Mostrando postagens com marcador Haiti - Cooperação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Haiti - Cooperação. Mostrar todas as postagens

BRASIL DOA VACINA ANTIRRÁBICA PARA O HAITI

Marcello Casal Jr./Arquivo/Agência Brasil

08/05/2019

País é um dos mais afetados pela doença

Atendendo a apelo do governo do Haiti, o Brasil doou para aquele país cerca de 7 mil doses de vacina antirrábica humana nesta terça-feira (7). O transporte a Porto Príncipe foi custeado pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), segundo o Itamaraty. A doença afeta quatro países da América Latina e do Caribe –  Guatemala, Haiti, República Dominicana e Bolívia, segundo dados da Opas.

Em 2017, o Brasil já havia doado 15 mil doses da vacina antirrábica para o Haiti.

De acordo com o Ministério da Saúde, as doações brasileiras em ações de cooperação humanitária não privam os brasileiros do direito de acesso a medicamentos, destinados a tais iniciativas apenas quando não há carência no atendimento prioritário a pacientes nacionais.


IMIGRANTES DO HAITI E SENEGAL ENCAMINHAM DEMANDAS AO GOVERNO DO ESTADO

Demandas são relacionadas às áreas de saúde, educação, aprendizagem da língua 
portuguesa e inserção no mercado de trabalho - Foto: Divulgação/SDSTJDH

27/07/2018 

Imigrantes haitianos e senegaleses encaminharam demandas ao governo do Estado, nesta quinta-feira (26), para buscar melhor acolhimento e integração no Rio Grande do Sul. As reivindicações, entregues na Secretaria de Desenvolvimento Social, Trabalho, Justiça e Direitos Humanos (SDSTJDH), são relacionadas às áreas de saúde, educação, aprendizagem da língua portuguesa e inserção no mercado de trabalho.

Conforme a diretora do Departamento de Direitos Humanos e Cidadania da SDSTJDH, Maria da Graça Paiva, uma reunião mais ampla ocorrerá nos próximos dias, com a participação de representantes da Fecomércio, FGTAS, Delegacia do Trabalho, Sebrae-RS e Procon-RS, onde as questões de empregabilidade e empreendedorismo serão tratadas. 

Participaram do encontro Nandie Saint-Paul, do grupo de imigrantes da Lomba do Pinheiro; James Derson Chadle, da Associação de Integração Social dos Imigrantes; o padre Gustot Lucien, do Centro ítalo Brasileiro de Assistência e Instrução as Migrações; a coordenadora de Igualdade Étnico Racial da SDSTJDH, Tânia Neves de Paula; a assessora Márcia Sigal e os estagiários do departamento, Andrews Rudyard e Ana Júlia Guilherme.

Texto: Ascom SDSTJDH
Edição: Gonçalo Valduga/Secom


DELEGAÇÃO DO HAITI VISITA BAHIA PARA CONHECER POLÍTICAS PÚBLICAS DE SAÚDE

Delegação do Haiti visita Bahia para conhecer políticas públicas de saúde 
(Foto: Divulgação)

15/12/2017

Uma delegação do Haiti está na Bahia para conhecer políticas e experiências da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) na prevenção e assistência às doenças não transmissíveis, a exemplo de diabetes. A agenda dos representantes do país teve início na manhã desta segunda-feira (11), em um encontro com o secretário da Saúde do Estado, Fábio Vilas-Boas, que destacou o modelo dos consórcios para regionalização da assistência. "Conseguimos oferecer até 18 especialidades médicas nas policlínicas. 

A ideia também é que em cada uma delas funcione um 'mini-Cedeba' [Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia], fazendo com que o tratamento das diabetes seja mais eficiente", pontuou Vilas-Boas. 

O secretário ainda explicou o funcionamento do sistema público do país, no qual cada nível de governo tem responsabilidades na saúde, pontuando, por exemplo, que os governos estaduais têm que investir pelo menos 12% do orçamento na área. 

Integram a delegação a diretora da Promoção da Saúde e Proteção do Meio Ambiente, Jocelyne Pierre Louis; representante do gabinete da ministra da Saúde, Maurice Daguilh; a responsável pela formação dos Residentes de Cirurgia, Tamara Georges Descastro; a diretora da Fundação Haitiana de Diabetes de Doenças Cardiovasculares, Nancy Charles Larco, e os consultores da Fundação, Stanley Jeromec e Lucile Chaves.



TECNOLOGIA MINEIRA AJUDA A GERAR ENERGIA NO HAITI

Arquivo/Warka Water

01/08/2017

Por: Metro BH

Com mais de 80% da população vivendo com menos de US$ 2 por dia e assolado por um terremoto que destruiu as já precárias cidades em 2011, o Haiti é o país mais pobre da América Latina. Energia elétrica e água limpa são uma realidade distante para quem vive nessas condições. Sem isso, não se tem o básico. Para melhorar o cenário de comunidades carentes da região, uma tecnologia desenvolvida em Belo Horizonte promete levar eletricidade a um baixo custo para centenas de famílias.

Além de soluções de iluminação, os painéis solares têm capacidade para energizar computadores, geladeiras para remédios, projetos usados nas salas de aula e até mesmo equipamentos de transmissão wi-fi. “Estamos desenvolvendo algo que poderá mudar a forma como geramos e percebemos a energia num futuro muito próximo. Estamos falando de um novo conceito: energia limpa, com potencial de baixíssimo custo e que pode ser integrada a praticamente tudo. O potencial é imensurável”, explicou Tiago Alves, CEO da empresa responsável pela tecnologia.
Parceria italiana

Os equipamentos serão levados para o Haiti com recursos de doações realizadas pela internet. A iniciativa ocorre através de uma parceria com o projeto italiano Warka Water, que leva água potável para regiões desertas e carentes, como alguns países da África. Com uma doação da empresa mineira, a ONG organizou um workshop no último mês, convocando voluntários para ajudar na implantação dos painéis solares.

