ROMPIMENTO DA BARRAGEM DA VALE EM BRUMADINHO

Imagem mostra lama de rompimento de barragem em MG — Foto: Corpo de Bombeiros/ Divulgação

26/01/2019 

Mar de lama avançou sobre área administrativa da empresa e casas na área rural da cidade.

Uma barragem da mineradora Vale se rompeu nesta sexta-feira (25), em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Imagens aéreas mostram que um mar de lama destruiu casas da região do Córrego do Feijão.

O rompimento ocorreu no início da tarde de hoje, na Mina Feijão. A Vale informou sobre o acidente à Secretaria do Estado de Meio-Ambiente às 13h37. Os rejeitos atingiram a área administrativa da companhia, inclusive um refeitório, e parte da comunidade da Vila Ferteco.

Há ao menos sete pessoas feridas. O Corpo de Bombeiros informou por volta das 8h30 de sábado (26) que havia entre 300 e 350 pessoas desaparecidas. Os bombeiros afirmam também que as sirenes de emergência não tocaram e divulgaram uma lista de pessoas resgatadas vivas.

Foram retiradas nove pessoas com vida da lama e 189 foram resgatadas. Quase 100 bombeiros estavam no local na sexta e o número deve chegar a 200 neste sábado (26).

A empresa diz que, dos 427 empregados que estavam no local, apenas 279 foram localizados. Segundo o presidente da Vale, Fábio Schvartsman, vazaram 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos - na tragédia de Mariana, há 3 anos, foram 43,7 milhões.

Segundo o presidente da Vale, uma das barragens se rompeu e o vazamento do rejeito também fez outra barragem transbordar. Ele diz que a barragem que rompeu não era usada há três anos. Ainda não há informação sobre a causa do rompimento.



O que se sabe até agora (informações atualizadas até a manhã de sábado, 26):

Rompimento ocorreu no início da tarde na Mina do Feijão, da Vale, em Brumadinho;

Mar de lama destruiu casas;

Havia empregados da Vale no local atingido pelo rompimento;

Há 9 pessoas mortas, outras sete feridas e até 350 desaparecidas;

A Vale tinha 427 pessoas no local, e 279 foram resgatadas vivas;

Corpo de Bombeiros e Defesa Civil estão no local; helicópteros resgatam pessoas ilhadas em diversos pontos;

Ao menos seis prefeituras emitiram alerta para que população se mantenha longe do leito do Rio Paraopeba, pois o nível pode subir. Às 15h50, os rejeitos atingiram o rio;

Rodovia estadual que leva a Brumadinho está fechada;

Governo montou gabinete de crise, e 3 ministros estão a caminho; Bolsonaro vai sobrevoar o local no sábado;

Por precaução, o Instituto Inhotim retirou funcionários e visitantes do local.

As barragens recebem classificações quanto a risco e dano potencial. Quase todas as barragens da Vale no Córrego do Feijão era consideradas de Baixo Risco, mas Dano Potencial Alto (apenas a Barragem VII tinha Dano Potencial médio).

Ações de emergência

De acordo com a Defesa Civil, os moradores que vivem na parte mais baixa da cidade estão sendo retirados das casas. Vários helicópteros estão trabalhando no local no resgate de vítimas. Não há como chegar ao local por terra.

A Polícia Rodoviária Estadual informou que a MG-040, entre as cidades de Brumadinho e Mário Campos, está totalmente interditada por causa do rompimento. Em Betim, uma equipe da Defesa Civil está às margens do Rio Paraopeba. A intenção é monitorar o nível da água e verificar se há risco de o rio transbordar.

A Cruz Vermelha informou que uma equipe de 50 voluntários treinados em resgate foi enviada para a região.

A Arquidiocese de Belo Horizonte informou que iniciou uma campanha para arrecadar donativos para os atingidos pelo vazamento. As doações podem ser entregues na Rua Além Paraíba, 208, Lagoinha, na capital.

Vítimas

Os nove mortos localizados ainda não foram identificados.

A Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) informou que o Hospital de Pronto-Socorro João XXIII está preparado para receber feridos.

Segundo a Fhemig, a emergência do hospital vai atender apenas vítimas do acidente. Demais casos serão direcionadas para outras unidades de saúde. Ainda segundo o órgão, outros hospitais da rede estão se mobilizando para dar retaguarda ao João XXIII.

Onda de rejeitos

O vazamento de rejeitos deixou em estado de atenção municípios banhados pelo Rio Paraopeba. Há risco que, em consequência do incidente, o nível suba repentinamente. Na região Centro-Oeste de Minas, Pará de Minas e Itaúna estão fazendo monitoramento.

A Agência Nacional de Águas (ANA) informou que a "onda de rejeitos" deve ser amortecida pela barragem da usina hidrelétrica de Retiro Baixo, localizada a 220 quilômetros do local do rompimento (leia nota completa).

