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Ministério da Saúde anuncia edital de R$ 20 milhões para pesquisas contra o Aedes aegypti



27/03/2016
  
Também será realizada nova fase da pesquisa do mosquito com a bactéria Wolbachia, capaz de reduzir a transmissão de doenças. Ações fazem parte do Plano de Enfrentamento ao Aedes aegypti e à Microcefalia

O ministro da Saúde, Marcelo Castro, anunciou nesta quarta-feira (23), em Brasília (DF), o lançamento de edital de pesquisas contra o Aedes aegypti e as doenças transmitidas pelo mosquito. No total, serão disponibilizados R$ 20 milhões para estudos na área do controle do vetor, diagnóstico, prevenção e tratamento. O anúncio ocorreu durante cerimônia com a presidenta Dilma Rousseff no Palácio do Planalto. A medida faz parte das ações do Eixo de Desenvolvimento Tecnológico, Educação e Pesquisa do Plano Nacional de Enfrentamento ao Aedes aegypti e à Microcefalia, lançado pelo Governo Federal em dezembro de 2015.

“Estamos dentro de um esforço grande no combate ao vírus da Zika. Esse é um desafio muito importante não só do Brasil, mas de toda a comunidade internacional, que é pesquisa, desenvolvimento e inovação para auxiliar o combate em todos os níveis (...). Precisamos de novo métodos para combater o mosquito transmissor da doença. Por isso, os investimentos que estamos anunciando hoje são de extrema importância. O nosso objetivo é avançar no conhecimento sobre o vírus de zika na oferta de diagnósticos, de vacinas e de medicamentos”, destacou a presidenta Dilma Rousseff.

O ministro da Saúde, Marcelo Castro, também anunciou que o teste com o mosquito com a bactéria Wolbachia, pesquisa realizada em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), deve começar uma nova fase. “Vamos apoiar o desenvolvimento de pesquisas, de novas tecnologias para combate o mosquito, para diagnóstico, para prevenir a doença com a vacina. Já estamos com várias linhas de pesquisa para ter um diagnóstico mais rápido e preciso das doenças transmitidas pelo Aedes Aegypti. Mas também precisamos desenvolver tecnologias para combate o vetor e a contaminação do mosquito com bactéria Wolbachia é uma das mais promissoras”, ressaltou Castro.

Na próxima semana, representantes da Fundação Bill e Melinda Gates vêm ao Brasil para definir os próximos passos da pesquisa. Cidades como Rio de Janeiro e Niterói estão sendo estudadas como potenciais locais para a liberação do mosquito. Já foram feitos estudos pilotos na Ilha do Governador, do Rio de Janeiro, e no bairro de Jurujuba, em Niterói. Agora, a ideia é fazer a pesquisa contemplando toda a área territorial de uma cidade e com uma população maior.

Quando presente no Aedes aegypti, a bactéria é capaz de impedir a transmissão da dengue pelo mosquito. A proposta é usar os mosquitos como uma alternativa segura e autossustentável para o controle da dengue e de outros vírus, como Zika e Chikungunya. A iniciativa também acontece na Austrália, Vietnã, Indonésia e Colômbia.

PESQUISAS – A previsão do Ministério da Saúde é investir um total R$ 258 milhões em novas tecnologias nos próximos quatro anos dentro do eixo do Plano Nacional de Enfrentamento ao Aedes aegypti e à Microcefalia. Até o momento, a pasta já se comprometeu com cerca de R$ 130 milhões para o desenvolvimento de vacinas, soros e estudos científicos para as doenças causadas pelo Aedes aegypti.

Diante da situação de emergência em saúde, a expectativa do governo federal é disponibilizar R$ 649 milhões para investimentos em ações de combate ao mosquito e às doenças relacionadas, diagnóstico, controle vetorial, pesquisas sobre o vírus zika, vacinas, tratamentos e inovação em gestão de serviços de saúde, saneamento e de políticas públicas. Além do Ministério da Saúde, também estão previstos recursos dos Ministérios da Educação e da Ciência, Tecnologia e Inovação. Haverá ainda mais R$ 550 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) para o desenvolvimento, produção e comercialização de tecnologias.

Entre os projetos em andamento pelo Ministério da Saúde estão a produção de 500 mil testes nacionais de biologia molecular para a realização de diagnóstico de dengue, chikungunya e Zika pela Fiocruz. Hoje, o Brasil possui um teste para identificar cada doença, pois em cada processo são usados reagentes importados e, para descartar a presença da dengue e chikungunya, é necessário realizar cada exame separadamente.

Além disso, o Ministério da Saúde irá repassar R$ 11,6 milhões para a Fiocruz desenvolver pesquisa e vacina contra o vírus Zika. Do total, cerca de R$ 6 milhões (US$ 1,5 milhão) serão destinados para projetos de cooperação bilateral para pesquisas sobre o vírus Zika e microcefalia entre a Fiocruz e o National Institutes of Health (NIH). Os outros R$ 5,6 milhões serão para o desenvolvimento da vacina contra o vírus Zika.

Também está sendo analisada a inclusão do vírus Zika no teste NAT realizado nas bolsas de sangue em todo o país. O estudo será feito pelo Laboratório Biomanguinhos da Fiocruz, no Rio de Janeiro, que já detém a plataforma NAT no país, e a celeridade dos processos de registro ficarão a cargo de parceria firmada entre Anvisa e o FDA, agência reguladora dos EUA.

Outras parcerias entre os dois países estão em andamento, como a firmada com a Universidade Medical Branch, do Texas, para o desenvolvimento da vacina com o vírus Zika. A parceria no Brasil para desenvolvimento da vacina será com o Instituto Evandro Chagas (IEC), órgão vinculado ao Ministério da Saúde. O governo brasileiro vai investir aproximadamente R$ 10 milhões nesse programa.

