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ARTIGO - ÁGUA NA AGRICULTURA E PRODUÇÃO DE ALIMENTO

Foto: Fabio Henrique Torresan

22/02/2021

Por Lineu N. Rodrigues - pesquisador da Embrapa Cerrados (DF)

No dia 22 de março, celebra-se o Dia Mundial da Água. É uma oportunidade para se discutir a importância desse recurso para a vida e para o desenvolvimento econômico e social. É fundamental que o tema seja analisado dentro das suas várias dimensões, sendo preponderante adotar estratégias de manejo que considerem os recursos hídricos de forma integrada, e que almejem uma alocação equitativa, considerando os usos múltiplos da água e a bacia hidrográfica como unidade de referência. Água é sinônimo de dialogar, de compartilhar e de integrar. Não é geradora de conflitos, mas sim de oportunidade para produzir e de criar desenvolvimento.

Nesse contexto, não teria como não aproveitar a oportunidade e trazer para a reflexão o tema água na agricultura e produção sustentável de alimento. Segurança alimentar e hídrica estão no centro das maiores preocupações da sociedade. A água é o principal fator de produção de alimentos. Como balancear produção de alimento e demanda hídrica em um mundo onde cerca de 820 milhões de pessoas não têm acesso à quantidade de alimento suficiente para manter níveis básicos de saúde e onde dois terços da população enfrentarão algum problema de falta de água é o grande desafio a ser enfrentado.

A relação água-alimento é complexa. Esses dois elementos estão intrinsecamente e fortemente interconectados. A complexidade inerente a essa interação é um dos motivos dos debates e disputas, muitas vezes desnecessárias, entre os setores usuários. Mantidas as condições atuais, o aumento na produção de alimentos demandará mais água e poderá aumentar ainda mais as disputas pelo uso da água, reduzindo a qualidade de vida da população. É nesse sentido que a ciência tem papel fundamental. As inovações modificam a situação atual, possibilitando produzir mais sem aumentar as demandas hídricas.

Atender as demandas atuais e futuras por alimento vai requerer um rápido aumento de produtividade, que precisa ser alcançado sem danos adicionais ao ambiente. Para que isso ocorra, é fundamental que os princípios de sustentabilidade sejam parte central das políticas agrícolas. As pessoas estão, em sociedade, cada dia mais conscientes sobre as questões ambientais e têm optado, de forma crescente, por alimentos produzidos nessas bases sustentáveis.

Nesse sentido, o objetivo de produzir mais alimentos deve ser visto dentro de uma abordagem mais ampla, considerando os aspectos de sustentabilidade ambiental, ou seja, buscando produzir mais alimentos com melhor qualidade e com menores danos aos recursos naturais. Para isso é necessário intensificar a agricultura de maneira sustentável e melhorar a eficiência dos sistemas agrícolas, tornando-os mais produtivos. Qualquer estratégia que vise intensificar a agricultura, reduzindo a variação na produção e aumentando a produtividade das culturas, deve necessariamente incluir a irrigação.

A irrigação é tecnologia essencial no xadrez da produção de alimentos. Atualmente, com a variabilidade climática cada vez mais acentuada, não se pode pensar no desenvolvimento de uma política de segurança alimentar e de segurança ambiental que não estabeleça políticas de longo prazo para o desenvolvimento da agricultura irrigada.

No mundo, a agricultura irrigada é responsável por cerca de 40% de toda a produção, viabilizando produzir fisicamente, em uma mesma área, até quatro vezes mais que a agricultura de sequeiro. A grande vantagem da agricultura irrigada, entretanto, está em trazer estabilidade para a produção, o que possibilita planejar estratégias de segurança alimentar e propor políticas públicas de médio e longo prazo.

O desenvolvimento de uma agricultura sustentável passa, necessariamente, pelo uso sustentável dos recursos hídricos, que por sua vez, depende de uma gestão que incorpore os usos múltiplos da água e considere os fundamentos e diretrizes da Política Nacional de Recursos Hídricos. Não se pode pensar em agricultura e desenvolvimento sustentável sem que haja um equilíbrio entre a oferta e a demanda de água. O Brasil é um país de dimensões continentais com grandes diferenças sociais, ambientais e econômicas, o que deixa a atividade de gestão muito mais complexa. Fazer a gestão de recursos hídricos de forma igualitária em todo o País pode levar a conflitos em bacias hidrográficas que já se encontram em estado crítico em termos de disponibilidade hídrica.

