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NA PRIMEIRA CÚPULA GLOBAL SOBRE TB, MSF PEDE QUE GOVERNOS AUMENTEM ACESSO A DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO ATÉ MARÇO DE 2018

Foto: Luca Sola

17/11/2017

Petição assinada por mais de 30 mil pessoas de 120 países foi apresentada ontem a diretor-geral da OMS e a ministros de Saúde

Na abertura da primeira Conferência Global Ministerial sobre o Fim da Tuberculose, que começou ontem em Moscou, a organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) e a Parceria Stop TB pedem que os países com alta carga de tuberculose (TB) implementem os padrões internacionalmente recomendados para o diagnóstico e o tratamento da doença até 24 de março de 2018, Dia Mundial de Combate à Tuberculose.

A TB é a doença infecciosa mais mortal do mundo, com 1,7 milhão de mortes em 2016. De acordo com o último relatório global sobre a tuberculose da Organização Mundial da Saúde (OMS), progressos no diagnóstico e tratamento de todas as formas de TB estão estagnados na maioria dos países; mais de 4,1 milhões de pessoas com TB continuavam sem diagnóstico ou sem notificação em 2016 e apenas uma em cada cinco pessoas com TB multirresistente a medicamentos (TB-MDR) haviam iniciado o tratamento. Dessas, apenas metade foi curada.

“Por que continuamos nesse descompasso no diagnóstico de pessoas com TB, se esse é o primeiro passo para tratar essa doença curável, prevenindo sua disseminação?”, diz o dr. Francis Varaine, assessor médico de MSF para TB. “Os governos devem avançar urgentemente, a fim de impedir que pessoas morram desnecessariamente de TB.”

De acordo com uma pesquisa publicada na terceira edição do “Out of Step” (Descompasso, em tradução literal para o português), um relatório de MSF e da Parceria Stop TB que avalia as políticas e práticas de TB em 29 países que são responsáveis por três quartos da carga global de tuberculose, 40% das pessoas que vivem com a doença permanecem sem diagnóstico.  Apenas 7 dos 29 países* usam amplamente o Xpert MTB/RIF, um teste molecular rápido para o diagnóstico de TB. Novos medicamentos e regimes de tratamento da tuberculose resistente a medicamentos vêm tendo resultados melhores que os tratamentos-padrão existentes hoje, que curam apenas metade das pessoas com tuberculose resistente e 28% das pessoas que vivem com formas de TB mais perigosas, como a ultrarresistente (TB-XDR). Setenta e nove por cento dos países pesquisados incluem um dos novos medicamentos, a bedaquilina, em seus protocolos nacionais, e 62% incluem a delamanida, o outro medicamento recente. Porém, em nível global, menos de 5% das pessoas que poderiam se beneficiar dessas substâncias tiveram acesso a elas em 2016.
    
Nesta semana, MSF, em parceria com a Stop TB, divulgou o relatório “Descompasso no leste europeu e na Ásia Central”, que apresenta o resultado de uma pesquisa realizada em oito países** sobre práticas e políticas nacionais para a TB. Uma epidemia de tuberculose resistente está crescendo no leste da Europa, onde quase metade de todos os casos de TB são multirresistentes a medicamentos e onde o número de pessoas com tuberculose resistente está aumentando em mais de 20% por ano. Entre os países analisados, 75% adotaram como política o uso do teste molecular rápido para o diagnóstico, em vez de métodos mais antigos e lentos. Ainda assim, apenas metade desses países está de fato usando o teste molecular. Cerca de 46 mil pessoas com tuberculose resistente na região analisada estavam sem diagnóstico em 2015.

“Apesar de sua letalidade, a maioria dos países está atrasada em relação à implementação de mecanismos novos e existentes que já estão disponíveis para combater a TB”, diz Lucica Ditiu, diretora executiva da Parceria Stop TB. “A Conferência Ministerial Global da OMS é o primeiro passo para compromissos concretos, corajosos e mensuráveis por parte dos ministros da Saúde, de modo que chefes de Estado e governo prestem contas durante a reunião de Alto Nível das Nações Unidas sobre a tuberculose.”

Na Conferência Ministerial Global desta semana, Mariam Avanesova, que foi tratada de tuberculose multirresistente na Armênia entre 2010 e 2012 e representa o TBpeople, rede eurasiática de pessoas com experiência de TB, entregou uma petição ao diretor-geral da OMS, o dr. Tedros Ghebreyesus. A petição #TodosContraTB é um apelo urgente para que os ministros da Saúde dos países mais afetados pela TB implementem políticas e práticas de diagnóstico e tratamento alinhadas com os padrões internacionais definidos pela OMS, incluindo o diagnóstico e tratamento das formas de tuberculose resistentes a medicamentos. Lançada por MSF e pela Stop TB, a petição foi assinada por mais de 30 mil pessoas de 120 países, unidas a pessoas afetadas pela TB.

