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PESQUISADOR DA EMBRAPA APRESENTA EXPERIÊNCIAS BRASILEIRAS DE BIOENERGIA EM EVENTO INTERNACIONAL



22/11/2018

As experiências brasileiras no setor de bioenergia serão apresentadas, hoje, na "Semana de Agricultura e Alimentação: os desafios futuros para América Latina e Caribe", que acontece até sexta-feira (23/11), em Buenos Aires/Argentina.

A palestra, ministrada pelo Chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Agroenergia, Alexandre Alonso, está inserida na programação do painel "Cultivos energéticos".

Alonso ressalta que o evento é um grande fórum regional para troca de experiências, diálogo, aprendizagem e construção de acordos entre os diversos atores, para avançar em direção dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no mundo rural e setor Agroalimentar. 

Além disso, é uma oportunidade de encontro para os atores da cadeia de valor bioenergética nacional e internacional possam trocar conhecimento e compartilhar experiências, um espaço de reflexão e discussão sobre o rol da bioenergia.

Estão presentes profissionais do setor público e privado, produtores, empresários, profissionais, acadêmicos e pesquisadores de âmbito nacional e internacional que irão expor diversas temáticas relacionadas à produção, comércio, tecnologia e investigação em matéria bioenergética. 

O evento é uma realização da Secretaria de Alimentos e Bioeconomia e Secretaria de Governo de Agroindústria da Argentina. Saiba mais sobre a programa da Semana no link http://www.fao.org/americas/eventos/ver/es/c/1146950/

DESCOBERTO NO BRASIL DINOSSAURO DE PESCOÇO LONGO MAIS ANTIGO DO MUNDO

Ilustração mostra como seria o "Macrocollum itaquii"

22/11/2018

Escavado no Rio Grande do Sul, "Macrocollum itaquii" tinha 3,5 metros de comprimento e teria vivido há cerca de 225 milhões de anos. Trata-se dos primeiros esqueletos completos de dinossauros descobertos no país.

Pesquisadores brasileiros apresentaram uma nova espécie de dinossauro descoberta no Brasil em estudo publicado na revista científica britânica Biology Letters nesta quarta-feira (21/11). O animal, que recebeu o nome de Macrocollum itaquii, seria o dinossauro de pescoço longo mais antigo do mundo.

Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e da Universidade de São Paulo (USP) escavaram três esqueletos fossilizados em rochas triássicas do município de Agudo, no Rio Grande do Sul. Trata-se também da primeira descoberta de esqueletos completos de dinossauros no Brasil, segundo nota divulgada pela UFSM.

Com cerca de 3,5 metros de comprimento, o Macrocollum itaquii possui um pescoço bastante longo – uma das principais características do grupo de dinossauros gigantes pescoçudos, os saurópodes, como o braquiossauro e o apatossauro.

As rochas de onde os esqueletos foram escavados têm cerca de 225 milhões de anos, o que faz com que o Macrocollum itaquii seja considerado o dinossauro mais antigo de pescoço longo já descoberto.

Cientificamente, a descoberta preenche uma lacuna no registo fóssil de dinossauros, pois há diversos esqueletos de períodos mais antigos e mais recentes, mas aqueles com aproximadamente 225 milhões de anos são bastante raros. Trata-se de um período importante para a história evolutiva dos dinossauros, pois antecede ao período em que eles se tornaram dominantes em quase todo o planeta.

Arqueólogos descobriram e iniciaram a escavação dos esqueletos do 
dinossauro "Macrocollum itaquii" em 2013

A dentição do Macrocollum itaquii indica que ele se alimentava de plantas. Acredita-se que o pescoço longo lhe tenha permitido chegar a vegetações mais altas que as alcançadas por outros animais e que isso tenha sido o que garantiu o sucesso do grupo dos sauropodomorfos – do qual o Macrocollum itaquii faz parte – durante a Era Mesozoica. 

Com base em fósseis de outros animais desse grupo no Rio Grande do Sul, mas de diferentes idades, os pesquisadores concluíram que durante um intervalo de 8 milhões de anos, a dieta herbívora foi aprimorada, os sauropodomorfos cresceram significativamente e o pescoço se tornou proporcionalmente duas vezes mais longo.

O nome "Macrocollum" significa pescoço longo, e "itaquii" é uma homenagem a José Jerundino Machado Itaqui, que foi um dos principais responsáveis pela criação do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia (Cappa/UFSM), onde os fósseis do dinossauro estão depositados.

Fóssil do "Macrocollum itaquii", 
descoberto no Rio Grande do Sul
Os esqueletos foram coletados no início de 2013 e passaram por um cuidadoso processo de extração da rocha em que seus restos foram preservados. Os fósseis serão mantidos no Cappa, em São João do Polêsine, onde poderão ser visitados.

A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas. Siga-nos no Facebook | Twitter | YouTube 

Fonte: DW

PESQUISADORES DESCOBREM PEGADAS DE ANIMAL MAIS ANTIGAS DA TERRA

Pegadas são de espécie que possuía membros paralelos

07/06/2018

Encontradas na China, pegadas têm pelo menos 541 milhões de anos. Cientistas não conseguiram identificar, porém, espécie que deixou os rastros que foram fossilizados em calcário.
    
Pesquisadores descobriram na China as pegadas mais antigas deixadas por um animal na Terra. Segundo um estudo divulgado nesta quarta-feira (06/06), os rastros têm pelo menos 541 milhões de anos.

O estudo não identificou o pequeno animal que deixou as pegadas, que são separadas por milímetros e parecem com pequenos buracos marcados no calcário escuro.

"Este é considerado o registro mais antigo de pegadas fossilizadas de um animal”, destaca o estudo publicado no jornal especializado Science Advances.

As pegadas foram encontradas na região Três Gargantas, localizada no rio Yangtzé no sul da China, e pertencem ao período Ediacarano, que está compreendido entre 630 milhões e 541 milhões de anos.

