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PROJETO TRANSFORMA RESÍDUOS DESCARTADOS E COMERCIALIZA EM BAZAR A PREÇOS POPULARES

27/12/2019

Quando eu estava andando pelas ruas de Salvador, fiquei observando um certo aparelho sendo colocado numa carroceria de um veículo, e logo percebi que tratava-se de vários materiais usados. Rapidamente capturei uma foto da instituição e telefone. 

Pesquisei pela internet para saber mais do projeto social e fiquei sabendo sobre a Economia Circular.

Segue a matéria na íntegra:


Móveis e outros objetos são recuperados e revendidos (Marina Silva/Correio)

Por Perla Ribeiro -  Correio 
Publicado em 13.08.2018

Economia circular é um dos temas do Agenda Bahia 2018

Até ser entrevistado para essa reportagem, o coordenador do projeto social Emaús Novos Alagados, Jerry Uilson Magalhães, nunca tinha ouvido falar em Economia Circular. O termo podia ser desconhecido para ele, mas Jerry coloca isso em prática há cinco anos. Todas as terças e quintas-feiras, dois caminhões saem da sede do projeto, em São João do Cabrito, no Subúrbio Ferroviário, e rodam a cidade para buscar objetos que seriam descartados.

Voltam carregados de tudo quanto é coisa: roupas, livros, brinquedos, móveis, TVs, som, geladeira, fogão... Algumas peças estão quebradas. Outras, só estão velhas. Mas, ali, nada se perde.  Assim como propõe a Economia Circular, eles transformam resíduos em produtos.

Por isso, tudo que é arrecadado vai parar em oficinas, onde, com auxílio de técnicos de diferentes áreas, jovens da comunidade aprendem a reparar os objetos e deixá-los prontos para ganhar um novo dono. Não é a toa que o slogan deles é: “O que não serve para você é útil para nós e a natureza agradece”. Depois de repaginados, os produtos são vendidos a preços populares em um bazar mantido na sede do projeto, que acontece todos os sábados, das 9h às 12h. 

Objetos doados são recuperados em oficina (Marina Silva / Correio)

A renda obtida ajuda a manter outras duas crias deles: uma creche comunitária, que atende a 30 crianças 6 meses a 4 anos e uma escola com 85 alunos do pré ao 5º ano. Com as doações eles conseguem fazer, em média, 40 vendas por semana. Após pagamento dos custos com as reformas e pagamento de pessoal, sobram entre R$ 3 mil a R$ 4 mil por mês para investir nos projetos educacionais. Isso é possível porque eles contam com uma rede de 200 a 250 doadores fixos e um número ainda maior de pessoas que fazem doações aleatoriamente.  

Segundo Jerry, as pessoas chegam até eles através de campanhas itinerantes e também da divulgação boca a boca. “O projeto surgiu de uma necessidade nossa. Já fazíamos isso, mas de forma esporádica, mas foi chegando coisas maiores e não tínhamos espaço, foi então que vimos a necessidade de criarmos algo mais estruturado”.

Saiba mais
Economia Circular:  Estabelece uma mudança na lógica de produzir, consumir e transformar resíduos em produtos. 
Ganhos ambientais: Redução de insumos (matéria- prima natural e energia), redução de resíduos
e emissões
Dose dupla

Se por um lado eles sentem que cumprem seu papel de ajudar esse mundo a ser mais sustentável, por outro, quem faz doações se sente recompensado duplamente. É que, além de saber que está colaborando para a redução de resíduos, se vêem livre de algo que não lhe servia mais e sem fazer muito esforço para isso. O único trabalho é  ligar no telefone do projeto (3401-5888) e agendar a coleta.

O administrador Dilson Moura Costa, 55 anos, por exemplo, é um dos colaboradores assíduo. “Sou um defensor da natureza, não gosto de jogar nada fora. É bom saber que o que não serve mais para mim vai ser recuperado e vendido para angariar recursos para a comunidade. Já fui lá conhecer, é um trabalho sério. Toda vez que tenho algo para doar, chamo eles”, diz. Na lista das doações entra beliche, máquina de lavar, micro-ondas, ferro de passar, armário de cozinha, discos, sobras de material de construção.

“Ao mesmo tempo que  contribuo com eles para que o objeto ganhe uma nova utilidade, também saio ganhando. Uma vez comprei um armário novo e, para desmontar o velho, teria que pagar R$ 150. Chamei, eles vieram, desmontaram e levaram o armário, que ainda serviu depois para outra pessoa. Todos ganhamos com isso”, destaca.

Quem também nunca ouviu falar de Economia Circular, mas tem tirado muito proveito dela, é a dona de casa Eliaci Santos Vera Cruz, 40 anos. Ela é uma das clientes assíduas do bazar realizado pelo projeto social Emaús Novos Alagados.

Eliaci conta que vai juntando todo dinheirinho que consegue guardar e, sempre que chega novidades, o pessoal avisa e ela vai conferir. “Já comprei colchão de casal, de solteiro, sofá. Minha casa toda é do bazar. E são coisas boas e semi-novas, que se fosse comprar em loja teria que pagar caro. Meu sofá de canto mesmo, todo mundo que vem aqui em casa  diz que é lindo, e eu fico me sentindo”, diz, com graça.

Para que serve a economia circular?
Ganhos sociais:   Oportunidades para novos postos de trabalho,  novos usos na cadeia produtiva, desperta o senso de comunidade, cooperação e participação, estimula o consumo compartilhado e não individualizado;
Ganhos econômicos:   Redução de perdas e desperdícios, geração de novos mercados por conta do valor dos recursos renováveis

Workshop reuniu especialistas e representantes da sociedade civil 
(Foto: Arisson Marinho/Correio)


Cidade pode receber centro de excelência

A Cátedra Unesco de Sustentabilidade quer criar um centro internacional de excelência em Economia Circular e Sustentabilidade e Salvador está entre uma das cidades cotadas para recebê-lo. A informação foi divulgada durante o workshop Economia Circular: Ecossistemas para as Cidades do Futuro, que aconteceu no seminário Sustentabilidade do Agora, no Fórum Agenda Bahia 2018, pelo professor da Ufba e pesquisador associado da Cátedra Unesco de Sustentabilidade, Paulo Gomes. “Para concretizar isso,  precisamos de apoios. Se juntarmos todos nesse propósito, a chance de acontecer será maior”.

