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Ministério da Saúde anuncia edital de R$ 20 milhões para pesquisas contra o Aedes aegypti



27/03/2016
  
Também será realizada nova fase da pesquisa do mosquito com a bactéria Wolbachia, capaz de reduzir a transmissão de doenças. Ações fazem parte do Plano de Enfrentamento ao Aedes aegypti e à Microcefalia

O ministro da Saúde, Marcelo Castro, anunciou nesta quarta-feira (23), em Brasília (DF), o lançamento de edital de pesquisas contra o Aedes aegypti e as doenças transmitidas pelo mosquito. No total, serão disponibilizados R$ 20 milhões para estudos na área do controle do vetor, diagnóstico, prevenção e tratamento. O anúncio ocorreu durante cerimônia com a presidenta Dilma Rousseff no Palácio do Planalto. A medida faz parte das ações do Eixo de Desenvolvimento Tecnológico, Educação e Pesquisa do Plano Nacional de Enfrentamento ao Aedes aegypti e à Microcefalia, lançado pelo Governo Federal em dezembro de 2015.

“Estamos dentro de um esforço grande no combate ao vírus da Zika. Esse é um desafio muito importante não só do Brasil, mas de toda a comunidade internacional, que é pesquisa, desenvolvimento e inovação para auxiliar o combate em todos os níveis (...). Precisamos de novo métodos para combater o mosquito transmissor da doença. Por isso, os investimentos que estamos anunciando hoje são de extrema importância. O nosso objetivo é avançar no conhecimento sobre o vírus de zika na oferta de diagnósticos, de vacinas e de medicamentos”, destacou a presidenta Dilma Rousseff.

O ministro da Saúde, Marcelo Castro, também anunciou que o teste com o mosquito com a bactéria Wolbachia, pesquisa realizada em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), deve começar uma nova fase. “Vamos apoiar o desenvolvimento de pesquisas, de novas tecnologias para combate o mosquito, para diagnóstico, para prevenir a doença com a vacina. Já estamos com várias linhas de pesquisa para ter um diagnóstico mais rápido e preciso das doenças transmitidas pelo Aedes Aegypti. Mas também precisamos desenvolver tecnologias para combate o vetor e a contaminação do mosquito com bactéria Wolbachia é uma das mais promissoras”, ressaltou Castro.

Na próxima semana, representantes da Fundação Bill e Melinda Gates vêm ao Brasil para definir os próximos passos da pesquisa. Cidades como Rio de Janeiro e Niterói estão sendo estudadas como potenciais locais para a liberação do mosquito. Já foram feitos estudos pilotos na Ilha do Governador, do Rio de Janeiro, e no bairro de Jurujuba, em Niterói. Agora, a ideia é fazer a pesquisa contemplando toda a área territorial de uma cidade e com uma população maior.

Quando presente no Aedes aegypti, a bactéria é capaz de impedir a transmissão da dengue pelo mosquito. A proposta é usar os mosquitos como uma alternativa segura e autossustentável para o controle da dengue e de outros vírus, como Zika e Chikungunya. A iniciativa também acontece na Austrália, Vietnã, Indonésia e Colômbia.

PESQUISAS – A previsão do Ministério da Saúde é investir um total R$ 258 milhões em novas tecnologias nos próximos quatro anos dentro do eixo do Plano Nacional de Enfrentamento ao Aedes aegypti e à Microcefalia. Até o momento, a pasta já se comprometeu com cerca de R$ 130 milhões para o desenvolvimento de vacinas, soros e estudos científicos para as doenças causadas pelo Aedes aegypti.

Diante da situação de emergência em saúde, a expectativa do governo federal é disponibilizar R$ 649 milhões para investimentos em ações de combate ao mosquito e às doenças relacionadas, diagnóstico, controle vetorial, pesquisas sobre o vírus zika, vacinas, tratamentos e inovação em gestão de serviços de saúde, saneamento e de políticas públicas. Além do Ministério da Saúde, também estão previstos recursos dos Ministérios da Educação e da Ciência, Tecnologia e Inovação. Haverá ainda mais R$ 550 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) para o desenvolvimento, produção e comercialização de tecnologias.

