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Pesquisadores descobrem anticorpos capazes de 'neutralizar' zika vírus



25/06/2016

Pesquisadores europeus anunciaram nesta quinta-feira que encontraram "poderosos" anticorpos que são capazes de "neutralizar" o zika vírus, uma descoberta que abre caminho para uma vacina contra esse patógeno que está relacionado a uma série de problemas de saúde.

Os anticorpos permitiram "neutralizar eficientemente" o zika e o vírus da dengue em testes com células humanas realizados em laboratório, o que "poderia levar ao desenvolvimento de uma vacina universal" que protegeria contra as duas doenças, indicaram os pesquisadores na revista científica Nature.

Esta descoberta coincide com um outro estudo, também publicado nesta quinta-feira, que sugere que a recente explosão de casos de zika vírus na América Latina poderia ter sido favorecida por uma pré-exposição à dengue.

Os dois vírus têm vários aspectos em comum. Pertencem à família dos flavovírus, transmitidos especialmente por mosquitos.

Pesquisadores do Instituto Pasteur de Paris, do Centro Nacional para a Pesquisa Científica (CNRS) francês e do Imperial College de Londres, que já estudavam os anticorpos capazes de combater a dengue, passaram a analisar igualmente o zika vírus.

Eles selecionaram dois anticorpos EDE capazes de deter a dengue e descobriram que um deles era particularmente eficaz para neutralizar o vírus da zika.

A descoberta, segundo Félix Rey, responsável pelo laboratório de virologia estrutural do Instituto Pasteur, que dirigiu o estudo, foi "totalmente inesperada".

A partir daí, com diversas técnicas, os pesquisadores conseguiram reconstituir o local preciso onde este anticorpo se fixa sobre a proteína que envolve o zika vírus e descobriram que o local de fixação era o mesmo do vírus da dengue.

"Esta descoberta permite trabalhar na produção de uma vacina de proteção contra todos os vírus do grupo", afirmam os pesquisadores no estudo.

De acordo com Juthathip Mongkolsapaya, outro pesquisador, trata-se dos "primeiros anticorpos muito poderosos" descobertos contra o zika, um vírus considerado por muito tempo como pouco perigoso.

Mas a epidemia que atinge os países da América do Sul, especialmente o Brasil, revelou estar associada a graves anomalias no desenvolvimento cerebral, principalmente à microcefalia - malformação que se caracteriza por um tamanho abaixo da média da cabeça de bebês de mães infectadas com o zika.

No Brasil, o país mais afetado, foram registrados 1.616 casos de microcefalia desde o início da epidemia de zika, em outubro passado, segundo dados do Ministério da Saúde.

A zika está associada, ainda, a complicações neurológicas, como a síndrome de Guillain-Barré, que pode causar paralisia e levar à morte.

Na quarta-feira, pesquisadores da USP em Ribeirão Preto publicaram um estudo revelando que o vírus da zika também causa uma inflamação ocular grave em adultos, chamada uveíte, cujas complicações incluem glaucoma e catarata. Até então, acreditava-se que o vírus só causasse inflamações superficiais, como a conjuntivite.

Em fevereiro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou uma "emergência de saúde pública de nível internacional" em razão do aumento de casos de infecção pelo zika vírus em vários países e das complicações associadas à doença.

Até o momento não existe nenhuma vacina contra o zika, ao contrário da dengue, que já dispõe de uma vacina desenvolvida pelo laboratório francês Sanofi.

A dengue, que assim como o zika é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, está em plena expansão em regiões tropicais e subtropicais do planeta, onde cerca de 400 milhões de pessoas são contaminadas por ano.

Os sintomas da dengue incluem febre, dor de cabeça, náusea, vômito e dor muscular.

Zika agravado pela dengueOutro estudo, realizado pelos mesmo pesquisadores e também publicado nesta quinta-feira pela revista Nature Immunology, revela que a maioria dos anticorpos produzidos por pessoas infectadas pela dengue podem aumentar a potência da zika.

Isso significa que uma exposição anterior ao vírus da dengue "pode acentuar a infecção pelo zika", disse Gavin Screaton, Imperial College, um dos autores do estudo.

"Este pode ser o motivo pelo qual o surto atual é tão severo, e porque ele aconteceu em áreas onde a dengue é prevalente", como a América Latina, completa o pesquisador.

A descoberta mostra a importância de que uma futura vacina contra o zika utilize os anticorpos corretos, disse Rey.

No entanto, ressalta o pesquisador, ainda há muito trabalho por diante, como a realização de uma pesquisa clínica, que pode levar muito tempo.