A estimativa da agência de águas é de que os rejeitos atinjam a barragem da hidrelétrica em cerca de dois dias.

A ANA afirmou que está monitorando a onda de rejeito e coordenando ações para manter o abastecimento de água e sua qualidade para as cidades que captam água ao longo do Rio Paraopeba.

Segundo a Copasa, o abastecimento de água na Região Metropolitana de BH não deve ser prejudicado. A companhia está monitorando a situação.

Governo federal

"Lamento o ocorrido em Brumadinho-MG. Determinei o deslocamento dos Ministros do Desenvolvimento Regional e Minas e Energia, bem como nosso Secretario Nacional de Defesa Civil para a Região. Nossa maior preocupação neste momento é atender eventuais vítimas desta grave tragédia. O Ministro do Meio Ambiente também está a caminho. Todas as providências cabíveis estão sendo tomadas", disse o presidente Jair Bolsonaro. Leia a repercussão completa.

Segundo a Casa Civil, Bolsonaro se reuniu na tarde desta sexta-feira com o ministro-chefe da pasta, Onyx Lorenzoni, para discutir o rompimento. Conforme a Casa Civil, o encontro definiu que os ministros Bento Albuquerque (Minas e Energia), Gustavo Canuto (Desenvolvimento Regional) e Ricardo Salles (Meio Ambiente) foram escalados para acompanhar o caso.

O ministro de Meio Ambiente, Ricardo Salles, disse ao jornalista Valdo Cruz, da GloboNews e do G1, que uma equipe de emergência do Ibama já foi deslocada para a região. O ministro também disse que, além do atendimento às possíveis vítimas, a preocupação é com a poluição nos rios da região.

Governo estadual

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) informou que a Mina do Feijão e a Barragem 1, que se rompeu no início desta tarde, “estão devidamente licenciadas”. "As causas e responsabilidades pelo ocorrido serão apuradas pelo governo de Minas", disse o órgão.

Uma força-tarefa do governo de Minas Gerais já está no local do rompimento da barragem em Brumadinho. “O governo de Minas Gerais já designou a formação de um gabinete estratégico de crise para acompanhar de perto as ações”, disse por meio de nota (veja íntegra ao final da reportagem).

"Todo aparato estatal está mobilizado e foi deslocado para a região de Brumadinho, onde ocorreu o rompimento, para acompanhar de perto as ações e colaborar no que for preciso. Estão a caminho da Mina do Feijão o secretário de Meio Ambiente, Germano Vieira, a secretária de Impacto Social, Elizabeth Jucá, além dos Bombeiros e Defesa Civil", diz nota do governo.

Por volta das 15h40, Romeu Zema estava saindo do interior de Minas e indo para Belo Horizonte, para comandar o gabinete de crise. "O governador está atuando e acompanhando os desdobramentos, para que as primeiras medidas sejam tomadas, e o atendimento imediato seja dado às vítimas e população local, além de acompanhar a apuração dos fatores que causaram o acidente", disse o governo.

A Defensoria Pública de Minas Gerais informou que já está atuando em Brumadinho e que vai funcionar em regime de plantão.


Casa fica abaixo da lama após rompimento de barragem — Foto: TV Globo

Alerta das prefeituras

Nas redes sociais, a prefeitura de Brumadinho, Mario Campos, Juatuba, São Joaquim de Bicas, Igarapé e Betim já publicaram alertas para que a população não fique perto do leito Rio Paraopeba.


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Uma publicação compartilhada por São Joaquim de Bicas (@prefeiturasaojoaquimdebicas) em


Tragédia em Mariana

No dia 5 de novembro de 2015, o rompimento da barragem de Fundão, da mineradora Samarco, controlada pela Vale e pela BHP Billington, deixou 19 mortos e causou uma enxurrada de lama que inundou várias casas no distrito de Bento Rodrigues, em Minas Gerais.

A barragem de Fundão abrigava cerca de 56,6 milhões de m³ de lama de rejeito. Desse total, 43,7 milhões m³ vazaram. Os rejeitos atingiram os afluentes e o próprio Rio Doce, destruíram distritos e deixaram milhares de moradores da região sem água e sem trabalho.

A Vale se tornou ré uma ação da Justiça Federal em 2016, ao lado da Samarco e da BHP, em uma ação por homicídios e crimes ambientais. Além das 3 empresas, 22 pessoas e a companhia de engenharia VogBR também respondem ao mesmo processo. Até o final de 2018, essa ação seguia correndo na comarca de Ponte Nova, na Zona da Mata, sem que os réus tenham sido julgados.

Nota da Vale

Veja a íntegra do texto:

"A Vale informa que, no início desta tarde, ocorreu o rompimento da Barragem 1 da Mina Feijão, em Brumadinho (MG). A companhia lamenta profundamente o acidente e está empenhando todos os esforços no socorro e apoio aos atingidos.

