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EM MENSAGEM DE PÁSCOA, FRANCISCO PEDE FIM DE CONFLITOS NO MUNDO

Cerca de 100 mil fiéis se reuniram na Praça de S. Pedro, no Vaticano

01/04/2018

Em discurso no Vaticano, papa expressou preocupação com violência na Ucrânia, Síria, República Centro-Africana, no Sudão do Sul e na Venezuela. E ressaltou a mensagem de amor ao próximo pregada por Cristo.

Em sua mensagem de Páscoa pronunciada neste domingo (01/04) no Vaticano, o papa Francisco apelou para que tenham fim as velhas e novas hostilidades. Referindo-se às tensões na Ucrânia, ele exortou todos os envolvidos a encontrar uma solução através de negociações, com o auxílio da comunidade internacional.

O pontífice dirigiu-se também às partes em conflito na Síria, para que coloquem fim à violência, sobretudo contra a população civil. Ao mesmo tempo, expressou aos cerca de 100 mil fiéis reunidos da Praça de São Pedro a esperança de que as negociações de paz entre israelenses e palestinos terão resultado positivo.

Sobre a onda de perseguição a cristãos, Francisco lamentou os atentados contra igrejas na Nigéria, assim como os sequestros de padres e bispos em diversos locais. Ele ainda chamou, expressamente, a atenção para a violência da República Centro-Africana, no Sudão do Sul e na Venezuela.

"Bom almoço"

O papa lembrou que a boa nova do Cristo ressuscitado na Páscoa "é sair de si mesmo para ir ao encontro do outro, é permanecer junto de quem a vida feriu, é partilhar com quem não tem o necessário, é ficar ao lado de quem está doente, é idoso ou excluído".

Durante a missa de Páscoa na Praça de São Pedro, Francisco rezou para que o Senhor ressuscitado ajude a humanidade a vencer a chaga da fome, “agravada pelos conflitos e por um desperdício imenso de que muitas vezes somos cúmplices”, assim como para proteger os indefesos, “sobretudo as crianças, as mulheres e os idosos, por vezes objeto de exploração e de abandono”.

Ao fim da cerimônia do Domingo de Páscoa, o papa argentino de 77 anos concebeu a tradicional benção Urbi et Orbi (à cidade de Roma e ao mundo). A exemplo do ano anterior, ele abriu mão das saudações pascais em diversos idiomas, como era hábito de seus antecessores, João Paulo 2º e Bento 16. Em vez disso, Francisco se despediu singelamente, desejando "bom almoço", antes de atravessar, no papamóvel aberto, a multidão reunida na praça.

Fonte: DW


ONU MARCA DIA MUNDIAL HUMANITÁRIO COM APELO EM PROL DE CIVIS EM CONFLITOS

Funcionários na sede da ONU juntos pela campanha #NotATarget. 
Foto: ONU News/Paulina Carvajal

19/08/2017

Operações ocorrem em 40 países; registos indicam que ocorreram mais de 200 grandes ataques contra as operações de ajuda  com 101 trabalhadores humanitários mortos.

Eleutério Guevane, da ONU News em Nova Iorque.

As Nações Unidas assinalam este 19 de agosto o Dia Mundial Humanitário apelando à solidariedade aos civis afetados pelos conflitos.

Por ocasião da data, o subsecretário-geral para Assistência Humanitária, Stephen O’Brien, pediu à comunidade internacional que proteja os trabalhadores do setor que "mesmo à custa da sua vida oferecem ajuda no mundo".

Operações

Em conversa com a ONU News, em Nova Iorque, o responsável destacou não haver bem público internacional de maior valor que buscar salvar vidas e proteger civis afetados em crises.

Stephen O’Brien  defende que os funcionários humanitários não são um alvo e "a sua proteção deve ser uma prioridade" em conflitos. Segundo o responsável,  o tipo de operações ocorre em 40 países e "muitos estão nesses locais há vários anos apesar das dificuldades".

Para O’Brien, o Dia Mundial Humanitário é uma oportunidade para que os países se concentrem em proteger os trabalhadores da área, particularmente os que atuam no setor da saúde.

O Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários revela que em 2016 houve 201 grandes ataques contra as operações de ajuda, tomando como referência as informações do projeto Base de Dados de Segurança dos Trabalhadores Humanitários.

Pelo menos 101 funcionários do setor  foram mortos nesses incidentes, 98 ficaram feridos e 89 foram sequestrados.

Síria 

Na entrevista, o subsecretário geral lamentou o recente assassinato de sete voluntários socorristas na Síria, conhecidos como Capacete Brancos, destacando que "infelizmente, esses incidentes tornam cada vez mais comuns".

O’Brien enfatizou que tanto os países como os trabalhadores e coordenadores humanitários  continuam a demonstrar força, determinação, coragem e convicção para salvar vidas e proteger civis isolados em crises.

Fonte: Rádio ONU

MAIS DE 500 MIL CRIANÇAS FORAM AFETADAS PELO CONFLITO NA UCRÂNIA

Devido ao conflito na Ucrânia, uma em cada cinco escolas foi danificada 
ou destruída. Foto: Unicef/Aleksey Filippov

20/02/2016

Alerta foi feito pelo Unicef que disse ainda que um em cada três menores de idade necessita de ajuda psicológica; agência da ONU afirmou que dois anos de violência, bombardeios e medo deixaram marcas permanentes nas crianças.

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef alertou esta sexta-feira que o conflito na Ucrânia afetou profundamente a vida de 580 mil crianças que vivem em áreas não controladas pelo governo e perto das frentes de batalha, no leste do país.

O Unicef calcula que pelo menos 200 mil, uma em cada três, precisem de ajuda psicológica.

Marcas Permanentes

Segundo a representante da agência da ONU na região, Giovanna Barberis, "dois anos de violência, bombardeios e medo deixaram marcas permanentes em milhares de menores de idade na região leste da Ucrânia".

Barberis disse que "é preciso alcançar essas crianças urgentemente para atender suas necessidades físicas e psicológicas".

O Unicef afirma que mais de 215 mil crianças estão deslocadas nas áreas de conflito. Além disso, uma em cada cinco escolas foi danificada ou destruída.

No ano passado, mais de 20 crianças morreram por causa da violência e mais de 40 ficaram feridas, muitas das mortes e dos ferimentos foram causados pela explosão de minas terrestres.

