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ASSEMBLEIA GERAL FINALIZA NEGOCIAÇÕES PARA PACTO GLOBAL SOBRE MIGRAÇÃO BR

A enviada Louise Arbour (centro) durante negociações do Pacto Global sobre Migração 
Segura, Ordeira e Regular, que foi preparado com acompanhamento da ONU.
Foto: ONU/Manuel Elias

13/07/2018

Migrantes e refugiados

Enviada especial sobre o tema acredita que compromisso deve promover clareza a respeito da questão; mundo tem 258 milhões de migrantes que não são refugiados; secretário-geral elogia decisão e diz que migração é fenômeno natural e internacional.

A Assembleia Geral das Nações Unidas finalizou nesta sexta-feira uma série de negociações para formalizar o Pacto Global sobre Migração Segura, Ordeira e Regular.

Esse compromisso é primeiro acordo sobre o tema negociado entre governos e que foi preparado com acompanhamento da ONU. A meta é lidar com o desafio da migração internacional em todas as suas dimensões de formas total e abrangente.

Migrantes a bordo de um navio de resgate belga., by Frontex/Francesco Malavolta

Marrocos

A rodada final para adotar o Pacto ocorreu na sede das Nações Unidas. A partir de agora, o texto deve ser adotado, formalmente, numa conferência em Marrakech, no Marrocos, de 10 a 11 de dezembro.

A enviada especial do secretário-geral para migração internacional, Louise Arbour, disse à ONU News, em Nova Iorque, que a migração “estará conosco para sempre”.

Para Louise Arbour, é “do interesse de todos” que haja um meio seguro e ordenado para facilitar o processo.

A enviada declarou que a migração “não deve ser vista em termos de bem ou mal”, mas como "um fenômeno que faz parte da história da humanidade". Para ela, há imensos benefícios.

Em nota, emitida pelo seu porta-voz, o secretário-geral da ONU elogiou a conclusão das negociações.

Declaração de Nova Iorque

Migrantes na cidade de Lesbos, na Grécia. , by OIM/Amanda Nero

António Guterres lembrou que o Pacto está firmemente baseado na Agenda de Desenvolvimento Sustentável e nos compromissos feitos na Declaração de Nova Iorque, adotada em 2017.

Guterres acredita que o acordo sobre o texto do Pacto Global é uma conquista importante, que demonstra a compreensão dos governos sobre a migração e o trânsito de pessoas entre fronteiras como um fenômeno internacional e natural. Para ele, a migração requer um gerenciamento eficiente e uma cooperação internacional que tenha um impacto positivo sobre todos.

O chefe da ONU também agradeceu às Missões do México e da Suíça pelo empenho na realização do Pacto assim como ao presidente da Assembleia Geral, Miroslav Lajcák. 

Rótulo

Ao comentar a urgência do Pacto, a enviada especial Louise Arbour, mencionou “algumas perceções negativas, às vezes hostis, sobre os migrantes”.

Migrantes em centro de detenção na Libia., by Foto: IOM

Arbour defendeu haver “motivações complexas para esse movimento das pessoas que deixam as suas origens, com desejo de melhorar a educação”.

Para ela, seria “muito inútil” rotular todos os 258 milhões de migrantes que não são refugiados no mundo como pessoas que estão em “busca gananciosa de mais benefícios econômicos”.

A enviada afirmou que o Pacto não pretende dar resposta imediata às atuais crises, mas ajudará a esclarecer diferentes abordagens para lidar com essa questão.

Crianças

Os dos destaques nas negociações foi a detenção de migrantes, especialmente de crianças. Arbour disse haver muitas preocupações sobre o infortúnio de pessoas em movimento que estejam nessas circunstâncias.A representante crê que a detenção aumenta as vulnerabilidades em vez de apoiar as pessoas que precisam.

Fonte: ONU News


TOP MODEL E EX-REFUGIADA HALIMA ADEN É NOMEADA EMBAIXADORA DO UNICEF

Halima Aden em visita ao campo de refugiados de Kakuma, no Quênia. 
Foto: TEDxKakumacamp/Tobin Jones

13/07/2018

Nascida em 1997 no campo de refugiados de Kakuma, noroeste do Quênia, a modelo Halima Aden, de origem somali, sacudiu as passarelas norte-americanas e europeias quando começou a carreira em 2017, desfilando para grandes nomes da moda e usando o seu hijab, o véu que muitas mulheres muçulmanas vestem.

Mais do que uma voz pela diversidade religiosa, a jovem de apenas 20 anos anos é também uma ativista dos direitos das crianças e adolescentes migrantes. Neste mês (2), Halima recebeu o título de embaixadora do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) nos Estados Unidos.

Em junho, a manequim voltou ao assentamento de Kakuma, onde moram 185 mil refugiados e solicitantes de refúgio, forçados a abandonar seus países de origem por causa da guerra, fome e perseguição. “Meu maior medo era não ser capaz de reconhecer o lugar que eu chamei de ‘casa’ por sete anos”, confessa a modelo. “Eu me preparei para o pior.”

Em 2004, Halima, sua mãe e o irmão mais novo receberam autorização para emigrar para os Estados Unidos. Em St. Cloud, no estado de Minnesota, a jovem — e muçulmana praticante — foi eleita rainha do baile de formatura, ao final do Ensino Médio. Halima se tornaria a primeira concorrente do concurso de Miss Minnesota a usar o hijab, em 2016. “O hijab é um símbolo que vestimos sobre nossas cabeças, mas quero que as pessoas saibam que é a minha escolha. Eu o visto porque eu quero vesti-lo”, declarou à época para um jornal local.

Aos 19 anos, a ex-refugiada foi a primeira modelo a usar véu e assinar com a agência IMG, a mesma da modelo Gisele Bündchen. De 2017 para cá, Halima apareceu nas capas das revistas Vogue, Harper’s Bazaar, Teen Vogue e Glamour, além de participar de desfiles em Nova Iorque e Milão. Quando não está sob os flashes das câmeras, a modelo conversa com estudantes sobre a importância da inclusão e da aceitação, usando como exemplo sua história pessoal.