Havia empregados na área administrativa, que foi atingida pelos rejeitos, indicando a possibilidade, ainda não confirmada, de vítimas. Parte da comunidade da Vila Ferteco também foi atingida.

O resgate e os atendimentos aos feridos estão sendo realizados no local pelo Corpo de Bombeiros e pela Defesa Civil. Ainda não há confirmação sobre a causa do acidente.

A prioridade máxima da empresa, neste momento, é apoiar nos resgates para ajudar a preservar e proteger a vida de empregados, próprios e terceiros, e das comunidades locais.

A Vale continuará fornecendo informações assim que confirmadas."

A barragem da mina do Feijão, situada em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG), 
se rompeu nesta sexta-feira (25). — Foto: Uarlen Valério/O Tempo/Estadão Conteúdo

Nota do Ministério do Meio Ambiente

"No início da tarde desta sexta-feira (25/01), ocorreu o rompimento de três barragens na mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG). O empreendimento está situado em um afluente do rio Paraopeba, na Bacia do Rio São Francisco.

O Ministério do Meio Ambiente constituiu um gabinete de crise para acompanhamento do incidente. O ministro, Ricardo Salles, está se deslocando para a região acompanhado do presidente do Ibama, Eduardo Bim.

A equipe do núcleo de prevenção e atendimento a emergências ambientais do Ibama já está no local em conjunto com servidores da Secretaria de Meio Ambiente do Governo de Minas Gerais.

A preocupação inicial do governo federal é com o resgate de vítimas, atendimento à região e a proteção de pontos de captação de água."

Nota do governo de MG

"Uma força-tarefa do Estado de Minas Gerais já está no local do rompimento da barragem em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, para acompanhar e tomar as primeiras medidas.

O Corpo de Bombeiros por meio do Batalhão de Emergências Ambientais, e a Defesa Civil também já estão no local da ocorrência trabalhando e há dois helicópteros sobrevoando a região.

O Governo de Minas Gerais já designou a formação de um gabinete estratégico de crise para acompanhar de perto as ações. Assim que houver mais informações, o Governo de Minas Gerais emitirá novos comunicado"

Nota da Defesa Civil

"O ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, e o secretário Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec), coronel Alexandre Lucas, chegam hoje (25) à noite a Belo Horizonte (MG) para acompanhar e apoiar o trabalho das defesas civis locais na ocorrência do rompimento de uma barragem na Mina Feijão, no município de Brumadinho, região metropolitana da capital mineira. A prioridade, neste momento, é o socorro e assistência à população afetada.

A mobilização e o apoio do Governo Federal iniciaram logo após o rompimento da estrutura. O ministro conversou por telefone com o presidente da República, Jair Bolsonaro, que reforçou a importância de disponibilizar todo o apoio necessário ao estado e município.

Equipes do Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad) estão em frequente contato com representantes da prefeitura e governo do estado para orientar nas primeiras ações de resgate às possíveis vítimas e demais necessidades emergenciais."

Fonte: G1


EM 2019, CEOS PREOCUPADOS COM MEIO AMBIENTE QUEREM GOVERNO ATENTO A DUAS QUESTÕES

A emissão de gases causadores de mudanças climáticas se tornou preocupação de 
diferentes setores empresariais (foto: Thinkstock)

31/12/2018 

Após a conferência COP24 na Polônia, empresários e executivos vão conversar com governo Bolsonaro sobre matriz energética e reuso de água

CEOs preocupados com a crise ambiental escolheram, como prioridades para atuação em 2019 junto ao governo federal, a transição energética (rumo a uma economia menos dependente de combustíveis fósseis) e o cuidado com a água, incluindo saneamento e reuso. Representantes da CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável) afirmam já ter revalidado essas prioridades com a equipe do presidente eleito, Jair Bolsonaro.“O próximo passo é conversar com os novos ministros para que possamos entender juntos as prioridades das agendas”, afirma Ana Carolina Szklo, diretora de desenvolvimento institucional do CEBDS. A entidade reúne 60 dos maiores grupos atuantes no país, incluindo nomes como Ambev, Braskem, Itaú, Microsoft, Natura, Unilever e Votorantim.

A executiva explicou essa estratégia na primeira quinzena de dezembro, no Espaço Brasil na conferência internacional COP24, em Katowice, Polônia. O último dia de funcionamento do espaço, 13 de dezembro, foi inteiramente dedicado aos negócios. Os paineis abordaram temas como a proposta para precificação de carbono no país; iniciativas do setor privado brasileiro no âmbito da agenda sobre mudança do clima; estratégias empresariais e soluções de negócios na agenda climática para atrair investimentos.

Todas as palestras contaram com a participação do CEBDS, fundado em 1997 por um grupo de empresários brasileiros. A entidade é uma associação civil sem fins lucrativos que promove o desenvolvimento sustentável nas empresas que atuam no Brasil. “Fazemos isso por meio da articulação junto aos governos e a sociedade”, explica Ana Carolina.

