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UNICA RECLAMA DA FALTA DE DEBATE SOBRE BIOCOMBUSTÍVEIS NA COP21

Elizabeth Farina participa de painel dedicado a biocombustíveis durante o World Climate Summit

10/12/2015

“Estamos na segunda semana de reuniões da COP21 e muito pouco tem sido falado sobre biocombustíveis, mesmo considerando o fato de mais de 30 países, incluindo o Brasil, inseriram os combustíveis renováveis como um dos meios de se atingir as metas de redução de gases de efeito estufa (GEEs) propostas em suas INDCs”. Este foi o ponto inicial do discurso feito no domingo (06/12) pela presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Elizabeth Farina, em um painel sobre biocombustíveis do World Climate Summit (WCS), evento organizado pela Aliança Global de Combustíveis Renováveis (GRFA) em paralelo à Conferência do Clima, e que reuniu governos, empresas e entidades civis no Palácio Broingnart, em Paris. Desde 2010, o WCS realiza importantes fóruns de negócios e política na Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC, em inglês).

No painel “Building a sustainable bioeconomy: harnessing the potential of bio-based products and fuels to mitigate climate change", organizado por quatro entidades ligadas ao GRFA – Unica, RFA, ePURE e CRFA – em parceria com a Associação de Biotecnologia Industrial (BIO), e que teve as presenças do líder Global de Bioenergia da União Europeia, Gerard Ostheimer, e do diretor de Etanol Celulósico da DuPont, Jeroen Van Campenm, a executiva da Unica apresentou argumentos e dados que consolidam a posição dos biocombustíveis, em especial o etanol, como uma das alternativas mais viáveis na luta pela diminuição da dependência dos combustíveis fósseis (gasolina/ diesel), com foco no setor de transportes.

“Quase 1/3 das emissões globais de GEEs é proveniente dos transportes. Por isso, descarbonizar este segmento é prioridade. E os biocombustíveis devem ser integrados a esta estratégia. O etanol de cana, por exemplo, pode reduzir estas emissões em até 90% quando comparado à gasolina”, observou a executiva da Unica, cuja participação na COP21 só foi possível graças a uma parceria estabelecida desde 2008 com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) para promover a imagem do biocombustível brasileiro como energia limpa e renovável no exterior.

Ressaltando um caso positivo de substituição de fontes poluidoras por renováveis na indústria automotiva, Farina lembrou que no Brasil, além da mistura de 27% de etanol anidro à gasolina, quase 70% da frota de veículos leves, correspondente a 25 milhões de carros, é composta por automóveis flex, que podem ser abastecidos com gasolina, etanol ou qualquer mistura de ambos em qualquer proporção. “Atualmente, 20 montadoras internacionais, como as alemãs Audi e BMW, as americanas Ford e GM, as francesas Peugeot e Renault, e as asiáticas Toyota, Hyundai e JAC, oferecem mais de 200 modelos de veículos flex ao mercado brasileiro. Em 2015, o etanol já substitui 40% do consumo de gasolina no País”, afirmou.

Etanol na matriz energética mundial

Na última década, a produção mundial de etanol, que pode ser feito de diferentes insumos, como milho, cana e beterraba, aumentou em mais de três vezes, atingindo quase 100 bilhões de litros em 2014. Este volume, produzido em mais de 50 países, já representa aproximadamente 7% do total de consumo da gasolina no mundo. Crescimento que resultou em uma mitigação de mais de 100 milhões de toneladas de CO2 no ano passado.

Para respaldar seus argumentos em favor da expansão da produção sustentável dos combustíveis renováveis, Elizabeth Farina citou um estudo recém-lançado pela Squared Consultants, que avalia o impacto gerado por uma eventual mistura de 15% de etanol à gasolina nos principais países consumidores. Segundo o documento, este mix poderia aumentar a atual redução de emissões em mais de 70% até 2030, ou seja, um corte anual de mais de 280 milhões de toneladas de GEEs.

Considerando este cenário em que a produção anual de biocombustíveis deve atingir 160 bilhões de litros, surge uma dúvida: “Isto poderia trazer algum prejuízo relacionado ao uso da terra no mundo?”. Segundo a presidente da Unica, “definitivamente não”. Esta produção aconteceria principalmente em regiões tropicais, utilizando prioritariamente a cana-de-açúcar como matéria-prima (em uma proporção hipotética de 70% cana e 30% milho). Estima-se, desta forma, uma área adicional de 10 milhões de hectares que, de acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO/ONU), representam apenas 0.2% do total da área utilizada pera agricultura e pastagens. Ou seja, um percentual equivalente a 5 bilhões de hectares ou 0.5% do total de terras degradadas ou abandonadas pelo mundo, que poderiam ser recuperadas e utilizadas para a produção agrícola, totalizando 2 bilhões de hectares.