Em relação à vacina do Sanofi, que combate as quatro variedades existentes da dengue, Rey afirma que esta "teria que ser modificada para poder ser utilizada contra o zika".

Segundo Jeremy Farrar, diretor da organização britânica Wellcome Trust, que apoiou financeiramente ambos os estudos, ainda "há mais perguntas que respostas" sobre o zika e o grupo de vírus que inclui a dengue.

Resta saber, por exemplo, porque o vírus da zika no sudeste asiático e na África, onde está presente há muito tempo, não se desenvolveu da mesma forma que na América do Sul.

Fonte: UOL


MSF responde a surto grave de malária na RDC

MSF responde a surto grave de malária na RDC
Foto: Natacha Buhler/MSF

20/05/2016

A última ocorrência de uma epidemia como a atual foi em 2012, quando foram tratadas mais de 60 mil crianças

Na segunda-feira, 9 de maio, 141 crianças foram internadas durante a noite no hospital geral de referência de Pawa, na província de Haut-Uele, no nordeste da República Democrática do Congo. Havia de duas a três crianças em cada um dos 22 leitos da ala pediátrica e colchões estavam espalhados pelo chão, entre os leitos e pelos corredores. Um surto excepcionalmente grave de malária atingiu a área de saúde de Pawa e a vizinha Boma Mangbetu.

Faltam medicamentos para tratar a malária nos centros de saúde das zonas de saúde de Pawa e Boma Mangbetu.“Estamos tão cansados de assistir crianças morrerem!”, exclama o líder das comunidades de Gatua durante uma reunião com um enfermeiro da organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF). “Estamos enterrando crianças ininterruptamente desde março. O centro de saúde não tem mais medicamentos para malária e as mães estão levando suas crianças para casa para morrer. A única coisa que elas podem fazer é resfriar seus filhos com água para baixar a febre.”

No início de maio, MSF lançou uma intervenção de emergência nas zonas de saúde de Pawa e Boma Mangbetu em resposta a um pedido das autoridades de saúde, já sobrecarregadas. O primeiro passo dado pela organização foi a distribuição de aproximadamente 10 mil tratamentos antimalária baseados em artemisinina e de um grande número de testes rápidos de diagnóstico para 32 centros de saúde, a fim de garantir que a doença seja tratada rápida, efetiva e gratuitamente a nível local.

“Somente uma vez nos deparamos com situação similar: em 2012, durante uma intervenção nas áreas de Ganga-Dingila, Pawa, Poko e Boma-Mangbetu tratamos mais de 60 mil crianças com malária”, explica Florent Uzzeni, gestor adjunto de programa de emergência de MSF. “Hoje, nosso objetivo primário é tratar crianças com malária simples o mais rápido possível, para que elas não desenvolvam malária grave.”

Se a doença for tratada em tempo, e com a medicação correta, o risco de complicações pode ser significativamente reduzido. No entanto, a atual falta de medicamentos e seu custo excessivo levou à multiplicação dos casos de malária, causando muitas mortes de crianças em suas casas, sem acesso a cuidados de saúde. Portanto, MSF também vai oferecer suporte aos hospitais gerais de referência de Pawa e Boma Mangbety no tratamento desses casos com complicações, que geralmente demandam cuidados intensivos, transfusões de sangue e oxigenoterapia. A equipe médica de MSF também fortalecerá a equipe médica do Ministério da Saúde. Além disso, a organização oferecerá os equipamentos e medicamentos necessários, além de treinamento para melhorar a qualidade dos cuidados.

“Vamos oferecer ajuda nas áreas com os maiores números de casos de malária, mas sabemos que outras áreas de saúde nas províncias de Haut-Uele, Bas-Uele e Ituri também foram afetadas”, continua Florent Uzzeni. “Tratamentos efetivos existem e se todos os atores envolvidos no combate à malária no país agirem rapidamente, vamos conseguir impedir a morte de muitas crianças em consequência dessa epidemia.”


Jordânia: MSF inaugura clínica para doenças crônicas

Foto: Ton Koene

07/04/2016

Próximo à fronteira com a Síria, a nova instalação responderá às necessidades de refugiados sírios e jordanianos vulneráveis

A organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) inaugurou oficialmente um centro de saúde na cidade de Al Ramtha, no norte da Jordânia, para responder a algumas das necessidades de saúde crônicas de refugiados sírios e jordanianos vulneráveis na cidade.

A Jordânia abriga cerca de 660 mil refugiados registrados, e muitos outros que não possuem registro. Cerca de 100 mil sírios vivem em acampamentos, onde o acesso a cuidados de saúde é relativamente fácil. Mas para aqueles que vivem fora dos acampamentos, obter diagnóstico e tratamento para doenças crônicas, como diabetes, doenças cardiovasculares, asma e hipertensão, pode ser difícil por causa do custo do tratamento.