Epidemias

O Unicef informou que o país registrou um surto de poliomielite 19 anos depois de ter erradicado a doença. As autoridades disseram que a falta de acesso a serviços de saúde e também a falta de remédios ameaçam o surgimento de mais epidemias.

Giovanna Barberis pediu a todos os lados em conflito na Ucrânia que garantam liberdade de movimento e o livre acesso de ajuda humanitária para as crianças na região.

O Unicef está trabalhando com vários parceiros para levar serviços básicos aos menores de idade.

Até agora, a agência conseguiu fornecer ajuda psicológica para mais de 46 mil crianças e treinamento a quase 5 mil professores e psicólogos para que possam identificar qualquer sinal de angústia ou sofrimento.

A agência da ONU conseguiu também levar água potável para 1,6 milhão de pessoas e materiais de higiene para mais de 164 mil crianças e adultos.

Fonte: Rádio ONU

O medo que os segue: oferecendo cuidados de saúde mental para refugiados no Chade

Foto: Sylvain Cherkaoui/Cosmos

29/08/2015

Psicólogos de MSF já atenderam cerca de 524 pacientes desde março deste ano

Ataques perpetrados pelo grupo Boko Haram na região do Lago Chade se intensificaram nas últimas semanas, e, como resposta, a presença militar na área também foi ampliada. O número de pessoas forçadas a deixar suas casas mais que dobrou, levando a um total de 75 mil deslocados no Lago Chade. O medo que se instaurou entre a população – que é composta por refugiados do Níger e da Nigéria, além de chadianos – tem sido cada vez mais acentuado pela violência contínua, que não mostra quaisquer sinais de arrefecimento. As necessidades de saúde mental são muitas, e com esse recente aumento da violência, elas só continuarão crescendo.

Desde o início de sua resposta à crise no Chade, em março de 2015, a organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) observou uma necessidade imediata de incorporar cuidados psicológicos às suas atividades médicas. Hoje, atuando no campo de refugiados de Dar Es Salam, na região do Lago Chade, os psicólogos de MSF ouvem as histórias de horror e de medo que assombram o cotidiano dos sobreviventes do conflito. Entre os pacientes que buscam apoio psicológico na clínica de MSF no acampamento, um em cada quatro apresentam sinais de depressão. Distúrbios de sono, reações emocionais intensas e de ansiedade relacionadas com o trauma também são comuns.

“Eu atendi Abeni*, uma menina de 16 anos que fugiu de Baga, na Nigéria”, lembra Forline Madjibeye, psicóloga de MSF. “Os pais dela foram mortos, assim como seus vizinhos. Ela pegou a mão do seu irmão pequeno e do seu sobrinho, bem como das quatro crianças que pertenciam aos vizinhos, e, de alguma maneira, chegou até aqui. Eu falei com ela ontem e ela disse que ainda não tem um cartão de refugiada, então não está recebendo nenhum alimento. As crianças ficam chorando porque estão com fome.”

Escapar dessa situação e chegar a um local com condições de vida extremamente difíceis só intensificam os efeitos psicológicos de um trauma como esse. De acordo com Forline Madjibeye, a responsabilidade de tomar conta de seis crianças em um acampamento de refugiados, junto ao que ela presenciou na Nigéria, teve um peso enorme sob Abeni. Ela continua sentindo medo, não consegue dormir, é extremamente estressada, e está sofrendo com depressão porque seu futuro é completamente incerto.

“Nós queremos poder devolver à Adeni algum senso de controle, para que ela possa lidar melhor com o medo e a tristeza que está sentindo e cuidar de si mesma e das crianças”, continua Forline Madjibeye. “Essa não é uma situação fácil, e outras pessoas, infelizmente, também passaram por isso. Então eu a encorajo a compartilhar suas experiências com os demais refugiados, e a não ficar em casa sozinha.”

Com o aumento da violência na região, a insegurança tem perseguido os refugiados desde o momento em que deixaram seus lares. Embora possam ter acreditado estarem fugindo rumo à segurança, eles ainda são assombrados pelos eventos, não se sentem seguros, e, assim, continuam revivendo o trauma. Seu “lar” agora é uma junção de tendas estruturadas no meio do deserto, onde eles podem estar vulneráveis a futuros ataques.

Aurelia Morabito, uma psicóloga que atua com MSF no Lago Chade há dois meses, explica que os sintomas apresentados pelos pacientes estão intrinsecamente ligados aos eventos traumáticos que viveram, mas também às condições de vida precárias e ao sentimento de medo que os refugiados enfrentam quando chegam ao acampamento.

“O processo de recuperação é longo. As pessoas testemunharam coisas horríveis; elas se tornaram refugiadas e depois chegaram a um acampamento onde a vida é sombria e muito difícil. Inicialmente, os pacientes têm estresse, não pós-traumático conseguem dormir. Mas não há outra opção além de ficar. Você não é só uma vítima do Boko Haram, você agora precisa passar pelo processo de aceitação de viver como um refugiado, ou de ter que tocar a vida em outro lugar, ou de ter que conviver com a realidade de que você não tem ideia do que o amanhã lhe reserva.”

Desde que o programa teve início em março, os psicólogos de MSF atenderam cerca de 524 pacientes. As equipes ofereceram consultas individuais, em família ou em dupla, e as crianças também podem participar de uma oficina de desenhos semanal para expressar o que estão sentindo.

“É mais fácil para as crianças expressarem o que estão sentindo por meio de desenhos”, diz Aurelia Morabito. “Depois, nós conversamos com elas e com seus pais sobre os desenhos, com o objetivo de ajudá-las a controlar seus medos. Em cada sessão, as crianças relembram histórias horríveis por meio de seus desenhos. Nós vemos ilustrações de armas e de helicópteros, e de pessoas decapitadas. Ouvimos histórias de crianças que fugiram da Nigéria, para depois sofrerem outro ataque no Níger, para voltarem novamente à Nigéria e presenciarem a violência mais uma vez. Muitas fugiram sozinhas durante a noite, ou passaram a noite escondidas na água, esperando que ninguém as encontrasse.”

The aim of the MSF mental health team is to provide support to the refugees to lessen the burden of the trauma, and to ensure that they have a professional to talk to for as long as they need. Psychologists listen to patients in a safe and confidential space, and through acknowledgement of their suffering, help them find the best coping strategies.