“O Warka Water não só provê um recurso fundamental para a vida, a água, mas, levando também energia, educação e um lugar de convívio social. Nós acreditamos que ele possa ser um ponto de partida para empoderar comunidades e ajudá-las a construir maior independência”, contou seu criador, Arturo Vittori.

O equipamento se constitui por uma torre feita com bambu ou outro material de fácil acesso na região em que for montado, que capta o vapor d’água atmosférico e o torna próprio para o consumo. E hoje ele se reinventou com uma inovação mineira: os painéis solares orgânicos.

A produção do Warka Water é de baixo custo e montado em 10 dias, com a ajuda da comunidade – os grupos recebem treinamento de como usá-lo e noções básicas de educação ambiental e compostagem. Além da usina solar, os beneficiados no Haiti ainda vão receber um ponto de Wi-Fi na torre, levando energia e inclusão digital para lugares onde isso ainda é uma raridade.

ONU SE PRONUNCIA SOBRE O TÉRMINO DA MISSÃO NO HAITI

Foto: BRABAT / EB

01/04/2017

No dia 17 de março, ocorreu, na Log Base, uma reunião com a Sra Sandra Honoré, Representante Especial do Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas e Chefe da Missão das Nações Unidas para a estabilização no Haiti (MINUSTAH – sigla em francês), cujo tema principal foi a resolução da ONU sobre o término da missão.

Foi ressaltado, pela Sra Sandra Honoré, que o país está passando por um progresso lento em relação aos direitos humanos e por um período delicado de transição política.

Outro aspecto mencionado é que o fim da missão ocasionará grandes impactos a todos os envolvidos com a MINUSTAH, principalmente os profissionais haitianos.

Outros tópicos abordados foram a extensão da missão por mais seis meses, com término previsto para 15 de outubro e uma diminuição escalonada do componente militar até essa data; a redução do componente policial de 951 para 295 policiais; e a diminuição também do componente civil de maneira progressiva.

Além do Force Commander do Componente Militar no Haiti, General de Divisão Ajax Porto Pinheiro, também esteve presente na reunião o Comandante do Batalhão Brasileiro de Infantaria de Força de Paz (BRABAT), os Comandantes dos contingentes militares de outros países, integrantes da Polícia das Nações Unidas (UNPOL) e representantes civis da MINUSTAH.

Fonte: Defesanet

ONU, governo haitiano e parceiros lançam plano de dois anos para Haiti

Em Jérémie, no Haiti, crianças brincam na Igreja Cristã Nan Lindy. Local abrigou centenas
de pessoas que ficaram sem casa após a passagem do furacão Matthew pelo país caribenho.
País está na lista das 48 nações menos desenvolvidas do mundo. Foto: UNICEF 

21/02/2017

A ONU, o governo do Haiti e parceiros humanitários lançaram na semana passada (7) um plano de dois anos no valor de 291 milhões dólares para alcançar mais de 2,4 milhões de pessoas em necessidade de assistência humanitária e de proteção em todo o país.

“Com mais de 98% dos haitianos expostos a dois ou mais tipos de desastres e mais da metade da sua população vivendo na pobreza, o furacão Matthew demonstrou mais uma vez a capacidade enfraquecida do Haiti de lidar, recuperar e se adaptar aos choques de desastres naturais”, observou o coordenador residente e coordenador humanitário no Haiti, Mourad Wahba.

As intervenções humanitárias vão focar na melhoria do acesso a serviços essenciais para as pessoas afetadas pelo furacão Matthew, pelo cólera e outras doenças, e na ampliação da proteção aos mais vulneráveis.

Ao mesmo tempo, serão implementadas ações para aumentar a resiliência da população e o acesso a soluções duradouras, visando os deslocados do terremoto de 2010, do furacão do ano passado e os repatriados ou voluntariamente retornados da República Dominicana.

Fonte: CEERT

Brasil e ONU desenvolverão centro de capacitação profissional no Haiti

Parceria entre PNUD, organizações brasileiras e governo haitiano vai capacitar 
mão de obra do país caribenho. Foto: Banco Mundial / Romel Simon

30/12/2016

Para reduzir o déficit de mão de obra qualificada no Haiti e gerar empregos, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a Agência Brasileira de Cooperação (ABC), o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e instituições haitianas vão construir um centro de formação profissional no país.

Licitação para escolher construtoras e fornecedoras de equipamentos começará em 2017. Previsão é de que cursos de capacitação comecem em 2018.

O Haiti é um dos países mais pobres do mundo e apresenta um índice de desenvolvimento humano (IDH) baixíssimo — 0,483. O Produto Interno Bruto (PIB) da nação caribenha é estimado em cerca de 9 bilhões de dólares, valor que é aproximadamente 250 vezes menor que o PIB brasileiro e 1,8 mil vezes menor que o norte-americano.

Um déficit de mão de obra qualificada provoca desemprego generalizado, deixando em risco a população haitiana de 10,4 milhões de habitantes.

Para reverter esse cenário e ajudar o país a crescer, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a Agência Brasileira de Cooperação (ABC), o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e instituições haitianas deram início à concepção de um centro de formação profissional. O local receberá um investimento total de 17 milhões de dólares.

