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Furacão Matthew causou cerca de US$ 2 bilhões em danos no Haiti

A passagem do devastador furacão Matthew pelo sul do Haiti, em 4 de outubro, 
causou cerca de US$ 2 bilhões em danos - anunciaram autoridades do país na sexta-feira (28).

31/10/2016

Perdas representam 20% do PIB do país; mais de 175 mil perderam casas.
População reclama de lentidão na distribuição de ajuda humanitária.

Segundo estudos realizados com apoio de instituições financeiras internacionais (Banco Mundial e Banco Interamericano de Desenvolvimento), o montante das perdas foi de 124,8 bilhões de gourdes haitianos, o equivalente a US$ 1,9 bilhão.

A catástrofe, que deixou 546 mortos, segundo o último balanço oficial, debilita a já frágil economia do país mais pobre do Caribe, uma vez que representa mais de 20% do seu Produto Interno Bruto.

Considerada o celeiro do país, a região sul do Haiti foi devastada por rajadas de ventos de mais de 250 km/h e chuvas torrenciais.

O setor agrícola sofreu danos no valor de cerca de US$ 600 milhões, e mais de 175 mil pessoas perderam suas casas, destruições avaliadas igualmente em US$ 600 milhões, segundo economistas.

A urgência para alimentar e dar abrigo a dezenas de milhares de pessoas surge em um momento em que o país está em plena crise política.

O primeiro turno da eleição presidencial de 2015 foi anulado devido a fraudes generalizadas e reprogramado para o último 9 de outubro. A chegada do furacão poucos dias antes obrigou um novo adiamento da votação. Agora, deve acontecer em 20 de novembro, e o segundo, em 29 de janeiro de 2017.

O desafio consiste em encontrar lugares para abrigar as zonas eleitorais, visto que mais de 500 escolas normalmente usadas para as eleições ficaram danificadas, ou totalmente destruídas.

O ministro haitiano da Economia e das Finanças, Yves Romain Bastien, denunciou o uso da ajuda humanitária com fins políticos e eleitoreiros.

"Nós concordamos que estamos em um país polarizado e tivemos um momento difícil, porque as pessoas pensavam em polarizar a ajuda que enviamos para as pessoas carentes, que precisavam de tudo", reconheceu o ministro, acrescentando que as autoridades estavam "tomando todas as medidas para mudar isso".

No entanto, cerca de um mês depois da passagem do furacão, a raiva aumenta entre os afetados, que reclamam da lentidão da chegada da assistência.

Na terça-feira, uma adolescente morreu, e outras três pessoas ficaram feridas, por tiros em Dame-Marie, pequena cidade do sudoeste do país, durante uma distribuição de ajuda humanitária que derivou em incidentes.

Fonte: G1


Haiti é o país com mais mortos por catástrofes naturais, aponta ONU



13/10/2016

Devastado por um terrível terremoto em 2010 e por três anos de seca causados pelo fenômeno El Niño antes de ser atingido em 4 de outubro passado pelo furacão Matthew, o Haiti é o país com maior número de mortes (229.699) por catástrofes naturais - segundo a ONU.

De acordo com um estudo das Nações Unidas divulgado nesta quinta-feira (13), isso se dá tanto em termos absolutos quanto em relação ao total da população.

Nos últimos 20 anos, acrescenta o documento, 90% dos óbitos em catástrofes naturais foram registradas em países pobres, ou de renda média.

Os vínculos entre pobreza e catástrofes naturais são "muito claros" no caso do Haiti, explicou o representante especial das Nações Unidas para a Redução dos Riscos de Catástrofe, Robert Glasser, em entrevista coletiva.

"Considero realmente escandaloso e inaceitável que nós, à exceção do Haiti, tenhamos podido ver pela televisão como a tempestade se aproximava, enquanto era impossível avisar a população do lugar com alertas precoces, ou, quando se mandavam alertas precoces, não serviam de nada pela falta de formação da população", lamentou.

Pelo menos 1,35 milhão de pessoas morreram em catástrofes naturais entre 1996 e 2015, diz o estudo, publicado por ocasião do Dia Internacional para a Prevenção de Catástrofes.

O texto, que contabiliza 7.000 catástrofes naturais, mostra que terremotos e tsunamis são os "maiores homicidas", seguidos de perto pelos desastres ligados ao cima, informou a ONU em um comunicado.

"Os países de renda alta registram enormes perdas econômicas com as catástrofes naturais, mas, nos países com baixa renda, as pessoas pagam com a vida."

Ban Ki-moon

Depois do Haiti, os países com maior número de mortes ligadas a catástrofes naturais são Indonésia (182.136 mortos), afetada pelo tsunami de dezembro de 2004 no oceano Índico, e Mianmar (139.515 mortos), varrido pelo ciclone Nargis em maio de 2008.

Na sequência, aparecem China, Índia, Paquistão, Rússia, Sri Lanka, Irã e Venezuela.

Na relação dos 20 países mais afetados também aparecem países ricos como França, Itália, Espanha e Japão.

Fonte: UOL

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