“Esse é o meu ponto principal: você não tem de se adequar. Você não tem de tirar o seu véu”, defende Halima. “Sempre se resume a escolhas: deixar as pessoas viverem o tipo de vida que elas quiserem viver.”

Apesar da alegria com a carreira promissora, a modelo não esquece suas origens — e o sofrimento de outros meninos e meninas vítimas de deslocamento forçado. “Eu me sinto muito culpada às vezes. Eu penso ‘ok, eu tirei o máximo da minha jornada para a América? Eu tirei o máximo da minha vida? (Mas) eu conheço milhões de outras pessoas, outras garotas da minha idade, que ficaram para trás. Elas têm que viver suas vidas aqui (em Kakuma). Eu consegui sair’.”

Migração e refúgio nos Estados Unidos

Com mais de 2 mil crianças separadas à força de seus pais na fronteira sul dos Estados Unidos, a modelo vê como urgente o trabalho de conscientização sobre os direitos dos migrantes menores de idade. “Eu fui uma criança refugiada e não posso nem imaginar o trauma que viria (do fato) de ser arrancada da minha mãe”, afirmou Halima à publicação Teen Vogue, que traz a embaixadora do UNICEF na capa da sua edição de julho.

Para a manequim, a separação deixa os jovens “vulneráveis e exploração e abuso”. “Crianças refugiados são uma questão apartidária”, completa.

Também em entrevista para a revista, Halima defende que os refugiados não querem “piedade”, mas soluções de longo prazo, como educação, água potável e saneamento, e oportunidades para construir uma vida melhor. “O que queremos é ser convidado para a conversa.”

Em 2017, Halima viajou para a fronteira entre o México e a Guatemala, a fim de conhecer a assistência que o UNICEF presta a meninos, meninas e adolescentes da América Central. A região sofre com uma violência contínua causada por gangues e grupos criminosos, além de taxas preocupantes de extrema pobreza.

A modelo lembra que, em Kakuma, recebeu apoio da agência das Nações Unidas. “Antes de conseguir assinar meu próprio nome, eu (já) conseguia soletrar UNICEF.”

Com o título de embaixadora, Halima se une ao time de personalidades, como as cantoras P!NK e Selena Gomez e a atriz Lucy Liu, que emprestam sua fama e sua visibilidade para promover os direitos das crianças e dos adolescentes.


ATRIZ CATE BLANCHETT DIZ QUE 2018 PODE SER ANO DECISIVO PARA REFUGIADOS

Cate Blanchett falou a centenas de funcionários do Acnur, em Genebra. Foto Acnur: Susan Hopper

23/01/2018

Embaixadora da Boa Vontade da Agência da ONU para Refugiados, Acnur, visitou sede da organização em Genebra e afirmou que Acnur é uma espécie de bússola moral nos tempos atuais.

Monica Grayley, da ONU News em Nova Iorque.*

O ano de 2018 pode ajudar a virar o jogo no tema dos refugiados.

A declaração foi feita pela atriz Cate Blanchett. Ela é embaixadora da Boa Vontade da Agência da ONU para Refugiados, Acnur.

Deslocamentos recordes

Em visita à sede da agência em Genebra, a atriz australiana conversou com centenas de funcionários e afirmou que se sentia impactada, mas também enriquecida pelo trabalho.

Segundo Blanchett, o Acnur é uma espécie de bússola moral em época de deslocamentos recordes.

Desde que assumiu seu papel como embaixadora da agência, em 2014, a ganhadora de dois prêmios Oscar já visitou vários acampamentos de refugiados e conheceu a história de dezenas de pessoas. Como o caso desta mulher síria sobre quem gravou este testemunho.

Ação global

Segundo ela, uma vez que se começa a trabalhar com o Acnur não é possível mais abandonar a tarefa. Blanchett lembrou do drama de quem vive em conflitos que vão da Síria a Bangladesh passando pelo Sudão do Sul.

Ela destacou que, atualmente, mais de 65,6 milhões de pessoas vivem fora de suas casas, e deste total, 21 milhões são refugiados.

Para a atriz, é revoltante ver a falta de ação global para reverter os fatores que levaram à crise mundial de deslocados internos. Ela disse que os números são inacreditáveis.

Esperança

Cate Blanchett já visitou refugiados no Líbano e na Jordânia, que tiveram que fugir da guerra na Síria. Ela reconheceu o trabalho de funcionários do Acnur no terreno e como eles levam esperança aos refugiados.

Blanchett também se encontrou com famílias solicitantes de asilo que foram transferidas pela Austrália para as Ilhas Natal, para Nauru e Papua Nova Guiné.

Ela acredita que este ano pode ser decisivo especialmente pelo papel do Acnur em promover uma resposta mais justa e sustentável à crise de refugiados em todo o mundo.

*Apresentação: Eleutério Guevane.


INSCRIÇÕES ABERTAS PARA TRABALHO VOLUNTÁRIO COM REFUGIADOS

As atividades têm duração de três meses, com possibilidade de prorrogação
Ministério da Justiça/Divulgação

01/08/2017

As candidaturas serão aceitas até 6 de agosto, e os aprovados devem iniciar as atividades no dia 14 do mesmo mês

O Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) está selecionando voluntários para ajudar em atividades administrativas. A colaboração inclui transcrições de áudios de entrevistas dos solicitantes de refúgios, investigações e diagnósticos dos aspectos geopolíticos de países de origem dos solicitantes.

Entre os requisitos para o trabalho voluntário estão: ter conhecimento avançado em inglês, francês e/ou espanhol e ser graduado ou estudante de nível superior. Há preferência por universitários e graduados em Direito, Relações Internacionais, Ciências Sociais ou Políticas, Serviço Social e áreas correlatas. O interessado deve ser proativo, organizado e ter aptidão para ajudar pessoas mais vulneráveis.

