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Síntese Diária da COP30 – 10 de Novembro

10/11/2025

Dia 1: segunda-feira, 10 de novembro

Preparado pela Equipe de Comunicação da COP30

Áreas temáticas de foco: Adaptação, Cidades, Infraestrutura, Água, Resíduos, Governos Locais, Bioeconomia, Economia Circular, Ciência, Tecnologia e Inteligência Artificial

Resumo Geral:

Elevando a Adaptação por Meio do Poder da Tecnologia

A COP30 foi aberta hoje em Belém com uma poderosa demonstração de solidariedade e compromisso, inaugurando era de ação climática global marcada pela implementação, inclusão e inovação. No dia 1, as Partes adotaram rapidamente a agenda oficial da COP30 — um forte sinal de consenso que reafirma a confiança no multilateralismo e na determinação global de acelerar o Acordo de Paris. Essa adoção antecipada, juntamente com a eleição do Embaixador Ambassador André Corrêa do Lago como Presidente da COP30, definiu um tom claro: esta é uma COP voltada para resultados, transformando compromissos em ações concretas para as pessoas e para o planeta.

A tecnologia surgiu como a força determinante do dia. O Green Digital Action Hub e o AI Climate Institute incorporaram a visão da COP30 para uma transformação digital justa, equipando os países em desenvolvimento com dados, ferramentas e treinamento para projetar suas próprias soluções climáticas. Na Mostra de Inovação Agrícola, foram anunciados novos compromissos para promover a inovação agrícola e sistemas alimentares resilientes às mudanças climáticas, incluindo USD 1,45 bilhão da Fundação Gates para ampliar o acesso a inovações que ajudem os agricultores da África Subsaariana e do Sul da Ásia a se adaptarem a condições climáticas extremas e USD 30 milhões arrecadados pelo Centro Global de Metano (Global Methane Hub) para reduzir as emissões de metano do cultivo de arroz.

Os líderes também avançaram significativamente no financiamento para adaptação e resiliência. O Fundo de Resposta a Perdas e Danos, operacionalizado em tempo recorde, lançou seu primeiro edital de financiamento, enquanto os Bancos Multilaterais de Desenvolvimento (BMDs), fornecem mais de USD 26 bilhões para economias de baixa e média renda em 2024. A Declaração de Belém sobre Fome e Pobreza, anunciada na semana passada e endossada por 44 países, lançou uma nova Parceria para Proteção Social Resiliente ao Clima e Financiamento da Agricultura de Pequenos Produtores.  O progresso do Dia 1 instilou um senso renovado de otimismo — provocando que ao elevar a adaptação por meio da tecnologia, o mundo está redefinindo a resiliência, transformando a vulnerabilidade em força e a ambição em ação.

Ações e Resultados Principais:

Negociações:

- A COP30 se inicia em um espírito de colaboração, com as Partes unidas em torno da Agenda.

A adoção da agenda negociada no primeiro dia da COP30 é uma poderosa afirmação de unidade global, sinalizando o compromisso coletivo da comunidade internacional com o multilateralismo e a ação climática conjunta. Em um momento de crescentes tensões geopolíticas e ambientais, esse consenso precoce demonstra a determinação mundial em cooperar além das diferenças e implementar soluções urgentes que protejam as pessoas, acelerem o Acordo de Paris e construam um futuro mais seguro e sustentável.

“Preciso agradecer a todas as delegações pelo fantástico acordo alcançado sobre a agenda na noite passada. Esse acordo não apenas nos permitirá começar a trabalhar intensamente já hoje, como também nos ajudará a explicar ao mundo por que as questões adicionais levantadas são realmente importantes.” — Embaixador André Corrêa do Lago, Presidente da COP30

- Operacionalização Rápida do Fundo de Resposta a Perdas e Danos

O Fundo de Resposta a Perdas e Danos (FRLD) foi operacionalizado em tempo recorde e lançou seu primeiro edital de USD 250 milhões, passando do desenho à execução e abrindo um canal crucial de apoio para países em desenvolvimento na linha de frente da crise climática.

