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CANTO E FEZES DAS BALEIAS REVELARÃO MAIS SEGREDOS DA ANTÁRTIDA

Pinguins na Antártida em foto de janeiro de 2015 (Foto: AP Photo/Natacha Pisarenko, File)

17/02/2018 

Os efeitos da mudança climática também serão matéria de estudo da expedição feita por um grupo de cientistas até o Mar de Ross.

Um grupo de cientistas viajou recentemente para o Mar de Ross para estudar o canto e as fezes das baleias durante o inverno nesta zona protegida, com a esperança de revelar mais segredos sobre a Antártida.

Este espaço marítimo de cerca de 1,55 milhão de quilômetros quadrados declarados zona protegida desde o ano passado abriga um terço da população mundial do Pinguim-de-adélia, um quarto da dos pinguins-imperador, além de petrel da Antártida, focas de Wedell e merluza-negra.

Para a região, partiu na semana passada o navio neozelandês Tangaroa com 23 cientistas a bordo, na expedição que a cada dois anos é organizada pelo Instituto de Pesquisa Aquática e Atmosférica (NIWA) e pela Universidade de Auckland.

"Vamos tentar demonstrar que estas medidas são úteis para a conservação do meio ambiente e seus recursos", disse à Agência Efe o chileno Pablo Escobar, cientista do NIWA, antes de iniciar a expedição que percorrerá 7,8 mil quilômetros.

Um dos estudos previstos consistirá em colher à mão com uma pequena rede, desde uma lancha, as fezes das baleias para analisar como estas afetam o ecossistema antártico.

"Isso é feito para estudar os isótopos estáveis nas amostras e aprender de quais níveis tróficos (conjunto de organismos de um ecossistema) se alimentam", explicou Escobar.

A ideia parte de estudos preliminares que sugerem que o plâncton depende destes excrementos como fonte de ferro.

"Muitos animais que consomem zooplâncton e fitoplâncton transferem a energia às baleias, aos pinguins, às focas e às aves. Tudo está conectado e por isso devemos entender mais sobre estes ecossistemas", enfatizou o analista chileno.

Outra equipe utilizará boias com hidrofones para captar o som produzido pelas baleias, especialmente no inverno, quando o gelo impede o acesso à zona.

"As baleias usam os sons para se comunicar entre elas e buscar comida. Isso nos ajudará a identificar as espécies", disse Escobar, ao detalhar que nem todos os cetáceos se deslocam durante o inverno para o norte na busca de calor.

O cientista chileno já participou há dois anos de uma expedição similar na qual gravou 40 mil cantos da baleia azul, espécie da qual puderam avistar dezenas de espécimes após uma paciente busca em uma área com abundantes cadumes de krill.

Em outro estudo, Escobar se centrará em utilizar sondas de som para calcular a distribuição e abundância de peixes através de sinais acústicos.

"Todo organismo com uma densidade diferente à das colunas de água produz um eco", explicou o chileno, especialista em acústica.

As medições se centrarão nos sons dos peixes mesopelágicos, que vivem entre 200 e mil metros de profundidade, assim como do krill e o plâncton.

Estas indagações levarão os cientistas de Tangaroa a remexer nas profundezas do fundo do mar, onde tentarão captar imagens e sons das espécies que habitam esta remota e selvagem zona do planeta.

"Sempre são descobetas espécies novas", disse Escobar, que insistiu sobre a importância de conhecer a fauna e, sobretudo, a das profundezas marinhas "antes que se extingam e nunca cheguemos a ver".
Os efeitos da mudança climática também serão matéria de estudo da expedição através da observação da troca do CO2 entre a atmosfera e o oceano, que é um dos sumidouros deste dióxido de carbono, vinculado aos gases do efeito estufa.

Além disso, será elaborado um mapa do fundo oceânico na zona do Mar de Ross para determinar os efeitos da mudança climática, e será analisada a bioquímica do oceano e as comunidades microbianas, entre outros trabalhos.

Fonte: G1


CÂMERA GRUDADA NO DORSO REVELA OLHAR DE 'BALEIA CINEGRAFISTA' NA ANTÁRTIDA

Câmeras presas às baleias registraram imagens de seu cotidiano (Foto: BBC)

21/04/2017

Pesquisa ajudará a reunir dados sobre animais e seu habitat e contribuirá para esforços de preservação.

Você provavelmente nunca viu a Antártida desta forma: pelos olhos de uma baleia.