A água tem diversas formas e recebe diferentes nomes. A água na agricultura é sinônimo de produção de alimento e segurança alimentar. Aparentemente, a quantidade de água doce renovável anualmente no mundo é muito maior que a quantidade de água necessária para sustentar as demandas dos três usos consuntivos de água (abastecimento doméstico da população; produção industrial; e produção agrícola sob irrigação). Dentre esses usos, a agricultura irrigada é o único que faz uso tanto da água verde (água proveniente da chuva e armazenada no solo) quanto da água azul – água existente nos rios ou aquíferos. Em países tropicais como o Brasil, a água verde representa um componente significativo para a produção e estratégias devem ser desenvolvidas para maximizar o seu uso.

O crescimento das áreas irrigadas, entretanto, não pode mais ser fundamentado apenas no aumento do uso de recursos hídricos. O crescimento desejado e possível é cada vez mais dependente dos ganhos de eficiência nos sistemas já existentes. O desafio da agricultura irrigada é a promoção do irrigar com qualidade. Isso quer dizer que deve ser buscada continuamente uma elevada eficiência e produtividade de uso das águas. A agricultura irrigada deve ser capaz de utilizar os recursos de forma eficiente, com mínimas perdas e deterioração da qualidade da água. Neste cenário, a agricultura irrigada terá a grande oportunidade de contribuir para a segurança ambiental, hídrica e alimentar, podendo ainda contribuir para reduzir os impactos na produção advindos das mudanças climáticas, garantindo alimento em quantidade, qualidade e a custos acessíveis para as pessoas.

As retiradas de água dos mananciais, necessárias para garantir a prática da agricultura irrigada, devem estar previstas nos planejamentos estratégicos, especialmente em cronogramas existentes nos planos de recursos hídricos, conforme as condições climáticas, a vocação dos cultivos regionais, as potencialidades das áreas produtivas e os mercados consumidores e, posteriormente, consolidadas por meio da definição de planos de concessão de outorga de uso de água para irrigação, possibilitando que seja feita uma gestão compartilhada em cooperação e a prevenção com redução dos conflitos.

No olhar da gestão quanto à oferta, deve-se considerar as desigualdades hídricas regionais e ter um olhar diferenciado para as bacias hidrográficas críticas, onde a disponibilidade hídrica já está comprometida, assim como onde a ocorrência de conflitos pelo uso da água já é realidade. No olhar da gestão quanto à demanda, a irrigação precisa de uma gestão com olhar ampliado. O produtor precisa ter uma visão além de sua propriedade e de sua área de produção. É preciso ter sempre uma visão macro da bacia hidrográfica. A irrigação tem que ser feita considerando a bacia hidrográfica. O rio é, na verdade, reflexo daquilo que acontece na bacia como um todo. Ou seja, é preciso olhar a bacia de forma mais integrada, considerar estratégias de conservação de água e solo, que vão refletir diretamente na quantidade e na qualidade das águas.

O Brasil, com 12% da água doce superficial disponível no planeta e 28% da disponibilidade as Américas, é estratégico para suprir o aumento de cerca de 60% da demanda por alimentos, necessários para atender a uma população mundial que em 2050 será de aproximadamente 10 bilhões de habitantes. O sucesso dependerá da capacidade da sociedade em entender estrategicamente o nexo água-alimento. Para responder à pergunta sobre o quanto de água será necessário, é preciso saber antes o quanto de alimento se deseja produzir.

Segurança hídrica e alimentar devem fazer parte de qualquer política de estado que vise ao desenvolvimento e ao bem estar de sua população. Nesse contexto, é importante aprender com os erros do passado e planejar um futuro melhor, que consiste necessariamente em tratar a água como um bem estratégico para o País. Para isso, é preciso integrar a Política Nacional de Recursos Hídricos com as demais políticas públicas. É fundamental definir as prioridades de uso da água, levando-se em consideração as necessidades básicas do País e as especificidades de cada região.