O objetivo da iniciativa é formar jovens profissionais nas áreas estratégicas para o desenvolvimento econômico do Haiti. “Vamos identificar quais setores da economia haitiana necessitam de profissionais qualificados e capacitar esses profissionais por meio do Centro de Formação Profissional. A ideia é que ele já saia do Centro de Formação e vá direto para o mercado de trabalho”, explica o analista de programa PNUD, Joaquim Fernandes.

A proposta do SENAI é que os cursos de capacitação englobem as áreas de engenharia civil, costura, eletricidade predial, carpintaria, operação turística e mecânica de automóveis e motocicletas. Entretanto, os organizadores do projeto ainda se reunirão com o governo haitiano para definir quais serão as formações mais interessantes para o país de acordo com a realidade local.

O programa tem previsão de três anos e meio de duração, ao longo dos quais os haitianos deverão assumir gradualmente a gestão do centro. A expectativa é de que o projeto beneficie cerca de 3 mil estudantes com idade entre 16 e 25 anos.

“Esse modelo brasileiro é inovador. Não se trata somente de formação profissional, mas também de inserção profissional, em uma parceria forte com o setor privado. Aspiramos que esse centro de formação possa gerar oportunidades de acesso ao mercado de trabalho para milhares de haitianos, contribuindo, assim, para a geração de renda e a dinamização da economia do Haiti”, afirmou o representante do PNUD e também coordenador-residente das Nações Unidas no Brasil, Niky Fabiancic.

No Haiti, os organismos responsáveis pela cooperação são o Ministério de Educação e Formação Profissional e o Instituto Nacional de Formação Profissional (INFP). O acordo que oficializou a parceria foi assinado em novembro, em Brasília. Para dar início ao projeto, uma comitiva do país caribenho esteve no Rio Grande do Sul para conhecer a estrutura e as metodologias de ensino utilizadas pelo SENAI.

“O que mais me chamou a atenção no Rio Grande do Sul foi a parceria entre o SENAI e o setor produtivo, que promove uma complementariedade entre a educação na escola, o setor produtivo e a sociedade civil”, destacou o secretário de Estado para a Formação Profissional do Haiti, Jean David Geneste.

No fim de janeiro, o Brasil pretende realizar uma missão ao Haiti, para avaliar um terreno em Les Cays, no sul, e verificar a viabilidade de construção do centro no local. “2017 será o ano de licitação da construção e dos equipamentos do Centro de Formação e, em 2018, a obra deverá estar concluída com equipamentos instalados e devemos colocar os cursos em funcionamento com apoio do SENAI, INFP e ABC”, explica Fernandes.

O governo brasileiro, com apoio do SENAI, já apoiou a implantação de oito centros de formação profissional no exterior — em Angola, Cabo Verde, Guatemala, Guiné-Bissau, Jamaica, Paraguai, São Tomé e Príncipe, Timor Leste. O Brasil também ajudou o Peru na criação de um centro de tecnologia ambiental.

“É um trabalho que tem dado grandes frutos. Em diversos países em que o SENAI vem atuando, as informações que recebemos apontam que os resultados têm sido positivos. Ficamos honrados com o reconhecimento das Nações Unidas de que o SENAI é um dos principais atores da cooperação Sul-Sul”, diz o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade.

Fonte: Nações Unidas no Brasil

Presidente do Haiti alerta para emergência alimentar no país

O Furacão Matthew provocou a morte de 546 pessoas no Haiti e grande destruição - AP

15/11/2016

Roma (RV) – A comunidade internacional não está cumprindo o seu compromisso em favor da reconstrução do Haiti. A denúncia é do Presidente interino, Jocelerme Privert, que em uma entrevista à BBC, falou das perdas devastadoras provocadas pelo Furacão Matthew.

Os danos provocados pela passagem do furacão, em 4 de outubro, correspondem ao PIB do Haiti. O Presidente falou à BBC nos dias passados, denunciando uma crise alimentar sem precedentes e o aumento da taxa de desnutrição. Ele fez um premente apelo para uma rápida intervenção da comunidade internacional, pois aquilo que foi feito até agora “não é o suficiente”.

O furacão,  elevado à Categoria 4, devastou grande parte do Haiti, atingindo mais de dois milhões de pessoas. O governo estima que 1,5 milhões de haitianos têm necessidade de assistência imediata, entre eles, os mais de 140 mil que vivem em abrigos temporários.

Sem um aporte econômico imediato que apoie a retomada da agricultura – explica ainda Privert – a situação somente irá piorar. O risco é que em três ou quatro meses nos encontraremos em uma grave crise alimentar.

Assiste-se a uma propagação da fome, denunciam também as organizações não governamentais que trabalham no país. O Haiti, antes da devastação provocada pelo furacão, já enfrentava três anos de seca, ou seja, já era marcado por altos níveis de desnutrição.

Federico Palmas,  responsável por uma das ONGs que atua no país (GVC Itália), falou aos microfones da Rádio Vaticano:

“Infelizmente, este tufão chegou com uma pontualidade terrível em relação ao calendário agrícola: dizimou praticamente toda a segunda colheita anual, de uma população que vive principalmente da agricultura de subsistência, sobretudo naquelas áreas. Penso que nos Departamentos de Grand-Anse, do Sul, e de Nippes - que são as três mais atingidas pelos ventos de mais de 100 km horários – o furacão tenha destruído até 80% das colheitas. Isto leva a uma situação em que 1 milhão e meio de pessoas estão em situação de fome neste momento. E estarão assim nos próximos meses, porque além do impacto imediato, danificou também aquilo que deveria ser colhido, destinado ao suprimento das necessidades alimentares para toda a seguinte estação seca”.