O objetivo da equipe de saúde mental de MSF é oferecer apoio aos refugiados para diminuir o fardo do trauma, e para assegurar que eles tenham um profissional com quem falar pelo tempo que precisarem. Os psicólogos ouvem os pacientes em um espaço seguro e confidencial, e por meio do conhecimento de seu sofrimento, os ajudam a encontrar as melhores formas de lidar com aquilo.

“Durante nossas sessões, os psicólogos de MSF ouvem e tentam normalizar as reações dos refugiados”, explica Aurelia. “Isso ajuda a estabilizar e a passar segurança aos pacientes enquanto eles se conectam com outros e compartilham experiências. Nós sabemos que não conseguimos parar o sofrimento, mas podemos ajudar as pessoas a lidarem melhor com suas reações insuportáveis.”

MSF atua na região do Lago Chade, no Chade, desde março de 2015, pouco depois das primeiras ondas de refugiados fugindo da violência do Boko Haram na Nigéria. Além de seu programa de saúde mental no campo de refugiados de Dar Es Salam, MSF também está administrando clínicas móveis que oferecem cuidados básicos de saúde à população local e deslocada. Em breve, a organização também irá incorporar um componente de saúde mental a essas clínicas móveis.

Na capital N’djamena, MSF apoiou hospitais do Ministério da Saúde após dois ataques do Boko Haram que aconteceram nos dias 15 de junho e 11 de julho. Desde abril, MSF treina funcionários do Ministério da Saúde na gestão de vítimas em grande quantidade de uma só vez, e fez doações a três hospitais da capital, para ajudar a ampliar a capacidade nacional de responder a cenários de emergência.

MSF atua no Chade desde 1981. A organização administra programas regulares em Abéché, Am Timan, Massakory e Moissala. Em julho deste ano, MSF também começou a trabalhar em Bokoro, na província de Hadjer Lamis, em resposta à desnutrição aguda na região.

*O nome foi alterado para proteger a identidade.

Fonte: MSF


Iêmen: MSF discute situação humanitária no país durante conferência em Amã

Foto: Guillaume Binet/MYOP

21/08/2015

Organização pediu às partes em conflito que diminuam o nível de sofrimento dos civis

A organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) realizou a conferência “Situação humanitária e de saúde no Iêmen” em Amã, na Jordânia, no dia 10 de agosto, para discutir a atual crise humanitária no Iêmen com a imprensa internacional. Abaixo, a declaração do Dra. Ghazali Babiker, coordenadora-geral de MSF no Iêmen, que abriu o encontro:

“Queridos colegas e convidados, obrigada por se juntarem a nós hoje para discutirmos a atual crise humanitária no Iêmen. Nós organizamos essa conferência para compartilhar nossas crescentes preocupações com nossos pacientes e suas famílias no Iêmen, e com todos aqueles que não conseguem ter acesso a um médico ou enfermeiro, ou a uma estrutura de saúde em funcionamento, no momento em que mais precisam.

Os últimos meses têm sido marcados por um agravamento contínuo da situação dos civis no Iêmen. O início de uma campanha de bombardeio aéreo internacional em março de 2015 é o último estágio da transição política falha que está em curso desde que o ex-presidente Saleh deixou o cargo há mais de três anos. O resultado é que a população do Iêmen está sofrendo diariamente por causa da violência em andamento, temendo por suas vidas e por aqueles que amam, assim como lutando para achar alimentos e água suficientes para sobreviver. Isso também significa uma deterioração contínua da capacidade de qualquer pessoa, de gestantes a combatentes feridos, de obter cuidados de saúde. Algumas instalações de saúde e profissionais médicos têm sido diretamente afetados ou até estado sob a mira de ataques. Muitas, senão a maioria, das clínicas de saúde foram fechadas porque faltam suprimentos médicos para que funcionem efetivamente, ou porque o pessoal médico fugiu. As estruturas de saúde que ainda estão operando estão funcionando a baixa capacidade, na medida em que há pouco combustível. Com a escassez de combustíveis e opções de transporte, as instalações de saúde que ainda estão funcionando são de difícil acesso para aqueles que precisam de cuidados.

A falta de suprimentos médicos e a disponibilidade escassa de combustíveis e alimentos são efeitos secundários tangíveis do bloqueio de armas imposto pela coligação no início do conflito. Em abril, o Conselho de Segurança da ONU reforçou a legitimidade desse embargo de armas, o que, na prática, puniu os civis e causou sofrimento direto dentro do Iêmen. Mesmo que o objetivo do embargo seja outro, as consequências da diminuição de importações em geral chegando aos portos e aeroportos iemenitas têm impactado de forma negativa a população, que já está enfraquecida há décadas pela pobreza e desnutrição crônica. Hoje, nós fazemos um apelo a todos aqueles em posição de facilitar a chegada de itens humanitários, como alimentos, combustível e suprimentos médicos, a fazê-lo rapidamente.

Mas essas restrições externas impostas aos iemenitas não são os únicos obstáculos enfrentados por aqueles que necessitam urgentemente de assistência médica: em um Iêmen cada vez mais dividido, atormentado por confrontos ativos e mudanças de linhas de frente, as pessoas enfrentam cada vez mais o dilema de postergar a visita a instalações de saúde para evitar a entrada em zonas de perigo ou ter de passar por pontos de controle pelos quais emergências médicas frequentemente não são permitidas.

A assistência humanitária deve ser oferecida às pessoas em maior necessidade, e facilitada pelas partes em conflito, de acordo com o direito internacional humanitário. No Iêmen, a oferta de assistência humanitária neutra e independente está sendo obstruída por processos complicados, tentativas de uso da influência onde a assistência é prestada e bloqueio e apreensão de suprimentos humanitários. As partes do conflito no Iêmen buscam controlar os poucos recursos humanitários disponíveis nas regiões que dominam, mas deveriam entender que a prestação de assistência humanitária não influenciará de modo algum o resultado do conflito nem a opinião das pessoas sobre quem é responsável por seu sofrimento ou pelos preços absurdos de itens básicos.

Enquanto isso, a resposta de emergência internacional a essa crise humanitária tem sido abaixo do necessário e está limitada em seus escopo e impacto. O Iêmen está em uma fase extrema e complexa do conflito, demandando profissionais humanitários com experiência em conflitos e crises e líderes qualificados para negociar e oferecer assistência a comunidades vulneráveis além das linhas de frente de batalhas e preferências partidárias. Nós precisamos reconhecer os riscos que os agentes de saúde estão correndo no Iêmen. O dever humanitário é grande, e algumas organizações provaram que atuar dentro do país, em grande escala, com pessoal internacional experiente, é possível.

