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CRIANÇAS HAITIANAS CONTINUAM SENDO PRIORIDADE NA MINUSTAH

Foto: Divulgação/EB

16/08/2017

Porto Príncipe (Haiti) – Semanalmente, aos sábados, crianças do Orfanato Rosa Mine de Diegues, localizado em em Porto Príncipe, recebem um pouco de atenção e carinho dos “capacetes azuis” da Companhia de Engenharia de Força de Paz (BRAENGCOY). A atividade, de caráter voluntário, faz parte do calendário de cooperação civil-militar (CIMIC) da Companhia, além de também permitir que os militares conheçam mais de perto o dia a dia da comunidade haitiana.

A expectativa é que esta atividade seja repassada, gradativamente, aos órgãos e entidades do próprio país, até o final da Missão, a fim de garantir que essa assistência se mantenha com a saída da MINUSTAH (Missão das Nações Unidas para Estabilização no Haiti).

Com essa ação, a BRAENGCOY espera contribuir com o objetivo de garantir um futuro melhor para as crianças haitianas, além de colaborar com desenvolvimento social do país.
Para saber mais sobre a BRAENGCOY acesse: www.facebook.com/braengcoy.eb


Em vídeo para o Unicef, David Beckham pede fim da violência a crianças

David Beckham. Foto: ONU/Amanda Voisard (arquivo)

06/12/2016

Cenas de violência contra menores aparecem como tatuagens no corpo do ex-jogador e embaixador da agência da ONU; ideia é ilustrar a realidade brutal dos abusos físicos e psicológicos, que podem marcar as crianças para sempre.

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, lançou nesta segunda-feira um vídeo de 60 segundos estrelando o ex-jogador de futebol britânico David Beckham, que é embaixador da Boa Vontade da agência.

Cenas de violência a crianças aparecem no corpo de Beckham como se fossem tatuagens. Enquanto as tatuagens do próprio embaixador representam memórias felizes e importantes da vida dele, o Unicef destaca que milhões de crianças carregam marcas que não escolheram: as feridas da violência.

Marca eterna

Segundo a agência, o vídeo ilustra a "realidade brutal que os abusos físicos e psicológicos podem deixar para sempre nas crianças".

Na campanha, Beckham declara que "a violência marca as crianças para sempre", o que é errado, e por isso ele pede o fim da prática. Segundo o embaixador do Unicef, a cada cinco minutos, uma criança morre no mundo, vítima de abusos.

As ações podem acontecer em casa, nas escolas ou nas ruas. Ele espera que o projeto chame a atenção das pessoas para uma questão que Beckham considera ser urgente.

Bullying

Outros dados do Unicef mostram a gravidade do problema: uma entre 10 meninas menores de 20 anos já foi vítima de violência sexual, representando um total de 120 milhões de jovens.

A cada ano, quase 1 bilhão de crianças entre dois e 14 anos sofrem punições físicas de seus pais ou de quem cuida delas. E um terço dos estudantes entre 13 e 15 anos sofre bullying com regularidade.

Fonte: Rádio ONU


Carta aberta aos empregados da Pfizer: precisamos de aliados



15/11/2016

Prezados empregados da Pfizer

Há quase um ano, estávamos do lado de fora do seu escritório na cidade de Nova York empilhando dinheiro falso em frente à entrada. Há seis meses, retornamos para deixar 2.500 flores em um berço. Tudo isso para ilustrar que a vacina essencial contra pneumonia da Pfizer não está chegando às crianças necessitadas.

Foto: Edwin TorresFoto: Edwin Torres

Sei que talvez não tenhamos nosso contato da melhor maneira, então deixem que me apresente: sou Mary Jo, e trabalhei como enfermeira de Médicos Sem Fronteiras (MSF) por 17 anos.

Vocês já devem ter ouvido falar sobre o que a nossa campanha, “A dose justa”, pede a vocês: vacinas contra pneumonia pelo preço de 5 dólares por criança para todos os países em desenvolvimento e organizações humanitárias. Eu preciso que essa possibilidade se torne real, porque a realidade em que vivemos agora – na qual milhões de crianças morrem por ano de uma doença evitável – é desoladora.  

Deixem-me falar sobre Mohamed, um menino de seis anos que conheci em meu último projeto, na Nigéria.  Quando cheguei à clínica, ele estava sentado no chão com seu irmão mais novo. Eles estavam muito magros e tinham úlceras terríveis e visivelmente dolorosas nos lábios. Mohamed quase não reagia. Ao mesmo tempo, porém, ele bufava e tentava desesperadamente respirar. Ele estava com a frequência respiratória de uma pessoa de 60 anos, cerca de três vezes mais que o normal para uma criança de sua idade – o que significava que seus pulmões estavam trabalhando muito mais que o normal para conseguir a quantidade de oxigênio de que ele precisava.  

Eu o peguei no colo imediatamente. Sua frequência respiratória era um sinal evidente de pneumonia. Depois confirmamos que Mohamed tinha malária, sarampo, pneumonia – o trio de assassinos da infância – e desnutrição. Encontramos um leito isolado para ele e aplicamos terapia intravenosa para ministrar fluidos e medicamentos.

O que mais me impressionou em Mohamed foi sua seriedade. Mesmo que eu soubesse que ele estava sentindo muita dor e que não tinha apetite para comer ou beber água, ele estava comprometido com sua própria autonomia: ele queria segurar o copo com as próprias mãos, porque não é normal precisar da ajuda de alguém para se alimentar aos seis anos de idade. Ele estava muito fraco, mas estava determinado a se manter forte.

