento adquirido durante anos na Universidade Federal do estado para estabelecer em uma chácara, no Município de Cascavel, um cultivo de spirulina. Nesse caso, o foco é o mercado de rações para aquicultura, especialmente camarões, tilápias e peixes ornamentais, graças ao elevado teor de proteína do produto. Ela acredita no futuro do cultivo de microalgas e cianobactérias. “É um mercado consumidor crescente, autossustentável, com potencial no mercado interno e externo”, analisa. A empresária pretende consolidar seus métodos de cultivo e, a partir daí, iniciar um projeto de transferência de tecnologia para comunidades do Nordeste.

Em Piracicaba (SP), o parque tecnológico local abriga a Algae Biotecnologia, uma start up voltada para o desenvolvimento de projetos baseados em microalgas, com o foco em biorremedição e captura de carbono. O que está mais avançado é a iniciativa com a fabricante de cimentos Intercement, que consiste em utilizar as microalgas para biofixar o grande volume de CO2 gerado nesse segmento industrial. Já foram selecionadas espécies eficientes nesse trabalho e o projeto está entrando em fase pré-comercial.

Vivian Chies (MTb 42.643/SP) 
Embrapa Agroenergia 
agroenergia.imprensa@embrapa.br 
Telefone:  (61) 3448-2264

Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

Fonte: Embrapa

Universidade portuguesa transforma bagaço de uva em novo biocombustível

Foto: DR

27/06/2016

Projecto da UTAD tem já um pedido provisório de patente e prevê a eliminação e aproveitamento de vários subprodutos da exploração agropecuária.

A Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) está a desenvolver um biocombustível sólido através do aproveitamento de subprodutos da exploração agropecuária, com vista à redução do impacto ambiental.

Amadeu Borges, responsável pelo projecto e investigador da UTAD e do Centro de Investigação e de Tecnologias Agroambientais e Biológicas (CITAB), explica que a ideia é “desenvolver um biocombustível sólido, com elevado poder calorifico com vista não apenas ao aproveitamento sustentável de desperdícios e subprodutos agropecuários, mas também contribuir para a redução do consumo de energia primária, através de fontes de energia renovável, em detrimento dos combustíveis fósseis”.

O projecto prevê a eliminação e aproveitamento de subprodutos da exploração agropecuária como engaço e bagaço de uva, podas da vinha e de olival, dejectos de animais, entre outros.

“Transformados em estilha, em peletes e em briquetes, estes serão um biocombustível sólido, cujas principais vantagens serão a valorização económica e energética, mas também enorme potencial técnico, económico e ambiental”, defende o investigador.

O projecto já tem um pedido provisório de patente e, segundo Amadeu Borges, a Universidade Transmontana quer constituir, desta forma, uma alternativa às fontes de energia que “continuam actualmente muito dependentes dos combustíveis fósseis, motivo pelo qual as concentrações de CO2 na atmosfera continuam a aumentar”.

O investigador lembra que, nos últimos anos, as fontes de energia renovável se tornaram mais competitivas relativamente aos combustíveis fósseis e à energia nuclear e dá como exemplo a biomassa - resíduos naturais e resultantes da actividade humana na agricultura, floresta, indústria da madeira e subprodutos do cultivo da vinha, apontada como fonte de energia renovável com grande potencial e considerada uma fonte interessante de energia.

“O espectro de aproveitamento energético de biomassa é muito vasto e varia desde os biocombustíveis sólidos, para a combustão directa ou gasificação e combustíveis líquidos como óleo vegetal, bioetanol, metanol, até aos biocombustíveis gasosos como biogás ou gás de síntese. No caso da biomassa, como combustível sólido, a combustão directa tem a maior importância prática para a geração de energia térmica e eléctrica”, explica Amadeu Borges.

Campus pode ser laboratório vivo

A UTAD celebrou recentemente um protocolo com a Entidade Nacional para o Mercado de Combustíveis com vista ao estudo e desenvolvimento de biocombustíveis.

