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Sobre o Haiti



29/07/2025

Haiti (pronunciado em português europeu: [ajˈti]; pronunciado em português brasileiro: [ajˈtʃi]; em francês: Haïti, pronunciado: [a.iti]; em crioulo haitiano: Ayiti), oficialmente República do Haiti (République d’Haïti; Repiblik Ayiti), é um país do Caribe. Ocupa uma pequena porção ocidental da ilha de Hispaniola, no arquipélago das Grandes Antilhas, que partilha com a República Dominicana. Ayiti (“terra de altas montanhas”) era o nome indígena dos taínos para a ilha. 

Em francês o país é chamado de La Perle des Antilles (A Pérola das Antilhas), por conta de sua beleza natural. O ponto mais alto do país é Pic la Selle, com 2 680 metros de altitude. Tanto em área quanto em população, o Haiti é o terceiro maior país do Caribe (depois de Cuba e da República Dominicana), com 27 750 quilômetros quadrados e cerca de 10,4 milhões de habitantes, sendo que pouco menos de um milhão deles vivem na capital, Porto Príncipe. O francês e o crioulo haitiano são as línguas oficiais do país. 

A posição histórica e etno-linguística do Haiti é única por várias razões. Quando conquistou a independência em 1804, se tornou a primeira nação independente da América Latina e do Caribe, sendo o único país do mundo estabelecido como resultado de uma revolta de escravos bem-sucedida e a segunda república da América. A Revolução Haitiana, feita por escravos e negros libertos, durou quase uma década; todos os primeiros líderes do governo foram antigos escravos. O país é uma das duas nações independentes do continente americano (junto com o Canadá) que designa o francês como língua oficial; as outras áreas de língua francesa no continente são todos departamentos ou coletividades ultramarinas da França. 

O Haiti é o mais populoso membro pleno da Comunidade do Caribe (CARICOM). O país também é um membro da União Latina. Em 2012, o Haiti anunciou sua intenção de obter o estatuto de membro associado da União Africana. É o país mais pobre da América, medido pelo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). A violência política tem ocorrido regularmente ao longo da história do país, o que levou a instabilidade no governo. Mais recentemente, em fevereiro de 2004, um golpe de Estado originário do norte do país forçou a renúncia e o exílio do presidente Jean-Bertrand Aristide. Um governo provisório assumiu o controle com a segurança proporcionada pela Missão das Nações Unidas para a estabilização no Haiti (MINUSTAH).





Lema: “L’union fait la force” (“A união faz a força”) 

Hino nacional: “La Dessalinienne” (“A Dessaliniana”) 

Capital: Porto Príncipe 

Cidade mais populosa: Porto Príncipe 

Língua oficial: Francês e Crioulo haitiano 

Governo: República semipresidencialista 
– Presidente Jovenel Moïse 
– Primeiro-ministro Joseph Joute 

Independência da França: 
– Declarada 1 de janeiro de 1804 
– Reconhecida 1825 Moeda: Gourde (HTG)




HAITI: ONU ALERTA SOBRE AGRAVAMENTO DA VIOLÊNCIA DE GANGUES EM PORTO PRÍNCIPE

Violência força pelo menos 2,5 mil haitianos a fugir
(UNDP Haiti/Borja Lopetegui Gonzalez)

16/07/2022

Área mais atingida pelos combates é o bairro Cité Soleil, nos redores da capital; entre janeiro e final de junho, foram registrados 934 assassinatos, 684 feridos e 680 sequestros em toda a capital; situação agrava sofrimento e pelo menos 2,5 mil pessoas foram forçadas a fugir.

O Escritório de Direitos Humanos da ONU está profundamente preocupado com o agravamento da violência dentro e ao redor da capital haitiana Porto Príncipe e com o aumento dos abusos das gangues fortemente armadas contra comunidades locais vulneráveis.

A coordenadora humanitária da ONU no país, Ulrika Richardson, afirmou que as pessoas estão sofrendo na região. No entanto, a insegurança está impedindo as agências humanitárias de entrarem na área.

Com fechamento de escolas no Haiti, crianças ficam na mira de
gangues armadas (UNDP Haiti/Borja Lopetegui Gonzalez)

Aumento na violência

Ela destaca que a ONU está pronta para prestar assistência a crianças, mulheres e homens afetados pelo fogo cruzado da violência dos grupos armados assim que os parceiros humanitários puderem ter acesso seguro às zonas afetadas.

O recente aumento nos combates entre gangues rivais no bairro de Cité Soleil, na capital, levou à morte de 99 pessoas, com 135 feridos, segundo dados divulgados pelo Ocha no Haiti.

Com a escalada de violência, na sexta-feira, o Conselho de Segurança aprovou a prolongação do mandato do Escritório Integrado da ONU no Haiti, Binuh, até 15 de julho de 2023.

De acordo com o porta-voz do Escritório de Direitos Humanos, Jeremy Laurence, a renovação “fortalecerá a resposta internacional coletiva à crise de direitos humanos que se desenrola no país, bem como facilitará a entrega de ajuda humanitária”.

Ele pediu às autoridades do Haiti a garantia de que os direitos fundamentais sejam protegidos e “colocados na frente e no centro de suas respostas à crise”. 

Para o porta-voz, a luta contra a impunidade e a violência sexual, juntamente com o fortalecimento do monitoramento e denúncia de atos contra os direitos humanos deve continuar sendo uma prioridade.

Vítimas civis

Segundo dados da agência da ONU, entre janeiro e final de junho, foram registrados 934 assassinatos, 684 feridos e 680 sequestros em toda a capital. Durante um período de cinco dias, de 8 a 12 de julho, pelo menos mais 234 pessoas foram mortas ou feridas em violência relacionada a gangues na área de Cité Soleil.

