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SECRETÁRIO-GERAL FELICITA FINAL DE MISSÃO DE PAZ DA LIBÉRIA

Durante os 15 anos de atuação a Unmil ajudou a desarmar 100 mil combatentes. Unmil/Staton Winter

01/04/2018

António Guterres disse que a ONU continuará no país para ajudar no caminho da prosperidade; chefe das Nações Unidas lembrou os 202 soldados da paz que perderam a vida.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, felicitou a conclusão do mandato da Missão das Nações Unidas na Libéria, Unmil, que terminou na sexta-feira.

Guterres felicitou o povo e o governo do país da África Ocidental por virar a página da crise e do conflito.

Paz

Num comunicado do seu porta-voz, o secretário-geral também elogiou os esforços do governo para manter a Libéria no caminho da paz e do desenvolvimento sustentável.

O chefe da ONU destacou as contribuições de todos os parceiros no processo de paz, particularmente a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, Cedeao, que se estabeleceu na Libéria antes da criação da Unmil.

Guterres também expressou o seu agradecimento pela excelente liderança do seu Representante Especial para a Libéria, Farid Zarif, e agradeceu a todos os líderes anteriores da missão.

Prosperidade

Segundo a nota, "o secretário-geral expressa o seu profundo respeito à memória dos 202 soldados da paz que perderam as suas vidas ao serviço da paz durante os quase 15 anos em que aconteceu a missão."

O secretário-geral disse que a ONU continuará presente na Libéria, “com vista a assegurar que a paz conquistada se mantenha e o país e o seu povo continuem a progredir e prosperar.”

A Libéria, o primeiro país independente na África, desfrutou de quase um século e meio de estabilidade antes de cair na violência, enfrentando duas guerras civis entre 1989 e 2003.

Mais de um quarto de milhão de liberianos foram mortos e quase um terço da população foi desalojada.

O Conselho de Segurança da ONU estabeleceu a missão de paz para a Libéria em outubro de 2003.

Apresentação: Alexandre Soares

Fonte: ONU News


MSF faz apelo a líderes do G7 por ação urgente voltada para respostas de emergência a questões de saúde pública

Foto: Anna Surinyach

26/05/2016

Para MSF, é essencial também baixar os preços de medicamentos essenciais

Dois anos depois dos primeiros sinais da epidemia de Ebola na África Ocidental, o mundo hoje está um pouco mais preparado para responder a uma emergência como essa do que estava à época, alerta a organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF), na medida em que a falta de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) voltados para medicamentos necessários e os preços exorbitantes de medicamentos existentes demandam ação urgente e conjunta dos líderes mundiais reunidos no Japão.

Sistemas de Saúde Globais: “Não construam um hospital sem sala de emergência”

Enquanto os líderes dos países que compõem o G7 – Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e Estados Unidos – se reúnem em Ise-Shima nos próximos dois dias, MSF apela para que se comprometam de forma audaciosa com o investimento de recursos para responder às emergências de saúde que afetam o coração dos sistemas de saúde globais.

“É preciso dar atenção especial para garantir que a resposta a emergências de saúde permaneça como tema central de todas as discussões acerca da segurança da saúde e a cobertura universal da saúde (UHC, na sigla em inglês)”, afirma a Dra. Monica Rull, especialista em saúde de MSF na Suíça. “O fortalecimento da resposta de emergência precisa ser orientado pelas necessidades de saúde daqueles que se encontram em meio a crises, em vez de ela ser acionada apenas quando a questão é considerada uma ameaça à segurança internacional.”

O objetivo louvável da cobertura universal da saúde é que ninguém tenha de enfrentar dificuldades financeiras para ter acesso a cuidados de saúde, e se deve batalhar por isso.

Mas é evidente que as necessidades e as ameaças de epidemias de doenças em massa persistem, desde o afloramento de casos de Ebola anteriormente neste ano, na África Ocidental, ao atual surto de febre amarela em Angola.

A situação atual se resume a uma capacidade de resposta a emergência gravemente limitada em alguns países frágeis e em desenvolvimento. Os países do G7 deveriam aproveitar a oportunidade para liderar a comunidade internacional em mais ações para cobrir as lacunas às quais esses países não conseguem responder sozinhos, ou onde parte da população é negligenciada ou marginalizada.

“O fortalecimento de sistemas de saúde globais sem a ampliação da capacidade e dos recursos para responder a emergências é como construir um hospital, mas esquecer de incluir em suas dependências uma sala de emergência”, diz Jeremie Bodin, diretor-geral de MSF no Japão.

Baixem o preço de medicamentos vitais: sigam os passos da França no acesso a medicamentos

Médicos Sem Fronteiras parabeniza o governo francês por ter assumido a liderança na priorização do tema acesso a medicamentos, incluindo os preços exorbitantes dos produtos, e a falta de P&D voltado para medicamentos necessários. Ainda assim, o país tem enfrentado forte oposição de outros membros do G7 para manifestar claramente que os países do bloco irão assumir a liderança na resposta a temas relacionados com o acesso a medicamentos, incluindo preços.

