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MNCR CONSOLIDA TROCA DE EXPERIÊNCIAS COM A FRANÇA



05/01/2018

O Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) iniciou sua interação com a França, em 2006, a partir da parceria com a France Libertés - Fondation Danielle Mitterrand que atua na defesa dos direitos humanos em vários países. A partir desse primeiro contato, foram realizadas diversas visitas mútuas para o intercâmbio de experiências entre organizações dos dois países que, apesar de apresentarem realidades bem diferentes, têm em comum a necessidade de buscar soluções para a situação das pessoas que vivem, na informalidade, da coleta e venda de materiais recicláveis ou reutilizáveis (os chamados biffins, em francês).

Segundo Samuel Le Coeur, fundador da Amelior (sigla de Associação dos Mercados Econômicos Locais Individuais e Organizados da Reciclagem), o trabalho dos biffins é, ao mesmo tempo, a materialização de uma situação de crise e a resposta a um padrão de consumo insustentável. “A organização desses trabalhadores é essencial para que eles possam ter seus direitos reconhecidos e acesso à proteção social. Isso também é positivo para a economia, pois promove a formalização dessa atividade.”

Le Coeur esteve na Expocatadores 2016, realizada em Belo Horizonte. Na ocasião, ele destacou a importância da união dos movimentos. “A organização dos catadores no Brasil em torno das cooperativas é um exemplo para outros países. Esse intercâmbio de experiências nos ajuda a aprimorar nossas próprias práticas, pois estamos todos em um só mundo, lutando contra a pobreza e a exclusão.”

Gilberto Warley Chagas, do MNCR, tem acompanhado de perto essas parcerias e falou sobre o tema ao Cempre Informa Mais. Acompanhe:

Quando teve início o intercâmbio com a França?

Tudo começou em 2006 com a France Libertés - Fondation Danielle Mitterrand que havia conhecido a luta e o trabalho dos catadores em outros países. A Fundação soube de nossas atividades através da Asmare (Associação dos Catadores de Papel, Papelão e Material Reaproveitável), de Belo Horizonte. Aí direcionou seu olhar para os catadores no Brasil, acompanhando a realidade nos lixões e depois a atuação das cooperativas e associações e, finalmente, o Movimento Nacional. Eles chegaram a ajudar na construção de uma creche para as mães da Asmare.

Em 2009, foi a primeira vez que o Movimento esteve na França, para o Festival Lixo e Cidadania que acontecia em algumas cidades em torno de Paris, em espaços para reutilização de roupas, móveis e objetos de descarte, com a realização de oficinas de arte com lixo.

Com quem são essas parcerias?

Os contatos são com diversos setores e organizações tanto aqui no Brasil como na França. Lá, temos relacionamento com ONGs que trabalham com a questão do reaproveitamento de recicláveis e a inclusão dos biffins que são trabalhadores que vivem da coleta e venda de materiais e objetos descartados. Eles estão organizados em torno da associação Amelior e muitas outras. Estão envolvidos também o Instituto Nenuca de Desenvolvimento Sustentável (Insea), a Associação Nacional dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis (Ancat), a Embaixada da França no Brasil, a Création Développement Eco-Entreprises/CD2E e várias prefeituras e Ressourceries (conjunto de associações para reutilização de materiais e objetos) francesas. É uma rede bem ampla de trocas, apesar de vivermos realidades específicas.

Como foram feitos os contatos?

Têm sido promovidas visitas de organizações francesas ao Brasil e idas de alguns de nós à França para conhecer projetos, práticas, dificuldades, conquistas... Ou seja, o que podemos ensinar e aprender uns com os outros.

Representantes do Movimento, do Insea e da Ancat estiveram em várias ocasiões em Ressourceries, prefeituras, empresas de reciclagem e espaços de trabalho dos biffins, acompanhando a realidade local. Fiz parte dos grupos que foram à França em 2009, 2011, 2013, 2016 e, neste ano, passamos 21 dias, entre setembro e outubro, em Paris, Lille e no norte do país, vendo de perto experiências ligadas à coleta, gerenciamento, reutilização, lixo zero e parcerias com o poder público e empresas privadas. 

Todos os parceiros também vieram ao Brasil em diferentes datas e cidades, em espaços de debates, workshops e seminários, participando inclusive da Expocatadores em São Paulo e Belo Horizonte.

Que características da organização dos catadores no Brasil chamam a atenção na França?

Acredito que chama a atenção a mobilização do Movimento junto aos catadores de recicláveis em todo o país. Também se comenta bastante a eficiência do trabalho desses profissionais mesmo sem muita estrutura, conseguindo um resultado bom em relação à quantidade e à qualidade do material coletado e triado, a inclusão dos catadores em associações e cooperativas e a formação de redes de comercialização. Isso sem falar na nossa organização política, na forma como dialogamos com o poder público, o setor privado e o apoio dado por instituições como o Cempre, por exemplo. 

Como o Movimento de tornou tão conhecido?

Acho que o Movimento ganhou visibilidade internacional por algumas questões. Em 2006, fizemos a marcha em Brasília, quando fomos notícia por termos, pela primeira vez, negociado parcerias com o governo federal, sendo recebidos e ouvidos pelo presidente da República, e isso atraiu a atenção fora do Brasil. Temos participado de decisões importantes em relação às políticas de destinação dos resíduos sólidos em nosso país. Além disso, fazemos parte da Rede Latino Americana de Catadores, Recicladores e Cartoneros, o que aumenta o alcance de nossas atividades.

Qual é a situação dos catadores na França?

Na França, não existe coleta com catadores nos moldes brasileiros. A retirada dos recicláveis está nas mãos de grandes empresas. O que as pessoas - os biffins - coletam é o descarte de roupas, móveis, eletroeletrônicos e eletrodomésticos, entre outros, para recuperação e venda nos mercados de ruas e nas chamadas “feiras de pulgas”. Muitas organizações com as quais temos contato gostariam de levar para a França o conceito de inclusão com geração de trabalho e renda através da organização dos biffins em associações e cooperativas. 

Na foto (da esquerda para a direita), representante da Ressourcerie recebe Luciano Marcos e Lívia Andrade, do Insea, Gilberto Chagas, do MNCR, e Francisco Lima, da Universidade Federal de Minas Gerais.

