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Programa da Danone impacta mais de 800 catadores



15/11/2016

Criado de forma piloto na cidade mineira de Jacutinga, em 2011, o Programa Novo Ciclo, da Danone, vem consolidando sua expansão e multiplicando resultados que já mereceram reconhecimentos como a 1ª posição no “Convergences Awards 2015”, uma plataforma mundial que visa construir a convergência entre organizações não governamentais, o setor público e a iniciativa privada para promover os Objetivos do Milênio e reduzir a pobreza em países desenvolvidos e em desenvolvimento. O Cempre Informa Mais conversou com o gerente de Sustentabilidade da empresa, Mauro Homem, sobre as metas e conquistas do Programa. 

Quando e como teve início o Programa Novo Ciclo?

Elecomeçou provocado pelos debates da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Desde 2010, discutíamos a ideia de fazer uma ação no município de Jacutinga, no sul de Minas Gerais, onde temos uma fábrica de nossa Divisão de Águas e estávamos organizando uma cooperativa. Esse piloto nos ensinou como lidar com os catadores e entender melhor a coleta seletiva e a reciclagem. Daí, evoluímos para a construção de um business case a fim de conseguir recursos do Fundo Danone Ecosystem.

O que é o Fundo Danone Ecosystem?

A Danone atua com sustentabilidade em alguns fundos globais, dentre eles, o Danone Ecosystem que foi concebido em meio à crise de 2008/2009, com a intenção de desenvolver a cadeia de valor da companhia. Ela tem 5 pilares de atuação: Suprimentos (iniciativas com nossos fornecedores, de grandes empresas a pequenos agricultores e produtores), Distribuição Inclusiva (temos um projeto importante no Brasil dentro desse tema, o Kiteiras, com mulheres de baixa renda do Nordeste para a venda direta de nossos produtos, que está sendo trazido para São Paulo), Reciclagem (do qual faz parte hoje o Programa Novo Ciclo), Prestadores de Serviços Médicos (com ações para essa categoria, inclusive na formação e suporte a cuidadores de idosos), Territórios e Proteção de Bacias Hidrográficas (voltado principalmente à nossa Divisão de Águas).

O Fundo Danone Ecosystem é uma entidade autônoma que conta com mais de 100 milhões de euros para projetos que respondam mundialmente a esses cinco pilares, sob a responsabilidade de uma subsidiária local da Danone e uma instituição parceira que recebe os recursos, fazendo cogestão dos projetos com a operação local da empresa.

O que aconteceu com o Programa Novo Ciclo após a obtenção desses recursos?

O Programa ganhou fôlego e iniciamos nossa parceria com o Instituto Nenuca de Desenvolvimento Sustentável (INSEA) e o Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR). Chegamos, assim, a 35 cidades da região metropolitana de Belo Horizonte e do sul e sudoeste de Minas Gerais, atuando diretamente junto a 44 cooperativas e 827 catadores.

A iniciativa consiste basicamente no desenvolvimento da cadeia de reciclagem que tem início com um Termo de Compromisso, assinado com cada prefeitura. Esse primeiro passo é essencial. Só assim conseguimos a efetiva implantação da coleta seletiva e a conscientização da população para separação dos resíduos. Sem essa base, não podemos seguir adiante.

O segundo passo é estabelecer um comitê local, que chamamos de Fórum Gestor, para assegurar a continuidade do sistema, sem riscos decorrentes, por exemplo, de trocas de governo ou de mudanças na estratégia dos prestadores de serviço de coleta. Esse Fórum é formado por representantes da sociedade civil organizada, universidades e defensores da causa da reciclagem.

Como foi a escolha dos municípios?

Iniciamos por uma região na qual possuíamos duas fábricas, em Jacutinga e Poços de Caldas (hoje são três, pois inauguramos uma nova planta em Poços). Era uma área que nos interessava bastante e, ao mesmo tempo, sentíamos a possibilidade de influência junto ao poder público municipal para construir essa parceria como vetor de desenvolvimento da coleta seletiva.

Do sul de Minas, acabamos crescendo, pois queríamos fazer mais e obter maior escala. Agora, já temos uma nova fase do Programa aprovada que está nos levando para 59 municípios, com presença em 69 cooperativas. Abraçamos um pouco o estado de São Paulo, fazendo um grande cinturão de atuação no interior do estado, passando pelo Vale do Paraíba, até chegar à região metropolitana de Belo Horizonte. Essa expansão deverá estar concluída até 2018.

