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NA GUINÉ, UMA HOMENAGEM COM LETRA MAIÚSCULA

Foto: Sam Phelps

22/12/2015

Bebê sobrevivente de Ebola leva nome de enfermeira de MSF

Era madrugada do dia 28/10 quando a enfermeira Nubia Aguiar recebeu a informação de que uma paciente gestante do centro de tratamento de Ebola em Nongo, em Conacri, na Guiné, sentia dores. Depois de tentar, sem sucesso, encontrar um ginecologista para assistir o parto, uma vez que não há profissionais dessa especialidade no projeto, Nubia correu para o centro de tratamento. Ao chegar ali, soube que a mãe, portadora do vírus Ebola, havia dado à luz uma menina com a ajuda da coordenadora médica de MSF e de uma enfermeira. Algumas horas depois, infelizmente, a ela sofrera complicações pós-parto e, mesmo com ajuda médica, acabou falecendo. “A partida dela foi muito triste. Ela era jovem, tinha até nos contado que tinha outros dois filhos em casa. Fizemos o possível por ela, mas, infelizmente, não foi suficiente”, conta Nubia. A bebê, no entanto, era motivo de alegria, e respondia bem ao tratamento. Dias depois, havia testado negativo para o vírus. Dali para frente, seria necessário acompanhar bem de perto como ela reagiria diante da possibilidade de o vírus reaparecer.

Como é de costume na Guiné, sete dias depois do nascimento da criança, era preciso dar um nome ao bebê. Os tios foram chamados ao centro de tratamento, onde a menina continuava recebendo cuidados em isolamento. Mesmo à distância, sem poder tocá-la, os tios observavam a criança com carinho, e fizeram suas orações para saudá-la. Foi então que veio a surpresa: “Eles me disseram que a criança se chamaria Nubia, como eu”, relembra emocionada a enfermeira de MSF. “Naquele momento, tudo o que eu consegui dizer foi um simples ‘obrigada’. Depois, soube que meu nome foi lembrado por eu ter sido a primeira estrangeira com quem uma das tias de Nubia teve contato. Imagino que essa foi a forma que eles encontraram de agradecer os cuidados que tivemos e ainda estamos tendo com os membros da família, ainda que tenhamos perdido a mãe da bebê”, conta.

No sábado, 28 de novembro, Nubia recebeu alta do centro de tratamento. Ela é a primeira bebê nascida de mãe com Ebola a sobreviver ao vírus. Nubia, a enfermeira, explica que vai ser necessário observar a criança, e estão previstas visitas semanais. “Até mais frequentes, se necessário. Como ela é o primeiro caso de cura pós-parto com Ebola, não sabemos exatamente como ela vai reagir. Todo cuidado é pouco”, explica. A família foi instruída sobre os cuidados necessários nesse momento, já que Nubia não tem Ebola, mas está sujeita a outras infecções. Amor e carinho, no entanto, não lhe faltarão. “Os tios que se prontificaram a cuidar dela são muito afetuosos e já têm uma filha de um ano e algo. Ela é bastante amada, e isso é o mais importante”, conta a Nubia de MSF, que diz sentir-se honrada por participar de forma tão especial da história da menina.

A Guiné entra agora em contagem regressiva para ser declarada livre de Ebola. Serão necessários 42 dias sem qualquer registro de novo caso. Médicos Sem Fronteiras está, atualmente, repassando a administração do centro de tratamento de Ebola de Nongo ao Ministério da Saúde, mas deve inaugurar uma clínica para sobreviventes de Ebola em dezembro, para oferecer cuidados médicos e apoio psicológico gratuitos.

O surto de Ebola na África Ocidental matou cerca de 11.300 pessoas, principalmente na Guiné, na Libéria e em Serra Leoa. Desde março, equipes de MSF trataram 10.288 pacientes de Ebola; 1.932 deles no centro de tratamento de Ebola em Conacri, na Guiné.