Para participar da seleção de voluntários, os interessados devem enviar o currículo anexo para  rsd.conare@mj.gov.br. As candidaturas serão recebidas até 6 de agosto.

As atividades têm início previsto para 14 de agosto e duração de três meses, com possibilidade de prorrogação do tempo de serviço. Quem se comprometer com o voluntariado deve ter disponibilidade de, pelo menos, 12 horas semanais.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública emitirá certificado das atividades exercidas pelo colaborador. Terá direito ao certificado o voluntário que cumprir o tempo mínimo de prestação de serviços, sem interrupção.

Fonte: Portal Brasil, com informações do Ministério da Justiça e Segurança Pública

Paris se prepara para inaugurar o primeiro centro para refugiados

O jovem arquiteto francês, Julien Beller, nos locais do futuro centro de refugiados parisiense.
RFI

30/09/2016

Crise migratória extrema, desmantelamento do campo de refugiados de Calais, discussões na ONU: diante de tais urgências, Paris repensa sua política migratória.

No início do mês de setembro, a prefeita socialista de Paris, Anne Hidalgo, anunciou a criação de dois espaços de recepção transitória de refugiados. O primeiro deles - instalado em uma antiga área industrial no norte de Paris - será inaugurado no mês de outubro e terá capacidade para abrigar 400 homens desacompanhados.

A segunda unidade, que deve ser inaugurada ainda esse ano, está sendo construída em uma antiga fábrica em Ivry-sur-Seine, na região parisiense, e se destina à mulheres, crianças e famílias.

A ideia é que durante um período de 5 a 10 dias, homens, mulheres e crianças refugiadas possam descansar, passar por exames médicos, receber ajuda psicológica e todas as instruções necessárias sobre os direitos de asilo.

O diretor da associação França, Terra de Asilo, Thierry Henry, apoia a iniciativa de Anne Hidalgo e defende a construção de ambos os centros: “Existe uma batalha cultural a ser travada nesse país, no que diz respeito ao abrigo que damos aos refugiados. Eu acho que é indispensável assumir suas posições e explicá-las. A recepção dos refugiados deve ser organizada, pensada, razoável, e é exatamente isso que propõe Anne Hidalgo. Em contrapartida, eu acredito que esse centro só funcionará se ele se insere num ecossistema virtuoso e solidário. O que significa que todas as grandes metrópoles do país devem adotar estruturas semelhantes. Lembrando que atualmente, o alojamento dos refugiados tem sido o campo de Calais (no norte da França) e as ruas parisienses.”

Acupuntura urbana

À frente do projeto está Julien Beller, um jovem arquiteto cuja grande característica é a capacidade de adaptação diante de contextos difíceis. Habituado a trabalhar com populações nômades e precárias, adepto de materiais que podem ser montados e desmontados facilmente, defensor de uma arquitetura efêmera e informal, Julien Beller parece se adequar perfeitamente às ambições da prefeitura de Paris.

“A prefeitura me disse: nós gostaríamos que esse projeto fosse belo, digno, com uma atenção especial ao meio ambiente, com os laços comuns. A ideia não é simplesmente de abrigar as pessoas de modo industrial. Em seguida, eles me colocaram em contato com a associação Emmaüs Solidariedade, que foi designada como a futura gestionária do local. Nós nos encontramos e eles me escolheram como arquiteto desse projeto”, disse, em entrevista à Rádio França Internacional. 

Beller explicou de que forma esse projeto foi imaginado e está sendo construído: "O dispositivo se divide em três polos: o primeiro se chama 'Polo de boas-vindas', ele será instalado numa estrutura inflável realizada por um velho artista e arquiteto, Hans Walter Muller, que desenvolveu esse conceito de estrutura, uma espécie de balão, uma arquitetura viva, que se implanta e se desmonta rapidamente.”

Segundo ele, no segundo polo - instalado em contêineres marítimos - uma equipe médica da ONG Médicos do Mundo, se encarregará dos cuidados médicos e também de auxílio psiquiátrico. O terceiro polo, onde estão sendo construídos os dormitórios de 17 metros quadrados, se divide em 8 pequenos bairros e cada um deles deve abrigar 50 pessoas.

“Eu acho que a palavra chave desse projeto é dignidade. Depois eu diria, orgulho. Nós precisamos nos orgulhar novamente do que nós somos, das nossas cidades e da nossa política migratória em relação a pessoas que batem às nossas portas porque são assassinadas em seus países”, explica Beller.

O custo desse projeto é de €5,2 milhões (R$18,7 milhões)  para a prefeitura da capital francesa e €1,33 milhão (R$ 3,60 milhões) para o Estado.

Fonte: RFI


Reunião na ONU sobre refugiados marca compromisso inédito

Foto: ONU/Cia Pak

19/09/2016

Afirmação foi feita pelo chefe do Acnur durante Conferência sobre Refugiados e Migrantes; Filippo Grandi disse que o mundo exige ações e resultados práticos para lidar com a crise global de refugiados e migrantes.

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

O alto comissário das Nações Unidas para Refugiados, Filippo Grandi, afirmou que a Declaração de Nova York marca um "compromisso político de força sem precedentes e ressonância".

Em discurso na Conferência sobre Refugiados e Migrantes, na Assembleia Geral, Grandi disse que o documento cobre "uma lacuna no sistema internacional de proteção, que é sobre a responsabilidade compartilhada".

Emergências e Crises

Ele disse que na busca de soluções durante emergências e crises prolongadas, a comunidade internacional deve ter condições de agir e engajar vários setores ao mesmo tempo através de cooperações acordadas anteriormente.

O alto comissário deu como exemplo Uganda, onde o governo mantêm uma política de "porta-aberta" e que mobilizou vários parceiros e instituições numa resposta baseada em educação e meios de subsistência.

Ações e Resultados

Grandi disse que o Acnur está "olhando para todos para alcançar engajamento político, financiamento e apoio técnico na busca de soluções".

