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Gaza: o sofrimento não acabou


22/10/2025

O frágil cessar-fogo em Gaza, que tem sido repetidamente violado, não põe fim ao sofrimento de 2 milhões de pessoas presas em meio à destruição e ao colapso do sistema de saúde.

Durante mais de dois anos de guerra, mais de 67 mil vidas foram perdidas. A maioria das pessoas teve suas casas reduzidas a escombros. Elas não têm para onde retornar. Vivendo em tendas, crianças e adultos seguem sem acesso regular a água potável, comida ou cuidados médicos.

O sistema de saúde foi devastado. Nenhum hospital está totalmente operacional. A situação é crítica.  Milhares de pacientes precisam ser evacuados com urgência para receber os cuidados de que necessitam. Cuidados que hoje não estão disponíveis em Gaza.  Médicos Sem Fronteiras (MSF) apela ao Brasil e a outros países que acolham esses pacientes.

Mesmo sob condições extremas, os profissionais de MSF seguem trabalhando para atender a centenas de pessoas todos os dias. De outubro de 2023 a setembro de 2025, as equipes do MSF em Gaza realizaram mais de:

• 1,2 milhão de consultas ambulatoriais
• 390 mil atendimentos de emergência
• 29 mil cirurgias
• 88,5 mil consultas de doenças crônicas
• 70 mil sessões de saúde mental

Mas as necessidades da população continuam enormes.


As pessoas em Gaza estão sendo deixadas para sobreviver em meio às ruínas do que antes era seu lar. As equipes permanecem ao lado da população, levando cuidados e apoio onde quase nada mais resta.

Com a ajuda de pessoas solidárias, é possível continuar oferecendo cuidados que salvam vidas em catástrofes humanitárias como a que ocorre em Gaza. 

Mais informações: acesse o site Médicos Sem Fronteiras

GUTERRES LIDERA TRIBUTO DAS NAÇÕES UNIDAS ÀS VÍTIMAS DO TERREMOTO DE 2010 NO HAITIBR


17/01/2020

Cerimônia reuniu funcionários da ONU em Nova Iorque; tremor de 7 graus na escala Richter matou mais de 222 mil pessoas incluindo 102 funcionários das Nações Unidas; lista de boinas-azuis, mortos no sismo, inclui 20 brasileiros que serviam na Missão da ONU, Minustah.

Na abertura da cerimônia em memória das vítimas do terremoto do Haiti, ocorrido há 10 anos, o secretário-geral da ONU lembrou as mais de 222 mil pessoas que perderam suas vidas.  António Guterres prestou solidariedade aos milhares de haitianos que “continuam a sofrer os impactos da tragédia”. 

O tributo reuniu funcionários da organização, embaixadores dos países que apoiavam a Missão da ONU no Haiti, Minustah, que perdeu 102 funcionários, e outros participantes.
   
 Construção do monumento produzido pelo escultor Davide Dormino, com materiais dos escombros 

do Hotel Christopher, sede da Missão da ONU no país na época do terremoto. Foto: ONU/Mark Garten
 Confiança

O chefe da ONU lembrou que “o terremoto ocorreu, quando muitos haitianos estavam começando um novo ano com um senso de otimismo renovado e confiança no futuro de seu país.” Ele acrescentou que “em alguns segundos, essas esperanças se transformaram em pó.”

Em 12 de janeiro de 2010, um tremor de 7 graus de magnitude, deitou por terra o Hotel Christopher, sede da ONU no país caribenho.

Dentre os funcionários da ONU mortos no terremoto estava o vice-chefe da Missão, o brasileiro Luiz Carlos da Costa. Ao todo, 20 brasileiros perderam a vida.

Em seu discurso descreveu como “cidades foram destruídas, centenas de milhares de pessoas foram mortas e milhões de vidas mudadas para sempre.” Ele disse que nunca esquecerá “o choque e a tristeza em todo o mundo e nas Nações Unidas quando a escala da tragédia se tornou clara.”
Operação Humanitária

Nesta sexta-feira, Guterres destacou como “uma operação humanitária sem precedentes salvou vidas nos primeiros dias e semanas, à medida que organizações de ajuda internacional trabalhavam com haitianos e parceiros locais.” Guterres também citou que “o terremoto criou sérias novas ameaças à segurança, à estabilidade e à prosperidade do Haiti” e que a recuperação das muitas feridas físicas, emocionais, sociais e financeiras “desafiaria qualquer nação”.

Segundo ele, “após um dos dias mais sombrios de sua história, o Haiti recorreu à coragem e determinação de seu povo e à assistência de muitos amigos.” Entre os muitos desafios, Guterres disse que “as Nações Unidas lamentam profundamente a perda de vidas e o sofrimento causados ​​pela epidemia de cólera” e citou o “progresso significativo que foi feito para eliminar a doença.”

O secretário-geral adicionou que a ONU está comprometida “com a resolução de casos pendentes de exploração e abuso sexuais.” Para ele, atualmente, “a insegurança e o lento crescimento econômico estão contribuindo para o aumento das tensões sociais e a deterioração da situação humanitária.”

Guterres fez um apelo para que os haitianos “resolvam suas diferenças através do diálogo e resistam a qualquer escalada que possa reverter os ganhos da década passada.” Ele reiterou que “o Escritório Integrado das Nações Unidas no Haiti e as 19 agências, fundos e programas no país continuarão a trabalhar em parceria com o povo haitiano em seu caminho para a recuperação e a prosperidade.”

A capital do Haiti, Porto Príncipe, danificada pelo terremoto de janeiro de 2010. ONU/Marco Dormino
Monumento

Antes da cerimônia, o secretário-geral da ONU, António Guterres, inaugurou o monumento, em inglês “A Breath” em memória dos que perderam a vida no terremoto, localizado nos jardins da ONU.