Para saber mais:

http://amelior.canalblog.com/
http://www.ressourcerie.fr/

Fonte: CEMPRE


DEFENSORIA PÚBLICA DA UNIÃO ATUA NA PROTEÇÃO DOS DIREITOS DOS CATADORES



01/11/2017

Instituída pela Lei 12.305/2010, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) valorizou o papel dos catadores na estruturação e movimentação da cadeia de reciclagem no país, destacando a necessidade de sua inclusão socioeconômica. A atividade profissional dos catadores, reconhecida pelo Ministério do Trabalho e Emprego desde 2002, prolonga a vida útil dos aterros sanitários e reduz a demanda por recursos naturais, uma vez que, ao promover o reaproveitamento dos materiais, diminui a utilização de matérias-primas virgens. 

A PNRS também incentiva a constituição de cooperativas e outras formas de associação de catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis e define como prioritária sua participação nos sistemas de coleta seletiva e logística reversa. A distância entre os avanços previstos pela lei e a realidade desses trabalhadores em todo o país levou à formação do Grupo de Trabalho (GT) Nacional Catadores e Catadoras da Defensoria Pública da União (DPU).

No início de abril, por exemplo, o GT realizou uma diligência em seis pontos da cadeia de tratamento de lixo do Distrito Federal e se reuniu com a presidente do Serviço de Limpeza Urbana (SLU) para discutir a precariedade das condições encontradas e defender maior acesso à contratação de cooperativas para a coleta seletiva e triagem dos recicláveis. “Ainda existe uma grande resistência por parte do poder público em reconhecer e cumprir a obrigação legal de inclusão social e econômica dos catadores. Falo em poder público porque estados, Distrito Federal e União são solidariamente responsáveis na obrigação de inclusão social e produtiva dos catadores. Essa inclusão social não se resume à contratação para a prestação de serviços de coleta seletiva (obrigação exclusiva do município), ela é mais do que isso, inclusive, envolvendo indenização conforme o caso”, explica o defensor público Cláudio Luiz dos Santos, coordenador nacional do GT que falou ao “Cempre Informa Mais” sobre as iniciativas promovidas pelo Grupo. Confira:

Quando foi criado esse Grupo de Trabalho?

Iniciamos nossa atuação institucional em 2013, no Lixão do Aurá, em Belém do Pará, então o segundo maior do país (menor apenas do que o Lixão da Estrutural, em Brasília). O fechamento de um lixão gera ações importantes relativas à inclusão dos catadores, além de eventuais demandas paralelas, como a questão previdenciária e a regularização fundiária, caso do Aurá, que foi aparentemente desativado, mas a realidade dos catadores ali permanece bastante complicada. Na ocasião, inclusive ingressamos com uma ação judicial, tendo em conta a postura intransigente do poder público, com encaminhamento negativo para os catadores da região metropolitana de Belém. 

A partir dessa experiência no Pará, foi formado o GT nacional?

Exatamente. Isso ocorreu em 2014, pois percebemos que o que vimos ali se desdobrava em todo o país. Temos hoje cinco defensores, cada um responsável por uma região, com uma coordenação nacional exercida atualmente por mim. Como estamos falando de Defensoria, infelizmente, temos muitas limitações estruturais e orçamentárias, até porque nossa autonomia financeira é bastante recente. Além disso, enfrentamos a atual crise política, institucional e econômica que dificulta ainda mais a nossa estruturação. Buscamos, então, conciliar as atividades do GT com nossas atribuições ordinárias. 

Como é a atuação prática de vocês? 

Toda vez que lidamos com grupos sociais vulneráveis, precisamos trabalhar com o que chamamos de busca ativa. Como procuramos nos aproximar dos catadores desde 2013, conhecemos diversos parceiros de luta e temos vários caminhos de acesso às suas demandas, uma vez que participamos de encontros nacionais e das discussões levantadas pelo Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, por exemplo. Nosso foco inicial e central é a defesa dos interesses dos catadores com ênfase em sua inclusão socioprodutiva, atuando prioritariamente no sentido de resolução administrativa, mas, em alguns casos, a saída acaba sendo a judicialização da questão, quando trabalhamos em parceria com os respectivos órgãos de execução, na medida do possível. 

Como foi essa recente diligência no Distrito Federal, por exemplo?

Sabemos que a solução que a capital federal emprestar a essa questão, de certa forma, servirá de parâmetro para os demais estados e municípios. Assim sendo, a importância do tratamento dado à desativação do Lixão da Estrutural para o nosso trabalho sempre foi natural. Com a divulgação do início do funcionamento do aterro sanitário de Samambaia, houve muita preocupação por parte dos catadores porque, ao passo que existe um cronograma muito claro para o encerramento das atividades do lixão, não é nada claro o aspecto relacionado ao eventual processo de inclusão dos catadores. Infelizmente, a impressão que nos foi passada é de que inexiste a efetiva intenção de incluir os catadores nesse novo cenário da economia do lixo no Distrito Federal. A partir daí, a pedido do defensor regional dos Direitos Humanos no Distrito Federal, fizemos uma parceria para acompanhar esse encaminhamento mais de perto, mas não está havendo evolução no diálogo e provavelmente teremos que expedir uma recomendação formal a partir de nossas observações.

As visitas ocorrem em outras localidades também?

Sempre que podemos, realizamos visitas a lixões, pois é nesses locais que encontramos as condições mais precárias. Na região Sul Fluminense, onde tenho hoje minhas atribuições ordinárias, procuro fazer acompanhamentos constantes. Há por aqui os ditos “aterros controlados” que, na verdade, são lixões a céu aberto, inclusive com a presença de catadores.  Há também diversos casos de cooperativas que fazem a coleta seletiva em municípios sem que haja sua contratação por parte dos municípios. Ou seja, quando a coleta é feita por uma sociedade empresária, ela envolve contrato, pagamento, direitos e deveres, mas quando é realizada por uma cooperativa ou associação de catadores, a prestação de serviço se transforma em benesse, sem a imperiosa, justa e necessária contrapartida.

Há, entretanto, exemplo de diálogo positivo. É o que estamos estabelecendo com o município de Volta Redonda. A nova gestão está empenhada em resolver uma pendência do governo anterior, acatando nossa (DPU e DPE-RJ) recomendação para que a norma seja cumprida, com a contratação do serviço de coleta seletiva que será prestado pelas cooperativas locais, o que está muito próximo de se formalizar.