“Esta é uma COP da implementação. Hoje temos grandes novidades nesse sentido. O Fundo de Perdas e Danos, que foi criado recentemente na COP28, já começou a operar. Eles lançaram um edital de US$ 250 milhões, mostrando a rapidez com que esse fundo — criado há menos de dois anos — já está se movendo para a implementação.” — Ana Toni, CEO da COP30

- Embaixador André Corrêa do Lago é eleito Presidente da COP30

O Embaixador André Corrêa do Lago foi eleito Presidente da 30ª Conferência das Partes da ONU sobre Mudanças Climáticas. Ele conduzirá os trabalhos e liderará a agenda ao longo do próximo ano, para acelerar a implementação climática.

Agenda de Ação:

- Liderança e Ação por um Futuro Digital Verde

Os parceiros lançaram o Green Digital Action Hub, uma nova plataforma de cooperação online para aproveitar a inovação tecnológica contra as mudanças climáticas, sediada no Brasil como um legado da COP30. O GDA Hub fornecerá ferramentas, conhecimentos e dados para ajudar as nações a ampliar as tecnologias verdes, reduzir o impacto ambiental da tecnologia e garantir o acesso a soluções digitais sustentáveis para todos. Com base na Declaração da COP29 sobre Ação Digital Verde — apoiada por 82 países e mais de 1.800 partes interessadas.

- Lançamento do AI Climate Institute

O AI Climate Institute (AICI) — uma nova iniciativa global lançada na COP30 – visa  capacitar pessoas e instituições em países em desenvolvimento para utilizar a inteligência artificial (IA) em ações climáticas. Com base na equidade e na sustentabilidade, a AICI se empenhará em promover a IA como uma ferramenta de empoderamento, permitindo que os países do Sul Global projetem, adaptem e implementem suas próprias soluções climáticas baseadas em IA, incluindo modelos leves e de baixo consumo de energia adequados aos contextos locais. O instituto oferecerá programas de treinamento (oficinas para formuladores de políticas sobre conceitos de IA, dados climáticos e exploração de casos de uso; laboratórios avançados para profissionais técnicos; experiência prática na construção de aplicações de IA eficientes em termos de recursos e do mundo real) e um Repositório de Aprendizagem Digital com cursos e estudos de caso sobre aplicações climáticas em diferentes setores.

- Lançamento do Nature’s Intelligence Studio:

▪ Apresentando a Amazônia e outras regiões biodiversas como polos de inovação, o Studio impulsionará a inovação inspirada na natureza para o desenvolvimento sustentável local. Liderado pela Universidade de Oxford (TIDE Centre) em parceria com o INPA e o Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), o estúdio terá sede na América Latina e no Caribe, inicialmente em Belém.

▪ Promoverá a pesquisa, o envolvimento político e modelos legislativos para proteger inovações inspiradas na biologia e garantir a partilha de benefícios para os inovadores locais e as comunidades que salvaguardam o banco de ideias da biodiversidade.

▪ Em 14 de novembro, o Studio lançará um “ideathon” com o CAF para apoiar inovadores que desenvolvem soluções inspiradas na natureza, além de apresentar o Atlas de Energia das Inovações da Natureza, uma ferramenta aberta de IA que conecta desafios energéticos da indústria a soluções biomiméticas.

- Acelerando a Infraestrutura Pública Digital (DPI) e os Bens Públicos Digitais (DPG) para o Clima:

O Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos do Brasil, a Aliança de Bens Públicos Digitais (DPGA) e a ITS Rio publicaram um Plano para Acelerar Soluções (PAS) que inclui o lançamento da Coleção DPG Clima — um repositório global de Infraestrutura Pública Digital (DPI) e Bens Públicos Digitais (DPG) para o clima — oferecendo mais de 20 ferramentas de código aberto para pelo menos 30 países que podem aplicar essas inovações em questões como resposta a desastres, energia, água e agricultura.

