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Vivendo no Brasil, haitiana faz vaquinha na internet para construir escola em seu país




18/03/2017

Há quase dois anos, a professora e pedagoga Geneviève Chérubin, de 34 anos, deixou o Haiti e a família e veio morar no Brasil com o objetivo de aprender o português e conseguir uma oportunidade de trabalho. Após se estabelecer no Brasil, ela quer construir uma escola em seu país e está fazendo uma vaquinha na internet para realizar seu sonho

No financiamento coletivo, a haitiana pretende arrecadar R$ 55 mil. Através do dinheiro ela quer comprar um terreno e construir uma escola na Comunidade de Bernard Gousse, no estado de Pestel, no sudoeste do Haiti, onde deu aulas para as crianças como voluntária por quatro anos, depois do terremoto que atingiu o país em 2010, matando 220 mil pessoas e do furacão Mattew em 2016. 

O Haiti é considerado o país mais pobre das Américas e um dos mais pobres do mundo. Ele ocupa a posição de 168º entre 187 países no Índice de Desenvolvimento Humano. 


Em entrevista exclusiva para a Sputnik Brasil,  Geneviève Chérubin, ou Gene como é conhecida, hoje dá aulas de francês em São Paulo, em um grupo de apoio a refugiados e imigrantes, o "Abraço Cultural", que a acolheu. no entanto, a professora contou que a vida não foi muito fácil ao chegar em São Paulo e ter que se virar sozinha. Na época, Gene dividia um apartamento com outros três haitianos. Com a ajuda que recebeu da "Missão da Paz", uma ONG que acolhe migrantes, imigrantes e refugiados aprendeu o português em um mês. Em seguida recebeu o apoio do Abraço Cultural, onde começou a dar aulas de francês.

"Como todas as pessoas que chegam em um país estrangeiro não foi fácil, mas eu me mantive positiva, sem desistir. Eu comecei a aprender o português na Missão da Paz e depois comecei a procurar trabalho, que não foi fácil, mas eu encontrei uma oportunidade no Abraço Cultural e comecei a dar aulas, palestras e também dando aulas de culinária haitiana."

Sempre disposta a ajudar ao próximo, Gene queria dar seguimento ao seu trabalho de voluntariado. Desta forma, teve a ideia do financiamento coletivo. A professora acredita que a criação da escola vai trazer uma nova esperança para aquelas pessoas carentes.

"Eu pensei porque não criar uma escola e continuar esse trabalho que eu fiz lá no Haiti para ajudar essas pessoas a ficarem mais independentes?"

Gene durante trabalho voluntário no Haiti - Divulgação/Abraço Cultural

Com o apoio de jovens brasileiros, Gene espera proporcionar um futuro e inspirar os haitianos que tanto desejam deixar o país após as tragédias do terremoto e do furacão a reconstruírem suas vidas em suas cidades. A ideia é desenvolver cada vez mais parcerias entre Brasil e Haiti para melhorar a situação de seu país.

"Eu quero criar essa relação entre brasileiros e haitianos. Eu acho que esses jovens lá vão fazer a coisa de um outro jeito. Foi por isso que eu comecei a fazer essa campanha. Minha vida vai ser no Brasil, mas eu quero ampliar essa relação entre o Brasil e o Haiti."

Além da escola, Gene quer junto com os voluntários brasileiros incentivar e investir na agricultura local e resgatar pelo ensino a língua materna o crioulo haitiano. 

Fonte: Sputnik Brasil

Grupo de haitianos refugiados em Manaus recebem certificação em Informática

Grupo mostra com orgulho os certificados obtidos na conclusão do curso de Informática (Ney Mendes)

Curso foi oferecido a mais de 20 pessoas, por meio de uma parceria entre o Cetam e a Pastoral do Migrante

Publicado em 08/08/2011 - Manaus
Júlio Pedrosa

A persistência e dedicação dos haitianos em buscar oportunidades de trabalho, em Manaus, foram premiadas neste sábado (6), com a entrega dos primeiros certificados de conclusão de um curso de informática básica, oferecido pelo Governo do Estado, por meio do Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam).

Os alunos - um grupo de 24 haitianos refugiados em Manaus - receberam os diplomas das mãos da diretora do Cetam, Joésia Pacheco, sob os aplausos da plateia, formada por patrícios e integrantes da Pastoral do Migrante.

O curso foi o primeiro de uma série que a Pastoral do Migrante, junto com instituições parceiras, pretendem realizar com vistas a oferecer capacitação profissional para os haitianos que estão vivendo em Manaus.

“Eles são disciplinados e inteligentes, e as novas turmas deverão ser de língua portuguesa”, afirmou Joésia.

As aulas são ministradas sempre aos sábados, no salão paroquial da Igreja de São Raimundo, localizada no bairro de mesmo nome, na Zona Oeste de Manaus.

Um dos alunos do curso, Jean Dieufort, 32, informou que apesar de já ter conhecimento em informática considera importante a oportunidade que teve em participar.