A colaboração da universidade será feita através do investigador do CITAB, Amadeu Borges, e vai incidir no estudo das emissões de gases nocivos ao meio ambiente, resultantes da utilização de biocombustíveis, quando comparadas com as dos combustíveis de origem fóssil, com vista ao seu melhoramento.

O investigador do CITAB vai ainda estudar a performance de motores, quando alimentados a biocombustível, e a produção de biocombustíveis gasosos.

Com este protocolo, o reitor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Fontaínhas Fernandes, quer transformar o campus universitário num laboratório vivo.

“Uma das bandeiras, uma das marcas da universidade é a marca ambiental. Nós queremos transformar o campus num eco campus, num laboratório vivo onde possam ser testadas soluções para as próprias empresas”, explica o reitor, lembrando que “uma universidade situada nestes territórios tem uma quarta dimensão. Além do ensino, da investigação e da transferência de conhecimento, a fixação de pessoas e a coesão territorial. E nós não podemos esquecer esta ligação”.

Fonte: Renascencça

UNICA RECLAMA DA FALTA DE DEBATE SOBRE BIOCOMBUSTÍVEIS NA COP21

Elizabeth Farina participa de painel dedicado a biocombustíveis durante o World Climate Summit

10/12/2015

“Estamos na segunda semana de reuniões da COP21 e muito pouco tem sido falado sobre biocombustíveis, mesmo considerando o fato de mais de 30 países, incluindo o Brasil, inseriram os combustíveis renováveis como um dos meios de se atingir as metas de redução de gases de efeito estufa (GEEs) propostas em suas INDCs”. Este foi o ponto inicial do discurso feito no domingo (06/12) pela presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Elizabeth Farina, em um painel sobre biocombustíveis do World Climate Summit (WCS), evento organizado pela Aliança Global de Combustíveis Renováveis (GRFA) em paralelo à Conferência do Clima, e que reuniu governos, empresas e entidades civis no Palácio Broingnart, em Paris. Desde 2010, o WCS realiza importantes fóruns de negócios e política na Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC, em inglês).

No painel “Building a sustainable bioeconomy: harnessing the potential of bio-based products and fuels to mitigate climate change", organizado por quatro entidades ligadas ao GRFA – Unica, RFA, ePURE e CRFA – em parceria com a Associação de Biotecnologia Industrial (BIO), e que teve as presenças do líder Global de Bioenergia da União Europeia, Gerard Ostheimer, e do diretor de Etanol Celulósico da DuPont, Jeroen Van Campenm, a executiva da Unica apresentou argumentos e dados que consolidam a posição dos biocombustíveis, em especial o etanol, como uma das alternativas mais viáveis na luta pela diminuição da dependência dos combustíveis fósseis (gasolina/ diesel), com foco no setor de transportes.

“Quase 1/3 das emissões globais de GEEs é proveniente dos transportes. Por isso, descarbonizar este segmento é prioridade. E os biocombustíveis devem ser integrados a esta estratégia. O etanol de cana, por exemplo, pode reduzir estas emissões em até 90% quando comparado à gasolina”, observou a executiva da Unica, cuja participação na COP21 só foi possível graças a uma parceria estabelecida desde 2008 com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) para promover a imagem do biocombustível brasileiro como energia limpa e renovável no exterior.

Ressaltando um caso positivo de substituição de fontes poluidoras por renováveis na indústria automotiva, Farina lembrou que no Brasil, além da mistura de 27% de etanol anidro à gasolina, quase 70% da frota de veículos leves, correspondente a 25 milhões de carros, é composta por automóveis flex, que podem ser abastecidos com gasolina, etanol ou qualquer mistura de ambos em qualquer proporção. “Atualmente, 20 montadoras internacionais, como as alemãs Audi e BMW, as americanas Ford e GM, as francesas Peugeot e Renault, e as asiáticas Toyota, Hyundai e JAC, oferecem mais de 200 modelos de veículos flex ao mercado brasileiro. Em 2015, o etanol já substitui 40% do consumo de gasolina no País”, afirmou.

