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Lançada nova parceria global para acabar com violência a crianças

Crianças em Juba, no Sudão do SUl. Foto: ONU/JC McIlwaine

13/07/2016

Para representante especial do secretário-geral sobre a questão, iniciativa é "promoção de grande aliança" entre governos nacionais, instituições da ONU, ONGs, centros de pesquisa"; em entrevista à Rádio ONU, Marta Santos Pais afirmou que 1 bilhão de crianças sofreram violência em 2015.

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova York.

Nesta terça-feira, nas Nações Unidas, crianças se uniram a líderes mundiais para lançar uma nova parceria global e um fundo para tornar o fim da violência a menores uma prioridade e uma responsabilidade coletiva. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, participou do evento.

"Fim da Violência a Crianças – A Parceria Global", em tradução livre, reúne  ONU, governos, fundações, sociedade civil, academia, setor privado e jovens. O objetivo é combater a exploração, tráfico e todas as formas de violência e tortura a crianças.

Parceria

A representante especial do secretário-geral sobre Violência a Crianças, Marta Santos Pais, falou à Rádio ONU sobre a nova iniciativa. Segundo ela, esta é a "promoção de uma grande aliança entre governos nacionais, instituições das Nações Unidas, ONGs, centros de pesquisa e de estudos".

"Que juntando as mãos poderão ajudar a tornar mais conhecidas as razões pelas quais as crianças continuam a ser vítimas de violência, que tem muitas vezes a ver com o fato de se pensar que bater na criança é uma forma de a educar, a disciplinar, ou porque não exista legislação que proiba a utilização dos maus-tratos contra a criança. É a oportunidade de criar uma prevenção alargada das situações de violência e ao mesmo tempo mecanismos de proteção para as crianças que possam sofrer esses mesmos maus-tratos."

Marta Santos Pais destacou ainda que a Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável identifica como uma de suas metas a eliminação de todas as formas de violência a crianças.

1 Bilhão 

No ano passado, mais de 1 bilhão de crianças entre dois e 17 anos sofreram algum tipo de violência, seja física, psicológica ou sexual.

"Não é só um número alarmante. Não é só pensar em cada uma das histórias dramáticas, traumáticas, sofridas por cada uma dessas crianças, mas é também pensar que estamos a falar em metade das crianças do mundo (…) É importante pensar que muitas das situações de violência não são reportadas às autoridades e, portanto, o bilhão pode ser um número ainda mais elevado, mas, esse número não deve ser um fator que nos desencoraja. Deve ser um fator para nos fazer reconhecer que estamos pressionados pela urgência da intervenção." 

Estratégias 

De acordo com um estudo recente divulgado na publicação "Pediatrics", o homicídio está entre as cinco principais causas de morte para adolescentes. Uma em cada quatro crianças sofre de violência física e uma em cada cinco meninas é abusada sexualmente pelo menos uma vez em suas vidas.

A parceria também lançou um pacote de sete estratégias para evitar a violência a menores, conhecido como Inspire. Entre elas, estão a criação e aplicação de leis, mudança de comportamento e educação.

A atriz Lucy Liu, embaixadora da Boa Vontade do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, também participou do lançamento da parceria global.

Fonte: Rádio ONU

Iêmen: MSF discute situação humanitária no país durante conferência em Amã

Foto: Guillaume Binet/MYOP

21/08/2015

Organização pediu às partes em conflito que diminuam o nível de sofrimento dos civis

A organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) realizou a conferência “Situação humanitária e de saúde no Iêmen” em Amã, na Jordânia, no dia 10 de agosto, para discutir a atual crise humanitária no Iêmen com a imprensa internacional. Abaixo, a declaração do Dra. Ghazali Babiker, coordenadora-geral de MSF no Iêmen, que abriu o encontro:

“Queridos colegas e convidados, obrigada por se juntarem a nós hoje para discutirmos a atual crise humanitária no Iêmen. Nós organizamos essa conferência para compartilhar nossas crescentes preocupações com nossos pacientes e suas famílias no Iêmen, e com todos aqueles que não conseguem ter acesso a um médico ou enfermeiro, ou a uma estrutura de saúde em funcionamento, no momento em que mais precisam.

Os últimos meses têm sido marcados por um agravamento contínuo da situação dos civis no Iêmen. O início de uma campanha de bombardeio aéreo internacional em março de 2015 é o último estágio da transição política falha que está em curso desde que o ex-presidente Saleh deixou o cargo há mais de três anos. O resultado é que a população do Iêmen está sofrendo diariamente por causa da violência em andamento, temendo por suas vidas e por aqueles que amam, assim como lutando para achar alimentos e água suficientes para sobreviver. Isso também significa uma deterioração contínua da capacidade de qualquer pessoa, de gestantes a combatentes feridos, de obter cuidados de saúde. Algumas instalações de saúde e profissionais médicos têm sido diretamente afetados ou até estado sob a mira de ataques. Muitas, senão a maioria, das clínicas de saúde foram fechadas porque faltam suprimentos médicos para que funcionem efetivamente, ou porque o pessoal médico fugiu. As estruturas de saúde que ainda estão operando estão funcionando a baixa capacidade, na medida em que há pouco combustível. Com a escassez de combustíveis e opções de transporte, as instalações de saúde que ainda estão funcionando são de difícil acesso para aqueles que precisam de cuidados.