Um problema frequente tem sido o desinteresse de doadores financeiros internacionais diante dos apelos emergenciais feitos por organizações humanitárias. Atualmente, a maioria dessas organizações são obrigadas a usar recursos de uma das únicas fontes disponíveis – uma fundação de caridade saudita – para realizar atividades humanitárias neutras e imparciais no Iêmen. Um financiamento como este pode ser visto como suspeito por grupos de oposição armados em campo, e qualquer agência de ajuda afeita a uma parte do conflito pode perder sua aceitação local e afetar a percepção de neutralidade de outros atores envolvidos com ela.

Considerando-se todo o sistema de ajuda internacional, é preciso fazer mais pelo Iêmen imediatamente. A mobilização de agências humanitárias com experiência em conflitos e crises, os mecanismos de financiamento rápido e o reenvio urgente de profissionais especialistas para ficarem permanentemente no Iêmen são fundamentais para recuperar qualquer aspecto de uma resposta de emergência eficaz.

Mas agentes de saúde e assistência humanitária também podem servir como um pequeno band-aid em uma época de sangramento intenso. Toda a boa vontade da assistência neutra não terá êxito se as partes em conflito não fizerem sua parte no sentido de facilitar esses esforços, afastando-se de seu possível objetivo de se apropriar da assistência para suprir seus próprios objetivos políticos e militares. Por último, as partes do conflito devem encontrar formas de minimizar o sofrimento imposto aos civis iemenitas ao evitar o direcionamento de ataques a bairros densamente povoados e a infraestruturas civis, como hospitais e estações de tratamento de água; permitindo que suprimentos urgentemente necessários cheguem àqueles mais necessitados; e envolvendo-se em qualquer iniciativa que busque diminuir os níveis de violência em campo. Tréguas ou acordos de cessar-fogo mais abrangentes devem ser incentivados para facilitar o acesso de comunidades que vivem em temor constante a suprimentos básicos e cuidados médicos.

A população do Iêmen demanda um esforço maior da parte de profissionais humanitários e mais respeito às suas necessidades por parte dos envolvidos nos confrontos. Espera-se que suas necessidades urgentes sejam ouvidas por aqueles que podem ter um impacto benéfico sobre sua luta diária por sobrevivência.

Obrigada pelo seu tempo e atenção.”

Fonte: MSF


Ucrânia: MSF continua expandindo suas atividades após mais de um ano de conflito

Foto: Jon Levy/MSF

18/06/2015

Milhares de pessoas que vivem em vilarejos remotos estão sem acesso a cuidados de saúde adequados

Mais de um ano após o início do conflito no leste da Ucrânia, as necessidades médicas continuam latentes para moradores e pessoas deslocadas em ambos os lados da linha de frente de batalha. Muitos profissionais de saúde deixaram o país e as linhas de suprimentos médicos foram cortadas ou gravemente interrompidas, deixando milhares de pessoas que vivem em vilarejos remotos sem acesso a cuidados de saúde adequados. Muitas instalações médicas foram danificadas ou destruídas, e ainda há escassez crítica de medicamentos básicos e especializados.

MSF continua expandindo suas atividades médicas para responder às necessidades das pessoas vivendo nas áreas mais atingidas e das pessoas que tiveram de fugir do conflito. MSF mantém escritórios em Kyiv, Artemivsk, Kurakhove, Donetsk, Mariupol e Lugansk e suas atividades são realizadas por 69 profissionais internacionais e 341 profissionais locais.

Cuidados básicos de saúde

Desde janeiro, MSF tem administrado clínicas móveis nas regiões de Donetsk e Lugansk, nos dois lados da linha de frente, para oferecer cuidados básicos de saúde em cidades e vilarejos a moradores e pessoas deslocadas que vivem em acomodações temporárias. As equipes têm expandido as atividades e, hoje, administram clínicas móveis em cerca de 80 locais, concentrando esforços no atendimento às pessoas que vivem em áreas rurais e remotas, onde as necessidades são mais agudas. Em Debaltsevo, que foi devastada pelo conflito em janeiro e fevereiro e onde as pessoas estão vivendo em condições precárias, uma equipe de MSF está conduzindo consultas a domicílio para os pacientes mais idosos, que não têm condições de se locomover, e também equipou uma van para oferecer consultas médicas nos arredores da cidade. Em março e abril, MSF realizou 396 visitas domiciliares e 1.216 consultas na clínica móvel.

Muitas das pessoas que permaneceram nas áreas mais afetadas são as mais vulneráveis da comunidade – os idosos, deficientes e doentes –, que não tiveram meios de sair dali. Os médicos de MSF atendem, principalmente, pacientes com doenças crônicas, assim como infecções respiratórias, porque muitas casas tiveram as janelas quebradas e as pessoas estão vivendo em abrigos pouco aquecidos. Em duas instalações para idosos e doentes no sul da região de Lugansk, MSF também oferece cuidados fisioterápicos e treinamentos, assim como assistência para fornecimento e adaptação de próteses para melhorar a mobilidade do paciente.

Programa de saúde mental

MSF também está expandindo seu programa de saúde mental para beneficiar mais pessoas afetadas pelo conflito, pacientes em instalações sociais, pessoas deslocadas, bem como profissionais médicos. Mais de 2.400 consultas individuais foram conduzidas de maio de 2014 a maio de 2015. Muitos pacientes estão traumatizados pelos eventos que vivenciaram e podem ter insônia ou sentir ansiedade. Alguns testemunharam bombardeios e a perda de seus entes queridos diretamente, enquanto outros se separaram de suas famílias quando fugiram. MSF oferece aconselhamento aos pacientes para tentar aliviar os sintomas mais agudos que apresentam. Os psicólogos da organização também têm conduzido um programa de treinamento para psicólogos locais, assistentes sociais e profissionais médicos que trabalham em regiões afetadas para ajudar a aprimorar suas habilidades e evitar que fiquem esgotados. Desde agosto, eles realizaram mais de 540 sessões de treinamento, tratando de tópicos como primeiros socorros psicológicos, gestão de estresse e manejo de pacientes agressivos.

