CIENTISTAS DOCUMENTAM CORAIS EM ÁREA DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO

Crédito: DefesaNet

18/04/2018

Por Camila Boehm – Repórter da Agência Brasil  

Uma equipe de cientistas a bordo do navio Esperanza, da organização não governamental Greenpeace, documentou a existência de um banco de rodolitos – parte dos chamados Corais da Amazônia – na área onde a empresa francesa Total planeja explorar petróleo, a 120 km da costa norte do Brasil. Na avaliação do Greenpeace, a descoberta prova a existência de uma formação recifal na área e invalida o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) da Total, que afirma que a formação mais próxima estaria a oito quilômetros de distância de um dos blocos de exploração.

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), órgão responsável por conceder a licença para a exploração, disse que o estudo apresentado pela empresa está em análise pela sua equipe técnica da Diretoria de Licenciamento Ambiental e que o instituto “teve conhecimento pela imprensa das informações divulgadas pelo Greenpeace, mas até o momento não recebeu os dados oficialmente”. A empresa Total informou que não comentará o assunto.

O Greenpeace protocolou ontem (17) na Procuradoria-Geral da República (PGR) a documentação comprovando a existência do banco de rodolitos – algas calcárias que formam o habitat para peixes e outras espécies do recife. A PGR deve encaminhar as informações a todos os órgãos envolvidos no processo de licenciamento ambiental da Total.

“Agora que sabemos que os Corais da Amazônia se sobrepõem ao perímetro dos blocos da Total, não há outra opção para o governo brasileiro que não negar a licença da empresa para explorar petróleo na região”, disse Thiago Almeida, especialista em Energia do Greenpeace, que integra a expedição em curso, que deve ser finalizada em 22 de maio. O navio percorrerá o setor norte dos corais, localizado na costa do Amapá e da Guiana Francesa.

Durante a primeira expedição de cientistas à região no ano passado, antes da descoberta dos rodolitos especificamente no bloco da Total, Thiago Almeida já alertava para o perigo da perfuração e exploração na região pelo risco de derramamento de petróleo, o que comprometeria os Corais da Amazônia, que configuram um novo bioma, único no mundo devido as características em que se desenvolveu – em água turva e barrenta.

“Descobrir que os Corais da Amazônia se estendem além das nossas estimativas anteriores foi um dos momentos mais emocionantes da minha pesquisa sobre esse ecossistema. Quanto mais pesquisamos sobre o recife, mais informações valiosas encontramos. Mas ainda sabemos muito pouco sobre esse novo ecossistema fascinante e o que sabemos até agora indica que qualquer atividade de perfuração de petróleo pode prejudicar seriamente esse bioma único”, disse Fabiano Thompson, oceanógrafo e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Baseado em imagens do recife feitas em janeiro de 2017 durante a primeira expedição, o estudo estima que a extensão dos Corais da Amazônia seja de 56.000 quilômetros quadrados (km2). A pesquisa também indicou que, devido à sua extensão, o recife pode ser um corredor de biodiversidade marinha ligando o oceano Atlântico Sul ao Caribe, com uma sobreposição da fauna de ambos os lugares.

TURISMO SUSTENTÁVEL É ATRAÇÃO NA AMAZÔNIA



18/04/2018

Thalita Ribeiro
Do Rota de Férias

Conhecer a cultura local, imergir na natureza e contribuir para o cuidado com o meio ambiente são características presentes no turismo sustentável. O hotel Jumas Amazon Lodge, localizado na cidade de Autazes, a cerca de 100 quilômetros de Manaus, é um dos estabelecimentos brasileiros que atuam nesse sentido para preservar a floresta e atrair hóspedes ligados em causas do gênero.

Estrutura e atividades no turismo sustentável

O Lodge conta com 21 bangalôs que resgatam a arquitetura dos ribeirinhas – povos que residem próximos a rios e têm a pesca artesanal como principal atividade de sobrevivência. Os quartos do Juma foram construídos sobre palafitas de 15 metros, em madeira, com cobertura de palha. Varandas deixam o ambiente naturalmente mais fresco, além de proporcionarem ampla vista para a natureza exuberante da Amazônia. A ideia é fazer o hóspede se sentir em uma luxuosa casa de árvore.

Acomodações do hotel – varanda com ampla entrada de ar e luz - Divulgação

No que se refere ao turismo sustentável, a rede de água que abastece os bangalôs é aquecida por painéis solares fotovoltaicos, responsáveis por converter a luz do sol em energia elétrica. A estrutura do hotel conta ainda com uma estação de esgoto própria, que foca na separação de resíduos – itens recicláveis e o que serve de adubagem para as plantas na região do estabelecimento.

A valorização da mãe de obra local é outro fator do turismo sustentável presente no hotel. Frutos locais, como cupuaçu, graviola, açaí, ingá e taperebá são usados na culinária. Para o almoço e o jantar, peixes frescos assados, como o tambaqui, tucunaré, dourado, matrinxã ou pirarucu, são servidos aos visitantes.

Projetos

O Juma Amazon Lodge mantém parceria com os biólogos Paulo José Sawaya e Carlos Eduardo Portes em um projeto que oferece uma imersão na vida da floresta a estudantes brasileiros e estrangeiros. Nele, os jovens participam de uma série de atividades que permitem interagir com o meio-ambiente e o povo da Amazônia, ribeirinhos e indígenas.