Para financiamento da terceira e última fase da pesquisa clínica para a vacina da dengue do Instituto Butantan, o Ministério da Saúde investirá R$ 100 milhões nos próximos dois anos para o desenvolvimento do estudo. Além da pasta, outros órgãos do governo federal devem colocar mais R$ 200 milhões. Também foi assinado, na mesma ocasião, investimento por parte do Ministério da Saúde de mais R$ 8,5 milhões no desenvolvimento de soro contra o vírus Zika.


Gabrielle Kopko, da Agência Saúde
Atendimento à Imprensa
(61) 3315-2918 / 3580


Você sabe a diferença dos sintomas da dengue, zika, chikungunya e gripe?

Mosquito Aedes aegypti  - Arquivo Agência Brasil

19/03/2016

Especialista explica os sintomas e as formas de tratamento

Segundo boletim epidemiológico, divulgado pelo Ministério da Saúde, em janeiro de 2016, foram contabilizados 73.872 notificações de casos da dengue. Diante dos altos números de casos, médicos plantonistas e outros profissionais de saúde, recebem a difícil missão de diagnosticar, corretamente, todos os casos, pois por conta dos sintomas semelhantes, o paciente com suspeita de dengue pode estar com zika, chikungunya e, até mesmo, gripe.

Em entrevista ao programa Amazônia Brasileira desta sexta-feira (18), a Diretora Médica da Sanofi Pasteur, Sheila Homsani, falou sobre a possibilidade dos casos de dengue serem confundidos com gripe, zika e chikungunya, devido a algumas semelhanças nos sintomas.

Ainda segundo um estudo conduzido em El Salvador, publicado na revista científica PLOS, dos 121 pacientes hospitalizados com suspeita de dengue, 28% eram positivos para dengue e 19% positivos para influenza, o vírus causador da gripe.

A Médica, Sheila Homsani, explicou os sintomas: “os sintomas são muito parecidos, inicialmente, porque são viroses, então tanto a dengue, quanto a gripe, a zika e a chikungunya, dão febre. Se a pessoa chega só com febre, é possível a confusão entre as doenças. Entretanto existem algumas diferenças. Na gripe, o indivíduo tem tosse mais persistente, secreção pulmonar, pode ter dor de garganta, e uma leve dor muscular. Na dengue, além da febre, a dor muscular é um sintoma muito importante. Alguns pacientes comparam a dor com uma sensação de ossos quebrando. Na dengue, também aparecem a dor atrás dos olhos, enjoo, vômito, e até sangramentos, além das manchas no corpo”, explica.

De acordo com a Médica, a automedicação é um grande problema, pois tanto os casos de dengue, quanto os casos de gripe podem se complicar: “O ideal é procurar um médico e fazer uma avaliação correta. A automedicação pode complicar. Nos casos de gripe, pode-se desenvolver para uma pneumonia, otite e sinusite”, esclarece.

Em relação aos sintomas da dengue, zika e chikungunya, os sintomas são parecidos, entretanto com intensidades diferentes. “Na dengue, a febre é mais alta. Na chikungunya, a febre é mais moderada. E na zika, a febre é baixa e as vezes nem aparece. Na zika, geralmente, aparece a conjuntivite, e manchas pelo corpo, com muita coceira. Na chikungunya, a dor nas juntas é bem característica. Infelizmente, para chikungunya e zika, ainda não existe uma forma de prevenção, apenas o combate ao mosquito, com o controle dos criadouros”, informa.

Sheila Homsani fala da vacina da dengue, que já foi aprovada pela Anvisa e em breve estará disponível. “Nós podemos ter dengue quatro vezes na vida, pois a dengue possui quatro sorotipos diferentes, e a vacina protege contra os quatro tipos, com uma eficácia de 66%, ou seja, em cada 1000 pessoas, com mais de nove anos de idade, 660 pessoas estariam protegidas, inclusive contra as formas mais graves”, analisa.

Em relação as vacinas da gripe, a médica recomenda a vacinação anual, que está disponível no SUS, para pessoas acima de 60 anos, pessoas com doenças de risco, crianças de 6 meses a 5 anos de idade, grávidas e mulheres que tiveram bebês até 45 dias após o parto. O restante das pessoas só terão acesso a essas vacinas nas clínicas privadas.

Sheila Homsani explica que os laboratórios tem estudado e trabalhado para o desenvolvimento de uma vacina contra o zika vírus, e se diz esperançosa quanto a essa vacina. “O zika é um problema, que está sendo avaliado e estudado. Os laboratórios estão tentando desenvolver uma vacina, e tudo indica que em breve teremos mais uma arma, para a proteção contra essa doença também”, afirma.

Ouça a entrevista na íntegra no player acima e saiba mais sobre os sintomas dessas doenças.

O Amazônia Brasileira vai ao ar de segunda a sexta, às 8h, na Rádio Nacional da Amazônia, e às 6h, na Rádio Nacional do Alto Solimões (horário local).

A apresentação é de Sula Sevillis e a produção-executiva, de Taiana Borges.

Fonte: EBC


Pesquisa comprova eficácia de óleos de orégano e de cravo no combate ao Aedes

PUC/MG desenvolve pesquisa com óleos de orégano e cravo para combate ao Aedes aegypti 
Leo Rodrigues/Agência Brasil

15/03/2016

Uma pesquisa da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas Gerais e da Fundação Ezequiel Dias (Funed) atestou a eficiência do uso dos óleos de orégano e de cravo para matar as larvas do mosquito Aedes aegypti. O próximo passo do estudo será desenvolver a fórmula para um larvicida, que será colocado à disposição do mercado.

Em contato com o criadouro, os óleos matam as larvas em até 24 horas. A pesquisadora Alzira Batista Cecílio espera que até o meio do ano a formulação já esteja pronta para ser apresentada à indústria. "Produto natural não pode ser patenteado. Então, só após a formulação do larvicida, poderemos patentear e iniciar as negociações com as empresas", afirma.