O monumento veio do Haiti e foi produzido pelo escultor Davide Dormino, com materiais dos escombros do Hotel Christopher, sede da Missão da ONU no país na época.

Em 12 de janeiro de 2010, um tremor de 7 graus de magnitude, matou mais de 222 mil 

pessoas incluindo 102 trabalhadores da ONU. Minustah/Marco Dormino
 Resiliência

Segundo o secretário-geral António Guterres, na última década, “o Haiti se valeu da resiliência do seu povo e do apoio de muitos amigos para vencer este desastre.”

Ele afirmou que o Haiti “está se esforçando para atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, incluindo o reforço das instituições tão cruciais para o bem-estar e para a prosperidade do seu povo.”  

O secretário-geral aproveitou a data para renovar “o compromisso das Nações Unidas em ajudar o Haiti e o seu povo na construção de um futuro melhor.” Ele expressou seus sentimentos a todos que perderam familiares, amigos e entes queridos no terremoto, há 10 anos. 

Fonte: ONU News


DIÁRIO DE BORDO: A FELICIDADE É UM IDIOMA UNIVERSAL

Foto: Acervo pessoal

01/04/2018

A enfermeira Núbia Aguiar fala sobre sua experiência recente junto a MSF em Manica, Moçambique

A missão em Moçambique foi desafiadora porque iniciamos um projeto em uma região onde não havia presença de MSF. MSF está há mais de 30 anos no país, porém, na região de Manica, ainda não tínhamos conseguido contato.

As autoridades foram receptivas e isso facilitou nossa entrada e o início das atividades. Com o passar do tempo e a conquista de confiança, adentramos nas áreas mais isoladas e importantes para nós, por concentrarem grande número da população sem acesso de saúde. Alguns locais não tinham assistência de saúde há mais de um ano. Trabalhamos não somente para conquistar a confiança das autoridades, mas também da população, que estava desconfiada com “aqueles estrangeiros que ofereciam assistência primaria de saúde gratuitamente”. Os moçambicanos são alegres, simpáticos e receptivos, mas viveram dificuldades que não conseguimos imaginar, sendo perfeitamente compreensível a desconfiança.

Nosso trabalho consistia em atender com clínicas móveis as regiões isoladas, mais distantes das unidades de saúde, oferecendo cuidados primários de saúde e assistência à saúde da mulher. O governo não podia reiniciar esse trabalho, então MSF apoiou para que retornassem as áreas isoladas. Logo em seguida, acrescentamos clínicas móveis de MSF de forma a fortificar o trabalho e alcançar mais pessoas. Por sermos uma organização independente, pudemos entrar em “áreas ainda não permitidas”, abrimos as portas para contato entre as unidades de saúde e o hospital com a população isolada, que ainda tinha medo – e o medo era bilateral.

O maior problema de saúde local é a malária. Um grande número de casos continuou surgindo mesmo após a estação de chuvas ter terminado e as crianças são as mais afetadas. Havia também um grande número de mulheres que procurava o serviço para obter métodos contraceptivos orais, mas era pouca a busca por acompanhamento pré-natal e pós-natal. Por isso, trabalhamos fortemente em promoção de saúde insistindo na importância desses cuidados.

História de uma pequena paciente
                                                                                                                                                                   
Uma história entre tantas que vi foi a de uma bebê que chegou a nossa clínica, no fim do dia, quase anoitecendo. A mãe estava com a bebê, acompanhada do pai e de outra criança. Eles caminharam por cerca de uma hora até chegarem a nós. A bebê estava com malária grave, com complicação respiratória e desnutrição aguda. Realizamos os primeiros cuidados e a transferimos para o hospital. Era um local distante e a mãe e a bebê chegaram à noite no hospital, por isso precisamos contar com ajuda da população; um homem levou-os de moto até o hospital.

Nesse dia, nós dormimos no local, em uma barraca, para realizar mais atendimentos no outro dia, pois a demanda era enorme naquela comunidade. Nos acompanhávamos os casos transferidos e pudemos ver a boa evolução dessa bebê. Foi especial porque, particularmente, ela não tinha muita chance de vida pela gravidade do caso, ficou doente muito tempo em casa sem tratamento e, quando a vimos pela primeira vez, havia recebido tratamento com ervas locais e isso agravou o quadro. Mesmo assim, tentamos tudo o possível.

Depois de alguns dias, para minha surpresa, não encontrei a bebê no hospital no período de visita aos pacientes transferidos. Ao perguntar ao funcionário, ele contou que eles haviam ido embora algumas horas antes da minha chegada, mas garantiu após minha insistência que a mãe aceitara continuar o tratamento de desnutrição na unidade de saúde próxima à sua comunidade. Já havia saído do hospital quando fui abordada pela mãe, segurando a bebê já restabelecida. Ela sorria muito e me disse várias coisas no seu idioma. Infelizmente, não tinha ninguém para traduzir, mas para dizer a verdade não precisava. A nossa comunicação foi feita numa linguagem corporal e visual, ambas muito felizes, o mais importante estava visível na nossa frente: a criança viva e saudável.



UGANDA: MAIS DE 900 MIL SUL-SUDANESES PRECISAM DE ASSISTÊNCIA HUMANITÁRIA

Foto: Fabio Basone

19/05/2017

Milhares de refugiados sul-sudaneses chegam ao país toda semana; a falta de água própria para consumo é um dos problemas mais graves

Uganda

 “Eles simplesmente te matam, independentemente de você ser homem, mulher ou criança. Perdi todos os meus irmãos e parentes. A vida aqui é muito difícil. Sem um homem, ninguém te ajuda”. Maria* é uma entre os milhares de refugiados que fugiram para Uganda desde julho de 2016 após a retomada da violência no Sudão do Sul. Mais de 630 mil refugiados chegaram, deste então, a Uganda, e milhares continuam chegando toda semana, levando o número total de refugiados e solicitantes de asilo sul-sudaneses a mais de 900 mil. Hoje, Uganda abriga mais refugiados que qualquer outro país da África. O país aceitou mais pessoas que toda a Europa em 2016.