O G7 deveria mudar o rumo e não apenas priorizar essa discussão, como também apoiar fortemente o painel de alto nível que trata do acesso a medicamentos do Secretariado Geral das Nações Unidas, que culminará em uma grande reunião a ser realizada em Nova York em setembro. Paralelamente, MSF pede a outros governos do G7 que não cedam à pressão por parte do lobby das farmacêuticas para ignorar ou minar as discussões acerca desse tema na cúpula e além.

“Todos os dias em nossos projetos, vemos as consequências enfrentadas pelas pessoas devido ao alto preço dos medicamentos ou ao fato de que tratamentos de que precisam simplesmente não existem”, afirmou o Dr. Greg Elder, coordenador médico da Campanha de Acesso a Medicamentos de MSF. “Ainda hoje essa é uma crise global que demanda a atenção e a ação dos países mais poderosos do mundo. Os holofotes globais estão sobre os governos para que, finalmente, tirem as cabeças da areia e ofereçam uma solução para que todas as pessoas possam ter acesso aos medicamentos dos quais precisam para se manterem vivas e saudáveis. Eles também precisam acordar para o fato de que a cobertura de saúde universal será um sonho impossível sem que os altos preços sejam abordados.”

A atenção pública esteve concentrada nos preços exorbitantes dos novos medicamentos para hepatite C, que as companhias farmacêuticas estabeleceram em até US$ 1 mil por pílula – ou próximo de US$ 100 mil por curso do tratamento –, causando o racionamento global do tratamento para uma doença fatal que afeta 150 milhões de pessoas e mata cerca de 700 mil todos os anos.

Hoje, mesmo com novos medicamentos que podem resultar na cura em 12 semanas, a hepatite C é a principal causa de morte entre as doenças infecciosas nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, cresce a indignação com a falta de antibióticos para tratar as infecções resistentes a medicamentos das pessoas, que, segundo prevê um relatório recente governo do Reino Unido, pode matar 10 milhões de pessoas por ano em 2050.

O Ebola é outro exemplo gritante, no qual vacinas e tratamentos não existiam para combater a doença que estava fugindo do controle. Esses exemplos refletem uma urgente necessidade de mudar a maneira como a pesquisa farmacêutica é conduzida para que a pesquisa seja orientada de forma a atender às necessidades de saúde essenciais e para que as pessoas possam ter acesso a medicamentos necessários a um preço factível.

“Os governos precisam parar de priorizar o comércio em vez de vidas humanas”, afirmou Nathalie Ernoult, da Campanha de Acesso a Medicamentos de MSF. “O tempo está se esgotando e todos estão assistindo de perto como os governos do G7 avançarão com essa questão.”


MSF e Google implementarão sistema inovador de registro médico em projetos de combate à desnutrição na África

Foto: Nick Fortescue

11/09/2015

Profissionais já estão atuando remotamente e poderão ir à campo em setembro, como voluntários ou em cargos remunerados

Após ajudar na luta contra a epidemia de Ebola na África Ocidental, por meio de um tablet resistente ao cloro, o Project Buendia, sistema de registro médico voltado para ajuda humanitária, agora será implementado em projetos da organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) de combate à desnutrição no continente africano a partir de setembro. Para ajudar nesta nova etapa do projeto, foram recrutados engenheiros de software, desenvolvedores, agentes de saúde e nutricionistas, que estão atuando como voluntários ou contratados.

Criado a partir de uma parceria entre MSF, o Google Crisis Response e a Escola de Medicina de Harvard, o Project Buendia visa envolver cada vez mais profissionais no contexto humanitário. “Nosso projeto precisará de vários contribuintes durante sua vida útil, tanto do mundo tecnológico quanto do universo médico-humanitário”, diz Ivan Gayton, consultor de inovações tecnológicas de MSF. Segundo ele, todas as vagas disponíveis para o momento já foram preenchidas, mas, no futuro, pode haver outras oportunidades.

A nova fase do Project Buendia modificará o software de uma ferramenta já existente, usada inicialmente em setembro do ano passado, durante o pico do surto de Ebola. Na época, com o intuito de melhorar a transferência de informações sobre pacientes, foi desenvolvido um tablet que pode ser mergulhado no cloro em até 10 minutos, tempo necessário para eliminar quaisquer indícios do vírus e, assim, evitar a contaminação. “A aplicação para o Ebola tinha um código muito difícil; não tínhamos tempo para construir algo geral e depois adaptá-lo para o Ebola”, explica Ivan Gayton, que afirma que projetos de desnutrição permitirão essa flexibilidade.