Os avanços tecnológicos na agricultura irrigada vão muito além do desenvolvimento de novos equipamentos de irrigação. Os processos de tomada de decisão estão cada vez mais complexos, com necessidade de decisões mais rápidas, além de depender de análises de quantidade de dados cada vez maiores. Notam-se, nesse campo, avanços significativos relacionados às tecnologias da informação, da comunicação, de big-data e de modelos de inteligência computacional e simulação. As possibilidades tecnológicas são ilimitadas, sendo muito arriscado fazer qualquer previsão sobre o futuro.

Todo esse avanço, entretanto, não será suficiente para o desenvolvimento sustentável se, na gestão da água no meio agrícola, não forem observadas as especificidades da agricultura, que depende da chuva. É preciso criar mais valor e bem-estar com os recursos hídricos disponíveis. Isso não significa, é claro, incentivar a cultura do desperdício de água. Com uma gestão de recursos hídricos competente e aberta para incorporar os novos conceitos e tendências, é possível trazer segurança hídrica e atender a todos os usos e usuários sem comprometer a disponibilidade hídrica.

Mais informações: Embrapa Cerrados

22 DE MARÇO - DIA MUNDIAL DA ÁGUA



22/03/2019

O Dia Mundial da Água é celebrado no dia 22 de março. A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 21 de fevereiro de 1993. O objetivo era de alertar a população mundial sobre a preservação dos bens naturais e, sobretudo, da água.

A escolha de um dia dedicado a esse patrimônio natural do planeta, ressalta sua grande importância na vida das pessoas e no equilíbrio dos ecossistemas.

Além disso, destaca a necessidade de conscientizar a população sobre o cuidado e preservação desse bem tão valioso, que desde muito tempo vem sendo explorado indiscriminadamente pelo homem.

Declaração Universal dos Direitos da Água

No dia 22 de março de 1992, na cidade do Rio de Janeiro, onde decorria uma Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento e Ambiente, a ONU divulgou um importante documento que destaca a importância da conservação da água: a Declaração Universal dos Direitos da Água.

A consciência ambiental é um dos temas relevantes apresentados na declaração. Além disso, ela aborda sobre a preservação e proteção dos recursos hídricos do planeta.

“O equilíbrio e o futuro de nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos. Estes devem permanecer intactos e funcionando normalmente para garantir a continuidade da vida sobre a Terra. Este equilíbrio depende em particular, da preservação dos mares e oceanos, por onde os ciclos começam.”

Art. 4° da Declaração Universal dos Direitos da Água

A Declaração Universal dos Direitos da Água é dividida em dez artigos, os quais destacam:

Art. 1º: A água faz parte do patrimônio do planeta. Art. 2º: A água é a seiva do nosso planeta, ou seja, é a condição essencial de vida de todo ser vegetal, animal ou humano. Art. 3º: Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito limitados. Art. 4º: O equilíbrio e o futuro do nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos. Art. 5º: A água não é somente uma herança dos nossos predecessores; ela é, sobretudo, um empréstimo aos nossos sucessores. Art. 6º: A água não é uma doação gratuita da natureza; ela tem um valor econômico: precisa-se saber que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em qualquer região do mundo. Art. 7º: A água não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem envenenada. Art. 8º: A utilização da água implica no respeito à lei. Art. 9º: A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos de sua proteção e as necessidades de ordem econômica, sanitária e social. Art. 10º: O planejamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade e o consenso em razão de sua distribuição desigual sobre a Terra.

Poluição da água

A poluição da água é resultado das alterações de sua qualidade e que a tornam imprópria para o consumo e prejudicial aos organismos vivos que nela habitam.

Problemas como a urbanização, construção de rodovias, indústrias, represamento, desmatamento, expansão da agricultura e pecuária, afetam consideravelmente o meio ambiente.

Todos eles comprometem diversos recursos naturais renováveis e não renováveis trazendo desequilíbrios ao solo, água e ar. Como exemplo, temos a poluição das águas (rios, mares e oceanos) que afeta não somente o ser humano, como também todo o ecossistema.

Poluição das águas por esgoto

Estatísticas da Organização das Nações Unidas (ONU) mostram que 25% da população do planeta não têm acesso a água potável e cerca de 58% dos municípios no Brasil não possuem água tratada. Vale lembrar que o Brasil é um país que detém cerca de 12% da água doce do planeta.