RV: Falando em termos econômicos, de quanto teria necessidade atualmente o Haiti para reconstruir aquilo que o Matthew destruiu?

“Para reconstruir tudo aquilo que o Matthew destruiu, provavelmente será necessário mais, no entanto, as estimativas para as operações de life-saving para os próximos três meses, fala-se de 120 milhões de dólares. Destes, cerca de 70 são necessários para resolver o problema alimentar, da segurança alimentar e da nutrição em geral. Claramente, a segunda emergência é aquela relativa à disponibilidade de água para o consumo humano e para conter os possíveis focos do cólera, assim como de toda uma série de outras doenças ligadas à contaminação da água”.


Governo brasileiro anuncia envio de dez toneladas de donativos ao Haiti

Pessoas se reúnem à beira-mar em local atingido pelo furacão Matthew em Jeremie, 
no Haiti (Foto: Carlos Garcia Rawlins/Reuters)

13/10/2016

Serão enviados alimentos, materiais de higiene pessoal e material escolar.
País foi atingido pelo furacão Matthew, que deixou pelo menos 473 mortos.

O Ministério da Defesa informou nesta quinta-feira (13) que enviará na próxima semana cerca de dez toneladas de donativos para ajudar as vítimas do furacão Matthew no Haiti. Segundo a pasta, os donativos foram arrecados pela Rede de Solidariedade ao Haiti. O ministério informou ainda que destacou 64 militares para levar os donativos ao país caribenho.

O furacão Matthew deixou pelo menos 473 mortos durante sua passagem pelo Haiti na semana passada, segundo um balanço provisório oficial, divulgado pela Defesa Civil haitiana.

O furacão é o mais forte a atingir o Caribe desde 2007, e foi justamente no Haiti que o Matthew causou mais destruição. O país mais pobre das Américas foi devastado por um terremoto em 2010 e até hoje ainda não se recuperou completamente.

De acordo com a Defesa, serão enviados ao Haiti alimentos, material de limpeza, de higiene pessoal, material escolar, roupas e outros itens de primeira necessidade.

"A iniciativa de arrecadação começou em abril para ser entregue no fim do ano, entretanto, em virtude da ocorrência do furacão, o Ministério da Defesa está envidando todos os esforços para antecipar o envio dos donativos utilizando-se de aeronaves da Força Aérea em voos de apoio logístico programados", informou o ministério.

Nesta quarta, o governo brasileiro havia anunciado o envio de 75 barracas, com área útil de 25 metros quadrados cada, para abrigar as vítimas do furacão. O envio das barracas deve ser feito nesta sexta (14).

Desastre

De acordo com autoridades haitianas, mais de de 1,4 milhão de pessoas necessitam de uma ajuda rápida no país.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, fez um apelo para que a comunidade internacional mostre solidariedade e trabalhe junta em uma resposta efetiva a esta emergência.

O mais forte furacão a atingir o Caribe desde 2007 destruiu reservas de comida, plantações e colheitas, segundo a France Presse. Alguns povoados e cidades foram dizimados.

Medo do cólera

Como é comum após os desastres naturais, a Organização Mundial de Saúde (OMS) teme o aumento no número de casos de cólera. Depois do terremoto de 2010, o país enfrentou a pior epidemia da doença na história mundial: foram registrados mais de 500 casos de contágio semanais e 10 mil pessoas morreram em decorrência de cólera.

No entanto, até o momento o representante da Organização Mundial de Saúde (OMS) no Haiti, Jean-Luc Poncelet, afirmou que há registros de dezenas de casos, mas que o número de ainda é considerado “baixo”.

Enquanto um grupo ainda tenta realizar uma avaliação precisa da situação de saúde dos haitianos, espera-se a chegada de mais provisões que sejam rapidamente distribuídas. "As pessoas estão muito ansiosas. Não tem vindo nenhum tipo de ajuda sistemática nos últimos dias", acrescentou Poncelet.




Fonte: G1 Mundo


Sotaque haitiano em salas de aula de Porto Alegre

Loudjina e Ariolanda em sala de aula ajudam os colegas a encontrar seu país no mapa
Foto: Carlos Macedo / Agencia RBS

17/05/2015

Quatro alunas vindas do Haiti estão se alfabetizando em escola municipal na Zona Norte da Capital

Por Jeniffer Gularte

Enquanto conduz a aula de Geografia, a professora Jaqueline Radaelli desafia os alunos a apontarem no mapa a localização do Haiti. A nação caribenha, devastada por um terremoto em 2010, está mais presente do que nunca na vida dos alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Décio Martins Costa, do Bairro Sarandi, Zona Norte da Capital. 

Na turma do quarto ano, após os coleguinhas terem dificuldade em encontrar a ilha da América Central, Ariolanda Alexandre e Loudjina Saola Mytile, ambas com dez anos, são convidadas a apontar a localização do seu país de origem. Os olhos se surpreendem com o caminho que elas e outras duas alunas da escola percorreram para chegar até Porto Alegre. Agora, o objetivo do aprendizado é diminuir cada vez mais estas distâncias. 

Construindo uma vida nova a 5,8 mil km do país de origem, Ariolanda, Loudjina, Johnica Gabriel, nove anos e Midasendji Jeune, sete anos, _ as duas últimas alunas do terceiro ano _ trazem um desafio novo para as salas de aulas da Décio Martins. As meninas falam crioulo, língua baseada no francês mas com influências do inglês, espanhol e línguas africanas, e estão sendo alfabetizadas em português. 