Câmeras foram presas ao dorso de animais das espécies minke e jubarte como parte de um novo estudo da ONG World Wildlife Fund (WWF) em parceria com a Universidade Estadual do Oregon, nos Estados Unidos.

Por meio de ventosas, os equipamentos ficaram grudados de 24 a 48 horas e registraram como elas se alimentam, socializam e se comportam em meio às mudanças climáticas. VEJA O VÍDEO.

Equipamento ficou em animal por até 48 horas (Foto: BBC)

Segundo o Centro Nacional de Dados de Gelo e Neve, instituto de pesquisa ligado à Universidade do Colorado, em março deste ano, foi registrada a menor extensão de área congelada da Antártida ao longo dos 38 anos em que esses dados são coletados.

A pesquisa com as baleias ajudará a reunir dados sobre os animais e seu habitat e contribuirá para esforços de preservação, em meio aos impactos dessas alterações ambientais.

Imagens serão usadas em pesquisas para entender como mudanças climáticas 
afetam vida das baleias (Foto: BBC)

Fonte: G1 Natureza

JAPÃO MATOU MAIS DE 300 BALEIAS NA CAÇA DO ANO NA ANTÁRTIDA

Já no ano passado, o Japão matou cerca de 330 baleias, incluindo 200 fêmeas 
que estariam à espera de crias, no Oceano Antártico

01/04/2017

Mais de 300 baleias foram mortas durante uma das expedições anuais de caça na Antártida - e, justificam, em nome da ciência. Começou no mês de novembro e contou com a participação de cinco navios.

A frota baleeira do Japão matou mais de 300 baleias durante uma das expedições anuais de caça na Antártida, conta o The Guardian. A missão, que começou em novembro do ano passado e acabou esta sexta-feira, contou com a participação de cinco navios e teve como objetivo estudar o ecossistema do Oceano Antártico e a população de baleias que lá se encontra, segundo um comunicado disponibilizado pela Agência de Pescas japonesa, citado por aquele jornal.

No entanto, a expedição não foi bem vista pelos ambientalistas nem pelo Tribunal Internacional de Justiça, que afirmaram que o único grande propósito da iniciativa era matar os mamíferos para poderem vir a ser servidos como refeição. A associação de proteção dos animais Humane Society International chegou-se à frente e pediu fim à atividade baleeira.

"Todos os anos o Japão insiste nestas caças científicas às baleias e cada vez são mais os anos em que estes maravilhosos animais são sacrificados. É uma crueldade obscena em nome da ciência que tem de acabar”, admitiu Kitty Block, vice-presidente da Humane Society International.



Apesar da frota baleeira de Tóquio nunca ter escondido que a carne das baleias acaba a ser servida em restaurantes e até em escolas, admitiu também que as expedições se realizam, em grande parte, para se conseguir provar que a população de baleias naquelas águas é suficientemente grande para sustentar a caça comercial.

Já no ano passado, o Japão matou cerca de 330 baleias, incluindo 200 fêmeas que estariam à espera de crias, no Oceano Antártico durante uma missão que durou 115 dias.

O Tribunal Internacional de Justiça da ONU impôs uma moratória à caça comercial das baleias desde 1986. O Japão foi um dos países que se comprometeu a acabar com as capturas de longa data mas, até hoje, continua a investir na iniciativa e a matar centenas de baleias todos os anos.

Brasil e Portugal assinam memorando sobre cooperação na Antártida

© Sputnik/ V. Chistyakov

06/11/2016

Os governos do Brasil e de Portugal assinaram na terça (01/11), por ocasião da XII Cimeira Brasil-Portugal, um Memorando de Entendimento sobre cooperação antártica.

O documento comprova a vontade de ambos os países em fortalecer seus laços de amizade e sua cooperação bilateral, dando ênfase a "assuntos relativos à cooperação científica internacional, à observação científica e à investigação de processos de importância global e regional ao sul do Círculo Polar Antártico". 

O Memorando destaca a "crescente importância da Antártida para a investigação científica, particularmente no âmbito do meio ambiente global, bem como da necessidade de reduzir ao mínimo os impactos das atividades científicas e humanas no meio ambiente antártico e nos ecossistemas dependentes e associados". 

De acordo com a nota de imprensa divulgada pelo governo brasileiro, as clausulas do acordo preveem o aproveitamento das oportunidades de cooperação previstas nos acordos que compõem o Sistema do Tratado da Antártida. 