Além disso, cerca de 20 países já sofrem com a escassez de água, o que corresponde a 40% da população mundial, o que gera muitos problemas sociais e de saúde pública.

A importância da água

A água é um dos recursos finitos mais essenciais para a sobrevivência da vida no planeta, pois colabora com os ciclos naturais e ainda, é fundamental para a produção de alimentos.

Importante destacar que o ser humano é formado em grande parte por água (cerca de 70% do nosso corpo).

Para além disso, a superfície terrestre é formada aproximadamente de 70% de água. Grande parte dela é água salgada dos mares e oceanos (cerca de 97%), restando cerca de 3% de água doce (dos rios), onde apenas 0,01% é considerada apropriada para consumo.

Se observarmos do espaço fica complicado entender porque o planeta Terra possui essa denominação. Isso porque as porções de água são imensas, o que nos leva a ver um planeta azul, ou seja um "planeta água".

Deixando essa questão de nomenclatura de lado, vamos pensar como seria nossa vida se não tivéssemos água para beber, cozinhar e tomar banho.

A água, portanto, faz parte do nosso dia-a-dia, sendo elemento essencial para todos os seres vivos do planeta pois colabora com a manutenção da biodiversidade.

De acordo com a ONU, a cada 20 anos o consumo mundial de água duplica. Isso pode gerar uma enorme crise de abastecimento que atingirá cerca de 2,8 bilhões de pessoas a partir de 2025.

Como vimos a água possui tamanha importância na vida das pessoas, o que reforça a necessidade de preservar esse bem tão valioso.

Assim, pequenas atitudes de cada cidadão são essenciais para a preservação dessa importante fonte de riqueza da natureza, bem como de todo o planeta.

→ Consciência ecológica e ambiental (não jogar lixos e dejetos em ambientes impróprios, fazer a separação correta do lixo, dentre outros)

→ Uso racional e sustentável dos recursos hídricos (racionamento e reutilização de água, banhos rápidos, fechar a torneira enquanto escova os dentes e lava a louça, dentre outros)

→ Preservação das águas (não atirar lixo nos rios, mares e oceanos)

→ Melhor gerenciamento e gestão dos recursos hídricos (inserção de políticas públicas)




Mensagem da UNESCO para o Dia Mundial da Água



18/03/2017

Mensagem de Irina Bokova, diretora-geral da UNESCO, por ocasião do Dia Mundial da Água, 22 de março de 2017

A maioria das atividades humanas produz águas residuais, e mais de 80% das águas residuais do mundo são despejadas no meio ambiente sem tratamento. Essa situação não pode mais continuar, segundo a mensagem do Relatório Mundial das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos de 2017. Limitar o despejo na natureza de águas residuais não tratadas permite não somente salvar vidas e fortalecer ecossistemas saudáveis, mas também contribui para o desenvolvimento sustentável. 

O acesso à água potável e aos serviços de saneamento é essencial aos direitos humanos, assim como à dignidade e à sobrevivência de mulheres e homens em todo o mundo, sobretudo dos mais desfavorecidos. É indispensável a implementação do Programa de Desenvolvimento Sustentável até 2030, pois a água inter-relaciona os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e suas metas. 

Face a uma demanda crescente, as águas residuais podem constituir uma fonte alternativa confiável: por isso, é necessário modificar a gestão das águas residuais e passar de um modelo de “tratamento e eliminação” para um modelo de “redução, reutilização, reciclagem e recuperação dos recursos”. As águas residuais não devem mais ser consideradas como um problema, mas como uma parte da solução dos desafios que todas as sociedades enfrentam hoje. As águas residuais podem constituir outra fonte de água rentável, durável, segura e confiável para toda uma variedade de usos, tais como: irrigação, atividades industriais ou água potável, sobretudo em um contexto de escassez hídrica. Para que isso aconteça, devemos mudar nossas mentalidades, nos sensibilizar e redobrar os esforços para divulgar as vantagens da reutilização das águas residuais. 

A melhoria da gestão das águas residuais deve estar no centro de uma economia circular, de forma a realizar um equilíbrio entre o desenvolvimento, a proteção e a exploração sustentável dos recursos naturais. As vantagens são múltiplas para a segurança alimentar e energética, mas também para a atenuação dos efeitos da mudança climática.