EBOLA: CUIDANDO DA “RAINHA NUBIA”

Foto: Sam Phelps

09/12/2015

Com um mês de vida, Nubia é o primeiro bebê recém-nascido a sobreviver ao Ebola de que se tem conhecimento

Com um mês de vida, Nubia é o primeiro bebê recém-nascido a ter sobrevivido ao Ebola de que se tem conhecimento. Ela é também o último caso da doença reportado na Guiné. Na semana em que ela voltou para casa, curada, a Dra. Marie-Claire Kolié, da organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF), faz uma retrospectiva de quatro semanas emocionantes.

“Foi um começo triste”, diz a Dra. Marie-Claire Kolié, que trabalhou no centro de tratamento de Ebola de MSF na capital da Guiné, Conacri, desde o início da epidemia. No dia 23 de outubro de 2015, Mamasta, uma mulher em estágio avançado de gravidez, do vilarejo de Forecariah, foi admitida no centro. Ela já havia perdido um membro de sua família para o vírus, e os testes mostraram que ela também tinha a doença.

Quatro dias depois, Mamasta entrou em trabalho de parto e deu à luz uma menina. Como uma doença hemorrágica, o Ebola aumenta muito as chances de hemorragia grave. Durante o parto, Mamasta perdeu muito sangue. “Todos os profissionais queriam desesperadamente que a mãe sobrevivesse, mas sua condição se deteriorou rapidamente após o nascimento”, diz a Dra. Marie-Claire Kolié. Horas depois, Mamasta faleceu. A Dra. Marie-Claire Kolié se sentiu chocada e entristecida com a sua morte. “Em meu coração, eu achava que ela iria sobreviver”, conta.

Profissionais de MSF cercam a bebê Nubia após a notícia de sua alta do centro 
de tratamento de Ebola de MSF em Conacri (Foto: Sam Phelps)

Ninguém esperava que o bebê, que nasceu com Ebola, fosse sobreviver por muito tempo. Durante a epidemia, nenhum bebê nascido de mães infectadas haviam vivido por mais do que algumas horas. Mas apesar do mau prognóstico, e dos desafios de cuidar de um recém-nascido em uma zona de isolamento usando vestimentas de proteção, a equipe médica estava determinada a salvá-la.

“Cuidar de um recém-nascido que não tinha condições de expressar sua dor foi difícil”, diz a Dra. Marie-Claire Kolié. “Mas nós não desistimos; oferecemos cuidados a todo o momento.”

O nome escolhido para a bebê foi Nubia, por causa de uma enfermeira de MSF, e o pessoal médico começou a chamá-la de “a rainha”.

Nubia foi tratada com dois medicamentos experimentais – Zmapp e GS-5734. A cada hora, a equipe de médicos se revezava para checar sua respiração e seus batimentos cardíacos. As enfermeiras do berçário iam até a zona de isolamento em intervalos regulares para pegá-la no colo, alimentá-la e trocar suas fraldas.

Foi um momento muito tenso para a equipe. “Ela ficou doente várias vezes e um pânico geral se instalava ali”, diz a Dra. Marie-Claire Kolié.

Soumah, tia de Nubia, a caminho de casa após a bebê ter recebido alta 
do centro de tratamento de Ebola de MSF em Conacri (Foto: Sam Phelps)

Mas, gradualmente, a condição de Nubia melhorou e, um mês depois, os testes mostraram que ela havia vencido o vírus. No dia 28 de novembro, Nubia recebeu alta do centro de tratamento de Ebola e voltou para sua família.

“Eu fiquei muito feliz”, diz a Dra. Marie-Claire Kolié. “Eu gostaria de agradecer a todos os profissionais, internacionais e locais, pelo apoio e cuidado que ofereceram a nossa última paciente.”

Nubia ainda não está totalmente fora de perigo. Muitos sobreviventes de Ebola sofrem de problemas de saúde contínuos mesmo muito tempo após terem vencido a doença, e MSF continuará prestando suporte médico à criança, assim como oferece assistência médica gratuita e apoio psicológico a outros sobreviventes de Ebola e às suas famílias, e ao pessoal médico que esteve em contato direto com pacientes do vírus.