Grupo em passeio pela floresta - Divulgação

Observar pássaros na floresta, nadar com botos ou focar jacarés são algumas das experiências previstas. No programa, os estudantes conhecem a cultura e dançam com uma tribo indígena da etnia Dessana. A tribo fala a língua tucana e vive às margens do Rio Negro, em uma reserva pequena, próxima a Manaus.

Eles sobrevivem do turismo e do artesanato, e o hotel também promove outras ações com a comunidade local, como palestras educacionais e doação de livros.

COM APOIO DA ONU, HAITI FAZ TRANSIÇÃO DA MANUTENÇÃO DA PAZ PARA O DESENVOLVIMENTO

Jean-Pierre Lacroix, subsecretário-geral da ONU para as Operações de Manutenção da Paz, em reunião do Conselho de Segurança sobre a situação no Haiti. Foto: ONU/Loey Felipe

19/04/2018 

As Nações Unidas já começaram a se preparar para uma presença pós-conflito no Haiti, disse o chefe de operações de paz da ONU ao Conselho de Segurança. Jean-Pierre Lacroix destacou que há muitas razões para estar “otimista” de que o progresso do país rumo à estabilidade é irreversível.

As Nações Unidas já começaram a se preparar para uma presença pós-conflito no Haiti, disse uma importante autoridade da ONU no início de abril (3), destacando que há muitas razões para estar “otimista” de que o progresso do país rumo à estabilidade é irreversível.

“Embora a obtenção de resultados deva continuar sendo nossa prioridade comum, já começamos a nos preparar para uma transição para uma presença que não seja de manutenção da paz, com base nas lições aprendidas no Haiti e em outros contextos”, afirmou o subsecretário-geral da ONU para Operações de Manutenção da Paz, Jean-Pierre Lacroix, disse ao Conselho de Segurança.

Ele afirmou que, nos próximos meses, seu escritório fornecerá avaliações de progresso para permitir que o órgão de 15 membros tome decisões bem informadas para a diminuição e eventual retirada da Missão da ONU de Apoio à Justiça no Haiti, conhecida pela sigla MINUJUSTH.

Estabelecida em outubro de 2017, a MINUJUSTH substituiu a Missão de Estabilização da ONU, MINUSTAH, que operou na pequena nação insular por 13 anos, sob liderança militar do Brasil.

Muito menor do que sua antecessora, que tinha mais de 4 mil militares e policiais – a maioria brasileiros –, a MINUJUSTH ajuda o Haiti a desenvolver a polícia nacional, fortalecer as instituições do Estado de Direito e promover e proteger os direitos humanos.

Embora o Conselho de Segurança deva renovar o MINUJUSTH, cujo mandato inicial expira em 15 de abril de 2018, Lacroix disse que a ONU está determinada a garantir que seja a última operação de manutenção da paz implantada no Haiti.

No mês passado, a ONU divulgou uma avaliação estratégica da MINUJUSTH, incluindo 11 pontos de referência de uma transição suave para uma presença que não envolva a manutenção da paz, no último trimestre de 2019.

“O Haiti percorreu um longo caminho para alcançar a relativa estabilidade política e de segurança que está desfrutando agora, mas persistentes incertezas econômicas, que podem resultar em exclusão social, particularmente de jovens e pessoas mais vulneráveis, podem minar esse progresso”, disse Lacroix.

POR ENGANO, CIENTISTAS DESENVOLVEM ENZIMA QUE COME PLÁSTICO

Enzima descoberta acidentalmente poderá facilitar reciclagem de plástico
Foto: DW / Deutsche Welle

19/04/2018

Pesquisadores produzem por acidente proteína capaz de degradar plásticos PET e que pode ajudar a reduzir poluição causada pelo material.

Pesquisadores nos Estados Unidos e no Reino Unido produziram por acidente uma enzima que consome plásticos, revelou um estudo divulgado nesta segunda-feira (16/04). A descoberta poderá ajudar a reduzir o grave problema da poluição causada pelo produto derivado do petróleo.

Cientistas da Universidade de Portsmouth e do Laboratório de Energias Renováveis do Departamento de Energia dos EUA decidiram concentrar seus esforços numa bactéria de ocorrência natural descoberta no Japão há alguns anos.

Pesquisadores japoneses acreditam que a bactéria Ideonella sakaiensis se desenvolveu nas últimas décadas num centro de reciclagem, uma vez até os anos 1940 o plástico ainda não tinha sido inventado. O organismo parece se alimentar exclusivamente de um tipo de plástico conhecido como Politereftalato de etileno (PET), amplamente utilizado na fabricação de garrafas.

Os cientistas buscavam compreender o funcionamento de uma das enzimas dessa bactéria, denominada PETase, analisando sua estrutura. "Eles acabaram avançando um passo à frente e acidentalmente desenvolveram uma enzima que consegue desmembrar ainda melhor os plásticos PET", afirma o relatório divulgado na publicação científica americana Procedimentos da Academia Nacional de Ciências (PNAS).

Utilizando um raio-X de brilho dez bilhões de vezes mais forte do que o Sol, eles conseguiram elaborar um modelo tridimensional de alta resolução da enzima.

Cientistas da Universidade de Campinas (Unicamp) e da Universidade do Sul da Flórida desenvolveram através de computadores um modelo que demonstrava que a PETase era bastante semelhante a outra enzima, a cutinase, encontrada em fungos e bactérias.

Uma área da PETase, porém, apresentava algumas diferenças, levando os cientistas a deduzir que esta seria a parte que permitiria a degradação do plástico. Ao modificar essa enzima, tornando-a mais semelhante à cutinase, os pesquisadores descobriram acidentalmente que a enzima mutante conseguia degradar o plástico com eficácia ainda maior do que a PETase.

