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Síntese Diária da COP30 – 17 de Novembro

17/11/2025

Dia 8: segunda-feira, 17 de novembro

Preparado pela Equipe de Comunicação da COP30

Áreas Temáticas de Foco: Florestas, Oceanos, Biodiversidade, Povos Indígenas, Comunidades Locais e Tradicionais, Crianças e Juventude, e Pequenos e Médios Empreendedores

Resumo Geral:

A Natureza no Centro da Ação Climática

No sétimo dia da COP30, países e parceiros demonstraram como colocar a natureza no centro da ação climática impulsiona avanços reais para as pessoas, as economias e o planeta. Ao longo da agenda, líderes evidenciaram uma mudança decisiva de promessas para a prática, avançando ferramentas, destravando financiamentos e mobilizando a liderança comunitária para acelerar a implementação, reforçar a cooperação multilateral e apoiar aqueles na linha de frente dos impactos climáticos.

Um marco importante foi a operacionalização do  Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), o maior mecanismo de financiamento florestal já criado, sinalizando que as florestas valem mais em pé. Com parceiros da RDC à China e novas lições de modelos de governança de Povos Indígenas e Comunidades Locais (IPLC), como o Mecanismo Dedicado de Doações (DGM), o TFFF está redefinindo o financiamento climático por meio de incentivos de longo prazo voltados para investimentos e um caminho para o acesso direto por comunidades. Esse impulso foi reforçado por progressos históricos no tema fundamental da regularização fundiária, com doadores excedendo o Compromisso de USD 1,7 bilhão para IPLCs um ano antes do previsto, e 14 países endossando o primeiro Compromisso Intergovernamental Global de Posse e Uso da Terra, fortalecendo direitos em mais de 160 milhões de hectares.

Novas iniciativas aprofundaram a virada positiva em direção à natureza: o Desafio da Bioeconomia lançou um esforço global para operacionalizar os 10 Princípios de Alto Nível do Brasil, enquanto a Coalizão para Ampliação do JREDD+ uniu governos, grupos indígenas e atores de mercado para expandir a proteção florestal jurisdicional e ajudar a fechar o déficit anual de USD 66,8 bilhões em financiamento. A prevenção global integrada de incêndios avançou com o novo Centro Global de Gestão de Incêndios (Global Fire Management Hub), sediado na FAO, e o Motor de Investimento da Terra (Earth Investment Engine) superou sua meta de USD 5 bilhões, mobilizando mais de USD 10 bilhões para soluções baseadas na natureza.

Lideranças jovens influenciaram diálogos políticos em toda a Blue e Green Zone, enquanto organizações indígenas compartilharam estratégias de adaptação baseadas na governança territorial e no conhecimento ancestral.

Em conjunto, esses esforços mostram que proteger e valorizar a natureza é a materialização da ambição climática — um fundamento vital para sociedades resilientes e uma economia real próspera.

Ações e resultados notáveis:

Agenda de Ação:

- Destravando o Financiamento para Florestas Tropicais e Governança Indígena

▪ Instalação Fundo Florestas Tropicais para Sempre Operacionalizado

A operacionalização do Fundo Florestas Tropicais para Sempre Operacionalizado representa um passo transformador na valorização das florestas em pé por meio de financiamento sustentável. Como o maior e mais ambicioso fundo da história da conservação florestal, o TFFF está remodelando o financiamento climático ao migrar de doações para parcerias; de doadores tradicionais para não tradicionais; e de subsídios para investimentos em um mecanismo misto público-privado. Com seu lançamento, acompanhado de um conjunto de instrumentos econômicos, Brasil e parceiros enviam uma mensagem poderosa de que as florestas valem mais vivas. Durante o lançamento, governos da República Democrática do Congo, Colômbia, Guiana, Reino Unido, Noruega e China apresentaram listas abrangentes de anúncios e destacaram a complementaridade entre diferentes instrumentos financeiros.

- Reunião Ministerial sobre Florestas e Povos Indígenas: Lições para o TFFF

Hoje, governos, fundos multilaterais e líderes indígenas se reuniram para explorar como modelos comprovados de governança de comunidades indígenas e locais (IPLC), como o Mecanismo de Subsídios Dedicados (Dedicated Grant Mechanism/ DGM), podem informar e fortalecer a geração emergente de mecanismos de financiamento climático. O TFFF serve para equipar os povos indígenas e as comunidades locais com os recursos necessários para manter a conservação florestal por meio da Alocação Financeira Dedicada (TFFF-DFA), que reserva um mínimo de 20% dos pagamentos florestais para as IPLCs, representando um cenário em evolução para o financiamento climático inclusivo e baseado em direitos. As lições do DGM sobre governança, capacidade e responsabilidade podem apoiar os esforços futuros de conservação, fornecendo uma estrutura para informar o acesso direto futuro, como o TFFF.

“Permaneço muito otimista quanto ao avanço do TFFF. Os USD 5 bilhões em capital são um ótimo começo. Sim, tínhamos ambições altas, mas é preciso estabelecer a ambição para que as pessoas levem a sério e se mobilizem. E USD 5 bilhões é um resultado bem-sucedido que pode crescer.”
— Daniel Hanna, Diretor do Grupo Barclays para Finanças Sustentáveis e de Transição

- Anúncio sobre finanças e posse da terra; compromisso excede meta:

▪ Dois compromissos foram assinados hoje para deter e reverter a perda florestal e a degradação de terras até 2030:

▪ O Compromisso de Posse da Terra e Florestas para Povos Indígenas e Comunidades Locais, avançado pelo Forest Tenure Funders Group (FTFG); e

▪ O Compromisso Intergovernamental de Posse da Terra.