Mohamed foi para casa com sua mãe e seu irmão naquela noite. No dia seguinte, fui a outra clínica de MSF, mais perto de sua casa, e procurei por ele. Quando cheguei à ala pediátrica, eu o vi da mesma forma do dia anterior: sentado no chão com o irmão. Mas desta vez ele estava animado. Ele estava sorrindo. A reviravolta foi incrível. Mohamed teve sorte de vir à nossa clínica no momento em que veio, e nós tivemos a sorte de os antibióticos funcionarem contra sua pneumonia. Esse nem sempre é o caso.

Eu penso no que crianças como Mohamed vivenciam. Várias crianças que conhecemos passam por muito na vida, e bastante cedo – guerras, conflitos, fugas constantes e uma terrível pobreza. Não podemos evitar que essas coisas aconteçam. Mas as doenças? Isso, sim, podemos evitar. Se ao menos pudermos proteger as crianças com vacinação, elas terão grandes possibilidade de sobreviver aos demais problemas.

A pneumonia de Mohamed poderia ter sido prevenida se sua vacina estivesse disponível. Mesmo quando alguns países – entre eles a Nigéria – introduzem a vacina contra pneumonia nos planos regulares de imunização, às vezes conflitos ou desastres naturais interrompem programas de saúde de rotina. É nessas ocasiões que organizações humanitárias podem proporcionar algum alívio até que a situação se estabilize.  

Mães e filhos fazem fila para vacinação contra malária em clínica de 
MSF na Nigéria (Foto: Sylvain Cherkaoui/COMSMOS

Por isso é importante que o preço da vacina contra a de pneumonia seja diminuído para os países que não recebem vacinas financiadas por doadores e para organizações humanitárias.

Sabemos que para que isso se torne realidade, o desejo de mudança tem que vir de dentro da Pfizer também. Vocês vão se solidarizar com crianças como Mohamed?

Pode não ser fácil, mas se isso impactar vocês, por favor, ajudem a espalhar essas palavras compartilhando esta carta com um de seus colegas de trabalho.

Obrigada.



MSF saúda decisão da GSK de reduzir preço da vacina pneumocócica para algumas das crianças mais vulneráveis do mundo

MSF faz apelo para que a Pfizer acompanhe a decisão da GSK e ofereça à comunidade 
humanitária o menor preço global disponível - Foto: Yann Libessart/MSF

21/09/2016

A organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) saúda a decisão da GlaxoSmithKline (GSK) de reduzir os preços de sua vacina pneumocócica conjugada (PCV, na sigla em inglês) para as organizações humanitárias que atendem crianças refugiadas e afetadas por crises. Nos últimos sete anos, MSF tem mantido conversações com a GSK e a Pfizer – as duas únicas produtoras da vacina contra a pneumonia – para ter acesso à vacina por um preço mais barato. A redução do preço da GSK é um passo muito significativo em direção à proteção de crianças vulneráveis que são atendidas por organizações humanitárias como MSF. MSF espera, agora, que a Pfizer siga o exemplo da GSK e que as duas empresas também reduzam os preços da vacina para os governos de países em desenvolvimento, que ainda não podem arcar com o custo de incluir a PCV em seu calendário padrão de imunização infantil.

Campanha de vacinação de MSF contra pneumonia em Uganda 

Foto: Sydelle Willow Smith / MSF

“A GSK deu um passo fundamental em favor das crianças que se encontram em situações de emergência”, diz a dra. Joanne Liu, presidente internacional de MSF. “Com essa redução de preço, nossas equipes finalmente poderão expandir seus esforços para proteger as crianças contra essa doença mortal. Agora, a GSK deve redobrar seus esforços para reduzir o preço, também, para os muitos países em desenvolvimento que ainda não podem arcar com o custo de proteger suas crianças contra a pneumonia.”

A pneumonia é a principal causa da mortalidade infantil no mundo, matando quase 1 milhão de crianças por ano. Crianças afetadas por crises, como conflitos ou outros tipos de emergência humanitária, são particularmente suscetíveis a contrair pneumonia. Equipes médicas de MSF frequentemente constatam os efeitos mortais da pneumonia – uma doença evitável por meio de vacinação – nas crianças vulneráveis a que prestam atendimento.

Até agora, nem MSF nem outras organizações humanitárias podiam adquirir as vacinas contra a pneumonia por um preço acessível; neste ano, MSF pagou 60 euros (cerca de US$ 68) por uma dose do produto da Pfizer para vacinar crianças refugiadas na Grécia – 20 vezes mais que o menor preço oferecido pela GSK e pela Pfizer. São necessárias três doses para imunizar uma criança.

Em maio, MSF entregou uma petição com mais de 416 mil assinaturas de pessoas de 170 países, pedindo que a Pfizer e a GSK reduzissem os preços da vacina contra a pneumonia para US$ 5 por criança (pelas três doses) para as populações afetadas por crises e para todos os países em desenvolvimento.

Com seu comunicado do dia 19 de setembro, a GSK agora se comprometeu a oferecer a vacina a US$ 9 por criança (3,05 dólares por dose) às organizações humanitárias. O anúncio da GSK rompe uma enorme barreira no acesso da comunidade humanitária à vacina contra a pneumonia, mas a vacina da Pfizer (PCV13) ainda é indispensável para muitos países onde MSF e outras organizações oferecem assistência. A Pfizer, porém, continua se recusando a oferecer às organizações humanitárias um preço mais barato por sua vacina.

“A Pfizer deveria acompanhar a decisão da GSK e ajudar a criar uma solução mais ampla para a comunidade humanitária oferecendo, também, o menor preço global pela vacina”, diz Liu. Em vez de diminuir o preço do produto para a comunidade humanitária, a Pfizer apenas ofereceu um programa de doações. MSF prefere ter acesso a vacinas por um preço econômico, de forma que crianças em situação vulnerável não precisem depender da boa vontade voluntária das empresas farmacêuticas.