Jeremy Laurance afirma que a maioria das vítimas não estava diretamente envolvida em gangues e foi alvo direto de elementos de gangues. Também foram recebidas novas denúncias de violência sexual.

O Haiti enfrenta uma combinação de crises política, social e humanitária
(Foto: © UNICEF/Georges Harry Rouzier)

Desabastecimento

Segundo relatos, algumas gangues estão recorrendo a táticas extremas para controlar os habitantes locais, como negar acesso a água potável e comida. A avaliação das agências da ONU é que isso resultou na piora da desnutrição na região.

A violência também agravou a escassez de combustível, já que o principal depósito de combustível está localizado em Cité Soleil, e os custos de transporte aumentaram acentuadamente.

De acordo com o Escritório de Direitos Humanos, a situação socioeconômica e o impasse político desencadearam protestos nas ruas. A insegurança deixou muitos moradores impedidos de saírem de casas e levou empresas a fecharem.

Sofrimento diário

De acordo com um relatório divulgado pelo Ocha, em menos de uma semana, pelo menos 2,5 mil pessoas foram forçadas a fugir de suas casas por causa dos combates. Vinte pessoas foram dadas como desaparecidas. 

A agência afirma que com a continuação dos combates, mais pessoas sofrerão e serão forçadas a fugir diariamente, muitas vezes arriscando suas vidas.

Cité Soleil, com uma população de cerca de 300 mil habitantes, é um dos bairros mais pobres da capital haitiana, onde as gangues ganharam mais influência nos últimos anos.

O Ocha afirma que “uma grande proporção da população está presa em Cité Soleil enquanto as gangues tentam exercer sua influência”, acrescentando que “as pessoas em algumas áreas não têm acesso a comida ou água desde 8 de julho”. 

Com a situação, uma criança em cada cinco já sofre de desnutrição grave “uma taxa bem acima dos limites de emergência”.

Fonte: ONU News 

URBANIZAÇÃO ACELERA NO HAITI SEM GERAR RIQUEZA, ALERTA BM

(Arquivo) Foto mostra pessoas caminhando pela rua danificada pelo furacão 
Matthew, em Jérémie, no Haiti, em 7 de outubro de 2016

28/01/2018

A urbanização cresce no Haiti, mas este processo não está acompanhado de crescimento econômico, e as cidades estão cada vez mais ameaçadas por catástrofes naturais, apontou um relatório do Banco Mundial publicado nesta terça-feira (23).

Hoje, 64% dos haitianos vivem nas cidades, contra apenas um terço em 1996. Mas ao contrário da tendência mundial, no Haiti essa urbanização não acompanhou o crescimento da economia: o PIB por habitante caiu de 757 dólares em 1996 para 727 em 2013, destaca o documento.

"Houve um processo de urbanização muito rápido, de em média 5% ao ano, que não foi acompanhado por investimentos em infraestruturas que possam ser adequadas a este crescimento urbano", explicou Sameh Wahba, funcionário do Banco Mundial encarregado do tema de desenvolvimento urbano e territorial.

Um terço dos habitantes das cidades do país não têm acesso a água potável e dois terços precisam de saneamento.

A grande maioria dos que vivem nas cidades têm menos facilidades para acessar o mercado de trabalho do que aqueles que vivem no meio rural.

Três quartos dos haitianos que residem nas zonas urbanas não utilizam diariamente o sistema de transporte, que é caro e pouco funcional, revela o estudo.

O crescimento das cidades aumenta por outro lado a vulnerabilidade do país diante das catástrofes naturais.

"A maioria dos haitianos vive em casas que eles mesmos construíram, sem a supervisão técnica apropriada", detalha o relatório.

Além da ameaça sísmica que afeta 97% do território, o estudo aponta que 58% das zonas edificadas estão submetidas ao risco de inundação.

Frente a esses desafios, o BM preconiza que se concretizem investimentos nos serviços básicos e pede um esforço financeiro que somente poderá ser eficaz em nível local caso seja feita uma descentralização efetiva do sistema fiscal.

Fonte: Yahoo!


PROTESTO CONTRA TRUMP FECHA EMBAIXADA DOS EUA NO HAITI

© AP Photo/ Dieu Nalio Chery

23/01/2018

Protestos contra o presidente Donald Trump fechou a embaixada dos Estados Unidos no Haiti na segunda-feira (22).

Mais de mil manifestantes marcharam em direção à embaixada, mas barricadas instaladas pela polícia impediram a sua chegada. Houve confronto e bombas de gás lacrimogênio foram lançadas em direção à multidão.

Em reunião para tratar da política migratória, Trump questionou os congressistas a razão dos Estados Unidos receberem pessoas de "países de merda" como o Haiti e nações africanas.

Após repercussão, Trump negou ter se expressado nestes termos e disse ser "a pessoa menos racista que você vai entrevistar um dia" para jornalistas. O linguajar do presidente é confirmado por políticos da oposição presentes na reunião.

"O racismo de Donald Trump é a verdadeira face da política de relações exteriores dos Estados Unidos", afirmava um dos cartazes dos manifestantes.



EUA ENCERRAM REGRA QUE PERMITIA RESIDÊNCIA A MILHARES DE HAITIANOS NO PAÍS

© AFP 2017/ Hector Retamal

23/11/2017

O gabinete presidencial de Donald Trump anunciou que não vai renovar o status de proteção temporária (TPS) para mais de 50 mil haitianos com residência legal provisória nos EUA "devido aos notáveis ​​progressos realizados desde o terremoto de 2010 no Haiti".

Anteriormente, o Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS) explicou que a decisão de fazer mudanças na política de imigração em relação ao Haiti foi feita após uma revisão completa das condições atuais do país. Os especialistas dos EUA acreditam que as "condições causadas pelo terremoto de 2010 não existem mais".