“O tratamento para doenças crônicas pode custar 40 JOD por mês para os refugiados, e, com muitos enfrentando enormes dificuldades financeiras, isso pode ser um fardo muito pesado para eles”, disse Manuel Lopez Iglesias, coordenador-geral de MSF na Jordânia.

Inaugurada mediante um acordo com o Ministério da Saúde jordaniano, a clínica visa aliviar um pouco a sobrecarga da oferta de cuidados de saúde para a população local.

A clínica em Al Ramtha – lar de aproximadamente 70 mil refugiados sírios – vai oferecer consultas médicas, testes laboratoriais básicos e tratamento para refugiados sírios e jordanianos que não estão cobertos por planos de saúde. A clínica ficará aberta cinco dias por semana, e todos os serviços são gratuitos.

MSF mantém outras duas clínicas de tratamento de doenças crônicas de refugiados sírios em Irbid, assim como uma maternidade e um projeto de saúde mental também para refugiados sírios. Além disso, MSF administra uma unidade emergencial de cirurgia de trauma no hospital de Al Ramtha, e um hospital regional que oferece cirurgia reconstrutiva para vítimas da guerra em Amã.

Mais de 12 milhões de mortes devido a doenças provocadas pelo ambiente em 2012

Pequim em alerta vermelho devido à poluição. É a primeira vez na história que
Pequim está em alerta vermelho devido à poluição (REUTERS/Damir Sagol)

15/03/2016

Estudo da Organização Mundial de Saúde, divulgado esta terça-feira, indica que os fatores de risco ambiental, como a poluição do ar, da água ou do solo, assim como a exposição a químicos, as alterações climáticas ou as radiações ultravioleta, contribuem para mais de 100 doenças e lesões

Cerca de 12,6 milhões de pessoas morreram por viverem ou trabalharem em ambientes pouco saudáveis em 2012, o que representa um quarto de todas as mortes naquele ano. A conclusão é de um estudo da Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgado esta terça-feira.

Intitulado "Prevenção das doenças através de ambientes saudáveis: Uma avaliação global do peso das doenças provocadas por riscos ambientais", o estudo indica que os fatores de risco ambiental, como a poluição do ar, da água ou do solo, assim como a exposição a químicos, as alterações climáticas ou as radiações ultravioleta, contribuem para mais de 100 doenças e lesões.

As doenças não-comunicáveis, como os acidentes vasculares-cerebrais, a doença cardíaca, os cancros ou as doenças respiratórias crônicas, representam hoje dois terços (8,2 milhões) das 12,6 milhões de mortes provocadas por fatores ambientais, revela a segunda edição do estudo, publicado pela primeira vez há 10 anos.

Já as mortes provocadas por doenças infecciosas, como a diarreia ou a malária, muitas vezes associadas à má qualidade da água e do saneamento, registaram uma queda, devido às melhorias no acesso à água e saneamento, mas também graças a mais imunização, redes mosquiteiras tratadas com inseticida e medicamentos essenciais.

"Um ambiente saudável sustenta uma população saudável", disse a diretora-geral da OMS, Margaret Chan, citada num comunicado da organização.

A responsável alertou que, se os países não tomarem medidas para tornar mais saudáveis os ambientes onde as pessoas vivem e trabalham, "milhões vão continuar a ficar doentes e a morrer demasiado cedo".

As medidas que devem ser tomadas

O relatório apresenta algumas medidas que os países podem tomar para inverter a tendência de aumento das doenças relacionadas com o ambiente, incluindo a redução do uso de combustíveis fósseis e o aumento do acesso a energias de baixo carbono.

"Há uma necessidade urgente de investimento em estratégias para reduzir os riscos ambientais nas nossas cidades, nas nossas casas e locais de trabalho”, disse Maria Neira, diretora do departamento de Saúde Pública, Ambiente e Determinantes Sociais da Saúde na OMS.

Esses investimentos, afirmou a responsável, podem "reduzir significativamente o crescente peso mundial das doenças cardiovasculares e respiratórias, as lesões e os cancros, levando a poupanças imediatas nos custos dos serviços de saúde".

Os grupos etários mais afetados pelos perigos ambientais são as crianças com menos de cinco anos e os adultos de entre 50 e 75.

Anualmente, poderiam prevenir-se as mortes de 1,7 milhões de crianças com menos de cinco anos e 4,9 milhões de adultos com 50 a 75 anos através de uma melhor gestão ambiental.

Enquanto as crianças são mais afetadas por doenças respiratórias e diarreias, os adultos sofrem mais de doenças não-comunicáveis.