No workshop, capitaneado por Adriana Campelo, diretora de Resiliência da prefeitura de Salvador e Chief Resilience Officer - CRO da iniciativa 100 Resilient Cities (100 Cidades Resilientes) da Fundação Rockefeller, especialistas trouxeram exemplos do que tem sido feito para alavancar a Economia Circular. “A gente precisa ser engenhoso, criativo, ver que recursos a gente pode usar”, disse Adriana.

Divididos em grupos, os participantes do workshop lançaram propostas para mudar a lógica de produção, consumo e transformação de resíduos na capital baiana (veja abaixo). Parte dessas ideias será incorporada ao Plano de Resiliência de Salvador, que tem precisão de ser lançado em dezembro.

Ideias propostas no workshop:
>>Tornar  a escola um espaço vivo para se pensar a Economia Circular
>>Regulamentação  das diretrizes para o fortalecimento da Economia Circular
>>Criação  de um comitê de sustentabilidade para fiscalizar as empresas
>>Estímulo  ao consumo de produtos de empresas que façam reciclagem ou reuso de embalagens
>>Implantação  de micro-centros de compostagem e reciclagem nos bairros de Salvador
>>Fomentar  projetos com foco em tecnologia de processamento de resíduos
>>Criação  de centros de logística reversa para o consumidor deixar objetos quando for comprar um novo

O subsecretário municipal da Cidade Sustentável e Inovação (Secis), João Hersh destacou que Salvador gera 3 mil toneladas de resíduos por dia. “A cidade tem que começar a mudar a forma de lidar com isso. Todo material descartado pelo cidadão teria que retornar para o distribuidor, fornecedor ou indústria, numa lógica reversa. Mas para isso, é preciso que cada um assuma a sua responsabilidade nesse processo. Tem que haver engajamento setoriais” defendeu. 

Já o vice-diretor regional para a América Latina do C40, Ilan Cuperstein, foi mais além. Ele disse que há uma estimativa de que para cada quilo de resíduo que a gente descarta, são 70 quilos que estão sendo descartados com ele em toda a cadeia, desde o início da produção até o descarte geral. “Isso torna ainda mais crucial pensar em como não gerar resíduos e gerar recursos. É preciso parar de pensar em resíduos e pensar em gestão recursos”, defendeu.

Apesar de ponderar o impacto dos resíduos no meio ambiente, Cuperstein ressaltou que a Economia Circular não se resume a gestão de resíduos. “É uma mudança muito mais profunda de paradigmas, do que só olhar como uma  gestão mais eficiente dos resíduos. Apesar de que, uma gestão mais eficiente dos resíduos começa com uma mudança mais estrutural de como a cidade está organizada”. 

Já a gerente de Eficiência do Grupo Neoenergia, Ana Mascarenhas, citou o projeto Vale Luz, que troca resíduos por desconto na conta de energia. “Todo resíduo é passado para a cooperativa e é ela que paga o consumidor. A gente conseguiu que comunidades populares zerem a conta de luz”.

O Fórum Agenda Bahia 2018 é uma realização do CORREIO, com patrocínio da Revita e Oi, e apoio institucional da Prefeitura de Salvador, Federação das Indústrias da Bahia (Fieb), Fundação Rockefeller e Rede Bahia.

Fonte: Correio


LOGÍSTICA REVERSA DE EMBALAGENS DE AÇO ENTRA EM VIGOR

Embalagens recolhidas deverão ser encaminhadas a cooperativas ou empresas do 
comércio atacadista do setor  - Crédito: Gilberto Soares/MMA

27/12/2018

Termo publicado nesta quinta-feira formaliza compromisso para garantir destinação final ambientalmente adequada de embalagens de tintas imobiliárias e alimentos.

O Termo de Compromisso para Implantação do Sistema de Logística Reversa de Embalagens de Aço foi publicado nesta quinta-feira (27) no Diário Oficial da União. As normas já estão valendo e têm como objetivo garantir a destinação final ambientalmente adequada das embalagens de aço. Prevista pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, a logística reversa permite a destinação final ambientalmente adequada das embalagens, após o uso pelo consumidor.

Com a assinatura do termo de compromisso do setor, as embalagens recolhidas, tanto as de alimentos quanto as de tintas imobiliárias, deverão ser encaminhadas prioritariamente a cooperativas ou empresas do comércio atacadista de resíduos e sucatas metálicas, ou aos Centros/Entrepostos Prolata de Reciclagem, ou ainda diretamente à indústria siderúrgica. Além disso, deverão ser seguidas metas similares ao Acordo Setorial de Embalagens em Geral. 

“Esse termo, assinado em 21 de dezembro deste ano e publicado hoje, dá continuidade ao previsto no Edital que resultou no Acordo Setorial para Implantação do Sistema de Logística Reversa de Embalagens em Geral, assinado em 2015, ampliando a destinação final ambientalmente adequada das embalagens em geral pela gestão daquelas de aço”, explicou Zilda Veloso, diretora de Qualidade Ambiental e Gestão de Resíduos do MMA.

São signatárias do Termo de Compromisso, pelo setor empresarial, as empresas associadas à PROLATA Recicladores Associados, à Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (ABRAFATI), à Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (ANAMACO) e à Associação Brasileira de Embalagens de Aço (ABEAÇO).

ESTÍMULO

Com o objetivo de inserir esse conceito e implantar o sistema de logística reversa das embalagens de aço, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) colocou em consulta pública a minuta do Termo de Compromisso, em novembro de 2017, antes da assinatura e homologação. A proposta busca estimular o consumidor a efetuar a separação e o descarte adequado das embalagens de aço, reduzindo a quantidade de material nos aterros e possibilitando a reciclagem.