Por que esse compromisso é tão difícil?

Encontramos, em geral, uma grande resistência do poder público em interpretar corretamente a legislação, formalizando a relação com as cooperativas e associações. O que leva a esse problema de interpretação da lei é basicamente a ausência de vontade política. Isso precisa mudar e é nesse sentido que atua o nosso Grupo de Trabalho: os catadores têm uma expertise inquestionável em relação à coleta seletiva que deve ser corretamente reconhecida, utilizada e remunerada. Temos (Estado Brasileiro e sociedade) uma dívida histórica com esses trabalhadores e é nosso dever resolver essa pendência.

Fonte: CEMPRE

PAPELÃO RECICLADO É USADO PARA FABRICAR MÓVEIS E BRINQUEDOS

Foto: Moacyr Galvão

19/05/2017

Um banquinho feito de papelão reciclado pode suportar até 200 quilos. Esse é apenas um exemplo da resistência e versatilidade desse material que vem ganhando espaço, com novos usos e aplicações, inclusive na decoração de ambientes. Foi justamente para aproveitar essas características e outro diferencial de peso - a sustentabilidade - que a Cartone Design começou, em 2011, a fabricar diversos itens de papelão reciclado. Para saber mais sobre as características e vantagens da utilização desse material na indústria moveleira, o Cempre Informa Mais conversou com Bruno Pellegatti, sócio-fundador e diretor-geral da empresa:

Quando e como foi criada a Cartone Design?

Em 2011, desenvolvemos os primeiros protótipos de móveis em papelão, mas o embrião foi quando começamos a criar produtos para animais feitos de papelão como casinhas e arranhadores para gatos. Já trabalhávamos com essa matéria-prima há mais de dez anos e conhecíamos bem sua resistência e versatilidade. Conversando com minha esposa, resolvemos pensar em opções para aumentar nosso portfólio e percebemos a existência de uma demanda para móveis, principalmente no mercado de eventos. Fizemos, então, os primeiros protótipos, alguns eram bem rústicos, mas a partir deles pensamos em soluções para maximizar a força estrutural do papelão e, ao mesmo tempo, refinar o design.

Em nossos desenvolvimentos, nos guiamos pela funcionalidade e pela otimização do uso da matéria-prima. O princípio sempre foi usar o mínimo de material possível com o mínimo de desperdício.

Que tipos de móveis a Cartone fabrica?

Temos mais de 30 produtos em linha: banquinhos, cadeiras, bancos de praça, mesas, nichos, cubos, estantes, cabides, lixeiras... É um portfólio bem variado, composto tanto por opções de brinquedos, móveis e acessórios para pessoas físicas como por itens voltados para eventos.

Quem são seus consumidores?

Antes da crise, 95% da produção ia para empresas - produtoras de eventos e agências de promoção de publicidade - e fazíamos poucas vendas diretas. Com a recessão, tivemos que readequar o foco operacional para não ficarmos tão dependentes da comercialização corporativa porque realmente houve uma queda acentuada. Começamos, então, a repensar o varejo, criamos uma loja virtual para ter um canal direto e lançamos os brinquedos de papelão, para os quais notamos que existia uma demanda considerável. Havia opções similares no mercado, mas por preços que não achamos justos. Como somos fabricantes, tínhamos uma boa vantagem estratégica para entrar nesse nicho. Hoje em dia, logicamente há flutuações de mês a mês, mas de 5%, a participação do varejo passou a cerca de 30%. Felizmente, nosso reposicionamento foi rápido. Se ficássemos esperando os grandes pedidos do atacado, teríamos enfrentado sérias dificuldades.

Quais as vantagens dos móveis de papelão?

A principal vantagem é ser barato. Há também a questão da praticidade, de ser desmontável, ter baixo custo de armazenamento, ser 100% biodegradável e, no nosso caso, feito com material reciclado... A percepção das vantagens depende do tipo de comprador. Para o cliente corporativo, além do baixo custo, há a possibilidade de personalização e o valor agregado da sustentabilidade. Todos os nossos móveis são produzidos com papelão reciclado. Para o cliente pessoa física, que vai usar o móvel em sua casa, tem ainda a atratividade do inusitado. É algo diferente, quando se recebe alguém sempre causa surpresa, e pesam também os aspectos do baixo custo e a possibilidade de montar e desmontar, alterando a decoração como e quando quiser. Se cansar, você desmonta, põe atrás da porta e pronto.

Móvel de papelão é um nicho hoje no Brasil?

No momento, somos os únicos fabricantes no país a usar papelão reciclado. A maioria das outras empresas compra e revende, nós fabricamos. Oferecemos, portanto, uma série de vantagens, tanto no aspecto de personalização como na agilidade do atendimento. O mercado corporativo já é um segmento bem maduro, principalmente para eventos, por conta do baixo custo, da facilidade e rapidez para montar e desmontar e da possibilidade de inserção de marcas e mensagens. Além disso, para algumas empresas, o fato de ser sustentável agrega também um benefício importante.

De onde vem o material?

Nós compramos as chapas de papelão reciclado prontas, nas medidas que atendem nossas necessidades, e fabricamos nossos produtos. O papelão é proveniente de diversas fontes como cooperativas, catadores e sobras da própria indústria.

Depois de muita busca, encontramos um fornecedor que tem uma matéria-prima que nada deve à fibra virgem. Conseguimos manter a resistência estrutural e a qualidade dos móveis, diminuindo os custos, e utilizamos um material que é ainda mais sustentável do que o papelão virgem.

Qual é a redução em termos de custo?

Há uma economia de 10% a 15%, com a mesma resistência estrutural e durabilidade. Ou seja, é mais barato e com menor impacto ambiental, pois não envolve a extração de madeira mesmo que de reflorestamento.

Qual é a percepção do consumidor em relação à sustentabilidade dos seus produtos?

De modo geral, a percepção é que não adianta ser sustentável se for caro ou se a qualidade for inferior a produtos similares. O consumidor busca preço, praticidade e qualidade. Se conseguirmos aliar a sustentabilidade a essas características é mais um diferencial que vai influenciar a compra. 

Qual é a capacidade produtiva da Cartone?

Com a nossa estrutura atual, algo em torno de 30 toneladas/mês. Em 2016, usamos, em média, metade dessa capacidade. No final do ano, tivemos um aumento significativo dos pedidos e estamos vendo uma luz no fim do túnel em relação à crise.