- Desafio de Inovação DPI para Pessoas e Planeta:

Lançado em conjunto com a JICA, Co-Develop, Fundação Gates, Centro de Infraestrutura Pública Digital (CDPI) e Boston Consulting Group (BCG), e em parceria oficial com a presidência da COP30, este Desafio selecionou cinco inovadores que desenvolvem soluções transformadoras baseadas em Infraestrutura Pública Digital (DPI) para resiliência climática e social, concedendo a cada um deles USD 100.000 em financiamento para apoiar o desenvolvimento e os testes de campo de suas soluções. Os vencedores incluem Trust Carbon, Kazam, Akvo, Rahat e Circularise. Mais informações podem ser encontradas aqui.

- Declaração conjunta dos bancos multilaterais de desenvolvimento para a COP30: Acelerando as ações para adaptação e resiliência

▪ Em Belém, os Bancos Multilaterais de Desenvolvimento (BMDs) anunciaram que, desde 2019, duplicaram o apoio a investimentos em adaptação, destinando mais de USD 26 bilhões para economias de baixa e média renda em 2024.

▪ Para impulsionar ainda mais esse esforço coletivo em direção ao investimento em adaptação, os MDBs lançaram uma nova estrutura para o financiamento da natureza, incluindo: (i) Princípios Comuns para Acompanhar o Financiamento da Natureza e (ii) Guia Prático para a Seleção de Métricas de Resultados. Essas ferramentas foram projetadas para auxiliar no desenvolvimento de produtos financeiros de alta qualidade e atrair mais capital privado para a natureza.

- Campanha Corrida pela Resiliência

▪ Liderada por mais de 40 iniciativas parceiras e 1.700 membros em 164 países, a campanha anunciou que 437 milhões de pessoas — cerca de uma em cada 18 pessoas — agora vivem com maior resiliência climática, apoiadas por USD 4,18 bilhões em financiamento para adaptação e melhor proteção de 18 milhões de hectares de ecossistemas.

▪ Esse esforço de acompanhamento, o primeiro do tipo liderado por atores não estatais, mostra o progresso coletivo em direção à meta de alcançar 4 bilhões de pessoas até 2030, demonstrando que a adaptação inclusiva, liderada localmente e viabilizada por financiamento não apenas protege vidas, mas também gera oportunidades, equidade e desenvolvimento sustentável em todo o mundo.

- O Papel Fundamental do Combate à Fome e à Pobreza pela Justiça Climática

Uma nova Parceria para a Proteção Social Resiliente às Alterações Climáticas e o Financiamento da Agricultura Familiar, foi lançada hoje no âmbito da Agenda de Ação da COP30. A Parceria promove o Plano para Acelerar Soluções (PAS) com objetivos claros e mensuráveis para impulsionar ações e acompanhar o progresso, incluindo o apoio a planos nacionais de implementação liderados pelos países para a proteção social adaptativa, a agricultura familiar e o acesso a soluções hídricas no Benim, Etiópia, Quênia, Zâmbia e República Dominicana.

▪ Até 2028, o plano estabelece um grupo de coordenação conjunta de doadores de financiamento climático para alinhar carteiras em apoio aos esforços de combate à fome e à pobreza.

▪ O lançamento se baseia na adoção, em 7 de novembro, da Declaração de Belém sobre Fome, Pobreza e Ação Climática Centrada no Ser Humano por 44 países, um compromisso histórico desenvolvido com a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza.

- Agricultura Inteligente para o Clima em Escala:

Duas ferramentas digitais inovadoras foram introduzidas para apoiar a agricultura climaticamente inteligente em grande escala:

▪ O Brasil e os Emirados Árabes Unidos, em parceria com a Fundação Gates, a Embrapa, o CGIAR e a ai71, introduziram o primeiro modelo de linguagem grande (LLM) de IA de código aberto do mundo para a agricultura — um avanço rumo a um sistema alimentar global mais resiliente e equitativo.