Caso se passarem 42 dias sem quaisquer novos casos, a epidemia, que já tirou cerca de 11.300 vidas na África Ocidental, estará oficialmente encerrada na Guiné. Na medida em que o país se prepara para este momento, MSF está se organizando para inaugurar uma clínica em Conacri para os sobreviventes da doença.

Desde março de 2014, as equipes de MSF na África Ocidental trataram 10.288 pacientes de Ebola, incluindo 1.932 pacientes em Conacri, na Guiné.

Fonte: MSF

CHINA APOIA CRIAÇÃO DA FORÇA DE INTERVENÇÃO RÁPIDA

China apoia criação da Força de Intervenção Rápida
REUTERS/Siphiwe Sibeko

05/12/2015

A China vai conceder cerca de 60 mil milhões dólares aos países africanos. O anúncio foi feito pelo Presidente Xi Jinping em Joanesburgo, África do Sul, onde decorre até amanhã a cimeira do Fórum de Cooperação China-África.

O Fórum de Cooperação China África é uma oportunidade para rever a cooperação entre o gigante asiático e o continente africano. A afirmação é do ministro angolano das Relações Exteriores, Georges Chicoty, que explicou à RFI quais é que são as áreas de cooperação para os dois próximos anos. " A China propõe cortar uma parte da dívida dos países africanos, avaliada em cinco mil milhões de dólares, mas também propõe uma linha de crédito que ultrapassa os 60 mil milhões para investir em África. Há ainda a possibilidade dos africanos enviarem os estudantes para estudarem na China".

A China quer alargar o investimento com o continente e para isso está disposta a contribuir para o mecanismo de criação de uma Força de Intervenção Rápida do continente africano. " A China vai ajudar em termos de formação e também equipamento dessa força", salientou o responsável pela diplomacia angolana.

Fonte: RFI


MSF e Google implementarão sistema inovador de registro médico em projetos de combate à desnutrição na África

Foto: Nick Fortescue

11/09/2015

Profissionais já estão atuando remotamente e poderão ir à campo em setembro, como voluntários ou em cargos remunerados

Após ajudar na luta contra a epidemia de Ebola na África Ocidental, por meio de um tablet resistente ao cloro, o Project Buendia, sistema de registro médico voltado para ajuda humanitária, agora será implementado em projetos da organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) de combate à desnutrição no continente africano a partir de setembro. Para ajudar nesta nova etapa do projeto, foram recrutados engenheiros de software, desenvolvedores, agentes de saúde e nutricionistas, que estão atuando como voluntários ou contratados.

Criado a partir de uma parceria entre MSF, o Google Crisis Response e a Escola de Medicina de Harvard, o Project Buendia visa envolver cada vez mais profissionais no contexto humanitário. “Nosso projeto precisará de vários contribuintes durante sua vida útil, tanto do mundo tecnológico quanto do universo médico-humanitário”, diz Ivan Gayton, consultor de inovações tecnológicas de MSF. Segundo ele, todas as vagas disponíveis para o momento já foram preenchidas, mas, no futuro, pode haver outras oportunidades.

A nova fase do Project Buendia modificará o software de uma ferramenta já existente, usada inicialmente em setembro do ano passado, durante o pico do surto de Ebola. Na época, com o intuito de melhorar a transferência de informações sobre pacientes, foi desenvolvido um tablet que pode ser mergulhado no cloro em até 10 minutos, tempo necessário para eliminar quaisquer indícios do vírus e, assim, evitar a contaminação. “A aplicação para o Ebola tinha um código muito difícil; não tínhamos tempo para construir algo geral e depois adaptá-lo para o Ebola”, explica Ivan Gayton, que afirma que projetos de desnutrição permitirão essa flexibilidade.

Segundo o consultor, tecnicamente, serão concentrados esforços no aprimoramento de mecanismos já utilizados por MSF, como o OpenMRS, um sistema de registro médico, mas que não é tão eficiente em dispositivos móveis; o OpenDataKit (ODK), este, sim, um sistema móvel, para coleta de dados; um aplicativo Android que mostra a ficha do paciente; e um servidor local implementado em um Intel Edison (um microcomputador), que consome pouquíssima energia e não precisa de conexão de internet. Assim, mesmo em locais remotos com recursos precários – cenário da maioria dos projetos de MSF –, seja pela perspectiva humanitária ou a partir do ponto de vista tecnológico ou elétrico, por meio do Project Buendia, os profissionais terão mais facilidade para coletar dados e realizar análises adequadas, a fim de monitorar o estado dos pacientes e da crise, neste caso, de desnutrição.