Os cientistas trabalham agora em melhorias nessa enzima, para que possa, no futuro, ser desenvolvida em grande escala e utilizada no setor industrial. O objetivo ao quebrar o plástico em partes menores seria permitir que ele seja reutilizado de maneira mais eficiente.

"O acaso muitas vezes tem um papel significativo na pesquisa científica fundamental, e nossa descoberta não é exceção", afirmou o autor do estudo, o professor John McGeehan, da Faculdade de Ciências Biológicas de Portsmouth.

"Ainda que modesta, a descoberta inesperada sugere que há espaço para desenvolver ainda mais essas enzimas, nos aproximando de uma solução para reciclar as montanhas de dejetos de plástico que não param de crescer", observou.

Mais de oito milhões de toneladas de plástico são despejadas anualmente nos oceanos, enquanto aumenta a preocupação com os problemas causados à saúde humana e ao meio ambiente. Apesar dos esforços globais para reciclar essa matéria-prima, a maior parte dos produtos plásticos sobrevive durante centenas de anos.

Fonte: Terra

SEMANA DO PAPAGAIO ALERTA PARA CONSERVAÇÃO

Papagaio-charão (Amazona pretrei)

19/04/2018

Combate ao tráfico de animais silvestres está entre os desafios para salvar as espécies. Iniciativas de proteção já apresentam resultados.

Lentamente, os papagaios ameaçados de extinção voltam a aparecer em vistosas revoadas nas florestas do sul de Santa Catarina. Eles são vistos na Mata Atlântica e também no Cerrado, no Pantanal e na Caatinga. Contribuem para o ressurgimento dos alegres e barulhentos bandos, projetos de conservação existentes há mais de 20 anos que, a partir de 2010, passaram a integrar o Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Papagaios.

Rápidas são a destruição dos habitats dos papagaios brasileiros pela mudança de uso da terra e a atuação criminosa de traficantes de animais, dificultando ainda mais o trabalho de salvá-los nos quatro biomas. Mesmo assim, os projetos de conservação seguem implementando o Plano de Ação Nacional, com resultados expressivos. Recentemente, ganharam força com a criação do Programa "Papagaios do Brasil", realizado em parceria com a Fundação Grupo Boticário.

Na "Semana de Estudos para a Proteção dos Papagaios e demais Psitacídeos Brasileiros", instituída pela Secretaria de Biodiversidades dos Ministério do Meio Ambiente, uma extensa programação, que vai até o dia 20/04, busca alertar para a necessidade de conservação dos papagaios. Os principais desafios estão na conscientização das populações e no combate ao tráfico de silvestres, que só perde em dimensão para o de armas e o de drogas.

Já o que anima os pesquisadores é o excelente resultado alcançado pelo trabalho junto às populações humanas na região, a proteção de áreas naturais e as ações de combate aos traficantes de animais silvestres.

CHARÃO

Patrícia Serafini, do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (CEMAVE), do ICMBio, dá como exemplo desses resultados, o Projeto Charão. "É uma experiência única poder ver revoadas de papagaios-charão, com centenas de milhares de indivíduos, na Floresta com Araucárias", relata. Ela visitou a Serra Catarinense para ver de perto o espetáculo da natureza, que ocorre nessa época do ano e motivou a criação da semana dos papagaios.

Nesta quarta-feira (18/04) e na sexta-feira (20/04), como parte da Semana, acontecem em São Paulo e no Paraná cursos de capacitação para agentes de fiscalização promovidos pelo Programa Papagaios do Brasil. A ideia é fortalecer as iniciativas de repressão ao tráfico de animais silvestres.

TRÁFICO

O papagaio-verdadeiro é o principal alvo dos traficantes, pois conta com a preferência do mercado de pets. Dócil e capaz de repetir frases com facilidade, é capturado aos milhares no seus período de reprodução, uma vez por ano. Seus filhotes e ovos são encomendados nas zonas rurais a preços irrisórios, o que garante o lucro ilegal dos traficantes de animais. Seu habitat se espalha pelas regiões Nordeste, Sudeste, Centro-Oeste e Sul do país. Livre na natureza é capaz de sobreviver e se reproduzir com facilidade. Preso, fica refém de uma alimentação inapropriada e de doenças que reduzem seus anos de vida.

O programa "Papagaios do Brasil" tem o foco nas espécies ameaçadas ou quase ameaçadas da lista nacional, o papagaio-charão, o papagaio-de-peito-roxo, papagaio-chauá, o papagaio-de-cara-roxa, o papagaio-moleiro e o papagaio-verdadeiro. Desses, o papagaio-de-cara-roxa já mudou de categoria na lista vermelha, saindo do grupo de ameaçados para o de "quase ameaçados". Até o dia 15 de maio, os pesquisadores estão realizando um censo nacional dos papagaios-de-peito-roxo.

Por: Paulenir Constâncio/ Ascom MMA

RenovaBio irá vincular CBios a sustentabilidade no uso da terra

Foto: Embrapa

19/04/2018

Para receberem créditos de descarbonização, usinas deverão produzir sem desmatamento

Miguel Ivan Lacerda de Oliveira¹
Marcelo Boechat Morandi²
Marília Folegatti Matsuura³ 
Marcelo Ramalho Moreira4

Quando o assunto é a redução de gases do efeito estufa (GEE) por biocombustíveis, o risco de aumento do desmatamento está entre as principais preocupações em nível nacional e internacional.