A previsão do MMA é recolher, em até 36 meses depois da formalização do compromisso, pelo menos 148 toneladas de embalagens de aço por dia, ampliando em quase 15% as atuais taxas de reciclagem no pós-consumo.

A gestão ineficiente e inadequada dos resíduos gera vários danos ambientais que comprometem a preservação da natureza e a saúde humana. A geração de resíduos é proporcional ao aumento do número de habitantes. Por isso, com o passar dos anos, as empresas e o governo encontram cada vez mais dificuldades para implantar, ordenar e gerenciar os resíduos.

SAIBA MAIS

A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), no artigo 33, estabelece que fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes são obrigados a estruturar e implementar sistemas de logística reversa, mediante retorno dos produtos depois do uso pelo consumidor, de forma independente do serviço público de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos.

Dessa forma, a logística reversa permite que todos esses setores envolvidos realizem a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada.

O artigo 33 também prevê que o sistema de logística reversa será estendido a produtos comercializados em embalagens plásticas, metálicas ou de vidros, e aos demais produtos e embalagens, considerando prioritariamente, o grau e a extensão do impacto à saúde pública e ao meio ambiente dos resíduos gerados.

Por: Rogério Ippoliti/ Ascom MMA



PARCERIA COM COOPERATIVA TESTARÁ EFICIÊNCIA DE BIOMANTA DE COCO



14/11/2018

A Embrapa Tabuleiros Costeiros (Aracaju, SE) celebrou nesta quarta (14) com a Cooperativa da Produção Sustentável Familiar de Sergipe (Coopersus) um acordo de parceria para cooperação técnica com foco no teste de eficiência da biomanta feita com a fibra da casca de coco em cultivos de hortaliças e frutas.

O chefe-geral da Unidade da Embrapa, Marcelo Fernandes, recebeu o presidente da Coopersus, José da Paixão Santos, na sede em Aracaju para assinatura do termo, que terá vigência de cinco anos, podendo ser prorrogado por consenso das partes por meio de termo aditivo.

De acordo com o termo, a Embrapa e a Coopersus atuarão em regime de cooperação para determinar a eficiência da biomanta produzida a partir da casca de coco em cultivos de tomate, alface e morango no município de Itabaiana, no Agreste Central Sergipano, onde é sediada a cooperativa, além da vizinha Areia Branca. 

O objetivo é medir e validar a eficácia da manta no controle de plantas daninhas, aumento da eficiência no uso de água para irrigação, redução da incidência de pragas e doenças e na elevação da produtividade comercial das culturas. 

O termo prevê também estudos e testes para identificar o efeito do líquido extraído da casca do coco verde (LCCV) na proteção e sanidade das três culturas.

A coordenação técnica dos trabalhos de pesquisa ficará a cargo da pesquisadora Maria Urbana Nunes, especialista em aproveitamento de resíduos de coco com foco na sustentabilidade da agricultura. Ela lidera um projeto de pesquisa que busca soluções tecnológicas para o aproveitamento de resíduos da cultura do coqueiro, que tem o Grupo Aurantiaca, com áreas cultivadas de coco verde e agroindústria para exportação de produtos em Conde, no litoral norte da Bahia.

A Embrapa Agroindústria Tropical (Fortaleza, CE) também realiza estudos para aplicações eficazes de resíduos de coco na agroindústria.

A biomanta vem sendo usada na contenção de encostas ou de áreas degradadas e em decoração de interiores, e pesquisas realizadas pela Embrapa apontam grande potencial desse material no aumento da eficiência de diversas culturas agrícolas, entre elas o próprio coco. 

O desenvolvimento de alternativas de aproveitamento da casca de coco possibilita a redução da disposição inadequada de resíduos sólidos e proporciona uma nova opção de rendimento junto aos locais de produção. 

Estima-se que o Brasil possui uma área plantada de mais de 100 mil hectares de coqueiro-anão, destinados à produção do fruto verde para o consumo da água-de-coco. As cascas geradas por este agronegócio representam 80% a 85% do peso bruto do fruto e cerca de 70% de todo lixo gerado nas praias brasileiras representa cascas de coco verde. 

Este material tem sido correntemente designado aos aterros e vazadouros sendo, como toda matéria orgânica, potenciais emissores de gases estufa (metano), e, ainda, contribuindo para que a vida útil desses depósitos seja diminuída, proliferando focos de vetores transmissores de doenças, mau cheiro, possíveis contaminação do solo e corpos d'água, além da inevitável destruição da paisagem urbana.

Fonte: Embrapa


CHILENOS CRIAM SACOS PLÁSTICOS SOLÚVEIS EM ÁGUA QUE NÃO POLUEM

O engenheiro chileno Roberto Astete dissolve um saco de material biodegradável em água 
durante coletiva de imprensa em Santiago em 24 de julho de 2018 - AFP / Claudio Reyes

27/07/2018

Com uma mudança sutil na fórmula do plástico, que permite substituir o petróleo pela pedra calcária, um grupo de empreendedores chilenos conseguiu fabricar sacos plásticos e de tecido reutilizáveis solúveis em água e que não contaminam.

Roberto Astete e Cristian Olivares, os dois artífices deste produto, começam a fazer experimentos para fabricar um detergente biodegradável, mas acabaram encontrando a fórmula química à base de PVA (álcool polivinílico, solúvel em água) e que substitui os derivados do petróleo, responsáveis pela alta durabilidade dos plásticos que se integrou à cadeia alimentar de animais marinhos e responsáveis pela deterioração do meio ambiente.

"Nosso produto deriva de uma pedra calcária que não causa danos ao meio ambiente", assegurou Astete, diretor-geral da empresa SoluBag, que espera comercializar seus produtos a partir de outubro no Chile, um dos primeiros países da América Latina a proibir o uso de sacos plásticos convencionais em estabelecimentos comerciais.

"É como fazer pão", acrescenta. "Para fazer pão é preciso farinha e outros ingredientes. Nossa farinha é de álcool de polivinil e outros componentes, aprovados pela FDA (agência americana reguladora de alimentos, medicamentos, cosméticos, aparelhos médicos, produtos biológicos e derivados sanguíneos), que nos permitiu ter uma matéria-prima para fazer diferentes produtos".