O estudo é um desdobramento de outra pesquisa mais ampla, que testa o uso de produtos naturais para combater diversos tipos de vírus. "Nesse cenário preocupante em relação ao vírus da dengue, nós decidimos começar a estudar também plantas que pudessem eliminar o vetor", acrescenta Alzira. Além da dengue, o mosquito Aedes aegypti é o transmissor do vírus Zika e da febre chikungunya.

O orégano e o cravo foram selecionados após análise de mais de 20 plantas. O óleo é extraído com o uso de equipamentos específicos. Por essa razão, não adianta por exemplo colocar folhas de orégano ou cravo nos vasos das plantas.

Neste momento, está sendo feito o estudo fitoquímico, para detalhar a composição química dos óleos. Futuramente, está previsto também o teste desses óleos no combate a outras fases da vida do mosquito, o que pode levar ao desenvolvimento de um inseticida aerosol ou um repelente. A pesquisadora alerta, porém, que esses produtos são apenas ferramentas auxiliares para combater o Aedes. "Eliminar os criadouros continua sendo o ponto chave", reitera.

Larvicida degradável

Segundo Alzira Cecílio, o objetivo é desenvolver um produto que não contamine o meio ambiente, já que a maioria dos criadouros de larvas está espalhada. Elas podem ter contato com animais e até água voltada para o consumo humano, como por exemplo nas caixas d'água. "Queremos um larvicida que seja degradado rapidamente e não contamine a água, ao mesmo tempo em que tenha boa eficácia. A maioria dos larvicidas usados hoje exige algum cuidado na aplicação e deixa a água com alguma toxicidade", explica.

No mês passado, uma nota técnica da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) gerou polêmica ao criticar os larvicidas usados atualmente. O governo do Rio Grande do Sul chegou a suspender o uso do Pyriproxifen, ao considerar que o produto poderia estar relacionado à ocorrência de microcefalia em bebês. A própria Abrasco negou que tenha colocado essa possibilidade em questão.

Em entrevista à Agência Brasil, o coordenador do grupo de saúde e ambiente da Abrasco, Marcelo Firpo, explicou que foi um mal-entendido, mas reafirmou que a entidade é contra o uso de agentes químicos na água potável e que danos à saúde decorrentes desses produtos não estão descartados. "Consideramos um contrassenso sanitário, um absurdo a colocação de veneno larvicida na água potável", disse.


Paris terá conferência internacional sobre o vírus da zika em abril

Imagem de micrografia eletrônica de transmissão colorida digitalmente mostra
o vírus da zika (Foto: CDC/ Cynthia Goldsmith)

06/03/2016

Pesquisadores reforçam necessidade de colaboração mundial sobre zika.
Especialistas tiveram reunião em Wahington na sede da Opas.

Paris deve receber, em abril, uma conferência internacional para discutir os rumos da pesquisa sobre o vírus da zika. O anúncio foi feito por Amadou Sall, diretor científico do Instituto Pasteur em Dakar, Senegal, durante coletiva de imprensa na sede da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas-OMS) em Washington, nesta quarta-feira (2).

A conferência está sendo organizada pelo Instituto Pasteur de Paris, pela fundação britânica Wellcome Trust, pelo Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC), entre outras entidades. "O objetivo é compartilhar os conhecimentos científicos que possam ajudar no controle da zika no Brasil e outros países afetados", disse Sall.

Depois de uma reunião de dois dias na sede da Opas em Washington, que terminou nesta quarta-feira, pesquisadores e autoridades reforçaram a importância da colaboração internacional para lidar com a emergência do vírus da zika e os problemas de saúde potencialmente relacionados à infecção, notadamente a microcefalia e a síndrome de Guillain-Barré.

Os especialistas disseram, durante a coletiva que o continente americano já tem mais de 134 mil casos de zika notificados de zika e 2.765 confirmados, a maioria na América Latina e no Caribe, embora a Opas considere que estes dados conservadores, já que 80% dos infectados não apresentam sintomas.

"A necessidade urgente de desenvolver pesquisas para lidar com essa situação única requer colaboração entre todas as partes envolvidas. Todos temos que trabalhar juntos, por isso esta reunião foi uma oportunidae única" disse Lyle Petersen, diretor da Divisão de Doenças Transmitidas por Mosquitos do CDC nesta quarta-feira.

O encontro desta semana reuniu mais de 70 cientistas, incluindo representantes da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e autoridades de países afetados pelo vírus que atualmente já circula por 31 países e territórios.

Durante o encontro, as questões eleitas como as mais importantes de serem solucionadas pelos pesquisadores foram a criação de novas estratégias para combater o mosquito Aedes aegypti, o desenvolvimento de novas formas de diagnóstico e de vacinas, o desenvolvimento de estudos de caso-controle que forneçam evidências mais fortes da ligação do vírus da zika com a microcefalia e o Guillain Barré e a criação de estratégias de monitoramento nos países afetados.

Fonte: Bem Estar

Cientistas dizem ter encontrado prova da relação entre microcefalia e vírus Zika

Mosquito Aedes aegypti, transmissor da zika, dengue e febre chikungunya
Foto: Agência Brasil

05/03/2016

Cientistas divulgaram hoje (4) ter encontrado a primeira prova de uma ligação biológica entre o vírus zika, com grande propagação na América Latina, e a microcefalia em recém-nascidos.

Segundo Guo-li Ming, professor de neurologia no Instituto Johns Hopkins de Engenharia Celular, nos Estados Unidos, e um dos responsáveis pelo estudo, os testes de laboratório revelam que o vírus atinge as principais células envolvidas no desenvolvimento do cérebro, destruindo-as ou desativando-as.

A microcefalia é um distúrbio de desenvolvimento fetal que resulta em um perímetro do crânio infantil menor que o normal, com consequências no desenvolvimento do bebê.