Ele lembrou que o "mundo, chocado por imagens de pessoas fugindo e morrendo em travessias pelo mar, não quer que as intenções da declaração fiquem somente no papel".

Filippo Grandi disse que o mundo exige ações e resultados práticos para lidar com a crise global de refugiados e migrantes.

Presidente Assembleia Geral

O novo presidente da Assembleia Geral, Peter Thomson, prometeu "avançar com os compromissos adotados pelos países em relação à Declaração de Nova York.

Thomson disse que vai iniciar o processo que levará a um pacto global sobre migração, assim como a um pacto global sobre os refugiados.

O chefe da Assembleia Geral pedirá aos governos que mantenham "os altos níveis de ambição através de todo o processo, e que sempre busquem algo a mais".

No discurso na conferência, Thomson afirmou que "o destino de milhões de refugiados e migrantes está nas mãos dos Estados-membros".

Fonte: Rádio ONU


Atletas refugiados fazem estreia histórica nos Jogos Paralímpicos no Rio

O nadador sírio Ibrahim Al-Hussein lidera a inédita Equipe de Atletas Paralímpicos 
Independentes na cerimônia de abertura dos Jogos Paralímpicos Rio 2016. 
© ACNUR/Benjamin Loyseau.

10/09/2016

O nadador sírio Ibrahim Al-Hussein conduziu a Equipe de Atletas Paralímpicos Independentes no estádio do Maracanã e carregou a bandeira do Comitê Paralímpico Internacional.

Sob fortes aplausos, dois atletas paralímpicos, que enfrentaram o desafio adicional de terem sido forçados a se deslocar de seus países, fizeram história nesta quarta-feira (7) ao entrarem no consagrado estádio do Maracanã para a cerimônia de abertura dos Jogos Paralímpicos 2016 no Rio de Janeiro.

Ao som de vibrantes e entusiasmados gritos de apoio vindos da multidão, Ibrahim Al-Hussein liderou a inédita Equipe de Atletas Paralímpicos Independentes até a arena, portando a bandeira do Comitê Paralímpico Internacional.

Originalmente da Síria, Ibrahim costumava competir em campeonatos de natação locais e nacionais, mas sua carreira foi interrompida há cinco anos quando a guerra eclodiu na Síria.

Em 2013, após perder a parte inferior de sua perna direita devido em uma explosão, ele fugiu para a Turquia onde passou a maior parte do ano seguinte reaprendendo a andar. Em 2014, ele embarcou em um bote inflável para a Grécia, onde ele retomou seus treinos de natação.

“Estou muito feliz por ter sido escolhido para conduzir a bandeira. Esse está sendo um dos melhores momentos da minha vida.”

“Estou muito feliz por ter sido escolhido para conduzir a bandeira. Este está sendo um dos melhores momentos da minha vida”, disse Ibrahin Al-Hussein à Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) antes da cerimônia que foi acompanhada ao vivo por milhões de pessoas no mundo inteiro.

“Antes da guerra na Síria, eu sonhava em participar das olimpíadas. Depois do que aconteceu, e depois da minha lesão, eu resolvi seguir em frente e hoje estou nas Paralimpíadas. Eu continuei sonhando, e este momento é um dos melhores que já vivi na vida”, ele acrescentou.

Fogos de artifício iluminam o Maracanã na cerimônia de abertura dos Jogos 
Paralímpicos Rio 2016. © ACNUR/Benjamin Loyseau

Outro integrante da equipe é Shahrad Nasajpour, um atleta iraniano com paralisia cerebral que teve o seu pedido de refúgio concedido pelos Estados Unidos. Ele competirá no lançamento de discos, mas não quis compartilhar sua história por motivos pessoais.

A cerimônia teve início com uma contagem regressiva marcada pela manobra radical do atleta Aaron Wheelz que, sob uma cadeira de rodas, desceu em alta velocidade uma rampa com a altura de um prédio de seis andares e saltou através de um painel com o número zero, marcando o início dos Jogos com uma explosão de fogos de artifício.

Durante o desfile, voluntários posicionaram mais de 1.000 peças de um quebra-cabeça que formou um coração, representando o conceito-chave da cerimônia: "O coração não conhece limites. Todo mundo tem um coração".

Antes da cerimônia de abertura, o Alto Comissário da Agência da ONU para Refugiados disse que estava “muito feliz por torcer por Ibrahim e Shahrad”.

"A Equipe de Atletas Paralímpicos Independentes é um símbolo da força e determinação para as pessoas refugiadas com deficiência em todo o mundo. Eles são um exemplo do que pode ser alcançado quando os refugiados com deficiência têm a oportunidade de seguir seus sonhos e desenvolver seus talentos".

“Eles são um símbolo da força e determinação para as pessoas refugiadas com deficiência em todo o mundo.”

Os competidores estão seguindo os passos da amplamente celebrada Equipe Olímpica de Atletas Refugiados que fizeram história nos Jogos Olímpicos Rio 2016.

Ainda que não tenham conquistado medalhas, os 10 atletas refugiados fizeram história nos Jogos Olímpicos Rio 2016, colocando a coragem e a perseverança dos refugiados e dos deslocados internos do mundo todo - uma população que já ultrapassa 65 milhões – sob os holofotes.

Nos Jogos Paralímpicos, Ibrahim irá competir nos 50 metros e 100 metros nado livre na classe S10, uma das 10 classes com base no grau de habilidade. Sua participação acontece menos de um ano depois que ele começou a nadar novamente, em outubro do ano passado, depois de uma pausa de cinco anos.

Em abril, Ibrahim conduziu a Tocha Olímpica dos Jogos Rio 2016 por um campo de refugiados em Atenas, um gesto simbólico para mostrar solidariedade aos refugiados de todo o mundo.