Diante de jornalistas, os dois demonstraram a solubilidade imediata de suas sacolas plásticas em água fria ou de bolsas de tecido reutilizáveis em água quente.

"O que fica na água é carbono", assegura Astete, o que os exames médicos realizados demonstraram que "não tem nenhum efeito no corpo humano".

Para demonstrar que a água turva resultante da dissolução é "inócua" e potável, eles bebem alguns copos.

- Reciclagem doméstica -

"A grande diferença entre o plástico tradicional e o nosso é que aquele vai estar entre 150 e até 500 anos no meio ambiente e o nosso demora apenas cinco minutos. A gente decide quando o destrói", afirma Astete, antes de acrescentar que "hoje em dia a máquina recicladora pode ser a panela de casa ou a máquina de lavar".

A fórmula encontrada permite "fazer qualquer material plástico", razão pela qual já estão trabalhando na produção de materiais como talheres, pratos e embalagens.

Os tecidos solúveis na mesma água quente que serve, por exemplo, para preparar um chá ou um café, podem ser usados para produzir sacolas de compras reutilizáveis e produtos hospitalares como os protetores de macas, batas e gorros do pessoal médico e de pacientes que costumam ter um único uso, explica Olivares.

Os engenheiros chilenos Roberto Astete e Cristian Olivares mostram duas bolsas, uma 
de plástico e outra de material biodegradável em água inventada por eles durante uma 
coletiva de imprensa em Santiago em 24 de julho de 2018 - AFP / Claudio Reyes

E quando chove, como as compras chegam em casa? Os fabricantes podem programar a temperatura à qual tanto os sacos plásticos como os de lixo se dissolvem no contato com a água.

Outra vantagem das sacos é que são antiasfixia, uma causa importante de mortalidade infantil, pois se dissolve em contato com a língua ou as lágrimas.

Com a produção maciça, que pode ser feita nas mesmas empresas que fabricam os plásticos convencionais - basta apenas alterar a fórmula -, o preço de seus produtos pode ser similar ao dos atuais, garantem.

Em um mundo onde em 2014 foram fabricadas 311 milhões de toneladas de plástico e se nada mudar, em 2050, serão produzidas 1,124 bilhão de toneladas, Astete e Olivares esperam dar ao cliente o "empoderamento de ajudar a descontaminar o meio ambiente" porque "a grande vantagem é que o usuário decide quando destruí-la", assegura.

A iniciativa ganhou o prêmio SingularityU Chile Summit 2018 como empreendimento catalizador de mudança, o que rendeu aos inventores um estágio no Vale do Silício a partir de setembro.

Fonte: AFP

MEIO AMBIENTE APROVA POLÍTICA DE INCENTIVO À RECICLAGEM



20/07/2018

A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável aprovou projeto que cria a política de incentivo às atividades voltadas à reciclagem (PL 7535/17). O projeto, do deputado Carlos Gomes (PRB-RS), se baseia em três eixos: incentivos a projetos de reciclagem, a criação de um fundo para apoio e a emissão de títulos que financiem projetos de reciclagem.

O relator no colegiado, deputado Daniel Coelho (PPS-PE), apresentou parecer favorável ao texto, com três emendas. No projeto original, é proposto o Fundo de Apoio para Ações Voltadas à Reciclagem (Favorecicle) para captar e destinar recursos a projetos de reciclagem. Na alteração proposta pelo relator, ele define o Favorecicle como sendo de natureza contábil, para assegurar e destinar recursos exclusivamente a projetos de reciclagem e reuso de resíduos sólidos.

Daniel Coelho também prevê que os recursos do Favorecicle serão oriundos de doações, de renúncia fiscal, de convênios e de rendimentos das aplicações de fundo de investimento específico. No texto original, o fundo é composto apenas de recursos do Tesouro Nacional e de doações.

Diretrizes

Uma terceira emenda proposta por Coelho amplia a competência da Comissão Nacional de Incentivo à Reciclagem para que o colegiado também estabeleça diretrizes das políticas de incentivo à reciclagem.

O texto proposto também aumenta número de órgãos constituintes da comissão e prevê a participação do Ministério das Cidades, do Poder Legislativo e de representantes da academia. No projeto original a comissão deve acompanhar e avaliar os incentivos dados. E também prevê a participação dos ministérios do Meio Ambiente; do Trabalho e Emprego; da Indústria e Comércio; da Fazenda; e dois representantes do empresariado brasileiro; e dois representantes da sociedade civil.

Daniel Coelho explica que a reciclagem de resíduos sólidos constitui atividade ainda incipiente em nosso país, apesar do quantitativo cada vez maior de resíduos gerados pela atual sociedade de consumo.

“A pequena expressão da indústria da reciclagem reflete-se na inexistência de economia de escala, o que provoca elevação de custos e dificulta o crescimento do setor, num ciclo vicioso que é preciso interromper. Ora, é justamente para esse tipo de intervenção que se recomenda a atuação do Estado, em seu papel de indutor do desenvolvimento e incentivador de atividades econômicas de relevante interesse econômico e socioambiental”, explica o parlamentar.

Tramitação

O projeto, que tramita conclusivamente, ainda será analisado pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

ÍNTEGRA DA PROPOSTA:

Reportagem – Luiz Gustavo Xavier
Edição – Wilson Silveira


POR ENGANO, CIENTISTAS DESENVOLVEM ENZIMA QUE COME PLÁSTICO

Enzima descoberta acidentalmente poderá facilitar reciclagem de plástico
Foto: DW / Deutsche Welle

19/04/2018

Pesquisadores produzem por acidente proteína capaz de degradar plásticos PET e que pode ajudar a reduzir poluição causada pelo material.

Pesquisadores nos Estados Unidos e no Reino Unido produziram por acidente uma enzima que consome plásticos, revelou um estudo divulgado nesta segunda-feira (16/04). A descoberta poderá ajudar a reduzir o grave problema da poluição causada pelo produto derivado do petróleo.