▪ Em 2021, na COP26, os governos do Reino Unido, dos EUA, da Alemanha, da Noruega e dos Países Baixos, juntamente com 17 fundações, anunciaram o Compromisso sobre a Posse da Terra e das Florestas dos Povos Indígenas e das Comunidades Locais. O evento de hoje comemorou a entrega desses resultados e a renovação do compromisso. Mais de 30 doadores e governos excederam seu Compromisso de Posse de Terras e Florestas de USD 1,7 bilhão um ano antes do previsto e renovaram o apoio para USD 1,5 a 2 bilhões até 2030.

▪ Além disso, os governos do Brasil, Noruega e Peru, juntamente com a Parceria de Líderes Florestais e Climáticos (FCLP) e o Grupo de Financiadores da Posse Florestal (FTFG), lançaram o primeiro compromisso global sobre o reconhecimento da posse da terra na Cúpula Mundial de Líderes por meio do Compromisso Intergovernamental sobre Posse da Terra. Este é o primeiro compromisso global sobre a posse da terra por povos indígenas e comunidades locais, que visa reconhecer e fortalecer coletivamente os direitos de posse em 160 milhões de hectares — dos quais o Brasil se comprometeu a contribuir com pelo menos 59 milhões de hectares. O compromisso foi endossado por quatorze países.

▪ Ambos serão implementados ao longo de cinco anos.

- Fundo de Adaptação recebe milhões em novas contribuições

▪ Governos se reuniram para reconhecer a importância de fortalecer a resiliência global por meio de novas contribuições ao Fundo de Adaptação. As contribuições são destinadas diretamente à implementação da Nova meta coletiva quantificada sobre financiamento climático (New Collective Quantified Goal on climate finance/ NCQG), à medida que os países se uniram para elevar a adaptação e fornecer o apoio financeiro necessário para aqueles que estão na linha de frente das mudanças climáticas.

“A demanda nunca foi tão alta. Garantir recursos suficientes não é apenas sobre números, é sobre cumprir nosso mandato.”
— Washington Zhakata, Vice-Presidente, Conselho do Fundo de Adaptação.
“Não estamos mais no tempo das negociações, precisamos acelerar a implementação. Crescimento climático positivo, sustentado por financiamento sólido, é central.”
— Alice de Moraes Amorim Vogas, Diretora de Programas, COP30

- Bioeconomia como Motor de Desenvolvimento Socioeconômico e Conservação Florestal

▪ Após o lançamento dos Princípios da Bioeconomia durante as reuniões do G20, foi lançado hoje o Global BioChallenge para mobilizar investimentos de grande escala para crescimento baseado na natureza até 2028.

▪ Em 2025, a Presidência brasileira do G20 foi pioneira ao estabelecer a Iniciativa de Bioeconomia do G20 (GIB) e emitir os 10 Princípios de Alto Nível (10HLPs), que estabelecem diretrizes globais para o desenvolvimento da bioeconomia. O evento marca o lançamento oficial do Desafio da Bioeconomia – a uma Plataforma multissetorial de três anos destinada a transformar esses 10 Princípios em ações concretas e estabelecer uma visão comum para mercados de bioeconomia em todo o mundo, que protejam a natureza ao mesmo tempo, em que fortalecem a descarbonização e colocam pessoas e comunidades no centro da tomada de decisão.

▪ O Desafio da Bioeconomia é apoiado pelo Governo do Brasil, NatureFinance, BID, FAO, UNCTAD e WRI. Com metas até 2028, o Desafio aborda quatro lacunas sistêmicas: (i) a falta de parâmetros, métricas e indicadores de impacto internacionais para a bioeconomia; (ii) a necessidade de expandir instrumentos de financiamento e reduzir riscos; (iii) mercados de bioeconomia emergentes; e (iv) ferramentas para ampliar os impactos positivos nas comunidades e territórios.

“Esta é uma mensagem de esperança que precisamos transformar em ação, uma mensagem capaz de criar um novo ciclo de prosperidade. Graças aos membros que sustentarão esse desafio como uma aliança global, a bioeconomia abriu caminho para uma transição justa e para a prosperidade necessária para alcançar as metas de 2030. Essa abordagem introduz um novo método de produzir bens e serviços, proteger o território e criar um ciclo de prosperidade renovada. Sei que pode soar ingênuo e romântico, mas estou animada e esperançosa de que isso se tornará realidade.”
— S. Exa. Marina Silva, Ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Brasil

- Lançamento da Coalizão para Ampliar o JREDD+

▪ Com base nos avanços em países como Guiana, Costa Rica e Gana, a Coalizão para Ampliar o JREDD+ foi lançada na COP30, unindo governos, povos indígenas, investidores e sociedade civil para direcionar financiamento à proteção florestal em escala. Em vez de financiar projetos individuais, essa abordagem remunera estados, províncias ou países inteiros por reduções mensuráveis no desmatamento – criando incentivos estáveis e de longo prazo para manter as florestas em pé.

▪ A Coalizão inclui países tropicais (Costa Rica, Etiópia, Gana, Guiana, Quênia), nações doadoras (Reino Unido, Noruega, Cingapura), grupos indígenas (Grupo Indígena Peru), grandes organizações de mercado de carbono (Emergent, Verra, ART, South Pole) e outras organizações da sociedade civil.

▪ Essas iniciativas apoiam diretamente o Roteiro de Financiamento Florestal, endossado por 36 governos que representam 45% da cobertura florestal mundial e 65% do PIB global. O roteiro busca fechar o déficit anual de USD 66,8 bilhões para proteção e restauração de florestas tropicais. O JREDD+ sozinho pode mobilizar entre USD 3 e 6 bilhões por ano até 2030.

- Integração da Gestão do Fogo para Prevenção Coordenada

▪ Por meio do Chamado à Ação endossado por 61 países durante a Cúpula de Líderes de Belém, o Brasil definiu a visão da prioridade política de esforços coordenados de prevenção na gestão integrada de incêndios ao nível global.