Suprimentos médicos

Com as linhas de suprimentos médicos gravemente prejudicadas ou inteiramente cortadas no leste do país desde a metade do verão passado, e instalações de saúde localizadas em áreas controladas por rebeldes não incluídas no orçamento de saúde do governo ucraniano de 2015, tem havido uma escassez crítica de medicamentos na região. Desde o início do conflito, MSF forneceu medicamentos, materiais médicos e equipamentos para mais de 130 instalações, hospitais, ambulatórios e instalações sociais.

Programa de tuberculose multirresistente a medicamentos no sistema penitenciário

MSF tem administrado um programa de tuberculose multirresistente a medicamentos na Ucrânia desde 2011, e, atualmente, tem 170 pacientes em tratamento em cinco centros de detenção provisória e prisões em Mariupol, Artemovsk, Dnepropetrovsk, Dzhanivka e Donetsk. A equipe que atua ali oferece todos os medicamentos necessários para tratar a doença e ajudar os pacientes a lidarem com os efeitos colaterais do tratamento. Quando o conflito começou no leste da Ucrânia, a gestão do programa de TB tornou-se um verdadeiro desafio, levando MSF a, eventualmente, interromper as atividades nos centros de detenção, na medida em que os bombardeios tornaram muito perigoso para as equipes chegarem aos locais. No entanto, mesmo que a equipe não tenha conseguido chegar até ali, MSF se certificou de que os medicamentos ainda estavam disponíveis, como têm estado, sem interrupção, ao longo de todo o conflito.

Atualmente, MSF retomou sua presença regular nas instalações e está ajudando a preencher algumas das lacunas na equipe médica. Muitos dos pacientes que interromperam seus tratamentos já o reiniciaram, e os dados mostram bons resultados em termos de adesão ao tratamento. MSF também está ajudando a controlar a propagação da doença dentro do sistema penitenciário, oferecendo apoio com diagnóstico precoce e melhorando os mecanismos de controle da infecção.

Desde maio de 2014, MSF ofereceu: suprimentos médicos para o tratamento de 20.750 pacientes feridos de guerra; medicamentos para tratar 32.700 pacientes com doenças crônicas; suprimentos para ajudar médicos a realizarem 53.200 consultas de cuidados básicos de saúde; e suprimentos para apoiar partos seguros de 3.300 mulheres. Além disso, conduziu 2.405 sessões de aconselhamento individual e 541 sessões de treinamento psicológico. Atualmente, a organização está apoiando 170 pacientes com tuberculose resistente a medicamentos em cinco instalações penitenciárias.

Fonte: MSF


Boina Azul é "símbolo de esperança" para milhões de pessoas em zonas de conflito

Boinas azuis da ONU. Foto: ONU/Logan Abassi

31/05/2015

Avaliação é do secretário-geral das Nações Unidas em mensagem sobre o Dia Internacional das Forças de Manutenção da Paz da ONU; data é celebrada nesta sexta-feira, 29 de maio;  organização tem, atualmente, mais de 107 mil militares e policiais participando em 16 operações de paz em todo o mundo.

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova York.

As operações de manutenção da paz das Nações Unidas deram vida ao objetivo da Carta da ONU de "unir forças para manter a paz e segurança internacionais". A avaliação é do secretário-geral em mensagem sobre o Dia Internacional das Forças de Manutenção da Paz da ONU. A data é celebrada nesta sexta-feira, 29 de maio.

Ban Ki-moon afirmou que "através de anos de luta e sacrifício, o icônico capacete azul ganhou seu lugar como símbolo de esperança para milhões de pessoas que vivem em áreas atingidas pela guerra".

Números

A ONU tem no momento mais de 107 mil boinas azuis uniformizados, militares e policiais, de 122 países, servindo em 16 missões.

Em seus 70 anos, as Nações Unidas estabeleceram 71 operações de paz. Segundo Ban, mais de 1 milhão de pessoas serviram como boinas azuis, ajudando países a ganhar independência, apoiando eleições "históricas", desarmando centenas de milhares de ex-combatentes, estabelecendo o Estado de Direito, promovendo direitos humanos e criando condições para que refugiados e deslocados retornem para casa".

Para o chefe da ONU, "todos devem se orgulhar destas conquistas".

Reconhecimento

A importância do reconhecimento ao trabalho dos soldados de paz da ONU também foi ressaltada pelo general Paul Cruz. Ele foi comandante das forças da Missão de Estabilização da ONU no Haiti, Minustah, no período após o terremoto que atingiu o país, em 2010.

Atualmente, o general brasileiro é diretor do Escritório para Parcerias Estratégicas para Operações de Paz da ONU. Ele falou sobre a importância do Dia Internacional das Forças de Manutenção da Paz da ONU.
"Eu julgo muito importante o reconhecimento de todos para aqueles que trabalham diuturnamente em lugares isolados, muito difíceis, sob condições bastante desafiadoras e recebem agora o reconhecimento pelo seu trabalho. O trabalho de trazer esperança às pessoas que estão em situações difíceis nos seus países".

África

A maior das operações é a Missão da ONU na República Democrática do Congo, Monusco, com mais de 20 mil boinas azuis uniformizados, entre militares e policiais.

O general brasileiro Carlos Alberto dos Santos Cruz  é o comandante das forças militares da Monusco. De Ruanda, ele falou à Rádio ONU que as lições aprendidas na operação no país africano podem ajudar missões em outros locais.

“Esta missão dá oportunidade de aplicar todas as técnicas bem como atividades militares e civis, para que se possa ajudar o governo. Sem dúvida nenhuma, noutros locais vão acontecer situações similares a aquelas que nós temos aqui, que têm uma variedade muito grande de situações, dependendo da região e do grupo armado.”

Haiti

O general José Luiz Jaborandy Jr, comandante das forças da Minustah, também conversou com a Rádio ONU.

De Porto Príncipe, capital do Haiti, ele falou sobre a importância da data celebrada nesta sexta-feira e o tema do dia este ano, "Juntos pela paz: passado, presente e futuro".

"Para nós do componente militar, nós somos apenas um pilar de uma Missão de Manutenção da Paz. É importante que todos os outros parceiros estejam presentes. Nós temos que entender a segurança, que é promovida pelas forças militares como a base sólida para a construção da estabilidade. Assim que, uma Missão de Paz está baseada em muitos setores e não apenas, obviamente, no setor militar, que tem como responsabilidade primária a conquista e a manutenção da segurança no contexto da paz."