Ao mesmo tempo em que muitas pessoas que chegam aqui estão em um estado relativamente bom de saúde, muitos têm histórias de violência extrema vividas em seu local de origem ou ao longo de sua jornada. O aumento no influxo de refugiados levou as políticas progressivas de refúgio de Uganda ao limite, sobrecarregando as condições de recepção e a capacidade do governo de responder.

“Apesar da mobilização em larga escala por parte de agentes humanitários, a resposta à emergência ainda está longe do ideal, e muitas pessoas não têm quantidades suficientes de água, alimento e abrigo”, diz Jean-Luc Anglade, coordenador-geral de Médicos Sem Fronteiras (MSF) em Uganda. Muitos refugiados recém-chegados são forçados a dormir embaixo de árvores; os atrasos na distribuição de alimentos e a falta de água potável fizeram alguns refugiados retornarem para o Sudão do Sul. Além disso, apesar de 85% dos recém-chegados serem mulheres e crianças e apesar dos relatos correntes de violência sexual no Sudão do Sul, há pouquíssimas organizações respondendo às necessidades específicas de proteção dessas pessoas. “Enquanto o fluxo de refugiados não mostra nenhum sinal de redução, um esforço contínuo e a longo prazo será necessário para oferecer assistência a essas pessoas nos próximos meses – se não nos próximos anos”, diz Anglade.

Além de suas operações no Sudão do Sul, MSF está respondendo à crise humanitária em Uganda desde julho de 2016, com atividades médicas e de água e saneamento. MSF, atualmente, está trabalhando em quatro assentamentos de refugiados no noroeste do país - em Bidi Bidi, Imbecpi, Palorinya e Rhino – oferecendo cuidados médicos ambulatórias e de internação, cuidados maternos, suporte nutricional, supervisão de saúde comunitária e atividades de água e saneamento. MSF também respondeu a um influxo que chegou a Lamwo, na fronteira com o Sudão do Sul, após ataque em Pajok, Equatória Oriental, mas transferiu suas atividades para outras organizações.  

O acesso a água é um dos maiores desafios nos assentamentos de refugiados, e MSF vem incrementando suas operações de distribuição de água. Em Palorinya, MSF trata uma média de 2 milhões de litros por dia do Rio Nilo, e com isso oferece apoio a mais de 100 mil pessoas. Somente em abril, MSF distribuiu a impressionante quantidade de 51.519.000 litros de água própria para consumo em Palorinya.

“Há uma série interminável de desafios”, diz Casey O’Connor, coordenador de projeto de MSF em Palorinya. “Podemos tratar milhões de litros de água por dia, mas tudo precisa ser transportado e distribuído em assentamentos de refugiados que chegam a ter até 250 quilômetros quadrados de área. Depois das chuvas pesadas, muitas estradas se tornaram intransitáveis. Isso deixa dezenas de milhares de pessoas sem água durante dias, e na estação chuvosa, se as pessoas não conseguirem água limpa, elas vão recorrer à água suja, parada e contaminada. Isso pode mudar radicalmente o estado de saúde da população – de um contexto relativamente saudável para um surto de alguma doença em questão de dias”.

Além de responder ao influxo de refugiados, MSF mantém programas regulares em Uganda, nos quais oferece serviços de saúde sexual e reprodutiva para adolescentes em Kasese; cuidados de HIV/Aids para as comunidades dos lados George e Edward; e serviços de carga viral no hospital regional de Arua.

*Nome alterado por questões de segurança

ONU, governo haitiano e parceiros lançam plano de dois anos para Haiti

Em Jérémie, no Haiti, crianças brincam na Igreja Cristã Nan Lindy. Local abrigou centenas
de pessoas que ficaram sem casa após a passagem do furacão Matthew pelo país caribenho.
País está na lista das 48 nações menos desenvolvidas do mundo. Foto: UNICEF 

21/02/2017

A ONU, o governo do Haiti e parceiros humanitários lançaram na semana passada (7) um plano de dois anos no valor de 291 milhões dólares para alcançar mais de 2,4 milhões de pessoas em necessidade de assistência humanitária e de proteção em todo o país.

“Com mais de 98% dos haitianos expostos a dois ou mais tipos de desastres e mais da metade da sua população vivendo na pobreza, o furacão Matthew demonstrou mais uma vez a capacidade enfraquecida do Haiti de lidar, recuperar e se adaptar aos choques de desastres naturais”, observou o coordenador residente e coordenador humanitário no Haiti, Mourad Wahba.

As intervenções humanitárias vão focar na melhoria do acesso a serviços essenciais para as pessoas afetadas pelo furacão Matthew, pelo cólera e outras doenças, e na ampliação da proteção aos mais vulneráveis.

Ao mesmo tempo, serão implementadas ações para aumentar a resiliência da população e o acesso a soluções duradouras, visando os deslocados do terremoto de 2010, do furacão do ano passado e os repatriados ou voluntariamente retornados da República Dominicana.

Fonte: CEERT

Furacão Matthew causou cerca de US$ 2 bilhões em danos no Haiti

A passagem do devastador furacão Matthew pelo sul do Haiti, em 4 de outubro, 
causou cerca de US$ 2 bilhões em danos - anunciaram autoridades do país na sexta-feira (28).

31/10/2016

Perdas representam 20% do PIB do país; mais de 175 mil perderam casas.
População reclama de lentidão na distribuição de ajuda humanitária.