Campanha “Respeitar Proteger Garantir” – Voluntários da campanha atuam nas Paralimpíadas Rio 2016



10/09/2016

Dando continuidade às ações da campanha conjunta “Respeitar Proteger Garantir - Todos Juntos pelos Direitos das Crianças e Adolescentes”, voluntários da iniciativa estão atuando também nas Paralimpíadas Rio 2016. A competição teve início no dia 7 setembro e vai até o dia 18.

A ação dos voluntários segue a metodologia aplicada durante os Jogos Olímpicos Rio 2016, realizados de 5 a 21 de agosto. O grupo atuará, de 8 a 11 e de 15 a 18 de setembro, na abordagem de visitantes, entregando folders explicativos e esclarecendo dúvidas quanto à prevenção das cinco violações de direitos de crianças e adolescentes consideradas as mais recorrentes em grandes eventos: a exploração sexual infantojuvenil, o trabalho infantil, o uso de álcool e outras drogas, crianças e adolescentes em situação de rua e crianças e adolescentes perdidos ou desaparecidos.

Os voluntários da campanha trabalham também na conscientização sobre o Disque 100 e o aplicativo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) Proteja Brasil, canais de denuncia do Sistema de Garantia de Direitos (SGD). Para promover o engajamento, a campanha está nas redes sociais (Facebook, Twitter e Instagram) e o público também é convidado a postar usando as hashtags #EuRespeito #EuProtejo #EuGaranto.

Durante as Olimpíadas, 71 voluntários participaram da campanha. Em média, quase 1500 abordagens foram feitas diariamente. 

Campanha conjunta

A campanha “Respeitar Proteger Garantir” tem como foco a proteção integral das crianças e adolescentes. A expectativa é que as ações de mobilização e engajamento, que tiveram início nos Jogos Olímpicos Rio 2016 e seguem agora nas Paralimpíadas, ultrapassem o período da competição e sejam replicadas e disseminadas em mais eventos de grande porte. Para atingir essa meta, as ações visam envolver o máximo de instituições, governos e organizações da sociedade civil.

O projeto

A campanha faz parte do projeto “Rio 2016: Olimpíadas dos Direitos da Criança e do Adolescente”, uma continuidade da ação promovida para a Copa do Mundo FIFA 2014 que, à época, tinha como meta o combate à exploração sexual infantil. O programa de voluntariado do projeto para os Jogos Olímpicos tem como base a experiência do Grupo de Apoio em Mega Eventos (G.A.M.E.), realizada em Porto Alegre, em 2014, durante a Copa.

A realização é da Frente Nacional de Prefeitos (FNP), com cofinanciamento da União Europeia (UE) e parceria do Viva Rio, da italiana ISCOS Piemonte, da Rede Internacional End Child Prostitution, Pornography and Trafficking (ECPAT) (França), das prefeituras de Porto Alegre (RS) e do Rio de Janeiro (RJ) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

A iniciativa também conta com o apoio do governo federal, por meio da Secretaria Especial de Direitos Humanos do Ministério da Justiça e Cidadania, da Rede Mercocidades, do Programa de Cooperação 100 Cidades para 100 Projetos Brasil-Itália, da Childhood Brasil, do Comitê Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPETI), da ECPAT Brasil, do Centro de Defesa dos Direitos de Crianças e Adolescentes do Rio de Janeiro (Cedeca-RJ), do Comitê de Proteção Integral a Crianças e Adolescentes nos Megaeventos do Rio de Janeiro, do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016 e da Rede de Gestores formada por representantes das cidades de Fortaleza/CE, Rio de Janeiro/RJ, Porto Alegre/RS, Natal/RN, Recife/PE, Salvador/BA, Belo Horizonte/MG, Brasília/DF, Cuiabá/MT, São Paulo/SP, Curitiba/PR, Manaus/AM, São Luís/MA.

Também colaboram com o projeto: o Ministério Público do Trabalho, a Fundação Abrinq, a AccorHotels, a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do estado de São Paulo/SP (ABIH-SP), a Associação Brasileira de Agentes de Viagens do Rio de Janeiro (ABAV-Rio), o Shopping Madureira, a Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do estado do Rio de Janeiro (Fetranspor), o Instituto Invepar, a Lamsa, a VIA 040 e o GRU Airport – Aeroporto Internacional de São Paulo, a Ancar Invanhoe Shopping Centers, a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), a Happy Child, a Latam, a Brasil Saúde & Ação (Brasa), o Sistema Nações Unidas no Brasil, a ANDI – Comunicação e Direitos, o Canal Futura e o Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB).

Empresas, instituições da sociedade civil e governos estaduais e municipais interessados em aderir à campanha devem entrar em contato com a FNP, pelo e-mail: projetos@fnp.org.br.

Fonte: FNP


Defesa organiza doações para o Haiti

27/08/2016

O Ministério da Defesa, em parceria com a Cruz Vermelha Brasileira, realiza a 2° Campanha de Solidariedade ao Haiti, que tem por objetivo arrecadar alimentos e roupas, entre outros itens, para doação a crianças haitianas. A campanha, que é coordenada pelo Institution Sacré Coeur Jésus do Haiti e pelo Ordinariado Militar do Brasil, teve início no dia 15 de junho e vai até 30 de setembro. Já foram arrecadados mais de 20 toneladas de alimentos não perecíveis, roupas e material de limpeza.

A campanha irá beneficiar crianças e suas famílias, totalizando cerca de mil pessoas.

A campanha irá beneficiar meninos e meninas, com idade entre 3 e 10 anos, e suas famílias, totalizando cerca de mil pessoas. Muitas destas crianças perderam seus pais no terremoto ocorrido em janeiro de 2010, e foram acolhidas por parentes ou vivem em orfanatos.

Freiras do Institution Sacré Coeur Jésus do Haiti com as doações recebidas.