O faturamento das empresas participantes equivalente a cerca de 45% do PIB brasileiro e, juntas, elas respondem por mais de 1 milhão de empregos, afirma Laura Albuquerque, assessora técnica do CEBDS e coordenadora da Câmara Temática de Energia e Mudança do Clima (CTClima). O CEBDS representa no Brasil a rede do World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), que conta com quase 60 conselhos nacionais e regionais em 36 países.

Na COP24, o CEBDS divulgou o relatório "Como as empresas vêm contribuindo com o Acordo de Paris", elaborado pela entidade, com a participação de 38 companhias, sendo 21 brasileiras e as demais, multinacionais que operam no Brasil. “Há números bastante expressivos, tanto em investimentos realizados em medidas de redução de gases de efeito estufa, quanto nas diminuições já alcançadas”, diz Laura.

O estudo, que detalha os cases vivenciados pelas empresas no combate aos GEE, abarca negócios em todos os nichos. “Há representantes do setor produtivo e do financeiro, demostrando iniciativas feitas por cinco bancos”, diz Laura. O relatório mostra que de 2016 a 2017, houve uma redução nas emissões de GEE de quase 1%, e 35% das empresas brasileiras diminuíram suas emissões por razões ligadas a alteração na produção e por ações de redução das emissões.

De acordo com o relatório, nos últimos três anos as empresas brasileiras implantaram 1.340 projetos, totalizando um investimento de US$ 85,8 bilhões em ações para redução de emissões, principalmente em ações de eficiência energética, otimização de processos e busca por fontes energéticas de baixo carbono.

O valor investido em projetos cresceu desde 2015, quando houveram investimentos de US$ 26,5 bilhões, seguido de uma queda expressiva para US$ 23,1 bilhões, em 2016, e do crescimento para US$ 36,2 bilhões, em 2017. Juntos, esses projetos contribuíram para uma redução de mais de 217,9 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera, sendo que a maior redução de emissões de GEE desses anos, 60% da redução acumulada, foi devido aos projetos investidos em 2017.

Dentre as empresas retratadas nos cases, cinco (ou 25%) já participam de algum sistema regulado de precificação de carbono em outros países. Oito delas (38%) anunciam algum sistema regulado de precificação de carbono nos próximos três anos. E seis (29%), não têm previsão de nenhum sistema regulado nesse mesmo período. Dos negócios que fizeram parte do relatório, 57% (12 de 21) geraram ou compraram créditos de carbono em 2017, sendo que a maioria gerou créditos.

Segundo Laura Albuquerque, as corporações já envolvidas no mercado de carbono estão ansiosas pelo desenvolvimento desse comércio no Brasil. Em julho de 2017, o CEBDS estruturou uma Proposta de Precificação de Carbono para a Indústria em um modelo de mercado de carbono e vislumbra ações de curto prazo para estruturar as bases das negociações no Brasil.

Na opinião das executivas, o CEBDS vem para representar a voz do setor privado em eventos dessa magnitude. “Podemos apresentar o quanto o segmento já tem avançado no Brasil, além de olhar para o quanto ainda podemos fazer”, declara Ana Carolina Szklo. A diretora explica que é muito importante participar, em especial dessa edição, realizada três anos após a assinatura do Acordo de Paris, que representa um marco relevante nas negociações.

A Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) brasileira propõe a redução de 37% das emissões de GEE nacionais até 2025, o equivalente a reduzir 787 milhões de toneladas de CO2. Além de uma indicação de redução de 43% das emissões nacionais até 2030 (cerca de 925 milhões tCO2e), considerando como base nos níveis registrados em 2005 de emissões nacionais de 2.133 milhões de toneladas de CO2.

Ana Carolina afirma que no momento em que o Brasil publicou sua NDC, apresentando algumas metas específicas para diversos setores, o país acaba automaticamente assumindo compromissos. “As empresas precisam ficar atentas para se alinharem com essas diretrizes”. Na opinião da diretora, é importante que o governo dê sinais claros da implementação de certas medidas para que as companhias possam saber se isso mexe com seus projetos, investimentos e a concorrência com outros setores e países. “Há um reflexo interno que é bastante importante”, completa Ana Carolina.

A boa notícia, de acordo com Laura, é que existe um movimento voluntário das empresas brasileiras preocupadas em fazer uma transição para o baixo carbono. “A importância da COP é reforçar qual é o sinal político que agiliza os investimentos e dá segurança jurídica para as empresas continuarem no caminho e acelerar essas mudanças”, diz. Para isso, a entidade trabalha junto ao poder público por meio de um conselho de CEOs formado por líderes de algumas das corporações signatárias da CEBDS. “Eles se reúnem quatro vezes ao ano com a alta liderança do setor público”, comenta Laura.

