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Museu da Vida inaugura planetário digital no Ciência Móvel

Completamente digital, o planetário do Museu da Vida tem possibilidade de 
projetar qualquer programação sobre o universo (imagem: Divulgação/Starlab)

20/03/2016

O equinócio de outono marca a chegada da próxima estação. Como não podia deixar de ser, o Museu da Vida da Fiocruz lembra esse rito de passagem com atividade especial no próximo dia 21 de março, na Tenda da Ciência: a inauguração do Planetário Digital, uma nova atração itinerante que será levada no Ciência Móvel em viagens por municípios da Região Sudeste do país. Gratuitamente, o público pode conferir Comemorando o Equinócio de Outono, em três sessões: das 12 às 12h30, das 14 às 14h30 e das 14h30 às 15h. Cada uma delas poderá receber até 50 pessoas, respeitada a ordem de chegada.

O novo planetário foi adquirido com recursos da Lei Federal de Incentivo à Cultura. “Apesar de nunca ter tido um planetário móvel no acervo, frequentemente levávamos o planetário móvel do Cecierj [Fundação do governo do Estado] em nossas viagens, e sempre era a atração mais procurada. Com os recursos de captação do projeto Rouanet [lei de incentivo à cultura] do caminhão, finalmente, adquirimos um planetário móvel próprio, que, além de ser o primeiro planetário do Museu da Vida, é altamente moderno, completamente digital, com possibilidade de projetar qualquer programação sobre o universo, assim como filmes científicos para domo (antigo cinema 360º). É um grande passo para o Ciência Móvel dentro do movimento atual de renovação do acervo”, comemora Diego Vaz Bevilaqua, chefe do Museu da Vida.

O evento apresenta o potencial do novo equipamento e o software que ampliam as possibilidades de roteiros em relação ao modelo analógico. A apresentação do equipamento será feita a partir de roteiros elaborados com temas específicos pela equipe do Ciência Móvel: Convivendo com uma estrela, e As estrelas esquisitas de Júpiter.

Novo planetário foi adquirido com recursos da Lei Federal de Incentivo à Cultura (foto: Starlab)

No primeiro, a narrativa parte de duas incríveis jornadas no espaço e no tempo, possibilitando a observação e a comparação das marcas celestes que definem as estações do ano na cidade do Rio de Janeiro e, também, no Polo Sul. A proposta é que se possa observar e descobrir os segredos das estações do ano, além de conhecer algumas constelações que marcam as estações.

Já as estrelas esquisitas de Júpiter narram a incrível viagem a cidade de Pádua, nas noites de janeiro do ano de 1610. A partir dela, e em pleno século 17, é possível observar e compartilhar o céu com Galileu Galilei e descobrir novas estrelas, perto de Júpiter. Na atividade, há comentários do próprio cientista italiano sobre o que ele e o público estarão observando.

Serviço
Comemorando o Equinócio de Outono
Local: Tenda da Ciência
Data: 21 de março
Horário: das 12h às 12h30; das 14h às 14h30 e das 14h30 às 15h
Entrada: gratuita


FIOCRUZ DETECTA PRESENÇA DE VÍRUS ZIKA COM POTENCIAL DE INFECÇÃO EM SALIVA E URINA

Cientistas observaram a destruição ou danificação das células provocada pelo 
zika, o que comprova a atividade viral (Foto: IOC/Fiocruz)

06/02/2016

Estudo pioneiro da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), órgão vinculado o Ministério da Saúde, constatou a presença do vírus zika ativo (com potencial de provocar a infecção) em amostras de saliva e de urina. A evidência inédita, que sugere a necessidade de investigar a relevância destas vias alternativas de transmissão viral, foi constatada pelo Laboratório de Biologia Molecular de Flavivírus do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz).

Os estudos foram liderados pela pesquisadora Myrna Bonaldo, chefe do Laboratório, em colaboração com a infectologista Patrícia Brasil, do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz). Foram analisadas amostras referentes a dois pacientes e as coletas foram realizadas durante a apresentação de sintomas compatíveis com o vírus zika. Alíquotas das amostras foram colocadas em contato com células Vero, que são amplamente usadas em estudos sobre atividade viral no caso da família dos flavivírus, à qual pertencem os vírus zika, dengue e febre amarela, entre outros.

Os cientistas observaram o efeito citopático provocado nas células: foi observada a destruição ou danificação das células, o que comprova a atividade viral. A presença do material genético do vírus zika foi confirmada pela técnica de RT-PCR em Tempo Real. Também foi realizado o sequenciamento parcial do genoma do vírus. Diagnósticos laboratoriais descartaram a presença dos vírus dengue e chikungunya – para estas análises, foi usado o Kit NAT Discriminatório para Dengue, Zika e Chikungunya recentemente desenvolvido pela Fiocruz.

“Já se sabia que o vírus poderia estar presente tanto em urina quanto em saliva. Esta é a primeira vez em que demonstramos que o vírus está ativo, ou seja, com potencial de provocar a infecção, o que abre novos paradigmas para o entendimento das rotas de transmissão do vírus Zika. Isso responde uma pergunta importante, porém, o entendimento da relevância epidemiológica destas potenciais vias de infecção demanda novos estudos”, situa Myrna Bonaldo.

“Esta descoberta é parte dos 115 anos de dedicação da Fiocruz à saúde pública. Temos dirigido nossos esforços para colaborar com a ampliação do conhecimento científico sobre este vírus que vem desafiando cientistas de todo o mundo. Esta é mais uma contribuição da Fiocruz à saúde global", afirma o presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha. “Estamos lidando com dados muito recentes e, a cada momento, novas evidências são obtidas e compartilhadas pela comunidade científica, como acabamos de fazer”, esclarece.