"Pegadas identificadas anteriormente tinham entre 540 milhões e 530 milhões de anos. Os novos fósseis são provavelmente ao menos 10 milhões de anos mais antigos", afirmou Zhe Chen, pesquisador da Academia Chinesa de Ciência e um dos autores do estudo.

Infelizmente, a criatura que deixou seus rastros não morreu perto do local, deixando um fóssil igualmente bem preservado que poderia ser estudado e revelar o mistério sobre o animal que deixou marcada sua passagem.

"Não sabemos exatamente que espécie deixou esses rastros, no entanto, ela tem uma simetria bilateral devido aos membros paralelos", acrescentou Chen. O pesquisador explicou que apenas três grupos de animais vivos possuem membros paralelos – artrópodes, como aranhas, anelídeos, como poliquetas, e tetrápodes, como humanos.

Chen acredita que o animal seja um ancestral de alguma espécie do grupo dos artrópodes ou dos anelídeos.

O fóssil revela ainda que a criatura parece ter feito algumas pausas durante o trajeto, pois os rastros parecem em determinados pontos estarem conectados a tocas, que poderiam ter sido cavadas para extrair alimentos ou oxigênio, especula o estudo.

Além de pesquisadores da Academia Chinesa de Ciência, cientistas da universidade americana Virgina Tech participaram do estudo.

Fonte: DW

POR ENGANO, CIENTISTAS DESENVOLVEM ENZIMA QUE COME PLÁSTICO

Enzima descoberta acidentalmente poderá facilitar reciclagem de plástico
Foto: DW / Deutsche Welle

19/04/2018

Pesquisadores produzem por acidente proteína capaz de degradar plásticos PET e que pode ajudar a reduzir poluição causada pelo material.

Pesquisadores nos Estados Unidos e no Reino Unido produziram por acidente uma enzima que consome plásticos, revelou um estudo divulgado nesta segunda-feira (16/04). A descoberta poderá ajudar a reduzir o grave problema da poluição causada pelo produto derivado do petróleo.

Cientistas da Universidade de Portsmouth e do Laboratório de Energias Renováveis do Departamento de Energia dos EUA decidiram concentrar seus esforços numa bactéria de ocorrência natural descoberta no Japão há alguns anos.

Pesquisadores japoneses acreditam que a bactéria Ideonella sakaiensis se desenvolveu nas últimas décadas num centro de reciclagem, uma vez até os anos 1940 o plástico ainda não tinha sido inventado. O organismo parece se alimentar exclusivamente de um tipo de plástico conhecido como Politereftalato de etileno (PET), amplamente utilizado na fabricação de garrafas.

Os cientistas buscavam compreender o funcionamento de uma das enzimas dessa bactéria, denominada PETase, analisando sua estrutura. "Eles acabaram avançando um passo à frente e acidentalmente desenvolveram uma enzima que consegue desmembrar ainda melhor os plásticos PET", afirma o relatório divulgado na publicação científica americana Procedimentos da Academia Nacional de Ciências (PNAS).

Utilizando um raio-X de brilho dez bilhões de vezes mais forte do que o Sol, eles conseguiram elaborar um modelo tridimensional de alta resolução da enzima.

Cientistas da Universidade de Campinas (Unicamp) e da Universidade do Sul da Flórida desenvolveram através de computadores um modelo que demonstrava que a PETase era bastante semelhante a outra enzima, a cutinase, encontrada em fungos e bactérias.

Uma área da PETase, porém, apresentava algumas diferenças, levando os cientistas a deduzir que esta seria a parte que permitiria a degradação do plástico. Ao modificar essa enzima, tornando-a mais semelhante à cutinase, os pesquisadores descobriram acidentalmente que a enzima mutante conseguia degradar o plástico com eficácia ainda maior do que a PETase.

Os cientistas trabalham agora em melhorias nessa enzima, para que possa, no futuro, ser desenvolvida em grande escala e utilizada no setor industrial. O objetivo ao quebrar o plástico em partes menores seria permitir que ele seja reutilizado de maneira mais eficiente.

"O acaso muitas vezes tem um papel significativo na pesquisa científica fundamental, e nossa descoberta não é exceção", afirmou o autor do estudo, o professor John McGeehan, da Faculdade de Ciências Biológicas de Portsmouth.

"Ainda que modesta, a descoberta inesperada sugere que há espaço para desenvolver ainda mais essas enzimas, nos aproximando de uma solução para reciclar as montanhas de dejetos de plástico que não param de crescer", observou.

Mais de oito milhões de toneladas de plástico são despejadas anualmente nos oceanos, enquanto aumenta a preocupação com os problemas causados à saúde humana e ao meio ambiente. Apesar dos esforços globais para reciclar essa matéria-prima, a maior parte dos produtos plásticos sobrevive durante centenas de anos.

Fonte: Terra


PESQUISADOR DO AMAPÁ É HOMENAGEADO COM NOME EM NOVA ESPÉCIE DE INSETO

Foto: Divulgação / EMBRAPA

17/02/2018

Adaime estuda moscas-das-frutas e parasitoides há mais de dez anos

As identidades de duas novas espécies de parasitoides de moscas-das-frutas no Brasil foram reveladas em um artigo publicado pelo professor e pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias do Amapá (Embrapa-AP) Ricardo Adaime, na revista científica Zootaxa da Nova Zelândia. As duas novas espécies foram denominadas Doryctobracon adaimei e Doryctobracon whartoni.

Doryctobracon adaimei foi designada em homenagem ao agrônomo que a descobriu, pelos estudos conduzidos há mais de dez anos com moscas-das-frutas e parasitoides na região Norte. Ele publicou juntamente com os pesquisadores Walkymário Lemos, da Embrapa Amazônia Oriental – Pará e Roberto Antônio Zucchi, da Universidade de São Paulo, o livro “Moscas-das-frutas na Amazônia brasileira: diversidade, hospedeiros e inimigos naturais”, resultante de pesquisas realizadas no âmbito da “Rede Amazônica de Pesquisa sobre Moscas-das-frutas”, projeto financiado pela Embrapa.