Os resultados do estudo são a primeira prova concreta da existência de uma ligação entre o vírus, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, e a microcefalia. Até agora, de acordo com Guo-li Ming, as evidências encontradas eram circunstanciais.


NOTIFICAÇÃO NOS CASOS DE ZIKA VÍRUS PASSA A SER OBRIGATÓRIA

Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya
Foto: Pref. de Bossoroca/RS

19/02/2016

Casos de doenças ligadas ao vírus zika foram incluídos na Lista Nacional de Notificação Compulsória do Ministério da Saúde

O Ministério da Saúde incluiu os casos de doenças decorrentes do vírus zika na Lista Nacional de Notificação Compulsória de doenças, agravos e eventos de saúde pública nos serviços de saúde do Brasil, tanto públicos como privados. A portaria foi publicada nesta quinta-feira (18) no Diário Oficial da União.

Com a atualização da lista, as autoridades de saúde dos municípios, Estados e Distrito Federal devem ser comunicados pelos profissionais de saúde a ocorrência de doença aguda pelo vírus, doença aguda pelo zika em gestante e óbito com suspeita de doença pelo mesmo agente.

Em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (18), o ministro da Saúde, Marcelo Castro, destacou a importância da notificação para a construção de um mapa da enfermidade relacionada ao vírus zika. "Não fizemos antes porque não tínhamos testes que pudessem dizer com segurança, mas agora a confirmação é possível. Com a notificação compulsória, podemos fazer parte de nossas estatísticas e podemos dizer que tivemos tantos casos de zika", disse.

No total, 48 doenças, agravos e eventos de saúde devem ter a notificação obrigatória. Enfermidades como a dengue e a febre chikungunya, que, assim como o zika vírus, são relacionadas ao mosquito Aedes aegypti, já constavam da lista.

A notificação compulsória deverá ser realizada diante da suspeita ou confirmação da doença ou agravo, com periodicidade semanal e imediata. A autoridade que receber a notificação compulsória imediata deverá informá-la, em até 24 horas, às demais esferas de gestão do Sistema Único de Saúde (SUS).

A Secretária de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde irá publicar, em até 90 dias, normas técnicas complementares relativas aos fluxos, prazos, instrumentos, definições de casos suspeitos e confirmados, funcionamento dos sistemas de informação em saúde e demais diretrizes técnicas para o cumprimento e operacionalização das regras previstas na portaria.


PRINCIPAIS CIENTISTAS DO MUNDO PROMETEM COMPARTILHAR DESCOBERTAS SOBRE ZIKA

11/02/2016

Crédito: Divulgação/Reuter
LONDRES (Reuters) - Trinta das principais instituições de pesquisa científica do mundo, revistas científicas e financiadores de pesquisas prometeram nesta quarta-feira compartilhar de forma gratuita os dados e o conhecimento sobre o Zika vírus assim que forem obtidos.

"Os argumentos para o compartilhamento de dados e as consequências de não comparilhá-los (foram)... enfatizados pelos surtos de Ebola e de Zika", afirma o documento acordado por um número sem precedentes de signatários nas Américas, no Japão e na Europa, além de outros locais.

"No contexto de uma emergência de saúde pública de caráter internacional, há um imperativo para que todas as partes tornem disponível qualquer informação que possa ter valor no combate à crise", afirma o documento.

A Zika, uma doença viral transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, está causando alarme internacional após um surto no Brasil que se espalhou por boa parte das Américas.

Pouco se sabe sobre o vírus, inclusive se ele pode provocar má-formação cerebral ou outros problemas neurológicos. O Brasil está investigando uma ligação entre infecções pelo Zika e cerca de 4 mil casos suspeitos de bebês recém-nascidos com microcefalia.

Equipes médicas e de pesquisadores em todo o mundo têm ampliados os esforços para descobrir mais sobre a doença, incluindo como tratamentos com vacinas podem ser desenvolvidos para combatê-la.

Entre os signatários do documento desta quarta que concordaram em compartilhar os frutos das pesquisas estão o Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês), a Fundação Bill & Melinda Gates, a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Institut Pasteur, da França; a Academia de Ciências Médicas do Reino Unido e a instituição de caridade para a área de saúde Wellcome Trust.

As publicações científicas signatárias --entre elas o New England Journal of Medicine, a Nature, a Science e o The Lancet-- prometeram "tornar todo o conteúdo sobre o Zika vírus de acesso gratuito".

Jeremy Farrar, diretor do Wellcome Trust e um dos signatários do documento, disse que a pesquisa é uma parte essencial da resposta a qualquer emergência global de saúde.

"Isso é particularmente verdade para o Zika, onde muita coisa ainda é desconhecida sobre o vírus, como ele se espalha e a possível relação com a microcefalia", disse.

Farrar acrescentou que isso também significa que é crítico que os resultados das pesquisas se tornem disponíveis e sejam compartilhados rapidamente, de forma ética, equitativa e transparente.

"Isso vai garantir que o conhecimento conquistado se torne rapidamente em intervenções de saúde que possam ter impacto sobre a epidemia."

(Reportagem de Kate Kelland)

AGÊNCIA DA ONU DE ENERGIA ATÔMICA DISCUTE COMBATE AO AEDES EM REUNIÃO NO BRASIL

Especialistas de vários países estudam roteiro para controle do Mosquito 
Aedes aegypti (Arquivo Agência Brasil)

10/02/2016

Em resposta à epidemia do vírus Zika na América Latina, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) realiza este mês uma reunião para tratar do uso de técnicas nucleares para o controle de mosquitos. O encontro deve acontecer nos dias 22 e 23 de fevereiro em Brasília, conforme anunciou o diretor-geral da entidade, Yukiya Amano.

Uma das medidas a serem discutidas é a adoção da chamada Técnica do Inseto Estéril, um tipo de controle de peste que utiliza radiação ionizante para esterilizar insetos machos, produzidos em larga escala em instalações especiais. Segundo a AIEA, a estratégia tem sido utilizada com sucesso em todo o mundo há mais de 50 anos para o controle de diversos insetos que comprometem a agricultura.