“Depois de ser curada da TB-MDR, decidi continuar trabalhando na área porque considero inaceitável que pessoas estejam morrendo devido a um diagnóstico tardio ou a medicamentos que não funcionam, ou simplesmente por terem desistido em decorrência dos efeitos colaterais que 20 comprimidos por dia durante dois anos podem causar”, diz Avanesova. “Eu realmente quero fazer um apelo a todos os governos para que incrementem rapidamente o acesso a exames e tratamentos para tuberculose para todos os que precisam. Espero que essa conferência traga ações práticas, urgentes e concretas.”

*Armênia, Bielorrússia, Brasil, Geórgia, África do Sul, Suazilândia e Zimbábue.
** Armênia, Bielorrússia, Geórgia, Cazaquistão, Quirguistão, Federação Russa, Tadjiquistão e Ucrânia.

MSF é uma organização internacional humanitária e independente que leva cuidados médicos a pessoas afetadas por conflitos armados, epidemias, desastres naturais e exclusão de acesso a cuidados de saúde. Fundada em 1971, MSF tem projetos em cerca de 70 países hoje. MSF trata pessoas com TB há 30 anos. Em 2016, MSF tratou mais de 20 mil pessoas com TB, sendo 2.700 delas pacientes com TB multirresistente a medicamentos.
A Stop TB, com seus 1.600 integrantes, é uma força coletiva que está transformado a luta contra a TB em mais de 110 países.

Uzbequistão: “MSF está me dando a chance de fazer o meu trabalho favorito e ganhar experiência inestimável, o que me permite ajudar ainda mais as pessoas em necessidade”

Foto: Rolan Abipov/MSF

06/08/2015

Entrevista com Tetyana Pylypenko, líder da equipe médica de MSF e região do Uzbequistão

Tetyana Pylypenko é da Ucrânia e trabalha com MSF há mais de 10 anos em seu país de origem e fora dele. Ela atua na área de enfermagem e, em 2014, assumiu a posição de líder da equipe médica da organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) em Nukus, na região do Caracalpaquistão, no Uzbequistão. Abaixo, ela fala mais sobre seu trabalho com pacientes de tuberculose (TB).

Quando MSF começou a atuar em Nukus?

MSF trabalha com pacientes de TB no Caracalpaquistão desde 1998. Junto ao Ministério da Saúde, a organização implementou um programa de diagnóstico e tratamento de tuberculose sensível a medicamentos, e, ao longo dos anos, o projeto evoluiu e passou a incluir crianças e pacientes com formas da doença resistente a medicamentos (TB-DR). Hoje, todos os pacientes de TB no Caracalpaquistão têm acesso a diagnóstico e tratamento de TB. Atualmente, há cerca de 2 mil pessoas em tratamento para a doença; todos os medicamentos para TB são dados aos pacientes de forma gratuita se eles estiverem oficialmente registrados no programa de TB.

Quais são os desafios do trabalho em Nukus?

Há muitos desafios, mas o principal deles é o fato de que nem sempre os pacientes completam o tratamento. Isso acontece principalmente com aqueles que têm TB-DR – o regime é longo e árduo e cerca de 25% das pessoas interrompem o tratamento antes de completá-lo.

MSF tem feito grandes esforços para melhorar a aderência dos pacientes, e estruturou uma equipe de conselheiros para oferecer apoio psicossocial e educação de saúde, além de oferecer incentivos como pacotes de alimentos. No entanto, infelizmente, o número de pacientes que interromperam o tratamento não diminuiu.

A única forma de realmente melhorar a aderência é diminuir a duração do tratamento, diminuir o número de medicamentos envolvidos e garantir que a medicação possa ser tomada via oral, sem a necessidade de injeções. Em 2013, MSF e o Ministério da Saúde iniciaram um estudo com um regime a curto prazo, de nove meses em vez de dois anos. Cento e quarenta e seis pacientes foram recrutados para participar e, até agora, os resultados preliminares têm sido positivos. Os resultados finais serão apresentados em 2016.  

Quais foram algumas das últimas realizações do programa de TB?

Uma das grandes mudanças ao longo dos últimos anos é que os pacientes não precisam mais ficar no hospital por três meses para fazer o tratamento, podendo ser tratados como pacientes ambulatoriais em casa com suas famílias. Métodos de teste também evoluíram, e com a máquina Gene Xpert, que realiza testes para identificar a presença de TB no escarro, os resultados são disponibilizados em algumas horas, em vez de dias ou semanas. Isso significa que um tratamento efetivo pode começar o mais cedo possível.