De acordo com Adaime, as duas espécies de parasitoides foram obtidas de frutos de Geissospermum argenteum (espécie vegetal silvestre conhecida popularmente como “quina”), coletados em municípios do Amapá. As espécies apresentavam características morfológicas diferentes das que já apareceram na América do Sul. Por isso, foram enviadas ao professor e  taxonomista da USP Roberto Antônio Zucchi, para correta identificação e descrição das novas espécies.

“O parasitoide Doryctobracon adaimei tem sido a espécie mais abundante nas amostras de ‘quina’ coletadas no Amapá e apresenta percentual de parasitismo significativo, já constatado em campo. Agora, queremos ver se ele se adapta em condições de laboratório, para estudarmos sua biologia”, explica Ricardo Adaime.

A outra espécie descrita, Doryctobracon whartoni, foi designada em homenagem a Robert Wharton, atualmente em atividade nos Estados Unidos, pela sua contribuição à taxonomia dos braconídeos parasitoides de moscas-das-frutas. O trabalho científico publicado recentemente, que contém a detalhada descrição morfológica e o estudo de biologia molecular das duas novas espécies de parasitoides.

CORREDORES AGROECOLÓGICOS SÃO APRESENTADOS NO SUDESTE GOIANO



17/02/2018

Nos dias 27 e 28 de fevereiro, pesquisadores da Embrapa, representantes do movimento camponês e agricultores de Catalão e Silvânia (GO) vão promover a segunda edição do circuito de visitas técnicas em propriedades rurais da região Sudeste de Goiás – as Rotas Agroecológicas. O objetivo é demonstrar os corredores agroecológicos como estratégias para a produção de alimentos e sementes voltadas ao manejo da agrobiodiversidade e sustentabilidade de pequenas propriedades familiares.

As Rotas Agroecológicas são organizadas pela Embrapa Cerrados (DF), em parceria com a Associação Camponesa Nacional (ACAN) e Movimento Camponês Popular (MCP) e a Central de Associações de Minis e Pequenos Produtores Rurais do Município de Catalão (CAMPPRMC). As atividades integram o projeto “Corredores agroecológicos como estratégias para produção de alimentos e sementes, focados no manejo da agrobiodiversidade e sustentabilidade de pequenas propriedades familiares – Agrobio II”, liderado pela pesquisadora Cynthia Torres, da Embrapa Cerrados.

No dia 27, a Fazenda Corinalves, no distrito de Santo Antônio do Rio Verde, vai sediar as atividades. Serão apresentadas a estratégia do projeto Agrobio II, o corredor agroecológico, a produção de sementes agroecológicas e melhoramento participativo de milho e feijão, além da atuação e as estratégias do MCP. A visita será finalizada com uma roda de diálogo.

Já no dia 28, na comunidade Barrinha, em Silvânia, haverá visita técnica ao corredor agroecológico implantado na propriedade da família Carvalho Lima, também com uma roda de diálogo ao final.

As inscrições serão feitas no dia e local do evento. Mais informações podem ser obtidas pelos telefones (61) 3388-9891 e 3388-9832, ou pelo e-mail cerrados.eventos@embrapa.br.

Programação

27/02/18: Visita técnica à Fazenda Corinalves – Comunidade Olhos d’Água, distrito de Santo Antônio do Rio Verde, Catalão - GO

9h30 – Recepção e credenciamento dos agricultores – Técnicos da ACAN (Associação Camponesa Nacional)/ MCP (Movimento Camponês Popular)

10h30 – Boas vindas - Jamil Corinto e Lucimar Alves – agricultores associados ao MCP e ACAN e proprietários da Fazenda

· Estratégia do projeto Agrobio II – Cynthia Torres (Embrapa Cerrados)
· Produção de sementes agroecológicas e melhoramento participativo de milho e feijão – Altair Machado (Embrapa Cerrados)
· Atuação e estratégias do Movimento Camponês Popular – Sandra Alves (MCP e ACAN)

10h50 – Lanche: degustação de produtos de milho – variedade Sol da Manhã

11h – Início das visitas às experiências:
· Corredor agroecológico – Cynthia Torres e Jamil Corinto
· Programa de desenvolvimento de sementes agroecológicas de milho e feijão – Altair Machado

14h – Almoço e Roda de Diálogo

16h – Encerramento do dia

28/02/18: Visita técnica à propriedade da Família Carvalho Lima – Comunidade Barrinha, Silvânia - GO

10h30 – Boas vindas – Sra. Benedita Carvalho, Adair dos Santos Lima e Joselina Maria R. S. Santos – agricultores associados ao MCP e ACAN e proprietários da Fazenda

11h – Visita ao Corredor Agroecológico – Adair Lima e Cynthia Torres

13h – Almoço e Roda de Diálogo

15h – Encerramento


PESQUISADOR DA EMBRAPA REPRESENTA O BRASIL NO BANCO DE SEMENTES DE SVALBARD, NORUEGA



12/11/2017

Arthur Mariante e pesquisadores de outros cinco países compõem o Painel Consultivo Internacional que vai apoiar a gestão do banco norueguês.

O pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia Arthur Mariante (FOTO) representa o Brasil no Painel Consultivo Internacional que vai supervisionar a gestão do do Banco Global de Sementes de Svalbard, situado na cidade de Longyearbyen, Noruega. Ele e pesquisadores de outros cinco países – Noruega, Itália, Marrocos, Filipinas e Bósnia e Herzegovina – se reunirão em fevereiro de 2018 na Noruega para comemorar o aniversário de 10 anos do Banco.