A expectativa é recolher entre 60 e 70 toneladas até o final da campanha, que está organizada em 12 cidades: Brasília, São Paulo, Bauru (SP), Marília (SP), Adamantina (SP), Ribeirão Preto (SP), Anápolis (GO), Goiânia, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Florianópolis.

Preparativos

Para tratar dos procedimentos técnicos e o envio dos itens arrecadados, um grupo de trabalho reuniu-se na última terça-feira (23), na Cúria Militar do Ministério da Defesa. Na reunião, coordenada pelo arcebispo militar do Brasil, Dom Fernando Guimarães e pelo assessor especial do Gabinete do Ministro, Demétrio Carneiro da Cunha Oliveira, foram definidas a logística de transporte nos pontos de coletas espalhados pelas cidades brasileiras. No Rio de Janeiro, por exemplo, os itens serão estocados no 1º Depósito de Suprimento do Exército (1ºDSup), e posteriormente, passarão por desembaraçados alfandegários, colocados em container para só então o embarque em navio.

O transporte dentro do território nacional conta com o apoio de empresas e do Exército. Brasileiro. No trecho Rio de Janeiro-Porto Príncipe, o transporte será custeado pela Cruz Vermelha. A data de entrega das doações na capital haitiana está prevista para o dia 10 de dezembro.

O arcebispo militar do Brasil, Dom Fernando Guimarães reuniu-se com o grupo de trabalho, no ministério da Defesa, para tratar dos procedimentos técnicos e o envio dos itens arrecadados.

O arcebispo militar do Brasil, Dom Fernando Guimarães reuniu-se com o grupo de 
trabalho, no ministério da Defesa, para tratar dos procedimentos técnicos e o envio 
dos itens arrecadados.

Participaram ainda da reunião, o conselheiro nacional da Cruz Vermelha Brasileira (CVB), Fernando Antunes, o coordenador de Diplomacia Humanitária da CVB, André Camargo, a coordenadora da Campanha Nacional, Tânia Maria Borges e o ecônomo do Ordinariado Militar, coronel Gregoratto.

O que doar

Alimentos não perecíveis (leite em pó, arroz, açúcar, café, feijão, óleo, farinhas em geral, enlatados e macarrão), material de limpeza e escolar (exceto livros e cadernos), roupas, calçados, enxoval para bebê e tecidos.

Doações em Brasília (DF)

Local: Colégio Cor Jesu (Sagrado Coração de Jesus)
Endereço: Avenida L2 sul - Quadra 615 - Bloco G.

*Entrega na recepção da escola, de segunda a sexta-feira, das 7h às 17 horas, e aos sábados, das 8h às 12 horas

(*) Favor informar que as doações são para a Campanha de Solidariedade às crianças do Haiti.
Mais informações com Tânia (61) 99213-1031 ou Sandra (61) 99214-5321.

Por Ten Fayga Soares



Unicef lança campanha de proteção às crianças

Foto: Unicef/Sokol

03/08/2016

Iniciativa tem como objetivo arrecadar doações para os menores de idade; agência da ONU quer mobilizar fãs dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio 2016 a participarem de uma corrida de 5 Km a pé ou em cadeira de rodas.

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, lançou esta quarta-feira, uma campanha para ajudar crianças.

A iniciativa esportiva global quer mobilizar os fãs dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016 a participarem da Team UNICEF Get Active for Children, em tradução livre, "Equipe Unicef, se Exercite pelas Crianças". Essa é uma campanha para arrecadar doações para os menores de idade.

5 Km

O sistema funciona da seguinte forma: os participantes que se inscreverem devem completar um percurso de 5 Km a pé ou em cadeiras de rodas, para pessoas com deficiência. Para cada um que terminar a corrida será feita uma doação de cinco reais por um grupo de empresas.

Os participantes podem acumular um sistema de pontos realizando várias atividades, incluindo o preenchimento de um questionário no site da Equipe do Unicef.

A pessoa que registrar o maior número de pontos vai ganhar uma viagem para acompanhar o trabalho da agência da ONU no Brasil.

O representante do Fundo para a Infância no país, Gary Stahl, disse que a agência "quer que todos entrem no espírito esportivo e se exercitem pelas crianças". A meta é ajudar na arrecadação de dinheiro para os menores mais vulneráveis do mundo.

Homicídio

Calcula-se que 30 crianças e adolescentes sejam mortos diariamente no Brasil. Mais de uma em cada três mortes de adolescentes no país é resultado de homicídio, comparado com a taxa de uma para cada 20 no caso da população em geral.

Para ajudar a prevenir e responder à violência contra criança durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos, o Unicef lançou também uma nova versão da campanha Proteja Brasil. Esse é um aplicativo que permite às vítimas e testemunhas denunciarem casos de violência, abuso ou exploração às autoridades.

O representante do Unicef afirmou que o aplicativo Proteja Brasil "dá a oportunidade a cada pessoa de agir para ajudar as crianças".

Fonte: Rádio ONU


Lançada nova parceria global para acabar com violência a crianças

Crianças em Juba, no Sudão do SUl. Foto: ONU/JC McIlwaine

13/07/2016

Para representante especial do secretário-geral sobre a questão, iniciativa é "promoção de grande aliança" entre governos nacionais, instituições da ONU, ONGs, centros de pesquisa"; em entrevista à Rádio ONU, Marta Santos Pais afirmou que 1 bilhão de crianças sofreram violência em 2015.

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova York.

Nesta terça-feira, nas Nações Unidas, crianças se uniram a líderes mundiais para lançar uma nova parceria global e um fundo para tornar o fim da violência a menores uma prioridade e uma responsabilidade coletiva. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, participou do evento.

"Fim da Violência a Crianças – A Parceria Global", em tradução livre, reúne  ONU, governos, fundações, sociedade civil, academia, setor privado e jovens. O objetivo é combater a exploração, tráfico e todas as formas de violência e tortura a crianças.