▪ Hoje, os parceiros  apresentaram o caminho para o cumprimento do compromisso: o Centro Global de Gestão de Incêndios, sediado pela FAO, a “Gestão Integrada de Incêndios e Resiliência a Incêndios Florestais”. Seu objetivo é fortalecer a resiliência a incêndios florestais em todo o mundo, expandindo o compartilhamento de dados, a capacidade da comunidade, a liderança do conhecimento indígena e os sistemas de alerta precoce, servindo, em última instância, para proteger milhões de hectares.

▪ O Centro pretende alcançar mais de 5.000 profissionais por meio de plataformas de aprendizagem e apoiar mais de 10.000 indígenas e detentores de conhecimento local em atividades de GIF no território. Usando o GWIS, MapBiomas e outras plataformas regionais e globais para aprimorar sistemas de alerta precoce e avaliação de riscos, mais de 10 milhões de hectares estarão sob manejo de paisagens mais resilientes ao fogo até 2028.

- Motor de Investimento na Terra

▪ O Motor de Investimento na Terra ilustra a operacionalização do potencial da bioeconomia na geração de recursos para conservação florestal e da biodiversidade. A Mobilização de Capital para Soluções Baseadas na Natureza da COP30 Brasil já garantiu mais de USD 10 bilhões em compromissos para projetos florestais e de bioeconomia no Brasil até 2027, superando a meta inicial de USD 5 bilhões.

▪ Este é um exemplo de um pipeline de investimentos coordenado de um mercado em expansão no Brasil — que oferece um modelo para esforços globais de ampliação do financiamento para a natureza, com evidências de crescente dinamismo em outros grandes mercados.

- Bilhões comprometidos para agricultura e restauração de terras

▪ A Agenda de Ação da COP sobre Paisagens Regenerativas (AARL) anunciou no sábado um aumento nos investimentos para promover a produção, conservação e restauração, avançando em soluções integradas para oferecer sistemas agroalimentares resilientes. Mais de 40 organizações relataram mais de USD 9 bilhões em investimentos comprometidos, cobrindo mais de 210 milhões de hectares de terra, alcançando 12 milhões de agricultores em mais de 90 commodities e mais de 110 países até 2030, marcando um progresso significativo desde o lançamento da iniciativa na COP28.

▪ Este ano marca uma mudança da ambição para a implementação: investimentos quadruplicaram desde 2023, o primeiro Acelerador de Paisagem no Brasil já está demonstrando caminhos comercialmente viáveis para restaurar mais de 50 milhões de hectares no Cerrado e na Amazônia. Esses esforços são apoiados por parceiros como o Ministério da Agricultura do Brasil, o WBCSD, o BCG e importantes empresas do agronegócio e financiadores que estão alinhando políticas, sistemas de MRV e soluções de financiamento misto para acelerar a transformação regenerativa no terreno.

- Compromisso de Metano: Caminhos Adiante

▪ Hoje, o Relatório Global sobre a Posição do Metano 2025 marcou um momento significativo na aceleração da ação climática de curto prazo, destacando tanto os avanços alcançados quanto o esforço ainda necessário para cumprir o Compromisso Global do Metano. Embora novas políticas, regulações setoriais e mudanças de mercado já estejam reduzindo a projeção de emissões, ministros enfatizaram que somente a adoção completa de medidas de mitigação comprovadas e economicamente viáveis — a maioria já disponível nos setores de energia, agricultura e resíduos — pode fechar a lacuna remanescente até 2030.

▪ O relatório mostra que os planos nacionais de metano apresentados até agora poderiam gerar a maior queda sustentada nas emissões de metano da história, se plenamente implementados. No entanto, medições mais robustas, relatórios mais fortes e maior financiamento são urgentemente necessários para elevar a ambição nas principais economias. Líderes reiteraram que ação decisiva sobre metano está entre as formas mais rápidas e impactantes de proteger a saúde, fortalecer a segurança alimentar e manter 1,5 °C ao alcance. O evento de hoje mostrou que as ferramentas já existem, os benefícios são substanciais e os próximos cinco anos determinarão se os países conseguirão transformar ambição em reduções rápidas e sistêmicas.

“O Compromisso Global do Metano transformou ambição em progresso tangível. Em setores e continentes, países e empresas estão demonstrando que a redução do metano é possível — e traz ar mais limpo, economias mais fortes e um clima mais seguro. Nossa tarefa agora é ampliar essas soluções rapidamente, trabalhando juntos para manter 1,5 °C ao alcance e garantir um futuro mais saudável para nossas populações e nosso planeta.”
— Dan Jørgensen, Comissário Europeu de Energia e Habitação

Negociações:

- A Presidência da COP30 divulgou sua 11ª carta às Partes, delineando suas prioridades para os próximos dias. Leia a carta aqui.

Mobilização Global:

"Um em cada três pessoas vive em grande vulnerabilidade por causa das mudanças climáticas. Para elas, a mudança do clima não é uma ameaça distante, e ignorá-las é negar nossa humanidade comum. [...] Como guardiões da criação de Deus, somos chamados a agir com rapidez, fé e profecia, para proteger o dom que Ele nos confiou.”
— Papa Leão XIV, em mensagem aos bispos e cardeais do Sul Global participantes da COP30 no Brasil

- Liderança jovem ganha destaque na COP30:

▪ Programações voltadas à juventude ao longo do dia destacaram a crescente influência das novas gerações na governança climática global.

▪ No Pavilhão de Crianças e Jovens, a Campeã da Juventude pelo Clima, Marcele Oliveira, reuniu 30 crianças e jovens do Brasil e de outros países para “Do Escutar à Ação”, um diálogo que evidenciou como jovens vivenciam a crise climática e desejam moldar soluções — encerrando com um manifesto poderoso de jovens indígenas pedindo água limpa, rios livres de petróleo e respeito a todos os seres vivos.