"A Secretária interina da Segurança Interna Elaine Duke anunciou sua decisão de encerrar a designação do Estatuto de Proteção Temporária para o Haiti com uma data efetiva de 18 meses para permitir uma transição ordenada antes que a designação termine em 22 de julho de 2019", disse o comunicado do DHS.

Em maio, o Departamento decidiu fornecer uma extensão de seis meses aos refugiados haitianos. De acordo com o DHS, com a recuperação do devastador terremoto de 2010, quase 98% dos campos de pessoas deslocadas no Haiti encerraram as atividades.

Entretanto, autoridades haitianas e vários legisladores renomados dos EUA pediram que os haitianos permaneçam, citando a atual turbulência política e econômica em um dos países mais pobres do Hemisfério Ocidental.

De acordo com meios de comunicação dos EUA, a maioria das pessoas com status TPS chegou aos EUA ilegalmente. Eles evitaram a deportação de acordo com uma lei dos EUA de 1990 que permite que os imigrantes permaneçam legalmente se existir instabilidade existe em seus países de origem como resultado de catástrofes naturais ou conflitos armados.

APÓS SAÍDA DO HAITI, BRASIL PODE ATUAR EM MISSÃO NA ÁFRICA

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, participa da solenidade que marcou o fim das 
operações do Brasil na  Minustah  (Vladimir  Platonow/Agência  Brasil

28/10/2017

Após 13 anos no Haiti, o destino da próxima missão de paz das Forças Armadas Brasileiras pode ser a República Centro Africana. A possibilidade do Brasil integrar a Missão Multi-dimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização na República Centro-Africana (Minusca) foi levantada neste sábado (21) pelo ministro da Defesa, Raul Jungmann.

O ministro participou, no Rio, de evento comemorativo pelo final dos trabalhos dos militares brasileiros na Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), após 13 anos de atuação de 37,5 mil homens e mulheres brasileiros. 

"A República Centro Africana parece como aquele mais provável destino de missão de paz do país. Porém, a decisão final compete ao presidente da República e ao Congresso Nacional. Nós temos o desejo de levar paz, estabilidade e levar os nossos valores", disse Jungmann aos jornalistas, após o evento.

Com 5,2 milhões de habitantes, a República Centro Africana fica no centro do continente e faz fronteira com Chade, Sudão, Congo e Camarões. O país, considerado um dos mais pobres do mundo, enfrenta combates entres grupos guerrilheiros cristãos e o governo muçulmano. 

Ao contrário do Haiti, onde a logística brasileira chegava de navio, o transporte de material para o país africano terá de ser feito via aérea, o que complica a operação e aumenta os custos.

Porém, a participação do Brasil em missões de paz oferece vantagens, como a inserção do país no cenário global das Nações Unidas e o adestramento permanente das tropas brasileiras, conforme comentou o general Ajax Porto Pinheiro, que foi o último comandante da Minustah e atuou como coordenador dos esforços de resgate e reconstrução do país, após o terremoto de 2010.

“O melhor campo de treino para as Forças Armadas é a missão de paz. Ela é o meio termo entre o treinamento no país e uma guerra. Nós aprendemos muito. Os nossos tenentes hoje têm muito mais desenvoltura, sabem conviver nesse ambiente internacional, muito mais que os da minha geração. Outro grande aprendizado é que, em uma missão de paz, a língua não é a nossa. Ou nós aprendemos a nos comunicar em uma outra língua e a conviver com um ambiente que não é o nosso, ou nós não sobrevivemos. Isto os nossos militares hoje sabem fazer, principalmente os mais jovens, que vão continuar no Exército”, disse o general Ajax.

APÓS 13 ANOS DE MISSÃO, BRASIL ENVIA ÚLTIMOS SOLDADOS AO HAITI

Missão de paz do Brasil no Haiti (Eduardo Munoz/Reuters)
31/05/2017

A ONU classificou a missão como um sucesso para as pretensões diplomáticas e militares do Brasil no cenário internacional

Rio de Janeiro – Treze anos depois de os primeiros brasileiros terem embarcado para liderar o braço militar da operação de paz da ONU no Haiti, as Forças Armadas enviam nesta quinta-feira seu último contingente para a missão, considerada um sucesso para as pretensões diplomáticas e militares do Brasil no cenário internacional.

Especialistas consultados pela Agência Efe fizeram um balanço sobre a participação brasileira na Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (Minustah, na sigla em francês), que teve início em junho de 2004, após a renúncia e o exílio do então presidente do país, Jean Bertrand-Aristide, e será encerrada oficialmente em 17 de outubro deste ano, por decisão do Conselho de Segurança da ONU.

À época governado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil assumiu o comando da Minustah como parte da estratégia de política externa “ativa e altiva” promovida pelo então chanceler Celso Amorim.

A ideia era projetar a imagem do país como capaz de se envolver em temas relevantes no plano internacional. Assim, a liderança de uma missão de paz era ideal pelos benefícios políticos e militares gerados em caso de êxito.

O mandato da Minustah, porém, se estendeu além do previsto por diversos fatores. O mais importante deles ocorreu em 2010, quando um forte terremoto destruiu o Haiti e matou mais de 220 mil pessoas.

O perfil da missão também mudou desde 2004. O combate às milícias que atuavam na capital Porto Príncipe deu lugar a um trabalho mais policial nos últimos anos.

Considerando o último contingente de 950 soldados que embarca para o Haiti nesta quinta-feira, o Brasil enviou 37.000 militares à Minustah ao longo dos 13 anos da missão, segundo o Ministério da Defesa.

Do total, a maior parte deles foi disponibilizada pelo Exército (29.627). Marinha e Aeronáutica contribuíram com 6.114 e 317, respectivamente.

A pesquisadora do Instituto Igarapé e especialista em relações internacionais, Adriana Erthal Abdenur, considera a Minustah a missão mais importante nos quase 70 anos de história da participação do país em operações da ONU.

