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PRÊMIO CIDADE PRÓ-CATADOR DESTACA INCLUSÃO SOCIOECONÔMICA DAS COOPERAT

06/05/2016

Das 40 inscrições consideradas aptas a participar da 3ª edição do Prêmio Cidade Pró-Catador, nove foram selecionadas - por uma comissão formada por representantes da Secretaria de Governo da Presidência da República, da Fundação Banco do Brasil e dos Ministérios do Meio Ambiente e do Trabalho e Emprego - para uma visita de avaliação local.

Em cada cidade, foram analisados critérios como inclusão social e econômica dos catadores, replicabilidade, impacto no público-alvo, integração com outras políticas, participação da comunidade e abrangência. Os municípios vencedores - Cachoeira de Minas (MG), Santa Terezinha de Itaipu (PR), Campo Largo (PR) e Canoas (RS) - receberam prêmios de até R$ 120 mil. Mais do que isso: ganharam um aval de qualidade para seu trabalho e passam a servir de exemplo para outros municípios em todo o país, mostrando que, com empenho, criatividade e engajamento, é possível obter resultados concretos de ampliação da reciclagem, com geração de trabalho e renda para os catadores. Saiba mais sobre os quatro projetos vencedores:

Cachoeira de Minas (Minas Gerais)

Foto: Divulgação

Duas vezes por semana, 100% da área urbana do município participa do programa de coleta seletiva, criado em 2008 para gerar trabalho e renda para os catadores que estavam nos lixões ou atuando individualmente nas ruas e dar a destinação correta para os recicláveis. O volume mensal é, em média, de 35 toneladas, o que representa um índice de reciclagem de 64,4%. O sistema é operado pela Associação dos Catadores e Amigos do Meio Ambiente (Aclama) que conta com 14 associados, com renda média de R$ 950,00. A prefeitura cede o galpão, paga as contas de água e energia e disponibiliza um caminhão com motorista e combustível para auxiliar na coleta. Cachoeira de Minas faz parte do Projeto Novo Ciclo, realizado pelo Instituto Nenuca de Desenvolvimento Sustentável – INSEA junto ao Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis com apoio da Danone. “Os próximos passos são expandir a coleta para a zona rural e melhorar a infraestrutura da Aclama, construindo um galpão mais adequado com os recursos da premiação recebida e o auxílio da prefeitura”, destaca Expedito de Oliveira, secretário de Indústria, Comércio, Agropecuária e Meio Ambiente.


Santa Terezinha de Itaipu (Paraná)

Foto: Divulgação

Em 2014, a prefeitura deu início a um novo sistema de coleta seletiva, em parceria com a Associação dos Catadores de Resíduos Recicláveis e/ou Reaproveitáveis de Santa Terezinha de Itaipu (Acaresti) que já atuava no município há dez anos. Desde então, o avanço foi notável. “A coleta cobre 100% do perímetro urbano e o perímetro rural, e totaliza 100 toneladas por mês, garantindo destino adequado para 70% dos materiais recicláveis gerados. Nossa meta é encerrar 2016 com um índice de 100% de reaproveitamento”, planeja Paulo Henrique Squinzani, diretor do Departamento de Meio Ambiente. A coleta é realizada de porta em porta, por dois caminhões-baús, com o apoio de dois motoristas, quatro coletores terceirizados e quatro catadores associados à Acaresti. O custo operacional é coberto pela prefeitura que faz a doação dos recicláveis à Associação para triagem e comercialização. Nesses dois anos, a quantidade de materiais recolhidos aumentou em 350%, a renda dos catadores cresceu de duas a três vezes e o grupo ganhou maior estabilidade e melhor controle de sua saúde e bem-estar. Com todas essas conquistas, o programa de Santa Terezinha de Itaipu tornou-se referência na região e também em outros países como Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai.