Língua é o maior desafio

Na escola desde outubro do ano passado, Johnica e Midasendji têm mais facilidade no português. Loudjina e Ariolanda, que chegaram à escola neste ano, ainda enfrentam dificuldade com a língua e ganham atividades específicas conforme o conteúdo dado em sala de aula. Loudjina, inclusive, foi alfabetizada em francês. Embora não entendam o significado de todas as palavras ditas em sala de aula, as professoras consideram importante elas participarem das mesmas atividades, mesmo que adaptadas. 

Espertas, todas demonstram que já tinham frequência escolar no Haiti. Na Matemática, a dificuldade é menor devido à familiaridade com os números. Para apoiá-las em sala de aula, cada uma senta ao lado de "ajudantes", coleguinhas mais atentos à aula e ao conteúdo, sempre aptos a dar um auxílio imediato. 

Andriele Rodrigues, nove anos, é ajudante da Ariolanda. Ela conta que, entre outras coisas, ajuda a menina a identificar o som de letras nas palavras.  


Da esquerda pra direita as meninas haitianas: Johnica Gabriel , 9 anos, Loudjina 
Saola Mytile, 10 anos, Midasendji Jeune, 7 anos e Ariolanda Alexandre, 10 anos
Foto: Carlos Macedo/Agência RBS

Atendimento especial para alfabetização

Além de terem aula regular, à tarde, os alunos haitianos, uma vez por semana, pela manhã, fazem aulas de reforço em laboratório, para o desenvolvimento da linguagem oral e da escrita em língua portuguesa.

– A gente faz um atendimento diferenciado. Trabalho com jogos e com coisas lúdicas. Elas já estão fazendo a relação sonora, é muito recompensador ver a evolução delas – conta a professora do laboratório de aprendizagem, Jussara Bernardi. 

O quarteto também participa de oficinas de projeto ambiental e música. O objetivo desta rotina, segundo o diretor Getúlio Fagundes, é mantê-las o maior tempo possível dentro da escola, convivendo com professores e alunos brasileiros. 

– A gente percebe que elas são participativas. Seus pais vêm na escola quando a gente chama – comenta. 

O que mais gosta no Brasil? A escola!

Das quatro haitianas, Johnica é a que melhor se comunica com colegas e professores. Ao DG, confessou que quer ser professora e que não pensa em voltar para seu país. O fascínio pela escola é tanto que, ao ser questionada sobre o que mais gosta no Brasil, disparou, sem pensar muito:

– A escola e as professoras. 

Ela chegou à Escola Décio Martins em outubro do ano passado. Segundo a professora Maria Carolina Colombo dos Santos, Johnica já reconhece o som das letras, mas ainda precisa enriquecer o vocabulário, pois tem dificuldade em relacionar o nome às coisas.

– Ano passado, quando ela chegou, ficava agarrada no meu braço, literalmente. Parecia que, com isso, iria conseguir aprender mais rápido. Hoje, alcança tudo que propomos, é carinhosa e me procura em sala de aula – diz a profe. 

É Johnica que auxilia professora na tradução durante as aulas do laboratório. Até o momento, ela simboliza o avanço possível no resto do grupo. Ao chegar na escola, não falava uma palavra em português e começou a aprender do básico: desde o nome do material escolar até como dizer "presente" na hora da chamada. 

– Elas precisam de um olhar diferente, paciência e carinho – considera Maria Carolina. 

Há pelo menos 22 haitianos nas escolas municipais

Dados de um levantamento preliminar da Secretaria Municipal de Educação (Smed) apontam que atualmente existem 22 haitianos matriculados nas escolas da rede municipal da Capital, incluindo a Educação de Jovens e Adultos (EJA). 

Um estudo mais preciso da Smed deve apontar o número total de estrangeiros nas escolas municipais. Por enquanto, há conhecimento de cerca de 50 estrangeiros matriculados, vindos também do Uruguai, Argentina, Peru e Afeganistão.

AS HAITIANAS

Johnica Gabriel, nove anos, no Brasil desde setembro de 2014
Midasendji Jeune, sete anos, no Brasil desde setembro de 2014
Loudjina Saola Mytile, dez anos, no Brasil desde março de 2015
Ariolanda Alexandre, dez anos, no Brasil desde dezembro de 2014

Fonte: 

China pede na ONU mais apoio internacional ao Haiti

20/03/2015

Por Xinhua

      A China pediu na quarta-feira na Organização das Nações Unidas (ONU) que a comunidade internacional dê apoio às eleições do Haiti e cumpra seus compromissos referentes à assistência ao país da América Central.
  Wang Min, vice-representante permanente da China na ONU, fez o apelo em uma reunião do Conselho de Segurança sobre a questão do Haiti.

  "Os procedimentos eleitorais devem ser impulsionados de forma constante. A finalização rápida e agradável das eleições é de importância fundamental para conseguir paz, estabilidade e desenvolvimento duradouros no Haiti", disse o diplomata chinês.

  A China deseja que todas as partes envolvidas foquem no futuro do país e no bem-estar das pessoas, peguem a oportunidade e apertem as mãos criando condições favoráveis para as eleições, disse.

  "A comunidade internacional e as organizações regionais envolvidas devem, com base no respeito à soberania do país, desempenhar um papel monitor e coordenador e dar apoio às eleições caso seja necessário", destacou.