Segundo estudos realizados com apoio de instituições financeiras internacionais (Banco Mundial e Banco Interamericano de Desenvolvimento), o montante das perdas foi de 124,8 bilhões de gourdes haitianos, o equivalente a US$ 1,9 bilhão.

A catástrofe, que deixou 546 mortos, segundo o último balanço oficial, debilita a já frágil economia do país mais pobre do Caribe, uma vez que representa mais de 20% do seu Produto Interno Bruto.

Considerada o celeiro do país, a região sul do Haiti foi devastada por rajadas de ventos de mais de 250 km/h e chuvas torrenciais.

O setor agrícola sofreu danos no valor de cerca de US$ 600 milhões, e mais de 175 mil pessoas perderam suas casas, destruições avaliadas igualmente em US$ 600 milhões, segundo economistas.

A urgência para alimentar e dar abrigo a dezenas de milhares de pessoas surge em um momento em que o país está em plena crise política.

O primeiro turno da eleição presidencial de 2015 foi anulado devido a fraudes generalizadas e reprogramado para o último 9 de outubro. A chegada do furacão poucos dias antes obrigou um novo adiamento da votação. Agora, deve acontecer em 20 de novembro, e o segundo, em 29 de janeiro de 2017.

O desafio consiste em encontrar lugares para abrigar as zonas eleitorais, visto que mais de 500 escolas normalmente usadas para as eleições ficaram danificadas, ou totalmente destruídas.

O ministro haitiano da Economia e das Finanças, Yves Romain Bastien, denunciou o uso da ajuda humanitária com fins políticos e eleitoreiros.

"Nós concordamos que estamos em um país polarizado e tivemos um momento difícil, porque as pessoas pensavam em polarizar a ajuda que enviamos para as pessoas carentes, que precisavam de tudo", reconheceu o ministro, acrescentando que as autoridades estavam "tomando todas as medidas para mudar isso".

No entanto, cerca de um mês depois da passagem do furacão, a raiva aumenta entre os afetados, que reclamam da lentidão da chegada da assistência.

Na terça-feira, uma adolescente morreu, e outras três pessoas ficaram feridas, por tiros em Dame-Marie, pequena cidade do sudoeste do país, durante uma distribuição de ajuda humanitária que derivou em incidentes.

Fonte: G1


Coronel brasileiro diz que haitianos começam a reconstruir sul do país, mas clima ainda é tenso

Sinais de reconstrução já são vistos em áreas mais atingidas por furacão no Haiti
REUTERS

25/10/2016

Quase 20 dias após a passagem do furacão Matthew, as comunidades do sudoeste do Haiti - uma das regiões mais afetadas - começam a dar os primeiros sinais de recuperação.

Mas a situação ainda é tensa e os comboios de mantimentos precisam de escolta armada em todo o sul do país, segundo afirmou à BBC Brasil o coronel Sebastião Roberto de Oliveira, comandante do batalhão brasileiro da ONU no Haiti.

O furacão Matthew matou cerca de mil pessoas e afetou 1,4 milhão. Centenas de milhares de haitianos perderam suas casas e suas plantações. Agora, as autoridades trabalham para tentar evitar uma epidemia de cólera. Após o terremoto de 2010, a doença trazida supostamente por militares da ONU originários da Ásia deixou mais de 9 mil mortos.

"Nos últimos dias, voltou a fazer sol e com isso já é possível ver as pessoas começando a plantar de novo, consertando os telhados e lavando as roupas", disse Oliveira, após retornar dos vilarejos mais afetados da costa sudoeste do pais para a capital.

Essa região havia sido descrita como "cenário de bombardeio" logo após a passagem do furacão pelo comandante militar das tropas da ONU, Ajax Porto Pinheiro, em entrevista à BBC Brasil.

Muitas vilas ficaram isoladas por dias devido à interdição de estradas por quedas de pontes, barreiras e árvores.

Comboios levam comida para desabrigados em vilarejos costeiros; viagem pode levar 16 horas
MINUSTAH

Segundo Oliveira, forças da ONU compostas por militares do Brasil e do Chile conseguiram reabrir todas as vias danificadas pelo furacão e a ajuda humanitária estaria chegando de forma constante para todas as regiões afetadas.

Porém, os caminhões do Programa Mundial de Alimentos e de diversas organizações não governamentais ainda precisam de proteção armada para não sofrer saques. Comboios que partem sem escolta tem sido saqueados.

Segundo o coronel, apenas em uma ocasião um comboio brasileiro armado teve que usar munição não letal para afastar saqueadores.

"No começo as pessoas estavam muito exaltadas, quase agressivas, mas quando a ajuda humanitária começou a chegar, melhorou a receptividade", disse. Segundo ele, moradores de comunidades mais afastadas estão montando barricadas nas estradas para se proteger de saqueadores, mas a passagem dos veículos da ONU por esses pontos não é ameaçada.

Ajuda humanitária

Militares chilenos e brasileiros protegem carregamentos de comida e suprimentos no sul do Haiti.
MINUSTAH

Em algumas cidades o acesso só é possível de moto ou em caminhões médios.
MINUSTAH

Jude Brice, um dos prefeitos do vilarejo de Paillant, de 30 mil habitantes (no Haiti, muitos municípios têm três prefeitos), disse à BBC Brasil que embora haja comida, muitos moradores tiveram as casas destruídas e padeceram muito nos últimos dias devido às constantes chuvas.

"Os tetos da maioria das casas são feitos de chapas finas de metal. Elas foram arrancadas pelos ventos e agora temos ao menos 2.000 desabrigados só nesta vila", disse ele.

Segundo Oliveira, a maioria dos desabrigados em quase todas as localidades estão alojados em escolas - que são construções mais resistentes.