Queremos fazer cinturões com diferentes redes de cooperativas integradas. Formatamos uma rede no sul de Minas, já estamos trabalhando com o INSEA na região de Belo Horizonte e identificamos oportunidades no Vale do Paraíba e na região de Sorocaba. Se conseguirmos construir uma única rede com essas quatro iniciativas, vamos ter uma escala enorme que realmente vai fazer diferença.

O que Programa oferece às cooperativas?

Promovemos o empoderamento dessas organizações. Temos atividades com técnicos, catadores e mobilizadores que dão suporte direto às cooperativas. Esse suporte vai desde a criação ou formalização da cooperativa e a melhoria da logística do galpão, passando pela mobilização do poder público por um novo espaço, se necessário, e chega ao apoio para obtenção de recursos de fundos ligados ao governo como Funasa, Banco do Brasil e Cataforte para melhorias na infraestrutura e acesso a equipamentos e caminhões.

Outro aspecto é o suporte comercial e a união das cooperativas em redes. Dessa forma, elas conseguem escala para negociações mais favoráveis com recicladoras ou até mesmo diretamente com nossos fornecedores que têm interesse em receber suas embalagens para reinserção no processo produtivo. Esse é o caso, por exemplo, de nossa parceria com a Tetra Pak.

Quais os resultados conquistados até agora?

Chegamos hoje a 40% de reciclagem equivalente das embalagens de produtos Danone comercializados em todo o país. Ou seja, se pegarmos tudo o que colocamos no mercado e dividirmos pelo que coletamos com o Programa, obtemos 40% do volume total que é a meta indicada pela Política Nacional de Resíduos Sólidos.

Outro viés relevante é o impacto social, com o aumento da renda dos catadores. Saímos, em 2011, de uma média mensal de R$ 490,00 e estamos atualmente em R$ 1.136,00. Ou seja, cerca de 140%! Temos também ganhos de eficiência: operamos hoje com 107 quilos por catador/dia, o que ultrapassa - e muito! - nossas expectativas iniciais que eram em torno de 30 a 35 quilos diários.

Além disso, realizamos ações de saúde e nutrição que também são um diferencial da Danone, em função de nosso portfólio. Nossa missão é levar saúde ao maior número de pessoas possível.

Quais os investimentos feitos no Programa?

Até o momento, foram investidos mais de R$ 9 milhões, pela Danone Brasil, o Fundo Danone Ecosystem e os parceiros do projeto representados pelo INSEA.

Qual o maior desafio desse trabalho?

O maior desafio foi integrar essa visão de responsabilidade compartilhada, do diálogo com o catador, a organização não governamental e o poder público. Temos de entender que a cocriação é fundamental. Não operamos com o modelo tradicional de patrocínio, de doação de recursos. Nós temos uma equipe de quatro profissionais diariamente dedicados à realização dessa iniciativa que se somam a outros oito, do INSEA e do MNCR.

E a maior conquista?

A maior conquista, sem dúvida, foi transformar diretamente a vida de 836 pessoas (sem contar com suas famílias) e ter um planejamento para atrair cada vez mais catadores. Com certeza, temos também resultados concretos para a Danone que nos dão muita satisfação. Além disso, fomos premiados com o Convergences Award, o que representa um importante reconhecimento internacional.

Qual a importância do catador nesse processo?

O catador é o elemento central não só porque a lei o coloca nessa posição, mas porque realmente existe uma oportunidade concreta de transformar e verticalizar essa cadeia a partir da atuação do catador. Vemos o catador como um empreendedor que se organiza com outros empreendedores numa cooperativa ou numa rede de cooperativas e constrói um negócio a partir dessas ligações.

Ele presta um serviço essencial para a sociedade, empresas e o poder público, melhorando nossa qualidade ambiental, evitando que tenhamos mais resíduos nos aterros e, ao mesmo tempo, realizando um trabalho que é extremamente digno e competitivo.

Quais os pontos de contato do Programa com a estratégia da Danone?

O Programa Novo Ciclo revoluciona a forma como vamos organizar a nossa cadeia de suprimento no futuro. É um processo, não temos todas as respostas, nem tudo está pronto, mas quando começamos a retornar os recicláveis para nossa cadeia de fornecimento, estamos construindo um novo modelo de negócio. A reciclagem nos garante um material mais sustentável, a preços competitivos, com grande impacto social. E isso trará benefícios cada vez mais significativos.