  "O subdesenvolvimento é uma das causas raízes dos problemas políticos e sociais no Haiti", assinalou o embaixador chinês. Ele pediu que a comunidade internacional cumpra os compromissos para auxiliar o Haiti e participar ativamente da restauração do país.

  Wang apreciou o importante papel da Missão de Estabilização da ONU no Haiti (Minustah, na sigla em inglês) em manter a ordem social e a segurança pública do país. A China espera que a Minustah implemente a redução de tamanho de forma estável e gradual, levando em consideração a cobrança da missão, apontou o representante chinês.

Fonte: CRI.cn

Terremoto no Haiti, 4 anos depois: ONU capacita jovens de áreas vulneráveis para diversas profissões

Aula de encanamento patrocinada pela ONU para jovens de áreas 
vulneráveis do Haiti. Foto: MINUSTAH/Nektarios Markogiannis

10/01/2014

Quatro anos após o terremoto que atingiu o Haiti e mergulhou o país em uma crise humanitária ainda mais profunda, as Nações Unidas continuam trabalhando no país em diversas frentes. Para ajudar na redução da violência, por exemplo, a Organização financia projetos de formação profissional para jovens de áreas vulneráveis.

Selecionados por líderes comunitários e ONGs parceiras, como a brasileira Viva Rio, mais de 2 mil haitianos já se formaram nas áreas de alvenaria, encanamento sanitário e eletricidade. Todos recebem uma refeição quente por dia e têm as despesas de transporte pagas.

Cada turma financiada pela Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (MINUSTAH) no Centro de Formação Profissional da Reforma, na capital, Porto Príncipe, tem cem alunos. Na atual, 14 são mulheres.

Para Yveta Charles, de 22 anos, “encanamento não é difícil, é uma questão de instalação adequada, assegurando a drenagem e a instalação de tubos”, explica. Moradora de Cité Soleil, ela conta que os vizinhos ficaram surpresos ao ver seu trabalho. “Algumas pessoas zombaram, outras me incentivaram dizendo que elas confiam muito em mim e prometeram entrar em contato comigo se encontrarem alguma oportunidade [de trabalho].”

“No começo eu tinha dúvidas sobre a minha escolha”, lembra Julienne Fontilus, de 24, que tem um filho. “Mas, com o tempo, me adaptei e agora eu sou uma eletricista.”

Os jovens aprendizes são submetidos a dois exames, um no Centro de Formação e outro no Instituto Nacional de Treinamento Vocacional. Em média, 80% são aprovados na avaliação estatal. Os 50 melhores alunos fazem estágio de seis meses em empresas selecionadas para, então, partirem para o mercado de trabalho. Os demais são encaminhados a outros projetos.

O Haiti foi atingido por um terremoto de 7,3 graus na escala Richter em 12 de janeiro de 2010. Estima-se que 220 mil pessoas morreram, incluindo 102 funcionários das Nações Unidas – a maior perda já registrada em missão. Dentre as 21 vítimas brasileiras, o vice-representante especial do secretário-geral da ONU, Luiz Carlos da Costa. O tremor também provocou o deslocamento de cerca de 1,5 milhão de pessoas. Para saber mais sobre as atividades dos trabalhadores das forças de paz, clique aqui.

Fonte: ONU

Brasil e Haiti, um mundo de histórias


24/04/2013

Explodir pedras, perfurar rochas, construtores. Varrer ruas, limpar praias brasileiras, garis. Depenar galinhas, subir caixotes. Por que não vender bijuterias, artesanato? Esses são os destinos de professores, técnicos de enfermagem, mecânicos, contadores, pedagogos haitianos, senegaleses, dominicanos quando encontram o solo brasileiro. 

Pessoas qualificadas e com um sonho de reerguer suas vidas com o trabalho. Muito trabalho para reconstruir o que nem mesmo terremotos ou crises econômicas e sociais podem fazer ruir: sua dignidade.

O destino desses sonhadores é um Brasil que parece aquecer cada vez mais sua economia, abrindo postos de trabalhos diversificados, muito bem anunciados entre os viajantes que aportam em Brasileia, Acre, que tem funcionado como porta de entrada para o país. Porta por onde já  passaram mais de seis mil imigrantes.

O governo do Estado oferece três refeições por dia aos imigrantes. Desde 2010 já foram gastos R$ 3 milhões
 (Foto: Angela Peres/Secom)
Desses tantos, alguns fazem questão de contar suas histórias. Correm, amotoam-se e desandam a falar, na língua que mais for compreensível - crioulo, francês, espanhol, inglês, wolof -, o importante é tentar fazer os outros entenderem cada passo de suas viagens, de seus diplomas, da vontade de encontrar um bom trabalho.

Paramos e ouvimos um rapaz de fala mansa, bem vestido, roupa quase passada a ferro. Croinchy Zache, 32, haitiano, nascido em Jaemel, pergunta em um inglês fluente: “Você sabe onde posso conseguir bons livros de português?”. 

Seu sonho é trabalhar dando aulas ou como tradutor no Brasil. Estudou inglês na República Dominicana e, com o diploma na mão, diz: “No Haiti não é fácil arrumar um bom trabalho, mesmo que você tenha graduação”. Ele aponta para mais dois amigos - um contador e outro turismólogo -, todos com o diploma à mostra. E sentencia: “Estou aqui para mudar de vida”.