“A chave é fazer essas coisas funcionarem em um ambiente de profunda dificuldade”, diz Ivan Gayton. “A lan house mais próxima fica muito distante e o suporte técnico de Tecnologia da Informação é quase inexistente. Adicione a isso a exigência de extrema urgência com que os profissionais médicos precisam realizar seu trabalho”, acrescenta ele.

O Project Buendia pretende ainda generalizar seu sistema para que ele possa ser inserido em outros contextos humanitários com os quais MSF atua, como conflitos armados, desastres naturais e epidemias. Segundo Ivan Gayton, a desnutrição na África será o cenário dessa nova etapa, pois essa é uma condição frequentemente presente e que seria positivamente impactada por uma simples melhoria na oferta e no acesso a cuidados de saúde.

Informações

Para mais informações sobre o Project Buendia, acesse http://projectbuendia.org/

A desnutrição é uma das maiores causas de mortalidade infantil – estima-se que nove crianças morram a cada minuto devido à falta de nutrientes essenciais em suas dietas.

Para tratá-las, MSF estrutura centros de nutrição terapêutica, onde oferece cuidados médicos e distribui alimentos terapêuticos. Em lugares onde a desnutrição pode se tornar grave, a abordagem de MSF é preventiva, com a distribuição dos alimentos para crianças em situação de risco.

Em 2014, MSF tratou 217.900 casos de desnutrição grave em seus programas intensivos e ambulatoriais.

Fonte: MSF

O mundo de portas fechadas

Foto: Eduardo Zappia

01/08/2015

Por Susana de Deus, diretora-geral de Médicos Sem Fronteiras Brasil

O aumento do número de pessoas que arriscam suas vidas, fugindo de conflitos sangrentos que assolam diversos países da África subsaariana ou buscando condições dignas de sobrevivência para si e suas famílias, colocou a Europa estado de alerta. Táticas militares foram traçadas para coibir a imigração, fronteiras foram fechadas e inúmeras reuniões feitas para se discutir a desestabilização que a chegada dessas pessoas pode causar à economia europeia. Em meio a todas essas discussões, uma informação passa despercebida: não são os países europeus os mais impactados pela imigração e o influxo refugiados no mundo.

A maioria daqueles que se veem levados a deixar seus países de origem acaba permanecendo nos arredores, muitos com a esperança de retornar tão logo o conflito retroceda. A atuação de Médicos Sem Fronteiras na maioria desses contextos de violência nos faz menos otimistas do que essas pessoas que levam consigo quase nada além de esperança. A continuidade dos conflitos e das situações de insegurança fazem crer que o número de refugiados não deve retroceder. E o debate acerca da garantia de seus direitos, sua dignidade e acesso à ajuda humanitária precisa ser priorizado.

Entre os dez países que abrigam o maior número de refugiados no mundo, não há um país europeu sequer. A relação divulgada pela agência da ONU para Refugiados (Acnur) é liderada pela Turquia, seguida de Paquistão e Líbano. Na lista constam ainda Irã, Etiópia, Jordânia, Quênia, Uganda e Chade.

Na Nigéria, a violência perpetrada pelo Boko Haram provocou a fuga de mais de 18 mil pessoas que foram buscar proteção na região do Lago Chade, desde o início do ano. Do outro lado da fronteira, essas pessoas encontram uma situação de pobreza extrema e um nível de insegurança ainda significativo, que já motiva o deslocamento interno da própria população do Chade. Esse não é único destino dos nigerianos nos arredores. Desde janeiro de 2015, os vizinhos Níger e Camarões também recebem milhares de refugiados – já se somam quase 140 mil. A crise nigeriana está acentuando uma situação já precária, afetando populações que já eram extremamente vulneráveis.