Mariante foi escolhido por sua experiência como presidente do Comitê Gestor do Portfólio de Recursos Genéticos para Alimentação, Agricultura e Bioindústria da Embrapa (Regen), que reúne ações de pesquisa em todas as regiões brasileiras voltadas à manutenção, enriquecimento e caracterização dos núcleos de conservação animal, coleções biológicas de microrganismos e bancos vegetais.

O Painel é composto por representantes de instituições que já depositaram material genético no Banco Global e outros públicos estratégicos. Os pesquisadores foram escolhidos pela capacidade de ancorar a missão do Banco, garantir o intercâmbio com outros bancos genéticos, fortalecer programas de recursos genéticos em seus países, além de prover consultoria científica de alta qualidade aos parceiros, em prol da gestão qualificada do banco nórdico.

A Embrapa já depositou no Banco Global 514 acessos de feijão (2014),  264 acessos de milho e 541 acessos de arroz (2012). A escolha dessas culturas agrícolas atende a uma das recomendações do Banco quanto à relevância para a segurança alimentar e agricultura sustentável. Além disso, são culturas que apesar de não serem originárias do Brasil, são cultivadas no País há séculos e, por isso, possuem características de rusticidade e adaptabilidade às condições nacionais.

Os outros membros do Painel Consultivo que representam bancos de genes depositantes são: Ahmed Amri, chefe do banco de genes no Centro Internacional de Pesquisa Agrícola em Áreas Secas (ICARDA, com sede em Marrocos);  Teresita Borromeo, chefe da Divisão de Recursos Genéticos de Plantas da Universidade das Filipinas; e Gordana Djuric, chefe do Instituto de Recursos Genéticos da Universidade de Banja Luka, na Bósnia e Herzegovina.

Além dos depositantes, faz parte também do Painel Ann Tutwiler, diretora-geral da Bioversity International, organização global de pesquisa sem fins lucrativos, com sede em Roma, Itália, e Kristin Børresen, diretora de comunicações da empresa norueguesa de melhoramento de plantas, Graminor.

A presidente do Conselho de Administração do Tratado Internacional sobre os Recursos Fitogenéticos para a Alimentação e a Agricultura (TIRFAA) deverá ser o sétimo membro e presidir as reuniões do Painel.

Parceiros do Ministério da Agricultura e da Alimentação da Noruega, do Fundo Global da Diversidade Agrícola, e do Nordic Genetic Resource Center (NordGen), que cooperam no financiamento, gestão e operações do Banco Global, participarão da reunião como observadores.

Banco norueguês garante ainda mais segurança para a conservação das sementes brasileiras

A conservação das espécies vegetais de importância alimentar é uma preocupação da Embrapa desde a sua criação em 1973. Prova disso é que a Empresa possui hoje o maior banco genético vegetal do Brasil e da América Latina, com mais de 120 mil amostras de sementes de cerca de 670 espécies agrícolas de importância socioeconômica conservadas a 20ºC abaixo de zero na Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia.

O envio de amostras para Svalbard é mais uma garantia de segurança, já que o banco nórdico é o mais seguro do mundo em termos físicos e ambientais. Além de estar situado dentro de uma montanha na cidade de Longyearbyen foi construído com total segurança para resistir a catástrofes climáticas (enchentes terremotos, aquecimento gradual, etc.) e até mesmo a uma explosão nuclear.
           
A caixa forte da Noruega

A caixa forte norueguesa tem capacidade para quatro milhões e quinhentas mil amostras de sementes. O conjunto arquitetônico conta com três câmaras de segurança máxima situadas ao final de um túnel de 125 metros dentro de uma montanha em uma pequena ilha do arquipélago de Svalbard situado no paralelo 780 N, próximo do Polo Norte.

As sementes são armazenadas a 20ºC abaixo de zero em embalagens hermeticamente fechadas, guardadas em caixas armazenadas em prateleiras. O depósito está rodeado pelo clima glacial do Ártico, o que assegura as baixas temperaturas, mesmo se houver falha no suprimento de energia elétrica. As baixas temperatura e umidade garantem a baixa atividade metabólica, mantendo a viabilidade das sementes por um milênio ou mais.

Embrapa

CURSO DA EMBRAPA MARCA UMA NOVA ERA NO CONTROLE BIOLÓGICO DE PRAGAS

28/10/2017

Demandado por produtores de diversos estados brasileiros, curso capacitou 22 pessoas na produção de bactérias importantes para o controle biológico de pragas.

Produtor em treinamento na produção de bactérias específicas 
para controle biológico de pragas agrícolas.
“A agricultura brasileira evoluiu uns cinco anos a partir desse curso”. Assim o produtor Gleyciano Vasconcellos, de Rio Brilhante, MS, avaliou o curso “Produção de Bacillus thuringiensis: da bactéria ao produto”, promovido pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia no período de 23 a 27 de outubro de 2017. Ele e outros 21 agricultores de seis estados brasileiros – MS, BA, MT, GO, MG e RS – foram capacitados na produção de bactérias utilizadas no controle biológico de insetos. Para a pesquisadora Rose Monnerat, que coordenou o curso, esse evento inicia um novo marco no controle biológico de pragas e comprova uma mudança de paradigma no Brasil, já que a demanda veio dos próprios produtores, que buscam formas alternativas de controle de pragas para reduzir o uso e a dependência de agrotóxicos.

As bactérias utilizadas no controle biológico de insetos são entomopatogênicas, o que significa que são específicas para controlar os insetos-alvo e inofensivas à saúde da população, animais e meio ambiente. Dentre elas, a mais conhecida é o Bt (Bacillus thuringiensis), usada há mais de quatro décadas em programas de controle biológico em todo o mundo, com o aval da Organização Mundial da Saúde (OMS), que a recomenda até mesmo na água para consumo humano. O Bt é mais eficaz contra mosquitos transmissores de doenças e lagartas, mas existem muitas outras espécies de bactérias com potencial para controlar pragas que atacam culturas de importância para o agronegócio brasileiro, como soja, arroz e feijão, entre outras.

O MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) aprova a produção dessas bactérias nas propriedades rurais. Mas, segundo Gleyciano, havia uma necessidade de agregar qualidade ao processo de produção on farm realizado nas fazendas. O curso da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia foi o primeiro no Brasil a capacitar os produtores na realização do controle de qualidade do material produzido, incluindo detecção de contaminantes, formas de multiplicação das bactérias, melhorar a qualidade da conservação dos microrganismos, entre outras técnicas.

“Muitos agricultores já estão produzindo essas bactérias em suas fazendas, mas acham que estão fazendo atividades ilegais e que a qualquer momento podem sofrer retaliações técnicas oficiais”, explica o produtor de Mato Grosso. “O curso nos ofereceu segurança para continuarmos com as práticas de controle biológico em busca de uma agricultura mais sustentável”, comemora.

Novo paradigma na agricultura brasileira

Para a pesquisadora Rose Monnerat, o curso comprova uma mudança de paradigma na agricultura brasileira. “A demanda pelo uso de práticas mais saudáveis está vindo do setor produtivo para a pesquisa”, ressalta. Segundo ela, as conclusões do curso serão apresentadas ao MAPA para aperfeiçoar as normas que regulamentam a produção de bactérias on farm.

A mudança de comportamento em relação aos agrotóxicos é resultado de uma série de fatores, como explicam os agricultores presentes ao curso, entre os quais destacam-se: a produção de alimentos mais saudáveis e a diminuição da dependência das multinacionais.

Outro participante do curso, Renato Goulart, sofreu na pele os efeitos dos agrotóxicos. Produtor de soja, milho e feijão em Goiás, ele teve uma polineuropatia (doença neurológica dos nervos periféricos) causada pelo uso contínuo desses produtos. Hoje, Renato e sua família estão empenhados na produção de bactérias entomopatogênicas para controlar pragas. “O curso me ajudou muito com a disseminação de técnicas e conceitos que vão permitir aumentar a produção dos microrganismos e o que é melhor: com segurança”, afirmou.

Segundo Rose, o controle biológico vem crescendo muito no Brasil, mas o medo da ilegalidade faz com que muitos produtores não se manifestem, o que indica que esse crescimento deve ser ainda maior do que se imagina.

Esse é o primeiro de uma série de muitos cursos que a pesquisadora e sua equipe pretendem ministrar daqui para frente. “A busca por uma agricultura mais saudável é uma tendência em expansão no Brasil. Nós, como representantes da pesquisa pública, temos que incentivar essa realidade e unir forças com o setor produtivo para apoiar a ampliação de práticas sustentáveis, agregando conhecimento científico aos processos desenvolvidos pelos agricultores em suas propriedades rurais”, finaliza.

            “Com o curso, a pesquisadora Rose Monnerat e sua equipe deixam um legado para a agricultura brasileira”, ressalta Gleyciano.

ANÁLISE GENÉTICA REVELA SEGREDOS DA CRIATURA MAIS RESISTENTE DO MUNDO

Para pesquisadores, tardígrados estão mais próximos das minhocas do que dos insetos 
(Foto: Kazuharu Arakawa and Hiroki Higashiyama)
01/08/2017

Por G1 Natureza

Conhecidos como ursos d'água, os tardígrados são capazes de sobreviver à radiação, ao congelamento, à desidratação extrema e até mesmo ao vácuo do espaço

Uma análise genética dos tardígrados revelou alguns segredos sobre suas notáveis habilidades de sobrevivência.

As criaturas microscópicas - também conhecidas como ursos d'água - são capazes de sobreviver à radiação, ao congelamento, à desidratação extrema e até mesmo ao vácuo do espaço.

Em estudo publicado na revista científica PLOS Biology, pesquisadores decodificaram o DNA de duas espécies de tardígrados e descobriram os genes que permitem a esses seres se regenerarem após a dessecação.

Com apenas um milímetro ou menos de tamanho, os tardígrados são considerados as criaturas mais resistentes na Terra. Uma pesquisa recente descobriu que eles sobreviveriam a quase todos os desastres cósmicos que poderiam atingir o planeta.

Esses animais são encontrados geralmente em locais que secam, como pântanos e lagos. Ao longo do tempo, eles adquiriram a habilidade de sobreviver à desidratação extrema e voltar à vida anos mais tarde, ao ter contato com a água.

Nesse novo estudo, cientistas descobriram que a chave para a sobrevivência dessas criaturas está na genética.

Em condições de seca, alguns genes dos tardígrados são acionados para produzir proteínas que substituem a falta de água nas células. Uma vez que a água está disponível novamente, as células são recarregadas, dissolvendo as proteínas.

De acordo com os pesquisadores, entender essa capacidade inata de sobrevivência dos tardígrados pode trazer benefícios para os seres humanos, como permitir que vacinas vivas sejam distribuídas em todo o mundo e armazenadas sem refrigeração.

"Os tardígrados, com suas habilidades incríveis, podem nos oferecer novas maneiras de lidar com problemas do mundo real, como o transporte de vacinas", afirma Mark Blaxter, coautor do estudo e professor da Universidade de Edimburgo, na Escócia.

Mais próximo de quem?

Decifrar o modelo de DNA dessas criaturas resistentes também permitiu que a equipe avançasse em uma antiga polêmica. Os tardígrados são mais próximos dos insetos, das aranhas e seus parentes ou das minhocas?

Sua aparência curiosa, com oito pernas e garras, indica uma semelhança maior com os insetos do que com as minhocas, mas a análise genética diz o contrário.

Os genes HOX controlam o desenvolvimento da cabeça e da cauda, além do posicionamento dos membros.

