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O CORONAVÍRUS VEIO DA NATUREZA – E NÃO DE UM LABORATÓRIO

(Andriy Onufriyenko/Getty Images)

24/03/2020

Os boatos de que o vírus foi manipulado pela China não passam de uma mentira. E a ciência prova.

Por Carolina Fioratti

Nos últimos dias, teorias da conspiração sobre a Covid-19 circularam na internet. Elas defendem que o vírus SARS-CoV-2 havia sido criado em laboratório pelos chineses. Mas uma pesquisa publicada na Nature Medicine desmente essa ideia, e mostra que o vírus, na verdade, é produto de evolução natural. 

Assim que a doença começou a se propagar em Wuhan, na China, os cientistas do país sequenciaram o genoma do vírus e tornaram os dados públicos. Então, uma equipe de pesquisadores utilizou as informações para explorar as origens e evolução do SARS-CoV-2.

O vírus, como você deve ter visto em diversas imagens, é uma bolinha cheia de espinhos. Assim:

 (Image: CDC/Alissa Eckert, MS; Dan Higgins, MAMS/Reprodução)

Esse revestimento exterior caracteriza um modelo chamado proteína spike (em português, “espinhos”), que servem para agarrar e se penetrar nas paredes celulares humanas e animais. Os cientistas perceberam que o vírus evoluiu para atingir, principalmente, uma proteína chamada ACE2, que está presente em alguns tecidos corporais, como nariz e boca. 

Segundo os cientistas, foi a sua forma eficaz de nos infectar que fez com que eles concluírem que o vírus é, sim, resultado de seleção natural.

Caso ele tivesse sido projetado em laboratório, seus criadores teriam utilizado como base o genoma de um vírus patogênico conhecido. Mas o genoma encontrado é bem diferente dos de outros coronavírus – como os causadores de SARS e MERS – e, ao mesmo tempo, semelhante a alguns vírus encontrados em morcegos e pangolins.

Na visão dos cientistas, há dois cenários possíveis. No primeiro, o vírus passou por seleção natural dentro de um hospedeiro animal e, depois, chegou aos seres humanos – já com sua capacidade infecciosa.

Essa história seria plausível, considerando que foi dessa forma que os surtos de SARS e MERS aconteceram no passado. No caso, o morcego teria sido o hospedeiro definitivo, passando para outro animal, que seria o hospedeiro intermediário, e esse teria transmitido aos humanos, provavelmente através da ingestão de sua carne.

Em um segundo cenário, o vírus também passou do animal para o humano, mas só se tornou patogênico no corpo do homem. Sua capacidade de transmissão de humanos para humanos pode ter se desenvolvido pouco antes do início da epidemia, ainda no corpo dos primeiros infectados.

Ainda não se sabe qual das duas hipóteses é a correta. A primeira é mais prejudicial, pois caso o vírus tenha essa capacidade de evoluir ainda nos animais, as chances de ocorrerem outros surtos similares no futuro são maiores. 

A China está trabalhando na proibição do comércio de animais silvestres. Esse seria um primeiro passo para evitar o surgimento de novas doenças no futuro. Além disso, os chineses se mostraram eficazes no controle da doença, apresentando grande recuperação. Até essa terça-feira (24), havia mais de 350 mil infectados ao redor do globo.


GOVERNO CONFIRMA RELAÇÃO ENTRE ZIKA VÍRUS E EPIDEMIA DE MICROCEFALIA



29/11/2015

Para o governo brasileiro, não há mais dúvidas: o zika vírus é o causador da epidemia de microcefalia que atinge o país.

As suspeitas foram confirmadas no fim da tarde deste sábado pelo Ministério da Saúde, que informou ter comprovado a relação a partir do caso de uma criança nascida na região Nordeste, que é a mais afetada.

No Brasil todo, já são mais de 700 casos notificados em 160 municípios de nove Estados.

Em nota, o ministério afirmou que “o Instituto Evandro Chagas, órgão do ministério em Belém (PA), encaminhou o resultado de exames realizados em um bebê, nascida no Ceará, com microcefalia e outras malformações congênitas. Em amostras de sangue e tecidos, foi identificada a presença do vírus Zika.”

A partir dos exames dessa bebê, que acabou não resistindo e morreu, o governo confirmou a relação entre o vírus e a microcefalia.

“Essa é uma situação inédita na pesquisa científica mundial”, afirmou o governo.

Isso porque a correlação entre o zika e a microcefalia não havia sido confirmada anteriormente. Na Polinésia Francesa, autoridades estão pesquisando a ligação, já que também houve casos de má-formação cerebral em fetos e recém-nascidos após a epidemia de zika que atingiu o território entre 2013 e 2014.

Aedes

Como o zika é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, responsável também pela dengue, o governo declarou que pretende reforçar, “o chamado para uma mobilização nacional para conter o mosquito transmissor, o Aedes aegypti”.

A nota do Ministério da Saúde informa também que ainda há muitas questões a serem esclarecidas sobre a transmissão do agente, sua atuação, infecção do feto, mas que análises iniciais mostrar que o period de maior vulnerabilidade para a gestante (e seu bebê) são os três primeiros meses de gravidez.

Mortes

Além da bebê, o Ministério da Saúde confirmou outras duas mortes relacionadas ao vírus Zika. As análises indicam que esse agente pode ter contribuído para agravamento dos casos e óbitos.

O primeiro caso é o de um homem com histórico de lúpus e de uso crônico de medicamentos corticoides, morador de São Luís, do Maranhão. Com suspeita de dengue, foi realizada coleta de amostra de sangue e fragmentos de vísceras (cérebro, fígado, baço, rim, pulmão e coração) e enviadas ao IEC. O exame laboratorial apresentou resultado negativo para dengue. Com a técnica RT-PCR, foi detectado o genoma do vírus Zika no sangue e vísceras.

Confirmado na sexta-feira (27), o segundo caso é de uma menina de 16 anos, do município de Benevides, no Pará, que veio a óbito no final de outubro. Com suspeita inicial de dengue, notificada em 6 de outubro, ela apresentou dor de cabeça, náuseas e petéquias (pontos vermelhos na pele e mucosas). A coleta de sangue foi realizada sete dias após o início dos sintomas, em 29 de setembro. O teste foi positivo para Zika, confirmado e repetido.

Todos os achados estão sendo divulgados conforme são conhecidos. O objetivo é dar transparência sobre a situação atual, assim como emitir orientações para população e para a rede pública. Esse é um achado importante e merece atenção. O Ministério da Saúde está se aprofundando na análise dos casos, além de acompanhar outras análises que vem sendo conduzidas pelos seus órgãos de pesquisa e análise laboratorial. O protocolo inicial para o atendimento de possível agravamento da Zika será o mesmo utilizado para situações mais graves de dengue.

Fonte: BBC Brasil


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