Parceria

A representante especial do secretário-geral sobre Violência a Crianças, Marta Santos Pais, falou à Rádio ONU sobre a nova iniciativa. Segundo ela, esta é a "promoção de uma grande aliança entre governos nacionais, instituições das Nações Unidas, ONGs, centros de pesquisa e de estudos".

"Que juntando as mãos poderão ajudar a tornar mais conhecidas as razões pelas quais as crianças continuam a ser vítimas de violência, que tem muitas vezes a ver com o fato de se pensar que bater na criança é uma forma de a educar, a disciplinar, ou porque não exista legislação que proiba a utilização dos maus-tratos contra a criança. É a oportunidade de criar uma prevenção alargada das situações de violência e ao mesmo tempo mecanismos de proteção para as crianças que possam sofrer esses mesmos maus-tratos."

Marta Santos Pais destacou ainda que a Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável identifica como uma de suas metas a eliminação de todas as formas de violência a crianças.

1 Bilhão 

No ano passado, mais de 1 bilhão de crianças entre dois e 17 anos sofreram algum tipo de violência, seja física, psicológica ou sexual.

"Não é só um número alarmante. Não é só pensar em cada uma das histórias dramáticas, traumáticas, sofridas por cada uma dessas crianças, mas é também pensar que estamos a falar em metade das crianças do mundo (…) É importante pensar que muitas das situações de violência não são reportadas às autoridades e, portanto, o bilhão pode ser um número ainda mais elevado, mas, esse número não deve ser um fator que nos desencoraja. Deve ser um fator para nos fazer reconhecer que estamos pressionados pela urgência da intervenção." 

Estratégias 

De acordo com um estudo recente divulgado na publicação "Pediatrics", o homicídio está entre as cinco principais causas de morte para adolescentes. Uma em cada quatro crianças sofre de violência física e uma em cada cinco meninas é abusada sexualmente pelo menos uma vez em suas vidas.

A parceria também lançou um pacote de sete estratégias para evitar a violência a menores, conhecido como Inspire. Entre elas, estão a criação e aplicação de leis, mudança de comportamento e educação.

A atriz Lucy Liu, embaixadora da Boa Vontade do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, também participou do lançamento da parceria global.

Fonte: Rádio ONU

Símbolo de superação, jovem atleta paralímpica vai conduzir a tocha no Pará

23/06/2016

Indicada pelo UNICEF, em parceria com Rio 2016, Adriana já ganhou medalhas de ouro no salto a distância e prata no arremesso de peso

© UNICEF/BRZ/Fred Borba
Aos 15 anos, a paraense Adriana Almeida Santos, de Belém, comemora muitas vitórias. Ela foi diagnosticada com paralisia cerebral aos sete meses de vida, mas, com o apoio da mãe, se supera em tudo o que busca fazer. Cada pequeno passo é uma conquista, principalmente, para quem recebeu o prognóstico de que nunca poderia andar.

Na companhia de um amigo, Adriana caminha diariamente para a escola. E, de tanto treinar no Centro de Referência em Inclusão Educacional, acabou virando atleta paralímpica, conquistando três medalhas de ouro e uma de prata na corrida, entre 2014 e 2015. A jovem agora vive a expectativa de um novo sonho que será realizado no dia 15 de junho, quando ela vai carregar a tocha símbolo dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos.

“Quando eu soube que carregaria a Tocha fiquei muito feliz e surpreendida. Meu coração disparou. Sei que é uma oportunidade muito importante e vai fazer toda a diferença na minha vida”.

Aluna do 6º ano do ensino fundamental, Adriana tem uma rotina comum à das meninas da sua idade. Integrante da rede de adolescentes da Plataforma dos Centros Urbanos (PCU), iniciativa do UNICEF para redução das desigualdades intraurbanas, a jovem é testemunha dos benefícios do esporte para todas as crianças e todos os adolescentes.

“É importante a prática de esporte porque está me ajudando a aprender. Por causa do esporte, estou melhor na escola, brinco mais e sou mais ativa. Antes eu tinha muita dificuldade de andar, de aprender e, com o esporte, eu melhorei muito”.

Para o Fundo das Nações Unidas pela Infância (UNICEF), histórias como a de Adriana são um exemplo para mostrar o poder do esporte como ferramenta de inclusão.

“Quando falamos em inclusão social de crianças e adolescentes com deficiência, não basta colocá-las em sala de aula. É preciso criar condições reais para que possam aprender e se desenvolver de maneira integral. O esporte tem se mostrado como uma estratégia valiosa para essa conquista. Afinal, quando todos jogam juntos, todos saem ganhando”, comenta Fabio Morais, coordenador do Escritório do UNICEF em Belém.

UNICEF nos Jogos Olímpicos

Adriana faz parte de um grupo de seis jovens de diversas regiões do país que foram escolhidos, dentro da parceria do UNICEF com a Rio 2016, para conduzir a tocha olímpica. Eles terão a missão de representar os 2,2 bilhões de crianças e adolescentes dos cinco continentes e simbolizam a esperança de um mundo melhor, no qual os seus direitos e garantias fundamentais são respeitados.

Sobre o UNICEF – O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) promove os direitos e o bem-estar de cada criança em tudo o que faz. Com seus parceiros, trabalha em 190 países e territórios para transformar esse compromisso em ações concretas que beneficiem todas as crianças, em qualquer parte do mundo, concentrando especialmente seus esforços para chegar às crianças mais vulneráveis e excluídas.