Em meados dos anos 2000, quando as primeiras políticas internacionais para produção de biocombustíveis começaram a ser elaboradas, houve uma grande mobilização na comunidade científica para investigar que impactos elas teriam na mudança de uso da terra (MUT) – termo técnico para designar todas as alterações no emprego da terra, incluindo desmatamento para uso agrícola – ao redor do globo. Diversas publicações científicas alertaram para o risco de aumento de emissões e, a partir de então, a consideração da MUT se tornou indispensável em políticas energéticas. Com isso, a pressão mundial para evitar que o desmatamento aconteça em decorrência da produção de biocombustíveis se tornou imensa.

Com a assinatura, em 14 de março de 2018, do decreto que regulamentou a Lei nº 13.576/17, da Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio), os próximos passos para a implementação do RenovaBio passam pela regulação do processo de certificação. Ela ocorrerá por meio de resoluções da Agência Nacional de Petróleo (ANP), que definirão, por exemplo, o método de cálculo da nota de eficiência energético-ambiental – que, por sua vez, influenciará na quantidade de créditos de descarbonização (CBios) que cada produtor de biocombustíveis poderá emitir.

A nota de eficiência energético-ambiental será calculada por meio da RenovaCalc, ferramenta desenvolvida por pesquisadores especialistas em Avaliação de Ciclo de Vida. Entre as instituições envolvidas estão: Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Agroicone.

Mas como o risco de aumento do desmatamento será tratado pelo RenovaBio? Os pesquisadores levantaram uma série de alternativas para consideração da mudança de uso da terra, tendo como base a literatura científica, as políticas vigentes e diálogos com os atores do setor produtivo e de certificação. Após alguns meses de trabalho, a proposta foi submetida à ANP no último mês de março.

Basicamente, os produtores de biocombustíveis terão de cumprir três critérios de elegibilidade para ingressar no programa e ter direito aos CBios:

1. Toda a produção certificada deve ser oriunda de área sem desmatamento após a data de promulgação da lei do RenovaBio (26 de dezembro de 2017)

2. Toda a área deve estar em conformidade com o Código Florestal, por meio da regularização do Cadastro Ambiental Rural (CAR)

3. As áreas de produção de cana e palma devem estar em conformidade com os zoneamentos agroecológicos da cana-de-açúcar e da palma-de-óleo, definidos pelos Decretos Federais 6.961 e 7.172, respectivamente. Essa é a configuração que atualmente está em análise pela ANP e que, em breve, será colocada em consulta pública.

Essa proposta apresenta uma série de vantagens quando comparadas com outras alternativas disponíveis. Nas políticas de biocombustíveis norte-americanas, a principal forma de abordar essa questão é por meio da adoção de fatores de mudança indireta de uso da terra (iLUC factors). Já na Europa são utilizados mecanismos de gestão de risco, como a definição de áreas vetadas para produção de biocombustíveis e a contabilização direta do uso da terra (dLUC).

As mudanças são consideradas diretas (dLUC) quando ocorrem dentro do sistema do produto avaliado e indiretas (iLUC), quando ocorrem como consequências da dLUC, mas fora do sistema de produto avaliado. Por exemplo, há dLUC quando a produção de cana ou soja se expande diretamente sobre pastagens e há iLUC quando essa pastagem se desloca para outras áreas.

Já o Brasil aparece como um destaque no contexto mundial quando se trata de políticas para ordenamento do uso da terra. Dono de uma vasta área de vegetação nativa – mais de 60% do território – e de uma agricultura pujante em expansão, o país definiu marcos legais únicos no mundo para conciliar produção agrícola e preservação ambiental, como por exemplo, zoneamentos agroecológicos, políticas de monitoramento e prevenção de desmatamento e o código florestal.

No caso do RenovaBio, o desafio consiste em definir uma estratégia que tenha reconhecido potencial de mitigação de emissões de GEE associadas a MUT, baixo nível de complexidade para implementação na primeira fase do programa, baixos custos de certificação para as unidades produtoras, forte embasamento técnico-científico, sinergia com políticas e programas de uso da terra em vigor no Brasil e internacionais, e capacidade de cumprimento e assimilação pelo setor produtivo.

As principais vantagens da proposta de tratamento de MUT no RenovaBio são apresentadas abaixo:

1. Garante um controle rigoroso da conversão direta de áreas de vegetação nativa, que consiste no tipo de mudança de uso da terra com maior potencial de emissões de GEE e de maior preocupação para a comunidade científica e sociedade em geral. Outros tipos comuns de MUT têm emissões de uma ordem de grandeza menores que a MUT de vegetação nativa para uso agrícola e são muito mais dinâmicos no tempo – por exemplo, a MUT entre pastagem, lavouras anuais e cana podem se alternar rapidamente ao longo dos anos. Dois outros tipos de MUT poderiam ter emissões mais altas: a conversão de uso com lavouras permanentes ou com silvicultura para culturas agrícolas anuais. No entanto, eles são relativamente raros no Brasil, considerando os outros casos.

2. Assegura o controle da expansão de biocombustíveis para áreas sensíveis ao seu cultivo, conforme definido nos zoneamentos agroecológicos e na lei de proteção da vegetação nativa. Esses instrumentos não permitem, por exemplo, a expansão de cana e soja sobre floresta Amazônica ou a sobreposição das áreas de produção com áreas de preservação, como Áreas de Preservação Permanente (APP). Tais casos estariam associados a um grande potencial de emissão de GEE e poderiam ser objeto de grande preocupação pela sociedade brasileira e internacional.