▪ A ferramenta de previsão de IA centrada no agricultor da AIM for Scale visa capacitar mais de 100 milhões de agricultores até 2028 com percepções em tempo real, fortalecendo a tomada de decisões climaticamente inteligentes, a preparação para riscos e a inovação inclusiva em sistemas agrícolas em todo o mundo.

- Mostra de Inovação Agrícola — US$ 2,8 bilhões para Adaptação e Resiliência de Agricultores e Fortalecimento dos Sistemas Alimentares Globais

▪ Doadores internacionais anunciaram mais de USD 2,8 bilhões para adaptação e resiliência de agricultores, para fortalecer os sistemas alimentares globais.

▪ Em apoio ao chamado da Presidência brasileira da COP30 para fazer desta a “COP da implementação”, os compromissos visam ampliar o apoio a pequenos agricultores em regiões mais pobres que enfrentam os impactos mais severos dos eventos climáticos extremos. Os fundos serão investidos em tecnologias e ferramentas para ajudar agricultores a se adaptarem, construírem resiliência e fortalecerem sistemas alimentares locais que alimentam e empregam bilhões de pessoas.

“A inovação agrícola é o motor da resiliência climática.”
— Mr. Martin van Nieuwkoop, Diretor de Desenvolvimento Agrícola, Fundação Gates

Mobilização Global:

- Hoje marcou a abertura oficial da Zona Verde da COP30, o espaço dedicado da Cúpula onde sociedade civil, instituições públicas e privadas e líderes globais se conectam para promover soluções climáticas concretas, ampliar o diálogo público e fortalecer novas redes e alianças.

▪ Em um painel sobre "O Papel da Mobilização Popular no Enfrentamento da Crise Climática”, Mikaelle Farias, jovem ativista da equipe de Campeões Climáticos Jovens da Presidência da COP30, falou sobre as ações voltadas à inclusão de crianças e jovens no centro desses espaços de negociação oficial, as iniciativas em andamento — como o Acampamento Cidade das Juventudes — e os esforços para garantir que jovens e crianças sejam mencionados nos textos finais das negociações da COP30.

“Esta é a COP com a maior participação de crianças e jovens dos últimos três anos. Estamos vivendo um momento simbólico aqui em Belém, que mostra nossa capacidade de unir forças, construir esforços coletivos e mobilizar para enfrentar a mudança do clima.” 
— Mikaelle Farias, Equipe de Campeões Climáticos Jovens da COP30.

Fonte: COP30

PROJETO TRANSFORMA RESÍDUOS DESCARTADOS E COMERCIALIZA EM BAZAR A PREÇOS POPULARES

27/12/2019

Quando eu estava andando pelas ruas de Salvador, fiquei observando um certo aparelho sendo colocado numa carroceria de um veículo, e logo percebi que tratava-se de vários materiais usados. Rapidamente capturei uma foto da instituição e telefone. 

Pesquisei pela internet para saber mais do projeto social e fiquei sabendo sobre a Economia Circular.

Segue a matéria na íntegra:


Móveis e outros objetos são recuperados e revendidos (Marina Silva/Correio)

Por Perla Ribeiro -  Correio 
Publicado em 13.08.2018

Economia circular é um dos temas do Agenda Bahia 2018

Até ser entrevistado para essa reportagem, o coordenador do projeto social Emaús Novos Alagados, Jerry Uilson Magalhães, nunca tinha ouvido falar em Economia Circular. O termo podia ser desconhecido para ele, mas Jerry coloca isso em prática há cinco anos. Todas as terças e quintas-feiras, dois caminhões saem da sede do projeto, em São João do Cabrito, no Subúrbio Ferroviário, e rodam a cidade para buscar objetos que seriam descartados.

Voltam carregados de tudo quanto é coisa: roupas, livros, brinquedos, móveis, TVs, som, geladeira, fogão... Algumas peças estão quebradas. Outras, só estão velhas. Mas, ali, nada se perde.  Assim como propõe a Economia Circular, eles transformam resíduos em produtos.