“Foi a de maior duração, a que empregou o maior número de brasileiros e a que apresentou os maiores desafios logísticos e operacionais”, afirmou Adriana em entrevista à Agência Efe.

“A participação na Minsutah dá maior credibilidade ao pleito brasileiro de se tornar um ator mais relevante na segurança internacional, inclusive no seu próprio entorno estratégico. Isso é particularmente importante para a defesa que o Brasil faz com frequência da resolução pacífica de conflitos e da importância do multilateralismo”, analisou.

Para o professor do Instituto de Relações Interacionais da PUC-RJ e pesquisador do German Institute of Global and Area Studies (GIGA), Kai Michael Kenkel, o Brasil mostrou ter capacidades materiais e normativas para contribuir para assuntos centrais que diferem os atores importantes no cenário internacional.

“A determinação se a Minustah foi positiva ou negativa para a imagem do Brasil sempre também foi atrelada ao sucesso da operação e à ausência de escândalos que colocariam o esforço sob outra luz. Como se evitaram manchetes negativas, a participação no Haiti foi um sucesso”, avaliou.

Quem também concorda com o balanço positivo da missão é Marcelo Valença, professor do Instituto de Relações Internacionais da UERJ.

“Foi um exercício de credibilidade e autoridade no plano internacional. Foi a primeira vez que o Brasil assumiu uma missão grande, espinhosa, do começo ao fim. Provamos que temos condições de realizar tarefas como essa”, afirmou.

Fora o reconhecimento internacional, a Minustah gerou diversos benefícios militares ao Brasil. Kenkel ressaltou que as Forças Armadas tiveram a oportunidade de participar de uma missão prestigiosa, ganhando experiência no terreno e usando a capacidade dos soldados para melhorar a situação desastrosa no Haiti.

Já Valença destacou a criação do Centro Conjunto de Operações de Paz em 2010, no Rio de Janeiro, que passou a oferecer uma estrutura de ponta para o treinamento de brasileiros e estrangeiros, além de cursos que integram militares e civis.

“O centro juntou todos os braços das Forças Armadas em um só lugar. É um polo de capacitação. Recebemos franceses, alemães, chilenos, argentinos. Essas pessoas estão vindo para cá tanto para ensinar como para aprender”, explicou.

“O Brasil não só enviou soldados para o Haiti. Levamos trabalho social, saúde, engenharia e preocupação com o bem-estar. Esse é um movimento que a ONU já vem fazendo desde 1990, mas a forma usada pelo Brasil quebrou a separação entre as forças armadas internacionais e a ajuda social”, comentou o professor.

Há também ganhos em termos de influência no plano regional. Segundo Adriana, o Brasil fez gestões diplomáticas desde as negociações sobre o primeiro mandato da Minustah para que houvesse maior participação de países latino-americanos em cargos de chefia e também no número de tropas enviadas ao Haiti.

O movimento da diplomacia brasileira buscava ocupar um “vazio” deixado pela retirada política de atores que tradicionalmente participavam de missões da ONU no Haiti, como os Estados Unidos, o Canadá e a França.

“A liderança brasileira foi explicitamente exercida por meio do comando militar, já que pela primeira vez na história não houve rodízio de nacionalidades do ‘force commander’ de uma missão. Mas também houve, e há, um forte componente político por trás da participação do Brasil como líder regional”, explicou a pesquisadora.

Apesar do consenso sobre o saldo positivo, a Minustah também é alvo de críticas. Ao longo dos últimos anos, questionou-se no Brasil os investimentos feitos pelo governo na missão e o número de soldados do país mortos no Haiti.

De acordo com o Ministério da Defesa, o Brasil investiu R$ 2,55 bilhões na Minustah. A ONU reembolsou o país em R$ 930,9 milhões até o momento, valores que são referentes ao emprego da tropa e não cobrem os gastos relativos ao preparo dos militares.

Quanto às perdas humanas no Haiti, o Ministério da Defesa esclareceu que não houve morte de brasileiros em confrontos armados. No total, 25 militares morreram na missão, 18 deles no terremoto de 2010. Além deles, dois comandantes da missão faleceram no exercício do cargo.

O general José Luiz Jaborandy Júnior, de 57 anos, morreu em setembro de 2015 a bordo de um avião que decolou no Haiti com destino a Manaus. Em janeiro de 2006, o general Urano Teixeira da Matta Bacellar foi encontrado morto no hotel em que estava hospedado em Porto Príncipe. Uma investigação posterior da ONU concluiu que o militar se suicidou.

Adriana ressaltou outro problema frequente em missões de manutenção de paz: a criação de uma “bolha de serviços” para atender à chamada “indústria da assistência”. “Esses espaços produzem não apenas ressentimento entre as populações locais, mas também tendem a nutrir um grau de dependência socioeconômica”, explicou.

“Apesar disso, diria que a Minustah desempenhou um papel importante em evitar um colapso total da sociedade haitiana, possivelmente com reflexos para toda a região”, acrescentou a pesquisadora do Instituto Igarapé.

Outro ponto criticado da missão no Haiti são as 111 denúncias de abuso sexual feitas à ONU entre 2007 e 2017, nenhuma delas contra soldados brasileiros. O Ministério da Defesa afirmou que a conduta dos militares do país é considerada exemplar internacionalmente e que todos recebem instruções específicas sobre o tema antes de participar em operações brasileiras no exterior.

“O fato é que (os abusos sexuais) demoraram a ser reconhecidos como um problema grave para a ONU. No entanto, agora há praticamente um consenso sobre a necessidade de se criar novos mecanismos de prevenção e justiça. É preciso atuar para evitar novos casos, através de treinamento e conscientização, mas também assegurar que quem os comete não ficará impune e que alguma assistência será prestada às vítimas. Isso requer ação não apenas da ONU, mas principalmente dos países que enviam tropas e policiais”, afirmou Adriana.

