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PROTESTO CONTRA TRUMP FECHA EMBAIXADA DOS EUA NO HAITI

© AP Photo/ Dieu Nalio Chery

23/01/2018

Protestos contra o presidente Donald Trump fechou a embaixada dos Estados Unidos no Haiti na segunda-feira (22).

Mais de mil manifestantes marcharam em direção à embaixada, mas barricadas instaladas pela polícia impediram a sua chegada. Houve confronto e bombas de gás lacrimogênio foram lançadas em direção à multidão.

Em reunião para tratar da política migratória, Trump questionou os congressistas a razão dos Estados Unidos receberem pessoas de "países de merda" como o Haiti e nações africanas.

Após repercussão, Trump negou ter se expressado nestes termos e disse ser "a pessoa menos racista que você vai entrevistar um dia" para jornalistas. O linguajar do presidente é confirmado por políticos da oposição presentes na reunião.

"O racismo de Donald Trump é a verdadeira face da política de relações exteriores dos Estados Unidos", afirmava um dos cartazes dos manifestantes.



TRUMP ORDENA A MAIOR REDUÇÃO DE RESERVAS NATURAIS NA HISTÓRIA DOS EUA

Donald Trump na segunda-feira em Utah. Rick Bowmer AP

15/12/2017

Presidente permite o desenvolvimento de atividades como a extração de gás e petróleo, a mineração e a exploração de madeira

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou na segunda-feira em Utah a maior redução de terrenos federais na história do país. A lei afetará duas reservas do Estado, habilitando por volta de dois milhões de hectares que pertenciam ao Governo para o desenvolvimento de atividades privadas. Com essa medida Trump continua com o desmonte das proteções a esse tipo de terreno aprovadas por seus predecessores.

“Alguns acham que os recursos naturais de Utah deveriam ser controlados por uns poucos burocratas de longe, em Washington. E querem saber? Estão equivocados”, disse o presidente em um discurso no Parlamento estadual, onde anunciou que 85% da Reserva Nacional Bears Ears e metade da Grand Staircase-Escalante deixarão de ser propriedade federal. “Juntos, alcançaremos um novo futuro de maravilhas e riqueza”, afirmou Trump em Salt Lake City.

A medida abre as portas à exploração das terras por meio de atividades como a extração de petróleo e gás, a mineração e a exploração de madeira. Também fomentaria a construção e o desenvolvimento comercial. Em abril, o presidente já assinou uma ordem para levantar o veto dessas explorações em terrenos federais. O terreno de Bears Ears foi designado sob proteção federal em 2016 pelo então presidente Barack Obama. O Grand Staircase-Escalante estava protegido desde 1996.

Nem tudo está definido. Grupos de proteção ao meio ambiente e membros de cinco tribos de índios americanos que vivem nas áreas naturais, entre eles os Navajo, homenageados pelo presidente na Casa Branca semana passada, afirmaram que apresentarão recursos contra a lei de Trump. “Tentamos nos reunir com o presidente sobre esse assunto. O terreno de Bears Ears (Orelhas de Urso, em português) é de vital importância para nós. A decisão, tomada sem nos consultar, não nos deixa outra opção a não ser lutar na Justiça”, afirmou o presidente dos Navajos. Como aconteceu com outras ordens polêmicas do presidente a decisão final sobre a medida pode ficar nas mãos dos tribunais.

O anúncio de terça-feira é uma vitória dos republicanos que durante anos consideraram que o Governo possuir terras significava um abuso de poder. Não se descarta que Trump reduza os terrenos de outras reservas. Em abril, o republicano ordenou ao seu secretário do Interior a revisão dos 27 terrenos como os dois de terça que existem no país.

Fonte: EL PAÍS

EUA ENCERRAM REGRA QUE PERMITIA RESIDÊNCIA A MILHARES DE HAITIANOS NO PAÍS

© AFP 2017/ Hector Retamal

23/11/2017

O gabinete presidencial de Donald Trump anunciou que não vai renovar o status de proteção temporária (TPS) para mais de 50 mil haitianos com residência legal provisória nos EUA "devido aos notáveis ​​progressos realizados desde o terremoto de 2010 no Haiti".