Entre os projetos em andamento pelo Ministério da Saúde estão a produção de 500 mil testes nacionais de biologia molecular para a realização de diagnóstico de dengue, chikungunya e Zika pela Fiocruz. Hoje, o Brasil possui um teste para identificar cada doença, pois em cada processo são usados reagentes importados e, para descartar a presença da dengue e chikungunya, é necessário realizar cada exame separadamente.

Além disso, o Ministério da Saúde irá repassar R$ 11,6 milhões para a Fiocruz desenvolver pesquisa e vacina contra o vírus Zika. Do total, cerca de R$ 6 milhões (US$ 1,5 milhão) serão destinados para projetos de cooperação bilateral para pesquisas sobre o vírus Zika e microcefalia entre a Fiocruz e o National Institutes of Health (NIH). Os outros R$ 5,6 milhões serão para o desenvolvimento da vacina contra o vírus Zika.

Também está sendo analisada a inclusão do vírus Zika no teste NAT realizado nas bolsas de sangue em todo o país. O estudo será feito pelo Laboratório Biomanguinhos da Fiocruz, no Rio de Janeiro, que já detém a plataforma NAT no país, e a celeridade dos processos de registro ficarão a cargo de parceria firmada entre Anvisa e o FDA, agência reguladora dos EUA.

Outras parcerias entre os dois países estão em andamento, como a firmada com a Universidade Medical Branch, do Texas, para o desenvolvimento da vacina com o vírus Zika. A parceria no Brasil para desenvolvimento da vacina será com o Instituto Evandro Chagas (IEC), órgão vinculado ao Ministério da Saúde. O governo brasileiro vai investir aproximadamente R$ 10 milhões nesse programa.

Para financiamento da terceira e última fase da pesquisa clínica para a vacina da dengue do Instituto Butantan, o Ministério da Saúde investirá R$ 100 milhões nos próximos dois anos para o desenvolvimento do estudo. Além da pasta, outros órgãos do governo federal devem colocar mais R$ 200 milhões. Também foi assinado, na mesma ocasião, investimento por parte do Ministério da Saúde de mais R$ 8,5 milhões no desenvolvimento de soro contra o vírus Zika.


Gabrielle Kopko, da Agência Saúde
Atendimento à Imprensa
(61) 3315-2918 / 3580


Você sabe a diferença dos sintomas da dengue, zika, chikungunya e gripe?

Mosquito Aedes aegypti  - Arquivo Agência Brasil

19/03/2016

Especialista explica os sintomas e as formas de tratamento

Segundo boletim epidemiológico, divulgado pelo Ministério da Saúde, em janeiro de 2016, foram contabilizados 73.872 notificações de casos da dengue. Diante dos altos números de casos, médicos plantonistas e outros profissionais de saúde, recebem a difícil missão de diagnosticar, corretamente, todos os casos, pois por conta dos sintomas semelhantes, o paciente com suspeita de dengue pode estar com zika, chikungunya e, até mesmo, gripe.

Em entrevista ao programa Amazônia Brasileira desta sexta-feira (18), a Diretora Médica da Sanofi Pasteur, Sheila Homsani, falou sobre a possibilidade dos casos de dengue serem confundidos com gripe, zika e chikungunya, devido a algumas semelhanças nos sintomas.

Ainda segundo um estudo conduzido em El Salvador, publicado na revista científica PLOS, dos 121 pacientes hospitalizados com suspeita de dengue, 28% eram positivos para dengue e 19% positivos para influenza, o vírus causador da gripe.

A Médica, Sheila Homsani, explicou os sintomas: “os sintomas são muito parecidos, inicialmente, porque são viroses, então tanto a dengue, quanto a gripe, a zika e a chikungunya, dão febre. Se a pessoa chega só com febre, é possível a confusão entre as doenças. Entretanto existem algumas diferenças. Na gripe, o indivíduo tem tosse mais persistente, secreção pulmonar, pode ter dor de garganta, e uma leve dor muscular. Na dengue, além da febre, a dor muscular é um sintoma muito importante. Alguns pacientes comparam a dor com uma sensação de ossos quebrando. Na dengue, também aparecem a dor atrás dos olhos, enjoo, vômito, e até sangramentos, além das manchas no corpo”, explica.