A maioria dos animais tem dez desses genes, mas os tardígrados apresentam apenas cinco, assim como a maioria das minhocas.

É improvável que isso seja uma coincidência - o que sugere que eles têm mais afinidade com as minhocas.

"Foi uma surpresa que não esperávamos", disse Blaxter.

"Sou fascinado por esses animais minúsculos e encantadores há duas décadas. É maravilhoso finalmente ter seus verdadeiros genomas e começar a compreendê-los", acrescenta.

Os cientistas também descobriram um conjunto diferente de proteínas que podem proteger o DNA dos tardígrados, o que talvez explique como essas criaturas podem sobreviver à radiação.

Cientistas desvendam o misterioso zumbido dos 'peixes cantores'

Peixe do gênero Porichthys, com fotóforos luminescentes - órgãos que emitem luz
Foto: Andrew Bass

24/09/2016

Para pesquisadores americanos, "serenata noturna" de peixes-sapo pode ajudar a explicar comportamentos de comunicação sonora em outras espécies.

Quando donos de navios escutaram um zumbido submarino grave e monótono na Califórnia dos anos 1980, a princípio pensaram se tratar de bombas de esgoto, experimentos militares e até extraterrestres.

O curioso som noturno era, na verdade, o chamado de acasalamento de peixes do gênero Porichthys - um peixe-sapo que se esconde sob a areia durante o dia e flutua logo acima dela à noite.

Mas a explicação de por que o canto só era ouvido pela noite permanecia um segredo biológico que só agora os cientistas conseguiram desvendar.

Para achar as respostas, os pesquisadores das universidades americanas de Cornell e Yale fizeram experimentos com os peixes em laboratório - as conclusões foram detalhadas na publicação científica "Current Biology".

Segundo eles, o zumbido ritmado e constante dos Porichthys é controlado por um hormônio que também regula o sono e o relógio biológico em diversos seres vivos, inclusive nos humanos - a melatonina.

Para ilustrar essa relação, os pesquisadores primeiro mantiveram os peixes sob luz constante - essa ação praticamente quase suprimiu o zunido dos animais.

Machos da espécie cantam para atrair fêmeas aos ninhos que ele constrói 
Foto: Andrew Bass

Mas quando os cientistas administraram um substituto da melatonina aos peixes, eles voltaram a "cantar", porém em horas aleatórias e de forma desritmada.

"A melatonina age como um sinal verde para o canto noturno dos Porichthys", disse o coordenador da pesquisa, Andrew Bass, do Departamento de Neurobiologia e Comportamento da Universidade de Cornell.

'Peixes cantores'

Bass conta que, embora o canto dos Porichthys já fosse conhecido antes, o interesse nessa espécie aumentou a partir de um estudo de 1924 de Charles Greene, que se referiu a eles como "peixes cantores".

"Descobrimos que as fêmeas também podem emitir sons, mas apenas os machos territoriais é que constroem ninhos, e produzem o zunido para atrair as fêmeas para esses ninhos", disse o pesquisador.
Limitar o seu canto à noite provavelmente traz benefícios para os peixes - a serenata noturna pode pegar as fêmeas em seu momento mais receptivo, ou quando há menos chance de ser ouvida por um de seus predadores.

O estudo também sugere que melatonina pode ter um papel fundamental em todo o gênero vertebrado.

Identificar um peixe com comportamento tão intrinsecamente ligado ao relógio biológico indica que esse circuito cerebral evolui desde os nossos ancestrais aquáticos mais primitivos.

"Nosso estudo mostra que os peixes cantores podem ser um modelo útil para estudar hormônios e comportamentos de comunicação vocal relacionados à reprodução em diversas espécies de vertebrados", disse Ni Feng, de Yale.

Fonte: G1 Natureza


Gelo do Mont Blanc: uma mina de informações sobre o clima

(Junho) Vista do Mont Blanc, nos Alpes franceses - AFP/Arquivos

13/07/2016

A ideia de armazenar amostras de geleiras na Antártida pode parecer estapafúrdia, mas é este o objetivo de uma equipe de pesquisadores que, em agosto, extrairá gelo do Mont Blanc, ameaçado pelo aquecimento global.

“O gelo é um poço de informação”, explica à AFP Jérôme Chappellaz, diretor de pesquisa no Laboratório de Glaciologia e Geofísica do Meio Ambiente (LLGE) de Grenoble, no sudeste da França.

Com suas bolhas de ar e impurezas, as geleiras carregam informações valiosíssimas sobre as condições atmosféricas de séculos ou inclusive milhares de anos atrás.

Foi assim que os glaciologistas conseguiram estabelecer o vínculo entre as temperaturas e os gases do efeito estufa. Nas geleiras do Mont Blanc, os pesquisadores poderão estudar, em particular, a evolução da poluição ou da atividade industrial em nível europeu ao longo de cem anos.

Exemplo desta informação armazenada no gelo, afirma Chappellaz, é o pico de césio 137 detectado em abril de 1986, após a catástrofe de Chernobyl.

No total, doze especialistas franceses, italianos e russos passarão vários dias a 4.300 metros de altitude em um maciço dos Alpes franco-italianos para extrair três barras de gelo de 140 metros de comprimento.

Estas amostras, de várias toneladas, serão depositadas em caixas isolantes. Uma delas será analisada no laboratório de Grenoble para constituir uma base de dados aberta a todos os cientistas.

As outras duas amostras irão para a base franco-italiana de Concordia, na Antártica, em 2019 e 2020.

Na primeira metade de 2017 está prevista outra operação similar na geleira boliviana de Illimani, a 6.300 metros de altitude, em condições muito mais difíceis.

O objetivo é conservar durante séculos “a memória do gelo”, uma “matéria prima” extremamente valiosa para os cientistas.

Corrida contra o tempo

Chappellaz aponta a possibilidade de detectar muitas outras coisas dentro de várias décadas graças ao desenvolvimento tecnológico. E fornece como pista de trabalho a possibilidade de pesquisas futuras sobre as mutações dos vírus ou das bactérias, presos no gelo.