Desafios

Na mensagem sobre o Dia Internacional das Forças de Manutenção da Paz da ONU, o secretário-geral afirmou que as "missões de manutenção de paz da ONU estão se adaptando a novas realidades" e mencionou diversos desafios.

Em outubro do ano passado, Ban estabeleceu um novo Painel Independente de Alto Nível sobre Operações de Paz.

Painel de Alto Nível

O novo painel deve fazer uma avaliação completa da situação das operações de paz da ONU e apontar necessidades futuras. O grupo discute temas como mudanças na natureza dos conflitos, mandatos, eficiência dos escritórios, desafios na manutenção da paz, direitos humanos e proteção de civis.

A equipe será liderada pelo ex-presidente do Timor-Leste, José Ramos Horta. Em entrevista à Rádio ONU em fins do ano passado, Horta afirmou que pretende ouvir a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Cplp, sobre a revisão da arquitetura da paz e segurança das Nações Unidas.

"Eu tenho toda a intenção de ouvir, num dado momento, a Cplp, no quadro do meu mandato na comissão porque todos eles (os países-membros) passaram por diferentes experiências de manutenção de paz e restauração da paz."

Mortes

Ainda em mensagem sobre a data, Ban afirmou que o dia é "de honrar a memória dos que deram suas vidas pela causa da paz e prestar homenagem a todos os homens e mulheres que continuam seu legado servindo no terreno".

Mais de 3,3 mil boinas azuis morreram em serviço sob a bandeira da ONU, incluindo 126 no último ano. Segundo o secretário-geral, os riscos continuam a crescer com os boinas azuis sendo alvos de explosivos improvisados ou ataques terroristas complexos.

Fonte: Rádio ONU


Sudão do Sul: situação humanitária se torna alarmante com escalada de conflito

Foto: MSF

26/05/2015

Aumento da violência forçou a interrupção de serviços médicos, destruiu estruturas de saúde e forçou a retirada de profissionais médicos

A intensificação dos confrontos no Sudão do Sul está expondo os civis à violência generalizada e restringindo gravemente o oferecimento de ajuda que é urgentemente necessária, afirmou a organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF).

Um aumento da violência nos estados de Unity, Jonglei e Alto Nilo resultou na interrupção de serviços médicos e na destruição de estruturas de saúde. Profissionais médicos tiveram de ser evacuados.

“A escalada [da violência] deixou as pessoas em zonas de conflito expostas à violência e sem cuidados médicos e assistência humanitária, que são muito necessários”, disse Paul Critchley, coordenador-geral de MSF no Sudão do Sul. “Todas as partes do conflito devem respeitar civis e estruturas de saúde, a fim de evitar ainda mais sofrimentos desnecessários.”

No estado de Alto Nilo, MSF está oferecendo assistência médica essencial para salvar vidas de pessoas que foram feridas em confrontos violentos em Melut, apesar de não poder mais enviar suprimentos médicos e profissionais. A insegurança em andamento está impedindo aviões de pousarem e forçou centenas de pessoas a buscarem abrigo no complexo de “Proteção de Civis”, da Organização das Nações Unidas (ONU), nos últimos dias. A capacidade de MSF de oferecer cuidados àqueles em necessidade está em risco, a menos que a passagem de profissionais e suprimentos seja garantida.

Em Malakal, MSF também está tratando os feridos dos recentes combates, embora os confrontos tenham impedido a prestação de assistência médica na semana passada para cerca de 30 mil pessoas que estão vivendo no complexo de “Proteção de Civis”, local que tem visto um enorme fluxo de recém-chegados. A situação altamente volátil continua impedindo a entrada de equipes na cidade de Malakal, onde boa parte dos combates ocorreram.

No estado de Jonglei, a cidade de Phom El-Zeraf (Nova Fangak) estava na linha de frente de batalha ao longo dos últimos meses. Durante uma visita à região na terça-feira (19/05), uma equipe de MSF descobriu que a cidade havia sido efetivamente destruída, com árvores e casas desabadas após incêndios e prédios escolares destruídos. O hospital, uma das principais instalações de saúde na parte norte do estado, foi demolido. Sua destruição tem grande impacto sobre as pessoas em uma área com poucas alternativas de cuidados médicos.

No estado de Unity, MSF foi forçada a evacuar seu hospital na cidade de Leer, em 9 de maio deste ano, na medida em que a linha de frente de batalha se aproximou, deixando aproximadamente 200 mil pessoas na região sem nenhum cuidado médico. MSF fez contato, no começo desta semana, com um trabalhador sul-suldanês, que relatou que ele estava escondido com muitos outros civis em uma ilha no pântano, para evitar estar em meio a tiroteios.

“Um foguete carregado de granadas caiu  na água ao lado dele, mas, felizmente, não detonou. Ele passou nove horas na água. Quando conseguiu voltar para a ilha, entregou os corpos de duas crianças que havia retirado da água para seus pais. Ele disse que uma mulher do grupo foi sequestrada e alguém está cuidando do bebê dela”, disse Paul Critchley.

Em Bentiu, os confrontos e a insegurança ao longo das últimas semanas forçaram MSF a suspender diversas clínicas móveis nos arredores da região. Em Nhialdiu, MSF estava oferecendo consultas médicas todos os dias para centenas de pessoas. A organização continua administrando um hospital dentro do complexo de “Proteção de Civis” em Bentiu, que recebeu mais de 11 mil recém-chegados – a maioria deles são mulheres e crianças. Muitas pessoas compartilharam com MSF histórias terríveis da violência da qual  estão escapando: vilarejos inteiros incendiados; famílias separadas; ataques e matanças; tendo de deixar feridos para trás; e violência sexual contra mulheres e crianças. MSF tratou uma mulher grávida que chegou com uma perna gravemente ferida de uma bomba que havia explodido. Ela não pôde receber nenhuma assistência médica por nove dias.

Aqueles que conseguiram chegar a um dos complexos de “Proteção de Civis” também não estão sendo poupados da violência. Bombardeios e tiroteiros frequentes, próximos das áreas onde os civis estão abrigados, resultaram em balas e bombas ultrapassando o local e ferindo moradores em diversas ocasiões. Em março, MSF tratou uma criança de nove anos que foi atingida por um tiro disparado do lado de fora do complexo de “Proteção de Civis” enquanto ela dormia ali dentro. Tensões sectárias também estão elevadas dentro dos acampamentos, com o hospital de MSF em Bentiu tratando o triplo do número de ferimentos relacionados à violência: foram quase 150 casos em abril e cerca de 50 casos todos os meses no ano passado. A estação chuvosa que se aproxima e as condições de superlotação agravadas pelo recente influxo de novas chegadas em vários acampamentos são causas adicionais de preocupação.