Campo Largo (Paraná)

Foto: Diego Pisante

Com mais de 112 mil habitantes, Campo Largo oferece, hoje, coleta seletiva diária e semanal em 100% de sua área urbana, recolhendo, em média, 233 toneladas mensais, o que representa 12% do total de resíduos sólidos gerados no município. Uma empresa terceirizada faz a coleta e os caminhões descarregam nas quatro associações que realizam a triagem e a venda dos materiais. Todo o lucro com a comercialização é dividido entre os associados. Desde o lançamento da coleta, em 2006, houve incremento de 926% na quantidade de recicláveis recolhidos, o que demonstra a mudança de comportamento da comunidade. Além disso, reduziu-se a exclusão social e houve melhora na qualidade de vida dos catadores. “Essa premiação em nível nacional fortalece o projeto localmente e pereniza as ações, pois sua repercussão permite que nossa metodologia se torne conhecida e respeitada pelas autoridades e pela comunidade e faz com que os participantes se sintam valorizados e reconhecidos. Esse fortalecimento vai além das divisas do nosso município, o que reverte em benefícios diretos para os catadores de todo o país”, avalia Walquiria Brusamolin, responsável pelo Projeto de Trabalho Técnico Social para Inclusão dos Catadores.


Canoas (Rio Grande do Sul)

Foto: Fernanda Gonçalves

Há seis anos, a prefeitura desenvolve o Programa de Coleta Seletiva Compartilhada e Inclusão Socioprodutiva de Catadores, com a contratação de quatro cooperativas para recolhimento e transporte dos resíduos até as unidades de triagem. Cada cooperativa possui um caminhão para percorrer um roteiro predefinido e as quatro utilizam, em rodízio semanal, um quinto caminhão conjunto que realiza a retirada dos materiais em empresas, condomínios, shoppings, postos de saúde e estabelecimentos públicos. Além das quatro contratadas, dois outros grupos recebem os resíduos para triagem e comercialização: a Cooperativa Mãos Dadas e o Ponto Popular de Trabalho - Incubadora de Triagem Solidária. O sistema atinge 88% dos domicílios, totalizando 217 toneladas de recicláveis por mês, e gera renda direta para 134 catadores, beneficiando mais de 430 pessoas, de forma indireta. “No valor pago pela prefeitura, estão incluídos todos os custos da prestação dos serviços, impostos, taxas e contribuições sociais, com reajuste anual pelo IPCA, mais um percentual de 5% sobre o valor mensal para investimento”, detalha Roseli Pereira Dias, diretora de Resíduos Sólidos e Coleta Seletiva da Secretaria Municipal de Meio Ambiente.


O Cempre Informa conversou com o presidente da Fundação Banco do Brasil, José Caetano de Andrade Minchillo, sobre a relevância do Prêmio Cidade Pró-Catador. Confira:

Por que a Fundação BB apoia essa premiação?

A Fundação BB tem os catadores de resíduos sólidos como um de seus públicos prioritários de atuação. Além disso, a cadeia de resíduos sólidos é um dos cinco vetores destacados em nossa Estratégia Corporativa 2016-2018. Atuamos com as cooperativas desde 2007 e o Prêmio Cidade Pró-Catador é uma importante ferramenta de reconhecimento e disseminação das boas práticas voltadas à inclusão social e econômica de catadores, buscando um país socialmente justo e ambientalmente correto.

Qual o peso dos municípios na concretização da Política Nacional de Resíduos Sólidos?

Os municípios são os principais responsáveis pela gestão da cadeia dos resíduos sólidos. O trabalho é coletivo e realizado fundamentalmente pelas prefeituras, em parceria com os catadores, empresas privadas, a sociedade e os governos estadual e federal.

Qual a importância da inclusão dos catadores nesse processo?

O modelo de gestão compartilhada dos resíduos sólidos pressupõe a participação da sociedade, das empresas e do poder público e permite a contratação de cooperativas e associações de catadores de materiais recicláveis para prestação de serviços de coleta seletiva, triagem, processamento, beneficiamento e destinação adequada dos resíduos, incorporando esses trabalhadores formalmente n o processo d e g estão. Esse novo modelo alia a inclusão social promovida pelo reconhecimento dessa atividade à proteção do meio ambiente, empregando uma tecnologia social intensiva em trabalho e facilmente adaptável ao contexto social e regional. A precificação desse tipo de serviço permite valores justos e transparentes, distribuindo renda e desenvolvendo localmente as comunidades.