Mais informações:
Assessoria de Comunicação do UNICEF
Ida Pietricovsky de Oliveira
Telefone: (91) 3073 5700
E-mail: ipoliveira@unicef.org
Immaculada Prieto
Telefone: (21) 3147 5706
E-mail: iprieto@unicef.org
Pedro Ivo Alcantara
Telefone: (61) 3035 1947
E-mail: pialcantara@unicef.org

"Por um mundo melhor para as crianças", estudante de Sobral participa do revezamento da Tocha Olímpica



12/06/2016

Indicado pelo UNICEF, em parceria com Rio 2016, Edilson também acendeu a pira Olímpica e discursou para uma praça lotada

Rio de Janeiro/Brasília/Sobral, 8 de junho de 2016 – Na noite de quarta-feira 8 de junho, Edilson Freitas da Silva Filho, de 14 anos, assumiu o último trecho do revezamento da Tocha Olímpica em Sobral. Ele recebeu a chama de Juliana de Lima, paratleta tricampeã escolar em atletismo. Na caminhada até o palco, foi acolhido pelo carinho e entusiasmo da família, dos colegas e professores da escola. E teve a honra de acender a pira Olímpica de sua cidade.

"É muita emoção estar aqui, representando as crianças de todo o mundo. Desejo um mundo melhor, mais justo, e que todas as crianças tenham o direito de ser o que sonharem", discursou o adolescente no palco, bastante emocionado. Ao reencontrar os amigos, foi disputado para fotos e abraços e reforçou o desejo expresso no palco: "Fui escolhido por causa da minha história de superação e quero que todos possam ter seus projetos de vida".

Edilson mora no assentamento Oiticica, no distrito de Aracatiaçu, localizado a 60 quilômetros de Sobral, no Semiárido cearense. Na área rural onde vive, a realidade de muitas crianças e adolescentes é marcada pela dificuldade em completar os estudos, seja pela distância da escola ou pela necessidade de apoiar o sustento da família. Edilson perdeu a mãe 12 dias após seu nascimento e foi criado pelos avós maternos, que vivem da agricultura familiar no Semiárido.

Os avós de Edilson não foram alfabetizados, mas sempre apoiaram os estudos dos netos. "Eu até queria muito estudar, mas tinha de ajudar a família. Sempre falo para eles que é importante, para ter uma vida diferente", conta a avó Aparecida Francisca dos Santos.

Edilson entrou na educação infantil aos 4 anos. Hoje, no 9º ano, estuda na escola de tempo integral Colégio Sobralense Maria de Lourdes de Vasconcelos, inaugurado em 2014 no próprio distrito. E ele planeja ser professor de matemática no local em que nasceu e cresceu.

O diretor do Colégio Sobralense, professor Sérgio Barbosa Alves, relata que o ensino integral tem permitido a esses meninos e meninas dar grandes saltos em seu desenvolvimento. E Edilson reconhece no esporte, uma de suas atividades preferidas, um dos diferenciais da escola: "Ajuda muito a me desenvolver, já que é preciso lidar com um time inteiro. Nunca é pegar bola e sair correndo sozinho". Como lembra o professor de educação física, Cícero Romão Tavares Ramos, o menino que chegou ao colégio bastante retraído, hoje fala à vontade da própria história, é louco por esportes e interage com os colegas.

As oportunidades que Edilson tem encontrado na educação são iniciativas que destacam a certificação do município de Sobral em seis edições do Selo UNICEF Município Aprovado. "Trabalhamos para que as crianças e adolescentes possam ter um horizonte independente do território em que vivem. E o UNICEF tem sido um importante parceiro nesse sentido, ajudando a construir conquistas que ninguém tira", destaca Carmen Soares de Sousa, articuladora do Selo UNICEF em Sobral.

Para o coordenador do escritório do UNICEF em Fortaleza, Rui Aguiar, "a participação de Edilson no revezamento da Tocha Olímpica ajuda a mostrar para o mundo que todos os meninos e todas as meninas estão cheios de possibilidades, desde que sejam protegidos e considerados integralmente".

UNICEF e Rio 2016 – Edilson faz parte de um grupo de seis adolescentes de diversas regiões do País que foram escolhidos, dentro da parceria do UNICEF com o Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos Rio 2016, para conduzir a tocha olímpica. Com a missão de representar os 2,2 bilhões de crianças e adolescentes dos cinco continentes, eles simbolizam a construção de um mundo que garanta uma oportunidade justa para cada criança.

Selo UNICEF – O Selo UNICEF Município Aprovado é uma iniciativa para superar as desigualdades que afetam as crianças e os adolescentes que vivem no Semiárido e na Amazônia Legal Brasileira. Mais de 1.700 municípios brasileiros estão inscritos na atual edição dessa iniciativa. A Edição 2013-2016 é uma realização do UNICEF com o apoio da Petrobras, Coelce, Cemar e Fundação Telefônica.

Sobre o UNICEF – O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) promove os direitos e o bem-estar de cada criança em tudo o que faz. Com seus parceiros, trabalha em 190 países e territórios para transformar esse compromisso em ações concretas que beneficiem todas as crianças, em qualquer parte do mundo, concentrando especialmente seus esforços para chegar às crianças mais vulneráveis e excluídas.

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Assessoria de Comunicação do UNICEF
Immaculada Prieto
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E-mail: iprieto@unicef.org


MSF responde a surto grave de malária na RDC

MSF responde a surto grave de malária na RDC
Foto: Natacha Buhler/MSF

20/05/2016

A última ocorrência de uma epidemia como a atual foi em 2012, quando foram tratadas mais de 60 mil crianças

Na segunda-feira, 9 de maio, 141 crianças foram internadas durante a noite no hospital geral de referência de Pawa, na província de Haut-Uele, no nordeste da República Democrática do Congo. Havia de duas a três crianças em cada um dos 22 leitos da ala pediátrica e colchões estavam espalhados pelo chão, entre os leitos e pelos corredores. Um surto excepcionalmente grave de malária atingiu a área de saúde de Pawa e a vizinha Boma Mangbetu.