De acordo com a Médica, a automedicação é um grande problema, pois tanto os casos de dengue, quanto os casos de gripe podem se complicar: “O ideal é procurar um médico e fazer uma avaliação correta. A automedicação pode complicar. Nos casos de gripe, pode-se desenvolver para uma pneumonia, otite e sinusite”, esclarece.

Em relação aos sintomas da dengue, zika e chikungunya, os sintomas são parecidos, entretanto com intensidades diferentes. “Na dengue, a febre é mais alta. Na chikungunya, a febre é mais moderada. E na zika, a febre é baixa e as vezes nem aparece. Na zika, geralmente, aparece a conjuntivite, e manchas pelo corpo, com muita coceira. Na chikungunya, a dor nas juntas é bem característica. Infelizmente, para chikungunya e zika, ainda não existe uma forma de prevenção, apenas o combate ao mosquito, com o controle dos criadouros”, informa.

Sheila Homsani fala da vacina da dengue, que já foi aprovada pela Anvisa e em breve estará disponível. “Nós podemos ter dengue quatro vezes na vida, pois a dengue possui quatro sorotipos diferentes, e a vacina protege contra os quatro tipos, com uma eficácia de 66%, ou seja, em cada 1000 pessoas, com mais de nove anos de idade, 660 pessoas estariam protegidas, inclusive contra as formas mais graves”, analisa.

Em relação as vacinas da gripe, a médica recomenda a vacinação anual, que está disponível no SUS, para pessoas acima de 60 anos, pessoas com doenças de risco, crianças de 6 meses a 5 anos de idade, grávidas e mulheres que tiveram bebês até 45 dias após o parto. O restante das pessoas só terão acesso a essas vacinas nas clínicas privadas.

Sheila Homsani explica que os laboratórios tem estudado e trabalhado para o desenvolvimento de uma vacina contra o zika vírus, e se diz esperançosa quanto a essa vacina. “O zika é um problema, que está sendo avaliado e estudado. Os laboratórios estão tentando desenvolver uma vacina, e tudo indica que em breve teremos mais uma arma, para a proteção contra essa doença também”, afirma.

Ouça a entrevista na íntegra no player acima e saiba mais sobre os sintomas dessas doenças.

O Amazônia Brasileira vai ao ar de segunda a sexta, às 8h, na Rádio Nacional da Amazônia, e às 6h, na Rádio Nacional do Alto Solimões (horário local).

A apresentação é de Sula Sevillis e a produção-executiva, de Taiana Borges.

Fonte: EBC


Pesquisa comprova eficácia de óleos de orégano e de cravo no combate ao Aedes

PUC/MG desenvolve pesquisa com óleos de orégano e cravo para combate ao Aedes aegypti 
Leo Rodrigues/Agência Brasil

15/03/2016

Uma pesquisa da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas Gerais e da Fundação Ezequiel Dias (Funed) atestou a eficiência do uso dos óleos de orégano e de cravo para matar as larvas do mosquito Aedes aegypti. O próximo passo do estudo será desenvolver a fórmula para um larvicida, que será colocado à disposição do mercado.

Em contato com o criadouro, os óleos matam as larvas em até 24 horas. A pesquisadora Alzira Batista Cecílio espera que até o meio do ano a formulação já esteja pronta para ser apresentada à indústria. "Produto natural não pode ser patenteado. Então, só após a formulação do larvicida, poderemos patentear e iniciar as negociações com as empresas", afirma.

O estudo é um desdobramento de outra pesquisa mais ampla, que testa o uso de produtos naturais para combater diversos tipos de vírus. "Nesse cenário preocupante em relação ao vírus da dengue, nós decidimos começar a estudar também plantas que pudessem eliminar o vetor", acrescenta Alzira. Além da dengue, o mosquito Aedes aegypti é o transmissor do vírus Zika e da febre chikungunya.