Segundo o relatório, as regiões do Sudeste asiático e do Pacífico ocidental foram as que mais contribuíram para o número total de mortes relacionadas com o ambiente em 2012, com um total de 7,3 milhões de mortos.

Segue-se a África, com 2,2 milhões de mortos; a Europa, com 1,4 milhões de mortes; o Mediterrâneo oriental, com 854 mil mortes; e as Américas, com 847 mil óbitos anuais.

Com 2,5 milhões de mortes anuais, os acidentes vasculares-cerebrais são a principal causa de morte associada a causas ambientais, a que se segue a doença isquémica cardíaca (2,3 milhões de mortes anuais), os acidentes involuntários, como acidentes rodoviários, e os cancros (com 1,7 milhões de mortes cada) e as doenças respiratórias crônicas (1,4 milhões de mortos).

Fonte: Tvi24

NOTIFICAÇÃO NOS CASOS DE ZIKA VÍRUS PASSA A SER OBRIGATÓRIA

Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya
Foto: Pref. de Bossoroca/RS

19/02/2016

Casos de doenças ligadas ao vírus zika foram incluídos na Lista Nacional de Notificação Compulsória do Ministério da Saúde

O Ministério da Saúde incluiu os casos de doenças decorrentes do vírus zika na Lista Nacional de Notificação Compulsória de doenças, agravos e eventos de saúde pública nos serviços de saúde do Brasil, tanto públicos como privados. A portaria foi publicada nesta quinta-feira (18) no Diário Oficial da União.

Com a atualização da lista, as autoridades de saúde dos municípios, Estados e Distrito Federal devem ser comunicados pelos profissionais de saúde a ocorrência de doença aguda pelo vírus, doença aguda pelo zika em gestante e óbito com suspeita de doença pelo mesmo agente.

Em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (18), o ministro da Saúde, Marcelo Castro, destacou a importância da notificação para a construção de um mapa da enfermidade relacionada ao vírus zika. "Não fizemos antes porque não tínhamos testes que pudessem dizer com segurança, mas agora a confirmação é possível. Com a notificação compulsória, podemos fazer parte de nossas estatísticas e podemos dizer que tivemos tantos casos de zika", disse.

No total, 48 doenças, agravos e eventos de saúde devem ter a notificação obrigatória. Enfermidades como a dengue e a febre chikungunya, que, assim como o zika vírus, são relacionadas ao mosquito Aedes aegypti, já constavam da lista.

A notificação compulsória deverá ser realizada diante da suspeita ou confirmação da doença ou agravo, com periodicidade semanal e imediata. A autoridade que receber a notificação compulsória imediata deverá informá-la, em até 24 horas, às demais esferas de gestão do Sistema Único de Saúde (SUS).

A Secretária de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde irá publicar, em até 90 dias, normas técnicas complementares relativas aos fluxos, prazos, instrumentos, definições de casos suspeitos e confirmados, funcionamento dos sistemas de informação em saúde e demais diretrizes técnicas para o cumprimento e operacionalização das regras previstas na portaria.


PRINCIPAIS CIENTISTAS DO MUNDO PROMETEM COMPARTILHAR DESCOBERTAS SOBRE ZIKA

11/02/2016

Crédito: Divulgação/Reuter
LONDRES (Reuters) - Trinta das principais instituições de pesquisa científica do mundo, revistas científicas e financiadores de pesquisas prometeram nesta quarta-feira compartilhar de forma gratuita os dados e o conhecimento sobre o Zika vírus assim que forem obtidos.

"Os argumentos para o compartilhamento de dados e as consequências de não comparilhá-los (foram)... enfatizados pelos surtos de Ebola e de Zika", afirma o documento acordado por um número sem precedentes de signatários nas Américas, no Japão e na Europa, além de outros locais.

"No contexto de uma emergência de saúde pública de caráter internacional, há um imperativo para que todas as partes tornem disponível qualquer informação que possa ter valor no combate à crise", afirma o documento.

A Zika, uma doença viral transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, está causando alarme internacional após um surto no Brasil que se espalhou por boa parte das Américas.

Pouco se sabe sobre o vírus, inclusive se ele pode provocar má-formação cerebral ou outros problemas neurológicos. O Brasil está investigando uma ligação entre infecções pelo Zika e cerca de 4 mil casos suspeitos de bebês recém-nascidos com microcefalia.

Equipes médicas e de pesquisadores em todo o mundo têm ampliados os esforços para descobrir mais sobre a doença, incluindo como tratamentos com vacinas podem ser desenvolvidos para combatê-la.