Reunião

A representante da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) no Brasil, Isabel Marquez, se reuniu com a equipe para demonstrar seu apoio aos atletas e parabenizá-los pela participação nos Jogos Paralímpicos Rio 2016, representando milhares de outros refugiados e solicitantes de refúgio com deficiências em todo mundo.

A Representante do ACNUR no Brasil, Isabel Marquez, cumprimenta o atleta refugiado 
Ibrahim Al-Hussein na Vila Olímpica no Rio de Janeiro. © ACNUR/Benjamin Loyseau

"Eles já são vitoriosos, pois conseguiram ultrapassar vários obstáculos e chegar até aqui. O fato de serem refugiados torna sua necessidade de proteção mais evidente. E para pessoas com necessidades especiais, isto é particularmente importante". 

Para Isabel, a equipe traz uma mensagem de esperança para os Jogos Paralímpicos. "Não importa o problema que as pessoas tenham na vida, continuem a fazer o que gostam". 



Jogos Paralímpicos terão atletas refugiados pela 1ª vez

O atleta refugiado sírio Ibrahim Al- Hussein vai competir nos 50 e 100 metros nado 
livre na classe S10 - Divulgação/Acnur

27/08/2016

Ibrahim Al-Hussein e Shahrad Nasajpour integram a Equipe de Atletas Paralímpicos Independentes; competidores são originários da Síria e do Irã
  
Dois atletas que foram forçados a deixar seus países de origem vão participar, pela primeira vez, dos Jogos Paralímpicos Rio 2016 pela Equipe de Atletas Paralímpicos Independentes. Segundo informações da Agência da ONU para Refugiados (Acnur), os atletas são da Síria e do Irã.

Ibrahim Al-Hussein, que cresceu em Deir ez-Zor, na Síria, foi atingido por uma bomba em 2013, ao tentar ajudar um amigo. Ele perdeu a parte inferior de sua perna direita, abaixo do joelho. Ibrahim então fugiu para a Turquia e, em 2014, viajou em um barco inflável para a Grécia, onde vive refugiado até hoje.

Após a lesão, Ibrahim pensou que nunca nadaria novamente. "Depois de 22 anos de treinamento, o meu sonho finalmente se tornou realidade", afirmou o atleta, que desde criança treinava natação com seu pai. Nos Jogos Paralímpicos, Ibrahim irá competir nos 50 metros e 100 metros nado livre na classe S10. Em abril, Ibrahim conduziu a Tocha Olímpica dos Jogos Rio 2016 por um campo de refugiados em Atenas.

O outro atleta que irá participar da Paralimpíada como independente é Shahrad Nasajpour, um iraniano que teve concedido o pedido de refúgio nos Estados Unidos, mas ainda não é considerado refugiado. Shahrad tem paralisia cerebral e competirá no arremesso de discos, na classe esportiva F37.

Segundo a Acnur, a população de refugiados e deslocados internos no mundo já ultrapassa 65 milhões. “Os atletas deslocados vão levar uma mensagem de esperança, não só para os milhões de pessoas deslocadas com deficiência em todo o mundo, mas para todas as pessoas, em todos os lugares”, diz a Acnur.

Na Olimpíada do Rio de Janeiro, realizada neste mês, uma equipe de 10 atletas refugiados participou também de forma independente.

Fonte: Portal Brasil, com informações da Agência Brasil


Após disputarem Olimpíada, judocas refugiados continuarão treinando no Brasil

A judoca refugiada Yolande Bukasa enfrentou a israelense Linda Bolder Reuters/Toru Hanai/Direitos Reservados 

14/08/2016

Marcelo Brandão - Enviado Especial da Agência Brasil

Foi um momento histórico para os Jogos Olímpicos e mudou para sempre a vida de Yolande Bukasa e Popole Misenga. Os dois judocas congoleses representaram os refugiados, mas o sentimento foi de lutar em casa, literalmente. Eles vivem no Brasil desde 2013 e tiveram toda a torcida a seu lado. A participação de ambos nos jogos já terminou, mas eles continuarão vivendo e treinando no Brasil para mais um capítulo do sonho olímpico.

“Vou continuar no Brasil, sou pai de uma brasileira, minha mulher é daqui e ela está grávida de novo. Não posso sair mais, tenho que cuidar da minha família. Aqui já virou o meu país”, diz Popole.

Yolande sente saudades da família, que ficou na África, mas não pensa em voltar agora. “Brasil já é minha casa. Vou ficar aqui, morar aqui. Estou aqui no Brasil, vivendo minha vida aqui. Essa oportunidade foi mandada por Deus”.

Após o frisson da Olimpíada, os dois voltam aos treinos no Instituto Reação. O instituto os acolheu e os colocou em nível de competição, com o trabalho do sensei Geraldo Bernardes. Yolande lutou uma vez, contra a israelense Linda Bolder, e foi derrotada. Já Popole venceu seu primeiro combate e só parou quando enfrentou o campeão mundial Gwak Dong Han, da Coreia do Sul.

“Defendi muita chave, ele quase quebrou meu braço, mas eu falei [para mim mesmo] 'não vou deixar, não vou bater [desistir da luta]', para mostrar ao mundo inteiro que nós somos capaz de estarmos aqui. Para mim, fui vitorioso”, diz Popole. “O Popole voltou. Acho que na próxima competição vou lutar mais, ninguém vai acreditar que Popole está lutando, melhorando mais”, diz, orgulhoso.

O olhar do judoca se ilumina ao ser perguntado sobre o apoio dos brasileiros na abertura dos jogos, no Maracanã, e em sua participação no tatame. “Para mim foi incrível. Não esperava isso. Eu já tinha botado na minha cabeça que eu era refugiado, que meu esporte já tinha acabado. Minha esperança de vida já não existia mais. Agora eu já estou firme, estou voltando. O Popole voltou”.

Além de treinar, os dois estão nas salas de aula. O primeiro passo é conseguir falar português com desenvoltura e, então, colocar em dia os estudos. “Agora estou aprendendo porque na África eu não estudei, por causa da situação da família. Lá na África a família precisa pagar para estudar. Eu estou aqui, me ajudaram a estudar, essa oportunidade não pode largar”, diz Yolande.