Etanol na matriz energética mundial

Na última década, a produção mundial de etanol, que pode ser feito de diferentes insumos, como milho, cana e beterraba, aumentou em mais de três vezes, atingindo quase 100 bilhões de litros em 2014. Este volume, produzido em mais de 50 países, já representa aproximadamente 7% do total de consumo da gasolina no mundo. Crescimento que resultou em uma mitigação de mais de 100 milhões de toneladas de CO2 no ano passado.

Para respaldar seus argumentos em favor da expansão da produção sustentável dos combustíveis renováveis, Elizabeth Farina citou um estudo recém-lançado pela Squared Consultants, que avalia o impacto gerado por uma eventual mistura de 15% de etanol à gasolina nos principais países consumidores. Segundo o documento, este mix poderia aumentar a atual redução de emissões em mais de 70% até 2030, ou seja, um corte anual de mais de 280 milhões de toneladas de GEEs.

Considerando este cenário em que a produção anual de biocombustíveis deve atingir 160 bilhões de litros, surge uma dúvida: “Isto poderia trazer algum prejuízo relacionado ao uso da terra no mundo?”. Segundo a presidente da Unica, “definitivamente não”. Esta produção aconteceria principalmente em regiões tropicais, utilizando prioritariamente a cana-de-açúcar como matéria-prima (em uma proporção hipotética de 70% cana e 30% milho). Estima-se, desta forma, uma área adicional de 10 milhões de hectares que, de acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO/ONU), representam apenas 0.2% do total da área utilizada pera agricultura e pastagens. Ou seja, um percentual equivalente a 5 bilhões de hectares ou 0.5% do total de terras degradadas ou abandonadas pelo mundo, que poderiam ser recuperadas e utilizadas para a produção agrícola, totalizando 2 bilhões de hectares.

Antes de encerrar o seu discurso no WCS, a representante da Unica enfatizou que a indústria global de biocombustíveis só continuará florescendo se os governos renovarem seus compromissos assumidos na COP21 por meio de suas INDCs. “Com o propósito de entregar volumes cada vez maiores de combustíveis de baixo carbono, nossas cadeias produtivas precisam de medidas regulatórias estáveis. Precisamos assegurar que as políticas adotadas no âmbito legislativo sejam apropriadas. As existentes são antagônicas e os órgãos regulatórios devem se esforçar para implementar projetos que permaneçam alinhados com o espírito e intenção original desses programas”, concluiu.

Fonte: novaCana.com


BRASIL VAI APRESENTAR ESTUDO SOBRE ETANOL CELULÓSICO NA COP 21

Unidade de produção de etanol celulósico da GranBio, em Alagoas 
Foto: Divulgação/GranBio

05/12/2015

Presente do BNDES, Luciano Coutinho, falará sobre a viabilidade do biocombustível e sobre a capacidade de produção do País

O Brasil vai apresentar neste sábado (5/12), na Conferência do Clima de Paris (COP 21), um estudo sobre a viabilidade do etanol celulósico (etanol de segunda geração ou EG2) para contribuir com a queda nas emissões de gás carbônico (CO2) e com o aquecimento global, tema do encontro que está sendo realizada na capital francesa.

Realizado em conjunto pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), pelo Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) e pela Associação Brasileira de Biotecnologia Industrial (ABBI), o estudo será pelo presidente do BNDES, Luciano Coutinho.

O presidente da ABBI, Bernardo Silva diz que o estudo é uma análise de ciclo de vida da produção do etanol celulósico. “Achamos que seria uma excelente oportunidade para mostrar os baixos impactos ambientais que a tecnologia pode ter”. 

Hoje, o Brasil tem duas fábricas de etanol de segunda geração, com capacidade para produzir 140 milhões de litros por ano. “Os resultados do estudo mostram que a substituição da gasolina pelo etanol celulósico reduz as emissões em no mínimo 80%. Com a cana energia, podemos chegar a 90%”, diz Bernardo Silva.