Sendo 2018 um ano de eleição, a entidade desenvolveu uma agenda com 10 propostas do setor privado que, na opinião desses CEOs, resumem os temas prioritários da agenda de sustentabilidade que deveriam ser trabalhadas junto ao governo nos próximos anos. “É uma agenda positiva e propositiva que foi apresentada a todos os candidatos à presidência, assim como fizemos em 2014”, esclarece Laura. Uma vez definido o representante para governar o país, os executivos da entidade levam as propostas aos ministros da Fazenda e do Meio Ambiente, prioritariamente.

Ana Carolina explica que esse documento inclui dez propostas que englobam assuntos relacionados a energia, desmatamento, transporte, financiamento climático, gênero e mercado de carbono. “A ideia é trabalhar de duas a três propostas por vez e esgotar os dez temas durante os quatro anos de mandato.” 

Fonte: Época Negócios


EM MENSAGEM DE ANO NOVO, CHEFE DA ONU ALERTA PARA PERIGOS DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS E DOS CONFLITOS ARMADOS



29/12/2018

Em mensagem para o Ano Novo, o secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou para os desafios que assolam o mundo, como as mudanças climáticas, as divisões geopolíticas e os conflitos armados de difícil resolução.

“Um número recorde de pessoas está em movimento na busca de segurança e proteção. As desigualdades estão aumentando. E as pessoas questionam-se perante um mundo no qual um punhado de gente detém a mesma riqueza que metade da humanidade”, disse.

Em mensagem para o Ano Novo, o secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou para os desafios que assolam o mundo, como as mudanças climáticas, as divisões geopolíticas e os conflitos armados de difícil resolução.

“No ano passado, eu emiti um alerta vermelho, mas os perigos que mencionei ainda persistem. São tempos de ansiedade para muitos. E o nosso mundo está a passar por um teste de estresse”, declarou.

Guterres lembrou que as mudanças climáticas avançam muito mais rapidamente do que a humanidade, enquanto as divisões geopolíticas se aprofundam, tornando os conflitos mais difíceis de resolver.

“Um número recorde de pessoas está em movimento na busca de segurança e proteção. As desigualdades estão aumentando. E as pessoas questionam-se perante um mundo no qual um punhado de gente detém a mesma riqueza que metade da humanidade”, disse.

Guterres alertou também para o aumento da intolerância e para a queda da confiança. Apesar disso, afirmou haver razões para se ter esperança.

“As negociações sobre o Iêmen criaram condições para a paz. E o acordo assinado em Riad em setembro, entre a Etiópia e a Eritreia, melhorou as perspetivas de toda a região.”

“A assinatura de um acordo entre as partes do conflito do Sudão do Sul revitalizou as perspectivas de paz, trazendo mais progresso nos últimos quatro meses, do que nos quatro anos anteriores”, declarou.

Guterres lembrou ainda que a ONU foi capaz de unir os Estados-membros em Katowice, na Polônia, para aprovar o Programa de Trabalho para a implementação do Acordo de Paris para o clima.

“Agora temos de aumentar a nossa ambição para combater esta ameaça à nossa existência – as alterações climáticas. É tempo de aproveitarmos a nossa última melhor oportunidade. É tempo de travar o descontrole e a espiral das mudanças climáticas.”

O chefe da ONU disse ainda que, nas últimas semanas, as Nações Unidas supervisionaram acordos globais de referência sobre migração e refugiados, que irão salvar vidas e superar perigosos mitos.

“Em todos os lugares, as pessoas estão se mobilizando para apoiar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, o nosso projeto global de paz, justiça e prosperidade num planeta saudável”, disse.

“Quando a cooperação internacional funciona, o mundo ganha”, completou.

Segundo Guterres, em 2019, as Nações Unidas vão continuar a aproximar as pessoas, a construir pontes e a criar espaço para soluções.

“Vamos manter a pressão nesse sentido. E nunca desistiremos.”

“Ao iniciarmos este Ano Novo, juntos vamos enfrentar ameaças com que nos defrontamos, vamos defender a dignidade humana e construir um futuro melhor. Desejo a cada um de vós e às vossas famílias um Ano Novo cheio de paz e saúde”, concluiu.



LOGÍSTICA REVERSA DE EMBALAGENS DE AÇO ENTRA EM VIGOR

Embalagens recolhidas deverão ser encaminhadas a cooperativas ou empresas do 
comércio atacadista do setor  - Crédito: Gilberto Soares/MMA

27/12/2018

Termo publicado nesta quinta-feira formaliza compromisso para garantir destinação final ambientalmente adequada de embalagens de tintas imobiliárias e alimentos.

O Termo de Compromisso para Implantação do Sistema de Logística Reversa de Embalagens de Aço foi publicado nesta quinta-feira (27) no Diário Oficial da União. As normas já estão valendo e têm como objetivo garantir a destinação final ambientalmente adequada das embalagens de aço. Prevista pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, a logística reversa permite a destinação final ambientalmente adequada das embalagens, após o uso pelo consumidor.