A ONU espera operar mais uma semana em caráter emergencial e a partir de então começar a promover o retorno gradual das famílias abrigadas em escolas para suas regiões de origem.

Uma das estratégias será retomar as aulas nas escolas o mais rápido possível para que professores ajudem na campanha de conscientização sobre higiene pessoal e consumo de água tratada - para evitar casos de cólera.

Desabrigados foram concentrados em escolas para receber ajuda humanitária.
MINUSTAH
ONU quer que desabrigados comecem a reconstruir suas casas e deixem centros de 
ajuda humanitária de forma gradual. MINUSTAH

Fatalidade

Um sargento brasileiro morreu durante a operação de socorro às regiões mais afetadas no sul do Haiti. Vicente Medeiros teve uma parada cardíaca sem motivo aparente enquanto fazia manutenção em um equipamento.

Ele recebeu os primeiros socorros de três médicos militares e foi removido de helicóptero para um hospital - mas morreu logo após dar entrada. "Ele morreu em uma missão nobre: participando de um esforço de ajuda humanitária", disse o comandante do Batalhão Brasileiro.

Fuga de prisão

Cerca de 150 fugitivos de uma prisão haitiana ainda estão à solta após uma fuga em massa no sábado. O incidente ocorreu na cidade de Arcahaie, na região central do Haiti, longe das áreas afetadas pelo furacão.

Dois guardas e três detentos morreram em uma troca de tiros.

A tarefa de perseguir os fugitivos é da polícia local, mas forças da ONU podem ser acionadas a pedido de autoridades locais.

Fonte: BBC Brasil


Haiti: respondendo à cólera e a outras necessidades médicas

Foto: Andrew McConnell/Panos Pictures

16/10/2016

Equipes de MSF estão presentes em diversas regiões do país para tratar pessoas e prestar apoio a centros de saúde afetados pelo furacão Matthew

Após a passagem do furacão Matthew pelo Haiti, equipes da organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) estão tratando pessoas afetadas pela cólera, por ferimentos e outras condições médicas, e prestando apoio a centros de saúde que ficaram danificados.

Muitas comunidades ao longo da costa do sul do Haiti, bem como o interior do departamento de Grande Anse, foram gravemente afetados pelo furacão. Nestas regiões, o abastecimento de água e o saneamento básico já eram insuficientes, e a oferta de cuidados de saúde já era, muitas vezes, precária e subfinanciada. Os riscos de saúde enfrentados pela população local aumentaram muito após a perda de vidas e a danificação e destruição de casas, instalações de saúde e estradas.

Em Port-à-Piment, no departamento Sul, uma equipe de MSF tratou 87 pacientes de cólera no dia 11 de outubro. Muitos deles vinham de Chardonnière e de Port-à-Piment, onde MSF está estruturando um centro de tratamento de cólera de 150 leitos. A equipe tratou 77 pessoas feridas desde que chegou à cidade.

Em Les Anglais, MSF tratou diversos feridos e 16 pacientes de cólera.

Em Jérémie, em apenas três dias, foram tratados mais de 450 feridos. MSF está apoiando o hospital local Saint Antoine e operando uma clínica móvel na região.

Em Petit Trou, no departamento de Nippes, dois centros médicos locais foram danificados pelo furacão. Até o momento, uma clínica móvel de MSF tratou cerca de 400 pacientes em Petit Trou e outros locais de Nippes. As condições médicas observadas incluem infecções do trato urinário, ferimentos relacionados ao furacão, febre, infecções de pele e diarreia.

Nos departamentos de Artibonite e Noroeste, MSF planeja distribuir tendas, leitos e suprimentos médicos a instalações de saúde que foram danificadas pelo furacão.

MSF também está conduzindo avaliações no sudeste do país e continua sua vigilância epidemiológica no departamento Oeste e na área metropolitana de Porto Príncipe.

Equipes da organização continuam priorizando a chegada a áreas onde as necessidades da população ainda não foram avaliadas e onde não houve oferta de ajuda.

Além disso, MSF mantém diversos projetos na região metropolitana de Porto Príncipe: a unidade de tratamento de queimaduras do hospital de Drouillard; o centro de emergência Martissant 25; o hospital de emergência cirúrgicas Nap Kenbe; o Centro de Referência em Urgências Obstétricas (Cruo, na sigla em francês); a clínica Pran Men’m, para sobreviventes de violência sexual e de gênero; e o centro de tratamento de cólera Figaro, que pode ser ativado em poucas horas. MSF também apoia o centro Diquini de tratamento de cólera.




Atingido por furacão Matthew, Haiti busca ajuda

Furacão arrasou o sul do Haiti (Foto: Nicolas Garcia / AFP / CP)

09/10/2016

A magnitude da devastação que deixou o furacão Matthew no Haiti ficou nítida neste sábado, três dias após a passagem do fenômeno que arrasou o sul do país e deixou centenas de mortos. Enquanto o Matthew ameaçava o litoral dos Estados Unidos, o presidente Barack Obama pediu aos americanos que fizessem doações ao Haiti, onde milhões de pessoas precisam de assistência depois desse último desastre atingir o país mais pobre das Américas.

A passagem do furacão levou ao adiamento das demoradas eleições presidenciais e legislativas previstas para este domingo. Embora Porto Príncipe, capital e principal cidade haitiana, quase não tenha sofrido danos, o sul do país ficou devastado. Imagens aéreas da zona atingida pelo furacão mostram uma paisagem em ruínas, com moradias arrasadas e sem teto, árvores caídas e o solo coberto pelo lodo dos rios inundados.