Durante o evento, em Brasília, especialistas de países como China, México, Suécia, Tailândia, Trinidad e Tobago, Estados Unidos e Brasil, além de técnicos da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), vão desenvolver um roteiro para o controle da população de Aedes aegypti na região a curto e médio prazo.

Até o momento, o vírus Zika foi identificado em 23 países das Américas. Há, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), fortes indicativos de que a infecção esteja associada ao aumento de casos de malformação congênita em bebês e da Síndrome de Guillain-Barré.


SAIBA QUAIS SÃO OS MITOS E VERDADES SOBRE O ZIKA VÍRUS



22/12/2015

Erupções na pele, dor de cabeça, no corpo e nas articulações, vermelhidão nos olhos, náuseas, fotofobia, conjuntivite e coceira intensa. Os sintomas são parecidos com os da dengue e da chikungunya, mas as consequências da infecção pelo zika vírus são bem mais críticas.

Apesar de ter uma evolução branda, com sintomas que duram em média de dois a sete dias, o zika está associado à microcefalia em bebês cujas mães foram contaminadas durante a gestação – e que trazem deficiências variadas. Além disso, há o risco de desenvolvimento da síndrome de Guillain-Barré (doença autoimune que acomete o sistema nervoso), recentemente associada ao vírus e que vitimiza principalmente crianças e idosos.

A febre zika é uma doença nova. Seu primeiro surto foi registrado em 2007, na ilha de Yap, na Micronésia, e chegou ao Brasil no ano passado. Por conta disso, muito pouco se sabe a respeito, abrindo margem para que muitas informações sem embasamento científico se espalhem.

Veja aqui o que é verdade e o que é mito acerca do zika:

Você pode ter sido contaminado pelo zika e não saber - VERDADE

Segundo a Sociedade de Pediatria de São Paulo, assim como nas outras doenças virais transmitidas pelo mesmo mosquito (dengue, febre chikungunya), acredita-se que cerca de 80% das pessoas contaminadas pelo zika vírus não apresentam qualquer sintoma, o que não quer dizer que as consequências da infecção (microcefalia nos bebês dessas gestantes, por exemplo) não ocorram. 

Repelentes são a forma mais eficiente de evitar a contaminação pelo zika – MITO

O uso do repelente como único método de prevenção não garante que o mosquito Aedes aegypti ficará longe. Inclusive, nenhum dos dez repelentes testados pelo Proteste com as marcas mais comuns vendidas no Brasil foi aprovado. Uma das principais ações contra o mosquito, segundo o Ministério da Saúde, é a conscientização da população sobre o seu papel de eliminar locais nos quais o Aedes aegypti pode se reproduzir, como vasos de plantas, lixo e garrafas pet abandonadas. Além disso, recomenda-se o uso de roupas que cubram a superfície do corpo, em especial as extremidades e áreas de pele mais fina, como tornozelos, pés, punhos e mãos. 

Microcefalia no Nordeste foi causada pela vacina contra rubéola, não por causa do zika – MITO

De acordo com o último Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, até 12 de dezembro deste ano foram registrados 2.401 casos da doença e 29 óbitos. Esses casos estão distribuídos em 549 municípios de 20 Unidades da Federação. A microcefalia é uma condição neurológica rara em que a cabeça é desproporcionalmente menor que o corpo. O crânio não se desenvolve corretamente, porque o tecido cerebral não cresce. Isso faz com que, dependendo da área do cérebro afetada, a criança tenha dificuldades de locomoção, desenvolvimento cognitivo, deglutição, audição, dentre outras. Apesar de ter relação com outras doenças, como rubéola, infecções por citomegalovírus, toxoplasmose e uso de drogas na gestação, por exemplo, a vacina não é responsável pelo surto atual. Segundo o Ministério da Saúde, todas as vacinas do calendário nacional são seguras. Em nota, a Sociedade de Pediatria de São Paulo esclarece que a vacina nunca é aplicada durante a gestação e que ela é produzida com vírus vivos e atenuados, que não são capazes de provocar as doenças. 

Quem pega zika uma vez não corre risco de se contaminar novamente – MITO

Os casos de infecções sucessivas e de coinfecção com outras doenças causadas pelo Aedes Aegypti, como dengue e chikungunya, são possíveis, desde que causados por vírus diferentes. Ainda não se sabe quais são as consequências dessa condição para a saúde. "Não temos como medir as consequências da coinfeccção ou de infecções sucessivas pelos três vírus em um paciente", afirma Claudia Nunes, chefe do Laboratório de Virologia Molecular do Instituto Carlos Chagas (ICC/Fiocruz Paraná), para quem é necessário uma investigação profunda, buscando esclarecer os aspectos clínicos e adequar o tratamento.

Amamentação deve ser mantida onde há risco de zika – VERDADE

Na Polinésia Francesa (onde houve surto de zika em 2013), médicos encontraram partículas do vírus no leite materno. Mas ainda não se sabe se existe transmissão para o bebê porque nem todo vírus encontrado no leite é transmitido. Segundo dados do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) do Estado de São Paulo, a transmissão raramente ocorre de mãe para filho. Ainda de acordo com esse documento, “até agora, não há relatos de crianças infectadas pelo zika vírus através da amamentação. Pelos benefícios do aleitamento, mães devem ser encorajadas a amamentar mesmo em áreas onde o zika vírus for encontrado”.

O vírus pode ser transmitido pelo sêmen – NEM MITO, NEM VERDADE

Segundo o Ministério da Saúde, não há estudos consistentes a esse respeito. Houve apenas um caso descrito de transmissão sexual. Além da adoção rotineira do preservativo para a proteção contra doenças sexualmente transmissíveis, o período de doença e os dias seguintes devem ser tratados com uma cautela adicional.