Entre os signatários do documento desta quarta que concordaram em compartilhar os frutos das pesquisas estão o Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês), a Fundação Bill & Melinda Gates, a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Institut Pasteur, da França; a Academia de Ciências Médicas do Reino Unido e a instituição de caridade para a área de saúde Wellcome Trust.

As publicações científicas signatárias --entre elas o New England Journal of Medicine, a Nature, a Science e o The Lancet-- prometeram "tornar todo o conteúdo sobre o Zika vírus de acesso gratuito".

Jeremy Farrar, diretor do Wellcome Trust e um dos signatários do documento, disse que a pesquisa é uma parte essencial da resposta a qualquer emergência global de saúde.

"Isso é particularmente verdade para o Zika, onde muita coisa ainda é desconhecida sobre o vírus, como ele se espalha e a possível relação com a microcefalia", disse.

Farrar acrescentou que isso também significa que é crítico que os resultados das pesquisas se tornem disponíveis e sejam compartilhados rapidamente, de forma ética, equitativa e transparente.

"Isso vai garantir que o conhecimento conquistado se torne rapidamente em intervenções de saúde que possam ter impacto sobre a epidemia."

(Reportagem de Kate Kelland)

NA GUINÉ, UMA HOMENAGEM COM LETRA MAIÚSCULA

Foto: Sam Phelps

22/12/2015

Bebê sobrevivente de Ebola leva nome de enfermeira de MSF

Era madrugada do dia 28/10 quando a enfermeira Nubia Aguiar recebeu a informação de que uma paciente gestante do centro de tratamento de Ebola em Nongo, em Conacri, na Guiné, sentia dores. Depois de tentar, sem sucesso, encontrar um ginecologista para assistir o parto, uma vez que não há profissionais dessa especialidade no projeto, Nubia correu para o centro de tratamento. Ao chegar ali, soube que a mãe, portadora do vírus Ebola, havia dado à luz uma menina com a ajuda da coordenadora médica de MSF e de uma enfermeira. Algumas horas depois, infelizmente, a ela sofrera complicações pós-parto e, mesmo com ajuda médica, acabou falecendo. “A partida dela foi muito triste. Ela era jovem, tinha até nos contado que tinha outros dois filhos em casa. Fizemos o possível por ela, mas, infelizmente, não foi suficiente”, conta Nubia. A bebê, no entanto, era motivo de alegria, e respondia bem ao tratamento. Dias depois, havia testado negativo para o vírus. Dali para frente, seria necessário acompanhar bem de perto como ela reagiria diante da possibilidade de o vírus reaparecer.

Como é de costume na Guiné, sete dias depois do nascimento da criança, era preciso dar um nome ao bebê. Os tios foram chamados ao centro de tratamento, onde a menina continuava recebendo cuidados em isolamento. Mesmo à distância, sem poder tocá-la, os tios observavam a criança com carinho, e fizeram suas orações para saudá-la. Foi então que veio a surpresa: “Eles me disseram que a criança se chamaria Nubia, como eu”, relembra emocionada a enfermeira de MSF. “Naquele momento, tudo o que eu consegui dizer foi um simples ‘obrigada’. Depois, soube que meu nome foi lembrado por eu ter sido a primeira estrangeira com quem uma das tias de Nubia teve contato. Imagino que essa foi a forma que eles encontraram de agradecer os cuidados que tivemos e ainda estamos tendo com os membros da família, ainda que tenhamos perdido a mãe da bebê”, conta.

No sábado, 28 de novembro, Nubia recebeu alta do centro de tratamento. Ela é a primeira bebê nascida de mãe com Ebola a sobreviver ao vírus. Nubia, a enfermeira, explica que vai ser necessário observar a criança, e estão previstas visitas semanais. “Até mais frequentes, se necessário. Como ela é o primeiro caso de cura pós-parto com Ebola, não sabemos exatamente como ela vai reagir. Todo cuidado é pouco”, explica. A família foi instruída sobre os cuidados necessários nesse momento, já que Nubia não tem Ebola, mas está sujeita a outras infecções. Amor e carinho, no entanto, não lhe faltarão. “Os tios que se prontificaram a cuidar dela são muito afetuosos e já têm uma filha de um ano e algo. Ela é bastante amada, e isso é o mais importante”, conta a Nubia de MSF, que diz sentir-se honrada por participar de forma tão especial da história da menina.

A Guiné entra agora em contagem regressiva para ser declarada livre de Ebola. Serão necessários 42 dias sem qualquer registro de novo caso. Médicos Sem Fronteiras está, atualmente, repassando a administração do centro de tratamento de Ebola de Nongo ao Ministério da Saúde, mas deve inaugurar uma clínica para sobreviventes de Ebola em dezembro, para oferecer cuidados médicos e apoio psicológico gratuitos.