Antes de encerrar o seu discurso no WCS, a representante da Unica enfatizou que a indústria global de biocombustíveis só continuará florescendo se os governos renovarem seus compromissos assumidos na COP21 por meio de suas INDCs. “Com o propósito de entregar volumes cada vez maiores de combustíveis de baixo carbono, nossas cadeias produtivas precisam de medidas regulatórias estáveis. Precisamos assegurar que as políticas adotadas no âmbito legislativo sejam apropriadas. As existentes são antagônicas e os órgãos regulatórios devem se esforçar para implementar projetos que permaneçam alinhados com o espírito e intenção original desses programas”, concluiu.

Fonte: novaCana.com


SEGUNDO DIA DA COP21 COMEÇA EM TOM DE OTIMISMO E URGÊNCIA

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, conversa com o presidente francês, 
François Hollande, durante evento da COP21 em Paris nesta terça-feira (1º) 
(Foto: Philippe Wojazer/Reuters)

02/12/2015

O segundo dia de negociações da COP21, a cúpula do clima de Paris, começou nesta terça-feira (1º) impregnado de otimismo, após o primeiro ser marcado por uma presença maciça de chefes de estado e de governo.

Segundo o ministro das Relações Exteriores da França, Laurent Fabius, 150 líderes nacionais estiveram no evento. A maioria deles, como o presidente americano Barack Obama e o chinês Xi Jinping, fez discursos destacando a urgência em se tratar do tema.

A janela para conseguir reduzir as emissões de gases do efeito estufa a ponto de evitar o aquecimento de 2 graus Celsius (considerado "perigoso") está se fechando. Segundo o IPCC (painel de cientistas do clima da ONU), para que o planeta tenha uma chance razoável de cumprir esse objetivo, é preciso que as emissões comecem a cair a partir de 2020.

As promessas de desaceleração de emissões entregues por 183 dos 196 países signatários da Convenção do Clima da ONU, porém, não representam metade do esforço que é necessário. Para aumentar a ambição dessas metas de redução, essas promessas -- chamadas no jargão diplomático de INDCs (Contribuições Pretendidas Nacionalmente Determinadas) precisam ser revisadas periodicamente.

A julgar pelos discursos proferidos ontem na plenária da COP21, a maioria dos países defende um período de revisão de 5 em 5 anos. Essa é a posição da União Europeia e do Brasil, por exemplo. China se opôs inicialmente, pedindo prazos mais longos, mas se mostrou inclinada a aceitar os intervalos mais curtos.

Fonte: G1 Natureza


União Europeia quer acordo climático mais rígido antes do fim do ano

Pássaros voam em céu poluído em Wuhan, província chinesa de Hubei.
Reuters/Stringer

24/02/2015

BRUXELAS (Reuters) - Líderes da União Europeia querem introduzir na lei internacional uma meta de corte de emissões globais de poluentes de 60 por cento até 2050, de acordo com o rascunho de um documento que coloca o bloco em rota de colisão com os grandes poluidores.

A União Europeia está determinada a instilar urgência no debate sobre a mudança climática antes da conferência internacional de Paris no final do ano, que irá tentar substituir o Protocolo de Kyoto sobre a contenção dos gases do efeito estufa.

Na quarta-feira, a Comissão Europeia, o executivo da UE, irá publicar uma série de diretrizes para lidar com a mudança climática.

Um esboço visto pela Reuters confirma que os países-membros do bloco pretendem fazer suas próprias promessas a respeito do corte nas emissões até o final de março, e diz que outras nações de ponta, como China e Estados Unidos, deveriam fazer o mesmo.

“No total, estes compromissos – alinhados com a ciência – devem colocar o mundo no caminho certo para reduzir as emissões globais em 2050 em pelo menos 60 por cento abaixo dos níveis de 2010”, afirma o documento visto pela Reuters.

A União Europeia é responsável somente por cerca de nove por cento de todas as emissões. Os maiores poluidores são a China, que representa 24 por cento das emissões globais de gases do efeito estufa, e os EUA, com 12 por cento.