Anteriormente, o Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS) explicou que a decisão de fazer mudanças na política de imigração em relação ao Haiti foi feita após uma revisão completa das condições atuais do país. Os especialistas dos EUA acreditam que as "condições causadas pelo terremoto de 2010 não existem mais".

"A Secretária interina da Segurança Interna Elaine Duke anunciou sua decisão de encerrar a designação do Estatuto de Proteção Temporária para o Haiti com uma data efetiva de 18 meses para permitir uma transição ordenada antes que a designação termine em 22 de julho de 2019", disse o comunicado do DHS.

Em maio, o Departamento decidiu fornecer uma extensão de seis meses aos refugiados haitianos. De acordo com o DHS, com a recuperação do devastador terremoto de 2010, quase 98% dos campos de pessoas deslocadas no Haiti encerraram as atividades.

Entretanto, autoridades haitianas e vários legisladores renomados dos EUA pediram que os haitianos permaneçam, citando a atual turbulência política e econômica em um dos países mais pobres do Hemisfério Ocidental.

De acordo com meios de comunicação dos EUA, a maioria das pessoas com status TPS chegou aos EUA ilegalmente. Eles evitaram a deportação de acordo com uma lei dos EUA de 1990 que permite que os imigrantes permaneçam legalmente se existir instabilidade existe em seus países de origem como resultado de catástrofes naturais ou conflitos armados.

LÍDERES DO G20 CHEGAM A ACORDO, EXCETO SOBRE QUESTÃO CLIMÁTICA; COMUNICADO JÁ FOI DIVULGADO

Angela Merkel faz pronunciamento e dá entrevista durante Cúpula do G20 (Foto: REUTERS/Wolfgang Rattay)

09/07/2017

Chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou estar muito feliz que todos os outros países, com exceção dos Estados Unidos, concordarem que o Acordo de Paris é irreversível.

Os líderes mundiais reunidos para a cúpula do G20 na Alemanha concordaram em todos os aspectos de uma declaração conjunta, exceto na seção sobre o clima, em que os Estados Unidos pressionaram por uma referência aos combustíveis fósseis, disseram autoridades da União Européia no sábado (8).

A chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou estar muito feliz que todos os outros países, com exceção dos Estados Unidos, tenham concordado que o Acordo de Paris é irreversível. A fala de Merkel marcou a conclusão da cúpula, que já divulgou a íntegra do comunicado final.

As autoridades disseram que os assessores trabalharam até a madrugada para finalizar o documento, superando as diferenças no comércio depois que os membros dos EUA concordaram com a linguagem sobre a luta contra o protecionismo.

"O resultado é bom. Temos um comunicado. Há uma questão pendente, que é sobre o clima, mas espero que possamos encontrar um compromisso", disse uma autoridade da UE, falando sob anonimato. "Nós temos todos os fundamentos. Temos um comunicado G20, não um comunicado G19", acrescentou.

"Eu acho que está muito claro que não conseguimos chegar a um consenso, mas as diferenças não foram escondidas, eles foram claramente afirmadas", disse.

A passagem do comunicado que cita os combustíveis fósseis, por pressão dos Estados Unidos, diz: "... os Estados Unidos da América se esforçarão para trabalhar em estreita colaboração com outros parceiros para ajudar seu acesso e uso de combustíveis fósseis de forma mais limpa e eficiente ..."

A seção climática tomou nota da decisão de Trump no mês passado de retirar os Estados Unidos do marco do acordo climático de Paris, visando a combater as mudanças climáticas, e reafirmou o compromisso dos outros 19 membros com o acordo.

 (Foto: Arte/G1)
Sucesso diplomático

Com a declaração final praticamente resolvida, a cúpula marcou um sucesso diplomático para a chanceler Angela Merkel enquanto ela contornava diferenças com o presidente dos EUA, Donald Trump, que chegou à cúpula de dois dias isolado em uma série de questões.