Com a assinatura do termo de compromisso do setor, as embalagens recolhidas, tanto as de alimentos quanto as de tintas imobiliárias, deverão ser encaminhadas prioritariamente a cooperativas ou empresas do comércio atacadista de resíduos e sucatas metálicas, ou aos Centros/Entrepostos Prolata de Reciclagem, ou ainda diretamente à indústria siderúrgica. Além disso, deverão ser seguidas metas similares ao Acordo Setorial de Embalagens em Geral. 

“Esse termo, assinado em 21 de dezembro deste ano e publicado hoje, dá continuidade ao previsto no Edital que resultou no Acordo Setorial para Implantação do Sistema de Logística Reversa de Embalagens em Geral, assinado em 2015, ampliando a destinação final ambientalmente adequada das embalagens em geral pela gestão daquelas de aço”, explicou Zilda Veloso, diretora de Qualidade Ambiental e Gestão de Resíduos do MMA.

São signatárias do Termo de Compromisso, pelo setor empresarial, as empresas associadas à PROLATA Recicladores Associados, à Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (ABRAFATI), à Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (ANAMACO) e à Associação Brasileira de Embalagens de Aço (ABEAÇO).

ESTÍMULO

Com o objetivo de inserir esse conceito e implantar o sistema de logística reversa das embalagens de aço, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) colocou em consulta pública a minuta do Termo de Compromisso, em novembro de 2017, antes da assinatura e homologação. A proposta busca estimular o consumidor a efetuar a separação e o descarte adequado das embalagens de aço, reduzindo a quantidade de material nos aterros e possibilitando a reciclagem.

A previsão do MMA é recolher, em até 36 meses depois da formalização do compromisso, pelo menos 148 toneladas de embalagens de aço por dia, ampliando em quase 15% as atuais taxas de reciclagem no pós-consumo.

A gestão ineficiente e inadequada dos resíduos gera vários danos ambientais que comprometem a preservação da natureza e a saúde humana. A geração de resíduos é proporcional ao aumento do número de habitantes. Por isso, com o passar dos anos, as empresas e o governo encontram cada vez mais dificuldades para implantar, ordenar e gerenciar os resíduos.

SAIBA MAIS

A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), no artigo 33, estabelece que fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes são obrigados a estruturar e implementar sistemas de logística reversa, mediante retorno dos produtos depois do uso pelo consumidor, de forma independente do serviço público de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos.

Dessa forma, a logística reversa permite que todos esses setores envolvidos realizem a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada.

O artigo 33 também prevê que o sistema de logística reversa será estendido a produtos comercializados em embalagens plásticas, metálicas ou de vidros, e aos demais produtos e embalagens, considerando prioritariamente, o grau e a extensão do impacto à saúde pública e ao meio ambiente dos resíduos gerados.

Por: Rogério Ippoliti/ Ascom MMA



LANÇADA PRIMEIRA CULTIVAR DE ARROZ VERMELHO DESENVOLVIDA NO BRASIL

Foto: Eugenia Ribeiro

02/12/2018

A Embrapa acaba de disponibilizar ao mercado a cultivar de arroz vermelho BRS 901, a primeira obtida a partir de cruzamento artificial no País. A nova variedade é indicada para cultivo nos estados do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba. Trata-se de uma opção para atender a nichos de mercado, podendo compor pratos típicos da Região Nordeste e receitas da alta gastronomia.

A produção de arroz vermelho no Brasil concentra-se nos estados da Paraíba, maior produtor, e Rio Grande do Norte, mas ele é encontrado como cultura de subsistência no Ceará, Pernambuco, Minas Gerais e Espírito Santo, onde ainda é cultivado utilizando-se técnicas tradicionais. A produção desse arroz no País, em anos de safras normais (sem escassez de chuvas), é de cerca de dez mil toneladas, um terço do que era produzido há 50 anos. O arroz vermelho tem também despertado o interesse de produtores do Sul e Sudeste, que utilizam alto padrão tecnológico em suas lavouras, e também de uma parcela de consumidores dos centros urbanos que buscam novas opções gastronômicas. 

Para ler a matéria na íntegra, acesse aqui.  

PESQUISADOR DA EMBRAPA APRESENTA EXPERIÊNCIAS BRASILEIRAS DE BIOENERGIA EM EVENTO INTERNACIONAL



22/11/2018

As experiências brasileiras no setor de bioenergia serão apresentadas, hoje, na "Semana de Agricultura e Alimentação: os desafios futuros para América Latina e Caribe", que acontece até sexta-feira (23/11), em Buenos Aires/Argentina.

A palestra, ministrada pelo Chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Agroenergia, Alexandre Alonso, está inserida na programação do painel "Cultivos energéticos".

Alonso ressalta que o evento é um grande fórum regional para troca de experiências, diálogo, aprendizagem e construção de acordos entre os diversos atores, para avançar em direção dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no mundo rural e setor Agroalimentar. 