Para saber mais: http://www.danone.com.br

Fonte: CEMPRE


CEMPRE - UM ACORDO MUITO ESPERADO

Fotos: Paulo de Araújo/MMA

24/12/2015

O acordo setorial elaborado para aprimorar a reciclagem de embalagens pós-consumo no país foi assinado, no último dia 25 de novembro, pela ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, com a presença de representantes da Coalizão Embalagens, formada por empresas e associações do setor, e do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR). O acordo propõe ações para expandir o sistema, seguindo os princípios da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) que prevê a integração entre os diversos stakeholders para o incremento dos índices de reciclagem.

Elaborada por 21 entidades do setor - produtores, importadores, usuários e comerciantes, com apoio do Cempre, da Confederação Nacional das Indústrias (CNI) e da Confederação Nacional do Comércio (CNC) - a proposta do documento foi entregue no final de 2012 para análise do governo e consulta pública. “O acordo vai trazer condições dignas de trabalho para os catadores que agora têm direitos e deveres dentro do processo”, declarou a ministra na cerimônia de assinatura. Segundo Roberto Laureano, do MNCR, “esse é o melhor caminho, o de incluir a base da pirâmide que são os catadores. O acordo é um instrumento necessário para a implantação da Política Nacional do setor.” 

“Esse é um momento de convergência para uma ambição que deve ser ampliada e reavaliada sempre que possível.”Izabella Teixeira, ministra do Meio Ambiente

Para todas as categorias de insumos cobertos pelo acordo (papel e papelão, plástico, alumínio, aço, vidro e embalagem longa vida), os estudos apontam vantagens econômicas na produção a partir de material reciclado, em relação aos custos com energia e insumos. Essas vantagens se refletem na geração de renda ao longo da cadeia de coleta, triagem, transporte e reciclagem.

Victor Bicca e Izabella Teixeira, na assinatura do acordo.

Para o presidente do Cempre, Victor Bicca, o acordo representa um marco fundamental. “Ele abrange todo o ciclo da reciclagem e aborda o desafio de formalizar o fluxo da coleta. Agora, teremos maior clareza do papel e da responsabilidade do setor empresarial e dos demais envolvidos no processo como a população, o governo e as cooperativas de catadores. Tenho certeza que escolhemos o melhor modelo para o país a partir de critérios de viabilidade técnica que levaram em conta nossa situação socioeconômica e geográfica. É um modelo que prioriza o apoio às cooperativas de catadores, a instalação dos Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) e o compromisso das empresas de comprar todo o material que for coletado pelo melhor preço de mercado”, explica Bicca. 

A versão 2015 do “Cempre Review” apresenta dados atualizados sobre a cadeia de reciclagem e os avanços alcançados nos últimos anos no país. A publicação pode ser acessada no site www.cempre.org.br ou na página do Cempre no facebook.

O acordo prevê aumento de 22% na reciclagem de embalagens pós-consumo nos próximos dois anos. Segundo o Cempre Review 2015, lançado durante o 11º Recicle Cempre, são muitas as oportunidades de expansão, visto que hoje apenas 13% da população brasileira é atendida pelo serviço de coleta seletiva. 

Fonte: CEMPRE

Catadores terão espaço exclusivo para negociar pauta sobre lixões

Foto: Naiara Pontes/SG

21/04/2015

“São mais de três mil lixões e aterros em funcionamento” garantiu Alex Cardoso, do Movimento Nacional dos catadores de Material Reciclável (MNCR). Segundo o dirigente, é fundamental a implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos que determina o encerramento dos lixões com inclusão dos catadores. 

No encontro que aconteceu na segunda-feira (13/4) em Brasília, a secretária de Diálogos Sociais e os dirigentes do Movimento Nacional dos Catadores definiram um calendário de trabalho para o ano de 2015. Foi marcado para o início de junho o início das atividades do Comitê Interministerial de Inclusão Social e Econômica de Catadores de Materiais Reutilizáveis e Recicláveis (CIISC).

Coordenado pela Secretaria-Geral, o comitê congrega 25 órgãos do governo federal que possuem interlocução com a pauta de catadores. Ele é articulado por meio de oito grupos executivos que tratam de temas específicos, sempre relacionados aos catadores e à sua inclusão na Política Nacional de Resíduos Sólidos e à coleta seletiva solidária nos órgãos públicos do governo federal.