Trump, que na sexta-feira (7) encontrou química em sua primeira reunião presencial com o presidente russo Vladimir Putin, parabenizou Merkel por sua administração da cúpula.

"Você foi incrível e você fez um trabalho fantástico. Muito obrigado chanceler", disse ele.

Trump e Putin discutiram na sexta a suposta intervenção russa na eleição dos EUA, mas concordaram em se concentrar em laços futuros em vez de insistir do passado, um resultado que foi criticado pelos líderes democratas no Congresso.

Para Merkel, a cúpula é uma oportunidade para mostrar suas habilidades diplomáticas antes de uma eleição federal em setembro, quando ela busca um quarto mandato.

Mercados abertos

A seção comercial no comunicado que os assessores escreveram traz o seguinte trecho: "Nós vamos manter os mercados abertos destacando a importância de vantagens comerciais recíprocas e estruturas de investimento vantajosa e princípio de não discriminação, e continuaremos combatendo o protecionismo, incluindo todas as práticas injustas e o reconhecimento do papel de instrumentos legítimos de defesa neste tema".

Merkel escolheu acolher a cúpula em Hamburgo, a cidade portuária onde nasceu, para enviar um sinal sobre a abertura da Alemanha ao mundo, incluindo a sua tolerância a protestos pacíficos.

Fonte: G1

TRUMP SE PREPARA PARA ACABAR COM PLANO DE ENERGIA LIMPA DE OBAMA

O governo Trump quer suprimir o plano de Energia Limpa adotado pelo governo 
Obama em 2015 - GETTY/AFP/Arquivos

28/03/2017

O presidente Donald Trump assinará na terça-feira uma ordem executiva para acabar com o plano de seu antecessor Barack Obama que limita a emissão de gases do efeito estufa nas centrais elétricas alimentadas com carvão.

De acordo com o diretor da Agência de Proteção Ambiental (EPA), Scott Pruitt, suprimir o plano Energia Limpa de Obama, de 2015, devolverá postos de trabalho à indústria do carvão.

“Esta é uma promessa que (Trump) está mantendo ante o povo americano e afirma que podemos colocar as pessoas novamente para trabalhar”, explicou ao canal ABC.

O apresentador do programa “This Week”, George Stephanopolous, rebateu e lembrou que a maioria dos postos de trabalho no setor do carvão foi suprimida uma década antes, durante o governo do antecessor de Obama, George W. Bush, já que o avanço do gás natural substituiu o carvão.

Mas Pruitt minimizou as preocupações de que Trump teria feito uma promessa que não pode cumprir.

“Por muito tempo nos últimos anos aceitamos a narrativa de que se você é pró-crescimento e pró-trabalho, você é contra o meio ambiente”, disse, ao culpar a administração Obama de fazer “esforços para matar postos de trabalho ao longo de todo o país com seu plano de energia limpa”.

Também disse que a ordem de Trump reduzirá os custos de energia elétrica para os americanos.

As pessoas que apoiam o plano de Obama afirmam que o projeto ajuda a criar milhares de empregos no setor de energia limpa.

Cético a respeito da mudança climática, Pruitt afirmou no início do mês não acreditar que o dióxido de carbono é a principal causa do aquecimento global, declaração que vai contra as afirmações dos cientistas há várias décadas.

Fonte: ISTOÉ.com

Cientistas britânicos preocupados pela pesquisa sobre o clima com chegada de Trump

O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, na Trump Tower, 
em Nova York, no dia 13 de janeiro de 2017 - AFP

16/01/2017

Mais de 100 dos climatologistas mais reconhecidos do Reino Unido pediram nesta segunda-feira à primeira-ministra britânica, Theresa May, que atue para que o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, mantenha a pesquisa pública sobre o aquecimento global.

“Estamos prontos a apoiar e ajudar nossos colegas dos Estados Unidos (…) a resistirem contra qualquer tentativa política de frear ou interferir nas pesquisas vitais sobre as mudanças climáticas”, escreveram os cientistas em uma carta aberta para May, à qual a AFP teve acesso.