O orgulho do treinador também é enorme. Ele garante que os dois fazem parte do Instituto Reação, independente da Olimpíada. “Eles continuam. Quando foram descobertos pelo COI, eles já estavam no Reação. Eles são fruto do Reação, a casa deles é o Reação. Vamos continuar dando treinamento para eles, mais atenção, sendo que deve ter uma ajuda do COI agora porque viram que o projeto deu certo”.

Na avaliação de Geraldo, o que os dois fizeram na Olimpíada, sobretudo Popole, pode ser chamado de “milagre”. Em pouco tempo tiveram que aprender as novas regras do judô e afiar a luta que já não praticavam em competições há muito tempo. “Acho que o que eles fizeram foi um milagre. Ela precisa de mais uma melhoria técnica. Ele precisa de mais treinamento, mais experiência, viajar, participar. Há muito tempo eles não participavam de nenhuma competição”.

Para Mark Adams, diretor de comunicações do Comitê Olímpico Internacional (COI), a participação dos refugiados foi um dos fatos mais marcantes dos Jogos Rio 2016 até agora. “É muito bom ver o time de refugiados, ver esses atletas competindo é emocionante, toca a todos. O espírito olímpico é isso, sentir-se parte de alguma coisa. Acho que vou lembrar dos jogos assim. Esses atletas competindo foi emocionante”.

Adams afirmou que o COI já estuda com a Agência das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) uma forma de apoio para a continuidade da delegação de refugiados para os próximos jogos, em Tóquio 2020. “O COI vem trabalhando com agências da ONU e temos uma relação próxima da Acnur. Será discutido como eles receberão apoio para participar de Tóquio”.

Edição: Carolina Pimentel



Abordagem nociva de Estados da União Europeia em relação à migração coloca o direito ao asilo em perigo em todo o mundo

Foto: Alessandro Penso

22/06/2016

MSF não receberá mais fundos de Estados-membros e de instituições da União Europeia

A organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) anunciou hoje (17/6) que não irá mais receber fundos da União Europeia (UE) e de seus Estados-membros, em oposição às suas políticas de dissuasão danosas e à intensificação das tentativas de empurrar as pessoas e seu sofrimento para longe da costa da Europa. Essa decisão entrará em vigor imediatamente e será válida para todos os projetos de MSF no mundo.

Três meses após a assinatura do acordo entre UE e Turquia, que governos europeus consideram um êxito, são as pessoas necessitadas de proteção que estão arcando com seu custo humano. Nas ilhas gregas, mais de 8 mil pessoas, incluindo centenas de menores desacompanhados, estão retidas como uma consequência direta do acordo. Elas estão vivendo em condições extremamente precárias, em acampamentos superlotados, por vezes durante meses. Temem um retorno forçado à Turquia enquanto são privadas de apoio jurídico, sua única defesa contra a expulsão coletiva. A maioria dessas famílias, que a Europa afastou dos olhos do público por meio de disposições legislativas, fugiu do conflito na Síria, no Iraque e no Afeganistão.

“Há meses MSF tem se pronunciado abertamente sobre a resposta vergonhosa da Europa, mais focada em dissuadir essas pessoas do que em lhes oferecer a assistência e a proteção de que necessitam”, disse Jérôme Oberreit, secretário-geral internacional de MSF. “O acordo entre UE e Turquia vai ainda além, e colocou o próprio conceito de ‘refugiado’ e a proteção que ele oferece em perigo.”

Na semana passada, a Comissão Europeia revelou uma nova proposta para replicar a lógica do acordo UE-Turquia em mais de 16 países da África e do Oriente Médio. Esses acordos imporiam cortes no comércio e na ajuda ao desenvolvimento a países que não contém o fluxo migratório para a Europa ou facilitam retornos forçados, recompensando aqueles que o fazem. Entre os potenciais parceiros estão Somália, Eritreia, Sudão e Afeganistão – quatro dos 10 países que mais geram refugiados*.

Jérôme Oberreit - secretário-geral internacional de MSF
(Foto: Alex Yallop/MSF)
“A única oferta da Europa aos refugiados é que eles fiquem em países de onde estão desesperados para fugir? Mais uma vez, o foco principal da Europa não está na proteção das pessoas, mas na maneira mais efetiva de mantê-las distante”, disse Jérôme Oberreit.

O acordo entre UE e Turquia estabelece um precedente perigoso para outros países que abrigam refugiados, enviando uma mensagem de que cuidar de pessoas forçadas a deixar suas casas é opcional e que eles podem se eximir de sua responsabilidade de prover asilo. No mês passado, o governo queniano citou a política migratória europeia para justificar sua decisão de fechar o maior campo de refugiados do mundo, Dadaab, enviando seus residentes de volta para a Somália. Do mesmo modo, o acordo não faz nada para encorajar países ao redor da Síria, que já abrigam milhões de refugiados, a abrir suas fronteiras para aqueles que precisam.

“A tentativa da Europa de terceirizar o controle migratório está tendo um efeito dominó, com fronteiras fechadas em todo o caminho até a Síria. As pessoas têm cada vez menos locais para onde fugir”, disse Jérôme Oberreit. “Será que a situação em Azaz, onde 100 mil pessoas estão presas entre fronteiras fechadas e frentes de batalha, se tornará a regra, não a exceção mortal?”

O pacote financeiro do acordo UE-Turquia inclui 1 bilhão de euros em ajuda humanitária. Há, sem dúvida, necessidades na Turquia, um país que abriga, atualmente, quase três milhões de refugiados sírios. Mas essa ajuda foi negociada como uma recompensa por promessas de controle fronteiriço, em vez de ser baseada exclusivamente nas necessidades. Essa instrumentalização da ajuda humanitária é inaceitável.