INCLUSÃO DE CATADORES SE EXPANDE PELA AMÉRICA LATINA



12/03/2015

O modelo brasileiro de reciclagem com inclusão social dos catadores vem se difundindo pela América Latina. Recentemente, foi anunciado um projeto na capital da Nicarágua, Manágua, que tem como foco a formação e o fornecimento de equipamentos para melhorar a qualidade da gestão e da operação de cooperativas de reciclagem.

O projeto é desenvolvido em cooperação com a Área Metropolitana de Barcelona Ressoc - Alcaldía (Prefeitura) de Manágua, AMB-ALMA. A prioridade do Ressoc são cidades e áreas que oferecem possibilidade de progresso na inserção de segmentos sociais que vivem de atividades informais relacionadas à coleta de resíduos, ampliando a eficiência econômica e ambiental da reciclagem e da reutilização de materiais.

O projeto de Manágua - centrado na formalização das atividades de coleta, na geração de emprego, na formação de cooperativas e na melhoria do tratamento dos resíduos sólidos urbanos - segue o modelo desenvolvido no Brasil. Para isso, a troca de experiências entre trabalhadores do segmento em toda a região é essencial.

Foi esse o pano de fundo para a formação da Red Latinoamericana de Recicladores (Red Lacre) que conta com 16 países. Sua história começou com as primeiras associações formais de catadores existentes na Colômbia, há mais de 35 anos, e segue conforme o sistema brasileiro, considerado pela Red Lacre como o país que “consolidou mais rapidamente uma política de reconhecimento e organização que deve ser um exemplo para o mundo”.

A conquista da Nicarágua já repercute entre os demais países e assegura a adequação da rota seguida. "Estamos unindo nossas forças na questão das políticas públicas e da valorização de nosso trabalho. Sem dúvida, isso é muito importante para o fortalecimento da categoria em toda a América Latina e, principalmente, para o intercâmbio das boas práticas", destaca Eduardo Ferreira de Paula, do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) e delegado brasileiro na Red Lacre.

Fonte: CEMPRE


Filhos de Catadores de Minas Gerais recebem capacitação em cinema



05/03/2015

Projeto conta com a parceria Insea, MNCR, ANCAT e o Centro Cultural Lugar de Cinema

O mundo do cinema ganhou mais adeptos neste final de semana. Os alunos do Recicla Filmes, projeto criado pela Rede Cataunidos, participaram e demonstraram todo o interesse em aprender as técnicas da sétima arte. Os jovens, filhos e netos de catadores de materiais recicláveis, tiveram a aula inaugural do curso no Centro Cultural Lugar de Cinema e já esperam pela próxima aula.

“Me interessei muito pelo curso e criei muita expectativa com o que tivemos na primeira aula. O cinema desperta vários sentimentos nas pessoas. Isso é muito bom”, disse a jovem Sarah Tainar Xavier de Andrade, 18 anos, filha do catador Helvécio Antônio Xavier, da associação de Divinópolis, ASCOMARE. “Quando a gente fizer o nosso curta, eu vou mostrar pra todo mundo. Vai ser um filme que eu fiz”, completou.

“Tive a sorte de ser o primeiro professor da turma do Recicla Filmes. Achei uma experiência extraordinária. É uma turma de jovens que têm o acesso ao audiovisual ainda muito restrito, mas da pra ver que eles têm um interesse tão grande em contar histórias, que, logo na primeira aula, fizemos um exercício de construção de narrativa com planos e movimentos e o resultado foi muito satisfatório. Deu pra ver que essa é uma turma que tem potencial. Estou muito satisfeito”, observou o professor e cineasta Leo Ayres, que ficou responsável por dar a aula de sensibilização ao cinema.

Os alunos também receberam as visitas do diretor e roteirista uruguaio Pablo Stoll e da designer de produção de Hollywood, Jeannine Oppewa. O uruguaio lembrou-se de quando começou o seu contato com o cinema, “me apaixonei pelo cinema aos oito anos de idade. O meu vizinho tinha uma Super Oito e eu sempre ficava na casa dele vendo filmes. Aqueles filmes me transportavam para outro mundo e eu queria construir esses mundos. Comecei a fazer filmes aos 17 anos e não parei mais”, lembra o diretor.



A designer de produção, Jeannine Oppewa, também falou de como começou no cinema e contou um pouco do seu trabalho diário na direção de arte e desenho. “O meu serviço é muito dinâmico. Aprendo coisas novas todos os dias. Cada filme é único”, disse. Quando questionada por um aluno, se faria algum filme brasileiro respondeu prontamente “Por que não? Claro que sim. Basta ser convidada”, afirmou.