3. Está alinhada com instrumentos de ordenamento territorial já estabelecidos e assimilados pelos setores produtivos. Com isso, seu uso como critérios de elegibilidade beneficia produtores atentos a questões ambientais, os quais provavelmente não terão dificuldades de ingresso no RenovaBio, indicando uma alta capacidade de assimilação pelo setor produtivo.

4. Tem baixo custo de comprovação e certificação quando comparada a outras alternativas. Todos os critérios de elegibilidade podem ser verificados de forma remota por imagens de satélite ou outras fontes de informações disponíveis, como, por exemplo, o Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural (Sicar), evitando, assim, alternativas que necessitam de verificações em campo, que podem ter custos muito altos.

5. Evita a adoção de modelos e métodos de maior complexidade e grandes incertezas metodológicas, como a estimativa de iLUC; a discriminação entre níveis de degradação de pastagens, tipos de vegetação nativa ou tipos de manejo de solo; e a verificação de estoques de carbono no solo. Tais incertezas poderiam desencadear grande insegurança jurídica, além de maiores custos e tempo para certificação e para a regulamentação do programa em si.

6. Resguarda o programa de críticas sobre a promoção da competição entre alimentos e combustíveis. Os usos da terra com cana-de-açúcar ou pastagens tipicamente apresentam estoques de carbono bem maiores que lavouras anuais alimentícias, como arroz e feijão. A adoção de modelos de dLUC propiciaria uma menor intensidade de carbono para a expansão de biocombustíveis sobre lavouras anuais, em detrimento da expansão sobre pastagens e, portanto, estaria premiando a competição com lavouras alimentícias, resultado indesejado em uma política pública dessa natureza.

7. Tem sinergia com vários padrões internacionais e literatura científica. A diretiva europeia e vários protocolos internacionais (como por exemplo, Bonsucro, ISCC e RSB) se valem de mecanismos de gestão de risco pelo estabelecimento de áreas sensíveis vedadas à expansão de produção de biomassa para biocombustíveis. Por outro lado, a adoção de iLUC factors tem sido alvo de grandes críticas e controvérsias na comunidade científica. Esse histórico dá à proposta apresentada robustez científica e política aos olhos internacionais.

8. É transparente e de simples comunicação para o setor produtivo e sociedade. A contabilização de MUT direta ou indireta envolve modelos complexos, de difícil compreensão por boa parte da sociedade, enquanto a adoção de critérios simples e de amplo conhecimento pode trazer transparência e facilitar a comunicação.

Em resumo, a proposta é suficientemente robusta para garantir segurança e baixo risco de emissões de GEE devido à MUT e, ao mesmo tempo, simples o suficiente para ser implementada. Se aprovada, ela tornará o Renovabio um importante vetor para promoção do uso sustentável da terra para produção de biocombustíveis e assegurará a manutenção da posição de destaque do Brasil na promoção da agricultura e matriz energética sustentáveis.

1 - Miguel Ivan Lacerda de Oliveira é diretor do Departamento de Biocombustíveis da Secretaria de Petróleo e Gás do Ministério de Minas e Energia (MME)
2 - Marcelo Boechat Morandi é pesquisador e chefe geral da Embrapa Meio Ambiente
3 - Marília Folegatti Matsuura é pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente
4 - Marcelo Ramalho Moreira é especialista do setor sucroenergético, energias renováveis, agronegócio e sustentabilidade e sócio do Agroicone

Com informações da  Embrapa Meio Ambiente

CARNÍVORA? GIRAFA É FLAGRADA MASTIGANDO OSSOS E INTRIGA VISITANTES DE SAFÁRI

Estudo da Universidade de Nevada, Estados Unidos, mostrou que as girafas mastigam 
ossos de animais para obter  cálcio (Reprodução/independent.co.uk)

11/04/2018

Uma girafa mastigando um osso foi flagrada por visitantes de um safári na África do Sul. A cena surpreendeu as pessoas que estavam na Reserva de Caça Sabi Sand, porque elas tinham o conhecimento de que girafas são animais herbívoros – ou seja, que não comem carne.

O visitante Quinton Paul Josop, responsável pelos registros fotográficos da cena, informou ao Daily Mail que a girafa estava caminhando despreocupada com o osso de outro animal na boca. Ele diz tê-la visto andando em direção a um arbusto, mas parando no meio do caminho para pegar parte do esqueleto no chão.

Girafa carnívora?

Antes dessa, outras girafas já foram observadas aderindo a uma dieta a base de proteína animal, como é o caso de Tony, que vive no Open Plains Zoo, na Austrália. Até então herbívoro, o animal foi visto por biólogos e veterinários do local comendo coelhos mortos, o que também deixou os frequentadores do parque surpresos.

Segundo o ex-oficial de experiência de visitantes do zoológico, Goldie Pergl, muitas pessoas que presenciaram a cena inusitada alegaram “que a experiência e a imagem que tinham criado sobre as girafas haviam sido destruídas pelo fato delas estarem comendo carne atualmente”.

Os cuidadores desses animais na reserva Sabi Sand explicaram ainda que Kudu, como é chamada, não é a única a fazer isso. Outras duas da espécie, apelidadas de Nyala e Impala, também passaram a mastigar ossos. “Elas tem esse hábito mais no inverno, quando a seca e a comida não costumam ser tão ricas em minerais”, explicaram.