Faltam medicamentos para tratar a malária nos centros de saúde das zonas de saúde de Pawa e Boma Mangbetu.“Estamos tão cansados de assistir crianças morrerem!”, exclama o líder das comunidades de Gatua durante uma reunião com um enfermeiro da organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF). “Estamos enterrando crianças ininterruptamente desde março. O centro de saúde não tem mais medicamentos para malária e as mães estão levando suas crianças para casa para morrer. A única coisa que elas podem fazer é resfriar seus filhos com água para baixar a febre.”

No início de maio, MSF lançou uma intervenção de emergência nas zonas de saúde de Pawa e Boma Mangbetu em resposta a um pedido das autoridades de saúde, já sobrecarregadas. O primeiro passo dado pela organização foi a distribuição de aproximadamente 10 mil tratamentos antimalária baseados em artemisinina e de um grande número de testes rápidos de diagnóstico para 32 centros de saúde, a fim de garantir que a doença seja tratada rápida, efetiva e gratuitamente a nível local.

“Somente uma vez nos deparamos com situação similar: em 2012, durante uma intervenção nas áreas de Ganga-Dingila, Pawa, Poko e Boma-Mangbetu tratamos mais de 60 mil crianças com malária”, explica Florent Uzzeni, gestor adjunto de programa de emergência de MSF. “Hoje, nosso objetivo primário é tratar crianças com malária simples o mais rápido possível, para que elas não desenvolvam malária grave.”

Se a doença for tratada em tempo, e com a medicação correta, o risco de complicações pode ser significativamente reduzido. No entanto, a atual falta de medicamentos e seu custo excessivo levou à multiplicação dos casos de malária, causando muitas mortes de crianças em suas casas, sem acesso a cuidados de saúde. Portanto, MSF também vai oferecer suporte aos hospitais gerais de referência de Pawa e Boma Mangbety no tratamento desses casos com complicações, que geralmente demandam cuidados intensivos, transfusões de sangue e oxigenoterapia. A equipe médica de MSF também fortalecerá a equipe médica do Ministério da Saúde. Além disso, a organização oferecerá os equipamentos e medicamentos necessários, além de treinamento para melhorar a qualidade dos cuidados.

“Vamos oferecer ajuda nas áreas com os maiores números de casos de malária, mas sabemos que outras áreas de saúde nas províncias de Haut-Uele, Bas-Uele e Ituri também foram afetadas”, continua Florent Uzzeni. “Tratamentos efetivos existem e se todos os atores envolvidos no combate à malária no país agirem rapidamente, vamos conseguir impedir a morte de muitas crianças em consequência dessa epidemia.”


Violência contra mulheres e crianças: uma luta diária na Papua Nova Guiné

Foto: Jodi Bieber

05/03/2016

A enfermeira de MSF Aoife Ní Mhurchú fala sobre os esforços da organização para atender vítimas de violência familiar e sexual

Papua Nova Guiné

Na primeira vez em que conheci Mary, ela veio ao projeto de cirurgia de emergência da organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) em Tari, na Papua Nova Guiné (PNG), com ferimentos por todo o seu corpo, pois seu marido havia a agredido com um pedaço de pau. Na segunda vez em que a vi no hospital, ela estava com lacerações terríveis em sua mão; seu marido havia tentado “cortar” sua cabeça com um machete e ela havia levantado a mão para se proteger. Na terceira vez, ele havia dado um soco nela e quebrou seu nariz. E, na quarta vez, menos de um mês atrás, tivemos de suturar cortes na cabeça e nas costas dela depois dele tê-la agredido brutalmente com uma pedra.

Depois, no fim de semana passado, Mary aventurou-se a sair para ir ao mercado em Tari, desafiando as ordens estritas de seu marido para que fique em casa em todos os momentos. Quando ele a encontrou, atacou-a em público, quebrando um braço e uma perna. Agora, ela está de volta ao nosso hospital – pela quinta vez – em uma cadeira de rodas, recuperando-se lentamente.

Ao longo dos últimos oito meses, eu tenho trabalhado como enfermeira gestora do projeto de MSF em Tari – a capital remota de um distrito remoto nesse país insular pouco conhecido no norte da Austrália. Nós trabalhamos na ala cirúrgica do hospital provincial, por vezes ajudando a estabilizar pacientes com ferimentos graves de acidentes rodoviários, queimaduras e abcessos na pele. Mas quase um terço de nossos pacientes são pessoas que foram gravemente feridas por violência familiar e sexual. Quase todos são mulheres e crianças. Nós oferecemos cuidados médicos de primeira linha e cirurgia, quando necessário, no hospital e depois as levamos para receber tratamento especializado e cuidados de saúde mental no Centro de Apoio à Família de MSF logo ali ao lado.

Foto: Jodi Bieber
MSF começou a atuar na PNG há nove anos porque havia uma necessidade enorme desses serviços específicos; frequentemente, eu ouvia as pessoas da comunidade dizendo que MSF havia salvado milhares de vidas estando aqui. Essa parte – ajudar a fazer uma diferença significativa na vida de nossos pacientes – tem sido extremamente gratificante. Mas eu não posso ignorar os problemas que nós, como uma organização, não podemos resolver.

Toda vez que a Mary vinha para receber tratamento, ela estava com muito medo de voltar para casa e ser agredida novamente. Mas ela estava com mais medo ainda do que poderia acontecer se ela deixasse seus três filhos sozinhos, ou sozinhos com seu marido, então sempre recusou meus convites para passar a noite internada.

Nessa última vez, no entanto, quando eu disse a ela que seus ferimentos estavam tão graves que ela não poderia ir para casa, ela teve de ficar internada, e eu pude ver que ela estava aliviada. Ela ainda estava preocupada com seus filhos, mas agora ela teve um tempo de refúgio forçado do seu algoz.