A dificuldade está no fato de que as geleiras evoluem e se fundem tão rápido que as situadas a menos de 3.500 metros de altitude desaparecerão antes do fim do século XXI nos Alpes.

Nos Andes, a geleira de Chacaltaya, na Bolívia, situada a 5.300 metros, desapareceu em 2009.

“Neste ano se fundiu gelo a 6.000 metros de altitude no Illimani, devido ao fenômeno do El Niño”, destaca Patrick Ginot, do Instituto Francês de Pesquisa para o Desenvolvimento, e um dos promotores do projeto.

Em cinquenta anos, “talvez existam as ferramentas necessárias para analisar, mas pode ser que já não tenhamos as amostras de gelo”, teme Jérôme Chappellaz.

Nos próximos dez anos, os glaciologistas esperam extrair vinte amostras de todos os continentes. O conjunto destas será conservado em uma cova de neve em Concordia, “um congelador natural a -50ºC”, a salvo de problemas elétricos.

Fonte: ISTOÉ

Pesquisadores descobrem anticorpos capazes de 'neutralizar' zika vírus



25/06/2016

Pesquisadores europeus anunciaram nesta quinta-feira que encontraram "poderosos" anticorpos que são capazes de "neutralizar" o zika vírus, uma descoberta que abre caminho para uma vacina contra esse patógeno que está relacionado a uma série de problemas de saúde.

Os anticorpos permitiram "neutralizar eficientemente" o zika e o vírus da dengue em testes com células humanas realizados em laboratório, o que "poderia levar ao desenvolvimento de uma vacina universal" que protegeria contra as duas doenças, indicaram os pesquisadores na revista científica Nature.

Esta descoberta coincide com um outro estudo, também publicado nesta quinta-feira, que sugere que a recente explosão de casos de zika vírus na América Latina poderia ter sido favorecida por uma pré-exposição à dengue.

Os dois vírus têm vários aspectos em comum. Pertencem à família dos flavovírus, transmitidos especialmente por mosquitos.

Pesquisadores do Instituto Pasteur de Paris, do Centro Nacional para a Pesquisa Científica (CNRS) francês e do Imperial College de Londres, que já estudavam os anticorpos capazes de combater a dengue, passaram a analisar igualmente o zika vírus.

Eles selecionaram dois anticorpos EDE capazes de deter a dengue e descobriram que um deles era particularmente eficaz para neutralizar o vírus da zika.

A descoberta, segundo Félix Rey, responsável pelo laboratório de virologia estrutural do Instituto Pasteur, que dirigiu o estudo, foi "totalmente inesperada".

A partir daí, com diversas técnicas, os pesquisadores conseguiram reconstituir o local preciso onde este anticorpo se fixa sobre a proteína que envolve o zika vírus e descobriram que o local de fixação era o mesmo do vírus da dengue.

"Esta descoberta permite trabalhar na produção de uma vacina de proteção contra todos os vírus do grupo", afirmam os pesquisadores no estudo.

De acordo com Juthathip Mongkolsapaya, outro pesquisador, trata-se dos "primeiros anticorpos muito poderosos" descobertos contra o zika, um vírus considerado por muito tempo como pouco perigoso.

Mas a epidemia que atinge os países da América do Sul, especialmente o Brasil, revelou estar associada a graves anomalias no desenvolvimento cerebral, principalmente à microcefalia - malformação que se caracteriza por um tamanho abaixo da média da cabeça de bebês de mães infectadas com o zika.

No Brasil, o país mais afetado, foram registrados 1.616 casos de microcefalia desde o início da epidemia de zika, em outubro passado, segundo dados do Ministério da Saúde.

A zika está associada, ainda, a complicações neurológicas, como a síndrome de Guillain-Barré, que pode causar paralisia e levar à morte.

Na quarta-feira, pesquisadores da USP em Ribeirão Preto publicaram um estudo revelando que o vírus da zika também causa uma inflamação ocular grave em adultos, chamada uveíte, cujas complicações incluem glaucoma e catarata. Até então, acreditava-se que o vírus só causasse inflamações superficiais, como a conjuntivite.

Em fevereiro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou uma "emergência de saúde pública de nível internacional" em razão do aumento de casos de infecção pelo zika vírus em vários países e das complicações associadas à doença.

Até o momento não existe nenhuma vacina contra o zika, ao contrário da dengue, que já dispõe de uma vacina desenvolvida pelo laboratório francês Sanofi.

A dengue, que assim como o zika é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, está em plena expansão em regiões tropicais e subtropicais do planeta, onde cerca de 400 milhões de pessoas são contaminadas por ano.

Os sintomas da dengue incluem febre, dor de cabeça, náusea, vômito e dor muscular.

Zika agravado pela dengueOutro estudo, realizado pelos mesmo pesquisadores e também publicado nesta quinta-feira pela revista Nature Immunology, revela que a maioria dos anticorpos produzidos por pessoas infectadas pela dengue podem aumentar a potência da zika.

Isso significa que uma exposição anterior ao vírus da dengue "pode acentuar a infecção pelo zika", disse Gavin Screaton, Imperial College, um dos autores do estudo.

"Este pode ser o motivo pelo qual o surto atual é tão severo, e porque ele aconteceu em áreas onde a dengue é prevalente", como a América Latina, completa o pesquisador.

A descoberta mostra a importância de que uma futura vacina contra o zika utilize os anticorpos corretos, disse Rey.

No entanto, ressalta o pesquisador, ainda há muito trabalho por diante, como a realização de uma pesquisa clínica, que pode levar muito tempo.

Em relação à vacina do Sanofi, que combate as quatro variedades existentes da dengue, Rey afirma que esta "teria que ser modificada para poder ser utilizada contra o zika".