Fonte: EXAME.com

Mensagem de Natal dos bispos do Haiti: restituir esperança ao país

Cardeal haitiano, bispo de Les Cayes, Dom Chibly Langlois
24/12/2016

Porto Príncipe - Um premente apelo a renunciar à violência em todas as suas formas e os votos de que este Natal seja para todos os haitianos uma fonte inexorável de alegria, paz e amor: é o que expressam os bispos do Haiti na mensagem natalina e para o Ano Novo, difundida ao término da 123ª Assembleia Plenária da Conferência episcopal.

Por muito tempo povo do Haiti foi enganado por seus líderes

Os bispos colocam no centro da mensagem a situação do país caribenho, novamente estas semanas abalado por fortes tensões políticas após o anúncio dos resultados das eleições presidenciais de 20 de novembro passado, e duramente provado pelo recente furacão Matthew.

No documento, os prelados evocam a responsabilidade da classe dirigente: “Por muito tempo o povo do Haiti foi enganado por seus líderes”.

O resultado é um clima de difusa “frustração, pessimismo e desconfiança”, como confirma a ulterior queda de afluência às urnas no último pleito eleitoral, reduzida a 21% dos cidadãos com direito de voto. Uma participação inaceitável para uma sociedade que se quer democrática, afirmam eles.

Restituir esperança e confiança

Daí, o apelo “aos dirigentes a trabalhar para restaurar a confiança da população, que vive com a sensação de ter sido traída, ultrajada e usada. É urgente ouvir o sofrimento das pessoas e tomar decisões políticas e econômicas capazes de restituir a esperança”, acrescentam.

Políticos sejam protagonistas da renovação tão esperada pelos haitianos

Os prelados dirigem-se em particular aos líderes políticos a fim de que coloquem de lado toda e qualquer atitude triunfalista e colaborem para garantir aquela estabilidade política e social da qual a ilha precisa para seu desenvolvimento: “Os participantes das eleições não se considerem perdedores ou vencedores, mas, sobretudo, protagonistas da renovação tão esperada por todos os haitianos”.

A mensagem cita como exemplo encorajador nesse sentido, a grande mobilização nacional em prol das vítimas do furacão Matthew: um exemplo de solidariedade a ser repetido em outras situações.

Povo haitiano tem sede de autêntica renovação

Sofrido por tanto tempo, o povo haitiano “tem sede de uma autêntica renovação em todos os níveis: espiritual, ético, social e político”, reiteram.

Para que isso seja possível é necessário “cultivar a confiança recíproca; redescobrir e promover os valores civis e humanitários da liberdade, da igualdade e da fraternidade; fundar o exercício do poder na busca desinteressada do bem comum; tomar consciência de que todo haitiano é responsável pelo presente e pelo futuro do país e pela salvaguarda do ambiente que é a nossa casa comum”, conclui a mensagem. 

Haiti é o país com mais mortos por catástrofes naturais, aponta ONU



13/10/2016

Devastado por um terrível terremoto em 2010 e por três anos de seca causados pelo fenômeno El Niño antes de ser atingido em 4 de outubro passado pelo furacão Matthew, o Haiti é o país com maior número de mortes (229.699) por catástrofes naturais - segundo a ONU.

De acordo com um estudo das Nações Unidas divulgado nesta quinta-feira (13), isso se dá tanto em termos absolutos quanto em relação ao total da população.

Nos últimos 20 anos, acrescenta o documento, 90% dos óbitos em catástrofes naturais foram registradas em países pobres, ou de renda média.

Os vínculos entre pobreza e catástrofes naturais são "muito claros" no caso do Haiti, explicou o representante especial das Nações Unidas para a Redução dos Riscos de Catástrofe, Robert Glasser, em entrevista coletiva.

"Considero realmente escandaloso e inaceitável que nós, à exceção do Haiti, tenhamos podido ver pela televisão como a tempestade se aproximava, enquanto era impossível avisar a população do lugar com alertas precoces, ou, quando se mandavam alertas precoces, não serviam de nada pela falta de formação da população", lamentou.

Pelo menos 1,35 milhão de pessoas morreram em catástrofes naturais entre 1996 e 2015, diz o estudo, publicado por ocasião do Dia Internacional para a Prevenção de Catástrofes.

O texto, que contabiliza 7.000 catástrofes naturais, mostra que terremotos e tsunamis são os "maiores homicidas", seguidos de perto pelos desastres ligados ao cima, informou a ONU em um comunicado.

"Os países de renda alta registram enormes perdas econômicas com as catástrofes naturais, mas, nos países com baixa renda, as pessoas pagam com a vida."

Ban Ki-moon

Depois do Haiti, os países com maior número de mortes ligadas a catástrofes naturais são Indonésia (182.136 mortos), afetada pelo tsunami de dezembro de 2004 no oceano Índico, e Mianmar (139.515 mortos), varrido pelo ciclone Nargis em maio de 2008.

Na sequência, aparecem China, Índia, Paquistão, Rússia, Sri Lanka, Irã e Venezuela.

Na relação dos 20 países mais afetados também aparecem países ricos como França, Itália, Espanha e Japão.

Fonte: UOL

ONU inaugura novo sistema de abastecimento de água no Haiti

Um dos sete pontos de distribuição de água para residentes de Madame 
Cyr, no Haiti. Foto: Minustah/Frederic Fath

10/09/2016

Projeto foi financiado quase inteiramente pela Missão das Nações Unidas no país, Minustah, e deve atender quase 14 mil pessoas na província central; sistema inclui cerca de 5,5 quilômetros de canos e sete pontos de distribuição de água.

Como parte de seus projetos de rápido impacto, a Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti, Minustah, inaugurou um novo sistema de abastecimento de água na área de Saut d'eau.