Entre os objetivos previstos pelo Memorando, constam a preparação, o fomento e a elaboração de editais conjuntos para o desenvolvimento de atividades e projetos científicos e tecnológicos, o intercâmbio de informação em campos de interesse comum, a promoção da educação e da formação profissional de recursos humanos, facilitação do transporte, do alojamento e de expedições na região, entre outros. 

A execução do Memorando será revisada por ambos os países uma vez por ano, no que diz respeito aos seus benefícios e possibilidades de aperfeiçoamento.

Gelo do Mont Blanc: uma mina de informações sobre o clima

(Junho) Vista do Mont Blanc, nos Alpes franceses - AFP/Arquivos

13/07/2016

A ideia de armazenar amostras de geleiras na Antártida pode parecer estapafúrdia, mas é este o objetivo de uma equipe de pesquisadores que, em agosto, extrairá gelo do Mont Blanc, ameaçado pelo aquecimento global.

“O gelo é um poço de informação”, explica à AFP Jérôme Chappellaz, diretor de pesquisa no Laboratório de Glaciologia e Geofísica do Meio Ambiente (LLGE) de Grenoble, no sudeste da França.

Com suas bolhas de ar e impurezas, as geleiras carregam informações valiosíssimas sobre as condições atmosféricas de séculos ou inclusive milhares de anos atrás.

Foi assim que os glaciologistas conseguiram estabelecer o vínculo entre as temperaturas e os gases do efeito estufa. Nas geleiras do Mont Blanc, os pesquisadores poderão estudar, em particular, a evolução da poluição ou da atividade industrial em nível europeu ao longo de cem anos.

Exemplo desta informação armazenada no gelo, afirma Chappellaz, é o pico de césio 137 detectado em abril de 1986, após a catástrofe de Chernobyl.

No total, doze especialistas franceses, italianos e russos passarão vários dias a 4.300 metros de altitude em um maciço dos Alpes franco-italianos para extrair três barras de gelo de 140 metros de comprimento.

Estas amostras, de várias toneladas, serão depositadas em caixas isolantes. Uma delas será analisada no laboratório de Grenoble para constituir uma base de dados aberta a todos os cientistas.

As outras duas amostras irão para a base franco-italiana de Concordia, na Antártica, em 2019 e 2020.

Na primeira metade de 2017 está prevista outra operação similar na geleira boliviana de Illimani, a 6.300 metros de altitude, em condições muito mais difíceis.

O objetivo é conservar durante séculos “a memória do gelo”, uma “matéria prima” extremamente valiosa para os cientistas.

Corrida contra o tempo

Chappellaz aponta a possibilidade de detectar muitas outras coisas dentro de várias décadas graças ao desenvolvimento tecnológico. E fornece como pista de trabalho a possibilidade de pesquisas futuras sobre as mutações dos vírus ou das bactérias, presos no gelo.

A dificuldade está no fato de que as geleiras evoluem e se fundem tão rápido que as situadas a menos de 3.500 metros de altitude desaparecerão antes do fim do século XXI nos Alpes.

Nos Andes, a geleira de Chacaltaya, na Bolívia, situada a 5.300 metros, desapareceu em 2009.

“Neste ano se fundiu gelo a 6.000 metros de altitude no Illimani, devido ao fenômeno do El Niño”, destaca Patrick Ginot, do Instituto Francês de Pesquisa para o Desenvolvimento, e um dos promotores do projeto.

Em cinquenta anos, “talvez existam as ferramentas necessárias para analisar, mas pode ser que já não tenhamos as amostras de gelo”, teme Jérôme Chappellaz.

Nos próximos dez anos, os glaciologistas esperam extrair vinte amostras de todos os continentes. O conjunto destas será conservado em uma cova de neve em Concordia, “um congelador natural a -50ºC”, a salvo de problemas elétricos.

Fonte: ISTOÉ

ICEBERG AMEAÇA 150 MIL PINGUINS NA ANTÁRTIDA

Foto: AFP

22/02/2016

A colônia de pinguins vive no Cabo Denison, um cabo rochoso situado na baía de Commonwealth, no leste do continente antártico

Cerca de 150 mil pinguins-de-adélia, uma das espécies mais famosas da Antártida, estão incapazes de voltar à sua colônia desde que um iceberg gigante lhes barrou o caminho, forçando-os a um longo desvio para encontrar comida, revelou um estudo científico.

Esta colônia de pinguins vive no Cabo Denison, um cabo rochoso situado na baía de Commonwealth, no leste do continente antártico.