▪ Em uma sessão ministerial sobre a Agenda de Ação da COP30, Marcele Oliveira, líderes da Agenda de Ação e representantes de organizações juvenis apresentaram maneiras práticas de ampliar contribuições da juventude nos esforços de implementação.

▪ Na Zona Azul, um Diálogo Intergeracional de Alto Nível trouxe crianças para uma conversa direta com líderes globais, incluindo Mary Robinson, Ana Toni e Hindou Oumarou Ibrahim, refletindo sobre a necessidade de políticas climáticas que protejam os direitos das crianças e as futuras gerações.

- Líderes indígenas compartilham estratégias comunitárias de adaptação climática na COP30:

▪ No Pavilhão Indígena, membros do Comitê Indígena de Mudanças Climáticas (CIMC) do Brasil realizaram um diálogo sobre como povos indígenas de diversas regiões do país estão desenvolvendo seus próprios planos de adaptação em resposta aos impactos climáticos crescentes. Palestrantes como Jânio Avalo, Suhyasun Pataxó, Sineia do Vale e Cristiane Julião discutiram a história e a estrutura do CIMC, suas contribuições ao planejamento nacional de adaptação indígena e experiências concretas, como as iniciativas pioneiras de adaptação climática em Roraima. Moderado pela pesquisadora Martha Fellows, o debate destacou como sistemas de conhecimento indígena, governança territorial e liderança jovem estão moldando soluções práticas e comunitárias para proteger vidas, culturas e ecossistemas em um clima em transformação.

Fonte: COP30

COP30 marca virada histórica ao colocar os oceanos no centro da agenda climática

© Shutterstock / Tatiana Popova / WWF-Sweden

11/11/2025

Lançado nesta segunda-feira, “Pacote Azul” marca um avanço na integração entre oceano, clima e biodiversidade

Por WWF-Brasil

O Pacote Azul (Plan to Accelerate Ocean-based Climate Solutions: A Blue Package), uma das principais entregas da agenda de ação da COP30, representa um avanço inédito com a integração do oceano de forma estrutural à agenda climática. A iniciativa reúne ações voltadas à conservação marinha, à transição energética, ao uso sustentável dos recursos oceânicos e à ampliação de mecanismos de financiamento capazes de escalar soluções baseadas no oceano, como a restauração de manguezais e a proteção de recifes de corais. O pacote faz parte de uma estrutura coordenada pela Presidência da COP30, pelo governo brasileiro e pelos High Level Climate Champions, que conecta atores não governamentais para acelerar a implementação dessas soluções, no âmbito do Eixo 2, Objetivo 7 da nova Agenda de Ação Climática Global, voltado a florestas, oceanos e biodiversidade.

Os oceanos cobrem mais de 70% da superfície do planeta e exercem papel essencial no equilíbrio climático global. São eles e seus ecossistemas que absorvem cerca de um quarto das emissões de CO₂ e mais de 90% do calor adicional retido na atmosfera pela ação humana, funcionando como um verdadeiro regulador do clima. Os ecossistemas costeiros e marinhos são fundamentais para adaptação climática, sustentando economias, provendo segurança alimentar e proteção costeira contra eventos climáticos extremos. Ainda assim, historicamente, o oceano foi tratado de forma marginal nas negociações climáticas internacionais, um paradoxo diante de sua importância para conter o aquecimento global e sustentar a vida no planeta.

Desde a criação do Ocean and Climate Change Dialogue, a integração entre as agendas de clima e oceano tem avançado. O Relatório Especial sobre o Oceano e a Criosfera do IPCC (2019) trouxe evidências científicas contundentes sobre o impacto da mudança climática nos mares, e a COP26 consolidou o oceano como componente essencial das estratégias de adaptação e mitigação. O Balanço Global, lançado em 2023, reconhece a importância da conservação e restauração do oceano e seus ecossistemas para adaptação e mitigação também foi reconhecida. Mesmo assim, o nexo oceano-clima segue sub-representado no espaço formal de negociação. Nesse contexto, a decisão da Presidência brasileira de incluir os oceanos entre as prioridades da COP30 e a forte presença dessa agenda durante a Cúpula dos Líderes representa um marco histórico e um passo necessário para corrigir esse descompasso.

Em paralelo, o Desafio das NDCs Azuis (Blue NDC Challenge), lançado por Brasil e França em junho deste ano, mobiliza os países a incluir o oceano em suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), reconhecendo seu potencial de contribuir para mitigação e adaptação às mudanças climáticas. A sinergia entre o Desafio das NDCs Azuis e o Pacote Azul cria, pela primeira vez, uma estrutura de coordenação entre os governos e atores não estatais voltada especificamente às soluções climáticas baseadas no oceano, abrindo caminho para a construção de mecanismos de financiamento semelhantes aos existentes para florestas tropicais.

“O Brasil tem desempenhado um papel de liderança fundamental na elevação da agenda de oceano e clima nas negociações internacionais da UNFCCC. Liderança que se iniciou no G20, se consolidou com a co-facilitação no Diálogo sobre Mudanças Climáticas e Oceano (Ocean Climate Change Dialogue) e se fortalece na COP30, com o objetivo de criar estruturas robustas para soluções climáticas baseadas no oceano de forma participativa e com apoio da sociedade civil organizada”, destaca Marina Corrêa, analista de conservação do WWF-Brasil.