Segundo o consultor, tecnicamente, serão concentrados esforços no aprimoramento de mecanismos já utilizados por MSF, como o OpenMRS, um sistema de registro médico, mas que não é tão eficiente em dispositivos móveis; o OpenDataKit (ODK), este, sim, um sistema móvel, para coleta de dados; um aplicativo Android que mostra a ficha do paciente; e um servidor local implementado em um Intel Edison (um microcomputador), que consome pouquíssima energia e não precisa de conexão de internet. Assim, mesmo em locais remotos com recursos precários – cenário da maioria dos projetos de MSF –, seja pela perspectiva humanitária ou a partir do ponto de vista tecnológico ou elétrico, por meio do Project Buendia, os profissionais terão mais facilidade para coletar dados e realizar análises adequadas, a fim de monitorar o estado dos pacientes e da crise, neste caso, de desnutrição.

“A chave é fazer essas coisas funcionarem em um ambiente de profunda dificuldade”, diz Ivan Gayton. “A lan house mais próxima fica muito distante e o suporte técnico de Tecnologia da Informação é quase inexistente. Adicione a isso a exigência de extrema urgência com que os profissionais médicos precisam realizar seu trabalho”, acrescenta ele.

O Project Buendia pretende ainda generalizar seu sistema para que ele possa ser inserido em outros contextos humanitários com os quais MSF atua, como conflitos armados, desastres naturais e epidemias. Segundo Ivan Gayton, a desnutrição na África será o cenário dessa nova etapa, pois essa é uma condição frequentemente presente e que seria positivamente impactada por uma simples melhoria na oferta e no acesso a cuidados de saúde.

Informações

Para mais informações sobre o Project Buendia, acesse http://projectbuendia.org/

A desnutrição é uma das maiores causas de mortalidade infantil – estima-se que nove crianças morram a cada minuto devido à falta de nutrientes essenciais em suas dietas.

Para tratá-las, MSF estrutura centros de nutrição terapêutica, onde oferece cuidados médicos e distribui alimentos terapêuticos. Em lugares onde a desnutrição pode se tornar grave, a abordagem de MSF é preventiva, com a distribuição dos alimentos para crianças em situação de risco.

Em 2014, MSF tratou 217.900 casos de desnutrição grave em seus programas intensivos e ambulatoriais.

Fonte: MSF

A crise no Mali

Crianças deslocadas na capital do Mali, Bamako, comem refeição de boas-vindas. (ACNUR)

24/04/2013

Localizado no coração da África Ocidental, Mali é um vasto país encravado na região do Sahel. A situação política e social havia melhorado durante a última década com eleições democráticas realizadas pacificamente desde 1992.

No entanto, a situação de segurança agora é volátil, com um golpe em março de 2012 e grupos armados controlando as três regiões mais ao norte: Kidal, Gao e Timbuktu. Isto causou movimentos populacionais dentro do Mali e também para países vizinhos.

O Mali enfrenta desafios significativos em setores-chave para o desenvolvimento e é o 175º colocado entre 187 países avaliados pelo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).


Cerca de 69% da população vive abaixo da linha de pobreza e mais de um quinto das crianças em idade escolar não frequentam aulas, três quartos das quais são meninas.

Mais de 80% da população rural depende da agricultura de subsistência e da criação de animais.



Limitada terra arável, clima imprevisível, desastres naturais (incluindo seca, infestações de gafanhotos e inundações), degradação ambiental e a flutuação de preços das matérias-primas levaram a numerosos desafios de segurança alimentar e saúde a essas populações.

As crianças são as mais afetadas por esses desafios. A prevalência de desnutrição global aguda entre as crianças com menos de 5 anos é de 15%, segundo a última pesquisa demográfica e de saúde no Mali.

Missão de Paz da ONU

O Conselho de Segurança da ONU autorizou no dia 20 de dezembro de 2012 o envio da Missão de Suporte Internacional liderada pela África no Mali (AFISMA). Com mandato inicial de um ano, prestará assistência às autoridades na recuperação de regiões controladas por rebeldes e na restauração da unidade do país. Clique aqui para ler a íntegra do comunicado e da resolução do Conselho.

Sob o Capítulo VII da Carta da ONU, que permite o uso da força diante de ameaça à paz ou agressão, o Conselho incumbiu a AFISMA de contribuir com a reconstrução das forças de segurança e defesa do país, assim como na redução de ameaças impostas por grupos terroristas. A Missão será liderada pela União Africana e pela Comunidade Econômica do Estados da África Ocidental (ECOWAS), com apoio logístico e financiamento da ONU.

A Missão será responsável por apoiar as autoridades na proteção de civis e na criação de um ambiente seguro para o envio de assistência humanitária liderado por civis, além do regresso voluntário de deslocados e refugiados. O Conselho também instou as autoridades de transição do Mali a finalizarem o roteiro de transição por meio de amplo e inclusivo diálogo político, restaurar totalmente a ordem constitucional e a unidade nacional, também pela realização de eleições pacíficas, inclusivas e críveis até abril de 2013 ou tão logo seja tecnicamente possível. O órgão também exigiu que os rebeldes cortem os vínculos com grupos terroristas e pediu que as autoridades de transição iniciem negociações com os que romperem tais laços.

Como ajudar

Você pode fazer doações para duas das diversas agências que estão atuando no país: o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) — clique aqui para acessar — ou para o Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU — clique aqui para acessar e selecione “Sahel” como destino.


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