Sair do país em que nasceu, deixando para trás casa, amigos e familiares para se tornar um refugiado, definitivamente, é das mais difíceis decisões. É uma opção amparada em desespero. Nos três barcos usados por MSF no resgate de refugiados em meio à perigosa travessia pelo Mar Mediterrâneo, histórias como a da nigeriana Sandra se repetem. Grávida de oito meses, ela era a única mulher no meio dos 92 homens resgatados de um barco inflável à deriva em 13 de maio.

Sandra havia imigrado da Nigéria para a Líbia e não considera mais voltar para seu país de origem. Para não viver em meio à violência de incessantes confrontos, ela e o marido decidiram que a melhor saída seria arriscar a vida da mãe e do bebê na travessia que, só este ano, já matou 1.800 pessoas rumo à Europa. O marido ficou na Líbia trabalhando. Sandra seguiu com o cunhado, que havia deixado a Nigéria para acompanhá-la. Foram duas das 5.555 pessoas resgatadas pelos barcos de MSF até agora.

As pessoas que arriscam suas vidas nessas viagens, frequentemente, são as mesmas que assistimos em seus países de origem, como Nigéria, Líbia, Síria e Sudão. E, em contato com essas pessoas, nossas equipes constataram o óbvio: não se pode dissociar a narrativa da travessia das histórias épicas das quais elas fazem parte.

Estamos num momento da história muito triste e peculiar. Desde a segunda guerra o mundo não via um deslocamento tão grande de pessoas.  E talvez nunca se tenha visto tantas portas fechadas a quem, desesperadamente, clama por proteção. A humanidade não pode falhar com essas pessoas. É fundamental que cobremos da Europa, e de outros continentes que estão recebendo os refugiados, a dignidade humana a que elas têm direito. As ações precisam ser concretas e pautadas na compaixão pelas pessoas, em substituição ao discurso hostil da rejeição institucional.

Fonte: MSF


Boina Azul é "símbolo de esperança" para milhões de pessoas em zonas de conflito

Boinas azuis da ONU. Foto: ONU/Logan Abassi

31/05/2015

Avaliação é do secretário-geral das Nações Unidas em mensagem sobre o Dia Internacional das Forças de Manutenção da Paz da ONU; data é celebrada nesta sexta-feira, 29 de maio;  organização tem, atualmente, mais de 107 mil militares e policiais participando em 16 operações de paz em todo o mundo.

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova York.

As operações de manutenção da paz das Nações Unidas deram vida ao objetivo da Carta da ONU de "unir forças para manter a paz e segurança internacionais". A avaliação é do secretário-geral em mensagem sobre o Dia Internacional das Forças de Manutenção da Paz da ONU. A data é celebrada nesta sexta-feira, 29 de maio.

Ban Ki-moon afirmou que "através de anos de luta e sacrifício, o icônico capacete azul ganhou seu lugar como símbolo de esperança para milhões de pessoas que vivem em áreas atingidas pela guerra".

Números

A ONU tem no momento mais de 107 mil boinas azuis uniformizados, militares e policiais, de 122 países, servindo em 16 missões.

Em seus 70 anos, as Nações Unidas estabeleceram 71 operações de paz. Segundo Ban, mais de 1 milhão de pessoas serviram como boinas azuis, ajudando países a ganhar independência, apoiando eleições "históricas", desarmando centenas de milhares de ex-combatentes, estabelecendo o Estado de Direito, promovendo direitos humanos e criando condições para que refugiados e deslocados retornem para casa".

Para o chefe da ONU, "todos devem se orgulhar destas conquistas".

Reconhecimento

A importância do reconhecimento ao trabalho dos soldados de paz da ONU também foi ressaltada pelo general Paul Cruz. Ele foi comandante das forças da Missão de Estabilização da ONU no Haiti, Minustah, no período após o terremoto que atingiu o país, em 2010.