Por isso, tudo que é arrecadado vai parar em oficinas, onde, com auxílio de técnicos de diferentes áreas, jovens da comunidade aprendem a reparar os objetos e deixá-los prontos para ganhar um novo dono. Não é a toa que o slogan deles é: “O que não serve para você é útil para nós e a natureza agradece”. Depois de repaginados, os produtos são vendidos a preços populares em um bazar mantido na sede do projeto, que acontece todos os sábados, das 9h às 12h. 

Objetos doados são recuperados em oficina (Marina Silva / Correio)

A renda obtida ajuda a manter outras duas crias deles: uma creche comunitária, que atende a 30 crianças 6 meses a 4 anos e uma escola com 85 alunos do pré ao 5º ano. Com as doações eles conseguem fazer, em média, 40 vendas por semana. Após pagamento dos custos com as reformas e pagamento de pessoal, sobram entre R$ 3 mil a R$ 4 mil por mês para investir nos projetos educacionais. Isso é possível porque eles contam com uma rede de 200 a 250 doadores fixos e um número ainda maior de pessoas que fazem doações aleatoriamente.  

Segundo Jerry, as pessoas chegam até eles através de campanhas itinerantes e também da divulgação boca a boca. “O projeto surgiu de uma necessidade nossa. Já fazíamos isso, mas de forma esporádica, mas foi chegando coisas maiores e não tínhamos espaço, foi então que vimos a necessidade de criarmos algo mais estruturado”.

Saiba mais
Economia Circular:  Estabelece uma mudança na lógica de produzir, consumir e transformar resíduos em produtos. 
Ganhos ambientais: Redução de insumos (matéria- prima natural e energia), redução de resíduos
e emissões
Dose dupla

Se por um lado eles sentem que cumprem seu papel de ajudar esse mundo a ser mais sustentável, por outro, quem faz doações se sente recompensado duplamente. É que, além de saber que está colaborando para a redução de resíduos, se vêem livre de algo que não lhe servia mais e sem fazer muito esforço para isso. O único trabalho é  ligar no telefone do projeto (3401-5888) e agendar a coleta.

O administrador Dilson Moura Costa, 55 anos, por exemplo, é um dos colaboradores assíduo. “Sou um defensor da natureza, não gosto de jogar nada fora. É bom saber que o que não serve mais para mim vai ser recuperado e vendido para angariar recursos para a comunidade. Já fui lá conhecer, é um trabalho sério. Toda vez que tenho algo para doar, chamo eles”, diz. Na lista das doações entra beliche, máquina de lavar, micro-ondas, ferro de passar, armário de cozinha, discos, sobras de material de construção.

“Ao mesmo tempo que  contribuo com eles para que o objeto ganhe uma nova utilidade, também saio ganhando. Uma vez comprei um armário novo e, para desmontar o velho, teria que pagar R$ 150. Chamei, eles vieram, desmontaram e levaram o armário, que ainda serviu depois para outra pessoa. Todos ganhamos com isso”, destaca.

Quem também nunca ouviu falar de Economia Circular, mas tem tirado muito proveito dela, é a dona de casa Eliaci Santos Vera Cruz, 40 anos. Ela é uma das clientes assíduas do bazar realizado pelo projeto social Emaús Novos Alagados.

Eliaci conta que vai juntando todo dinheirinho que consegue guardar e, sempre que chega novidades, o pessoal avisa e ela vai conferir. “Já comprei colchão de casal, de solteiro, sofá. Minha casa toda é do bazar. E são coisas boas e semi-novas, que se fosse comprar em loja teria que pagar caro. Meu sofá de canto mesmo, todo mundo que vem aqui em casa  diz que é lindo, e eu fico me sentindo”, diz, com graça.