O surto de Ebola na África Ocidental matou cerca de 11.300 pessoas, principalmente na Guiné, na Libéria e em Serra Leoa. Desde março, equipes de MSF trataram 10.288 pacientes de Ebola; 1.932 deles no centro de tratamento de Ebola em Conacri, na Guiné.

SAIBA QUAIS SÃO OS MITOS E VERDADES SOBRE O ZIKA VÍRUS



22/12/2015

Erupções na pele, dor de cabeça, no corpo e nas articulações, vermelhidão nos olhos, náuseas, fotofobia, conjuntivite e coceira intensa. Os sintomas são parecidos com os da dengue e da chikungunya, mas as consequências da infecção pelo zika vírus são bem mais críticas.

Apesar de ter uma evolução branda, com sintomas que duram em média de dois a sete dias, o zika está associado à microcefalia em bebês cujas mães foram contaminadas durante a gestação – e que trazem deficiências variadas. Além disso, há o risco de desenvolvimento da síndrome de Guillain-Barré (doença autoimune que acomete o sistema nervoso), recentemente associada ao vírus e que vitimiza principalmente crianças e idosos.

A febre zika é uma doença nova. Seu primeiro surto foi registrado em 2007, na ilha de Yap, na Micronésia, e chegou ao Brasil no ano passado. Por conta disso, muito pouco se sabe a respeito, abrindo margem para que muitas informações sem embasamento científico se espalhem.

Veja aqui o que é verdade e o que é mito acerca do zika:

Você pode ter sido contaminado pelo zika e não saber - VERDADE

Segundo a Sociedade de Pediatria de São Paulo, assim como nas outras doenças virais transmitidas pelo mesmo mosquito (dengue, febre chikungunya), acredita-se que cerca de 80% das pessoas contaminadas pelo zika vírus não apresentam qualquer sintoma, o que não quer dizer que as consequências da infecção (microcefalia nos bebês dessas gestantes, por exemplo) não ocorram. 

Repelentes são a forma mais eficiente de evitar a contaminação pelo zika – MITO

O uso do repelente como único método de prevenção não garante que o mosquito Aedes aegypti ficará longe. Inclusive, nenhum dos dez repelentes testados pelo Proteste com as marcas mais comuns vendidas no Brasil foi aprovado. Uma das principais ações contra o mosquito, segundo o Ministério da Saúde, é a conscientização da população sobre o seu papel de eliminar locais nos quais o Aedes aegypti pode se reproduzir, como vasos de plantas, lixo e garrafas pet abandonadas. Além disso, recomenda-se o uso de roupas que cubram a superfície do corpo, em especial as extremidades e áreas de pele mais fina, como tornozelos, pés, punhos e mãos. 

Microcefalia no Nordeste foi causada pela vacina contra rubéola, não por causa do zika – MITO

De acordo com o último Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, até 12 de dezembro deste ano foram registrados 2.401 casos da doença e 29 óbitos. Esses casos estão distribuídos em 549 municípios de 20 Unidades da Federação. A microcefalia é uma condição neurológica rara em que a cabeça é desproporcionalmente menor que o corpo. O crânio não se desenvolve corretamente, porque o tecido cerebral não cresce. Isso faz com que, dependendo da área do cérebro afetada, a criança tenha dificuldades de locomoção, desenvolvimento cognitivo, deglutição, audição, dentre outras. Apesar de ter relação com outras doenças, como rubéola, infecções por citomegalovírus, toxoplasmose e uso de drogas na gestação, por exemplo, a vacina não é responsável pelo surto atual. Segundo o Ministério da Saúde, todas as vacinas do calendário nacional são seguras. Em nota, a Sociedade de Pediatria de São Paulo esclarece que a vacina nunca é aplicada durante a gestação e que ela é produzida com vírus vivos e atenuados, que não são capazes de provocar as doenças. 

Quem pega zika uma vez não corre risco de se contaminar novamente – MITO

Os casos de infecções sucessivas e de coinfecção com outras doenças causadas pelo Aedes Aegypti, como dengue e chikungunya, são possíveis, desde que causados por vírus diferentes. Ainda não se sabe quais são as consequências dessa condição para a saúde. "Não temos como medir as consequências da coinfeccção ou de infecções sucessivas pelos três vírus em um paciente", afirma Claudia Nunes, chefe do Laboratório de Virologia Molecular do Instituto Carlos Chagas (ICC/Fiocruz Paraná), para quem é necessário uma investigação profunda, buscando esclarecer os aspectos clínicos e adequar o tratamento.