O orégano e o cravo foram selecionados após análise de mais de 20 plantas. O óleo é extraído com o uso de equipamentos específicos. Por essa razão, não adianta por exemplo colocar folhas de orégano ou cravo nos vasos das plantas.

Neste momento, está sendo feito o estudo fitoquímico, para detalhar a composição química dos óleos. Futuramente, está previsto também o teste desses óleos no combate a outras fases da vida do mosquito, o que pode levar ao desenvolvimento de um inseticida aerosol ou um repelente. A pesquisadora alerta, porém, que esses produtos são apenas ferramentas auxiliares para combater o Aedes. "Eliminar os criadouros continua sendo o ponto chave", reitera.

Larvicida degradável

Segundo Alzira Cecílio, o objetivo é desenvolver um produto que não contamine o meio ambiente, já que a maioria dos criadouros de larvas está espalhada. Elas podem ter contato com animais e até água voltada para o consumo humano, como por exemplo nas caixas d'água. "Queremos um larvicida que seja degradado rapidamente e não contamine a água, ao mesmo tempo em que tenha boa eficácia. A maioria dos larvicidas usados hoje exige algum cuidado na aplicação e deixa a água com alguma toxicidade", explica.

No mês passado, uma nota técnica da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) gerou polêmica ao criticar os larvicidas usados atualmente. O governo do Rio Grande do Sul chegou a suspender o uso do Pyriproxifen, ao considerar que o produto poderia estar relacionado à ocorrência de microcefalia em bebês. A própria Abrasco negou que tenha colocado essa possibilidade em questão.

Em entrevista à Agência Brasil, o coordenador do grupo de saúde e ambiente da Abrasco, Marcelo Firpo, explicou que foi um mal-entendido, mas reafirmou que a entidade é contra o uso de agentes químicos na água potável e que danos à saúde decorrentes desses produtos não estão descartados. "Consideramos um contrassenso sanitário, um absurdo a colocação de veneno larvicida na água potável", disse.


MINISTÉRIO DA SAÚDE LANÇA CURSO SOBRE ZIKA PARA PROFISSIONAIS DE SAÚDE

Ilustração: SE/UNA-SUS, por Tiago Botelho

20/02/2016

O Ministério da Saúde e a Universidade Aberta do SUS (UNA-SUS) lançaram, nesta sexta-feira (19), o curso “Zika: abordagem clínica na atenção básica”.

Destinado a médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e demais profissionais de nível superior da atenção básica, o curso abordará questões relacionadas a suspeita, notificação, investigação, diagnóstico e conduta nos casos e situações tratadas nos protocolos aprovados pelo Ministério da Saúde.

Com 45h de duração, o curso é dividido em quatro unidades que abordam os aspectos epidemiológicos, de promoção à saúde e prevenção, quadro clínico e abordagem de pacientes infectados. O capitulo três, por exemplo, foi integralmente dedicado aos cuidados com as gestantes com suspeita ou confirmação de infecção pelo vírus da Zika e do recém-nascido com microcefalia.

De acordo com o secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde (SGTES/MS), Hêider Pinto, o curso soma-se a uma série de iniciativas que o governo federal tem realizado para o enfrentamento ao problema e complementa “com este curso queremos preparar da melhorar maneira possível os profissionais para orientarem corretamente a população, mobilizar todos os esforços para combater o mosquito, evitar a doença e cuidar com qualidade das pessoas que tenham os problemas relacionados à doença”.

Assim como nos cursos de Dengue e Chikungunya da UNA-SUS, o conteúdo é trabalhado por meio de atividades interativas, estudo de casos clínicos e vídeos com especialistas e entrevistas. Também é comum aos três cursos a abordagem do diagnóstico diferencial. Além disso, são disponibilizados, na biblioteca virtual, livros e vídeos com conteúdos referentes ao tema para o aluno que desejar aprofundar seus conhecimentos.



“É preciso que os profissionais de saúde se capacitem para conseguir minimizar o impacto desta enfermidade, utilizando todos os recursos possíveis para assistir, disseminar os conhecimentos para a população, além de construir parcerias para fortalecer ações de proteção à saúde de todos”, afirma a coordenadora pedagógica do curso, Leika Aparecida Ishiyama Geniole.