Herve Fourcand, senador do departamento Sul, disse que vários povoados permanecem ilhadas por inundações e deslizamentos de terra. Jeremie, um município de 30.000 habitantes que ficou inacessível desde a sexta-feira, recebia os visitantes com cenas de desolação, sem energia elétrica pela destruição dos cabos e com as as comunicações interrompidas. Praticamente todas as casas de alumínio foram destruídas e apenas poucas construções de concreto ficaram de pé.

"É como se alguém tivesse um controle remoto e só apertasse o botão do vento para aumentar mais e mais", disse Carmine Luc, uma mulher de 22 anos. "Quando o teto da minha casa voou, me segurei na parede com a mão esquerda e com a direita agarrei com todas as minhas forças o meu filho de três anos, que gritava", contou. Um barco com nove contêineres de comida e medicamentos foi enviado a Dame Marie, no departamento de Grand'Anse, no oeste. "Provavelmente foi o departamento mais duramente atingiu e as condições não permitem o pouso de helicópteros", disse à AFP o ministro do Interior, Francois Anick Joseph. "Fazemos o melhor que podemos para ajudar os afetados", afirmou.

Comboios de ajuda foram enviados por terra, ar e mar a outras zonas atingidas de Grand'Anse, incluindo helicópteros militares que transportaram 50 toneladas de água, comida e medicamentos.

Não ficou nada

Mais ao sul, Les Cayes, o terceiro povoado do Haiti, ficou muito danificado. Em Sous-Roches, um tranquilo bairro em frente à praia, se transformou em um caos de lodo e árvores destruídas. O nível do rio começou a baixar, mas a água ficou revolta pelas inundações do mar. "Pensei que iria morrer. Vi a cara da morte", disse Yolette Cazenor, mulher de 36 anos, parada em frente a uma casa partida em duas por um coqueiro que caiu sobre ela.

Durante 10 horas, as fortes rajadas do Matthew e uma chuva forte arrasaram também os cultivos nos campos da comunidade, o que sugere meses ainda mais difíceis para o país. Mais de 80% dos cultivos se perderam em algumas áreas, de acordo com o escritório de Assuntos Humanitários das Nações Unidas. Cerca de um milhão de pessoas precisam de ajuda urgente, disse a organização humanitária CARE France: "As pessoas não têm nada exceto a roupa que vestem".

As promessas de ajuda se multiplicaram enquanto os Estados Unidos anunciaram o envio de um buque com 300 efetivos especializados em emergências médicas, assistência e reconstrução, além de três helicópteros, que se somarão a a mais 250 homens e nove outros helicópteros já prontos para serem deslocados para o Haiti. O grupo de ajuda humanitária International Relief Teams, com sede na Califórnia, disse ter doado 7 milhões de dólares em materiais médicos, junto com as organizações internacionais MAP International e Hope for Haiti.

A França, por sua vez, anunciou o envio de 32 toneladas de ajuda humanitária e equipe para purificação de água. A Venezuela, que sofre uma grave crise econômica e desabastecimento, enviou três cargas de ajuda e alimentos. Mais um desastre natural devasta o Haiti, que em janeiro de 2010 foi devastado por um terremoto que destruiu grande parte da capital e deixou mais de 250.000 mortos.



Haiti: Comunidade internacional pede apoio financeiro para plano contra cólera

Um sistema de filtragem de água no Haiti sendo demostrado para líderes comunitários. 
Foto: ONU/Logan Abassi

19/09/2016

De acordo com dados epidemiológicos recentes, cerca de 27 mil pessoas foram diagnosticadas com cólera no Haiti entre 1º de janeiro e 27 de agosto de 2016, ou uma média de 788 casos relatados por semana. Os números são maiores que as médias semanais registradas em 2014 (559) e 2015 (693), embora inferiores à média de 6.766 casos por semana reportados em 2011.

Em meio ao forte impacto que a cólera continua gerando sobre a população do Haiti, representantes de organizações internacionais parceiras, incluindo a Organização Mundial da Saúde (OMS), pediram na última sexta-feira (9) apoio financeiro e político para um plano de ação contra a doença lançado recentemente pelo governo haitiano.

O projeto de médio prazo (2016-2018), que visa a melhorar a coordenação entre os parceiros nacionais e internacionais; assegurar uma resposta rápida aos surtos; implementar a vacinação contra a cólera; a cloração da água e assegurar melhorias em saneamento – com foco em áreas vulneráveis à propagação da enfermidade –, precisa de 178 milhões de dólares em investimentos para entrar em ação.

O plano foi apresentado em forma de projeto na semana passada aos representantes da comunidade internacional no Haiti e foi o foco da reunião da Coalizão Regional para a Eliminação da Transmissão da Cólera na Ilha de São Domingos, realizada na sede da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) – representação regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para as Américas – em Washington, Estados Unidos.

Além da OPAS, outros membros e apoiantes do plano incluem o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), a Federação Internacional da Cruz Vermelha e as Sociedades do Crescente Vermelho, o Banco Mundial, os Centros dos EUA para Controle e Prevenção de Doenças, a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional, GHESKIO, entre outras agências bilaterais e organizações não governamentais.

De acordo com dados epidemiológicos recentes, cerca de 27 mil pessoas foram diagnosticadas com cólera no Haiti entre 1º de janeiro e 27 de agosto de 2016, ou uma média de 788 casos relatados por semana. Os números são maiores que as médias semanais registradas em 2014 (559) e 2015 (693), embora inferiores à média de 6.766 casos por semana reportados em 2011.

O número de mortes por cólera relatados, por sua vez, caiu de 3.951 registrados em 2010 para 322 mortes em 2015, e há 242 óbitos até agora em 2016. Isso é parte do declínio na taxa de letalidade de 2,08% em 2010 para 0,9% em 2016, significando melhoria do acesso e qualidade do tratamento.