O presidente eleito americano afirmou que o aquecimento global é um mito e nomeou para seu futuro gabinete personalidades que compartilham essa visão ou que se opõem às políticas de proteção do meio ambiente.

No final de novembro, após a eleição, um de seus conselheiros pediu o fim dos programas de pesquisa sobre o clima da Nasa, que fornece dados essenciais a cientistas do mundo inteiro.

May deve pressionar Trump para que este “reconheça as evidências científicas sobre os riscos das mudanças climáticas” e apoie o acordo de Paris adotado no final de 2015, afirmam os cientistas britânicos na carta.

Sob este acordo, a comunidade internacional se comprometeu a limitar o aquecimento global abaixo de 2ºC, em relação aos níveis pré-industriais, e a ajudar financeiramente os países mais pobres a desenvolver energias limpas e lidar com os impactos das mudanças climáticas.

O Reino Unido “deve se preparar para responder de forma resoluta” em caso de que o novo governo Trump adote medidas contra as pesquisas sobre o clima, acrescentam os cientistas.

Em entrevistas a dois jornais europeus publicadas nesta segunda-feira, Trump reafirmou sua intenção de se reunir com May logo após sua posse, que ocorrerá na próxima sexta-feira.

O Reino Unido tem várias instituições líderes no mundo para o estudo do aquecimento global e seus impactos, incluindo o Centro Tyndall de Pesquisas sobre as Mudanças Climáticas e o Instituto de Mudanças Ambientais da Universidade de Oxford.

A ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher foi a primeira líder mundial a reconhecer publicamente os riscos das mudanças climáticas, em 1988, observaram os cientistas.

Fonte: ISTO É

A eleição de Trump e o meio ambiente

06/12/2016

O presidente eleito dos EUA quer tirar seu país de acordos internacionais do clima. Essa atitude poderá ser má influência para outras nações.

Artigo de Ricardo Ernesto

Depois de Donald Trump ter sido confirmado como o 45º presidente dos Estados Unidos, analistas de diversas áreas vêm tentando prever as conseqüências para o país e o mundo. Tal expectativa se deve ao fato de Trump ter dado as mais inesperadas declarações sobre diversos assuntos, enquanto candidato. Da construção de um muro entre o México e os Estados Unidos ao fechamento das fronteiras americanas aos imigrantes muçulmanos, até a imposição de taxas de importação aos produtos chineses. Isto sem falar dos comentários preconceituosos contra imigrantes latinos, até declarações machistas e a perspectiva do relativo fechamento da economia americana. Se o novo presidente americano colocar efetivamente em prática o que prometeu fazer em diversas áreas, o impacto sobre seu país e o restante do planeta será muito grande.

Nosso tema neste artigo são as perspectivas de desenvolvimento do setor ambiental sob a administração de um governo Trump. Em sua campanha pré-eleitoral o candidato fez diversas declarações sobre temas relacionados à questão ambiental. Entre outras coisas, afirmou não acreditar na existência das Mudanças Climáticas e que se eleito iria tirar os Estados Unidos do Acordo sobre o Clima. Internamente, o candidato declarou que limitará o poder da agência ambiental americana (EPA) e abrirá diversas áreas federais para a exploração do petróleo, gás natural e carvão. Também prometeu paralisar programas de redução de emissões instituídos pela atual administração.

Neste contexto, vamos lembrar que os Estados Unidos são a nação que, pelo menos nos últimos sessenta anos, mais influenciou a economia mundial. Novas tecnologias, novos produtos e maneiras de produzir, técnicas de administração e de marketing, enfim, a América influenciou, apoiou e em parte financiou a expansão do moderno capitalismo. Até as primeiras leis ambientais e grupos ambientalistas surgiram em solo americano. Assim, mesmo sendo o maior consumidor de recursos naturais e gerador de emissões – e até mesmo por isso – a atitude dos Estados Unidos em relação ao meio ambiente é importante para o mundo.