Quais foram as maiores dificuldades e acertos do seu negócio?

A primeira dificuldade foi vencer a noção errada de que papelão é de graça. As pessoas compram uma TV que vem numa caixa de papelão e acham que a caixa não tem custo, mas esse custo foi diluído no preço da TV. A ideia de que papelão é vulgar ou extremamente barato é um preconceito contra o qual lutamos no dia a dia e que está em total desacordo com a realidade: o papelão é uma matéria-prima nobre, feita de fibra de celulose, 100% reciclável e 100% biodegradável.

O nosso principal acerto foi ter essa visão de que não basta ser sustentável, tem que ser barato e de qualidade. Não quisemos nos posicionar no mercado de luxo. Nosso objetivo - que tem sido atingido! - é oferecer produtos resistentes, versáteis e sustentáveis com preço competitivo.


UM BALANÇO DO PRIMEIRO ANO DO ACORDO SETORIAL DE EMBALAGENS

Foto: José Roberto Couto

26/02/2017

Há pouco mais de um ano, no dia 25 de novembro, foi assinado, em Brasília, o Acordo Setorial criado pela Coalizão Embalagens para expandir a reciclagem pós-consumo no país, a partir das premissas da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) que prevê a responsabilidade compartilhada entre governo, empresas e população. Elaborada por entidades do setor - produtores, importadores, usuários e comerciantes, com apoio do Cempre, da Confederação Nacional das Indústrias (CNI) e da Confederação Nacional do Comércio (CNC) -, a proposta do documento havia sido entregue no final de 2012 para análise do governo e consulta pública.

“A Coalizão é uma iniciativa inédita no país em que 22 entidades que reúnem milhares de empresas se comprometeram a desenvolver um plano de gestão de resíduos dentro do contexto da logística reversa”, explica , presidente do Cempre. Segundo Bicca, as empresas precisam destacar, em suas ações, a existência da Coalizão para que esse engajamento coletivo seja reconhecido como um compromisso maior e comum - não apenas da empresa “A” ou “B”. “O momento, agora, é de incrementar essa sinergia, buscando compartilhar e aproveitar de forma mais eficaz nossas experiências. Outros setores e empresas têm nos procurado para participar da Coalizão, mas há players que continuam fora do Acordo e é necessário incentivar e cobrar sua adesão para assegurar conquistas maiores e mais diversificadas”, completa.

Viabilidade técnica e econômica

Único no mundo, sobretudo pela magnitude de sua premissa de responsabilidade compartilhada, o modelo brasileiro tem atraído a atenção de outros países por enfatizar a reciclagem com ganhos sociais, econômicos e ambientais. A geração de trabalho e renda é essencial nesse sistema e, por isso, um dos principais focos do Acordo é o apoio à formalização e capacitação das cooperativas.

Os resultados desse primeiro ano revelam o sucesso da proposta e tornam real o objetivo de aumentar em 22% a reciclagem de embalagens pós-consumo até o final de 2017, quando deverá ser finalizada a Fase 1 do Acordo. Naquele momento, será feita uma avaliação completa do biênio para identificar as melhorias e os ajustes necessários para consolidar o compromisso.

“Para incrementar a logística reversa, ainda temos algumas questões relevantes a enfrentar como a desoneração da cadeia produtiva, com a redução dos tributos que desestimulam a reciclagem, e a ampliação do parque reciclador - ou seja, das empresas que usam os recicláveis para fabricar novos produtos”, avalia Bicca. “Não adianta focar somente na coleta, é preciso impulsionar a reciclagem dos materiais, a partir de sua viabilidade técnica e econômica. Mesmo no atual cenário recessivo, os resultados desse ano mostram que estamos no rumo certo para fortalecer um modelo sustentável e competitivo.”

Fonte: Cempre

BRASIL KIRIN: RECICLAGEM E MUDANÇA DE HÁBITOS

10/09/2016

Os moradores da comunidade Pantanal, no bairro do Capão Redondo, em São Paulo (SP), estão desde o ano passado envolvidos em uma atividade diferenciada: separar resíduos recicláveis para trocá-los por alimentos. O recebimento dos materiais é feito no Espaço Recicle Capão Redondo - uma iniciativa da fabricante de bebidas Brasil Kirin em parceria com a start-up SO+MA.

“Esse projeto faz parte do compromisso da Brasil Kirin de gerar valor compartilhado nas comunidades por meio da destinação adequada dos resíduos, produzindo impactos sociais mais profundos. Queremos não apenas fazer a coleta das embalagens, mas também promover melhorias por meio de uma ação que resulte, ao mesmo tempo, em ganhos sociais, econômicos, ambientais e de saúde pública, ao retirar o lixo das ruas”, detalha Natalia Buchwitz, gerente de Sustentabilidade e Marca Institucional da Brasil Kirin.

Fotos: Divulgação


Os moradores entregam as embalagens pós-consumo no Espaço no Jardim Pantanal. Os materiais são pesados por um educador ambiental, contabilizados e viram pontos acumulados em um “Programa de Fidelidade” que permite a troca por produtos e alimentos. Um detalhe essencial: a pontuação diminui sensivelmente se o morador trouxer os recicláveis sem selecioná-los previamente. Ou seja, a iniciativa visa alterar hábitos e conscientizar a comunidade a respeito do valor dos recicláveis.

O entendimento dos benefícios dessa proposta e sua aceitação levaram ao crescimento do projeto em 143% desde seu lançamento. Mais de 200 famílias participam da ação que já superou 30 toneladas de recicláveis coletados e encaminhados à cooperativa Cooperpac que aumentou seu volume triado em 30%, com ganhos de eficiência, em função da qualidade dos resíduos. Em 2014, a Brasil Kirin, também com suporte da SO+MA, instalou o Espaço no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro (RJ), e cedeu a estrutura à comunidade no ano passado.

“O Espaço Recicle gera um círculo virtuoso de valor que atende à legislação a partir do conceito de responsabilidade compartilhada.”Natalia Buchwitz

“No nosso planejamento, o resíduo funciona como ‘moeda’ para estimular novos hábitos”, explica Cláudia Pires, da SO+MA, uma start-up focada em gerar renda e provocar o desenvolvimento social. “Nas comunidades vulneráveis, há falta de oportunidades e necessidade de alimentos. Estamos procurando resolver a questão do lixo como agente causador de sérios problemas de saúde, transformando-o em solução ao produzir renda familiar e novas possibilidades.”