“O Haiti ainda tem, depois de seis anos de intervenções de cólera, inaceitáveis números de casos em curso”, disse a diretora adjunta da OPAS, Isabella Danel. “Se o número de novos casos não for drasticamente reduzido, a cólera continuará sendo um grande problema de saúde pública para a população do Haiti.”

Plano de ação de médio e longo prazo

O projeto de plano atual segue um plano de curto prazo que foi realizado durante 2012-2015 e é parte de um plano nacional de 10 anos, que se estende até 2022.

O projeto de médio prazo (2016 até 2018) propõe um pacote de intervenções integradas em quatro áreas prioritárias: coordenação de atores nacionais e internacionais; prevenção da cólera; atendimento ao paciente e redução da transmissão da doença.

Na área da prevenção, o plano visa a vacinar cerca de 2,5 milhões de pessoas que vivem em comunidades de alto risco e melhorar o acesso à água potável através de água canalizada ou cloração doméstica.

Outros componentes fundamentais do projeto incluem campanhas de comunicação e mobilização social, a criação de sistemas de saneamento coletivos e individuais para ajudar as comunidades a eliminar a prática da defecação a céu aberto, e medidas para melhorar a água e saneamento em escolas e unidades de saúde. O projeto também prevê aumento do pessoal de saúde e treinamento adequado aos profissionais.

Além de pedir apoio ao projeto de médio prazo, os membros da coalizão enfatizaram a necessidade de investimentos a longo prazo para expansão da água e da infraestrutura de saneamento básico.

A coalizão convidou o governo haitiano, com o apoio de parceiros técnicos e financeiros, a se envolver no Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) seis, que visa a assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todos.

“Essa é a melhor maneira de combater todas as doenças relacionadas à diarreia e impulsionar a economia do país”, disse o representante da OPAS no Haiti, Jean-Luc Poncelet.



Eventos gratuitos promovidos por Médicos Sem Fronteiras conectam Recife com a ajuda humanitária

Foto: Juan Carlos Tomasi/MSF

27/08/2016

Organização humanitária internacional apresenta exposições, filmes, debates e contação de histórias para diversos públicos; abertura oficial terá cinema a céu aberto no Parque Dona Lindu

A partir de 27 de agosto até 11 de setembro, Recife será sede do Conexões MSF, que leva a cidades brasileiras eventos sobre a organização internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) e o tema da ajuda humanitária. Conexões MSF, organizado em colaboração com instituições e empresas locais, inclui exposições, filmes, conversas, passeio ciclístico, além de uma intervenção artística num muro da cidade. As atividades foram distribuídas em diferentes horários e locais para promover uma conexão entre a população do Recife e a ajuda humanitária.

“O objetivo do Conexões MSF é aumentar o conhecimento do público sobre estas crises, o trabalho da organização e o sofrimento enfrentado pelas pessoas atendidas em nossos projetos”, explica a diretora de comunicação de MSF-Brasil, Alessandra Vilas Boas.

A ampla programação foi pensada para diferentes públicos, das crianças a profissionais especializados. Ela inclui, ainda, a pré-seleção de candidatos para trabalhar com MSF em cerca de 70 países. Haverá também um debate entre profissionais de MSF e representantes de instituições locais sobre doenças negligenciadas, como a doença de Chagas.

Uma sessão de cinema a céu aberto no Teatro Luiz Mendonça e na esplanada do Parque Dona Lindu marcará a abertura oficial do Conexões MSF. A exibição do filme Affliction – o Ebola na África Ocidental será seguida de um bate-papo com profissionais de MSF e contará com a mediação do jornalista Francisco José. O evento terá, ainda, a participação dos cordelistas Davi Teixeira e Meca Moreno.

Este e outros quatro documentários – Acesso à Zona de Perigo, Caminhos da Vacina, Fogo nas Veias e MSF (Un)limited serão exibidos nos auditórios Jaime Scherb/UPE, Jorge Lobo/CCS/UFPE e nas unidades Paço da Alfândega e Shopping RioMar da Livraria Cultura, assim como na Fundação Joaquim Nabuco. Algumas das sessões serão seguidas de bate-papos com profissionais experientes nos contextos abordados.

Conexões também é o nome da exposição fotográfica montada na Galeria Janete Costa. As 72 imagens sintetizam o trabalho de MSF, que atende pessoas em meio a conflitos armados, epidemias, desastres naturais ou sem nenhum acesso a cuidados de saúde. Essa ajuda é oferecida exclusivamente com base na necessidade das populações atendidas, sem discriminação de raça, religião ou convicção política, e de forma independente de poderes políticos e econômicos.

Já no Parque da Jaqueira, é possível ver a mostra interativa itinerante Caminhos da Vacina. Por meio de fotos, vídeos, textos e mapas, o visitante conhecerá os desafios para vacinar populações em áreas remotas do mundo. Barreiras que impedem, anualmente, cerca de 22 milhões de crianças com menos de um ano de idade de serem adequadamente imunizadas contra os principais algozes da infância.

Ali no parque e na Vila 7, sessões de contação de histórias prometem despertar a solidariedade nas crianças, abordando temas como refugiados e doença de Chagas de forma lúdica.

Atividade exclusiva para profissionais e estudantes de comunicação, a oficina de jornalismo Ajuda humanitária em pauta – como cobrir conflitos armados, desastres naturais e epidemias discutirá o trabalho de organizações que atuam em meio às piores crises do mundo e dará dicas sobre como fazer as coberturas desses contextos.

O Conexões MSF se propõe, ainda, a levar para cada cidade visitada uma intervenção artística de caráter permanente, para manter viva a lembrança da ajuda humanitária. A partir de relatos de profissionais de MSF sobre suas experiências em diversas situações, artistas convidados representam com sua arte o que interpretam dos textos. No Recife, a realização deste Diário de Arte caberá ao Cores do Amanhã Movimento Social e Cultural. A obra ficará na Rua Barão Rodrigues Mendes, ao lado do Posto de Informações Turísticas no Recife Antigo.