Outros visitantes que estavam presentes no local afirmaram que a ‘grandona’ mastigou um pedaço da carcaça (que não sabem a qual animal pertence) por aproximadamente 20 minutos. No entanto, para a equipe do local, não há necessidade de espanto, já que algo tão comum para elas pode ser explicado por uma questão de saúde, conhecida como osteofagia.

Um estudo realizado em 2013 por pesquisadores da Universidade de Nevada, Estados Unidos, mostrou que a girafa  mastiga ossos de animais para obter o cálcio e o fósforo necessários para o bem-estar de seu próprio esqueleto. Ela também consome chifres e marfim para se manter nutrida e saudável, o que afasta a ideia de ingestão de ossos por prazer e evidencia sua natureza divergente da dos carnívoros.

Fonte:  Último Segundo – iG

EM MENSAGEM DE PÁSCOA, FRANCISCO PEDE FIM DE CONFLITOS NO MUNDO

Cerca de 100 mil fiéis se reuniram na Praça de S. Pedro, no Vaticano

01/04/2018

Em discurso no Vaticano, papa expressou preocupação com violência na Ucrânia, Síria, República Centro-Africana, no Sudão do Sul e na Venezuela. E ressaltou a mensagem de amor ao próximo pregada por Cristo.

Em sua mensagem de Páscoa pronunciada neste domingo (01/04) no Vaticano, o papa Francisco apelou para que tenham fim as velhas e novas hostilidades. Referindo-se às tensões na Ucrânia, ele exortou todos os envolvidos a encontrar uma solução através de negociações, com o auxílio da comunidade internacional.

O pontífice dirigiu-se também às partes em conflito na Síria, para que coloquem fim à violência, sobretudo contra a população civil. Ao mesmo tempo, expressou aos cerca de 100 mil fiéis reunidos da Praça de São Pedro a esperança de que as negociações de paz entre israelenses e palestinos terão resultado positivo.

Sobre a onda de perseguição a cristãos, Francisco lamentou os atentados contra igrejas na Nigéria, assim como os sequestros de padres e bispos em diversos locais. Ele ainda chamou, expressamente, a atenção para a violência da República Centro-Africana, no Sudão do Sul e na Venezuela.

"Bom almoço"

O papa lembrou que a boa nova do Cristo ressuscitado na Páscoa "é sair de si mesmo para ir ao encontro do outro, é permanecer junto de quem a vida feriu, é partilhar com quem não tem o necessário, é ficar ao lado de quem está doente, é idoso ou excluído".

Durante a missa de Páscoa na Praça de São Pedro, Francisco rezou para que o Senhor ressuscitado ajude a humanidade a vencer a chaga da fome, “agravada pelos conflitos e por um desperdício imenso de que muitas vezes somos cúmplices”, assim como para proteger os indefesos, “sobretudo as crianças, as mulheres e os idosos, por vezes objeto de exploração e de abandono”.

Ao fim da cerimônia do Domingo de Páscoa, o papa argentino de 77 anos concebeu a tradicional benção Urbi et Orbi (à cidade de Roma e ao mundo). A exemplo do ano anterior, ele abriu mão das saudações pascais em diversos idiomas, como era hábito de seus antecessores, João Paulo 2º e Bento 16. Em vez disso, Francisco se despediu singelamente, desejando "bom almoço", antes de atravessar, no papamóvel aberto, a multidão reunida na praça.

Fonte: DW


SISTEMA AJUDA PRODUTOR RURAL A FAZER RECOMPOSIÇÃO AMBIENTAL EM QUALQUER BIOMA BRASILEIRO

Foto: Ana Clara Rodrigues Cavalcante

01/04/2018

Com o objetivo de auxiliar produtores rurais no processo de adequação ambiental da paisagem rural, a Embrapa, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e diversas instituições parceiras desenvolveram uma ferramenta que faz recomendações personalizadas ao produtor rural para recompor a paisagem nativa de sua propriedade.

Chamada de WebAmbiente, a ferramenta estará disponível gratuitamente na internet e será lançada quarta-feira (28) às 10h30, no auditório do Ministério da Agricultura. Trata-se de um sistema de informação interativo que contempla o maior banco de dados já produzido no Brasil sobre espécies vegetais nativas e estratégias para recomposição ambiental. A ferramenta engloba todos os biomas brasileiros.

Programa sugere espécies nativas e orientações de preparo

Ao acessar o sistema, o interessado tem à disposição o Simulador de Recomposição Ambiental. A ferramenta oferece sugestões de estratégias de recomposição e uma lista de espécies para adequação ambiental do imóvel rural a partir de algumas respostas dadas pelo produtor rural. Ao fornecer informações básicas como localização e tamanho da propriedade rural, o internauta recebe uma lista de espécies nativas apropriadas para o plantio, estratégias de recomposição mais adequadas às condições da área e orientações relativas ao preparo inicial do local. Após usar o simulador, é possível baixar ou imprimir o relatório com as sugestões para recomposição.

Para utilizar o simulador, é necessário apenas fazer um simples cadastro da área. Em seguida, o sistema faz algumas perguntas relacionadas às áreas que deverão ser recompostas (se área de preservação permanente, reserva legal, uso restrito, ou área de uso alternativo do solo), suas características e as de seus solos, e os riscos associados àquela recomposição. De acordo com o pesquisador da Embrapa Cerrados José Felipe Ribeiro, que coordenou a elaboração da ferramenta, quando o produtor repassa essas informações, é possível escolher, a partir da biologia das espécies, quais são as mais adaptadas àquelas condições.