Os exemplos desse resultado são concretos. Por serem mais assíduas no programa, algumas famílias já economizam mais de 200 reais mensais, o que pode representar até um terço de sua renda total. Há também casos de pessoas que trocam os recicláveis por óleo ou farinha e produzem pães e salgadinhos, estimulando o empreendedorismo e elevando a rentabilidade de pequenos negócios. Até mesmo pessoas de fora da comunidade já procuram o Espaço para participar da ação.



A Brasil Kirin possui outras iniciativas de apoio à coleta seletiva e às cooperativas. Em Recife (PE), seu Ponto de Entrega Voluntária em parceria com a cooperativa Bola na Rede recebeu mais de 4,5 toneladas de recicláveis no ano passado. Em Cachoeiras de Macacu (RJ), seis comunidades foram atendidas em 2015, com a arrecadação de 47 toneladas de materiais e doação de 15 toneladas de alimentos, impactando mais de 800 famílias. “A cooperativa é um elo muito importante na cadeia da reciclagem, porque faz com que o material realmente volte ao ciclo produtivo. Sem o trabalho do catador organizado, o processo perderia eficiência, qualidade e impacto social”, destaca Natalia Buchwitz.


Fonte: CEMPRE


APOIO A CATADORES É DESTAQUE EM RELATÓRIO GLOBAL DA NESTLÉ



15/08/2016

Anualmente, o relatório “Nestlé in society: Creating Shared Value” publica as principais iniciativas mundiais da empresa na criação de valor compartilhado para seus públicos-alvo. Em sua 12ª edição, relativa ao ano de 2015, o modelo brasileiro de coleta seletiva com inserção socioeconômica dos catadores organizados em cooperativas foi um dos destaques entre os trabalhos divulgados pela área de Embalagens como um benchmark de sustentabilidade reconhecido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

A publicação apresenta também o acordo setorial proposto pela Coalizão de Embalagens. Elaborado por 21 entidades do setor, incluindo produtores, importadores e comerciantes, com coordenação do Cempre e apoio da Confederação Nacional das Indústrias (CNI) e da Confederação Nacional do Comércio (CNC), o acordo foi aprovado pelo governo no final de 2015, com o compromisso de gerar um aumento de 22% na reciclagem de embalagens pós-consumo nos próximos dois anos, entre outras propostas. 

O relatório ressalta ainda o projeto desenvolvido pela Nestlé em parceria com o Cempre de apoio à formalização e desenvolvimento de cooperativas. “Atuamos em 69 das 150 cooperativas apoiadas pelo Cempre no país”, comenta Cristiani Vieira, gerente de Sustentabilidade Ambiental da Nestlé Brasil. “Em 2015, nosso programa cobriu cerca de 1.900 catadores (mais do dobro de 2014) que separaram aproximadamente 51.000 toneladas de materiais recicláveis que retornaram, assim, à cadeia produtiva, com inclusão socioeconômica desses trabalhadores”.

“Temos percebido que outros mercados estão observando de perto o modelo brasileiro para estabelecer seus marcos legais e seus formatos de gerenciamento de resíduos pós-consumo.” Cristiani Vieira, gerente de Sustentabilidade Ambiental 

Na avaliação do consultor Ailton Storolli, o suporte às cooperativas e associações de catadores é essencial para a concretização do modelo brasileiro. “Sua formalização e organização gera melhores condições de segurança, maior produtividade, aumento de escala e comercialização direta dos materiais com os recicladores, incrementando a renda dos trabalhadores para que alcancem a sustentabilidade social e econômica de sua atividade”, afirma Ailton, diretor proprietário da Storolli Sustentabilidade, contratada pela Nestlé para apoiar sua representação na Coalizão e na proposta dos planos de ação do setor.

A Nestlé iniciou seus projetos com as cooperativas em 2005 - portanto, cinco anos antes da aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos. “Desde o começo, trabalhamos em parceria com o Cempre para apoiar o desenvolvimento das cooperativas, aproveitando sua expertise e proximidade com o setor”, conta Cristiani. “O modelo brasileiro vem despertando o interesse de outros países. Já existem, por exemplo, discussões na Ásia com entendimento de seguir numa linha semelhante à que desenvolvemos por aqui. Sem dúvida, é um reconhecimento muito importante desse esforço conjunto.”


Para saber mais: http://www.nestle.com/csv

Fonte: Cempre


ROTA DA RECICLAGEM, DA TETRA PAK, EM DESTAQUE NO WAZE

05/06/2016

Para comemorar os oito anos de sua Rota da Reciclagem, a Tetra Pak acaba de fechar uma parceria com o Waze - um dos maiores aplicativos de trânsito e navegação do mundo. Disponível para as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, a novidade indica para os usuários do Waze os pontos de entrega de materiais recicláveis em seu trajeto, num raio máximo de cinco quilômetros, permitindo salvar o endereço ou alterar a rota para se dirigir ao local indicado.

“A parceria com o Waze é mais uma maneira de atingir o objetivo que levou à criação do serviço, em 2008, como uma plataforma de georreferência para facilitar a identificação dos pontos de entrega de embalagens longa vida e outros recicláveis em diversas cidades do país, estimulando a coleta seletiva”, explica Valéria Michel, diretora de Meio Ambiente da Tetra Pak. Na Rota da Reciclagem (disponível via internet e como aplicativo para IOS e Android), basta que o usuário insira seu endereço e, imediatamente, é informado do lugar mais próximo para o correto encaminhamento dos materiais - uma cooperativa, um local de comércio ou um Ponto de Entrega Voluntária.



“Nosso maior desafio é manter o banco de dados continuamente atualizado, inserindo ou retirando indicações, sempre que necessário”, destaca Valéria. “A Tetra Pak conta com uma equipe de 20 consultores em todo o país que, somente no ano passado, realizaram mais de 12 mil visitas para mapear os locais. Nenhum endereço entra para a Rota da Reciclagem sem nossa checagem prévia quanto ao seu funcionamento e à destinação adequada dos recicláveis recebidos.”