O curso é uma iniciativa do Ministério da Saúde – por meio da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES), da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) e da Secretaria de Atenção à Saúde (SAS) – da secretaria executiva da UNA-SUS (SE/UNA-SUS), da Fiocruz Mato Grosso do Sul e Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).

CENÁRIO

Segundo boletim divulgado pelo Ministério da Saúde, nesta quarta-feira (17), estão sendo investigados 3.935 casos suspeitos de microcefalia em todo o país. Destes, 508 casos tiveram confirmação de microcefalia - e/ou outras alterações do sistema nervoso central, sugestivos de infecção congênita - e 837 casos foram descartados. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considerou o avanço da microcefalia, ligada ao vírus da Zika, nas Américas como uma emergência internacional.

Na semana passada, o ministro da Saúde, Marcelo Castro e o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Celso Pansera, apresentaram um conjunto de medidas de pesquisa e desenvolvimento e de combate ao Aedes aegypti e às doenças transmitidas pelo mosquito – zika, dengue e chikungunya – que deve ser lançado pelo governo até o final deste mês. A expectativa é que o pacote seja lançado pela presidenta Dilma Rousseff até o fim de fevereiro.

SERVIÇO

As matrículas podem ser realizadas de 19 de fevereiro de 2016 a 15 de fevereiro 2017.

Para realizar a inscrição, clique aqui

Mais informações


Fonte: UNA-SUS

NOTIFICAÇÃO NOS CASOS DE ZIKA VÍRUS PASSA A SER OBRIGATÓRIA

Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya
Foto: Pref. de Bossoroca/RS

19/02/2016

Casos de doenças ligadas ao vírus zika foram incluídos na Lista Nacional de Notificação Compulsória do Ministério da Saúde

O Ministério da Saúde incluiu os casos de doenças decorrentes do vírus zika na Lista Nacional de Notificação Compulsória de doenças, agravos e eventos de saúde pública nos serviços de saúde do Brasil, tanto públicos como privados. A portaria foi publicada nesta quinta-feira (18) no Diário Oficial da União.

Com a atualização da lista, as autoridades de saúde dos municípios, Estados e Distrito Federal devem ser comunicados pelos profissionais de saúde a ocorrência de doença aguda pelo vírus, doença aguda pelo zika em gestante e óbito com suspeita de doença pelo mesmo agente.

Em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (18), o ministro da Saúde, Marcelo Castro, destacou a importância da notificação para a construção de um mapa da enfermidade relacionada ao vírus zika. "Não fizemos antes porque não tínhamos testes que pudessem dizer com segurança, mas agora a confirmação é possível. Com a notificação compulsória, podemos fazer parte de nossas estatísticas e podemos dizer que tivemos tantos casos de zika", disse.

No total, 48 doenças, agravos e eventos de saúde devem ter a notificação obrigatória. Enfermidades como a dengue e a febre chikungunya, que, assim como o zika vírus, são relacionadas ao mosquito Aedes aegypti, já constavam da lista.

A notificação compulsória deverá ser realizada diante da suspeita ou confirmação da doença ou agravo, com periodicidade semanal e imediata. A autoridade que receber a notificação compulsória imediata deverá informá-la, em até 24 horas, às demais esferas de gestão do Sistema Único de Saúde (SUS).

A Secretária de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde irá publicar, em até 90 dias, normas técnicas complementares relativas aos fluxos, prazos, instrumentos, definições de casos suspeitos e confirmados, funcionamento dos sistemas de informação em saúde e demais diretrizes técnicas para o cumprimento e operacionalização das regras previstas na portaria.


FIOCRUZ DETECTA PRESENÇA DE VÍRUS ZIKA COM POTENCIAL DE INFECÇÃO EM SALIVA E URINA

Cientistas observaram a destruição ou danificação das células provocada pelo 
zika, o que comprova a atividade viral (Foto: IOC/Fiocruz)

06/02/2016

Estudo pioneiro da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), órgão vinculado o Ministério da Saúde, constatou a presença do vírus zika ativo (com potencial de provocar a infecção) em amostras de saliva e de urina. A evidência inédita, que sugere a necessidade de investigar a relevância destas vias alternativas de transmissão viral, foi constatada pelo Laboratório de Biologia Molecular de Flavivírus do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz).