Auxílio à adequação ao Código Florestal

Além do Simulador de Recomposição Ambiental, quem acessar o WebAmbiente poderá obter, no link “Espécies Nativas”, uma relação de todas as 782 espécies nativas já listadas. A busca pode ser textual, ou por bioma. A relação traz o nome científico das espécies, seu nome popular, uso econômico e a qual estratégia de ocupação ela pertence. “As recomendações fornecidas por meio da ferramenta podem ser usadas não apenas como subsídio para a elaboração de projetos visando a recuperação ambiental, mas para beneficiar a adequação das propriedades rurais às determinações do Código Florestal brasileiro”, afirma o pesquisador. A disponibilização desses dados também busca dar suporte à formulação de estudos e políticas públicas que visam recuperar ambientes degradados ou alterados.

“Além de todas essas recomendações específicas, o usuário do WebAmbiente também tem acesso a um vasto material de apoio para auxiliá-lo a entender melhor tudo o que está envolvido na recuperação ambiental”, explica Alan Nakai, analista da Embrapa Informática Agropecuária e um dos desenvolvedores da tecnologia. “O sistema fornece um extenso glossário, não só com definições, mas também com explicações aprofundadas sobre diversos assuntos envolvidos, incluindo ilustrações e links para outras fontes. Há também uma seção multimídia na qual o usuário pode buscar por vídeos e publicações”, detalha o especialista.

Projeto especial

O WebAmbiente foi elaborado no âmbito do Projeto Especial 8 da Embrapa: “Soluções Tecnológicas para a adequação ambiental da paisagem rural junto ao Código Florestal”. Iniciado em maio de 2014 e com término previsto para abril de 2018, o objetivo é estimular o cumprimento do novo Código Florestal brasileiro (Lei 12.651/2012) por meio da disponibilização de soluções tecnológicas da Embrapa para recuperação de Áreas de Reserva Legal (ARL), Áreas de Proteção Permanente (APP) e Áreas de Uso Restrito (AUR), assim como de seus coeficientes técnicos e econômicos, necessários à execução dos projetos de adequação. O Projeto Especial também apresentou como um de seus resultados a página especial sobre o novo Código Florestal, lançada em julho de 2016.

Pesquisa em rede por Bioma

O trabalho de levantamento das informações que alimentam o WebAmbiente envolveu diretamente oito unidades da Embrapa: Agrobiologia, Amazônia Oriental, Cerrados, Clima Temperado, Informática Agropecuária, Meio Ambiente, Pantanal e Semiárido. O trabalho começou pelo Cerrado, bioma que serviu de modelo para os demais. “O método utilizado foi baseado em revisão bibliográfica e workshops com especialistas. Utilizamos dados da literatura específicos sobre plantas arbóreas que ocorrem no bioma Cerrado. Essas informações foram então validadas nos workshops que contaram com a participação de especialistas da Embrapa, Universidade de Brasília (UnB), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), além de viveiristas experientes”, explicou o pesquisador Felipe Ribeiro. Além disso, também foram consultados banco de dados de herbários com foco na Região Centro-Oeste.

As espécies foram selecionadas a partir de informações relacionadas aos meses de coleta de sementes, atributos botânicos (nome científico e vulgar, família, sinonímia) e de tecnologia de sementes no que diz respeito à porcentagem de germinação e beneficiamento. A classificação foi baseada nas fitofisionomias do bioma Cerrado: florestais (Mata Ciliar, Mata de Galeria, Mata Seca, Cerradão) e savânicas (Cerrado Denso, Cerrado Típico, Cerrado Ralo, Cerrado Rupestre, Parque de Cerrado, Palmeiral e Vereda). Por fim, as espécies também foram classificadas quanto a seus agentes polinizadores e dispersores.

Pantanal

Já a lista das espécies recomendadas para recuperação de áreas do bioma Pantanal foi elaborada pela Embrapa Pantanal em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Segundo a chefe-adjunta de Pesquisa e Desenvolvimento da Unidade pantaneira da Embrapa, Catia Urbanetz, os critérios para a seleção das plantas mais adequadas a cada local foram a ocorrência (é preciso que elas tenham existido na região anteriormente), abundância (espécies raras são menos recomendadas) e a funcionalidade de cada uma.

“Temos que nos perguntar, em primeiro lugar, como era esse ambiente que vai ser restaurado. Era uma área de campo? Era inundável ou ficava em um trecho mais alto? Nos dois casos, quais são as espécies mais indicadas para enriquecer o ambiente e induzir à restauração? ”, questiona a pesquisadora. O software oferece opções para a recuperação de três formações vegetais (campestre, florestal e savânica) e nove fitofisionomias do Pantanal: campo inundável, não inundável, de altitude ou morraria, cerradão, mata semidecídua, mata seca ou decídua, mata ripária, cerrado típico e chaco).

Mata Atlântica

A organização da lista de espécies para restauração ambiental na Mata Atlântica foi coordenada pela Embrapa Agrobiologia e contou com a colaboração de pesquisadores de outras unidades da Empresa, além de profissionais de instituições parceiras com relevante atuação no bioma. “Já havíamos feito um estudo no passado que resultou na elaboração de uma lista preliminar de espécies florestais e seus atributos funcionais, como a capacidade de fixação biológica de nitrogênio e a atratividade de fauna silvestre. O objetivo era reunir informações que auxiliassem na compreensão do papel ecológico de cada espécie na restauração”, conta o pesquisador Luiz Fernando Duarte de Moraes, que coordenou os esforços para a compilação das espécies recomendadas para a Mata Atlântica.