O icebergue B09B, que mede 100 quilômetros quadrados (km²), área equivalente à da cidade de Paris, encalhou na Baía de Commonwealth em dezembro de 2010, indicam investigadores australianos e neozelandeses na revista Ciência da Antártida, publicada este mês.

A população da colônia de pinguins-de-adélia foi contabilizada em cerca de 160 mil indivíduos em fevereiro de 2011. Em dezembro de 2013, eles não somavam mais do que 10 mil, dizem os pesquisadores.

A chegada do iceberg e a formação de gelo permanente que se seguiu forçou os pinguins a prolongar o seu percurso em 60 km para conseguir chegar ao lugar onde encontram alimentos, o que dificulta seu processo reprodutivo.

“A população do Cabo Denison poderá extinguir-se nos próximos 20 anos, a menos que o B09B se mova, ou que o gelo permanente costeiro que se formou se quebre”, escreveram os investigadores do centro de pesquisa sobre as alterações climáticas na Universidade de Nova Gales do Sul e da New Zealand's West Coast Penguin Trust.

Ao contrário do iceberg, o gelo permanente não fica à deriva e pode atingir uma espessura considerável.


Cientistas buscam na Antártida a chave para o futuro da humanidade

23/02/2015

As chaves para responder às perguntas mais básicas da humanidade estão encerradas neste congelador continental do tamanho dos EUA mais a metade do Canadá: de onde viemos? Estamos sós no Universo? Qual é o destino de nosso planeta em aquecimento?

Os primeiros exploradores chegaram à Antártida há 194 anos, buscando riquezas do século 19 como peles e óleo de baleia e foca, tingindo com sangue as ondas do oceano. Desde então, o primeiro continente formado demonstrou ser uma arca de tesouros para os cientistas que tentam determinar tudo, desde a criação do cosmo até o quanto as águas se elevarão com o aquecimento global.

"É uma janela para o Universo e o tempo", disse a cientista Kelly Falkner, chefe do programa polar da Fundação Nacional para as Ciências dos EUA.

Durante cerca de 12 dias em janeiro, no meio do gelado verão antártico, a agência de notícias Associated Press acompanhou cientistas de diferentes áreas em busca de criaturas de forma alienígena, de pistas de contaminação presas no antigo gelo, restos do Big Bang, peculiaridades biológicas que pudessem conduzir potencialmente a melhores tratamentos médicos e, talvez o principal, sinais de um derretimento incontível. A travessia em um barco da marinha chilena ao largo das ilhas Shetland do Sul e da vulnerável península Antártica, que sai do continente como um dedo fraturado, foi de 1.340 quilômetros (833 milhas) e permitiu que a equipe da AP desse uma olhada em primeira mão neste continente vital.

A Antártida reúne imagens de montanhas silenciosas e brancas planícies, mas o mais frio, seco e remoto dos continentes não está adormecido. Cerca de 98% de sua superfície estão cobertos de gelo, o qual está em constante movimento. Sendo um vulcão ativo, a ilha Decepção é um cadinho de condições extremas. Há lugares onde o mar ferve a 100 graus centígrados, enquanto em outros pode estar abaixo de 0 grau. Embora o sol raramente brilhe nos escuros invernos antárticos, parece que a noite nunca chega nos dias de verão.

Os turistas vêm à Antártida por sua beleza e distância, mas para os cientistas tudo é trabalho. O que encontrarem poderá afetar a vida de pessoas a milhares de quilômetros de distância. Se os especialistas estiverem certos e a plataforma de gelo da Antártida ocidental já começou a derreter de maneira irreversível, o que ocorrerá aqui determinará se cidades como Miami, Nova York, Nova Orleans, Guangzhou, Mumbai, Londres e Osaka terão de combater de forma regular as inundações causadas pelo aumento do nível dos mares.

A Antártida "é grande e está mudando. Isso afeta o resto do planeta, e não podemos nos dar o luxo de fazer vista grossa ao que acontece lá", disse David Vaughan, diretor de ciência do Centro de Pesquisas da Antártida do Reino Unido.

Com frequência os cientistas encontram algo diferente do que procuravam. No ano passado, pesquisadores calcularam que o gelo no lado oeste do continente estava derretendo mais rápido que o previsto. No mês passado, cientistas que realizavam pesquisa geológica vital desse derretimento observavam 800 metros sob o gelo, na mais profunda escuridão, e tiveram uma surpresa: peixes de 15 centímetros de comprimento e criaturas semelhantes a camarões nadavam ao lado de suas câmeras.