A expectativa é de que a estrutura atenda mais de 13,8 mil pessoas, mais da metade mulheres, na província central do país. Cerca de 250 residentes locais também receberam empregos temporários durante a construção do sistema.

Tarefa Grande

Em nota, o chefe de assuntos civis da Minustah, Pierre Ubalijoro, afirmou que "ainda há muito a fazer".

Ele ressaltou que "a tarefa é grande, mas o sistema da ONU continuará a apoiar o governo haitiano e a província Central para fortalecer o sistema de abastecimento de água potável".

Operações de Paz

De acordo com o Departamento da ONU para Operações de Paz, projetos de rápido impacto são aqueles de pequena escala e baixo custo planejados e implementados em um curto espaço de tempo.

A Minustah iniciou esses projetos para apoiar o governo do país na implementação de ações para combater doenças transmitidas pela água, como diarreia, febre tifóide e cólera.

Com um custo de US$ 95 mil, 95% financiado pela Missão da ONU, este último projeto se concentra em Nan Pwa, Madame Cyr e localidades vizinhas.

Aliviar o Fardo

O sistema de água, que inclui cerca de 5,5 quilômetros de canos e sete pontos de distribuição de água, também deve aliviar a fardo da população local de ter que viajar longas distâncias para buscar água potável.

O projeto foi agora entregue à agência nacional haitiana para abastecimento de água e saneamento, que vai cuidar do funcionamento do sistema.

Fonte: Rádio ONU


Luciano Huck visita comunidades no Haiti



05/06/2016

Na última quinta (2) e sexta (3), Luciano Huck postou fotos do Haiti em seu Instagram, ao lado de crianças e de paisagens do local. “Vim para ver e tentar entender o que o Brasil está fazendo aqui”, escreveu ele em texto pra o Jornal O Globo.

Na matéria, ele conta que já passou por favelas de todo o Brasil, porém nunca viu o nível de pobreza e precariedade que vê na comunidade de Cité Soleil: “Depois de tudo o que vi hoje, em Cité Soleil, uma favela com mais de 300 mil habitantes à beira do maravilhoso mar turquesa do Caribe, acho que definitivamente a Humanidade não deu certo. Falhamos.”, escreve.



Ele também conta ao jornal que em meio ao caos do local se sentiu orgulhoso ao ver um grupo de 856 cidadãos brasileiros que se voluntariam para trabalhar ali.

Em uma das fotos do Instagram, Huck diz: “Hoje meu dia foi muito especial. Tive o privilégio de entender de perto um pouco mais sobre o Haiti. Dá vontade de ficar por aqui para tentar ajudar esta gente toda. Nunca vi miséria assim. Ao mesmo tempo um povo super carinhoso e cheio de sorrisos. Parabéns ao Exército Brasileiro pelo belíssimo trabalho que faz por aqui junto a Força de Paz da ONU. Me senti muito honrado em usar este capacete azul das Nações Unidas”.



Não deve demorar muito para descobrirmos o que ele foi gravar: ele  diz que produziu mais de 12 horas de material jornalístico que, em breve, deve passar na televisão.

Fonte: Veja SP

Fome aumenta na América Central e Haiti em meio a seca agravada por El Niño

Na América Latina e no Caribe, cerca de 85 milhões de crianças recebem café da manhã, almoço e lanche em suas escolas diariamente. Refeições escolares são muitas vezes a única refeição regular e nutritiva que uma criança recebe. Foto: PMA/Mike Bloem

17/04/2016

A pedido dos governos, Programa Mundial de Alimentos da ONU ampliará ajuda para tentar alcançar 1,6 milhão de pessoas na Guatemala, Honduras, El Salvador e Haiti. Agência também busca reforçar resiliência contra futuros choques climáticos.

A agência de ajuda alimentar das Nações Unidas ajudará 1,6 milhão de pessoas atingidas por secas exacerbadas pelo fenômeno ‘El Niño’ na Guatemala, Honduras, El Salvador e Haiti, apoiando a capacitação de resiliência contra futuros choques climáticos.

Após visitar El Salvador e Guatemala para ver o impacto do El Niño, um dos mais fortes na última metade do século, a diretora executiva do Programa Mundial de Alimentos da ONU (PMA), Ertharin Cousin, disse que a agência planejava aumentar sua ajuda para os mais vulneráveis nos quatro países até agosto.

“Ao mesmo tempo, trabalhando em estreita colaboração com os governos, estamos colocando a resiliência no centro da nossa resposta mais duradoura”, disse ela na Guatemala. “Temos de trabalhar para garantir que as pessoas vulneráveis não sejam repetidamente empurradas mais profundamente para a fome e possam construir estruturas mais duradouras que sobrevivam a potenciais desastres.”

“O PMA está empenhado em ajudar as pessoas a construir um mundo com Fome Zero”, acrescentou. “A chave para este objetivo global a ser alcançado na América Central e em outros lugares é que as comunidades sejam capazes de se adaptar melhor, garantindo que estejam mais preparadas para choques climáticos e possam se recuperar mais rapidamente.”

Pessoas atingidas pela seca em El Salvador e na Guatemala se beneficiam de programas financeiros, de vouchers e de transferências por meio de telefonia móvel para obter alimentos – incluindo produtos mais diversificados e frescos –, ao mesmo tempo em que as economias locais são beneficiadas. Além disso, o PMA e os seus parceiros oferecem treinamento de nutrição, bem como suporte para reflorestamento, irrigação e comunidades de jardins.

De acordo com avaliações do PMA e dos governos locais, mais de 2 milhões de pessoas na Guatemala, Honduras e El Salvador estão em insegurança alimentar. A maioria são agricultores familiares que colhem uma vez por ano e vivem no chamado ‘Corredor Seco’.