Em 2015, a Rota da Reciclagem chegou ao registro de 5.025 entidades que coletam embalagens longa vida e outros materiais. Esse número compreende mais de 20% dos municípios brasileiros e 63% da população com locais para destinação dos recicláveis. O sucesso do projeto no Brasil levou à implantação, em 2012, de sua versão latino-americana (Ruta del Reciclado) na Argentina, Chile, Panamá, Costa Rica, República Dominicana, Paraguai e Uruguai.

Para saber mais:


Fonte: CEMPRE

PRÊMIO CIDADE PRÓ-CATADOR DESTACA INCLUSÃO SOCIOECONÔMICA DAS COOPERAT

06/05/2016

Das 40 inscrições consideradas aptas a participar da 3ª edição do Prêmio Cidade Pró-Catador, nove foram selecionadas - por uma comissão formada por representantes da Secretaria de Governo da Presidência da República, da Fundação Banco do Brasil e dos Ministérios do Meio Ambiente e do Trabalho e Emprego - para uma visita de avaliação local.

Em cada cidade, foram analisados critérios como inclusão social e econômica dos catadores, replicabilidade, impacto no público-alvo, integração com outras políticas, participação da comunidade e abrangência. Os municípios vencedores - Cachoeira de Minas (MG), Santa Terezinha de Itaipu (PR), Campo Largo (PR) e Canoas (RS) - receberam prêmios de até R$ 120 mil. Mais do que isso: ganharam um aval de qualidade para seu trabalho e passam a servir de exemplo para outros municípios em todo o país, mostrando que, com empenho, criatividade e engajamento, é possível obter resultados concretos de ampliação da reciclagem, com geração de trabalho e renda para os catadores. Saiba mais sobre os quatro projetos vencedores:

Cachoeira de Minas (Minas Gerais)

Foto: Divulgação

Duas vezes por semana, 100% da área urbana do município participa do programa de coleta seletiva, criado em 2008 para gerar trabalho e renda para os catadores que estavam nos lixões ou atuando individualmente nas ruas e dar a destinação correta para os recicláveis. O volume mensal é, em média, de 35 toneladas, o que representa um índice de reciclagem de 64,4%. O sistema é operado pela Associação dos Catadores e Amigos do Meio Ambiente (Aclama) que conta com 14 associados, com renda média de R$ 950,00. A prefeitura cede o galpão, paga as contas de água e energia e disponibiliza um caminhão com motorista e combustível para auxiliar na coleta. Cachoeira de Minas faz parte do Projeto Novo Ciclo, realizado pelo Instituto Nenuca de Desenvolvimento Sustentável – INSEA junto ao Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis com apoio da Danone. “Os próximos passos são expandir a coleta para a zona rural e melhorar a infraestrutura da Aclama, construindo um galpão mais adequado com os recursos da premiação recebida e o auxílio da prefeitura”, destaca Expedito de Oliveira, secretário de Indústria, Comércio, Agropecuária e Meio Ambiente.


Santa Terezinha de Itaipu (Paraná)

Foto: Divulgação

Em 2014, a prefeitura deu início a um novo sistema de coleta seletiva, em parceria com a Associação dos Catadores de Resíduos Recicláveis e/ou Reaproveitáveis de Santa Terezinha de Itaipu (Acaresti) que já atuava no município há dez anos. Desde então, o avanço foi notável. “A coleta cobre 100% do perímetro urbano e o perímetro rural, e totaliza 100 toneladas por mês, garantindo destino adequado para 70% dos materiais recicláveis gerados. Nossa meta é encerrar 2016 com um índice de 100% de reaproveitamento”, planeja Paulo Henrique Squinzani, diretor do Departamento de Meio Ambiente. A coleta é realizada de porta em porta, por dois caminhões-baús, com o apoio de dois motoristas, quatro coletores terceirizados e quatro catadores associados à Acaresti. O custo operacional é coberto pela prefeitura que faz a doação dos recicláveis à Associação para triagem e comercialização. Nesses dois anos, a quantidade de materiais recolhidos aumentou em 350%, a renda dos catadores cresceu de duas a três vezes e o grupo ganhou maior estabilidade e melhor controle de sua saúde e bem-estar. Com todas essas conquistas, o programa de Santa Terezinha de Itaipu tornou-se referência na região e também em outros países como Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai.


Campo Largo (Paraná)

Foto: Diego Pisante

Com mais de 112 mil habitantes, Campo Largo oferece, hoje, coleta seletiva diária e semanal em 100% de sua área urbana, recolhendo, em média, 233 toneladas mensais, o que representa 12% do total de resíduos sólidos gerados no município. Uma empresa terceirizada faz a coleta e os caminhões descarregam nas quatro associações que realizam a triagem e a venda dos materiais. Todo o lucro com a comercialização é dividido entre os associados. Desde o lançamento da coleta, em 2006, houve incremento de 926% na quantidade de recicláveis recolhidos, o que demonstra a mudança de comportamento da comunidade. Além disso, reduziu-se a exclusão social e houve melhora na qualidade de vida dos catadores. “Essa premiação em nível nacional fortalece o projeto localmente e pereniza as ações, pois sua repercussão permite que nossa metodologia se torne conhecida e respeitada pelas autoridades e pela comunidade e faz com que os participantes se sintam valorizados e reconhecidos. Esse fortalecimento vai além das divisas do nosso município, o que reverte em benefícios diretos para os catadores de todo o país”, avalia Walquiria Brusamolin, responsável pelo Projeto de Trabalho Técnico Social para Inclusão dos Catadores.


Canoas (Rio Grande do Sul)

Foto: Fernanda Gonçalves

Há seis anos, a prefeitura desenvolve o Programa de Coleta Seletiva Compartilhada e Inclusão Socioprodutiva de Catadores, com a contratação de quatro cooperativas para recolhimento e transporte dos resíduos até as unidades de triagem. Cada cooperativa possui um caminhão para percorrer um roteiro predefinido e as quatro utilizam, em rodízio semanal, um quinto caminhão conjunto que realiza a retirada dos materiais em empresas, condomínios, shoppings, postos de saúde e estabelecimentos públicos. Além das quatro contratadas, dois outros grupos recebem os resíduos para triagem e comercialização: a Cooperativa Mãos Dadas e o Ponto Popular de Trabalho - Incubadora de Triagem Solidária. O sistema atinge 88% dos domicílios, totalizando 217 toneladas de recicláveis por mês, e gera renda direta para 134 catadores, beneficiando mais de 430 pessoas, de forma indireta. “No valor pago pela prefeitura, estão incluídos todos os custos da prestação dos serviços, impostos, taxas e contribuições sociais, com reajuste anual pelo IPCA, mais um percentual de 5% sobre o valor mensal para investimento”, detalha Roseli Pereira Dias, diretora de Resíduos Sólidos e Coleta Seletiva da Secretaria Municipal de Meio Ambiente.