Como a agência das Nações Unidas para as ciências da água e a educação, a UNESCO atua em todas as frentes do Programa Hidrológico Internacional e em sua rede de comitês nacionais, centros e cátedras. Nosso Programa Mundial de Avaliação dos Recursos Hídricos oferece aos governos e à comunidade internacional acesso a informações úteis para a formulação de políticas sobre os recursos mundiais de água potável e utiliza técnicas de vanguarda para o monitoramento dos recursos hídricos, tendo em vista as questões de gênero. Todos esses elementos são indispensáveis para assegurar o sucesso do Programa de Desenvolvimento Sustentável até 2030.

Em uma época em que a demanda aumenta e os recursos limitados estão sob crescente pressão devido à captação excessiva, à poluição e à mudança climática, não podemos simplesmente negligenciar as oportunidades que oferecem melhorias para a gestão das águas residuais. Não temos condições de desperdiçar as águas residuais. Esta é a mensagem que a UNESCO lança hoje.  


Fonte: UNESCO

22 DE MARÇO - DIA MUNDIAL DA ÁGUA




  




Créditos: Imagens Google

IPT lança manual para aproveitamento de águas cinzas

22/03/2016

A procura por soluções voltadas ao melhor aproveitamento dos recursos hídricos, a fim de diminuir o impacto ambiental, cresceu no Brasil nos últimos dois anos em função da crise hídrica. A elevação no nível dos reservatórios por conta das chuvas do início do ano, no entanto, não deve ser encarada como uma oportunidade para abandonar ações sustentáveis de redução de consumo, como o aproveitamento de água de chuva, por exemplo, mas sempre tendo em conta os cuidados necessários ao seu uso.

Para oferecer à população orientações para ações sustentáveis, o IPT lança hoje, no Dia Mundial da Água, o manual para reutilização de águas cinza (denominação dada às águas usadas no banho e na lavagem de roupas). 

Características das águas cinzas: cor pode ser cinza escuro, cinza claro ou outra, dependendo
da sujeira removida e da liberação de pigmentos e corantes dos tecidos


Essas águas podem ter diversos usos não potáveis, em função dos produtos adicionados durante a sua utilização, e a publicação lista uma série de boas práticas para o manejo em ambiente doméstico. “Para não colocar a saúde das pessoas em risco, o manual apresenta os cuidados recomendados ao seu uso a partir de soluções simples que não requerem construções, instalação de equipamentos especiais ou mesmo reformas residenciais”, explica Wolney Castilho Alves, pesquisador do Centro Tecnológico do Ambiente Construído e coordenador do manual.

Para a utilização correta das águas cinza, informa ele, o usuário deve observar a presença de sabão, amaciantes, corantes, resíduos de sujeiras e gordura que prejudiquem o uso pretendido, causando manchas em pisos, paredes e pintura de veículos. O pesquisador recomenda ainda atenção na possibilidade de partículas presentes na água aderirem a superfícies como pisos porosos, e de restos de alvejantes (principalmente à base de cloro) causarem danos no caso de rega de plantas.

O volume de águas cinza a ser coletado dependerá dos tipos de uso e do espaço disponível na residência para armazenamento. A quantidade necessária para suprir os usos está diretamente ligada ao número de bacias sanitárias, às áreas de piso e paredes a serem limpas ou às áreas de irrigação. Para uma lavagem de oito quilos de roupas, por exemplo, o volume de água consumido fica em torno de 100 litros, o que é suficiente para 16 descargas de bacia sanitária; um banho de chuveiro elétrico com a duração de oito minutos pode consumir de 24 a 40 litros de água, o bastante para quatro a seis descargas.

IMPORTÂNCIA DO ARMAZENAMENTO – O volume de água a ser armazenado deve ser decidido pelo morador em função do espaço disponível na residência, dos recursos para a compra dos recipientes e da facilidade de transporte entre os cômodos. Os recipientes de armazenamento (bombonas e baldes) recomendados pelo manual são produtos comuns vendidos no mercado.