Atualmente, o general brasileiro é diretor do Escritório para Parcerias Estratégicas para Operações de Paz da ONU. Ele falou sobre a importância do Dia Internacional das Forças de Manutenção da Paz da ONU.
"Eu julgo muito importante o reconhecimento de todos para aqueles que trabalham diuturnamente em lugares isolados, muito difíceis, sob condições bastante desafiadoras e recebem agora o reconhecimento pelo seu trabalho. O trabalho de trazer esperança às pessoas que estão em situações difíceis nos seus países".

África

A maior das operações é a Missão da ONU na República Democrática do Congo, Monusco, com mais de 20 mil boinas azuis uniformizados, entre militares e policiais.

O general brasileiro Carlos Alberto dos Santos Cruz  é o comandante das forças militares da Monusco. De Ruanda, ele falou à Rádio ONU que as lições aprendidas na operação no país africano podem ajudar missões em outros locais.

“Esta missão dá oportunidade de aplicar todas as técnicas bem como atividades militares e civis, para que se possa ajudar o governo. Sem dúvida nenhuma, noutros locais vão acontecer situações similares a aquelas que nós temos aqui, que têm uma variedade muito grande de situações, dependendo da região e do grupo armado.”

Haiti

O general José Luiz Jaborandy Jr, comandante das forças da Minustah, também conversou com a Rádio ONU.

De Porto Príncipe, capital do Haiti, ele falou sobre a importância da data celebrada nesta sexta-feira e o tema do dia este ano, "Juntos pela paz: passado, presente e futuro".

"Para nós do componente militar, nós somos apenas um pilar de uma Missão de Manutenção da Paz. É importante que todos os outros parceiros estejam presentes. Nós temos que entender a segurança, que é promovida pelas forças militares como a base sólida para a construção da estabilidade. Assim que, uma Missão de Paz está baseada em muitos setores e não apenas, obviamente, no setor militar, que tem como responsabilidade primária a conquista e a manutenção da segurança no contexto da paz."

Desafios

Na mensagem sobre o Dia Internacional das Forças de Manutenção da Paz da ONU, o secretário-geral afirmou que as "missões de manutenção de paz da ONU estão se adaptando a novas realidades" e mencionou diversos desafios.

Em outubro do ano passado, Ban estabeleceu um novo Painel Independente de Alto Nível sobre Operações de Paz.

Painel de Alto Nível

O novo painel deve fazer uma avaliação completa da situação das operações de paz da ONU e apontar necessidades futuras. O grupo discute temas como mudanças na natureza dos conflitos, mandatos, eficiência dos escritórios, desafios na manutenção da paz, direitos humanos e proteção de civis.

A equipe será liderada pelo ex-presidente do Timor-Leste, José Ramos Horta. Em entrevista à Rádio ONU em fins do ano passado, Horta afirmou que pretende ouvir a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Cplp, sobre a revisão da arquitetura da paz e segurança das Nações Unidas.

"Eu tenho toda a intenção de ouvir, num dado momento, a Cplp, no quadro do meu mandato na comissão porque todos eles (os países-membros) passaram por diferentes experiências de manutenção de paz e restauração da paz."

Mortes

Ainda em mensagem sobre a data, Ban afirmou que o dia é "de honrar a memória dos que deram suas vidas pela causa da paz e prestar homenagem a todos os homens e mulheres que continuam seu legado servindo no terreno".

Mais de 3,3 mil boinas azuis morreram em serviço sob a bandeira da ONU, incluindo 126 no último ano. Segundo o secretário-geral, os riscos continuam a crescer com os boinas azuis sendo alvos de explosivos improvisados ou ataques terroristas complexos.

Fonte: Rádio ONU


Fome e Crise humanitária na Somália

Menina somali aguarda pela sua vez para coletar água 

22/04/2015
  
Publicado por África Urgente, em 21 de março de 2014 

Somália é considerada um dos países mais pobres da África, lugar onde a fome e os conflitos crescem a cada dia que se passa. Devido à seca e a falta de ajuda alimentar cerca de 3,6 milhões de pessoas vivem sobre o risco de fome e algumas chegam até a morrer, a maioria delas são crianças que morrem devido à desnutrição, um problema que não se acaba, e ao passar dos anos vai ficando pior são centenas de somalis prejudicados com este problema, alguns deles vivem em acampamentos dentro e fora da capital de Mogadíscio. Por lá o  sofrimento e castidade são constantes um cenário de dor e muito sofrimento podemos ver todos os dias.