MSF é uma das maiores provedoras de ajuda médica e humanitária no Sudão do Sul, tendo mais de 3.500 profissionais pelo país,  além de projetos na Etiópia e em Uganda que recebem refugiados do Sudão do Sul. Até agora, MSF opera projetos em seis dos 10 estados do país, incluindo em Unity, Alto Nilo e Jonglei, onde o conflito tem tido um custo elevado para a vida da população. MSF também administra atividades na Área Administrativa de Abyei. As equipes estão respondendo a diversas necessidades de saúde, incluindo cirurgias, cuidados obstétricos, malária, calazar, vacinações contra doenças evitáveis e desnutrição. MSF pede a todas as partes do conflito que respeitem instalações médicas para permitir que organizações de ajuda tenham acesso a comunidades afetadas e que permitam que pacientes recebam tratamentos médicos, independentemente de suas origens ou etnias. Até agora, neste ano, MSF ofereceu 167.207 consultas ambulatoriais, das quais 62.269 foram para crianças com menos de cinco anos; 10.367 pacientes foram hospitalizados, dos quais 5.123 eram crianças com menos de cinco anos; realizou 5.096 cirurgias e 3.587 partos; 1.102 pacientes estão sob tratamento para calazar; 6.243 crianças foram tratadas por desnutrição, das quais 1.102 foram hospitalizadas.

Fonte: MSF


Otan exige que Rússia 'retire todas as forças' do leste da Ucrânia

Soldados ucranianos são vistos em tanque em rodovia a caminho de 

Debaltseve, no leste da Ucrânia (Foto: Petr David Josek/AP)

18/02/2015

Organização pediu o fim do apoio do país aos separatistas.
Ucrânia diz que já está retirando tropas da região leste do país.

A Otan exigiu nesta quarta-feira (18) que a Rússia retire todas as suas forças militares do leste da Ucrânia, cesse seu apoio aos separatistas e respeite o cessar-fogo acordado em Minsk na semana passada.

"Peço que a Rússia retire todas as suas forças do leste da Ucrânia, cesse seu apoio aos separatistas e respeite os acordos de Minsk", afirmou o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, aos jornalistas na capital da Letônia, Riga.

ONU lamenta violência

O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) disse nesta terça-feira (17) que lamenta a manutenção da violência em partes do leste da Ucrânia, apesar do anúncio do cessar-fogo. Rebeldes pró-Rússia bombardearam tropas do governo cercadas no leste da Ucrânia nesta terça, e o plano para que os dois lados retirassem o seu armamento pesado não foi executado, deixando um frágil acordo de paz perto do colapso.

Debaltseve, Ucrânia



O Conselho adotou um rascunho de resolução russo endossando um acordo de paz mediado pela Europa na Ucrânia e convocou todas as partes para implementá-lo, enquanto a trégua começou a desfazer-se rapidamente nesta terça-feira.

O presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, partiu de avião de Kiev para "o front" na quarta-feira, e a TV ucraniana disse que ele afirmou a jornalistas antes de deixar a capital do país que forças do governo estão deixando a cidade sitiada de Debaltseve.

A agência AFP ouviu a mesma informação de uma autoridade policial da região.  "Estamos retirando algumas de nossas unidades", disse Ilia Kiva, subchefe da polícia regional, ao mesmo tempo que destacou que os ucranianos não abandonaram a cidade.

"Os combates nas ruas continuam. Aconteceu uma pequena batalha de tanques", completou.

"Uma parte das tropas ucranianas continua em Debaltsev, onde realiza uma operação especial', afirmou à AFP um porta-voz militar, Vladislav Seleznev. As autoridades ucranianas pediram ao Ocidente uma resposta "severa" contra a Rússia pela entrada dos rebeldes pró-Rússia em Debaltseve, que fica entre as cidades de Donetsk e de Lugansk.

Fonte: Globo.com


Exército da Nigéria diz que matou mais de 300 combatentes do Boko Haram

A operação de dois dias para libertar Monguno e dez outras comunidades destruiu um 
esconderijo de equipamento, armas e munições, diz Exército nigeriano 
Agência Lusa/EPA/Tony Nwosu

18/02/2015

O Exército nigeriano afirmou hoje (18) que matou mais de 300 combatentes do Boko Haram na retomada esta semana da cidade de Monguno, no estado de Borno, no Nordeste do país, que tinha sido tomada pelos jihadistas em 25 de janeiro.

“Mais de 300 terroristas foram mortos e alguns foram capturados” pelo Exército, que registrou nas suas fileiras dois mortos e dez feridos, declarou o porta-voz do Ministério da Defesa, Chris Olukolade, em comunicado.

Olukolade disse que a operação de dois dias para libertar Monguno e dez outras comunidades destruiu um esconderijo de equipamento, armas e munições, onde foram encontrados diferentes tipos de veículos blindados de combate, uma arma antiaérea, metralhadoras, cinco lança-granadas e 45 caixas de munições.

Monguno está localizada a 125 quilômetros ao Norte de Maiduguri (capital do estado de Borno), considerada pelos jihadistas uma peça-chave para a constituição do estado islâmico que pretendem implantar no Norte da Nigéria, majoritariamente muçulmano, ao contrário do Sul, de maioria cristã.

Foi em Maiduguri que nasceu, em 2002, o movimento extremista Boko Haram, naquela altura uma seita, que em 2009 se transformou num grupo islamita armado, responsável até agora por 13 mil mortos e 1,5 milhão de deslocados na Nigéria.

Fonte: EBC


"The Military Balance 2015"



12/02/2015

A realidade estratégica em 2015 foi o ressurgimento de conflitos na Europa e uma ameaça cada vez maior de grupos extremistas islâmicos no Oriente Médio e África, disse o Diretor-Geral e Chefe Executivo do IISS, Dr John Chipman, no lançamento do The Military Balance 2015.  Os gastos em defesa global foi de 1,7% em 2014, o primeiro aumento desde 2010. No entanto, os gastos em defesa dos USA, caiu de 47% do total em 2010 para cerca de 38% em 2014.