O Cempre Informa conversou com o presidente da Fundação Banco do Brasil, José Caetano de Andrade Minchillo, sobre a relevância do Prêmio Cidade Pró-Catador. Confira:

Por que a Fundação BB apoia essa premiação?

A Fundação BB tem os catadores de resíduos sólidos como um de seus públicos prioritários de atuação. Além disso, a cadeia de resíduos sólidos é um dos cinco vetores destacados em nossa Estratégia Corporativa 2016-2018. Atuamos com as cooperativas desde 2007 e o Prêmio Cidade Pró-Catador é uma importante ferramenta de reconhecimento e disseminação das boas práticas voltadas à inclusão social e econômica de catadores, buscando um país socialmente justo e ambientalmente correto.

Qual o peso dos municípios na concretização da Política Nacional de Resíduos Sólidos?

Os municípios são os principais responsáveis pela gestão da cadeia dos resíduos sólidos. O trabalho é coletivo e realizado fundamentalmente pelas prefeituras, em parceria com os catadores, empresas privadas, a sociedade e os governos estadual e federal.

Qual a importância da inclusão dos catadores nesse processo?

O modelo de gestão compartilhada dos resíduos sólidos pressupõe a participação da sociedade, das empresas e do poder público e permite a contratação de cooperativas e associações de catadores de materiais recicláveis para prestação de serviços de coleta seletiva, triagem, processamento, beneficiamento e destinação adequada dos resíduos, incorporando esses trabalhadores formalmente n o processo d e g estão. Esse novo modelo alia a inclusão social promovida pelo reconhecimento dessa atividade à proteção do meio ambiente, empregando uma tecnologia social intensiva em trabalho e facilmente adaptável ao contexto social e regional. A precificação desse tipo de serviço permite valores justos e transparentes, distribuindo renda e desenvolvendo localmente as comunidades.

Fonte: Cempre

PROGRAMA SOYA RECICLA COMPLETA 10 ANOS

Foto: Divulgação

07/04/2016

O óleo vegetal é um dos principais itens utilizados na preparação dos alimentos. Muitas vezes, no entanto, o produto não recebe a destinação correta após o uso, o que pode provocar danos ambientais. Para mudar essa situação, a Bunge criou, em 2006, o programa Soya Recicla, com o objetivo de conscientizar a população sobre a importância da reciclagem do óleo de cozinha usado, evitando seu descarte na rede de água e esgoto.

Nesses dez anos, já foram coletadas mais de 3 mil toneladas de óleo de cozinha pós-consumo, ajudando a preservar 87 milhões de metros cúbicos de água, o que equivale a mais de 35 mil piscinas olímpicas. Atualmente, 40 municípios são atendidos pelo programa, em oito estados (Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco e Ceará), totalizando 2.188 Pontos de Entrega Voluntária (PEVs). Além do recolhimento de óleo, o programa Soya Recicla apoia cooperativas de catadores a fim de melhorar suas condições de trabalho e eficiência na triagem de material reciclável, com investimentos em equipamentos e infraestrutura.

Desde a criação do Soya Recicla, o volume coletado cresce mais de 20% ao ano. O Instituto Triângulo é o grande operacionalizador do programa, realizando não apenas a logística de coleta como também a triagem e beneficiamento do material que envolve a conversão do óleo em sabão 90% biodegradável e a destinação para produção de biodiesel. O Instituto Triângulo é também responsável pela prospecção de novos parceiros, abertura de novos PEVs e campanhas educacionais de sensibilização da comunidade.

Uma das parcerias é desenvolvida com a Ultragaz desde 2013, na ação “Junte Óleo, Ultragaz Coleta, Soya Recicla”. A cada dois litros de óleo usado entregue nos caminhões da Ultragaz, o consumidor recebe duas barras de sabão biodegradável produzidas pelo Instituto Triângulo. Atualmente, mais de 235 revendas da Ultragaz são pontos de coleta de óleo pós-consumo. “Nosso maior desafio é provocar a mudança de postura com relação à preservação do meio ambiente. Isso passa por um processo de sensibilização e conscientização. Além de recolher o óleo, queremos formar opinião e multiplicar práticas de sustentabilidade e cidadania”, assegura Martus Tavares, vice-presidente de Assuntos Corporativos da Bunge Brasil.

Para saber mais: http://www.bunge.com.br e http://www.soya.com.br/soyarecicla

CEMPRE

CEMPRE - UM ACORDO MUITO ESPERADO

Fotos: Paulo de Araújo/MMA

24/12/2015

O acordo setorial elaborado para aprimorar a reciclagem de embalagens pós-consumo no país foi assinado, no último dia 25 de novembro, pela ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, com a presença de representantes da Coalizão Embalagens, formada por empresas e associações do setor, e do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR). O acordo propõe ações para expandir o sistema, seguindo os princípios da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) que prevê a integração entre os diversos stakeholders para o incremento dos índices de reciclagem.

Elaborada por 21 entidades do setor - produtores, importadores, usuários e comerciantes, com apoio do Cempre, da Confederação Nacional das Indústrias (CNI) e da Confederação Nacional do Comércio (CNC) - a proposta do documento foi entregue no final de 2012 para análise do governo e consulta pública. “O acordo vai trazer condições dignas de trabalho para os catadores que agora têm direitos e deveres dentro do processo”, declarou a ministra na cerimônia de assinatura. Segundo Roberto Laureano, do MNCR, “esse é o melhor caminho, o de incluir a base da pirâmide que são os catadores. O acordo é um instrumento necessário para a implantação da Política Nacional do setor.” 

“Esse é um momento de convergência para uma ambição que deve ser ampliada e reavaliada sempre que possível.”Izabella Teixeira, ministra do Meio Ambiente

Para todas as categorias de insumos cobertos pelo acordo (papel e papelão, plástico, alumínio, aço, vidro e embalagem longa vida), os estudos apontam vantagens econômicas na produção a partir de material reciclado, em relação aos custos com energia e insumos. Essas vantagens se refletem na geração de renda ao longo da cadeia de coleta, triagem, transporte e reciclagem.