Os estudos foram liderados pela pesquisadora Myrna Bonaldo, chefe do Laboratório, em colaboração com a infectologista Patrícia Brasil, do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz). Foram analisadas amostras referentes a dois pacientes e as coletas foram realizadas durante a apresentação de sintomas compatíveis com o vírus zika. Alíquotas das amostras foram colocadas em contato com células Vero, que são amplamente usadas em estudos sobre atividade viral no caso da família dos flavivírus, à qual pertencem os vírus zika, dengue e febre amarela, entre outros.

Os cientistas observaram o efeito citopático provocado nas células: foi observada a destruição ou danificação das células, o que comprova a atividade viral. A presença do material genético do vírus zika foi confirmada pela técnica de RT-PCR em Tempo Real. Também foi realizado o sequenciamento parcial do genoma do vírus. Diagnósticos laboratoriais descartaram a presença dos vírus dengue e chikungunya – para estas análises, foi usado o Kit NAT Discriminatório para Dengue, Zika e Chikungunya recentemente desenvolvido pela Fiocruz.

“Já se sabia que o vírus poderia estar presente tanto em urina quanto em saliva. Esta é a primeira vez em que demonstramos que o vírus está ativo, ou seja, com potencial de provocar a infecção, o que abre novos paradigmas para o entendimento das rotas de transmissão do vírus Zika. Isso responde uma pergunta importante, porém, o entendimento da relevância epidemiológica destas potenciais vias de infecção demanda novos estudos”, situa Myrna Bonaldo.

“Esta descoberta é parte dos 115 anos de dedicação da Fiocruz à saúde pública. Temos dirigido nossos esforços para colaborar com a ampliação do conhecimento científico sobre este vírus que vem desafiando cientistas de todo o mundo. Esta é mais uma contribuição da Fiocruz à saúde global", afirma o presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha. “Estamos lidando com dados muito recentes e, a cada momento, novas evidências são obtidas e compartilhadas pela comunidade científica, como acabamos de fazer”, esclarece.

Gadelha situa que, após a comprovação do potencial de transmissão por via de saliva e de urina, dada a constatação da presença do vírus ativo, é necessário investigar a relevância destas potenciais vias para a transmissão viral. “A primeira medida é sempre a da cautela. O que sabemos hoje é que o vírus zika costuma apresentar quadro clínico brando, com maior preocupação em relação às gestantes por conta dos casos de microcefalia que têm sido acompanhados. Neste sentido, medidas de prevenção já conhecidas para outras doenças precisam de um olhar mais cauteloso a partir de agora, especialmente no caso do contato com as gestantes. Estamos empenhados em gerar evidências sobre o vírus zika e vamos compartilhar estas evidências conforme avançarmos no conhecimento sobre o tema”, pontua, acrescentando que outras perguntas científicas permanecem em aberto, como o período de sobrevivência viral na saliva e urina, por exemplo.

A Fiocruz alerta que, com base nos conhecimentos disponíveis até o momento, as medidas de controle do vetor Aedes aegypti continuam sendo centrais. “Em uma situação como esta, em que estamos conhecendo mais a cada dia sobre este vírus, todos os aspectos precisam ser considerados. Muito ainda precisa ser investigado em relação à importância de cada via de transmissão para a propagação de casos. Porém, é fundamental que a vigilância ao vetor permaneça. Não podemos esquecer que ele é comprovadamente o vetor para os vírus dengue, chikungunya e zika”, reforça o presidente da Fiocruz.

Myrna destaca a mobilização da comunidade científica sobre o vírus zika. "É nossa missão enquanto cientistas contribuir para o entendimento desta situação de saúde pública que preocupa a todos e que já está afligindo milhares de famílias no Brasil, com o crescimento de casos de microcefalia", Myrna diz, agradecendo à dedicação da equipe de pesquisa. "Como temos um Laboratório que é justamente focado em flavivírus, família à qual o zika pertence, desde o primeiro momento vimos a possibilidade de ajudar. Isso somente foi possível devido ao compromisso integral das pessoas envolvidas e da instituição", completa.