Por isso, se o governo americano reduzir internamente o controle ambiental, desenvolver ações que beneficiem o uso de combustíveis fósseis e internacionalmente se colocar em uma posição contrária à redução global das emissões, isso certamente terá uma influência sobre os outros países, a começar pela China. Trata-se de um bom negócio para governos, principalmente de países em desenvolvimento ainda às voltas com grandes problemas ambientais, reduzirem seus investimentos nesta área sob a alegação de que “a nação mais rica do mundo está fazendo o mesmo”.

Se, aliado a esse posicionamento em relação às questões ambientais os Estado Unidos ainda adotarem uma atitude de isolacionismo econômico, vão provocar atitudes semelhantes em outros países, o que acabará reduzindo os investimentos globais. A rarefação dos investimentos externos significa, para países como o Brasil, menos investidores para projetos de infraestrutura, como saneamento e energia, e paralisação de projetos de novas indústrias – todos envolvendo grandes investimentos em tecnologias de proteção ambiental. A relativa importância que a eleição de um presidente americano possa ter, neste caso poderá aumentar e exercer forte influência sobre o setor de meio ambiente em todo o planeta.



Trump arquiteta plano para tirar Estados Unidos do Acordo de Paris

15/11/2016

Myron Ebell é um nome que os ambientalistas que estavam em Paris no ano passado para a Conferência das Partes que conseguiu o Acordo Climático histórico, não  esquecem. Ele dirige a política ambiental do Competitive Enterprise Institute, uma organização em parte financiada pela indústria do carvão, e teve sua foto estampada em postes da capital francesa, apontado como um dos ‘sete crimtnosos contra o clima”. Pois foi justamente essa figura que o novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, escolheu para ser uma espécie de liderança em seu governo para lidar com a questão das mudanças climáticas.

Em seguida ao anúncio, a agência Reuters publicou uma reportagem na qual uma fonte diz, sob anonimato, que Donald Trump deu à sua equipe de governo a tarefa de procurar retirar, o mais cedo possível, a assinatura dos Estados Unidos do Acordo Climático incômodo, já que vai contra todas as suas convicções.  A equipe vai ter trabalho para fazer isso porque, segundo um editorial do jornal “La Vanguardia”  espanhol,  Barack Obama fez constar salvaguardas no Acordo, como a impossibilidade de qualquer dirigente do país renunciar ao compromisso adquirido antes de três anos a partir da data em que foi ratificado. Estados Unidos e China, os dois maiores poluidores,  fizeram o anúncio do compromisso oficial assumido no dia 3 de setembro .

Segundo a fonte ouvida pela Reuters, o novo presidente da nação mais poderosa achou imprudente ratificar o Acordo pouco antes das eleições, sabendo que ele tem uma posição contrária.  Para Trump, o aquecimento global é uma fraude que foi inventada pela China para assumir o poder econômico mundial enquanto os Estados Unidos estancariam seu desenvolvimentismo em nome da limpeza do ar e das águas. A alternativa para o imbróglio será uma ordem presidencial que simplesmente exclua a assinatura dos Estados Unidos do Acordo.

Não custa lembrar que o Protocolo de Kyoto, um tratado assumido em 1997 para forçar os países industrializados a baixarem suas emissões de gases poluentes, não foi ratificado pelos Estados Unidos. E que em 2009, quando a Conferência do Clima realizada em Copenhague tinha tudo para conseguir, já ali, o acordo que só foi assumido seis anos depois, o presidente Barack Obama lançou um banho de água fria sobre as expectativas de todos, pois não conseguira o apoio no Congresso para lançar as bases de um acordo para baixar emissões e consumo de combustíveis fósseis. Logo, é muito provável que a decisão de Trump seja aplaudida por grande parte dos norte-americanos que não querem abandonar um padrão de vida baseado no consumo excessivo.