Cientistas da Universidade de Portsmouth e do Laboratório de Energias Renováveis do Departamento de Energia dos EUA decidiram concentrar seus esforços numa bactéria de ocorrência natural descoberta no Japão há alguns anos.

Pesquisadores japoneses acreditam que a bactéria Ideonella sakaiensis se desenvolveu nas últimas décadas num centro de reciclagem, uma vez até os anos 1940 o plástico ainda não tinha sido inventado. O organismo parece se alimentar exclusivamente de um tipo de plástico conhecido como Politereftalato de etileno (PET), amplamente utilizado na fabricação de garrafas.

Os cientistas buscavam compreender o funcionamento de uma das enzimas dessa bactéria, denominada PETase, analisando sua estrutura. "Eles acabaram avançando um passo à frente e acidentalmente desenvolveram uma enzima que consegue desmembrar ainda melhor os plásticos PET", afirma o relatório divulgado na publicação científica americana Procedimentos da Academia Nacional de Ciências (PNAS).

Utilizando um raio-X de brilho dez bilhões de vezes mais forte do que o Sol, eles conseguiram elaborar um modelo tridimensional de alta resolução da enzima.

Cientistas da Universidade de Campinas (Unicamp) e da Universidade do Sul da Flórida desenvolveram através de computadores um modelo que demonstrava que a PETase era bastante semelhante a outra enzima, a cutinase, encontrada em fungos e bactérias.

Uma área da PETase, porém, apresentava algumas diferenças, levando os cientistas a deduzir que esta seria a parte que permitiria a degradação do plástico. Ao modificar essa enzima, tornando-a mais semelhante à cutinase, os pesquisadores descobriram acidentalmente que a enzima mutante conseguia degradar o plástico com eficácia ainda maior do que a PETase.

Os cientistas trabalham agora em melhorias nessa enzima, para que possa, no futuro, ser desenvolvida em grande escala e utilizada no setor industrial. O objetivo ao quebrar o plástico em partes menores seria permitir que ele seja reutilizado de maneira mais eficiente.

"O acaso muitas vezes tem um papel significativo na pesquisa científica fundamental, e nossa descoberta não é exceção", afirmou o autor do estudo, o professor John McGeehan, da Faculdade de Ciências Biológicas de Portsmouth.

"Ainda que modesta, a descoberta inesperada sugere que há espaço para desenvolver ainda mais essas enzimas, nos aproximando de uma solução para reciclar as montanhas de dejetos de plástico que não param de crescer", observou.

Mais de oito milhões de toneladas de plástico são despejadas anualmente nos oceanos, enquanto aumenta a preocupação com os problemas causados à saúde humana e ao meio ambiente. Apesar dos esforços globais para reciclar essa matéria-prima, a maior parte dos produtos plásticos sobrevive durante centenas de anos.

Fonte: Terra


THE COCA-COLA COMPANY ANUNCIA NOVO PLANO GLOBAL PARA AJUDAR A CRIAR UM MUNDO SEM RESÍDUOS

(Crédito:  The Coca-Cola Company)

17/02/2018

A empresa vai aplicar sua força global de marketing para ajudar a educar o público sobre o que, como e onde reciclar

A The Coca-Cola Company anunciou que está remodelando completamente sua abordagem sobre embalagem, com um objetivo global de ajudar a coletar e reciclar o equivalente a 100% de suas embalagens até 2030.


Esse objetivo é o ponto central da nova visão da companhia sobre um Mundo Sem Resíduos. O Sistema Coca-Cola pretende direcionar um investimento de longo prazo, que inclui um trabalho em curso para tornar as embalagens 100% recicláveis. Isso começa com a compreensão de que os recipientes de comida e bebida são parte importante da vida moderna das pessoas, mas que há muito mais a ser feito para reduzir os resíduos de embalagem em escala global.

“O mundo tem um problema de embalagem — e, como todas as empresas, nós temos a responsabilidade de ajudar a resolver isso”, disse James Quincey, presidente e CEO da The Coca-Cola Company. “Por meio da nossa visão sobre um Mundo Sem Resíduos, estamos investindo no nosso planeta e na nossa embalagem para ajudar a deixar esse problema no passado”.

A companhia e seus parceiros engarrafadores estão buscando diversos objetivos centrais:

Investimento no planeta: até 2030, a cada garrafa ou lata que o Sistema Coca-Cola vender, em escala global, nós pretendemos ajudar a resgatar uma de volta, para que tenha mais de uma vida. A companhia está investindo orçamento e técnicas de marketing para atingir 100% de coleta, ajudando as pessoas a entenderem o que, como e onde reciclar. Vamos apoiar a coleta de embalagens em todos os setores da indústria, incluindo garrafas e latas de outras companhias. O Sistema Coca-Cola vai trabalhar com comunidades locais, parceiros da indústria, clientes e consumidores, para ajudar a enfrentar desafios como embalagens descartadas de forma inadequada e lixo marinho.

Investimento em embalagem: para alcançar o objetivo da coleta, a The Coca-Cola Company está trabalhando continuamente para tornar todas as suas embalagens 100% recicláveis globalmente. A companhia está criando garrafas melhores, seja com mais conteúdo reciclável, desenvolvendo resinas à base de plantas, seja reduzindo a quantidade de plástico em cada recipiente. Até 2030, o Sistema Coca-Cola pretende ainda fazer garrafas com 50% do conteúdo reciclável, em média. A intenção é definir um novo padrão global para embalagem de bebidas. Atualmente, a maioria das embalagens da companhia é reciclável.

Mundo Sem Resíduos é o próximo passo dos esforços já em curso da companhia, dando continuidade à bem-sucedida meta de retornar para o meio ambiente em torno de 100% da água usada nas bebidas. A companhia atingiu e excedeu sua meta de neutralidade em água em 2015, cinco anos à frente do esperado. Essas medidas são parte da ampla estratégia da companhia de crescer com consciência, tornando-se uma companhia de bebidas completa que avança na direção certa.