De olho no Brasil

Para o presidente da ABBI, o mundo todo olha para o mercado de bioenergia do Brasil. “Se não acontecer no Brasil, não acontece em nenhum lugar do mundo”, diz. O uso do etanol de segunda geração (2G) é um compromisso reconhecido pelo governo brasileiro em seu INDC (sigla em inglês para “pretendida contribuição nacional determinada”) divulgado para a COP21.

De acordo com o presidente da ABBI, apesar das usinas já estarem produzindo em escala comercial, ainda faltam incentivos do governo com a criação de mecanismos de fomento para que novas usinas possam ser estabelecidas. “Tanto a Raízen [de Piracicaba, interior de São Paulo] quanto a Granbio [localizada em São Miguel do Gostoso, em Alagoas] já anunciaram intenção de investir em mais unidades de produção e colocar no mercado cerca de cinco bilhões de litros do biocombustível nos próximos dez anos”, comenta Silva.

Fonte: Globo Rural


Haiti: seis pessoas ficam feridas em ato contra alta de combustíveis



06/02/2015

Seis estudantes ficaram feridos na capital haitiana, Porto Príncipe, nesta quinta-feira, durante violentos confrontos com a polícia, que usou gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersar centenas de manifestantes.

Esse foi o segundo protesto na capital, esta semana, para reivindicar a redução no preço dos combustíveis.

Recentemente, o governo anunciou uma redução de 30 centavos no preço do galão de nafta (3,8 litros), vendido a US$ 4. Os manifestantes alegam que o corte no valor é insuficiente, considerando-se a queda do preço do petróleo no mercado internacional.

No centro de Porto Príncipe, os manifestantes jogaram pedras nos policiais, que se aproximaram do prédio da Faculdade de Direito, situada a alguns metros do Palácio presidencial.

"A polícia atirou, e houve pessoas feridas. A polícia lançou bombas de gás dentro da Faculdade. Denunciamos o comportamento policial que nos impediu de exercer nosso direito de nos manifestarmos", contou um estudante.

Outras centenas de pessoas também marcharam pelas ruas da capital, onde dois carros foram incendiados, e outros sofreram danos.

Em um protesto similar na última segunda-feira, 2 de fevereiro, três pessoas ficaram feridas.



Espinafre é promessa de energia limpa e renovável

Getty Images

17/08/2014

Em estudo publicado na revista Science pesquisadores avaliam o potencial das proteínas envolvidas na fotossíntese da hortaliça para produção de energia

O espinafre é famoso na cultura popular por ser o elixir da superforça do marinheiro Popeye. Mas, para um grupo de cientistas, a hortaliça guarda um poder ainda maior: a capacidade de converter a luz solar em um combustível renovável, limpo e ultra eficiente.

Em estudo recentemente publicado na revista científica Science pesquisadores avaliam o potencial das proteínas envolvidas na fotossíntese, o processo pelo qual as plantas convertem a energia solar em hidratos de carbono, base alimentar dos processos celulares.

Cientistas da Universidade de Purdue, nos EUA, um dos centros envolvidos no estudo, extraíram de um espinafre comum, encontrado em supermercados, um complexo de proteína chamado fotossistema II.

Em laboratório, os pesquisadores "excitaram" este complexo de proteína com um laser (que faz as vezes da luz solar) e registraram as mudanças na configuração eletrônica das moléculas.

"As proteínas que estudamos são parte do sistema mais eficiente já construído, capaz de converter a energia do sol em energia química, com uma inigualável eficiência de 60 por cento", disse Yulia Pushkar, professora assistente de física envolvida na pesquisa.

Ao compreender melhor como a fotossíntese natural funciona, os pesquisadores esperam alavancar o desenvolvimento de tecnologias limpas a partir da fotossíntese artificial, gerando combustíveis renováveis e limpo.

Não é a primeira vez que o espinafre aparece como promessa energética. Em 2012, cientistas da Universidade Vanderbilt, nos Estados Unidos,  turbinaram a produção de energia solar com esse tipo de hortaliça.

Fonte: EXAME.com


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