Croinchy Zache exibe com orgulho diploma de inglês avançado conquistado na República Dominicana 
(Foto: Arison Jardim/Secom)
Em meio à confusão de braços e bocas na espera de uma marmita para o jantar, Chisnel Laventures pensa no passado recente de seu país e em um futuro próximo para si. Ele tira fotos dos companheiros de abrigo famintos e comenta: “Quero um dia lembrar dessas dificuldades”. Com um olhar esperançoso, continua: “Quando estivermos de volta com a dignidade que tínhamos”. 

Órfãos da pátria haitiana 

Laventures é haitiano, como a maioria dos seis mil imigrantes que passaram pelo Acre. Um país destruído por um terremoto em janeiro de 2010, mas historicamente ainda mais abalado por sua economia e desigualdade social.

Haiti convive há anos com a fuga de sua população (Foto: Angela Peres/Secom)
Apesar do seu protagonismo como a primeira colônia a se tornar independente das metrópoles europeias, em 1804, o Haiti é hoje o país mais pobre da América Latina. Antes mesmo do desastre de 2010, a situação era crítica - 80% da população vivia abaixo da linha da pobreza.

Somado à miséria extrema, a questão política esteve sempre instável entre 1820 e 1996, razão pela qual o país tem sofrido grandes impactos regionais devido a processos migratórios. Conflitos internos deslocaram mais de 300 mil pessoas para fora de suas cidades. 

Entre 1991 e 1994 os Estados Unidos foram foco de uma onda migratória que movimentou 68 mil pessoas. Deixaram o Haiti e com apenas um dia de barco chegavam ao mais poderoso país do mundo. Outros 30 mil foram para a República Dominicana.

Brasil, nova realidade e oportunidades

O casal Vilsaint se reencontrou em Brasileia após um ano de saudade. As filhas serão as próximas a vir 
(Foto: Angela Peres/Secom)
O amor e a alegria. A esposa e duas filhas ficaram para trás há  um ano para Vilsaint Letesse. Ficaram em um Haiti sem perspectivas, sem emprego, numa miséria que aumentou quando a terra tremeu em janeiro de 2010. Foram 7 graus de magnitude na escala Richter de impacto e outras 14 réplicas de magnitude 5. Quase 300 mil mortos.

Nesse cenário, Letesse resolveu procurar uma solução para a família. Juntou o dinheiro que tinha, reuniu parentes e conseguiu ao todo 3 mil dólares. Era a chance para embarcar em uma rota que se consolidava. Passou pela República Dominicana, Panamá, Peru e chegou até o Brasil por Brasileia em 4 de janeiro de 2012.

Não demorou muito e o pedagogo, que sonhava um dia estudar filosofia e bioquímica, foi contratado para explodir pedras. “Eu perfuro, coloco a dinamite, e buuuum!”, ilustra. Ele está há um ano e alguns meses trabalhando na usina hidroelétrica de Santo Antônio, em Rondônia.

Mas o que fazia o caribenho empregado em Brasileia? Ele estava ali para buscar parte de sua felicidade - sua esposa acabara de chegar ao Brasil. Lá estava sorridente Vilsaint Mirlene Charls. Letesse fez logo questão de levá-la ao seu hotel, que pôde pagar tranquilamente, graças ao salário mensal de um emprego estável. Ele já está com um contrato de mais um ano com a construtora.

A meta agora é arrumar a nova casa, alugada especialmente para a chegada de sua esposa, e trazer as duas filhas, de 9 e 6 anos. “Elas estão com as duas avós, mas devem estar chorando”, diz o pedagogo que detona rochas. “Mirlene chorava de saudade todos os dias.” A esposa confirma com um sorriso tímido.

O casal segue esperançoso que o novo país lhes garanta uma nova chance de viver, de crescer e de criar suas crianças. Ao menos podem em junho deste ano comemorar os 10 anos de casados. “A festa vai ser simples, mas estaremos juntos”, diz Mirlene, feliz da vida.

O abrigo

O governo do Estado decretou este mês Situação de Emergência Social para alertar o governo federal
(Foto: Angela Peres/Secom)
O espaço, cedido pelo governo do Estado, tem capacidade para 200 pessoas, mas nas últimas semanas está abrigando 1.300. Um mundo de línguas e histórias, "bonjour" nas primeiras horas do dia, "buenas tardes" à medida que o calor aumenta, "merci" sempre, "gracias" ainda mais... O que poderia se tornar um caos e revolta ainda maior transparece polidez e alguns sorrisos.

Manhã cedinho e pé no chão, lá se vão lavar a roupa da semana, escovar os dentes, despertar para mais um dia de luta. Em meio ao charco que rodeia o abrigo, o risco para transmissão de doenças. Há aqueles que trabalham para deixar o ambiente um bocadinho mais limpo.

Trissaint Ezechiel segue sempre sorridente, mesmo limpando a sujeira feita pelos colegas
(Foto: Arison Jardim/Secom)
Direto de L’Estère, Hait, Trissaint Ezechiel varre com simpatia a sujeira de seus companheiros. Simpatia em pessoa, Ezechiel informava sobre seus passos: lá ia ele tentar o café da manhã - pão e café com leite -, fornecido pelo governo do Estado.

Mesmo que as condições não sejam as melhores, o sorriso era recorrente. O lugar transparece esperança, como se aquela lama, colchões no chão, mil corpos dividindo o mesmo ar poeirento fossem o último estágio de sofrimento antes de uma nova vida.

O abrigo também é lugar de ouvir histórias. René Guerson, 31, já conhecia o Brasil, ainda mais a zona rural. Em 2010 ele foi um dos jovens haitianos escolhidos pelo Movimento Sem-Terra para conhecer a cultura camponesa.