Para a composição da relação atual foram selecionadas mais de 130 espécies da lista inicial, às quais foram acrescidas informações como fitofisionomias de ocorrência, estratégia de estabelecimento, período de frutificação e desempenho no campo. De acordo com o pesquisador, no que diz respeito à estratégia de estabelecimento, as espécies foram divididas em duas categorias, considerando a classificação adotada em outros projetos de restauração: espécies que tendem a crescer mais rapidamente e acelerar a recomposição da área (chamadas de espécies de recobrimento) e as indicadas para aumentar a diversidade nas ações de restauração. “O acesso a essa lista permitirá que técnicos e agricultores possam planejar adequadamente as ações de restauração ambiental nas propriedades rurais”, salienta Moraes.

Pampa

Se para alguns biomas a disponibilidade de informações era grande, para outros, esse trabalho teve de ser iniciado praticamente do zero. Foi o caso da lista de espécies relativas ao Pampa, uma vez que ainda são escassas as informações sobre a restauração ecológica desse bioma. “Há pouca pesquisa em restauração dentro do bioma e, por isso, essa é considerada a primeira compilação de dados sobre restauração ecológica do Pampa do Brasil. Acredito que não tenha nada similar, nem no Uruguai e na Argentina", afirma o pesquisador Ernestino Guarino, que atua na Embrapa Clima Temperado (RS).

“A imagem tradicional do Pampa são os campos, mas também ocorrem florestas e savanas, que são importantes para o espaço. Então, temos indicações de plantas para restaurar as diferentes formações vegetais do Pampa disponíveis na ferramenta WebAmbiente”, afirma. Guarino destaca que o sistema irá apresentar informações sobre 181 espécies ao todo, fornecendo dados sobre época de floração, frutificação, melhor estratégia para plantio, taxa de crescimento, como se comporta em cada um dos ambientes e em quais regiões do bioma podem ser plantadas. Após a divulgação das espécies, as próximas etapas preveem a realização de capacitação de técnicos da assistência técnica e extensão rural. Os principais parceiros envolvidos nesse trabalho são as universidades Federais do Rio Grande do Sul e de Santa Maria, Embrapa Pecuária Sul (Bagé, RS) e a Fundação Zoobotânica do RS.

Caatinga

O trabalho relativo ao bioma Caatinga também envolveu uma instituição de ensino e pesquisa. No caso, foi o Núcleo de Ecologia e Monitoramento Ambiental, vinculado à Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf). Foi compilada inicialmente uma lista com mais de 120 espécies. Entre essas, foram selecionadas as 40 melhores destinadas à recuperação ambiental, levando em conta critérios como porte, necessidades nutricionais, tipos de solo, etc. Para cada uma delas, foram reunidas informações diversas que auxiliam na compreensão do seu papel ecológico na restauração. Também foram anexadas fotos de todas elas, para que a espécie seja facilmente reconhecida pelo usuário.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Semiárido Iêdo Bezerra Sá, “uma das características mais marcantes da Caatinga é a resiliência que o bioma apresenta, ou seja, a capacidade de se recuperar após um evento de estresse, como é o caso das secas recorrentes na região ou intervenções do homem”. Para ele, essa compilação de informações contribui para o conhecimento e entendimento da dinâmica do bioma e de suas plantas, facilitando sua utilização pelos agricultores, técnicos, engenheiros e demais interessados.

Amazônia

Por fim, compõem a plataforma WebAmbiente para o bioma Amazônia cerca de 200 espécies, que vão desde as palmeiras nativas, como açaí, até produtoras de madeira de alto valor econômico, como cedro e pau-rosa. A pesquisadora Noemi Vianna, da Embrapa Amazônia Oriental (PA), explica que essas informações são resultado do cruzamento de dados de inventários florestais de quatro áreas de estudo de monitoramento da floresta (parcelas permanentes) e de onze áreas de coletas de sementes espalhadas, principalmente, no estado do Pará. 

“Nós analisamos dados do Museu Paraense Emílio Goeldi, que mostram que a Amazônia é dividida em áreas de endemismo, como diziam os antigos botânicos, ou seja, o que ocorre aqui perto de Belém não ocorre em Santarém ou em outra região. Algumas espécies, no entanto, ocorrem em todas as áreas, que são as chamadas espécies plásticas. E cruzamos essas informações à lista de espécies de inventários florestais e de áreas de coleta de sementes de diferentes regiões do estado, então conseguimos cobrir uma área bastante diversa”, detalha a pesquisadora.

O trabalho resultou, inicialmente, em uma lista de 600 espécies com nome científico, família, local de ocorrência, além de alguns dados sobre a fenologia e principais usos. Após o refinamento das informações, a lista final chegou a 211 espécies de diferentes usos, com informações que vão desde a identificação detalhada da planta, área de ocorrência, fenologia, até a produção de mudas, o plantio e a indicação de ações a serem tomadas para recuperação de determinada área.

“Nós demos uma atenção muito grande ao levantamento das espécies que podem ser usadas para recomposição ambiental dos diferentes biomas. As usadas no Cerrado são diferentes das usadas na Amazônia, que por sua vez diferem daquelas do Semiárido. Foi feito um trabalho muito detalhado de organizar todo o conhecimento dessas espécies com sistemas de busca que permitem – por bioma, por fitogeografia – identificar todas aquelas recomendadas pela pesquisa para a recuperação ambiental ”, afirmou o presidente da Embrapa, Maurício Lopes.

Fonte: Embrapa


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