Além disso, é uma oportunidade de encontro para os atores da cadeia de valor bioenergética nacional e internacional possam trocar conhecimento e compartilhar experiências, um espaço de reflexão e discussão sobre o rol da bioenergia.

Estão presentes profissionais do setor público e privado, produtores, empresários, profissionais, acadêmicos e pesquisadores de âmbito nacional e internacional que irão expor diversas temáticas relacionadas à produção, comércio, tecnologia e investigação em matéria bioenergética. 

O evento é uma realização da Secretaria de Alimentos e Bioeconomia e Secretaria de Governo de Agroindústria da Argentina. Saiba mais sobre a programa da Semana no link http://www.fao.org/americas/eventos/ver/es/c/1146950/

DESCOBERTO NO BRASIL DINOSSAURO DE PESCOÇO LONGO MAIS ANTIGO DO MUNDO

Ilustração mostra como seria o "Macrocollum itaquii"

22/11/2018

Escavado no Rio Grande do Sul, "Macrocollum itaquii" tinha 3,5 metros de comprimento e teria vivido há cerca de 225 milhões de anos. Trata-se dos primeiros esqueletos completos de dinossauros descobertos no país.

Pesquisadores brasileiros apresentaram uma nova espécie de dinossauro descoberta no Brasil em estudo publicado na revista científica britânica Biology Letters nesta quarta-feira (21/11). O animal, que recebeu o nome de Macrocollum itaquii, seria o dinossauro de pescoço longo mais antigo do mundo.

Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e da Universidade de São Paulo (USP) escavaram três esqueletos fossilizados em rochas triássicas do município de Agudo, no Rio Grande do Sul. Trata-se também da primeira descoberta de esqueletos completos de dinossauros no Brasil, segundo nota divulgada pela UFSM.

Com cerca de 3,5 metros de comprimento, o Macrocollum itaquii possui um pescoço bastante longo – uma das principais características do grupo de dinossauros gigantes pescoçudos, os saurópodes, como o braquiossauro e o apatossauro.

As rochas de onde os esqueletos foram escavados têm cerca de 225 milhões de anos, o que faz com que o Macrocollum itaquii seja considerado o dinossauro mais antigo de pescoço longo já descoberto.

Cientificamente, a descoberta preenche uma lacuna no registo fóssil de dinossauros, pois há diversos esqueletos de períodos mais antigos e mais recentes, mas aqueles com aproximadamente 225 milhões de anos são bastante raros. Trata-se de um período importante para a história evolutiva dos dinossauros, pois antecede ao período em que eles se tornaram dominantes em quase todo o planeta.

Arqueólogos descobriram e iniciaram a escavação dos esqueletos do 
dinossauro "Macrocollum itaquii" em 2013

A dentição do Macrocollum itaquii indica que ele se alimentava de plantas. Acredita-se que o pescoço longo lhe tenha permitido chegar a vegetações mais altas que as alcançadas por outros animais e que isso tenha sido o que garantiu o sucesso do grupo dos sauropodomorfos – do qual o Macrocollum itaquii faz parte – durante a Era Mesozoica. 

Com base em fósseis de outros animais desse grupo no Rio Grande do Sul, mas de diferentes idades, os pesquisadores concluíram que durante um intervalo de 8 milhões de anos, a dieta herbívora foi aprimorada, os sauropodomorfos cresceram significativamente e o pescoço se tornou proporcionalmente duas vezes mais longo.

O nome "Macrocollum" significa pescoço longo, e "itaquii" é uma homenagem a José Jerundino Machado Itaqui, que foi um dos principais responsáveis pela criação do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia (Cappa/UFSM), onde os fósseis do dinossauro estão depositados.

Fóssil do "Macrocollum itaquii", 
descoberto no Rio Grande do Sul
Os esqueletos foram coletados no início de 2013 e passaram por um cuidadoso processo de extração da rocha em que seus restos foram preservados. Os fósseis serão mantidos no Cappa, em São João do Polêsine, onde poderão ser visitados.

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Fonte: DW

HAITI SOB TENSÃO APÓS PROTESTOS LETAIS E UMA PRESIDÊNCIA AUSENTE

Viatura policial é vista em Porto Príncipe, em 21 de novembro de 2018
AFP / Hector Retamal

22/11/2018

Uma tensão incomum reina no Haiti, onde a presidência se mostra ausente depois das grandes manifestações de domingo, manchadas pela violência e comandadas por uma juventude que denuncia a corrupção do poder e exige a renúncia imediata do chefe de Estado.

Três pessoas morreram baleadas no domingo durante esses protestos contra a corrupção e o poder, segundo a Polícia Nacional do Haiti (PNH), enquanto a oposição denuncia uma cifra de 11 mortos em todo o país.

Desde então, escolas, estabelecimentos comerciais e empresas privadas permaneceram fechados nas principais cidades, após uma convocação de greve geral lançada pela oposição.