Em junho de 2015, MSF introduziu um novo medicamento chamado bedaquilina para tratar pacientes com tuberculose ultrarresistente a medicamentos (TB-XDR). Isso deve aumentar suas chances de sobrevivência. MSF é a primeira organização a trazer a bedaquilina ao país.

Quais são as pretensões de MSF no combate à TB na região?

O principal objetivo do projeto é implementar regimes de tratamento mais curtos, envolvendo menos medicamentos e efeitos colaterais, com melhores resultados para pacientes de TB-DR. Porém, às vezes, as crianças são negligenciadas nos programas de TB, e MSF está envolvida em melhorar o diagnóstico e o tratamento para elas. A combinação de medicamentos (combinar medicamentos para criar uma formulação específica para as necessidades de crianças – e facilitar que sejam tomados via oral) está sendo planejada para os próximos meses.

Qual foi o aspecto mais gratificante da sua participação no projeto?

Ao longo dos quatro anos em que trabalhei no programa de TB, eu o vi evoluir. Graças ao trabalho árduo e ao trabalho conjunto de MSF e do Ministério da Saúde, mudanças aconteceram. Eu lembro de uma vez quando as pessoas estavam se deslocando para regiões do Caracalpaquistão, onde MSF estava atuando para conseguir tratamento para TB, mas elas não podiam ficar longe de suas famílias por muito tempo e muitas não terminaram o tratamento. Outras estavam morrendo porque não tinham opções de tratamento. Agora, todos os pacientes de TB têm acesso ao tratamento onde vivem.

O projeto conta com uma equipe forte e experiente formada por profissionais nacionais, que são muito motivados. Eu fiquei muito feliz em fazer parte de uma equipe tão profissional que ajuda pessoas em necessidade. Não consigo colocar em palavras o quão gratificante é o meu trabalho, e trabalhar com outros profissionais de MSF, do Ministério da Saúde e com pacientes.

Qual conselho você daria para as pessoas que sofrem de TB?

Se você está sofrendo com a TB, receber tratamento não só poderá salvar a sua vida, como também te prevenirá de passar a doença para seus amigos e entes queridos. Lembre-se: medicamentos para TB estão disponíveis e a tuberculose tem cura.

Se você tem TB sensível a medicamentos, o tratamento leva seis meses e os efeitos colaterais são raros. O tratamento para TB resistente a medicamentos é mais longo (cerca de dois anos) e resulta em mais efeitos colaterais, mas esses são controláveis. Eu sei que o tratamento é difícil e que pode ser duro manter a aderência a ele, mas, no fim, o resultado vale a pena.

Se você acha que pode ter os sintomas de TB, visite um médico o mais rápido possível.

E, por favor, nunca desista. Você também pode vencer a tuberculose.

Fonte: MSF

Ucrânia: MSF continua expandindo suas atividades após mais de um ano de conflito

Foto: Jon Levy/MSF

18/06/2015

Milhares de pessoas que vivem em vilarejos remotos estão sem acesso a cuidados de saúde adequados

Mais de um ano após o início do conflito no leste da Ucrânia, as necessidades médicas continuam latentes para moradores e pessoas deslocadas em ambos os lados da linha de frente de batalha. Muitos profissionais de saúde deixaram o país e as linhas de suprimentos médicos foram cortadas ou gravemente interrompidas, deixando milhares de pessoas que vivem em vilarejos remotos sem acesso a cuidados de saúde adequados. Muitas instalações médicas foram danificadas ou destruídas, e ainda há escassez crítica de medicamentos básicos e especializados.

MSF continua expandindo suas atividades médicas para responder às necessidades das pessoas vivendo nas áreas mais atingidas e das pessoas que tiveram de fugir do conflito. MSF mantém escritórios em Kyiv, Artemivsk, Kurakhove, Donetsk, Mariupol e Lugansk e suas atividades são realizadas por 69 profissionais internacionais e 341 profissionais locais.

Cuidados básicos de saúde

Desde janeiro, MSF tem administrado clínicas móveis nas regiões de Donetsk e Lugansk, nos dois lados da linha de frente, para oferecer cuidados básicos de saúde em cidades e vilarejos a moradores e pessoas deslocadas que vivem em acomodações temporárias. As equipes têm expandido as atividades e, hoje, administram clínicas móveis em cerca de 80 locais, concentrando esforços no atendimento às pessoas que vivem em áreas rurais e remotas, onde as necessidades são mais agudas. Em Debaltsevo, que foi devastada pelo conflito em janeiro e fevereiro e onde as pessoas estão vivendo em condições precárias, uma equipe de MSF está conduzindo consultas a domicílio para os pacientes mais idosos, que não têm condições de se locomover, e também equipou uma van para oferecer consultas médicas nos arredores da cidade. Em março e abril, MSF realizou 396 visitas domiciliares e 1.216 consultas na clínica móvel.