Eu queria que a Mary fosse um caso excepcional, um extremo do que vemos no hospital e no Centro de Apoio à Família. Mas ela não é. MSF tratou 27.993 sobreviventes de violência familiar e sexual desde 2009 e o número aumenta todo ano. Muitas de nossas pacientes vieram mais de uma vez – mulheres presas em relacionamentos abusivos, ou crianças que provavelmente foram abusadas por um membro da família ou por outra pessoa conhecida.

Foto: Jodi Bieber
Isso não é uma exclusividade de PNG, claro. MSF trata pacientes de violência sexual em todo o mundo e, com exceção de zonas de conflito, onde o estupro é muito usado como arma de guerra ou por homens que se aproveitam de uma “quebra” na ordem, a maioria das pessoas que são estupradas já conhecia seu abusador. A diferença na PNG é que os sobreviventes de violência familiar ou sexual, inclusive crianças, frequentemente não tem lugar para onde ir que não seja de volta ao mesmo local inseguro onde nós e eles sabemos que é provável que sofram abusos novamente.

Quando MSF começou a manter esses programas na PNG, havia pouquíssimos programas de qualquer tipo que ofereciam assistência a vítimas de violência familiar e sexual. Hoje, após vários anos oferecendo cuidados médicos e psicológicos, treinando profissionais nacionais, compartilhando modelos de cuidados e trabalhando com o governo para priorizar as necessidades médica e de saúde mental de uma população que sofre níveis extremos de violência, tem havido algumas melhorias. Nesse mês, por exemplo, nós repassaremos o projeto em Tari para as autoridades de saúde provinciais (MSF continuará mantendo outros projetos no país, principalmente para tratar a tuberculose).

Eu senti diferentes emoções a respeito disso, para ser sincera. Enquanto tenho confiança na maravilhosa equipe nacional que MSF treinou e sei que há indivíduos comprometidos em manter esses programas de tratamento com seriedade, ainda há muito pouca proteção disponível para mulheres e crianças que sofrem padrões de abuso. Quando as fraturas de Mary cicatrizaram, não havia nenhum lugar em Tari, ou em grande parte da PNG, para ela e seus filhos buscarem segurança: nenhuma casa segura, nenhum abrigo, nenhum serviço familiar.

Foto: Jodi Bieber
Embora seja difícil encontrar dados nacionais confiáveis, estima-se que as taxas de abuso familiar e sexual na PNG estejam entre as mais altas do mundo, a não ser em uma zona de conflito. Os dados de MSF mostram que a maioria das nossas pacientes é abusada por parceiros, cônjuges, ou membros familiares, e mais da metade é criança. Cerca de metade das nossas pacientes disseram que foram estupradas em casa: uma em cada 10 mulheres disseram que eram violentadas sexualmente de forma rotineira, enquanto duas em cada cinco crianças foram abusadas sexualmente mais de uma vez.

Em muitos dias, vemos lembretes dolorosos da disseminação da violência aqui: nossas próprias profissionais nacionais às vezes vêm trabalhar doloridas demais ou foram espancadas e não conseguem exercer suas funções. As próprias enfermeiras, conselheiras de saúde mental, cozinheiras e profissionais de limpeza que nos ajudam a tratar as mulheres e crianças por esses abusos vis são vítimas deles em suas casas.

Divórcios são possíveis, mas muito complicados. Aqui em Tari, quando uma mulher é casada, o homem deve pagar um “dote de casamento” para a família da noiva. O dote pode ser uma grande quantia – em alguns casos, a tribo inteira do homem contribui com dinheiro e pecuária – e a família da mulher, e sua tribo, devem concordar em devolver o “preço” da noiva antes que ela possa deixar o casamento. Os tribunais tradicionais dos vilarejos podem conceder a uma mulher um divórcio, mas nesta sociedade fortemente patriarcal, eles relutam em fazê-lo.

Foto: Jodi Bieber
O governo deu passos na direção certa, mas seus esforços ainda são iniciais. Unidades de violência familiar e sexual recentemente estruturadas em algumas estações policiais estão definhando sem números adequados de profissionais treinados. A Lei de Proteção à Família, de 2003, que tornou a violência familiar um crime passível de punição – pela primeira vez – não está sendo aplicada adequadamente. E, após sete anos de análise, um ato em prol do bem-estar infantil foi aprovado no ano passado, obrigando os oficiais de proteção à criança a prevenir e responder ao abuso infantil e dando a policiais o poder de remover uma criança de uma situação em que ele ou ela esteja em risco para uma casa segura licenciada. Mas regulamentações para reforçar esse ato não foram aprovadas, e o progresso tem estado estagnado. Além disso, apenas quatro das 22 províncias do país têm orçamento para sua implementação.

Tenho orgulho do trabalho que MSF desenvolveu na PNG, mas estou preocupada que embora tenhamos ajudado a tornar cuidados médicos e de saúde mental urgentemente necessários disponíveis para esses sobreviventes, nós talvez estejamos meramente “consertando-os” para que depois voltem para mais sofrimento, mais abuso, mais violência sexual. Por quanto tempo eles permanecerão sobreviventes?

A única maneira de haver qualquer esperança de um futuro para Mary e todas as outras mulheres e crianças que vivem em um ciclo de abuso na PNG é o governo encontrar vontade política para acompanhar e agir para resolver essas questões. Também é preciso vontade política por parte dos países que doam para a PNG – Austrália sendo o maior deles e os EUA e a União Europeia sendo contribuintes substanciais – para pressionar o país a fazê-lo.

O Dia Internacional da Mulher é no dia 8 de março; é uma boa hora para trazer atenção às vidas de mulheres e crianças desse lugar tão afastado, e para lembrar nossos governos do poder que têm para ajudar a fazer uma diferença significativa.


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