Amamentação deve ser mantida onde há risco de zika – VERDADE

Na Polinésia Francesa (onde houve surto de zika em 2013), médicos encontraram partículas do vírus no leite materno. Mas ainda não se sabe se existe transmissão para o bebê porque nem todo vírus encontrado no leite é transmitido. Segundo dados do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) do Estado de São Paulo, a transmissão raramente ocorre de mãe para filho. Ainda de acordo com esse documento, “até agora, não há relatos de crianças infectadas pelo zika vírus através da amamentação. Pelos benefícios do aleitamento, mães devem ser encorajadas a amamentar mesmo em áreas onde o zika vírus for encontrado”.

O vírus pode ser transmitido pelo sêmen – NEM MITO, NEM VERDADE

Segundo o Ministério da Saúde, não há estudos consistentes a esse respeito. Houve apenas um caso descrito de transmissão sexual. Além da adoção rotineira do preservativo para a proteção contra doenças sexualmente transmissíveis, o período de doença e os dias seguintes devem ser tratados com uma cautela adicional.

Nem todos os repelentes são seguros para gestantes - VERDADE

Apenas repelentes à base de DEET, IR3535 e Icaridina são considerados seguros para uso durante a gestação, de acordo com o Ministério da Saúde.

O mosquito do Zika só pica de dia - MITO

O Aedes aegypti é um mosquito de hábitos predominantemente diurnos, mas não é impossível que ele pique durante a noite. Essa espécie vem se adaptando rapidamente ao ambiente urbano e doméstico. Por isso, a recomendação é destruir os criadouros do mosquito.

Sempre verifique informações recebidas em fontes confiáveis como os portais do Ministério da Saúde, da Organização Mundial da Saúde (OMS), do CDC dos EUA ou do Centro de Controle de Doenças Europeu.

Fonte: EBC

MINISTÉRIO DA SAÚDE REVÊ CRITÉRIO PARA DIAGNÓSTICO INICIAL DE MICROCEFALIA



05/12/2015

O Ministério da Saúde mudou os critérios para o diagnóstico de microcefalia relacionada ao vírus Zika e adotou a medida de 32 centímetros como o ponto de partida para triagem e identificação de bebês não prematuros com possibilidade de ter a malformação no crânio.

Até então, estavam sendo considerados casos suspeitos aqueles em que a criança nascia com menos de 33 centímetros de perímetro cefálico, segundo o Ministério da Saúde, para incluir um número maior de bebês na investigação. Depois de ter o perímetro cefálico medido, para ter o diagnóstico confirmado, a criança precisa passar por outros exames.

Com a determinação, parte dos 1.248 casos considerados suspeitos de microcefalia podem ser descartados. O número atualizado de 2015 deve ser divulgado na próxima terça-feira.

Segundo a pasta, a medida segue recomendação da Organização Mundial da Saúde, que considera 32 centímetros a medida padrão mínima para a cabeça de recém nascidos não prematuros. O perímetro cefálico, medida da cabeça feita logo acima dos olhos, varia conforme a idade gestacional do bebê. Segundo o Ministério da Saúde, para a população brasileira, 33 centímetros é considerado normal.



Estudo encontra genes que protegem crianças africanas da malária

Parasitas da malária são vistos entre hemácias do sangue (Foto: CDC/Mae Melvin)
03/10/2015

Doença é responsável pela morte de 500 mil crianças por ano.
Variação genética reduz quase pela metade risco de morte pela doença.

Cientistas identificaram certas variações genéticas especificas que protegem algumas crianças africanas do desenvolvimento de casos sérios de malária e disseram que a descoberta vai impulsionar o combate à doença, responsável pela morte de 500 mil crianças por ano.

No maior estudo do tipo já feito, os pesquisadores afirmaram que a identificação de variações de DNA em uma localização específica, ou locus, do genoma ajuda a explicar por que algumas crianças desenvolvem os tipos mais graves de malária e outras não, em comunidades nas quais as pessoas são constantemente expostas ao mosquito portador da doença.

Em alguns casos, disseram os cientistas, a presença de uma variação genética específica reduz quase pela metade o risco de uma criança morrer por causa da doença.

“Podemos agora dizer, inequivocamente, que as variações genéticas nessa região do genoma humano proporciona uma forte proteção contra a malária grave em situações do mundo real, fazendo a diferença se uma criança vive ou morre”, disse Dominic Kwiatkowski, professora no Centro para Genética Humana e Instituto Sanger da Fundação Wellcome e uma das pesquisadoras que lideram o projeto.