Muitas das pessoas que permaneceram nas áreas mais afetadas são as mais vulneráveis da comunidade – os idosos, deficientes e doentes –, que não tiveram meios de sair dali. Os médicos de MSF atendem, principalmente, pacientes com doenças crônicas, assim como infecções respiratórias, porque muitas casas tiveram as janelas quebradas e as pessoas estão vivendo em abrigos pouco aquecidos. Em duas instalações para idosos e doentes no sul da região de Lugansk, MSF também oferece cuidados fisioterápicos e treinamentos, assim como assistência para fornecimento e adaptação de próteses para melhorar a mobilidade do paciente.

Programa de saúde mental

MSF também está expandindo seu programa de saúde mental para beneficiar mais pessoas afetadas pelo conflito, pacientes em instalações sociais, pessoas deslocadas, bem como profissionais médicos. Mais de 2.400 consultas individuais foram conduzidas de maio de 2014 a maio de 2015. Muitos pacientes estão traumatizados pelos eventos que vivenciaram e podem ter insônia ou sentir ansiedade. Alguns testemunharam bombardeios e a perda de seus entes queridos diretamente, enquanto outros se separaram de suas famílias quando fugiram. MSF oferece aconselhamento aos pacientes para tentar aliviar os sintomas mais agudos que apresentam. Os psicólogos da organização também têm conduzido um programa de treinamento para psicólogos locais, assistentes sociais e profissionais médicos que trabalham em regiões afetadas para ajudar a aprimorar suas habilidades e evitar que fiquem esgotados. Desde agosto, eles realizaram mais de 540 sessões de treinamento, tratando de tópicos como primeiros socorros psicológicos, gestão de estresse e manejo de pacientes agressivos.

Suprimentos médicos

Com as linhas de suprimentos médicos gravemente prejudicadas ou inteiramente cortadas no leste do país desde a metade do verão passado, e instalações de saúde localizadas em áreas controladas por rebeldes não incluídas no orçamento de saúde do governo ucraniano de 2015, tem havido uma escassez crítica de medicamentos na região. Desde o início do conflito, MSF forneceu medicamentos, materiais médicos e equipamentos para mais de 130 instalações, hospitais, ambulatórios e instalações sociais.

Programa de tuberculose multirresistente a medicamentos no sistema penitenciário

MSF tem administrado um programa de tuberculose multirresistente a medicamentos na Ucrânia desde 2011, e, atualmente, tem 170 pacientes em tratamento em cinco centros de detenção provisória e prisões em Mariupol, Artemovsk, Dnepropetrovsk, Dzhanivka e Donetsk. A equipe que atua ali oferece todos os medicamentos necessários para tratar a doença e ajudar os pacientes a lidarem com os efeitos colaterais do tratamento. Quando o conflito começou no leste da Ucrânia, a gestão do programa de TB tornou-se um verdadeiro desafio, levando MSF a, eventualmente, interromper as atividades nos centros de detenção, na medida em que os bombardeios tornaram muito perigoso para as equipes chegarem aos locais. No entanto, mesmo que a equipe não tenha conseguido chegar até ali, MSF se certificou de que os medicamentos ainda estavam disponíveis, como têm estado, sem interrupção, ao longo de todo o conflito.

Atualmente, MSF retomou sua presença regular nas instalações e está ajudando a preencher algumas das lacunas na equipe médica. Muitos dos pacientes que interromperam seus tratamentos já o reiniciaram, e os dados mostram bons resultados em termos de adesão ao tratamento. MSF também está ajudando a controlar a propagação da doença dentro do sistema penitenciário, oferecendo apoio com diagnóstico precoce e melhorando os mecanismos de controle da infecção.

Desde maio de 2014, MSF ofereceu: suprimentos médicos para o tratamento de 20.750 pacientes feridos de guerra; medicamentos para tratar 32.700 pacientes com doenças crônicas; suprimentos para ajudar médicos a realizarem 53.200 consultas de cuidados básicos de saúde; e suprimentos para apoiar partos seguros de 3.300 mulheres. Além disso, conduziu 2.405 sessões de aconselhamento individual e 541 sessões de treinamento psicológico. Atualmente, a organização está apoiando 170 pacientes com tuberculose resistente a medicamentos em cinco instalações penitenciárias.

Fonte: MSF


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