A pedido dos governos, o PMA forneceu ajuda alimentar em 2014 e 2015 para mais de 1,2 milhão de pessoas nos três países.

Nesta semana, a chefe do PMA visita o Haiti para conhecer comunidades vulneráveis que lutam contra o impacto do El Niño. Cerca de 3,6 milhões de pessoas estão em insegurança alimentar no país após três anos de seca severa.

O PMA inicialmente respondeu com a distribuição de alimentos por um período de dois meses para 120 mil pessoas. A agência pretende agora lançar uma operação de emergência para ajudar 1 milhão de pessoas, principalmente por transferências de dinheiro. Mais intervenções nutricionais são planejadas para evitar um aumento da desnutrição aguda.

O PMA precisa de 100 milhões de dólares para ajudar as 1,6 milhão de vítimas da seca até agosto, nos quatro países – Guatemala, Honduras, El Salvador e Haiti.

COP21: COZINHAS SOLARES PARA O HAITI



09/12/2015

O projeto “Cozinhas Solares para Mont-Organisé” de AFNonlus na Conferência mundial sobre o clima de Paris, entre as 100 mil “Italian Energy Stories” de Enel e Fundação Symbola.

O projeto Cozinhas solares para Mont-Organisé (Haiti) «nasceu da necessidade de ajudar o Haiti a enfrentar a crise social e ambiental ligada ao desmatamento, introduzindo cozinhas de energia solar. Estes dispositivos baseiam-se na concentração de energia solar: geram energia térmica da luz do sol que passa através de uma lente.

A energia é armazenada numa ‘bateria’ térmica que pode manter calor por 20 horas, permitindo cozinhar até de noite. Os materiais escolhidos para realizar as cozinhas são sustentáveis e biodegradáveis e o dispositivo, obviamente, não necessita de combustível», explica o relatório realizado em vista da conferência sobre o clima de Paris (30 de novembro – 11 de dezembro de 2015). O relatório é dedicado a uma série de experiências excelentes na transformação italiana da eletricidade para produzir ou otimizar a energia sem emissões. O projeto foi destacado entre as “100 Italian energy stories” de Enel e Fundação Symbola.

O projeto Cozinhas solares para Mont-Organisé (Haiti) foi apresentado no dia 4 de julho na Expo 2015 de Milão pela AFNonlus, em colaboração com o Ente Nacional para o Microcrédito, o Departamento de Economia Agrária da Universidade de Nápoles Federico II, Tesla IA srl e PACNE ONG. Agora chega à Conferência mundial sobre o clima (Cop21) de Paris, onde líderes políticos e especialistas de 190 países estão empenhados em ajustar um programa capaz salvar o planeta.

«O desafio do clima, que de 30 de novembro a 11 de dezembro vê o mundo reunido em Paris para a COP21, não se refere apenas ao ambiente», sublinha o Relatório, «mas é um desafio geopolítico, tecnológico, econômico e social. Um desafio para o futuro, que podemos vencer. O compromisso é assumir com decisão a estrada do green economy, da eficiência e da energia limpa.

Enel e Symbola contam um novo percurso de inovação e de qualidade, de pesquisa e competitividade no estudo de ‘100 Italian Energy Stories’. Um percurso rumo à energia sustentável iniciado no nosso país [Itália] por empresas, agências de pesquisa e associações».

AFNonlus (Associação Ações para Famílias Novas onlus), inspirando-se nos princípios do Movimento dos Focolares, há mais de 30 anos trabalha em 50 países no apoio às famílias e às crianças desfavorecidas, por meio de projetos de cooperação para o desenvolvimento.




Missionária que ajudou a salvar dezenas de crianças da fome é assassinada a tiros no Haiti



18/10/2015

A missionária americana que se tornou uma mãe para crianças órfãs no Haiti e ajudou a salvar dezenas de outros da fome por meio de um programa de nutrição foi violentamente morta a tiros no último sábado (10), enquanto um de seus filhos, que estava viajando com ela foi sequestrado.

A Polícia Nacional do Haiti informou que a missionária Roberta Edwards, de 55 anos, que era afiliada à Igreja de Cristo Estes, em Henderson, Tennessee (EUA) foi baleada em seu carro e uma criança de 4 anos de idade foi raptada, de acordo com a NBC News.

Segundo um comunicado divulgado pela igreja no último domingo (11), testemunhas relataram que “o carro de Roberta foi parado por um outro veículo que intencionalmente bloqueou seu caminho. Pistoleiros armados saíram do veículo e dispararam contra o carro de Roberta, matando assim a missionária”.

A igreja disse que Edwards era administradora e “Mãe” na Casa de Crianças Sonlight, em Porto Príncipe, onde dezenas de crianças receberam a assistência social ao longo dos anos. Ela também dirigiu um centro de nutrição que alimenta 160 crianças, com duas refeições por dia, cinco dias por semana, além de financiar os estudos destas. No dia de sua morte, Edwards estava prestando cuidados a 20 crianças em sua casa.

“Roberta era uma luz para aqueles na comunidade e dedicada a trazer esperança aos desesperados. Ela sabia que trabalhava em um ambiente perigoso, mas havia se comprometido a cuidar das crianças no Haiti, apesar desses riscos”, observou a igreja em sua declaração.

“Roberta recebeu sua recompensa por sua dedicação ao serviço do Senhor no Haiti. Ela fará falta no Haiti para seus filhos, para a comunidade e os amigos. Ela vai fazer falta aqui nos Estados Unidos como um encorajamento e inspiração para todos nós. A nossa intenção é honrar sua memória, continuando a batalha contra Satanás no Haiti e avançando na obra do Reino de Deus”, acrescentou.

Amigo de Edwards, o professor e membro aposentado da Universidade Middle Tennessee State da Igreja de Cristo North Boulevard em Murfreesboro, Bobbie Solley esteve no Haiti em razão de um trabalho missionário, quando Edwards foi assassinada.