Segundo Jeremy Farrar, diretor da organização britânica Wellcome Trust, que apoiou financeiramente ambos os estudos, ainda "há mais perguntas que respostas" sobre o zika e o grupo de vírus que inclui a dengue.

Resta saber, por exemplo, porque o vírus da zika no sudeste asiático e na África, onde está presente há muito tempo, não se desenvolveu da mesma forma que na América do Sul.

Fonte: UOL


"Aranha voadora" é descoberta na Floresta Amazônica

Foto: Marshal Hedin / Wikimedia Commons / Reprodução

21/08/2015

Pesquisadores observaram que espécie conseguia pousar em troncos após ser jogada do topo das árvores

Se as aranhas já eram assustadoras apenas escalando paredes e se pendurando em teias, as coisas acabam de piorar para os aracnofóbicos. Segundo informações do IFL Science , pesquisadores descobriram na Floresta Amazônica uma espécie que também consegue “voar”.

De acordo com a descoberta, publicada nesta semana pelo Journal of the Royal Society Interface , as aranhas da espécie Selenops , também apelidadas de “flatties” por causa de seus corpos planos, usam suas pernas estendidas para “manobrar” sua descida em troncos de árvores sem usar nenhum tipo de apoio, como sua seda, por exemplo.

Ainda não havia nenhum registro que as aranhas tinham tal habilidade. Os pesquisadores acreditam que os aracnídeos usem a técnica porque os troncos são ambientes mais seguros que os solos.

Por anos os cientistas procuraram insetos que fossem capazes de planar. Para testar a espécie Selenops , eles revestiam as aranhas de pó fluorescente e as jogavam do alto das árvores, monitorando sua descida. Das 59 “participantes”, 93% conseguiram manobrar sua “aterrissagem” até um tronco.

Os aracnídeos parecem usar técnicas não muito diferentes dos paraquedistas em seus voos, colocando as cabeças à frente e usando seus membros para direcionar o pouso.

Então melhor olhar por todas as direções caso decida se aventurar na Floresta Amazônica.

Fonte: Terra


No AC, pesquisadores transformam óleo de cozinha em biodiesel

Projeto é desenvolvido pela Divisão de Tecnologia de Energia de Fontes 
Renováveis (Diter), da Funtac. (Foto: Caio Fulgêncio/G1)

04/08/2015

Combustível foi testado em carro durante sete meses no ano passado. 
Pesquisa é encabeçada pela engenheira florestal Nadma Farias.

Pesquisadores da Fundação de Tecnologia do Estado do Acre (Funtac) desenvolvem um projeto de produção de biodiesel com a utilização de óleos residuais de fritura descartados pelos restaurantes do Via Verde Shopping, em Rio Branco. Os testes do combustível foram feitos no ano passado. Atualmente, a Funtac negocia parcerias com o empresariado para uma produção em maior escala.

A coordenadora da Divisão de Tecnologia de Energia de Fontes Renováveis (Diter), Nadma Farias, explica que, apesar do trabalho com biodiesel não ser novo, o uso do óleo de cozinha é mais complicado, devido aos tipos de fritura feitas nos estabelecimentos. Após os estudos, o combustível foi testado em um veículo da própria fundação durante sete meses. Foi usada uma mistura de 20% do biodiesel.

"Existem vários tipos de óleo, porque tem restaurante que frita frango, outro bife ou batata frita. Esse material fica com resíduos e é preciso filtrar e, muitas vezes, corrigir a acidez. Mas conseguimos um bom resultado e, entre maio e novembro de 2014, usamos em um carro que percorreu 11.283 km. O veículo não mostrou nenhum tipo de diferença. É um projeto fantástico", diz.

Nadma defende que a produção do biodiesel com resíduos de óleo de cozinha representa a solução para o problema do descarte desse material que, anteriormente, era feito de forma errada, pela pia, direto no meio ambiente. Além disso, acaba sendo uma opção ao uso dos combustíveis não-renováveis. "Não usar combustíveis fósseis é trabalhar com biodiesel, etanol, e esse é o caminho que vamos seguir", diz.

Responsável pela pesquisa, Nadma Farias defende que a produção do biodiesel 
representa solução para o descarte do óleo (Foto: Caio Fulgêncio/G1)

Para calcular o custo da produção, segundo a pesquisadora, é necessário levar em consideração o modelo escolhido, as condições de coleta e transporte do óleo. Para os 322 litros produzidos no projeto, Nadma diz que o litro ficou equivalente ao comercializado. No entanto, ela acredita que a margem de lucro pode ficar maior quando a produção for intensificada.

Como a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), diz Nadma, permite que até 30 mil litros produzidos podem ser utilizados para consumo próprio, a ideia é conseguir fazer parcerias também com empresas de ônibus ou frotas de táxi.

"Nos cálculos, de acordo com a realidade da Funtac, a estimativa tem um equilíbrio, não está além nem abaixo do mercado. Mas somos pesquisadores, quando o interessado colocar para funcionar, será diferente. É um projeto que tem tudo para dar certo", acrescenta.

Por isso, para este ano, a responsável pelo projeto diz a ideia é fazer a concessão do equipamento existente na Funtac. "Temos o equipamento na Funtac e queremos fazer a concessão. Por isso, estamos buscando novos parceiros, juntamente com o shopping, para ampliar o projeto. Podemos trabalhar também com outros restaurantes. Estamos já em negociações. O projeto tem vários desafios, mas aí entram os parceiros", finaliza.

Os estudos realizados na Funtac foram premiados. No ano passado, os pesquisadores submeteram um artigo sobre o assunto ao Congresso Nacional de Bioenergia e foram selecionados, dentre outros mais de 300 trabalhos, conclui Nadma.

Funtac quer fazer concessão de maquinário utilizado na produção do 
biocombustível (Foto: Caio Fulgêncio/G1)
Fonte: G1


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