Contribuições anteriores da Fiocruz

Em 2015, a Fiocruz criou o Gabinete de Enfrentamento à Emergência Sanitária de Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN/Fiocruz), que visa aproveitar ao máximo as capacidades e os recursos disponíveis na instituição para atender à necessidade de dar respostas objetivas para o Ministério da Saúde e a população sobre a situação de emergência em dengue, chikungunya e zika no país.

Em novembro de 2015, o Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), por meio do Laboratório de Flavivírus, concluiu diagnósticos laboratoriais que constataram a presença do genoma do vírus zika em amostras de líquido amniótico de duas gestantes do estado da Paraíba, cujos fetos tinham microcefalia detectada por meio de exames de ultrassom. Ambas haviam relatado sintomas compatíveis com o vírus zika e, nos exames anteriores, não havia indicativo do problema. Os resultados foram relevantes para orientar as investigações em andamento e a reforçar a suspeita de correlação entre o vírus e a microcefalia.

Em janeiro de 2016, a Fiocruz anunciou a criação do Kit NAT Discriminatório para Dengue, Zika e Chikungunya. A inovação garantirá maior agilidade para os testes realizados na rede de laboratórios do Ministério da Saúde, além de reduzir os custos e permitir a substituição de insumos estrangeiros por um produto nacional. Idealizada pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e desenvolvida em parceria com o Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP), a novidade conta com o apoio da Fiocruz-Paraná, da Fiocruz-Pernambuco e do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz).

Também em janeiro, o Instituto Carlos Chagas (Fiocruz Paraná) desenvolveu um estudo que confirmou a transmissão interplacentária do vírus zika após a análise da amostra da placenta de uma gestante da região Nordeste, que apresentou sintomas compatíveis de infecção pelo vírus e que sofreu um aborto retido – quando o feto deixa de se desenvolver dentro do útero – no primeiro trimestre de gravidez. A pesquisa foi realizada em parceria com a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR).

Fonte: Fiocruz

SAIBA QUAIS SÃO OS MITOS E VERDADES SOBRE O ZIKA VÍRUS



22/12/2015

Erupções na pele, dor de cabeça, no corpo e nas articulações, vermelhidão nos olhos, náuseas, fotofobia, conjuntivite e coceira intensa. Os sintomas são parecidos com os da dengue e da chikungunya, mas as consequências da infecção pelo zika vírus são bem mais críticas.

Apesar de ter uma evolução branda, com sintomas que duram em média de dois a sete dias, o zika está associado à microcefalia em bebês cujas mães foram contaminadas durante a gestação – e que trazem deficiências variadas. Além disso, há o risco de desenvolvimento da síndrome de Guillain-Barré (doença autoimune que acomete o sistema nervoso), recentemente associada ao vírus e que vitimiza principalmente crianças e idosos.

A febre zika é uma doença nova. Seu primeiro surto foi registrado em 2007, na ilha de Yap, na Micronésia, e chegou ao Brasil no ano passado. Por conta disso, muito pouco se sabe a respeito, abrindo margem para que muitas informações sem embasamento científico se espalhem.

Veja aqui o que é verdade e o que é mito acerca do zika:

Você pode ter sido contaminado pelo zika e não saber - VERDADE

Segundo a Sociedade de Pediatria de São Paulo, assim como nas outras doenças virais transmitidas pelo mesmo mosquito (dengue, febre chikungunya), acredita-se que cerca de 80% das pessoas contaminadas pelo zika vírus não apresentam qualquer sintoma, o que não quer dizer que as consequências da infecção (microcefalia nos bebês dessas gestantes, por exemplo) não ocorram. 