Para Marina, o conjunto de iniciativas lideradas pelo Brasil simboliza um novo momento de ambição e coordenação global. “A história das COPs revela uma evolução clara: de quando o oceano era apenas uma nota de rodapé, aos diálogos formais da COP27 e aos pavilhões temáticos das COP28 e COP29, até esta COP30 — quando o mar finalmente infiltrou à cúpula dos líderes. A presidência brasileira, com apoio de outros países, deixou evidente que a Natureza é parte essencial da agenda climática, evidenciando que ela também é oceano. Agora, o desafio ao longo da COP30 será transformar essa ambição e reconhecimento em caminhos para ação: avançar na implementação de soluções baseadas no oceano e financiamento que lhes dê escala e impacto, e aumentar a presença do tema no espaço de negociação.”

Embora os oceanos não constituam um tema formal de negociação dentro da UNFCCC, as decisões tomadas no âmbito da Convenção moldam diretamente políticas e instrumentos como as NDCs, os Planos Nacionais de Adaptação e os mecanismos de financiamento climático. Por isso, é essencial que o oceano esteja no centro das decisões sobre mitigação, adaptação e transição justa. O sucesso do Pacote Azul dependerá da criação de instrumentos concretos de governança e financiamento que priorizem a conservação da natureza e reconheçam as comunidades tradicionais e pesqueiras como protagonistas da gestão dos recursos oceânicos e soluções climáticas.

Além dos oceanos, a COP30 inova também ao destacar a importância das florestas - responsáveis por capturar cerca de 30% dos gases de efeito estufa - no debate climático. Juntos, oceanos e florestas ajudam a conferência de Belém a entregar um robusto Pacote Natureza que permita equacionar a dupla crise de clima e biodiversidade que ameaça o século 21. Somente assim será possível garantir que o oceano continue a cumprir seu papel vital, sustentar a vida na Terra, proteger as comunidades e ajudar a conter a crise climática. 

Sobre o WWF-Brasil

O WWF-Brasil é uma ONG brasileira que há 28 anos atua coletivamente com parceiros da sociedade civil, academia, governos e empresas em todo país para combater a degradação socioambiental e defender a vida das pessoas e da natureza. Estamos conectados numa rede interdependente que busca soluções urgentes para a emergência climática.

Fonte: WWF-Brasil

16 DE NOVEMBRO É O DIA NACIONAL DA AMAZÔNIA AZUL



16/11/2018

A Lei nº 13.187, de 11 de novembro de 2015, instituiu o Dia Nacional da Amazônia Azul, comemorado anualmente em 16 de novembro em todo o território nacional.

A data comemorativa visa conscientizar a população sobre a importância da região denominada pela Marinha do Brasil como “Amazônia Azul”, área oceânica ligada ao território brasileiro com aproximadamente 3,6 milhões de km², equivalente à superfície da floresta amazônica. O Brasil ainda pleiteia junto à Organização das Nações Unidas (ONU) estender sua plataforma continental em 900 mil km², o que pode fazer a Amazônia Azul chegar a 4,5 milhões km².

A relevância de defender esse território motiva a construção do primeiro submarino nuclear nacional, projeto da Marinha do qual a Amazul participa. Foi a Amazônia Azul que inspirou, inclusive, o nome da empresa: Amazônia Azul Tecnologias de Defesa S.A..

Na região denominada Amazônia Azul circulam 95% do comércio exterior brasileiro, além de serem extraídos 91% do petróleo e 73% do gás natural produzido no país. Rica em biodiversidade e reservas minerais, essa área tem importância estratégica para o Brasil.

A criação do Dia Nacional da Amazônia Azul foi proposta pelo Projeto de Lei do Senado 30/2014. O dia 16 de novembro foi escolhido por meio de emenda da Câmara dos Deputados por ser a data em que entrou em vigor em 1994 a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, depois de ter sido ratificada por 60 países. Também conhecida como Lei do Mar, a Convenção estabeleceu limites para os espaços marítimos.

Além de reforçar a importância social e econômica dessa área para o desenvolvimento do País, o estabelecimento da data comemorativa busca promover o conhecimento sobre o mar brasileiro e contar sua história.

Fonte: AMAZUL

ONU ANUNCIA PRIMEIRO FESTIVAL MUNDIAL DO OCEANO

Foto: OMM/Olga Khoroshunova

16/04/2017

Evento antecede a Conferência do Oceano, marcada para 5 a 9 de junho; haverá uma marcha com velejadores nos rios Hudson e Leste, conhecido como East River.

Monica Grayley, da ONU News em Nova Iorque.*

As Nações Unidas realizarão o primeiro Festival Mundial do Oceano no próximo dia 4 de junho. O evento precederá a Conferência sobre o tema, marcada para 5 a 9 de junho, na sede da organização em Nova Iorque.

Líderes internacionais devem participar da reunião sobre proteção e sustentabilidade dos oceanos.

Declínio

O Festival é realizado em parceria da ONU com a Cidade de Nova Iorque. O objetivo é incentivar cidadãos a ajudar a reverter o declínio na saúde dos mares.

O presidente da Assembleia Geral, Peter Thomson, comentou os desafios da poluição marinha.

Thomson lembrou que a situação do oceano é bastante crítica. Segundo ele, se as tendências atuais continuarem, haverá mais plásticos que peixes na água. O presidente explicou que a poluição marinha ameaça os estoques de peixe, que estão diminuindo no momento. Ele falou sobre a experiência que tem com comunidades de pescadores em várias partes do mundo incluindo Indonésia e Senegal.

Para ele, não existe saída a não ser o desenvolvimento sustentável.

O Festival do Oceano é organizado pela Fundação Global Brian e se concentra no Objetivo 14 de Desenvolvimento Sustentável, ODS.

O prefeito de Nova Iorque, Bill de Blasio, já se pronunciou a favor da proteção ambiental começando nas cidades numa tentativa de combater a mudança climática.

O presidente da Assembleia Geral da ONU afirmou que Nova Iorque é um modelo não só para os Estados Unidos, mas para todo o mundo sobre como as capitais podem integrar os ODSs em seu planejamento urbano.