The Military Balance 2015 contém uma análise de região a região dos principais desenvolvimentos militares e econômicos que afetam as políticas de defesa e segurança, bem como o comércio de armas e outros equipamentos militares. Descreve as entradas detalhadas e as capacidades militares de 171 países, exibindo os estoques de equipamentos e economia da defesa. Abrangendo detalhes das tabelas de encomendas e entregas de armas, as principais atividades de formação e comparações internacionais dos gastos com a defesa e pessoal militar.

Novos recursos do The Military Balance 2015:

- Novas análises dos países, incluindo China, Colômbia, França, Israel, Japão, Quênia, a Ucrânia e os Emirados Árabes Unidos, bem como a análise da evolução de defesa e segurança regionais, como o ISIS, na Síria e no Iraque.

- Novos ensaios analíticos temáticos sobre a guerra híbrida, armas de energia dirigida e sistemas espaciais norte-americanos.

- A nova "Military Balance Wall Chart", com foco em forças armadas da Rússia.

- Novos equipamentos técnicos gráficos, incluindo o desenvolvimento de Flanker variantes combate-aviões da Rússia, da Marinha dos EUA, Zumwalt-class destroyer e de Israel Merkava IV tanque de guerra.

- Gráficos atualizados que apresentam em estatísticas de defesa comparativos, com foco na economia da defesa, indústria de defesa e grandes capacidades de terra, mar e ar.

- Resumos de capacidades nacionais atualizadas.

- Uma nova seção detalhando "equipamentos observados" para os grupos selecionados armados não estatais, incluindo o Peshmerga no norte do Iraque, as forças separatistas no leste da Ucrânia e Boko Haram na Nigéria, entre outros.

- Uma tabela de exercícios de treinamento de militares, organizados por região.

- Novos mapas sobre a presença militar realinhado da França na África, o conflito no leste da Ucrânia, bem como Operação Oceano Índico da AMISOM na Somália.


"Em meio a persistência do conflito e insegurança ampliando, The Military Balance fornece fatos e análises essenciais para os tomadores de decisão e para o debate público mais bem informado." 
Dr Robert M. Gates, ex-secretário de Defesa dos EUA e Diretor de Inteligência Central

"Porque assuntos militares são inevitavelmente envoltos em névoa, o IISS Military Balance é um companheiro essencial para aqueles que procuram entender."
Lord Robertson de Port Ellen, ex-secretário de Defesa do Reino Unido e Secretário-Geral da NATO

Fonte: IISS


Líderes mundiais se reúnem para tentar resolver conflito entre Ucrânia e Rússia



08/02/2015

Os líderes mundiais se reuniram, na Alemanha, para debaterem sobre o conflito entre Rússia e Ucrânia. Putin deixou claro que não pretende entrar em guerra com ninguém. Veja!

Fonte: R7


Jordânia diz que jatos atacaram alvos do EI pelo segundo dia

06/02/2015

A Jordânia afirmou nesta sexta-feira ter realizado um segundo dia consecutivo de ataques aéreos contra militantes do Estado Islâmico para vingar a morte de um piloto jordaniano queimado vivo pelo grupo extremista.

"Vários caças da Força Aérea executaram ataques aéreos contra alvos selecionados da quadrilha Daesh", disse a TV estatal num boletim, usando um nome árabe depreciativo para os militantes.

A Jordânia disse mais cedo que tinha enviado dezenas de caças para atacar alvos do Estado Islâmico na Síria na quinta-feira, incluindo depósitos de munições e campos de treinamento.

Nesta sexta-feira, o Estado Islâmico anunciou que uma refém norte-americana que era mantida refém na Síria foi morta quando caças jordanianos atingiram o prédio onde ela estava, de acordo com o grupo de monitoramento SITE.

O rei Abdullah, da Jordânia, prometeu vingar a morte brutal do piloto Mouath al-Kasaesbeh e ordenou que os comandantes se preparassem para uma intensificação da participação numa coalizão liderada pelos Estados Unidos contra o grupo.

Mas muitos jordanianos temem ser arrastados para um conflito que poderia desencadear uma reação dos militantes linhas-duras dentro do reino.

A Jordânia é um importante país aliado dos EUA na luta contra militantes islâmicos e também acolheu tropas norte-americanas durante as operações que levaram à invasão do Iraque em 2003.

O país também abriga centenas de instrutores militares norte-americanos que reforçam as defesas nas fronteiras da Síria e do Iraque e estão determinados a impedir que os jihadistas cruzem as fronteiras.

Fonte: Exame.com


Líderes mundiais se reúnem para tentar costurar acordo na Ucrânia

Angela Merkel, Petro Poroshenko e François Hollande estão reunidos em Kiev; líder 
ucraniano diz ter esperança de um cessar-fogo em breve (Foto: Divulgação)

06/06/2015

Líderes mundiais estão reunidos em Kiev, capital da Ucrânia, para tentar fechar um acordo de paz para pôr fim aos combates no leste do país.

O presidente francês, François Hollande, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, são alguns dos líderes que participam das reuniões emergenciais.

Kerry disse que Washington quer uma solução diplomática, mas deixou claro que não iria fechar os olhos para a agressão russa.

A Ucrânia e o Ocidente acusam a Rússia de armar os rebeldes no leste do país e de enviar tropas para o outro lado da fronteira.

A Rússia, no entanto, nega envolvimento direto, mas diz que alguns voluntários russos estão lutando ao lado dos rebeldes.

'Impunidade'

O presidente ucraniano, Petro Poroshenko, disse em um comunicado que as conversas com Merkel e Hollande "dão esperanças para um cessar-fogo".

Hollande afirmou que ele e Merkel iriam apresentar uma nova proposta de paz baseada na "integridade territorial" da Ucrânia, o que poderia ser "aceitável para todos".

No entanto, ele alertou que a diplomacia "não pode continuar indefinidamente".

Kerry acusou a Rússia de violar a soberania da Ucrânia, dizendo que Moscou havia agido com "impunidade", atravessando a fronteira com a Ucrânia "à vontade com armas e soldados".

"Nós estamos optando por uma solução pacífica e diplomática, mas não existe uma paz unilateral”, afirmou Kerry.

Nesta semana, a ONU classificou como 'catastrófica' a recente escalada de violência no leste da Ucrânia, diante de novos confrontos armados entre forças do governo e rebeldes separatistas pró-Rússia.

Segundo a ONU, mais de 5 mil pessoas já morreram e outras 12 mil ficaram feridas em razão dos confrontos armados na região.

Fonte: BBC Brasil


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