São 1.300 histórias de uma nova vida, e o Acre virou uma porta de entrada para elas
(Foto: Angela Peres/Secom)
No Brasil, Guerson teve oportunidades de vivenciar o campo em diversos Estados, como São Paulo, Espírito Santo e Sergipe. Por meses pôde estudar no Instituto Federal  do Sergipe. Agricultura agora é sua especialidade, coisa que vem de família, já que o pai e a mãe eram agricultores.

Passado um ano de experiência, voltou ao seu país, mas, insatisfeito com as oportunidades, juntou dinheiro trabalhando com o que aprendera e se mandou para o Brasil novamente, agora pela rota ilegal. O Brasil passou a conceder 1.200 vistos legais por ano para os haitianos, porém, a demanda cresce a cada dia, e a maioria prefere passar 15 dias viajando para tentar a sorte na fronteira Peru-Brasil.

Outras nacionalidades estão utilizando a rota da imigração ilegal que passa pelo Acre. Os senegaleses já são 71
(Foto: Arison Jardim/Secom)
Grupos vindos de outros países têm se formado - senegaleses, dominicanos e um rapaz de Bangladesh. Logo pela manhã, um grupo se reúne para ler o Corão, livro sagrado dos islamismo. São do Senegal, e um deles afirma: “Nós, senegaleses, não temos problemas, só queremos trabalhar, tudo é trabalho”.

Eheilham Arimar-Thiam, 34, é como se fosse um líder no grupo. Fala português e está sempre à frente na conversa. O motivo da vinda de todos é só um: “Nosso país é muito pobre, não tem guerra, mas também não tem emprego”. Passou sete meses estudando o português, viajou vários países trabalhando e agora pretende chegar a São Paulo para encontrar o irmão.

As mulheres

Liceron Marie procura por emprego em sua área; quer trabalhar como enfermeira 
(Foto: Angela Peres/Secom)


“Sou enfermeira e quero trabalhar com o que eu sei. As empresas só contratam homens”, suplica Liceron Marie, 26, vinda de Delmas, Haiti. Uma realidade ainda mais dura para as mulheres, pois a maioria das empresas que recrutam os imigrantes é de construção civil.

Um estudo que envolve profissionais do Brasil, Equador, Peru, Bolívia e Haiti, realizado por organismos nacionais e internacionais já está sendo feito. No caso do Brasil, a Organização Internacional para as Migrações (OIM), ligada às Nações Unidas, vai fazer parceria com o Ministério do Trabalho e Emprego.

O coordenador no Brasil é o professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas Gerais Duval Fernandes. O mercado de trabalho feminino já está entre os temas. “Elas não vão para a construção civil [maior contratante]. A possibilidade é conseguir trabalho em profissões como empregadas domésticas ou áreas de serviços”, diz o professor.

Apesar da dura viagem e das condições impróprias no abrigo, crianças também chegam ao Brasil pela rota ilegal
(Foto: Angela Peres/Secom)
Outro ponto importante é a expectativa dos que chegam aqui. Muitos se submetem aos "coiotes" (espécie de atravessadores humanos), com a promessa de ganhar um salário de até R$ 10 mil. Mas a realidade encontrada é outra. A enfermeira Liceron está há um mês em Brasileia e soube de oportunidades a partir de um primo, que conseguiu chegar até São Paulo.

Uma das mulheres é contadora e mostra seu cartão comprovando a formação. Helas Rose-Mythe está há mais de um mês tentando ter acesso a sua documentação para permanecer legalmente no país e tentar a sorte. Ela, como os tantos e tantos seres humanos, dignos de uma boa vida, tentam o mínimo no Brasil.



Argentina, Venezuela e Cuba reforçam cooperação com o Haiti



Depois do terremoto que devastou o Haiti, a nação sofre com uma epidemia de cólera que ceifou mais de sete mil vidas

31/5/2012 

Por Redação, com Portal Vermelho - de Porto Principe

A Argentina, a Venezuela e Cuba fomentarão o desenvolvimento agrícola do Haiti e construirão um hospital de alta tecnologia, depois da assinatura dos acordos tripartites, informou a Presidência haitiana.

De acordo com o comunicado, o hospital, financiado pela Venezuela e Cuba, terá um valor de US$78 mil e será edificado na região de Corail, na capital Porto Príncipe, onde esteve a sede do primeiro-ministro, antes do terremoto de janeiro de 2010.

O documento acrescenta que a Argentina e a Venezuela se encarregarão de projetos para o desenvolvimento agrícola.

Os quatro países acordaram também em criar uma sociedade mista para administrar os fundos do projeto venezuelano Petrocaribe no Haiti, a construção de albergues, a doação de infraestrutura para a educação e a entrega de 300 bolsas a jovens pobres, indicou o texto.

No domingo passado, o primeiro-ministro lançou um programa de ajuda social que beneficiará mais de 100 mil mães haitianas. O projeto é dotado de cerca de US$13 milhões, procedentes também da Petrocaribe.
O Haiti vive uma situação de crise há mais de dois anos, quando o terremoto provocou mais de 300 mil mortos e dois milhões de desabrigados, dos quais mais de 400 mil ainda residem em acampamentos onde a situação é cada vez mais crítica.

A nação sofre também uma epidemia de cólera que ceifou mais de sete mil vidas e a Organização Panamericana da Saúde estima que este número pode ser triplicado a partir deste mês, este mês, quando começará a estação das chuvas e piorarão as condições de insalubridade.


Curso online de Direitos Fundamentais da Criança e do Adolescente: A Exploração do Trabalho Infantil

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...