Fonte: Cempre

BRASIL DEBATE GESTÃO DE RESÍDUOS NA COP 21

Severino: acordo vai dar certo
Paulo de Araújo/MMA

10/12/2015

Acordos setoriais fazem parte das ações brasileiras para reduzir emissões de gases de efeito estufa

Por: Lucas Tolentino, enviado especial a Paris - Editora: Alethea Muniz

A gestão dos resíduos sólidos e a promoção da coleta seletiva serão aliadas na agenda climática. Promovido pelo Ministério do Meio Ambiente, em parceria com o Ministério das Relações Exteriores, o evento Diálogos do Brasil na COP 21 reuniu nesta quarta-feira (09/12), em Paris, catadores de materiais recicláveis brasileiros e de outras nacionalidades e representantes do governo federal e do comércio. A série de debates tem o objetivo de embasar a participação do Brasil na 21ª Conferência das Partes (COP 21), que ocorre até o fim desta semana na capital francesa.

O acordo setorial firmado entre os catadores com o governo federal e a indústria para a logística reversa de embalagens foi apontado como uma das principais medidas para garantir a destinação adequada dos resíduos sólidos no País. Assinado há duas semanas, o documento foi aprovado pela categoria. “O acordo foi construído a várias mãos e veio para dar certo”, afirmou Severino Lima Júnior, da equipe de articulação do Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis.

META

A questão dos resíduos sólidos faz parte das ações brasileiras para cumprir a meta nacional (INDC, na sigla em inglês) de redução de emissões de gases de efeito estufa apresentada às Nações Unidas. “A INDC brasileira é voltada para todos os setores da economia brasileira. Nessa agenda, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) tem bastante importância”, afirmou o secretário de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do MMA, Carlos Klink.

Os catadores comemoram a inclusão do tema nas discussões a nível internacional. A catadora Nora Parilla, da Associação Nacional dos Recicladores da Colômbia, ressaltou a importância do trabalho da categoria para as políticas ambientais em todo o mundo. “O reconhecimento precisa vir junto da remuneração econômica”, acrescentou. Segundo ela, a legislação brasileira deve embasar a forma como o restante do mundo trata da questão. “A lei brasileira é um modelo de gestão e de como valorizar o catador”, analisou.

SAIBA MAIS

Em 25 de novembro de 2015, o governo federal firmou acordo setorial com os catadores e a indústria para a logística reversa de embalagens em geral. Entre elas, estão produtos como latas de alumínio, garrafas plásticas e papelão. Ao todo, 21 entidades representativas do setor assinaram o documento. Com isso, os empresários se responsabilizam por criar um sistema de recolhimento e destinação adequada dos produtos.

O acordo está previsto na PNRS, estabelecida pela Lei 12.305, de 2 de agosto de 2010. Segundo a legislação, fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de um determinado produto que possa causar danos ao meio ambiente ou à saúde humana devem criar um sistema de recolhimento e destinação final independente dos sistemas públicos de limpeza urbana. Assim, fica garantido o retorno dos produtos descartados (aquilo que tem valor econômico e pode ser reciclado ou reutilizado) à indústria, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos.

Fonte: Ascom/MMA

Coleta premiada

24/08/2013

Rio de Janeiro oferece desconto na conta de luz para quem dá o destino correto ao lixo. Há clientes que não pagam nada

Michel Alecrim

No morro Dona Marta, em Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro, o comerciante paraibano Severino Gomes Pedrosa, 59 anos, está sem pagar a conta de luz há um ano e meio. Não há nada de errado com seu medidor de consumo. Tampouco estamos diante de um caso de inadimplência. Pedrosa conquistou esse direito ao separar papelão de garrafa PET e latas de alumínio e trocar esse lixo reciclável pelo bônus que tem zerado o seu débito. Outras 5.100 famílias de favelas cariocas procuram obter pelo menos um desconto fazendo o mesmo com seus dejetos. Estão inscritas no programa Light Recicla, da concessionária de energia da cidade. Em quase dois anos, a iniciativa evitou que 1.380 toneladas de papel, plástico, latas e vidro fossem despejadas no meio ambiente. A rede de esgoto também ficou livre de 5.660 litros de óleo recolhidos pelo programa.