A taxa de mortalidade está crescendo a cada ano que se passa e a  grande e a  causadora de tudo isso é a fome. Entre maio de 2012 e agosto o número de mortes subiram para 258.000 pessoas somalis que morreram de fome, a mortalidade infantil da Somália  aumentou para 29 mil crianças e este numero tende a crescer todos estão vivendo em um estado de calamidade todos desnutridos fracos precisando de vitaminas e proteínas algumas desabrigadas sem ter onde ir, o maior numero de mortos estão de 133.000 todas  crianças com menos de 5 anos de idade.

Em media já morrem cerca de 300 crianças por dia, e 640 mil crianças somalis estão subnutridas, todas precisando de ajuda para sobreviver à fome na Somália foi provada por causa de uma grave seca no Chifre da África e foi piorando devido a falta de segurança no país que infelizmente está em guerra civil desde a queda do presidente Siad Barre em 1991 a cada ano que se passa a situação na Somália vai ficando pior milhares de famílias somalis estão doentes e desnutridas.



UNICEF: 21 milhões de crianças estão fora da escola no Oriente Médio e Norte da África

Crianças sírias em um campo para refugiados na Jordânia. Foto: Young Syrian 
refugees at Jordan’s Za’atri camp. Photo: ACNUR/A. Rummery

16/04/2015

Relatório de agências da ONU aponta que um total de 21 milhões de crianças e adolescentes não estão estudando ou correm o risco de abandonar a escola na região.

Apesar do impressionante progresso no aumento da taxa de escolarização na última década, uma em cada quatro crianças e adolescentes que vivem no Oriente Médio e Norte da África (MENA) ou estão fora da escola ou em risco de abandono, de acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

“Em um momento de tamanha mudança e tumulto, essa região simplesmente não pode permitir que 21 milhões de crianças caiam no esquecimento”, disse Maria Calivis, diretora regional do UNICEF MENA, em um comunicado de Beirute.

De acordo com um relatório conjunto entre o UNICEF e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), houve uma redução de 40% no número de crianças fora das escolas na região de MENA ao longo da última década. Entretanto, o progresso tem sido mais lento recentemente devido a uma combinação de pobreza, discriminação, falta de aprendizagem de qualidade e conflito.

Segundo o relatório, 12,3 milhões de crianças e adolescentes no Oriente Médio e no Norte da África estão fora das escolas, além de outros seis milhões com risco de abandoná-las. A esta conta, somam-se outras três milhões que estão sem estudar na Síria e no Iraque devido ao conflito.

As meninas são as mais afetadas pela evasão escolar na região. Em média, uma menina no MENA tem 25% menos chances de estar na escola que um menino.

Fonte: ONU Brasil

ATRAVESSANDO FLORESTAS COM UMA GELADEIRA A TIRA COLO

©Stefan Dold/MSF
14/05/2013

Equipe móvel de doença do sono de MSF enfrenta desafios para levar cuidados às populações mais afetadas pela doença fatal

Viajar por meio de florestas lamacentas de moto e cruzar grandes rios em pirogas carregando uma geladeira, um microscópio e um gerador não é tarefa fácil. E é isso o que o coordenador de projeto Will Turner e sua equipe farão durante as próximas quatro semanas, esquematizando uma expedição para testar 40 mil pessoas para a doença do sono (tripanossomíase humana africana – THA) em vilarejos remotos da República Democrática do Congo (RDC).

A cidade de Bili, bem ao norte do país, está localizada em uma região densamente florestada entre o rio Uélé e a fronteira com a República Centro-Africana.  A região tem alta prevalência de doença do sono, enfermidade fatal transmitida pela mosca tsé-tsé, mas o acesso é tão difícil que o problema foi ignorado por muito tempo. Cerca de 85% de todos os casos de doença do sono do mundo ocorrem na RDC.