O documento da UE também propõe que o acordo de 2015 “deveria de preferência ser na forma de um protocolo”, que é a opção legal mais severa. Isso pode gerar resistência dos chineses e norte-americanos, que provavelmente irão preferir arranjos menos rígidos que uma lei internacional vinculante.

As opções no rascunho de texto para negociação para as conversas parisienses vão do pedido de algumas nações em desenvolvimento para zerar as emissões globais até 2050, o que significa que todas as emissões de gases do efeito estufa teriam que ser compensadas por projetos como o plantio de árvores, até metas vagas para limitar as emissões.   

Líderes da UE dizem que prazos curtos para cortes substanciais são essenciais, já que dão tempo para constranger os países que não oferecem nenhuma ação para que prometam reduzir suas emissões de gases do efeito estufa.

O documento ainda afirma que em novembro a Comissão Europeia irá organizar uma conferência internacional para enfatizar o entendimento sobre a importância das promessas, conhecidas como propostas de contribuições determinadas nacionalmente (INDCs, na sigla em inglês).

O relatório pede a adoção de avaliações de progresso periódicas, já que é improvável que o acordo de Paris renda comprometimentos nacionais suficientes para manter o aquecimento global abaixo do nível de dois graus Celsius que os cientistas afirmam poder evitar as consequências mais devastadoras em termos de inundações, secas e outros eventos climáticos extremos.

(Reportagem adicional de Tom Koerkemeier em Bruxelas e Alister Doyle em Oslo)

Fonte: Reuters Brasil

http://naturezaepaz.blogspot.com.br/p/contatos.html

Países reunidos na COP 20 aprovam 'rascunho zero' de acordo climático


A secretária-executiva da Convenção da ONU sobre mudanças do clima, Christiana 

Figueres, junto ao presidente da COP 20, o ministro do Ambiente do Peru, 
Manuel Pulgar-Vidal (gravata verde), em plenária (Foto: Eduardo Carvalho/G1)

14/12/2014

Conferência terminou neste sábado, depois de duas semanas de debates.
Texto é base de um novo tratado que tentará frear aumento da temperatura.

Depois de duas semanas de negociações tensas na COP 20, em Lima, delegações de 196 países aprovaram na madrugada deste domingo (14) o "rascunho zero" de um futuro acordo global do clima, que contemplará diversas ações para conter o aumento da temperatura do planeta e, com isso, frear os efeitos da mudança climática.

O "Chamamento de Lima para a Ação sobre o Clima", título recebido pelo documento, foi aprovado por consenso a 1h24 (4h24 no horário de Brasília). A plenária final da Conferência das Nações Unidas aconteceu um dia e meio depois da data prevista para seu término. A falta de entendimento em vários pontos atrasou o fim do encontro.

O principal impasse referia-se ao princípio de diferenciação das responsabilidades dos países em conter a emissão de gases-estufa. Em uma das plenárias realizadas, ficou evidente o confronto entre países desenvolvidos e em desenvolvimento.

China, Brasil, Índia e África do Sul, os emergentes, não concordavam com a abordagem apresentada numa versão do rascunho anterior à aprovada. Já Estados Unidos, União Europeia e Rússia, a parte rica, queriam aprovar o texto.

No rascunho aprovado nesta madrugada, esse princípio foi melhor referenciado, deixando claro que no novo acordo será levada em conta a culpa histórica de emissões. Outro alvo de reclamação do grupo de países em desenvolvimento, o mecanismo de perdas e danos voltou a ser mencionado no texto. Criado na conferência de Varsóvia, em 2013, ele prevê ajuda a países vulneráveis já atingidos por desastres naturais. No entanto, o rascunho não detalha como esse instrumento vai funcionar.

O conjunto de informações será a base para a criação de um plano mundial a ser firmado em 2015, em Paris, e que entrará em vigor em 2020. O novo tratado será obrigatório a todos os países e deverá impactar diversos setores econômicos. Seus objetivos principais são evitar prejuízos ambientais e mobilizar recursos a populações afetadas por desastres naturais, além da criação de tecnologias que reduzam a poluição.

O que foi negociado?

Assim que o documento foi liberado, houve disputa entre os participantes 

para obter uma cópia (Foto: Eduardo Carvalho/G1)

O texto decide sobre três diferentes focos de negociação. O primeiro, a criação de elementos que farão parte do novo acordo. Ainda não há definição sobre eles e o tema voltará a ser discutido no ano que vem (leia mais abaixo).