Nem todos os repelentes são seguros para gestantes - VERDADE

Apenas repelentes à base de DEET, IR3535 e Icaridina são considerados seguros para uso durante a gestação, de acordo com o Ministério da Saúde.

O mosquito do Zika só pica de dia - MITO

O Aedes aegypti é um mosquito de hábitos predominantemente diurnos, mas não é impossível que ele pique durante a noite. Essa espécie vem se adaptando rapidamente ao ambiente urbano e doméstico. Por isso, a recomendação é destruir os criadouros do mosquito.

Sempre verifique informações recebidas em fontes confiáveis como os portais do Ministério da Saúde, da Organização Mundial da Saúde (OMS), do CDC dos EUA ou do Centro de Controle de Doenças Europeu.

Fonte: EBC

BOLETIM ATUALIZA DADOS SOBRE CASOS DE ZIKA NO PAÍS

Protocolo aponta as ações de atenção às mulheres em idade fértil, gestantes e 
puérperas, submetidas ao zika vírus (Divulgação/EBC)

17/12/2015

Segundo o boletim epidemiológico, casos estão distribuídos em 549 municípios de 20 Estados; ministério estuda novo modelo de notificação

O mais recente boletim epidemiológico sobre os novos casos de microcefalia, relacionados à infecção pelo zika vírus aponta que até o dia 12 de dezembro foram registrados 2.401 casos da doença e 29 óbitos. Os casos estão distribuídos em 549 municípios de 20 Estados. Os números foram divulgados pelo Ministério da Saúde nesta terça-feira (15).

O boletim detalha, pela primeira vez, os casos confirmados e descartados em relação à zika. Do total de suspeitos notificados, foram confirmados 134 e 102 foram descartados. Continuam em investigação 2.165 casos. Foi confirmado um óbito relacionado à doença e descartadas duas mortes. Outros 26 óbitos permanecem em investigação.

O informe traz ainda os seis novos Estados (Espírito Santo, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, São Paulo e Rio Grande do Sul) que notificaram casos suspeitos. Equipes técnicas de investigação de campo do Ministério da Saúde estão trabalhando nos Estados de Pernambuco, Rio Grande do Norte, Paraíba, Sergipe e Ceará.

A circulação do zika vírus é confirmada por meio de teste PCR, com a tecnologia de biologia molecular. Um total de 18 laboratórios já está capacitado para fazer o diagnóstico. O teste de confirmação deve ser feito, de preferência, nos primeiros cinco dias de manifestação dos sintomas. Vale ressaltar que o zika vírus é de difícil detecção, já que cerca de 80% dos casos infectados não manifestam sinais ou sintomas.

O Ministério da Saúde estuda, junto a especialistas e gestores de saúde, um novo modelo de notificação. Este novo modelo faz parte dos estudos que envolvem o zika vírus, uma doença nova que chegou ao Brasil em maio deste ano.

Protocolo

Além do protocolo emergencial de vigilância e resposta aos casos de microcefalia relacionados à infecção pelo zika vírus, o Ministério da Saúde lançou, na segunda-feira (14), o Protocolo de Atenção à Saúde e Resposta à Ocorrência de Microcefalia Relacionada à Infecção pelo Vírus Zika. O documento orienta o atendimento desde o pré-natal até o desenvolvimento da criança com microcefalia, em todo o País. 

O protocolo aponta as ações de atenção às mulheres em idade fértil, gestantes e puérperas, submetidas ao zika vírus, e aos nascidos com microcefalia. Este plano recomenda, ainda, as diretrizes para o planejamento reprodutivo, a detecção e notificação de quadros sugestivos de microcefalia e a reabilitação das crianças acometidas pela malformação congênita.

O documenta reforça o papel das equipes de saúde na oferta de métodos contraceptivos e na orientação de mulheres em idade fértil e casais que desejam engravidar, especialmente sobre os cuidados necessários para evitar infecção pelo zika vírus durante a gravidez. As equipes também terão de intensificar a busca ativa de gestantes para o início oportuno do pré-natal e acompanhar o desenvolvimento dos nascidos com microcefalia.

Outro destaque do protocolo é a ampliação do acesso aos testes rápidos de gravidez. O Ministério da Saúde estima que serão investidos entre R$ 5 milhões e R$ 6 milhões para que os testes estejam disponíveis em todas as unidades da Atenção Básica do País.



ZIKA: SAIBA QUAIS OS REPELENTES MAIS INDICADOS CONTRA O MOSQUITO AEDES AEGYPTI

Creative Commons - CC BY 3.0 - Aedes aegypt, o mosquito transmissor da 
dengue, também hospeda o Zika Virus

06/12/2015

Com a epidemia de dengue e o crescente número de casos de microcefalia associada a ocorrência do zika vírus, muitas pessoas, incluindo gestantes, têm recorrido ao uso de repelentes para tentar se proteger das picadas do Aedes aegypt, mosquito transmissor dessas doenças, acatando recomendação feita pelo Ministério da Saúde.

Contudo, nem todo repelente pode ser usado por crianças e grávidas. Além disso, os vários tipos do produto possuem tempo de ação diferentes, o que pode comprometer a eficácia da proteção se esse detalhe não for observado ou ocasionar outros problemas de saúde, alerta o infectologista brasiliense, Edwin Antonio Solorzano Castillo.

De acordo com ele, o ideal é que as gestantes procurem orientação médica antes de fazerem uso desse tipo de produto. “Além de indicar qual o melhor repelente, o médico que acompanha a gravidez pode fornecer informações seguras sobre o risco que doenças como a dengue e a zika podem oferecer à gestação”, afirma.

Também as mães com filhos pequenos não devem fazer uso de repelentes em crianças pequenas sem prescrição médica. “Crianças abaixo de dois anos são muito sensíveis. Somente o pediatra que acompanha o bebê pode dizer se o uso de repelente é indicado ou não para o caso”, ressalta Castillo.