“Garrafas e latas não podem fazer mal ao nosso planeta, e um mundo sem lixo é possível”, disse Quincey. “Empresas como a nossa devem ser líderes. Consumidores em toda parte do mundo se preocupam com o nosso planeta, e eles querem e esperam que as empresas tomem atitudes. É exatamente isso que vamos fazer, e convidamos outros a se juntarem a nós nessa jornada”.

A The Coca-Cola Company vai trabalhar para alcançar essas metas com a ajuda de diversos parceiros globais: Ellen MacArthur Foundation, com a iniciativa New Plastics Economy, The Ocean Conservancy/Trash Free Seas Alliance e World Wildlife Fund (The Cascading Materials Vision and Bioplastic Feedstock Alliance). A Coca-Cola vai realizar, ainda, ações com novos parceiros em níveis regionais e locais, e planeja trabalhar com clientes-chaves para motivar consumidores a reciclar mais embalagens.

Sobre a The Coca-Cola Company

A The Coca-Cola Company (NYSE: KO) é a maior empresa de bebidas do mundo, oferecendo mais de 500 marcas de bebidas em mais de 200 países. Das nossas marcas de US$ 21 bilhões, US$ 19 bilhões estão disponíveis em versões com pouco ou nenhum açúcar, para ajudar as pessoas a controlarem mais facilmente o consumo de açúcar adicionado. Além da marca Coca-Cola, alguns de nossos produtos ao redor do mundo são: bebidas à base de soja AdeS, chá verde Ayataka, águas Dasani, sucos e néctares Del Valle, Fanta, café Georgia, chás e cafés Gold Peak, Honest Tea, sucos Minute Maid, bebidas esportivas Powerade, sucos Simply, smartwater, Sprite, vitaminwater e água de coco Zico. Na Coca-Cola, levamos a sério as contribuições positivas para o mundo. Isso começa com a redução de açúcar em nossas bebidas e com trazer novas e diferentes opções para pessoas de todos os lugares. Também significa trabalhar continuamente para reduzir o impacto ambiental, criar carreiras gratificantes para nossos associados, e trazer oportunidades econômicas em todos os lugares onde operamos. Com nossos parceiros engarrafadores, empregamos mais de 700 mil pessoas em todo o mundo. Para mais informações, visite nossa revista digital Coca-Cola Journey e siga The Coca-Cola Company no Twitter, no Instagram, no Facebook e no LinkedIn.

Fonte: Coca-Cola Brasil


DICAS PARA TORNAR A EMPRESA MAIS SUSTENTÁVEL E AMIGA DO MEIO AMBIENTE

Foto: divulgação


09/02/2018

Com o avanço das novas tecnologia, o crescimento populacional, o nascimento de empresas em diversos setores e indústrias e da sociedade como um todo a preocupação com o meio ambiente é uma das pautas mais discutidas atualmente. As pequenas, médias e grandes empresas buscam novas estratégias sustentáveis a todo instante para garantirem o selo de empresa do bem e ao mesmo tempo lucrar com isso.

A boa notícia é que existem muitas estratégias para tornar a empresa mais sustentável e amiga do meio ambiente sem interferir no lucro da organização. Algumas dessas estratégias são inovadoras e ajudam empresas a economizarem, enquanto outras encontram no mercado de resíduos uma oportunidade para ganhar mais dinheiro. Tudo depende de como a empresa olha para os seus resíduos industriais.

Ser sustentável no dia a dia

O que funciona muito bem para empresas de diversos setores é a substituição das lâmpadas convencionais pelas econômicas. Além de serem feitas com materiais recicláveis esse tipo de lâmpada dura mais e consome menos energia o que já ajuda na conta de luz no final do mês. Outra forma para economizar energia é aproveitar ao máximo a luz do sol, quando possível deixar as janelas abertas para iluminar o ambiente ao invés das lâmpadas acesas, isso também ajuda na economia do ar condicionado.

Troque os copinhos de café descartáveis por xícaras de café, além de ser mais econômico é muito mais elegante na hora de servir um cliente. Outra sugestão é trocar os copos descartáveis por copos de vidro e canecas. Incentive os colaboradores a usarem garrafas de água, como squeezes, assim é possível evitar que sujem copos com frequência.

Nos banheiros aposte em torneiras com temporizador, pois evita que alguém esqueça a torneira aberta e cause um gasto de água desnecessário. Para empresas que utilizam muito impressoras é recomendável o uso da fonte Ecofont (é uma fonte que consome menos tinta sem perder a qualidade). Incentive os colaboradores a usarem folhas para rascunhos, quando possível imprimir dos dois lados da folha e dar preferência à comunicação eletrônica. Existem muitas formas de trocar os papéis por aplicativos e e-mails.

Gerenciamento de resíduos

Empresas que produzem uma grande quantidade de resíduos precisam por lei (Política Nacional de Resíduos Sólidos - Lei nº 12.305/10) a elaborar um plano de gerenciamento de resíduos sólidos que mostre todas as etapas de produção da empresa até a destinação final dos resíduos. Para essas empresa a tecnologia disponibiliza meios para otimizar e agilizar esse processo, como o software VG Resíduos, que auxilia de forma simples e se adapta a qualquer empresa de qualquer setor para um gerenciamento de resíduos completo. O sistema ainda proporciona a comunicação no mercado de resíduos para empresas que pretendem comprar ou vender resíduos.

O gerenciamento de resíduos também está ligado na separação do lixo. O uso de lixeiras para coletas seletivas é um bom começa para separar os materiais recicláveis dos orgânicos e para completar a etapa é importante ter parcerias com empresas ou ONGs para que retirem e aproveitem de alguma forma os resíduos sólidos.

Envolvimento da equipe

É importante que os colaboradores participem das estratégias sustentáveis da empresa, pois são eles que aplicam a cultura sustentável no dia a dia. Cabe a organização deixar um espaço aberto para que novas ideias sejam expostas e assim aplicadas quando possível. Muitos pessoas participam de ONGs e quem sabe uma delas não é um dos funcionários? Por isso conhecer, ouvir e envolver cada membro da equipe é importante para que a empresa seja mais sustentável e por fim amiga do meio ambiente e amiga de todos.