A capital Porto Príncipe seguia quase deserta nesta quarta-feira (21) de manhã, embora alguns cidadãos se arriscassem a sair.

Embora a polícia tenha patrulhas ao longo dos principais eixos viários da cidade, além de blitz nos cruzamentos mais importantes, a situação permanece tensa, pois várias estradas foram bloqueadas por barricadas em chamas.

"A polícia opera com o mesmo dispositivo anunciado antes da manifestação de domingo, por meio do qual planejamos administrar o antes, durante e depois do protesto. Sempre estamos no depois", afirmou à AFP Gary Desrosiers, porta-voz da PNH.

"Seguimos no terreno para garantir a proteção de todos", acrescentou, sem dar mais detalhes.

Pneus incendiados por manifestantes bloqueiam as ruas de Porto Príncipe 
em 21 de novembro de 2018 - AFP / Hector Retamal

Um discurso do presidente Jovenel Moses estava previsto para ser transmitido na televisão estatal na terça-feira, mas várias horas após o anúncio do Ministério da Comunicação apenas foi divulgada uma mensagem de desculpa nas telas para anunciar o adiamento do pronunciamento.

"Tivemos falhas técnicas", afirmou nesta quarta de manhã Emmanuel Jean-François, assessor do presidente, por telefone. "Consertaremos tudo para que seja divulgada esta manhã" (de quarta-feira), acrescentou, sem especificar o cronograma e se negando a divulgar o conteúdo da mensagem.

Desde a manifestação que exigia a sua renúncia, Jovenel Moses não falou sobre a situação do país.

Na segunda-feira, a presidência apenas enviou um breve comunicado à imprensa mencionando uma reunião entre os responsáveis dos três poderes.

Junto com uma foto do presidente Moses, do primeiro-ministro Jean-Henry Céant, rodeado pelos presidentes de ambas as Câmaras do Parlamento e do presidente do Tribunal de Cassação, o texto dá uma lista de objetivos divididos em três pontos: que "o Poder Executivo continue o diálogo com todos os setores da vida nacional, resolva os problemas relacionados à insegurança e intensifique os programas de apaziguamento social".

Fonte: AFP

CIENTISTAS DESCOBREM NOVA POPULAÇÃO DE URSOS POLARES

Nova população de ursos polares é descoberta no Mar de Chukchi (Foto: Pixabay)

20/11/2018

O Mar de Chucki é rico em nutrientes e, consequentemente, gera boa produtividade biológica

Não é de hoje que as mudanças climáticas preocupam os cientistas. Mas, em meio à tanta tragédia, ainda há uma esperança: biólogos do Centro de Ciências Polares da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, descobriram uma nova população de ursos polares (Ursos Maritimus) ainda não estudada, no Mar de Chukchi, entre o Alasca e a Rússia. Os resultados foram publicados na revista científica Scientific Reports.

O mar de Chukchi é, de acordo com estudos anteriores, abundante em vida selvagem, incluindo focas, que são boas refeições para os ursos. "A maior parte do mar de Chukchi é rasa, com águas ricas em nutrientes vindas do Pacífico", disse disse o biólogo e um dos responsáveis pelo estudo, Eric Rogehr. "Isso se traduz em alta produtividade biológica.”

A descoberta é resultado de uma década de pesquisas. “Ele nos dá uma primeira estimativa da abundância e da situação da subpopulação do Mar Chukchi”, afirma Rogehr. Mas, apesar de ser uma excelente notícia, os pesquisadores ressaltam que os animais não estão isentos das ameaças. “A perda de gelo marinho, resultante das mudanças climáticas, continuam sendo a principal ameaça à espécie.”

Entre 2008 e 2016, os ursos de Chukchi mantiveram uma população bastante saudável. No entanto, se compararmos o período com 25 anos atrás, eles estão passando cerca de um mês a menos em gelo do mar. O habitat é onde os ursos polares costumam caçar, se reproduzir e até mesmo migrar.

Existem 19 subpopulações de ursos polares no mundo inteiro. Eles estão oficialmente listados como vulneráveis na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN. Estima-se que 26 mil ursos polares estejam nessas condições, sendo que algumas subpopulações estão diminuindo mais rápido do que outras. Uma dessas subpopulações afetadas pelas mudanças climáticas são os Beaufort, que perambulam entre os Estados Unidos e o Canadá, e estão ficando sem gelo em seu habitat natural.

O fato de os ursos passarem menos tempo no gelo é motivo de preocupação. Pesquisas recentes da NASA descobriram que mais da metade do gelo permanente do Ártico foi perdido desde 1958.

Os pesquisadores conseguem identificar 60 ursos polares anualmente, alguns inclusive com dispositivos de GPS. De acordo com o estudo, a subpopulação contava com pouco menos de 3 mil animais que tinham boas taxas de sobrevivência reprodutiva.


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