Para que serve a economia circular?
Ganhos sociais:   Oportunidades para novos postos de trabalho,  novos usos na cadeia produtiva, desperta o senso de comunidade, cooperação e participação, estimula o consumo compartilhado e não individualizado;
Ganhos econômicos:   Redução de perdas e desperdícios, geração de novos mercados por conta do valor dos recursos renováveis

Workshop reuniu especialistas e representantes da sociedade civil 
(Foto: Arisson Marinho/Correio)


Cidade pode receber centro de excelência

A Cátedra Unesco de Sustentabilidade quer criar um centro internacional de excelência em Economia Circular e Sustentabilidade e Salvador está entre uma das cidades cotadas para recebê-lo. A informação foi divulgada durante o workshop Economia Circular: Ecossistemas para as Cidades do Futuro, que aconteceu no seminário Sustentabilidade do Agora, no Fórum Agenda Bahia 2018, pelo professor da Ufba e pesquisador associado da Cátedra Unesco de Sustentabilidade, Paulo Gomes. “Para concretizar isso,  precisamos de apoios. Se juntarmos todos nesse propósito, a chance de acontecer será maior”.

No workshop, capitaneado por Adriana Campelo, diretora de Resiliência da prefeitura de Salvador e Chief Resilience Officer - CRO da iniciativa 100 Resilient Cities (100 Cidades Resilientes) da Fundação Rockefeller, especialistas trouxeram exemplos do que tem sido feito para alavancar a Economia Circular. “A gente precisa ser engenhoso, criativo, ver que recursos a gente pode usar”, disse Adriana.

Divididos em grupos, os participantes do workshop lançaram propostas para mudar a lógica de produção, consumo e transformação de resíduos na capital baiana (veja abaixo). Parte dessas ideias será incorporada ao Plano de Resiliência de Salvador, que tem precisão de ser lançado em dezembro.

Ideias propostas no workshop:
>>Tornar  a escola um espaço vivo para se pensar a Economia Circular
>>Regulamentação  das diretrizes para o fortalecimento da Economia Circular
>>Criação  de um comitê de sustentabilidade para fiscalizar as empresas
>>Estímulo  ao consumo de produtos de empresas que façam reciclagem ou reuso de embalagens
>>Implantação  de micro-centros de compostagem e reciclagem nos bairros de Salvador
>>Fomentar  projetos com foco em tecnologia de processamento de resíduos
>>Criação  de centros de logística reversa para o consumidor deixar objetos quando for comprar um novo

O subsecretário municipal da Cidade Sustentável e Inovação (Secis), João Hersh destacou que Salvador gera 3 mil toneladas de resíduos por dia. “A cidade tem que começar a mudar a forma de lidar com isso. Todo material descartado pelo cidadão teria que retornar para o distribuidor, fornecedor ou indústria, numa lógica reversa. Mas para isso, é preciso que cada um assuma a sua responsabilidade nesse processo. Tem que haver engajamento setoriais” defendeu. 

Já o vice-diretor regional para a América Latina do C40, Ilan Cuperstein, foi mais além. Ele disse que há uma estimativa de que para cada quilo de resíduo que a gente descarta, são 70 quilos que estão sendo descartados com ele em toda a cadeia, desde o início da produção até o descarte geral. “Isso torna ainda mais crucial pensar em como não gerar resíduos e gerar recursos. É preciso parar de pensar em resíduos e pensar em gestão recursos”, defendeu.

Apesar de ponderar o impacto dos resíduos no meio ambiente, Cuperstein ressaltou que a Economia Circular não se resume a gestão de resíduos. “É uma mudança muito mais profunda de paradigmas, do que só olhar como uma  gestão mais eficiente dos resíduos. Apesar de que, uma gestão mais eficiente dos resíduos começa com uma mudança mais estrutural de como a cidade está organizada”. 

Já a gerente de Eficiência do Grupo Neoenergia, Ana Mascarenhas, citou o projeto Vale Luz, que troca resíduos por desconto na conta de energia. “Todo resíduo é passado para a cooperativa e é ela que paga o consumidor. A gente conseguiu que comunidades populares zerem a conta de luz”.

O Fórum Agenda Bahia 2018 é uma realização do CORREIO, com patrocínio da Revita e Oi, e apoio institucional da Prefeitura de Salvador, Federação das Indústrias da Bahia (Fieb), Fundação Rockefeller e Rede Bahia.

Fonte: Correio


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