“Viemos ao distrito porque ele fica na região onde a doença do sono é mais ativamente endêmica no mundo”, afirma Will Turner. “Mesmo assim, essa doença fatal simplesmente não é combatida aqui, devido à insegurança e ao difícil acesso à região.”

No início de abril de 2013, a equipe móvel de doença do sono de MSF instalou um laboratório e uma ala para tratamento no hospital de Bili e começou a testar as pessoas para a doença. Uma vez que toda a população da cidade havia sido testada, a equipe concentrará esforços nos cerca de 50 vilarejos em meio à floresta dos arredores. As pessoas que forem diagnosticadas com a doença – que é fatal se não for tratada – serão transferidas para o hospital em Bili.

“A equipe vai ficar viajando por cerca de três a quatro semanas seguidas”, afirma Turner. “Por vezes, vão utilizar motocicletas para abrir caminho em rotas praticamente inacessíveis floresta adentro. Vai ser um novo vilarejo a cada dia e a equipe dormirá em tendas. Fazendo isso, esperamos identificar e curar centenas de pacientes infectados.” 

Os desafios logísticos são enormes. Pode levar um mês até que os suprimentos cheguem a Bili. Pequenos aviões, pousando em pistas improvisadas nas florestas, podem transportar uma quantidade limitada de suprimentos por vez. Caminhões carregados têm de cruzar rios em jangadas, à medida que as estradas lamacentas estão, frequentemente, bloqueadas por árvores derrubadas. Durante a estação das chuvas, muitos dos vilarejos tornam-se completamente inacessíveis.

Além disso, o teste para a doença do sono é complexo: diversos dos componentes precisam ser mantidos permanentemente resfriados e, por isso, é preciso ter em mãos, também, um gerador e uma geladeira, mesmo nas regiões mais remotas. Para realizar o diagnóstico, técnicos de laboratório experientes precisam utilizar ferramentas um tanto sensíveis, como microscópios e centrifugadoras, que também precisam ser transportados pela floresta.

Mas a equipe móvel de doença do sono está preparada para tais desafios, tendo realizado projetos semelhantes no Sudão do Sul, no Chade, na República Centro-Africana, no Congo e em outras regiões da RDC.

Mais recentemente, a equipe passou nove meses no Sudão do Sul, que é, historicamente, outra região onde a doença é prevalente e um país com um sistema de saúde frágil que batalha para superar décadas de guerra civil. A equipe estabeleceu como objetivos os vilarejos da região central e a oeste de Equatoria, onde as taxas da doença do sono estavam elevadas anteriormente. Viajando por milhares de quilômetros, de vilarejo em vilarejo, a equipe testou mais de 60 mil pessoas. Trinta e oito casos foram identificados e tratados, o que significa que houve uma redução considerável da prevalência da doença nessas regiões. Além de realizar testes ativamente, a equipe de MSF também trabalhou para melhorar as técnicas de exames, diagnóstico e tratamento utilizadas nas clínicas do Ministério da Saúde. Mais de 200 profissionais sul-sudaneses foram treinados em monitoramento, exames e tratamento, conhecimento que poderá ser colocado em prática nos próximos anos.

De volta a Bili, Turner e sua equipe esperam concluir o que foi iniciado quatro anos atrás, quando uma equipe de MSF identificou e tratou 120 pacientes com doença do sono na região em apenas três meses, antes que razões de segurança levassem à interrupção do projeto.

A pouco tempo de voo dali, outra equipe de MSF está combatendo a doença do sono nas cidades de Dingila e Ango e redondezas.

“Testando e tratando as pessoas em uma região abrangente, salvamos vidas, prioritariamente, mas também reduzimos a prevalência da doença”, diz Turner. “Cada pessoa tratada é um passo na direção certa.”

Mas o terreno complicado, o pacote complexo e a insegurança regional não são os únicos desafios. “Até que tenhamos ferramentas mais simples e adaptadas para diagnóstico e tratamento, das quais os programas nacionais possam depender, erradicar a doença vai continuar sendo uma tarefa hercúlea”, conclui Turner.


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