Os geólogos estão fascinados pelos segredos da Antártida. Em uma recente expedição científica comandada pelo Instituto Antártico Chileno, Richard Spikings, um geólogo pesquisador da Universidade de Genebra, na Suíça, usou um enorme martelo para coletar amostras de rochas das ilhas Shetland do Sul e da península Antártica. Curiosos membros de uma colônia de pinguins no cabo Leogoupi observavam enquanto ele golpeava pedaços de granito preto e diorita que sobressaíam do mar meridional. Perto do fim da viagem de duas semanas, seus colegas começaram a chamá-lo de "Thor", em tom de brincadeira.

"Para compreender muitos aspectos da diversidade de animais e plantas, é importante entender quando os continentes se separaram", disse Spikings. "Assim, também estamos aprendendo sobre a verdadeira idade da Terra e sobre como os continentes estavam configurados há um bilhão de anos, há 500 milhões de anos, há 300 milhões de anos", comentou.

Ele acrescentou que essa compreensão o ajudará a entender o papel fundamental da Antártida no vaivém dos antigos supercontinentes. Com nomes como Rodinia, Gondwana e Pangea, os cientistas acreditam que eram enormes massas de terra que fizeram parte da história do planeta e que se uniam periodicamente com o movimento das placas.

Como não existe indústria local, qualquer rastro de contaminação preso no gelo e neve antigos provém de substâncias químicas que vieram de longe, como o chumbo que era encontrado no gelo até que foi eliminado da gasolina, ou os níveis de radiação de testes nucleares superficiais realizados a milhares de quilômetros e há muitos anos pelos EUA e a União Soviética, comentou Vaughan.

O gelo indica como os níveis de dióxido de carbono -- o gás que retém o calor na atmosfera -- variaram ao longo de centenas de milhares de anos.

É também o lugar onde um buraco na camada de ozônio, causado por gases refrigerantes e aerossóis feitos pelo homem, estaciona periodicamente por alguns meses e causa problemas. Ele surge quando a luz do sol volta à Antártida em agosto, provocando uma reação química que destrói as moléculas de ozônio e causa um buraco que alcança seu tamanho máximo em setembro. Ele se fecha com o clima mais quente em novembro.

Explorar a Antártida é algo que o chileno Alejo Contreras, 53 anos, começou a sonhar durante sua juventude, depois de ler o diário de Robert Falcon sobre sua travessia ao Polo Sul. Quando Contreras finalmente chegou ao Polo Sul, em 1988, deixou de fazer a barba, que agora alcança seu peito, e anda sem rumo fixo, como suas explorações.

A Antártida é "como o congelador do planeta", disse Contreras, que comandou 14 expedições ao continente. "E nenhum de nós se atreveria a sujar o gelo."

Devido à natureza virgem do extremo sul do mundo, quando um meteorito cai ali permanece intacto. Assim, os pesquisadores encontram mais meteoritos, muitas vezes do vizinho Marte, incluindo um descoberto há quase 20 anos que levou os cientistas inicialmente a pensar, de maneira incorreta, que haviam encontrado provas de que já houve vida em Marte. Este é um lugar com paisagens tiradas de um filme de ficção científica. A Nasa utiliza a localização remota do continente para estudar o que as pessoas teriam de enfrentar se visitassem Marte. O ar seco também é perfeito para que os astrônomos espiem o espaço profundo e olhem para o passado.

Durante uma viagem recente à ilha Decepção, Peter Convey, um ecologista do Centro de Pesquisas da Antártida do Reino Unido que visitou o continente durante 25 anos, suportou forte chuva, temperaturas congelantes e ventos de mais de 37 quilômetros por hora (20 nós) para coletar amostras de musgos esponjosos de cor verde e café, que crescem nas cinzas das montanhas de rocha negra da ilha vulcânica. Ele procurava chaves em sua genética para determinar o quanto a espécie havia evoluído na Antártida, isolada de outros continentes.

"Tive sorte e fui até a metade do continente, assim estive isolado do ser humano mais próximo por 400 ou 500 quilômetros", disse Convey. Nesse isolamento existem formas de vida raras, aumentando a esperança de que possa haver vida em outros ambientes extremos como Marte, o que inclusive há na atualidade, escondida sob o gelo da lua de Júpiter, Europa. "Este é um dos lugares mais extremos em que poderíamos esperar encontrar vida. E existe", indicou Ross Powell, um cientista da Universidade Northern Illinois, que em janeiro utilizou um submarino com controle remoto sob o gelo em uma parte diferente do continente, para decifrar o derretimento, quando viu peixes e crustáceos nadando ali.