A falta de suprimentos médicos e a disponibilidade escassa de combustíveis e alimentos são efeitos secundários tangíveis do bloqueio de armas imposto pela coligação no início do conflito. Em abril, o Conselho de Segurança da ONU reforçou a legitimidade desse embargo de armas, o que, na prática, puniu os civis e causou sofrimento direto dentro do Iêmen. Mesmo que o objetivo do embargo seja outro, as consequências da diminuição de importações em geral chegando aos portos e aeroportos iemenitas têm impactado de forma negativa a população, que já está enfraquecida há décadas pela pobreza e desnutrição crônica. Hoje, nós fazemos um apelo a todos aqueles em posição de facilitar a chegada de itens humanitários, como alimentos, combustível e suprimentos médicos, a fazê-lo rapidamente.

Mas essas restrições externas impostas aos iemenitas não são os únicos obstáculos enfrentados por aqueles que necessitam urgentemente de assistência médica: em um Iêmen cada vez mais dividido, atormentado por confrontos ativos e mudanças de linhas de frente, as pessoas enfrentam cada vez mais o dilema de postergar a visita a instalações de saúde para evitar a entrada em zonas de perigo ou ter de passar por pontos de controle pelos quais emergências médicas frequentemente não são permitidas.

A assistência humanitária deve ser oferecida às pessoas em maior necessidade, e facilitada pelas partes em conflito, de acordo com o direito internacional humanitário. No Iêmen, a oferta de assistência humanitária neutra e independente está sendo obstruída por processos complicados, tentativas de uso da influência onde a assistência é prestada e bloqueio e apreensão de suprimentos humanitários. As partes do conflito no Iêmen buscam controlar os poucos recursos humanitários disponíveis nas regiões que dominam, mas deveriam entender que a prestação de assistência humanitária não influenciará de modo algum o resultado do conflito nem a opinião das pessoas sobre quem é responsável por seu sofrimento ou pelos preços absurdos de itens básicos.

Enquanto isso, a resposta de emergência internacional a essa crise humanitária tem sido abaixo do necessário e está limitada em seus escopo e impacto. O Iêmen está em uma fase extrema e complexa do conflito, demandando profissionais humanitários com experiência em conflitos e crises e líderes qualificados para negociar e oferecer assistência a comunidades vulneráveis além das linhas de frente de batalhas e preferências partidárias. Nós precisamos reconhecer os riscos que os agentes de saúde estão correndo no Iêmen. O dever humanitário é grande, e algumas organizações provaram que atuar dentro do país, em grande escala, com pessoal internacional experiente, é possível.

Um problema frequente tem sido o desinteresse de doadores financeiros internacionais diante dos apelos emergenciais feitos por organizações humanitárias. Atualmente, a maioria dessas organizações são obrigadas a usar recursos de uma das únicas fontes disponíveis – uma fundação de caridade saudita – para realizar atividades humanitárias neutras e imparciais no Iêmen. Um financiamento como este pode ser visto como suspeito por grupos de oposição armados em campo, e qualquer agência de ajuda afeita a uma parte do conflito pode perder sua aceitação local e afetar a percepção de neutralidade de outros atores envolvidos com ela.

Considerando-se todo o sistema de ajuda internacional, é preciso fazer mais pelo Iêmen imediatamente. A mobilização de agências humanitárias com experiência em conflitos e crises, os mecanismos de financiamento rápido e o reenvio urgente de profissionais especialistas para ficarem permanentemente no Iêmen são fundamentais para recuperar qualquer aspecto de uma resposta de emergência eficaz.

Mas agentes de saúde e assistência humanitária também podem servir como um pequeno band-aid em uma época de sangramento intenso. Toda a boa vontade da assistência neutra não terá êxito se as partes em conflito não fizerem sua parte no sentido de facilitar esses esforços, afastando-se de seu possível objetivo de se apropriar da assistência para suprir seus próprios objetivos políticos e militares. Por último, as partes do conflito devem encontrar formas de minimizar o sofrimento imposto aos civis iemenitas ao evitar o direcionamento de ataques a bairros densamente povoados e a infraestruturas civis, como hospitais e estações de tratamento de água; permitindo que suprimentos urgentemente necessários cheguem àqueles mais necessitados; e envolvendo-se em qualquer iniciativa que busque diminuir os níveis de violência em campo. Tréguas ou acordos de cessar-fogo mais abrangentes devem ser incentivados para facilitar o acesso de comunidades que vivem em temor constante a suprimentos básicos e cuidados médicos.

A população do Iêmen demanda um esforço maior da parte de profissionais humanitários e mais respeito às suas necessidades por parte dos envolvidos nos confrontos. Espera-se que suas necessidades urgentes sejam ouvidas por aqueles que podem ter um impacto benéfico sobre sua luta diária por sobrevivência.

Obrigada pelo seu tempo e atenção.”

Fonte: MSF


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