O segundo, a determinação do tipo de metodologia que os países seguirão para formular suas metas de redução de emissões, as chamadas Contribuições Intencionais Nacionais Determinadas (INDCs, na sigla em inglês). O resultado acordado por consenso era o mais aguardado desta conferência.

O terceiro ponto era a criação de um "mapa do caminho" a ser seguido pelos países desenvolvidos para cortar as emissões de gases-estufa entre 2015 e 2020, período que antecede o novo acordo, incluindo o segundo período do Protocolo de Kyoto.

Elementos do novo acordo

Definidos e aprovados como anexo da decisão principal de Lima, os elementos vão nortear os negociadores na hora de estruturar o novo acordo ao longo do próximo ano.

Sua criação foi determinada na África do Sul, em 2011, dentro do instrumento chamado de Plataforma de Durban. Estão marcados quatro encontros para discutir o tema, sendo que o primeiro será em Genebra, em fevereiro, e o último em Paris, em dezembro, na COP 21.

O material de 37 páginas é considerado importante porque, sem eles, não é possível dialogar com setores econômicos e se chegar a compromissos para o clima no pós-2020.

O documento traz medidas que devem ser feitas nas áreas de mitigação (diminuição de emissões de gases-estufa), adaptação à mudança do clima, financiamento a tecnologias limpas e aplicação de recursos em países vulneráveis, entre outros assuntos. Todo o conteúdo está em aberto, ou seja, ainda não há conclusão sobre o que terá de ser feito.

Os temas foram separados em tópicos, com várias opções de planos. Ao longo das conversas diplomáticas, os itens vão sendo eliminados até quereste a proposta definitiva do acordo do clima.

Decisões complexas

Ativistas protestam antes da plenária final da COP 20. Eles gritam 'sem justiça, 

sem acordo', em referência à retirada de pontos do rascunho que tratavam da 
ajuda de países ricos a nações vulneráveis. (Foto: Eduardo Carvalho/G1)

Um exemplo do nível de complexidade do documento pode ser visto na parte referente ao corte de gases (mitigação). Há três elaborações diferentes para o tema.

A primeira opção diz que é preciso frear o aumento da temperatura em 2ºC e 1,5ºC acima dos níveis pré-industriais com o corte de emissões globais entre 40% e 70% até 2050, baseado nos níveis de 2010. Há ainda uma meta de zerar os gases emitidos até 2100.

Em outra opção, as partes terão que reduzir o lançamento de gases conforme sua capacidade e as emissões globais terão que atingir seu pico “o mais breve possível”, sem definir uma data e números. Além disso, diz o documento, os países terão que investir em tecnologia e oferecer financiamento a nações em desenvolvimento, a fim de apoiar ações de mitigação e adaptação.

A terceira opção diz apenas que os países sigam o princípio das “responsabilidades comuns, porém diferenciadas” para alcançar uma meta para conter as emissões e o aumento dos termômetros. Uma alternativa considerada simplificada.

Finanças e proposta do Brasil

O conjunto de textos contempla também informações sobre a adaptação aos efeitos da mudança climática e perdas e danos (mecanismo que compensa nações que já sofrem atualmente com desastres naturais).

A parte do rascunho sobre financiamento, assunto mais delicado nos diálogos sobre o clima, tem seis páginas e tenta definir como os países desenvolvidos e em desenvolvimento vão mobilizar dinheiro para investimentos a longo prazo.

Também será levada para as discussões do próximo ano a proposta brasileira de diferenciação concêntrica, que tenta melhorar o princípio de "responsabilidades comuns, porém diferenciadas".

O conceito coloca os países em três níveis, cada um deles com um “menu" de critérios para diminuir as emissões. Nações desenvolvidas ficariam no círculo central e teriam que fazer cortes em todos os setores da economia. Os emergentes, como Brasil, China e Índia, ficariam no segundo nível, com mais opções para frear o aquecimento. Países vulneráveis, como os Estados-ilha, não empreenderiam grandes ações e estariam no terceiro nível.

Da esquerda para a direita, o ministro Raphael Azeredo com o embaixador 
José Antonio Marcondes Carvalho, que lidera a equipe de negociadores do 
Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty. A ministra do Meio Ambiente, 
Izabella Teixeira, também participou da COP do Peru (Foto: Eduardo Carvalho/G1)



Fonte: G1 Natureza


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