Não há menção direta sobre a reportagem da Reuters no site oficial da Conferência do Clima que está acontecendo no Marrocos até o dia 18 de novembro.  A atual responsável pelo Acordo Climático na ONU, Patricia Espinosa, se recusou a comentar a reportagem. Em entrevista coletiva, limitou-se a dizer que já há credibilidade suficiente no tratado ratificado até agora por 106 países.

Assim como há também maiores evidências de que, de fato, o aquecimento global está atingindo diretamente 82% da vida na Terra, segundo estudo publicado pela revista “Science” .  A Conferência do Clima que está acontecendo tentará definir, justamente, as normas de execução do Acordo de Paris e estabelecer um plano viável para fornecer pelo menos US$ 100 bilhões por ano aos países em desenvolvimento para apoiar a ação climática. É esta a maior questão, já que os impactos causados pelas mudanças climáticas, queiram ou não, serão sempre mais sentidos pelos países mais pobres.

Um estudo lançado sexta-feira (11) pelo Greenpeace Brasil, justamente para aproveitar o momento em que o tema está à tona por causa da COP-22, reforça esta convicção. Depois de analisarem dados de 46 relatórios, pesquisadores da ONG concluíram que “o combate às mudanças climáticas é, antes de tudo, uma questão de justiça social e a inação ou adoção de medidas insuficientes só farão aumentar ainda mais a terrível desigualdade que já assola o país”.

“Até 2099, a maior parte do território brasileiro estará sob estresse muito forte ou extremo em função do calor, caso haja um aumento médio da temperatura global de, no mínimo, 4 o C49.  Os impactos da elevação das temperaturas serão diversos para os brasileiros. Vários níveis de estresse por calor podem ocorrer devido a exposição a tempe - raturas acima de 38 oC, e as con - sequências podem envolver desde náuseas, dor de cabeça, vertigens, fraqueza, sede e tontura, até casos mais graves, como os de insolação e ataques cardíacos. Se a temperatura da Terra aumentar entre 2 e 5,4 graus até o fim do século, a Região Norte do Brasil sofrerá uma redução entre 242 mil e 15 milhões de hectares aptos e disponíveis para agricultura já em 2030.  A Região Nordeste, com exceção do Maranhão, teria em média poucos meses de chuva ao ano e baixa pluviosidade nos meses com mais chuva até 2040, o que significaria períodos mais secos com valores elevados de temperatura, valores baixos de umidade do ar e alta demanda hídrica. A Região Sudeste poderia sofrer leve redução de 349 mil hectares em sua área agricultável em 2030 e a Região Sul pode sofrer redução entre 4,9 milhões e 2,6 milhões de hectares aptos e disponíveis para agricultura em 2030”, diz o estudo.

O artigo escrito pelos ativistas ambientais Nicolas Haeringer e Tadzio Muller para o blog “New Internationalist” dá o tom do que virá daqui para a frente no campo de guerra entre os céticos e os não céticos do aquecimento global. É preciso, segundo eles, uma união cada vez mais fortalecida da sociedade civil no sentido de travar empreendimentos que precisem do uso abusivo de combustíveis fósseis. Exemplo desse tipo de tática, na prática, é o das 3.5 mil pessoas que conseguiram  fechar a mina de carvão a céu aberto Welzow-Süd e a usina Schwarze Pumpe, décima maior emissora de gás poluente da Europa, ambas na Alemanha.

As manifestações bem-sucedidas (até agora, ao menos)  foram bonitas, não houve violência. Mas também deixaram bem claro a diferença abissal de propostas entre ativistas de países que já têm sua economia mais ou menos resolvida e a de outros que lutam ainda para acabar com a miséria do povo. É disso que se trata, inclusive lá na Conferência que está acontecendo no continente africano, onde uma seca severa causou recentemente a morte de pelo menos 30 mil crianças e afetou um total de 12 milhões de pessoas, sobretudo na Somália. Consequência direta de fenômenos associados com a mudança climática. A luta, nesses países, é outra. E, até agora, não há registros de que tenha tido batalhas bem-sucedidas.

Fonte: G1


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