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VETO À IMPORTAÇÃO DE LIXO NA CHINA AFETA INDÚSTRIA DE RECICLAGEM GLOBAL

A Europa e a América do Norte exportam milhões de toneladas de lixo reciclável 
para a China a cada ano - AFP/Arquivos

23/01/2018

Durante anos, a China foi o principal destino do mundo para o lixo reciclável, mas a proibição recente de certas importações deixou os países em busca de novos aterros para pilhas de lixo crescentes.

A decisão foi anunciada em julho e entrou em vigor em 1º de janeiro, dando às empresas da Europa aos Estados Unidos apenas seis meses para procurar outras opções e levando algumas a armazenar lixo em estacionamentos.

Na China, algumas empresas de reciclagem tiveram que demitir funcionários ou fechar devido à perda de negócios.

A proibição impede as importações de 24 categorias de resíduos sólidos, incluindo certos tipos de plásticos, papel e têxteis.

“Grandes quantidades de resíduos sujos ou mesmo perigosos são misturados nos resíduos sólidos que podem ser usados ​​como matérias-primas. Isso poluiu o ambiente da China seriamente”, explicou o Ministério do Meio Ambiente em um aviso à Organização Mundial do Comércio.

Somente em 2015, o gigante asiático comprou 49,6 milhões de toneladas de lixo, de acordo com dados do governo.

A União Europeia exporta metade dos seus plásticos coletados e separados, 85% deles para a China. A Irlanda sozinha exportou 95% de seus resíduos plásticos para a China em 2016.

Nesse mesmo ano, os EUA enviaram mais de 16 milhões de toneladas de commodities de sucata para a China no valor de mais de US$ 5,2 bilhões.

– Problema ambiental “catastrófico” –

A proibição tem sido como um “terremoto” para países dependentes da China, disse Arnaud Brunet, chefe do Escritório Internacional de Reciclagem.

“Isso colocou a nossa indústria sob estresse, uma vez que a China é simplesmente o maior mercado do mundo” para materiais reciclados, disse à AFP.

As exportações mundiais de plástico para a China podem cair de 7,4 milhões de toneladas em 2016 para 1,5 milhão de toneladas em 2018, enquanto as exportações de papel podem despencar em quase um quarto, de acordo com a estimativa de Brunet.

A diminuição será em parte devido a uma queda no limite de impurezas que a China está disposta a aceitar por tonelada de resíduos – padrões mais elevados que a maioria dos países atualmente não pode atender.

Alguns agora estão olhando para mercados emergentes em outros lugares, como a Índia, o Paquistão ou o sudeste da Ásia, mas isso pode ser mais caro do que mandar lixo para a China.

O envio de materiais recicláveis ​​para a China é mais barato porque eles são colocados em navios que “de outra forma estariam vazios” ao retornar ao país asiático depois de entregar bens de consumo na Europa, disse Simon Ellin, diretor executivo da Associação de Reciclagem britânica.

Brunet também advertiu que muitos países alternativos ainda não têm a capacidade de ocupar o lugar da China, uma vez que “a capacidade de processamento não se desenvolve da noite para o dia”.

Há o risco de que a proibição cause um problema ambiental “catastrófico”, já que os acúmulos de resíduos recicláveis ​​são incinerados ou despejados em aterros com outros resíduos.

Nos Estados Unidos, coletores de materiais recicláveis ​​já estão reportando “estoques significativos”, disse Adina Renee Adler, diretora sênior de relações internacionais no Instituto de Indústrias de Reciclagem de Sucata (ISRI).

“Alguns municípios anunciaram que não aceitarão certos materiais ou os direcionarão para aterros”, disse.

Brandon Wright, porta-voz da Associação Nacional de Resíduos e Reciclagem dos EUA, disse à AFP que algumas instalações estavam armazenando estoques do lado de fora ou em estacionamentos.

– “Difícil fazer negócios” –

A proibição também criou desafios para empresas chinesas dependentes de resíduos estrangeiros.

“Será muito difícil fazer negócios”, disse Zhang Jinglian, dono da empresa de reciclagem de plástico Huizhou Qinchun, na província de Guangdong.

Mais de metade dos seus plásticos eram importados, e à medida que os preços de tais matérias-primas subirem, a produção será reduzida em pelo menos um terço, disse. Ele já havia despedido uma dúzia de funcionários.

Outros, como a Nantong Heju Plastic Recycling, na província costeira de Jiangsu, “deixarão de fazer negócios”, disse um representante.

Mas, ao mesmo tempo, a proibição poderia levar a China a melhorar seus próprios sistemas de reciclagem, permitindo reutilizar mais materiais locais, disse o especialista em plásticos da Greenpeace Liu Hua.

“Atualmente não existe um sistema de reciclagem completo, legal e regulamentado”, na China, onde até mesmo grandes cidades como Pequim dependem de catadores ilegais, afirmou.

“Quando não há recursos provenientes do exterior, há uma maior probabilidade de melhorarmos nossa própria reciclagem interna”.

Na Europa, a proibição também poderia ter o efeito positivo de estimular os países a se concentrarem no desenvolvimento de indústrias domésticas de reciclagem, afirmou Jean-Marc Boursier, presidente da Federação Europeia de Gerenciamento de Resíduos e Serviços Ambientais.

“A decisão chinesa nos obriga a nos perguntar se não estaríamos interessados ​​em criar fábricas de processamento na Europa para exportar produtos em vez de resíduos”, afirmou.

Na terça-feira, a UE revelou planos de eliminar os plásticos descartáveis, como copos de café, e tornar recicláveis ​​todas as embalagens de plástico até 2030.

Fonte: ISTOÉ


MNCR CONSOLIDA TROCA DE EXPERIÊNCIAS COM A FRANÇA



05/01/2018

O Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) iniciou sua interação com a França, em 2006, a partir da parceria com a France Libertés - Fondation Danielle Mitterrand que atua na defesa dos direitos humanos em vários países. A partir desse primeiro contato, foram realizadas diversas visitas mútuas para o intercâmbio de experiências entre organizações dos dois países que, apesar de apresentarem realidades bem diferentes, têm em comum a necessidade de buscar soluções para a situação das pessoas que vivem, na informalidade, da coleta e venda de materiais recicláveis ou reutilizáveis (os chamados biffins, em francês).