“Ela era uma mulher fabulosa… Sua única preocupação eram as crianças do Haiti e os filhos que estavam sob os cuidados dela”, disse Solley ao ‘The Jackson Sun’.

Jesse Robertson, uma ministra da Igreja de Cristo Estes e supervisora de estudos de pós-graduação e extensão em na Universidade Freed Hardeman disse que Edwards recentemente havia comprado uma casa em Henderson e tinha falado sobre aposentadoria, mas ainda não estava pronta.

“Ela tinha falado em se aposentar”, Robertson disse ao ‘The Jackson Sun’. “Mas ela não estava pronta para fazer isso”.

Solley, que voltou do Haiti para os EUA no domingo, disse que ela estava hospedada em uma guest-house, do Ministério Sonlight, como parte de seu trabalho como diretora de desenvolvimento de educação internacional com o projeto ‘Healing Hands International’, uma agência missionária de Nashville (EUA).

Ela disse que passou o sábado à noite com Edwards e que a missionária deixou a guest-house por volta de 20h30. Ela disse que se deitou, mas foi acordada horas mais tarde com a notícia de que sua amiga tinha sido assassinada e um dos três garotos que estavam viajando com ela estava desaparecido.

“Dois dos rapazes ficaram longe dos atiradores e correram para ajudar …”, disse Solley. “Um menino de 4 anos de idade foi levado. Nós não ouvimos uma palavra sobre ele ainda”.

A porta-voz do Departamento de Estado Katy Bondy confirmou a morte de Edwards com a NBC News e disse que as autoridades norte-americanas estavam fornecendo a assistência consular possível à sua família.

“Oferecemos nossas condolências à sua família e entes queridos em sua perda”, disse Bondy em um comunicado. O comunicado não forneceu mais detalhes.



Nadador haitiano compete sem nunca treinar em piscina

Dorsavil é um dos nove atletas do Haiti no Pan  
Foto: Luiz Teles 
18/07/2015

Quando o haitiano Frantz Dorsavil entrou na água da piscina do Complexo Aquático CIBC, pelos Jogos Pan-Americanos, realizava o sonho de nadar numa competição internacional de alto nível. Jamais havia sequer entrado num complexo esportivo tão grande. Em sua prova, os 50m livres, a mais rápida da natação mundial, fez o pior tempo de todos os atletas da competição. Mas os 33s83 em que completou o trajeto, mesmo quase 12 segundos acima do 1º colocado na fase de classificação (21s97, do americano Josh Schneider), representaram para ele uma alegria que jamais havia pensado ter em vida.

"Meu país só tem olhos para o futebol. No máximo, atletismo. Conseguir competir aqui é algo inimaginável. Estar aqui é uma conquista tão grande quanto ir a uma Copa do Mundo", disse o atleta após a prova, onde foi entusiasticamente aplaudido pelo público nos metros finais.

País sem tradição em esportes olímpicos (a última medalha foi em 1928: prata no salto em distância com Silvio Cator), o Haiti, que já tinha os piores índices de desenvolvimento das Américas, foi devastado em janeiro de 2010 por um terremoto de 7 graus na escala Richter.

Os números da ONU sobre a tragédia apontam total de 316 mil mortos, 350 mil feridos e mais de 1,5 milhão de flagelados. A estimativa da entidade é que o país demore até 50 anos para se recuperar. O forte tremor, que destruiu o pouco que a nação já tinha em termos de saneamento básico e estrutura, acabou também com os raros centros esportivos da capital Porto Príncipe.

Na época, a única piscina de dimensões esportivas ainda estava sendo construída e a obra ficou impossível de ser concluída, por conta da óbvia prioridade de recuperar outras instalações de Porto Príncipe. "Nunca treinei lá numa piscina", explica Dorsavil. Todo o trabalho de esportes aquáticos no país é desenvolvido no mar, na 'Marina Antiga', a céu aberto, próximo a um deck onde muitas vezes os atletas dividem espaços com barcos.

O Haiti veio para Toronto com nove atletas, para disputar cinco esportes. São quatro do atletismo, dois no levantamento de peso, um da luta olímpica, um do taekwondo e Dorsavil, na natação. "Estamos reconstruindo nosso esporte. Não é uma tarefa fácil. Viemos aqui com o objetivo de ganhar experiência internacional", explica o assessor de imprensa do Comitê Olímpico Haitiano, Jean Edouard Gilot. "Queremos chegar a pelo menos uma final, no atletismo", completa.

Reconstrução

Sobre a reconstrução do esporte no Haiti, em julho do ano passado, com todo custo de US$ 18 milhões (R$ 57,5 milhões) bancado pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), foi inaugurado em Porto Príncipe o Sport for Hope Centre. O complexo não tem piscina, mas abriga modalidades como futebol, rúgbi, atletismo, vôlei, basquete, handebol, tênis, judô, taekwondo, boxe, karatê, badminton, tênis de mesa e levantamento de peso.

"É preciso refazer uma geração inteira de atletas e os resultados só virão a partir de 2020", avalia Gilot. E ele tem razão ao falar isso. Em 2010, segundo o jornal 'Haiti Libre', 30 pessoas do esporte de alto nível do país, entre atletas e técnicos, morreram no terremoto.

"Hoje, nossos principais atletas não estão no Haiti. Temos muitos em faculdades dos Estados Unidos, e alguns na Europa, a grande maioria, do atletismo", conta a chefe de missão do país no Pan, Marie Monique Andre. Em Londres-2012, a nação levou cinco atletas, em apenas dois esportes: atletismo e judô. Quatro, contudo, nasceram nos EUA. Um deles, Samyr Lane, que estudou em Harvard, no salto-triplo, chegou à final do evento e voltou para casa, de férias, tratado como herói.

Fonte: A Tarde


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