Thomson lembrou ainda que 40% da causa para o aumento dos níveis do mar devem-se ao aquecimento dos oceanos. O Festival terá ainda uma marcha do oceano que consistirá de um desfile de velejadores na ilha de Manhattan e ao longo de 10 milhas náuticas de Manhattan e Brooklyn do rio Hudson ao Rio Leste, conhecido como East River.

Fonte: Rádio ONU

ONU alerta que 2016 deve ser o mais quente da história

Mulher protege filha de calor escaldante no Paquistão. Foto: Pnud/Hira Hashmey

14/11/2016

Relatório da Organização Mundial de Meteorologia diz que as temperaturas globais estão 1.2ºC acima dos níveis pré-industriais; agência afirmou que se confirmado, 16 dos 17 anos mais quentes até agora ocorreram neste século.

A ONU alertou que 2016 deve ser o ano mais quente da história, com temperaturas chegando a 1.2ºC acima dos níveis pré-industriais.

A previsão consta do relatório da Organização Mundial de Meteorologia, OMM, sobre o Estado do Clima Global 2016, lançado esta segunda-feira em Genebra.

El Niño

Segundo a agência da ONU, as temperaturas globais entre janeiro e setembro deste ano estão 0.88ºC acima da média de 14ºC registrada entre 1961 e 1990, período que também serve de referência para os cálculos.

O documento mostra que as temperaturas aumentaram no início de 2016 por causa do efeito climático El Niño. Além disso, dados preliminares indicam que os fatores que causam o aquecimento estão em um nível alto o suficiente para que o recorde de ano mais quente seja batido.

Caso seja mesmo confirmado, isso significa que 16 dos 17 anos mais quentes da história foram registrados neste século. A exceção foi 1998.

O relatório diz ainda que indicadores de mudança climática de longo prazo também estão quebrando recorde, por exemplo, as concentrações dos gases que causam o efeito estufa continuam aumentando atingindo os índices mais altos da história.

Geleiras

As geleiras do Ártico continuam nos níveis mais baixos, especialmente no início do ano e em outubro, que é considerado o período em que o gelo volta a se formar.

Os especialistas disseram também que foi registrado um derretimento significativo e antecipado da camada de gelo na Groenlândia.

O secretário-geral da OMM, Petteri Taalas, disse que "por causa da mudança climática, aumentou o impacto e a ocorrência de eventos climáticos extremos".

Furacão Matthew

Até agora, o pior evento natural já registrado esse ano foi o furacão Matthew, que causou a maior emergência humanitária no Haiti desde o terremoto de 2010.

Segundo o relatório, a única área onde as temperaturas ficaram abaixo da média é a região subtropical da América do Sul, que inclui partes da Argentina, Bolívia e Paraguai.

As temperaturas estiveram acima da média na maioria dos oceanos. Isso contribuiu para um branqueamento significativo dos corais e danos aos ecossistemas em várias regiões tropicais.

Entre elas estão, a Grande Barreira de Corais, na Austrália, onde a morte de corais atingiu 50% e países no Pacífico, como Fiji e Kiribati.

Oceanos

O aumento global dos níveis dos oceanos chegou a 15 milímetros entre novembro de 2014 e fevereiro deste ano com resultado do El Niño, bem mais do que a média de 3 a 3.5 milímetros por ano depois de 1993.

As concentrações dos gases que causam o efeito estufa também tiveram uma alta. Em 2015, a concentração global de dióxido de carbono atingiu, pela primeira vez, 400 partes por milhão.

Os dados preliminares para 2016 mostram um aumento. Na Austrália e no Havaí, por exemplo, a concentração de CO2 já ultrapassou as 400 partes por milhão registradas no ano passado.

Fonte: Rádio ONU

Holandês de 21 anos cria projeto inovador para limpar oceanos

Crédito: theoceancleanup.com


23/06/2016

Um inventor holandês de 21 anos revelou, nesta quarta-feira, o protótipo de um dispositivo de filtração para remover milhões de toneladas de resíduos plásticos dos oceanos, um projeto inédito que será testado no mar do Norte.

Com a iniciativa “The Ocean Cleanup” (a limpeza do oceano), Boyan Slat quer lutar contra a “sopa plástica”, uma mistura de garrafas, bolsas, chinelos e outros detritos plásticos que flutuam no oceano.

A maioria dos resíduos plásticos nos oceanos está acumulada em cinco blocos de lixo gigantes – o maior deles no Pacífico, entre a Califórnia e o Havaí.

A sopa de plástico é criada quando o lixo fica preso em cinco grandes “giros”, ou correntes oceânicas rotativas. Esses detritos vão juntando enormes blocos de resíduos, que se convertem quase em “continentes” de plástico.

Enquanto a maioria dos projetos que tentam coletar material plástico utiliza barcos que rastreiam os oceanos, Slat pretende aproveitar a potência das correntes marítimas para limpar as águas.

“Por que temos de ir até os resíduos, se os resíduos podem vir até nós?”, questionou o jovem em uma coletiva de imprensa no porto de Scheveningen, nos arredores da cidade holandesa de Haia.

A ideia nasceu quando ele ainda era um estudante do Ensino Médio e esboçou o projeto em um guardanapo de papel.

O jovem inventor pretende usar uma barreira de 100 km de comprimento em forma de V composta de grandes boias de borracha, que flutuam na superfície do oceano e estão conectadas a redes submersas de até três metros de profundidade.

O objetivo é capturar os pedaços de plástico que se movem com as correntes e juntá-los em recipientes com capacidade para até 3.000 metros cúbicos de resíduos – suficientes para encher uma piscina olímpica -, que poderão ser reciclados.

O protótipo, que tem 100 metros de comprimento e custou 1,5 milhão de euros, foi financiado por crowdfunding e doações, inclusive do governo holandês. Será levado para o mar do Norte nesta quinta-feira (23) para uma série de testes que serão realizados durante um ano a 23 km da costa holandesa.