O catador Lucas Maurício, 19 anos, da Associação de Catadores Amigos Unidos de Mateus Leme, ASCALEME, espera que o curso o ajude a mostrar para o mundo a importância do trabalho dos catadores e acabar com o preconceito que ainda existe em relação a esse trabalhador. “Minha expectativa é alcançar o objetivo do curso, fazer um bom trabalho e sair daqui um cineasta”, disse o jovem.

Sobre o Projeto
O objetivo do projeto Recicla Filmes é criar caminhos e alternativas de oportunidades para inserção dos jovens filhos de catadores de materiais recicláveis. A iniciativa visa capacitar 45 jovens selecionados para participação no projeto. Serão 250 horas de aulas prática e teórica,  resultando na produção de 08 curtas-metragens sobre o tema de resíduos sólidos urbanos e o trabalho realizado pelos catadores.

Buscando criar caminhos e alternativas de oportunidades para inserção dos jovens filhos de catadores de materiais recicláveis, a Rede Cataunidos, formada por 34 associações de catadores de Belo Horizonte, Região Metropolitana, Estrada Real e Centro-Oeste, criou o “Projeto Recicla Filmes”. A iniciativa visa capacitar 45 jovens selecionados para participação no projeto. Serão 250 horas de aulas prática e teórica com professores de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Recife,  resultando na produção de 08 curta-metragens sobre o tema de resíduos sólidos urbanos e o trabalho realizado pelos catadores. A iniciativa integra as ações desenvolvidas pela Rede Cataunidos para a educação ambiental e fortalecimento da coleta seletiva solidária, através do “Projeto  Reciclar em Rede – Gerando trabalho e renda”, patrocinado pelo Programa Petrobras Socioambiental.

A aula inaugural, que acontece no próximo sábado (31/01/2015) no Lugar de Cinema, conta com as presenças da designer de produção de Hollywood, Jeannine Oppewal, (quatro vezes indicada ao Oscar) e do também premiado diretor, produtor e roteirista uruguaio Pablo Stoll (Festival de Cinema Internacional de Rotterdam, Cannes, Goya, dentre outros), que falarão com os jovens sobre a sétima arte. Na sequência os alunos começam a cumprir a grade curricular do curso, sendo, sensibilização ao cinema, fotografia, novas mídias, roteiro, edição, direção de documentário, produção, som para cinema, e, por fim, a filmagem e edição do curta-metragem.

O projeto Recicla Filme conta com a parceria do Instituto Nenuca de Desenvolvimento Sustentável (Insea), o Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), a Associação Nacional dos Catadores (ANCAT) e o Centro Cultural Lugar de Cinema.

Fonte: MNCR


Copa do Mundo traz reconhecimento ao trabalho de catação de materiais recicláveis

Foto: Divulgação/MNCR


01/08/2014

Durante a Copa do Mundo Fifa, catadoras e catadores vinculadas/os ao Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) participaram da coleta seletiva nos diversos estádios onde foram realizados os jogos. Em Porto Alegre (RS), uma equipe de 39 catadoras e catadores foi responsável pela coleta no estádio Beira-Rio.  

O lucro de R$ 25.000,00 obtido no envio da coleta para a central de resíduos ainda não teve seu destino definido, mas deverá ser revertido à Rede de Catadores de Materiais Recicláveis de Porto Alegre e Região (Catapoa). Entre os materiais mais coletados estavam papel, plástico e metal, que geraram, em média, 22 toneladas.

Segundo Luciano Menezes, coordenador operacional do MNCR, a contratação de cooperativas de catadoras e catadores de materiais recicláveis para atuarem na Copa mostra que estas têm condições de prestar serviços em grandes eventos. A partir daí, Luciano celebra o maior resultado da parceria: a negociação do contrato com o Internacional para a realização da coleta em jogos realizados no Beira Rio em Porto Alegre.

A equipe de catadoras e catadores, que agora possui o “Selo de aprovação FIFA”, recebeu treinamento com carga horária de quatro horas, onde foi orientada sobre o manuseio dos equipamentos utilizados durante o Mundial e na dinâmica de trabalho dentro do estádio. Além de receberem informações sobre segurança e questões comportamentais, catadoras e catadores fizeram um reconhecimento do local, identificando áreas satélites (local onde os resíduos ficaram armazenados durante os jogos), e, assim, puderam elaborar a estratégia das coletas.