Cerca de 4 mil cientistas chegam à Antártida para pesquisas no verão e cerca de 1 mil ficam para o duro inverno. Também há cerca de 1 mil pessoas alheias à ciência -- cozinheiros, motoristas, mecânicos, zeladores e o sacerdote da Igreja Ortodoxa mais meridional do mundo, situada no alto de uma colina rochosa na estação russa Bellinghausen. Mas a igreja na colina é uma exceção, um tênue raio de luz do mundo que existe ao norte. Para os cientistas, o que torna este lugar especial é o que há embaixo, que oferece uma janela para o passado e o futuro da humanidade.

"A Antártida, em muitos sentidos, é como outro planeta", disse José Retamales, diretor do Instituto Antártico Chileno, a bordo do barco da marinha que navega por Decepção e outras ilhas Shetland do Sul. "É um mundo completamente diferente."

Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Fonte: UOL


Concurso para reconstruir base na Antártida tem 74 projetos na disputa

Operário trabalha removendo os escombros da base antártica, um ano após o incêndio que destruiu estação -  Crédito: Giuliana Miranda/Folhapress

12/04/2013

O concurso para reconstruir a Estação Antártica Comandante Ferraz, destruída por um incêndio em fevereiro de 2012, entrou na reta final. Dos 109 inscritos, 74 entregaram os projetos para a comissão julgadora. O resultado será anunciado no próximo dia 15.

O escritório vencedor levará R$ 100 mil como uma espécie de adiantamento do contrato final, que é de cerca de R$ 5,1 milhões. O ganhador terá 30 dias para apresentar toda a documentação para assinar com a Marinha.

O segundo lugar será premiado com R$ 50 mil e o terceiro, com R$ 30 mil.

Estima-se que a reconstrução custará em torno de R$ 100 milhões.

"O resultado superou nossas expectativas. Estamos muito otimistas com o sucesso do projeto", disse Luiz Fernando Janot, coordenador do concurso.

A seleção é realizada pelo IAB (Instituto dos Arquitetos do Brasil), e a comissão julgadora escolherá o projeto vencedor sem saber a que escritório ele pertence.

Nesta etapa, os candidatos tiveram de apresentar uma espécie de planta da estação, com sugestões de materiais e métodos de construção a serem empregados. Estrangeiros só podem participar da disputa em parceria com escritórios nacionais

DIFICULDADES

A ilha Rei George, onde fica a estação, pode ter condições meteorológicas bastante instáveis, com ventos que superam os 150 quilômetros por hora. O projeto tem que levar o clima inóspito em consideração.

Além disso, por restrições ambientais e logísticas, a estação precisará ser construída em outro local e então transportada para a Antártida.

"A comissão vai julgar diferentes aspectos, do tipo de material à viabilidade de construção e transporte das partes construídas", completa Janot.

Segundo ele, os aspectos ambientais e de sustentabilidade também serão um dos principais requisitos para o projeto vencedor.

Como projetos na Antártida não costumam fazer parte da rotina da maioria dos escritórios, o IAB organizou workshops explicando características da região e as especificidades relacionadas à instalação de uma base em um lugar assim.

Além disso, também houve um grande encontro no Rio de Janeiro, em que os candidatos passaram um dia inteiro recebendo informações sobre como deveria ser a apresentação do projeto, além de ouvirem da comunidade científica o que eles esperam dos novos laboratórios.

RECONSTRUÇÃO

A Marinha já encerrou a limpeza da área afetada pelo incêndio.

Os destroços da estação chegaram recentemente ao Brasil, a bordo do navio mercante Germania, que foi contratado especificamente para ajudar na remoção.

Uma boa parte da sucata deverá ir a leilão. Parte do material, que oferece risco de contaminação, deverá ser descartado por uma empresa especializada.

Enquanto a base não é reconstruída, a Marinha instalou uma espécie de estação científica provisória, composta de módulos pré-fabricados. De produção canadense, eles custaram cerca de R$ 14 milhões.

A estação provisória tem capacidade para receber cerca de 60 pessoas, entre cientistas e militares --quase o mesmo número comportado pela antiga base.

Os módulos estão instalados na área que atualmente é destinada ao pouso de helicópteros. O local é mais elevado e ligeiramente afastado da área destruída pelo fogo.

Essa opção foi feita para não prejudicar o andamento da reconstrução definitiva do complexo.



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