Quem é cadastrado recebe um cartão magnético. É através dele que a bonificação é computada. Além de separar o lixo, os participantes retiram a sujeira de potes e garrafas. Misturar tudo não é um bom negócio. O valor dos detritos é calculado pela matéria-prima de que são feitos. Quem pesa tudo junto recebe pela categoria de objetos de menor valor. Os clientes precisam levar o lixo para um posto de coleta, que fica na entrada dessas comunidades. Há unidades na Rocinha, Chácara do Céu, Cruzada São Sebastião, Chapéu Mangueira e Babilônia. No posto, o material é pesado e o desconto, calculado. O participante recebe um extrato comprovando o que entregou. Aí é só esperar pela recompensa na conta do mês seguinte.

Como a reciclagem ajuda na redução do consumo de energia, a Light calcula ter poupado 5.900 megawatts, o que abasteceria durante um mês 40 mil domicílios. O bônus oferecido aos clientes também funciona como uma forma de estimular o pagamento da conta em dia. Esse modelo já tinha sido adotado pela concessionária Ampla, que atende a municípios da região metropolitana e do interior do Rio, desde 2008. A empresa contabiliza 140 mil clientes e quer mais. Lançou uma campanha de adesão que dá prêmios como geladeiras, lâmpadas econômicas e ecobags a quem se empenhar mais.


Parte do lixo recolhido pelo Light Recicla vem de clientes de bairros de classe média, que passaram a colaborar com o programa sem lucrar nada em suas contas. Seus bônus aliviam a fatura de 31 instituições de caridade, a maioria dentro de favelas. Alunos de colégios de Botafogo, como o Santo Inácio e a Escola Corcovado, estão entre os que aderiram ao programa. Eles colocam o lixo no cesto certo e ganham o bônus de um planeta melhor para viver.



Fonte: ISTOÉ


Separar o lixo pode render descontos na conta de luz

Programa Recicle Mais, Pague Menos da AES Eletropaulo dará descontos na conta de luz 
para quem separar o lixo reciclável
28/05/2013

Lixeiras plásticas de coleta seletiva: iniciativa convida os cidadãos a separar os recicláveis de papel, plástico, vidro e metal e os levar para postos de coleta da empresa

São Paulo - Medidas adotadas pela presidente Dilma Rousseff deixaram a energia mais barata no Brasil, mas em São Paulo a redução na conta de luz dos consumidores pode ser ainda maior. A AES Eletropaulo - concessionário responsável pela distribuição de energia no Estado - lança, em maio, o programa Recicle Mais, Pague Menos.

A iniciativa convida os cidadãos a separar os recicláveis de papel, plástico, vidro e metal e os levar para postos de coleta da empresa. Em troca, recebem descontos na conta de luz, que equivalem ao preço que os materiais valem no mercado de reciclagem.

Para participar, basta ir a um posto de coleta, com uma conta de luz em mãos, e se cadastrar. O cidadão ganha um cartão personalizado, em que será computado o valor de todo o material reciclável que ele levar ao local. A quantia é, então, descontada da próxima fatura.

Segundo a AES Eletropaulo, não há limite para o desconto. Se o preço dos recicláveis levados pelo cidadão aos postos de coleta superar o valor da sua conta de luz, ele fica com créditos para a fatura do mês seguinte.

Por enquanto, a concessionária instalou um ponto de coleta na comunidade de Vila Guacuri, na zona sul de São Paulo. Outros três postos devem ser criados até o final do ano, sendo um deles na comunidade de Heliópolis. Até 2014, a meta da AES Eletropaulo é ter 10 pontos de coleta espalhados por São Paulo.

Fonte: Exame


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