Segundo Samuel Le Coeur, fundador da Amelior (sigla de Associação dos Mercados Econômicos Locais Individuais e Organizados da Reciclagem), o trabalho dos biffins é, ao mesmo tempo, a materialização de uma situação de crise e a resposta a um padrão de consumo insustentável. “A organização desses trabalhadores é essencial para que eles possam ter seus direitos reconhecidos e acesso à proteção social. Isso também é positivo para a economia, pois promove a formalização dessa atividade.”

Le Coeur esteve na Expocatadores 2016, realizada em Belo Horizonte. Na ocasião, ele destacou a importância da união dos movimentos. “A organização dos catadores no Brasil em torno das cooperativas é um exemplo para outros países. Esse intercâmbio de experiências nos ajuda a aprimorar nossas próprias práticas, pois estamos todos em um só mundo, lutando contra a pobreza e a exclusão.”

Gilberto Warley Chagas, do MNCR, tem acompanhado de perto essas parcerias e falou sobre o tema ao Cempre Informa Mais. Acompanhe:

Quando teve início o intercâmbio com a França?

Tudo começou em 2006 com a France Libertés - Fondation Danielle Mitterrand que havia conhecido a luta e o trabalho dos catadores em outros países. A Fundação soube de nossas atividades através da Asmare (Associação dos Catadores de Papel, Papelão e Material Reaproveitável), de Belo Horizonte. Aí direcionou seu olhar para os catadores no Brasil, acompanhando a realidade nos lixões e depois a atuação das cooperativas e associações e, finalmente, o Movimento Nacional. Eles chegaram a ajudar na construção de uma creche para as mães da Asmare.

Em 2009, foi a primeira vez que o Movimento esteve na França, para o Festival Lixo e Cidadania que acontecia em algumas cidades em torno de Paris, em espaços para reutilização de roupas, móveis e objetos de descarte, com a realização de oficinas de arte com lixo.

Com quem são essas parcerias?

Os contatos são com diversos setores e organizações tanto aqui no Brasil como na França. Lá, temos relacionamento com ONGs que trabalham com a questão do reaproveitamento de recicláveis e a inclusão dos biffins que são trabalhadores que vivem da coleta e venda de materiais e objetos descartados. Eles estão organizados em torno da associação Amelior e muitas outras. Estão envolvidos também o Instituto Nenuca de Desenvolvimento Sustentável (Insea), a Associação Nacional dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis (Ancat), a Embaixada da França no Brasil, a Création Développement Eco-Entreprises/CD2E e várias prefeituras e Ressourceries (conjunto de associações para reutilização de materiais e objetos) francesas. É uma rede bem ampla de trocas, apesar de vivermos realidades específicas.

Como foram feitos os contatos?

Têm sido promovidas visitas de organizações francesas ao Brasil e idas de alguns de nós à França para conhecer projetos, práticas, dificuldades, conquistas... Ou seja, o que podemos ensinar e aprender uns com os outros.

Representantes do Movimento, do Insea e da Ancat estiveram em várias ocasiões em Ressourceries, prefeituras, empresas de reciclagem e espaços de trabalho dos biffins, acompanhando a realidade local. Fiz parte dos grupos que foram à França em 2009, 2011, 2013, 2016 e, neste ano, passamos 21 dias, entre setembro e outubro, em Paris, Lille e no norte do país, vendo de perto experiências ligadas à coleta, gerenciamento, reutilização, lixo zero e parcerias com o poder público e empresas privadas. 

Todos os parceiros também vieram ao Brasil em diferentes datas e cidades, em espaços de debates, workshops e seminários, participando inclusive da Expocatadores em São Paulo e Belo Horizonte.

Que características da organização dos catadores no Brasil chamam a atenção na França?

Acredito que chama a atenção a mobilização do Movimento junto aos catadores de recicláveis em todo o país. Também se comenta bastante a eficiência do trabalho desses profissionais mesmo sem muita estrutura, conseguindo um resultado bom em relação à quantidade e à qualidade do material coletado e triado, a inclusão dos catadores em associações e cooperativas e a formação de redes de comercialização. Isso sem falar na nossa organização política, na forma como dialogamos com o poder público, o setor privado e o apoio dado por instituições como o Cempre, por exemplo. 

Como o Movimento de tornou tão conhecido?

Acho que o Movimento ganhou visibilidade internacional por algumas questões. Em 2006, fizemos a marcha em Brasília, quando fomos notícia por termos, pela primeira vez, negociado parcerias com o governo federal, sendo recebidos e ouvidos pelo presidente da República, e isso atraiu a atenção fora do Brasil. Temos participado de decisões importantes em relação às políticas de destinação dos resíduos sólidos em nosso país. Além disso, fazemos parte da Rede Latino Americana de Catadores, Recicladores e Cartoneros, o que aumenta o alcance de nossas atividades.

Qual é a situação dos catadores na França?

Na França, não existe coleta com catadores nos moldes brasileiros. A retirada dos recicláveis está nas mãos de grandes empresas. O que as pessoas - os biffins - coletam é o descarte de roupas, móveis, eletroeletrônicos e eletrodomésticos, entre outros, para recuperação e venda nos mercados de ruas e nas chamadas “feiras de pulgas”. Muitas organizações com as quais temos contato gostariam de levar para a França o conceito de inclusão com geração de trabalho e renda através da organização dos biffins em associações e cooperativas. 

Na foto (da esquerda para a direita), representante da Ressourcerie recebe Luciano Marcos e Lívia Andrade, do Insea, Gilberto Chagas, do MNCR, e Francisco Lima, da Universidade Federal de Minas Gerais.

Para saber mais:

http://amelior.canalblog.com/
http://www.ressourcerie.fr/

Fonte: CEMPRE


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