As e os integrantes da equipe, que receberam auxílio de R$ 80/dia, atuaram nos espaços de acesso do público, na entrada da torcida, nos corredores, nos vomitórios (áreas de acesso às arquibancadas) e nas áreas externas do estádio.

Para isso, chegavam ao Beira-Rio cinco horas antes do início do jogo. Encontravam-se seis horas antes no portão de acesso e dirigiam-se à central de resíduos, onde definiam questões práticas e partiam para o trabalho.

Reconhecimento

"Viver a Copa foi muito mais do que dinheiro. Foi o reconhecimento do nosso trabalho."

Graziela de Arruda Alves, 32 anos, da Vila Bonsucesso, no Bairro Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre, foi uma das 39 catadoras que participou da coleta no Beira-Rio. Nestes 45 dias trabalhados, grávida de oito meses, Graziela conseguiu juntar recursos com o dinheiro do auxílio para construir o quarto do bebê que está a caminho.

Durante os dias de trabalho, a recicladora acordava às 4h30min para iniciar o expediente no galpão às 7h, sem hora para terminar. Em dias de partida, chegou a sair do Beira-Rio de madrugada, por volta da 1h30min.

O esforço, porém, não foi motivado apenas pelo dinheiro. O principal mérito foi trazer reconhecimento para o trabalho das catadoras e dos catadores. Através dessa iniciativa, o grupo fechará outros contratos para grandes eventos, como o que está em negociação com o Internacional.

As e os integrantes da equipe vieram da Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis da Cavalhada (Ascat), Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis e Industrialização (Coopertinga), Associação de Catadores Torotama (ACT), Associação dos Catadores da Vila Nova Chocolatão, Associação Comunitária do Campo da Tuca/Setor Reciclagem(ACCT), Associação dos Recicladores Rubem Berta, Associação dos Catadores da Lomba do Pinheiro (UTC) e Cooperativa de Trabalho dos Catadores do Município de São Leopoldo (Uniciclar).

O que a reciclagem preservou nestes jogos da Copa

Água – 17.216 metros cúbicos
Areia – 14 toneladas
Árvores – 5.182 unidades
Carvão mineral – 12 toneladas
Energia – 1.446 MWh
Minério de ferro – 82 toneladas
Petróleo – 997 barris

Resíduos coletados nos outros estádios da Copa

Arena Pernambuco: 14.207 toneladas
Arena Pantanal: 17.019 toneladas
Beira-Rio: 20.643 toneladas
Arena Amazônia: 18.979 toneladas
Arena Baixada: 19.554 toneladas 
Arena Fonte Nova: 36.141 toneladas
Mané Garrincha: 29.653 toneladas
Castelão: 39.256 toneladas
Arena Corinthians: 35.730 toneladas
Maracanã: 44.660 toneladas
Mineirão: 59.757 toneladas
Arena das Dunas: 51.419 toneladas
TOTAL:  387.018 toneladas

As informações são do site www.catasigcopa.com.br



Fundação BB vai financiar projetos de coleta seletiva de lixo



27/07/2014

A Fundação Banco do Brasil vai financiar, em até R$ 120 mil, os quatro projetos que vencerem o Prêmio Cidade Pró-Catador, promovido pela Secretaria Geral da Presidência da República em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR).

Municípios e consórcios intermunicipais que desenvolvem projetos com foco na inclusão social e econômica dos catadores de materiais recicláveis podem inscrever suas iniciativas na segunda edição do prêmio até o dia 5 de setembro.

A ação tem como objetivo incentivar, valorizar e reconhecer boas práticas que contribuam para a implantação de políticas de inclusão social e econômica de catadores de materiais recicláveis e, em especial, na implantação de coleta seletiva com a participação ativa dos catadores. Algumas cidades já mantêm políticas que possibilitam a inclusão de pessoas de baixa renda, contribuindo para os esforços do governo federal na superação da pobreza extrema.

Cada município ou consórcio pode inscrever um único projeto. O prêmio é dividido em quatro categorias, de acordo com o porte do município: até 20.000 habitantes; de 20.001 a 100.000 habitantes; de 100.001 a 300.000 habitantes; mais de 300.000 habitantes. Serão escolhidas três iniciativas por categoria, num total de 12, para avaliação in loco. Após as visitas, serão selecionadas quatro iniciativas vencedoras, uma por categoria, e todas terão o relato de sua experiência publicado.

As iniciativas vencedoras poderão apresentar proposta de investimento, por meio de projeto conjunto da prefeitura e da cooperativa ou associação de catadores participantes da iniciativa, no valor de até R$ 120 mil.



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