Antes de escolha dos recipientes, o usuário deve avaliar sua qualidade. Grande parte deles é fabricada em plástico, material que não é agredido pelas águas cinza; no caso de modelos metálicos, eles podem sofrer corrosão. 

Banhos de chuveiro elétrico com cerca de 8 minutos fornecem volume suficiente para quatro a seis descargas


Um reservatório para armazenar águas cinza deve, caso seja grande, ter uma saída de fundo (torneira) para facilitar seu esvaziamento e limpeza, ser resistente ao peso da água (quando cheio) e a pequenas quedas e impactos e, talvez o mais importante atualmente, ser estanque, ou seja, não ter vazamentos e ser mantido sempre bem fechado.

Há também a necessidade de manter a água armazenada protegida do acesso de insetos. “Boa parte dos focos de dengue são encontrados em recipientes para armazenar água nas residências; é preciso tomar uma série de cuidados a fim de evitar a proliferação dos mosquitos”, ressalta Luciano Zanella, pesquisador do IPT e um dos autores do manual.

As águas coletadas da etapa de lavagem de tecidos muito sujos podem ter coloração cinza escuro ou chumbo, e tendem a ficar cada vez mais escuras com o passar do tempo. Essas águas podem liberar odores após 12 horas de armazenamento, aproximadamente; por outro lado, as águas do enxágue e de centrifugação das lavadoras podem ser armazenadas por mais tempo, situação que se repete com as águas da etapa de lavagem de roupas menos sujas e com as águas de banhos sem muitos resíduos.

As pesquisadoras do IPT Jordana Rodrigues de Castro, do Núcleo de Bionanomanufatura, e Rayana Santiago de Queiroz, do Centro de Química e Manufaturados, também colaboraram no projeto com a execução de testes de laboratório para avaliar técnicas simples que evitassem a exalação de odores nas águas armazenadas. Para eliminar ou diminuir cheiros desagradáveis, recomenda-se a mistura de cinco mililitros de água sanitária para cada litro de água cinza armazenada no caso de águas de cor cinza escura, que estão muito carregadas de sujeiras.

USOS PROIBIDOS – Mesmo que as águas cinza tenham a aparência de água limpa, os pesquisadores alertam para uma série de usos não permitidos: não beber, não utilizar para tomar banho ou dar banho em animais domésticos, não molhar plantas comestíveis (exceto árvores frutíferas) e tampouco usar para a rega no caso de os produtos adicionados à lavagem de roupas terem cloro em sua fórmula.

Clique aqui para baixar o manual em PDF ou visualize-o diretamente na janela abaixo.


Dia Mundial da Água: 78% dos empregos no mundo dependem de recursos hídricos

No Dia Mundial da Água, ONU alerta para a relação entre a falta de fornecimento
adequado e o desemprego (Arquivo/Agência Brasil)

22/03/2016

A falta de fornecimento de água seguro, adequado e confiável para os setores altamente dependentes de recursos hídricos resulta na perda ou no desaparecimento de empregos e pode limitar o crescimento econômico mundial nos próximos anos, “a menos que exista infraestrutura suficiente para gerenciar e armazenar a água”. O alerta é feito hoje (22), Dia Mundial da Água, pela Organização das Nações Unidas (ONU).

A edição de 2016 do Relatório Mundial das Nações Unidas para o Desenvolvimento de Recursos Hídricos é produzido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em nome da ONU Água. Com o tema a água e o emprego, ele mostra que 78% dos empregos que constituem a força de trabalho mundial são dependentes dos recursos hídricos. “Nós temos algo em torno de 1,5 bilhão de pessoas no mundo que ainda têm problemas de acesso à água, seja em quantidade ou em qualidade. Isso afeta o emprego delas também”, disse o coordenador do setor de Ciências Naturais da Unesco no Brasil, Ary Mergulhão.

A Unesco estima que mais de 1,4 bilhão de empregos, ou 42% do total da força de trabalho mundial, são altamente dependentes dos recursos hídricos. Entre os setores mais atingidos estão a agricultura, indústria, silvicultura, pesca e aquicultura, mineração, o suprimento de água e saneamento, assim como quase todos os tipos de produção de energia. Esta categoria também inclui empregos em áreas como cuidados de saúde, turismo e setores de gestão de ecossistemas.