“Políticas de dissuasão apresentadas para o público como soluções humanitárias só exacerbaram o sofrimento das pessoas em necessidade. Não há nada remotamente humanitário nessas políticas. Elas não podem se tornar a norma e devem ser questionadas”, disse Jérôme Oberreit. “MSF não receberá fundos de instituições e governos cujas políticas são tão prejudiciais. Estamos pedindo aos governos europeus que alterem suas prioridades – em vez de maximizar o número de pessoas que eles podem deportar, eles devem maximizar o número de pessoas que recebem e protegem.”

* Relatório do Acnur “Tendências Globais 2015”. Disponível aqui.

MSF tem prestado assistência às pessoas que fazem a travessia do mar Mediterrâneo para a Europa desde 2002. Apenas nos últimos 18 meses, médicos de MSF trataram cerca de 200 mil homens, mulheres e crianças na Europa e no mar Mediterrâneo. Atualmente, a organização está atendendo refugiados e imigrantes na Grécia, na Sérvia, na França, na Itália e no mar Mediterrâneo, bem como em países na África, na Ásia e no Oriente Médio.

As atividades de MSF são financiadas majoritariamente por doações privadas (92%). No entanto, a organização também está envolvida em algumas parcerias financeiras com doadores institucionais para programas específicos. Em 2015, os fundos de instituições da UE representaram 19 milhões de euros, enquanto fundos dos Estados-membros representaram 37 milhões de euros. MSF também utilizou 6,8 milhões de euros recebidos do governo norueguês. Em 2016, além da Comissão Europeia, MSF está envolvida em parcerias com nove Estados-membros europeus: Bélgica, Dinamarca, Irlanda, Luxemburgo, Países Baixos, Espanha, Suécia e Reino Unido.


Abordagem nociva de Estados da União Europeia em relação à migração coloca o direito ao asilo em perigo em todo o mundo

Foto: Alessandro Penso

18/06/2016

MSF não receberá mais fundos de Estados-membros e de instituições da União Europeia

A organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) anunciou hoje (17/06) que não irá mais receber fundos da União Europeia (UE) e de seus Estados-membros, em oposição às suas políticas de dissuasão danosas e à intensificação das tentativas de empurrar as pessoas e seu sofrimento para longe da costa da Europa. Essa decisão entrará em vigor imediatamente e será válida para todos os projetos de MSF no mundo.

Três meses após a assinatura do acordo entre UE e Turquia, que governos europeus consideram um êxito, são as pessoas necessitadas de proteção que estão arcando com seu custo humano. Nas ilhas gregas, mais de 8 mil pessoas, incluindo centenas de menores desacompanhados, estão retidas como uma consequência direta do acordo. Elas estão vivendo em condições extremamente precárias, em acampamentos superlotados, por vezes durante meses. Temem um retorno forçado à Turquia enquanto são privadas de apoio jurídico, sua única defesa contra a expulsão coletiva. A maioria dessas famílias, que a Europa afastou dos olhos do público por meio de disposições legislativas, fugiu do conflito na Síria, no Iraque e no Afeganistão.

“Há meses MSF tem se pronunciado abertamente sobre a resposta vergonhosa da Europa, mais focada em dissuadir essas pessoas do que em lhes oferecer a assistência e a proteção de que necessitam”, disse Jérôme Oberreit, secretário-geral internacional de MSF. “O acordo entre UE e Turquia vai ainda além, e colocou o próprio conceito de ‘refugiado’ e a proteção que ele oferece em perigo.”

Na semana passada, a Comissão Europeia revelou uma nova proposta para replicar a lógica do acordo UE-Turquia em mais de 16 países da África e do Oriente Médio. Esses acordos imporiam cortes no comércio e na ajuda ao desenvolvimento a países que não contém o fluxo migratório para a Europa ou facilitam retornos forçados, recompensando aqueles que o fazem. Entre os potenciais parceiros estão Somália, Eritreia, Sudão e Afeganistão – quatro dos 10 países que mais geram refugiados*.

Jérôme Oberreit - Secretário-Geral Internacional do MSF (Foto: Alex Yallop/MSF)

“A única oferta da Europa aos refugiados é que eles fiquem em países de onde estão desesperados para fugir? Mais uma vez, o foco principal da Europa não está na proteção das pessoas, mas na maneira mais efetiva de mantê-las distante”, disse Jérôme Oberreit.

O acordo entre UE e Turquia estabelece um precedente perigoso para outros países que abrigam refugiados, enviando uma mensagem de que cuidar de pessoas forçadas a deixar suas casas é opcional e que eles podem se eximir de sua responsabilidade de prover asilo. No mês passado, o governo queniano citou a política migratória europeia para justificar sua decisão de fechar o maior campo de refugiados do mundo, Dadaab, enviando seus residentes de volta para a Somália. Do mesmo modo, o acordo não faz nada para encorajar países ao redor da Síria, que já abrigam milhões de refugiados, a abrir suas fronteiras para aqueles que precisam.

“A tentativa da Europa de terceirizar o controle migratório está tendo um efeito dominó, com fronteiras fechadas em todo o caminho até a Síria. As pessoas têm cada vez menos locais para onde fugir”, disse Jérôme Oberreit. “Será que a situação em Azaz, onde 100 mil pessoas estão presas entre fronteiras fechadas e frentes de batalha, se tornará a regra, não a exceção mortal?”

O pacote financeiro do acordo UE-Turquia inclui 1 bilhão de euros em ajuda humanitária. Há, sem dúvida, necessidades na Turquia, um país que abriga, atualmente, quase três milhões de refugiados sírios. Mas essa ajuda foi negociada como uma recompensa por promessas de controle fronteiriço, em vez de ser baseada exclusivamente nas necessidades. Essa instrumentalização da ajuda humanitária é inaceitável.