Mais jovem ganhador do Prêmio Campeões da Terra, concedido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Slat abandonou seus estudos de Engenharia Espacial para se dedicar totalmente a esse projeto.

Fonte: ISTOÉ

Urso polar preso em rede de plástico demonstra ameaça humana ao meio ambiente



03/05/2016

Redação ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

O impacto ambiental causado pelos seres humanos não é novidade. Nenhum outro animal consegue transformar paisagens inteiras e interferir na vida de milhões de outras espécies, de forma tão destrutiva. Apesar disso, poucas pessoas se dão conta do seu papel nesse cenário.

Basta considerar que todos os anos, mais de 300 milhões de toneladas de plástico são produzidas ao redor do mundo e cerca de 8.8 milhões acabam descartadas no oceano. Os números impressionam e mostram o tamanho dos danos no ambiente marinho, mas, no dia a dia de uma pessoa comum, todo esse estrago corresponde a pouco mais de uma garrafinha plástica. Em escala global, o consumo diário de cada um de nós se torna uma ameaça gravíssima ao meio ambiente. E para onde vai todo esse lixo? A resposta está nessas imagens terríveis, publicadas pelo One Green Planet.



Os ursos polares estão cada vez mais ameaçados, principalmente pelas mudanças climáticas, mas também pelo lixo que invade seu habitat. Milhares de toneladas de plástico estão sendo jogadas no gelo do Ártico e este urso da foto é uma das suas vítimas.

Tragicamente, o urso polar não é o único animal a sofrer com o nosso lixo. Cerca de 700 espécies marinhas estão ameaçadas de extinção devido ao sufocamento por plástico, ingestão de resíduos ou exposição a toxinas do lixo humano. Quanto mais lixo é descartado nos oceanos, mais animais morrem.

Chegou o momento da humanidade reconhecer as consequências de suas ações e mudar com urgência. Esse urso polar preso em uma rede de pesca representa o impacto de cada atitude tomada no cotidiano, mostrando que já passou da hora dos seres humanos fazerem escolhas mais sensatas e éticas.

Brasil obtém permissão da ONU para explorar minério em fundo do oceano

Área a ser explorada fica em águas internacionais, a 1.500km da costa do 
Rio de Janeiro (Foto: Divulgação/CPRM/BBC)

27/07/204

Segundo estudos do governo federal, área de 3 mil quilômetros quadrados contém minerais raros usados em indústria de alta tecnologia.


O Brasil foi autorizado por um braço da ONU a explorar recursos mineirais em águas internacionais do oceano Atlântico, levantando tanto potenciais ganhos econômicos quanto preocupações ambientais.

Essa mineração submarina é considerada uma nova fronteira na busca por metais preciosos, como manganês, cobre e ouro, que se tornaram essenciais na economia mundial moderna.

A permissão foi concedida pela Autoridade Internacional de Fundos Marinhos (Isba), órgão vinculado à ONU, e confere ao país o direito de atuar por 15 anos em uma área de 3 mil quilômetros quadrados na região do Atlântico conhecida como Elevação do Rio Grande, localizada a cerca de 1,5 mil km do Rio de Janeiro.

O pedido foi feito em dezembro pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM) em nome do Ministério de Minas e Energia, depois do investimento de R$ 90 milhões ao longo de quatro anos de estudos sobre o potencial geológico desta área.

Potencial econômico

O Brasil poderá estudar as chamadas crostas ferromanganesíferas ricas em cobalto em projetos de mineração submarina. Segundo os estudos realizados pela CPRM, esses depósitos foram identificados como os de maior potencial econômico e estratégico em levantamentos realizados em expedições a essa região.

"Nestes 15 anos, mapearemos o que existe lá e avaliaremos seu potencial econômico. Depois, podemos entrar com um novo pedido para explorar economicamente", afirma à BBC Brasil Roberto Ventura Santos, diretor de geologia e recursos minerais do CPRM.

"As possibildades são interessantes, porque é uma região rica em elementos químicos usados na indústria, especialmente nas de alta de tecnologia, na produção de chips, peças de usinas eólicas e carros elétricos."

Santos afirma ainda que o Brasil ampliará seu conhecimento técnico sobre este tipo de mineração submarina, formará profissionais capacitados a trabalhar nesta área e criará tecnologia para tal.

"Somos o primeiro país da América Latina a conseguir essa permissão e, assim, entramos no seleto grupo de países que fazem este tipo de exploração, como Japão, Estados Unidos e China", diz Santos.

Novas permissões

Reservas de metais no fundo do oceano são consderadas nova fronteira 
da mineração (Foto: Reuters/BBC)

Além do Brasil, a ONU concedeu outras seis novas permissões a empresas públicas e estatais do Reino Unido, Cingapura, Ilhas Cook, Índia, Alemanha e Rússia.

Com isso, a área total do leito oceânico liberada para exploração foi ampliada para 1,2 milhão de quilômetros quadrados, sob um total de 26 permissões de exploração científica.

A ONU ainda não conferiu nenhuma permissão de exploração econômica, conhecida como explotação, mas as primeiras devem ser concedidas nos próximos anos, segundo a Isba.

"Existe um interesse crescente", disse Michael Lodge, da Isba, à BBC. "A maioria dessas últimas permissões foi concedida a empresas que esperam minerar estas áreas em pouco tempo".

No entanto, ainda precisam ser negociadas as condições e regras dessa atividade econômica, como por exemplo a divisão de royalties, já que um dos princípios básicos da Isba é que as riquezas do fundo do oceano devem ser compartilhadas globalmente.