Victor Bicca e Izabella Teixeira, na assinatura do acordo.

Para o presidente do Cempre, Victor Bicca, o acordo representa um marco fundamental. “Ele abrange todo o ciclo da reciclagem e aborda o desafio de formalizar o fluxo da coleta. Agora, teremos maior clareza do papel e da responsabilidade do setor empresarial e dos demais envolvidos no processo como a população, o governo e as cooperativas de catadores. Tenho certeza que escolhemos o melhor modelo para o país a partir de critérios de viabilidade técnica que levaram em conta nossa situação socioeconômica e geográfica. É um modelo que prioriza o apoio às cooperativas de catadores, a instalação dos Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) e o compromisso das empresas de comprar todo o material que for coletado pelo melhor preço de mercado”, explica Bicca. 

A versão 2015 do “Cempre Review” apresenta dados atualizados sobre a cadeia de reciclagem e os avanços alcançados nos últimos anos no país. A publicação pode ser acessada no site www.cempre.org.br ou na página do Cempre no facebook.

O acordo prevê aumento de 22% na reciclagem de embalagens pós-consumo nos próximos dois anos. Segundo o Cempre Review 2015, lançado durante o 11º Recicle Cempre, são muitas as oportunidades de expansão, visto que hoje apenas 13% da população brasileira é atendida pelo serviço de coleta seletiva. 

Fonte: CEMPRE

RECICLANDO IDEIAS

Foto: Tiago Giordani

28/09/2015

A primeira edição do Pimp my Carroça aconteceu em junho de 2012, no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, com a ajuda de 792 apoiadores que fizeram doações por meio do Catarse, plataforma de financiamento coletivo. O evento atendeu 40 carroças e catadores com o trabalho voluntário de 300 pessoas e 60 artistas.

As carroças passaram por serviços de limpeza, funilaria, marcenaria e borracharia, ganharam pintura personalizada e itens de segurança. Os catadores receberam um kit com camiseta, fitas refletivas, capa de chuva, meias, tênis e luvas, massagem, corte de cabelo e atendimento clínico, odontológico e oftalmológico.

O Pimp my Carroça foi concebido pelo grafiteiro Mundano como um movimento para “tirar os catadores de materiais recicláveis da invisibilidade e promover a sua autoestima”. A ideia é sensibilizar, engajar e transformar a sociedade para que a população reconheça o papel dos catadores como agentes ambientais essenciais e responsáveis pela coleta de mais de 90% dos materiais reciclados no Brasil.

Foto: Caroline Riley

Com a visibilidade da ação, surgiram muitas pessoas interessadas em levar o evento para suas cidades. No entanto, até então, a ação do Pimp My Carroça só era possível com uma estrutura grande e considerável, o que dificultava sua itinerância. Para atender às demandas, foi criado o Pimpex, uma miniedição do projeto feita de modo independente que permite aos entusiastas do movimento “pimpar” carroças em qualquer lugar. É preciso inscrever o catador a ser apoiado, no canal Pimp do Catarse, e abrir uma campanha de financiamento coletivo. Alcançada a meta, o entusiasta recebe uma cartilha e o “Kit Pimpador”.

Outras ações

O projeto atingiu tamanha dimensão que o artivista Mundano já falou sobre o Pimp my Carroça no TEDglobal e em dezenas de eventos internacionais na África do Sul, Turquia, Japão, Estados Unidos, Porto Rico, Peru, Bolívia e Argentina, entre outros países. "O catador presta três grandes serviços para a sociedade, todos não remunerados: a coleta seletiva, que seria responsabilidade da prefeitura; a limpeza pública, pois sem os catadores seriam necessários mais garis, o que geraria mais custos para o estado; e também a logística reversa, de acordo com a Política Nacional dos Resíduos Sólidos”, destaca Mundano.

Além do Pimp my Carroça e do Pimpex, outras ações já derivaram dos objetivos do movimento (veja quadro). No fechamento desta matéria, Mundano estava em Nova York, a convite da Brazil Foundation, para conhecer e prospectar novos parceiros que tenham sinergia com os projetos e queiram incentivar e fortalecer a cadeia da reciclagem, com foco na inclusão dos catadores. Os bons resultados desses três primeiros anos parecem, portanto, ser apenas o começo dessa história.

Para saber mais:


Fonte: CEMPRE


INCLUSÃO DE CATADORES SE EXPANDE PELA AMÉRICA LATINA



12/03/2015

O modelo brasileiro de reciclagem com inclusão social dos catadores vem se difundindo pela América Latina. Recentemente, foi anunciado um projeto na capital da Nicarágua, Manágua, que tem como foco a formação e o fornecimento de equipamentos para melhorar a qualidade da gestão e da operação de cooperativas de reciclagem.

O projeto é desenvolvido em cooperação com a Área Metropolitana de Barcelona Ressoc - Alcaldía (Prefeitura) de Manágua, AMB-ALMA. A prioridade do Ressoc são cidades e áreas que oferecem possibilidade de progresso na inserção de segmentos sociais que vivem de atividades informais relacionadas à coleta de resíduos, ampliando a eficiência econômica e ambiental da reciclagem e da reutilização de materiais.

O projeto de Manágua - centrado na formalização das atividades de coleta, na geração de emprego, na formação de cooperativas e na melhoria do tratamento dos resíduos sólidos urbanos - segue o modelo desenvolvido no Brasil. Para isso, a troca de experiências entre trabalhadores do segmento em toda a região é essencial.

Foi esse o pano de fundo para a formação da Red Latinoamericana de Recicladores (Red Lacre) que conta com 16 países. Sua história começou com as primeiras associações formais de catadores existentes na Colômbia, há mais de 35 anos, e segue conforme o sistema brasileiro, considerado pela Red Lacre como o país que “consolidou mais rapidamente uma política de reconhecimento e organização que deve ser um exemplo para o mundo”.

A conquista da Nicarágua já repercute entre os demais países e assegura a adequação da rota seguida. "Estamos unindo nossas forças na questão das políticas públicas e da valorização de nosso trabalho. Sem dúvida, isso é muito importante para o fortalecimento da categoria em toda a América Latina e, principalmente, para o intercâmbio das boas práticas", destaca Eduardo Ferreira de Paula, do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) e delegado brasileiro na Red Lacre.

Fonte: CEMPRE


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