O trabalho foi conduzido pela MalariaGEN, uma rede internacional de cientistas na África, Ásia e outras regiões com incidência endêmica de malária, em grande parte financiada pela Fundação Wellcome.

A malária matou cerca de 584 mil pessoas em 2013, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Cerca de 90 por cento das vítimas são crianças com menos de cinco anos da África Subsaariana.

Para o estudo, os pesquisadores analisaram dados provenientes de Burkina Faso, Camarões, Gana, Quênia, Malauí, Mali, Gâmbia e Tanzânia – comparando o DNA de 5.633 crianças com casos graves de malária com o DNA de 5.919 crianças sem malária grave. Os cientistas então replicaram suas principais descobertas em outras 14 mil crianças.

Ao publicarem o trabalho na revista científica "Nature", os pesquisadores explicaram que o novo locus identificado encontra-se próximo a grupos de genes com códigos relacionados à glicoforina, proteína ligada ao modo como o parasita da malária invade as células vermelhas do sangue.

Fonte: G1obo.com


PRINCIPAIS DOENÇAS DA BANANA SERÃO APRESENTADAS EM BERLIM

Banana nanica - Foto: Anapaula Lopes

24/08/2015 

Missão possível: alimentar a todos por meio de proteção vegetal adequada é o tema do XVlll International Plant Protection Congress (IPPC), de 24 a 27 de agosto de 2015, em Berlim, Alemanha. O pesquisador da Embrapa Miguel Dita irá apresentar trabalhos sobre a eficácia das práticas de manejo da Murcha por Fusarium da bananeira em pequenas propriedades de banana Gros Michel em Costa Rica e sobre endófitos associados às raízes de Musa spp. que podem promover o crescimento da planta de banana e inibir tanto a agentes patogénicos.

Conforme o pesquisador, "a murcha de Fusarium é uma das doenças destrutivas da bananeira. A exclusão da doença e usos de cultivares resistentes são consideradas as práticas de manejo mais eficazes. Além disso, o uso de material de plantio de cultura de tecidos livre da doença também tem sido recomendado para reduzir a propagação de Fusarium oxysporum f. sp. cubense (Foc) em novos plantios por meio de rizomas infectados".

"Como a exclusão não foi possível especialmente a nível local e cultivares resistentes não estão sempre disponíveis ou não cumprem as exigências do mercado, estratégias de manejo são necessários para reduzir as perdas atuais de rendimento e aumentar a vida útil em novas plantações em solos já contaminados", diz Miguel.

O impacto de diferentes práticas de manejo para reduzir a sua intensidade foram estudadas em 15 fazendas de bananas 'Gros Michel' em Turrialba, Costa Rica:  utilização de material de plantio de cultura de tecidos; inoculação de plantas de cultura de tecidos com microorganismos endófitos durante a aclimatização; utilização de insumos orgânicos e uso de adubação química de acordo com a fenologia da cultura.

Os resultados deixam claro a dificuldade de controlar esta doença, mas revelam que o manejo do microbioma de de solo e raizes ajuda as plantas provenientes de cultura de tecidos a se defender melhor do patógeno. Adicionalmente, ficou claro que vitroplantas de variedades suscetíveis sem esses insumos não deve ser recomendado. Os resultados do primeiro trabalho são uma base que suporta a abordagem apresentadas no segundo trabalho.

O segundo estudo trabalha sobre a hipótese de que o processo de cultura de tecidos, prática recomendada em todo o mundo da banana para impedir a propagação de doenças, remove bactérias e fungos endofíticos que proporcionam benefícios para as bananeiras.

"O enriquecimento de material de plantio de cultura de tecido com endofíticos para proporcionar maior vigor e resistência a doenças é visto como uma estratégia promissora, mas o seu sucesso exige uma compreensão das complexas relações de endófitos e bananeiras", explica Miguel.

Neste trabalho, dezenove microrganismos endofíticos associados às raízes de Musa spp. foram caracterizados em relação a antagonismo contra Fusarium oxysporum f. sp. cubense (Foc), compatibilidade crescimento em meio de cultura e promoção de crescimento de plantas de cultura de tecidos em casa de vegetação.

A maioria dos fungos previamente caracterizados inibiram o crescimento de Foc em determinados níveis e em diferentes interações foram verificados a compatibilidade entre endófitos mostrando total ou parcial incompatibilidade.

"Nossos resultados preliminares são bastante promissores e desde já contribuem para uma melhor compreensão das relações entre microrganismos endofíticos e raízes de banana. Produtos e práticas direcionadas ao manejo da cultura com base na formulação simples ou combinada de microrganismos para melhorar o material de plantio de cultura de tecido é o nosso objetivo final", diz Miguel.

Fonte: Embrapa

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