Um outro ponto que o médico levanta é o uso indiscriminado do repelente. Segundo ele, a utilização desregrada do produto pode trazer sérios problemas à saúde. “É preciso seguir as indicações de uso do fabricante. Passar o produto mais vezes que o necessário pode trazer complicações à saúde em vez de protegê-la”, diz. Ele também adverte para que as pessoas não usem no corpo receitas caseiras para repelir o mosquito.

Tipos de repelente

São três os princípios ativos dos repelentes comercializados no Brasil aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)*. Os produtos também diferem quanto à indicação de uso e  duração de proteção. Confira abaixo quais são eles.

IR3535: o uso tópico de repelentes a base de Ethyl butylacetylaminopropionate (EBAAP) é tido como seguro para gestantes, sendo indicado, inclusive, para crianças de seis meses a dois anos, mediante orientação de um pediatra. A duração da ação dos repelentes que usam esse princípio ativo, como a loção antimosquito Johnson’s, entretanto, é curta e precisa ser reaplicado a cada duas horas.

DEET: apesar do uso tópico de repelentes a base de dietiltoluamida ser considerado seguro em gestantes, o produto não deve ser utilizado em crianças menores de 2 anos. Já para crianças entre 2 e 12 anos, a concentração do princípio ativo deve ser de no máximo 10% e a aplicação deve ser feita, no máximo, três vezes por dia. O tempo de ação dos repelentes a base de DEET recomendado para adultos (concentração de 15% do ativo), como os produtos OFF, Autan, Repelex, é de cerca de 6h. Já a versão infantil dura apenas duas horas.

Icaridin: por oferecer o período de ação mais prolongado, os repelentes a base de dietiltoluamida, como o produto Exposis, estão sendo os mais procurados por adultos e gestantes. Com duração de proteção de até 10 horas, também pode ser usado por crianças a partir de 2 anos.

Como usar

Além de observar as instruções de uso do fabricante, a Sociedade Brasileira de Dermatologia recomenda também os seguintes cuidados ao se fazer uso dos repelentes:

- evitar aplicação nas mãos das crianças;

- aplicar na pele por cima das roupas, nunca por baixo;

- o repelente deve ser aplicado 15 minutos após o uso de filtros solares, maquiagem e hidratante;

- não aplicar o produto próximo aos olhos, nariz ou boca e genitais;

- sempre lavar as mãos após aplicar o produto;

-  usar o produto no máximo três vezes ao dia;

- em caso de suspeita de qualquer reação adversa ou intoxicação, lavar a área exposta e, se necessário, procurar o serviço médico e levar a embalagem do repelente.

* De acordo com informações do Ministério da Saúde

Fonte: EBC


GOVERNO CONFIRMA RELAÇÃO ENTRE ZIKA VÍRUS E EPIDEMIA DE MICROCEFALIA



29/11/2015

Para o governo brasileiro, não há mais dúvidas: o zika vírus é o causador da epidemia de microcefalia que atinge o país.

As suspeitas foram confirmadas no fim da tarde deste sábado pelo Ministério da Saúde, que informou ter comprovado a relação a partir do caso de uma criança nascida na região Nordeste, que é a mais afetada.

No Brasil todo, já são mais de 700 casos notificados em 160 municípios de nove Estados.

Em nota, o ministério afirmou que “o Instituto Evandro Chagas, órgão do ministério em Belém (PA), encaminhou o resultado de exames realizados em um bebê, nascida no Ceará, com microcefalia e outras malformações congênitas. Em amostras de sangue e tecidos, foi identificada a presença do vírus Zika.”

A partir dos exames dessa bebê, que acabou não resistindo e morreu, o governo confirmou a relação entre o vírus e a microcefalia.

“Essa é uma situação inédita na pesquisa científica mundial”, afirmou o governo.

Isso porque a correlação entre o zika e a microcefalia não havia sido confirmada anteriormente. Na Polinésia Francesa, autoridades estão pesquisando a ligação, já que também houve casos de má-formação cerebral em fetos e recém-nascidos após a epidemia de zika que atingiu o território entre 2013 e 2014.

Aedes

Como o zika é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, responsável também pela dengue, o governo declarou que pretende reforçar, “o chamado para uma mobilização nacional para conter o mosquito transmissor, o Aedes aegypti”.

A nota do Ministério da Saúde informa também que ainda há muitas questões a serem esclarecidas sobre a transmissão do agente, sua atuação, infecção do feto, mas que análises iniciais mostrar que o period de maior vulnerabilidade para a gestante (e seu bebê) são os três primeiros meses de gravidez.

Mortes

Além da bebê, o Ministério da Saúde confirmou outras duas mortes relacionadas ao vírus Zika. As análises indicam que esse agente pode ter contribuído para agravamento dos casos e óbitos.

O primeiro caso é o de um homem com histórico de lúpus e de uso crônico de medicamentos corticoides, morador de São Luís, do Maranhão. Com suspeita de dengue, foi realizada coleta de amostra de sangue e fragmentos de vísceras (cérebro, fígado, baço, rim, pulmão e coração) e enviadas ao IEC. O exame laboratorial apresentou resultado negativo para dengue. Com a técnica RT-PCR, foi detectado o genoma do vírus Zika no sangue e vísceras.

Confirmado na sexta-feira (27), o segundo caso é de uma menina de 16 anos, do município de Benevides, no Pará, que veio a óbito no final de outubro. Com suspeita inicial de dengue, notificada em 6 de outubro, ela apresentou dor de cabeça, náuseas e petéquias (pontos vermelhos na pele e mucosas). A coleta de sangue foi realizada sete dias após o início dos sintomas, em 29 de setembro. O teste foi positivo para Zika, confirmado e repetido.