Ele, que está há cinco meses em Manaus, trabalhava como fotógrafo no Haiti.

“Perdi meus equipamentos no terremoto e meu sonho é voltar a atuar na área, ou como professor de fotografia”, salientou.

A Crítica

Haitianos vêm estudar na UFSC para ajudar na reconstrução do seu país

Dos 13 mil estudantes universitários do Haiti, mil ainda estão desaparecidos - Foto: Pablo Gomes / Agencia RBS

Estudantes fazem parte de convênio internacional com base na ajuda humanitária

Publicado em 09/08/2011
Por Ângela Bastos

Sete universitários que tiveram os estudos interrompidos por causa do terremoto de 12 de janeiro de 2010, no Haiti, chegam nesta segunda-feira em Florianópolis. O grupo faz parte de um total de 32 haitianos que vão completar os estudos na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Trata-se de um convênio internacional com base na ajuda humanitária, coordenado pela Secretaria de Relações Institucionais e Internacionais (Sinter). O objetivo é possibilitar o término dos cursos considerados de grande importância no trabalho de reconstrução do Haiti, como engenharias e arquitetura. Na quarta-feira chegam os 25. Os voos estão previstos para 12h25.

Todos os alunos estão na quarta fase e antes de ingressarem no curso normal terão que aprender o idioma português. No Haiti, a língua oficial é o francês. A permanência no Brasil será de 18 meses, sendo seis para o aprendizado do português e um ano para finalizar a graduação.

Ajuda na reconstrução

Terminado o curso eles retornam para o Haiti para ajudarem a reconstruir o país, explica o professor Enio Luiz Pedrotti, secretário de Relações Internacionais da UFSC e responsável pelo programa. A ideia da UFSC, conta o professor, era de que os 32 haitianos ficassem hospedados em casas de famílias cadastradas na Sinter.

Mas não foi possível: cada aluno tem uma bolsa mensal de R$ 750, da Capes, para se manter. As famílias exigiam R$ 1 mil, o que inviabilizou. Por causa disso, a UFSC providenciou aluguel em duas casas e um apartamento, na Lagoa da Conceição.

Cada estudante paga R$ 250 mensais. Os haitianos poderão fazer duas refeições no Restaurante Universitário (RU) e o transporte coletivo com passe, como ocorre com os demais estudantes. A escolha da UFSC pelo Ministério da Educação, através do setor de Cooperação Internacional da Capes, deu-se por se tratar de uma universidade considerada com qualificação no ensino da Língua Portuguesa.

Esta é a primeira vez que a UFSC recebe haitianos. Mas a universidade tem ações com diferentes países. Estudam na universidade 125 africanos e uma média de 180 alunos europeus passam pela instituição a cada ano. A chegada dos haitianos devia ter ocorrido em setembro do ano passado, mas problemas burocráticos entre os dois países atrasaram. Além da UFSC, recebem estudantes a Unicam (Campinas) e a Universidade de São Carlos.

O terremoto

Em 12 de janeiro de 2010 o Haiti sofreu um terremoto catastrófico que teve seu epicentro na parte oriental da península de Tiburon, a cerca de 25 km da capital haitiana, Porto Príncipe. O forte terremoto de 7 graus na escala Richter destruiu com o país.

Os alunos

Dos 13 mil estudantes universitários do Haiti, mil ainda estão desaparecidos. Com o desmoronamento dos prédios, os estudantes que sobreviveram ficaram sem local para estudar. O processo de reconstrução do país exige conhecimento em áreas específicas, como engenharias, agronomia, zootecnia. Assim como médicos, enfermeiros e nutricionistas para cuidar da população.

Estudantes haitianos chegam ao Brasil para intercâmbio na Unicamp

Ao todo são 40 alunos que vão estudar com bolsas do governo brasileiro.
Programa prevê um ano e meio de estudos para capacitação acadêmica.

10/08/2011
Do G1, em São Paulo

A Universidade de Campinas (Unicamp) recebeu nesta terça (9) e quarta-feira (10) um grupo de 40 estudantes universitários do Haiti. Eles vão fazer um programa de intercâmbio de um ano e meio de duração como capacitação para a formação de recursos humanos e a reconstrução de instituições de ensino superior haitianas. Um terremoto devastou o país em janeiro de 2010 deixando milhares de mortos.

O intercâmbio faz parte de um programa de ajuda emergencial em educação superior ao Haiti feito a partir de um convênio da Capes/Ministério da Educação com o Ministério das Relações Exteriores. O programa prevê bolsas de estudo de R$ 750 mensais para os estudantes haitianos. Eles fazem um curso de português para estrangeiros até o final do ano.

Em 2012, os haitianos vão ter aulas em seus respectivos cursos, como pedagogia, ciências sociais, licenciatura em matemática e licenciatura integrada em física e química. Também está previsto um curso sobre cultura brasileira. Os haitianos vão ficar alojados em repúblicas estudantis na região de Campinas.

O programa do governo brasileiro prevê ainda o intercâmbio de estudantes do Haiti na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).
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