A exploração mineral do fundo oceano começou a ser investigada na década de 1960, mas só recentemente tornou-se possível graças a avanços tecnológicos – criados nas indústrias de petróleo e gás. Ao mesmo tempo, o preço destas matérias-primas aumentou, aumentando o potencial retorno econômico, o que viabilizou os investimentos necessários para obtê-las.

Impacto ambiental

No entanto, esse tipo de exploração não é vista com bons por grupos de defesa do meio ambiente, que alegam que a exploração pode trazer prejuízos para ecossistemas marinhos. Um protocolo para minimizar o impacto ambiental ainda está sendo estudado.

O biólogo marinho Jon Copley, da Universidade de Southampton, vem monitorando a mineração nas chamadas dorsais oceânicas, nome dado às cadeias de montanhas submersas que se originam do afastamento de placas tectônicas.

"Cerca de 6.000km de dorsais oceânicas, ou 7,5% do total, são exploradas hoje por seu potencial mineral", afirma Copley.

"Essas dorsais são um dos três locais do fundo do oceano em que há depósitos mineirais que atraem o interesse de países e empresas. Mas também vivem nestes locais colônias de espécies que não são encontradas em outras partes do oceano e podem ser suscetíveis a impactos ambientais gerados pela mineração."

Santos, da CPRM, diz que isso será levado em conta no caso brasileiro: "Faremos um estudo de impacto ambiental junto com o de potencial econômico. Nosso pedido foi muito elogiado por causa disso".

Proteção do mar é o foco do Dia Mundial do Meio Ambiente

Foto: Pnuma

05/06/2014

Centenas de países realizam atividades neste 5 de junho, incluindo o Brasil; secretário-geral da ONU fala sobre a importância dos países-ilha em desenvolvimento.

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York. 

Centenas de países celebram neste 5 de junho o Dia Mundial do Meio Ambiente, que neste ano, tem como foco preservar os oceanos e evitar o aumento do nível do mar. Entidades de várias nações, como o Brasil, registraram no site oficial do dia as atividades que realizam esta quinta-feira.

Na cidade de Aracajú, por exemplo, o Projeto Tamar irá soltar no oceano filhotes de tartaruga, como explicou à Rádio ONU o coordenador regional em Sergipe, César Coelho.

Extinção

"Estaremos recebendo durante toda a semana aproximadamente 8 mil estudantes da rede pública e privada do Estado de Sergipe e haverá soltura de filhotes. As tartarugas são animais ameaçados de extinção, são sete espécies de tartatura (ameaçadas) no mundo e cinco ocorrem no litoral brasileiro. Aqui em Sergipe nós temos a maior concentração de uma das menores tartarugas marinhas e tem apresentado recuperação dessas populações. Nessa temporada, em Sergipe, conseguimos devolver ao mar, somente neste ano, 600 mil filhotes."

César Coelho destacou ainda que o Projeto Tamar existe há 33 anos e a entidade apoia a escolha da preservação do mar como tema do Dia Mundial do Meio Ambiente.

Cultura e Turismo

A mensagem do secretário-geral da ONU sobre a data foca nos Estados-ilha em desenvolvimento. Segundo Ban Ki-moon, mais de 63 milhões de pessoas moram nessas pequenas nações.

Alguns Estados-ilha em desenvolvimento são Barbados, Cabo Verde , Jamaica e São Tomé e Príncipe. Ban lembra que essas ilhas oferecem "muita beleza natural, cultura vibrante e música apreciada em todo o mundo".

O chefe da ONU destaca o papel dessas nações em proteger os oceanos e a biodiversidade, mas diz que enfrentam desafios ligados à localização remota e à competitividade do turismo.

Fonte: Rádio ONU


Pesquisadores alertam sobre urgência de proteger oceanos


Foto: Getty Images
03/10/2013

Artigo de brasileiro e uruguaio será publicado como editorial no periódico Marine Pollution Bulletin

São Paulo – Estima-se que 41% dos mares e oceanos do planeta se encontrem fortemente impactados pela ação humana, segundo estudos. Trata-se de um problema grave que não tem recebido a merecida atenção. Um exemplo está no ritmo de implementação da diretriz relativa à proteção marinha definida pela Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), da Organização das Nações Unidas (ONU).

Aprovada por 193 países mais a União Europeia durante a 10ª Conferência das Partes da CDB, realizada em Nagoya, Japão, em outubro de 2010, essa diretriz estabeleceu que, até 2020, pelo menos 10% das áreas costeiras e marinhas, especialmente aquelas importantes por sua biodiversidade, deveriam estar protegidas.

Decorrido quase um terço do prazo, porém, as chamadas Áreas de Proteção Marinha (APMs) não cobrem mais do que 1,17% da superfície dos mares e oceanos do planeta. Dos 151 países com linha de costa, apenas 12 excederam os 10%. E a maior potência do mundo, os Estados Unidos, dotada de extensos litorais tanto no Atlântico como no Pacífico, não aderiu ao protocolo.

As informações, que configuram um alerta urgente, estão no artigo Politics should walk with Science towards protection of the oceans (“A política deve caminhar com a ciência na proteção dos oceanos”), assinado pelo brasileiro Antonio Carlos Marques, professor associado do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo, e pelo uruguaio Alvar Carranza, pesquisador do Museu Nacional de História Natural, do Uruguai. Enviado ao Marine Pollution Bulletin, o texto, que será publicado como editorial da versão impressa do periódico, está disponível on-line.

O artigo também destaca que, com uma das mais extensas costas do mundo – de 9.200 quilômetros, se forem consideradas as saliências e reentrâncias –, o Brasil possui apenas 1,5% de seu litoral protegido por APMs. Além disso, 9% das áreas consideradas prioritárias para conservação já foram concedidas a companhias petroleiras para exploração. As costas altamente povoadas dos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro concentram a maioria das reservas de petróleo do país.

Fonte: Exame


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