Todos os achados estão sendo divulgados conforme são conhecidos. O objetivo é dar transparência sobre a situação atual, assim como emitir orientações para população e para a rede pública. Esse é um achado importante e merece atenção. O Ministério da Saúde está se aprofundando na análise dos casos, além de acompanhar outras análises que vem sendo conduzidas pelos seus órgãos de pesquisa e análise laboratorial. O protocolo inicial para o atendimento de possível agravamento da Zika será o mesmo utilizado para situações mais graves de dengue.

Fonte: BBC Brasil


PROCESSO EVOLUTIVO DO MOSQUITO DA DENGUE É RÁPIDO, CONSTATA ESTUDO

(foto: Lincoln Suesdek)


16/11/2015

Ao estudar 20 gerações de uma única população de Aedes aegypti na capital, grupo do Instituto Butantan observou altas taxas de variabilidade genética, o que contribui para a adaptação do mosquito a fatores adversos 

No que se refere à capacidade de adaptação ao ambiente hostil das grandes cidades, talvez nenhuma espécie de mosquito tenha conseguido tanto sucesso quanto o Aedes aegypti – aquele com o corpo coberto de listras brancas que, para azar dos humanos, é capaz de transmitir doenças como dengue, febre amarela, febre chikungunya e zika.

Além de resistência a alguns inseticidas, a espécie vem adquirindo a habilidade de se reproduzir em volumes cada vez menores de água – que nem precisa estar tão limpa quanto no passado. Os insetos, que antes só picavam durante o dia, passaram a atacar também à noite, bastando apenas alguma luz artificial a revelar o caminho até a vítima.

Um estudo recentemente publicado na revista PLoS One por um grupo de pesquisadores do Instituto Butantan pode ajudar a entender de onde vem esse potencial adaptativo tão superior ao de outras espécies de mosquito.

Os pesquisadores acompanharam durante 14 meses (cinco estações climáticas) uma população do inseto presente na Subprefeitura do Butantã, em São Paulo. Mensalmente, foram coletados ovos, larvas e pupas, que foram divididos em cinco grupos – cada um representando uma estação climática. Ao todo, foram estudadas aproximadamente 20 gerações de mosquitos de uma mesma população.

Por dois métodos diferentes, os pesquisadores investigaram e compararam os grupos a variabilidade genética existente entre os indivíduos, ou seja, como era a variação de alelos de DNA ao longo do tempo.

“Desde a primeira amostragem até a última, em todas as comparações feitas mês a mês, encontramos diferenças estatísticas significativas. Como se estivéssemos comparando indivíduos de populações diferentes, ou seja, coletados em locais distintos. Essa alta variabilidade genética indica que é uma espécie com muita capacidade de evoluir rapidamente e pode significar que se adapta rapidamente às adversidades”, afirmou Lincoln Suesdek, coordenador do estudo apoiado pela FAPESP.

O trabalho foi feito durante a Iniciação Científica de Caroline Louise, sob orientação de Suesdek. Segue uma linha de pesquisa que teve início durante o doutorado de Paloma Oliveira Vidal, também bolsista da FAPESP.

“Durante o doutorado, coletei amostras de mosquito de várias cidades do Estado de São Paulo em uma única época do ano. Comparei então a variabilidade genética entre as diferentes populações em uma única geração. Os resultados foram parecidos com os obtidos no projeto que comparou uma mesma população ao longo de várias gerações”, contou Vidal.

De acordo com Suesdek, nos dois projetos foram usados dois diferentes métodos para aferir a variabilidade genética. Um deles é tradicionalmente usado em estudos de parentesco: os marcadores microssatélites. Eles avaliam unidades de repetição de pares de bases do DNA e acusam as variações evolutivas mais recentes. O método tem ligeira semelhança ao usado em testes de paternidade.

O outro método, ainda inédito nesse tipo de estudo, foi a avaliação da morfologia da asa. Nesse caso os pesquisadores elegeram alguns pontos da asa do mosquito como marcos anatômicos. Uma série de softwares avalia a variação posicional entre esses pontos nos diferentes grupos.

“Os marcadores microssatélites são bem informativos, mas esse método é caro e trabalhoso. Queríamos testar um marcador mais simples e barato. Estudos anteriores indicavam que a forma da asa dos mosquitos, assim como a fisionomia dos seres humanos, está ligada à herança familiar. Mas é difícil perceber a olho nu”, contou Suesdek.

O objetivo do grupo era avaliar se os dois marcadores usados seguiriam o mesmo padrão. Os resultados indicaram que de fato há uma correlação, mas que ela não é de 100%.

“Conseguimos prever uma parte da variabilidade genética estudando a asa, mas o método não substitui a análise do DNA. Pode ser uma metodologia preliminar, a ser usada quando não se conhece nada sobre uma população e se deseja fazer um teste rápido para entender a microevolução”, disse Suesdek.

Controle ao longo do ano

Ao comparar o resultado das análises feitas durante seu projeto com dados da literatura científica, Louise concluiu que a dinâmica evolutiva do Aedes em São Paulo é mais acelerada do que em outras cidades onde há registros semelhantes.

“Acreditava-se que no inverno a variabilidade seria menor, pois com o frio a reprodução do inseto se torna mais lenta. De fato a taxa reprodutiva é menor nos meses de inverno, mas a variabilidade genética se manteve alta em todos os meses avaliados. Esse resultado reforça a necessidade de combater o mosquito o ano inteiro, não apenas no verão”, disse Louise.

Na avaliação de Louise, a melhor forma de controlar o mosquito é a adoção de medidas combinadas, como a eliminação de criadouros e a rotação de inseticidas, para que não ocorra a seleção de indivíduos resistentes.

Suesdek também ressaltou a necessidade de se investir em pesquisas voltadas ao desenvolvimento de novos métodos de controle químico e biológico, como novos inseticidas e mosquitos transgênicos.

“O cenário é preocupante e todas as pessoas têm uma parcela de responsabilidade. Tanto o governo quanto a população precisam fazer sua parte”, afirmou a equipe. 




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