Gadelha situa que, após a comprovação do potencial de transmissão por via de saliva e de urina, dada a constatação da presença do vírus ativo, é necessário investigar a relevância destas potenciais vias para a transmissão viral. “A primeira medida é sempre a da cautela. O que sabemos hoje é que o vírus zika costuma apresentar quadro clínico brando, com maior preocupação em relação às gestantes por conta dos casos de microcefalia que têm sido acompanhados. Neste sentido, medidas de prevenção já conhecidas para outras doenças precisam de um olhar mais cauteloso a partir de agora, especialmente no caso do contato com as gestantes. Estamos empenhados em gerar evidências sobre o vírus zika e vamos compartilhar estas evidências conforme avançarmos no conhecimento sobre o tema”, pontua, acrescentando que outras perguntas científicas permanecem em aberto, como o período de sobrevivência viral na saliva e urina, por exemplo.

A Fiocruz alerta que, com base nos conhecimentos disponíveis até o momento, as medidas de controle do vetor Aedes aegypti continuam sendo centrais. “Em uma situação como esta, em que estamos conhecendo mais a cada dia sobre este vírus, todos os aspectos precisam ser considerados. Muito ainda precisa ser investigado em relação à importância de cada via de transmissão para a propagação de casos. Porém, é fundamental que a vigilância ao vetor permaneça. Não podemos esquecer que ele é comprovadamente o vetor para os vírus dengue, chikungunya e zika”, reforça o presidente da Fiocruz.

Myrna destaca a mobilização da comunidade científica sobre o vírus zika. "É nossa missão enquanto cientistas contribuir para o entendimento desta situação de saúde pública que preocupa a todos e que já está afligindo milhares de famílias no Brasil, com o crescimento de casos de microcefalia", Myrna diz, agradecendo à dedicação da equipe de pesquisa. "Como temos um Laboratório que é justamente focado em flavivírus, família à qual o zika pertence, desde o primeiro momento vimos a possibilidade de ajudar. Isso somente foi possível devido ao compromisso integral das pessoas envolvidas e da instituição", completa.

Contribuições anteriores da Fiocruz

Em 2015, a Fiocruz criou o Gabinete de Enfrentamento à Emergência Sanitária de Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN/Fiocruz), que visa aproveitar ao máximo as capacidades e os recursos disponíveis na instituição para atender à necessidade de dar respostas objetivas para o Ministério da Saúde e a população sobre a situação de emergência em dengue, chikungunya e zika no país.

Em novembro de 2015, o Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), por meio do Laboratório de Flavivírus, concluiu diagnósticos laboratoriais que constataram a presença do genoma do vírus zika em amostras de líquido amniótico de duas gestantes do estado da Paraíba, cujos fetos tinham microcefalia detectada por meio de exames de ultrassom. Ambas haviam relatado sintomas compatíveis com o vírus zika e, nos exames anteriores, não havia indicativo do problema. Os resultados foram relevantes para orientar as investigações em andamento e a reforçar a suspeita de correlação entre o vírus e a microcefalia.

Em janeiro de 2016, a Fiocruz anunciou a criação do Kit NAT Discriminatório para Dengue, Zika e Chikungunya. A inovação garantirá maior agilidade para os testes realizados na rede de laboratórios do Ministério da Saúde, além de reduzir os custos e permitir a substituição de insumos estrangeiros por um produto nacional. Idealizada pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e desenvolvida em parceria com o Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP), a novidade conta com o apoio da Fiocruz-Paraná, da Fiocruz-Pernambuco e do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz).

Também em janeiro, o Instituto Carlos Chagas (Fiocruz Paraná) desenvolveu um estudo que confirmou a transmissão interplacentária do vírus zika após a análise da amostra da placenta de uma gestante da região Nordeste, que apresentou sintomas compatíveis de infecção pelo vírus e que sofreu um aborto retido – quando o feto deixa de se desenvolver dentro do útero – no primeiro trimestre de gravidez. A pesquisa foi realizada em parceria com a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR).

Fonte: Fiocruz

Vazamento no RJ pode afetar migração de animais

Barcos com barreiras de contenção ajudam no controle da mancha de óleo no campo de Frade
20/11/2011

Óleo que vazou por pelo menos seis dias chegou a cobrir uma superfície equivalente a 16.300 campos de futebol

Rio - No meio do caminho, havia óleo. Obstáculo difícil de superar por baleias como jubarte, minke-antártica, baleia-de-bryde e entre 20 e 25 espécies de golfinhos e pequenos cetáceos que usam a Bacia de Campos como rota migratória. O óleo que vazou por pelo menos seis dias pelo poço no Campo de Frade, operado pela Chevron Brasil, chegou a cobrir uma superfície de 163 quilômetros quadrados - ou 16,3 mil campos de futebol.

E o dano ambiental é difícil de mensurar. No acidente provocado por uma explosão na plataforma de perfuração da British Petroleum, no Golfo do México, em abril do ano passado, 800 milhões de litros de óleo vazaram por 87 dias.

Somente 2% das carcaças dos animais atingidos chegaram ao litoral, aponta o biólogo Salvatore Siciliano, coordenador do Grupo de Estudos de Mamíferos Marinhos da Região dos Lagos (GEMM-Lagos), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

As baleias jubarte, por exemplo, estão retornando para o Polo Sul. Depois de se alimentar durante o verão, no inverno elas nadaram em direção à linha do Equador, em busca de águas mais quentes para se reproduzir. Agora, voltam para a Antártica acompanhadas de seus filhotes.

O secretário de Estado do Ambiente, Carlos Minc, viu três delas nadando perto da mancha - uma a menos de 300 metros de distância.

Além dos mamíferos, o dano para as aves é agudo. Acredita-se que elas confundam a mancha de óleo com cardumes e, por isso, mergulhem no petróleo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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