“Políticas de dissuasão apresentadas para o público como soluções humanitárias só exacerbaram o sofrimento das pessoas em necessidade. Não há nada remotamente humanitário nessas políticas. Elas não podem se tornar a norma e devem ser questionadas”, disse Jérôme Oberreit. “MSF não receberá fundos de instituições e governos cujas políticas são tão prejudiciais. Estamos pedindo aos governos europeus que alterem suas prioridades – em vez de maximizar o número de pessoas que eles podem deportar, eles devem maximizar o número de pessoas que recebem e protegem.”

* Relatório do Acnur “Tendências Globais 2015”. Disponível aqui.

MSF tem prestado assistência às pessoas que fazem a travessia do mar Mediterrâneo para a Europa desde 2002. Apenas nos últimos 18 meses, médicos de MSF trataram cerca de 200 mil homens, mulheres e crianças na Europa e no mar Mediterrâneo. Atualmente, a organização está atendendo refugiados e imigrantes na Grécia, na Sérvia, na França, na Itália e no mar Mediterrâneo, bem como em países na África, na Ásia e no Oriente Médio.

As atividades de MSF são financiadas majoritariamente por doações privadas (92%). No entanto, a organização também está envolvida em algumas parcerias financeiras com doadores institucionais para programas específicos. Em 2015, os fundos de instituições da UE representaram 19 milhões de euros, enquanto fundos dos Estados-membros representaram 37 milhões de euros. MSF também utilizou 6,8 milhões de euros recebidos do governo norueguês. Em 2016, além da Comissão Europeia, MSF está envolvida em parcerias com nove Estados-membros europeus: Bélgica, Dinamarca, Irlanda, Luxemburgo, Países Baixos, Espanha, Suécia e Reino Unido.

Fonte: MSF

Refugiados que vivem no Brasil competirão nas Olimpíadas do Rio

Atletas da Equipe Olímpica de Atletas Refugiados dos Jogos do Rio 2016. Imagem: Acnur

04/06/2016

Os dois  judocas da República Democrática do Congo, Yolande Mabika e Popole Misenga, falaram à Rádio ONU que estão "muito felizes"; porta-voz do Acnur no Brasil afirmou que iniciativa inédita mostra "força e perseverança dos refugiados"; anúncio coincide com lançamento da campanha #WithRefugees.

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova York.

O Comitê Olímpico Internacional, COI, anunciou nesta sexta-feira os nomes dos 10 integrantes* da inédita Equipe Olímpica de Atletas Refugiados que disputará os Jogos do Rio 2016.

Dois nadadores da Síria, dois judocas da República Democrática do Congo, cinco corredores do Sudão do Sul e um da Etiópia integram a equipe.

Brasil

Yolande Mabika e Popole Misenga vivem no Brasil e, do Rio de Janeiro falaram com a Rádio ONU.
"Estou me sentindo muito bem, muito feliz. Não tava esperando, saiu a notícia de que vou participar, tô muito feliz."

"Eu tô muito feliz, muito, muito. Tô aqui muito emocionada e feliz."

Evento Global

A Rádio ONU também conversou com o porta-voz do Alto Comissariado da ONU para Refugiados, Acnur, no Brasil. De Brasília, Luiz Fernando Godinho falou sobre a importância da iniciativa inédita.
"Exatamente demonstrar para todo mundo, por meio de um evento global como são os Jogos Olímpicos do Rio a força e a perseverança dos refugiados, dos milhões de refugiados que se encontram hoje no mundo. Por meio desta equipe olímpica de atletas refugiados podermos mandar uma mensagem de que os refugiados são pessoas capazes de alcançarem feitos extraordinários por meio, antes de tudo, da perserverença e determinação que eles têm de enfrentar as adversidades pelas quais eles passam."

Campanha

O anúncio da equipe de refugiados coincide com o lançamento da campanha mundial do Acnur #WithRefugees ou Com Refugidos, parte da parceria da agência da ONU com o COI para os Jogos Rio 2016.

"É uma campanha que traz uma série de histórias individuais de refugiados ao redor do mundo e que mostra que os refugiados são pessoas como eu, como você, como os ouvintes da Rádio ONU. Pessoas que tiveram que passar por situações extremas, que vivem momentos difíceis, mas que estão exatamente com seus sonhos, seus objetivos."

O porta-voz explicou que dentro da campanha haverá uma petição online que o Acnur está promovendo em todo o mundo.

"Para coletar assinaturas de pessoas que apoiam a causa de refugiados pedindo que as autoridades governamentais que cada criança refugiada tenha acesso à educação, que todas as famílias refugiadas tenham a possibilidade de viver em um lugar seguro e que todos os refugiados possam trabalham e aprender novos conhecimentos para contribuir positivamente com suas comunidades que os acolheram."

A petição será entregue às autoridades governamentais antes da reunião de alto nível sobre refugiados e migrantes marcada para o dia 19 de setembro na sede da ONU em Nova York.

Ramis Anis, da Síria (Natação, 100 metros borboleta – masculino); vive na Bélgica;
Yiech Pur Biel, do Sudão do Sul (Atletismo, 800 metros – masculino); vive no Quênia;
James Nyang Chiengjiek, do Sudão do Sul (Atletismo, 400 metros – masculino); vive no Quênia;
Yonas Kinde, da Etiópica (Atletismo, maratona – masculino); vive em Luxemburgo;
Anjelina Nada Lohalith, do Sudão do Sul (Atletismo, 1.500 metros – feminino); vive no Quênia;
Rose Nathike Lokonyen, do Sudão do Sul (Atletismo, 800 metros – feminino); vive no Quênia;
Paulo Amotun Lokoro, do Sudão do Sul (Atletismo, 1.500 metros – masculino); vive no Quênia;
Yolande Bukasa Mabika, da República Democrática do Congo (Judô, peso médio – feminino); vive no Brasil;
Yusra Mardini, da Síria (Natação, 200 metros livres – feminino); vive na Alemanha;
Popole Misenga, da República Democrática do Congo (Judô, peso médio – masculino); vive no Brasil.

Fonte: Rádio ONU

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