Repelentes são a forma mais eficiente de evitar a contaminação pelo zika – MITO

O uso do repelente como único método de prevenção não garante que o mosquito Aedes aegypti ficará longe. Inclusive, nenhum dos dez repelentes testados pelo Proteste com as marcas mais comuns vendidas no Brasil foi aprovado. Uma das principais ações contra o mosquito, segundo o Ministério da Saúde, é a conscientização da população sobre o seu papel de eliminar locais nos quais o Aedes aegypti pode se reproduzir, como vasos de plantas, lixo e garrafas pet abandonadas. Além disso, recomenda-se o uso de roupas que cubram a superfície do corpo, em especial as extremidades e áreas de pele mais fina, como tornozelos, pés, punhos e mãos. 

Microcefalia no Nordeste foi causada pela vacina contra rubéola, não por causa do zika – MITO

De acordo com o último Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, até 12 de dezembro deste ano foram registrados 2.401 casos da doença e 29 óbitos. Esses casos estão distribuídos em 549 municípios de 20 Unidades da Federação. A microcefalia é uma condição neurológica rara em que a cabeça é desproporcionalmente menor que o corpo. O crânio não se desenvolve corretamente, porque o tecido cerebral não cresce. Isso faz com que, dependendo da área do cérebro afetada, a criança tenha dificuldades de locomoção, desenvolvimento cognitivo, deglutição, audição, dentre outras. Apesar de ter relação com outras doenças, como rubéola, infecções por citomegalovírus, toxoplasmose e uso de drogas na gestação, por exemplo, a vacina não é responsável pelo surto atual. Segundo o Ministério da Saúde, todas as vacinas do calendário nacional são seguras. Em nota, a Sociedade de Pediatria de São Paulo esclarece que a vacina nunca é aplicada durante a gestação e que ela é produzida com vírus vivos e atenuados, que não são capazes de provocar as doenças. 

Quem pega zika uma vez não corre risco de se contaminar novamente – MITO

Os casos de infecções sucessivas e de coinfecção com outras doenças causadas pelo Aedes Aegypti, como dengue e chikungunya, são possíveis, desde que causados por vírus diferentes. Ainda não se sabe quais são as consequências dessa condição para a saúde. "Não temos como medir as consequências da coinfeccção ou de infecções sucessivas pelos três vírus em um paciente", afirma Claudia Nunes, chefe do Laboratório de Virologia Molecular do Instituto Carlos Chagas (ICC/Fiocruz Paraná), para quem é necessário uma investigação profunda, buscando esclarecer os aspectos clínicos e adequar o tratamento.

Amamentação deve ser mantida onde há risco de zika – VERDADE

Na Polinésia Francesa (onde houve surto de zika em 2013), médicos encontraram partículas do vírus no leite materno. Mas ainda não se sabe se existe transmissão para o bebê porque nem todo vírus encontrado no leite é transmitido. Segundo dados do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) do Estado de São Paulo, a transmissão raramente ocorre de mãe para filho. Ainda de acordo com esse documento, “até agora, não há relatos de crianças infectadas pelo zika vírus através da amamentação. Pelos benefícios do aleitamento, mães devem ser encorajadas a amamentar mesmo em áreas onde o zika vírus for encontrado”.

O vírus pode ser transmitido pelo sêmen – NEM MITO, NEM VERDADE

Segundo o Ministério da Saúde, não há estudos consistentes a esse respeito. Houve apenas um caso descrito de transmissão sexual. Além da adoção rotineira do preservativo para a proteção contra doenças sexualmente transmissíveis, o período de doença e os dias seguintes devem ser tratados com uma cautela adicional.

Nem todos os repelentes são seguros para gestantes - VERDADE

Apenas repelentes à base de DEET, IR3535 e Icaridina são considerados seguros para uso durante a gestação, de acordo com o Ministério da Saúde.

O mosquito do Zika só pica de dia - MITO

O Aedes aegypti é um mosquito de hábitos predominantemente diurnos, mas não é impossível que ele pique durante a noite. Essa espécie vem se adaptando rapidamente ao ambiente urbano e doméstico. Por isso, a recomendação é destruir os criadouros do mosquito.

Sempre verifique informações recebidas em fontes confiáveis como os portais do Ministério da Saúde, da Organização Mundial da Saúde (OMS), do CDC dos EUA ou do Centro de Controle de Doenças Europeu.

Fonte: EBC
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