Serviço

O que: Conexões MSF – Recife conectado com a ajuda humanitária, série de eventos gratuitos promovidos pela organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras em colaboração com Avianca Cargo, Cia. Agora Eu Era, Cores do Amanhã Movimento Social e Cultural, Davi Teixeira, Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana, Fundação Joaquim Nabuco, Galeria Janete Costa, J. Sholna Reproduções Gráficas Especiais, Livraria Cultura, Meca Moreno, Parque Dona Lindu, Parque da Jaqueira, Porto Social, Rafa Mattos, Secretaria de Mobilidade e Controle Urbano, Secretaria de Cultura do Recife, Secretaria de Turismo e Lazer, Teatro Luiz Mendonça, Universidade de Pernambuco, Universidade Federal de Pernambuco e Vila 7

Quando: 27 de agosto a 11 de setembro, em diversos horários – ver programação; abertura oficial será marcada por uma sessão de cinema a céu aberto seguida de bate-papo com profissionais de MSF em 28 de agosto, às 19h; as exposições permanecerão mais tempo na cidade – Caminhos da Vacina até 25 de setembro e Conexões até 02 de outubro

Onde: A sessão de cinema a céu aberto será no Teatro Luiz Mendonça e esplanada do Parque Dona Lindu. Demais eventos acontecem na Fundação Joaquim Nabuco, Galeria Janete Costa, Livraria Cultura Paço da Alfândega e Shopping RioMar, Parque da Jaqueira, Recife Antigo do Coração, Universidade de Pernambuco, Universidade Federal de Pernambuco, Vila 7 e Rua Barão Rodrigues Mendes, ao lado do Posto de Informações Turísticas no Recife Antigo
Programação completa disponível em msf.org.br/conexoes

Programação completa disponível em msf.org.br/conexoes


MSF resgata mais de 2 mil pessoas em menos de 36 horas no Mediterrâneo central

Foto: Sara Creta/MSF

28/06/2016

Os navios Bourbon Argos, Dignity I e Aquarius receberam alertas desde a madrugada do dia 23 de junho

Equipes da organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) a bordo dos navios Dignity I, Aquarius e Bourbon Argos resgataram mais de 2 mil pessoas no Mediterrâneo central em menos de 36 horas. O Bourbon Argos iniciou suas operações nas primeiras horas da manhã de quinta-feira (23), e, em poucas horas, resgatou 1.139 pessoas de nove botes e de um pequeno barco de madeira. Poucas horas depois, o Dignity I completou um resgate e mais dois no início desta manhã, somando 639 pessoas. Já o Aquarius completou dois resgates de 257 pessoas, e agora tem cerca de 650 pessoas a bordo depois da chegada de mais resgatados por outra embarcação.

 Foto: Sara Creta/MSF
“O Bourbon Argos recebeu um telefonema do Centro de Coordenação de Busca e Resgate Marítimo em Roma às 3h30 de quinta-feira nos dizendo que vários barcos estavam em perigo. Alguns minutos depois, nossas equipes já avistaram os primeiros barcos no radar e rapidamente enviaram os botes de resgate. Um dos barcos estava vindo na nossa direção, lotado de pessoas em um estado de pânico completo. Elas literalmente pularam para o nosso bote e tivemos de tirar algumas da água. Quando chegaram ao nosso navio, elas começaram a subir para alcançar o convés, completamente assustadas”, relatou Sebastien Stein, coordenador das operações do Bourbon Argos.

Poucas horas depois, as equipes de MSF a bordo do Dignity I e do Aquarius resgataram mais 257 e 639 pessoas cada uma, elevando para 2.028 o número total de pessoas resgatadas no Mediterrâneo em menos de 36 horas. Entre elas, havia muitas mulheres e crianças, sendo a mais nova de não mais do que duas semanas. “Nunca vimos tanta gente espremida no Bourbon Argos”, continuou Stein. “Tivemos alguns momentos dramáticos e assustadores. Foi difícil, mas, felizmente, todos conseguiram subir no navio com segurança.”

Foto: Sara Creta/MSF
O coordenador-geral de MSF na Itália, Tommaso Fabbri, afirmou que, enquanto situações dramáticas como essa se repetem no Mediterrâneo, líderes europeus continuam buscando meios de enviar essas pessoas, e seu sofrimento, de volta aos países de onde saíram. “A decisão tomada há alguns dias de prorrogar o mandato da Operação Sophia* e de treinar guardas costeiros líbios mostra, mais uma vez, como os esforços continuam concentrados na dissuasão e na terceirização do controle fronteiriço para outros países, e não na resposta às necessidades das pessoas. Insistimos em que a única maneira de acabar com as mortes no mar e evitar essa travessia perigosa nas mãos de traficantes é prestar assistência àqueles que necessitam de segurança e de alternativas seguras e legais para chegar à Europa.”

Em 2016, até o momento, mais de 2.800 pessoas morreram ao tentar atravessar o Mediterrâneo para chegar à Europa. São mais mil mortes do que no mesmo período do ano passado. Desde o início das operações de busca e resgate de MSF neste ano, em 21 de abril, equipes a bordo dos navios Dignity I, Bourbon Argos e Aquarius (este em parceria com a organização SOS Mediterranée) resgataram 5.653 pessoas em 44 operações de resgate. Só nos dias 23 e 24 de junho, mais de 2 mil pessoas foram resgatadas (Bourbon Argos, 1.139, Aquarius 257, e Dignity I 639).

*A Operação Sophia, também conhecida como Força Naval da União Europeia para o Mediterrâneo, foi lançada no primeiro semestre de 2015.


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