Também foi estimado que 1,2 bilhão de empregos, ou 36% do total da força de trabalho mundial, são moderadamente dependentes dos recursos hídricos. São setores para os quais a água é um componente necessário em suas cadeias de valores, como construção, recreação e transporte.

Desde os anos 80, a captação de água doce tem aumentado mundialmente em cerca de 1% ao ano, principalmente devido à crescente demanda em países em desenvolvimento, segundo a Unesco. “A redução da disponibilidade hídrica vai intensificar ainda mais a disputa pela água por seus usuários. Isso afetará os recursos hídricos regionais, a segurança energética e alimentar e, potencialmente, a segurança geopolítica, provocando migrações em várias escalas”.

Economia verde

Além do aumento da demanda, as mudanças climáticas são uma ameaça à disponibilidade de recursos hídricos. “A mudança climática levará, inevitavelmente, à perda de empregos em determinados setores. Uma abordagem proativa de adaptação por meio de políticas pode amenizar algumas dessas perdas”.

A criação de oportunidades de emprego em atividades de mitigação e adaptação e o mercado emergente de pagamentos por serviços ambientais pode oferecer às populações de baixa renda a oportunidade de criar um tipo de empreendedorismo, com aumento de renda e implementação de práticas de restauração e conservação.

“A urbanização acelerada e o aumento dos padrões de vida, o aumento da demanda por água, alimentos e energia de uma população mundial em constante crescimento, inevitavelmente, levarão à criação de postos de trabalho em determinados setores (por exemplo, tratamento municipal de águas residuais) e à perda de postos de trabalho em outros”, diz o relatório.

Segundo a oficial do Programa Mundial das Nações Unidas em Avaliação dos Recurso Hídricos da Unesco na Itália, Angela Ortigara, as maiores potencialidade de emprego estão relacionadas com a economia verde. “Há todo um trabalho para capacitar os empresários para essa transição econômica”, afirma.

A produção de energia, por exemplo, como um requisito para o desenvolvimento, possibilita a criação de empregos diretos e indiretos por todos os setores econômicos. Segundo a Unesco, o crescimento no setor de energia renovável leva ao crescimento do número de empregos verdes e independentes de recursos hídricos. “Podemos dizer que a geração de energia eólica e solar já cria mais empregos do que a de fonte convencional”.

Questões de saúde e gênero

Segundo o relatório, investimentos em saneamento e em água potável de qualidade fomentam o crescimento econômico, com altos índices de retorno. “O acesso ao suprimento de serviços seguros e confiáveis de saneamento e de água potável de qualidade, nas casas e nos locais de trabalho, em conjunto com a higiene adequada, são essenciais para se manter uma força de trabalho saudável, educada e produtiva”.

A Unesco destaca as questões de direitos humanos, economia verde, desenvolvimento sustentável e gênero, a serem consideradas pelos gestores de políticas públicas ao tratar das relações entre recursos hídricos e  trabalho. “Anualmente, 2,3 milhões de mortes são relacionadas ao trabalho. Doenças contagiosas ligadas ao trabalho contribuem para 17% dessas mortes e, nessa categoria, os principais fatores para a proliferação dessas doenças, mas que podem ser evitados, são água potável de baixa qualidade, saneamento inadequado, falta de higiene e falta de conhecimento”.

Segundo o relatório, cerca de 2 bilhões de pessoas necessitam de acesso a melhor saneamento, com as meninas e as mulheres em situação ainda mais precária. Ortigara diz que isso se deve ao fato de que, em lugares sem infraestrutura, as mulheres são responsáveis pela coleta de água e destinação das fezes, ou quando precisam sair de casa e se afastar da comunidade para cuidar da higiene, muitas vezes sofrem violências nesses percursos.

“E não estamos falando só de zona de guerra”, disse a oficial, sobre os problemas relativos à água, saneamento, higiene e emprego. Ela conta que um estudo feito em Bangladesh, com a distribuição de absorventes íntimos em uma empresa onde 80% dos empregados eram mulheres, diminuiu as faltas ao trabalho de 73% para 3%.

Políticas públicas

O relatório da Unesco recomenda que cada país, conforme a sua base de recursos, potencialidades e prioridades, identifique e promova estratégias específicas e coerentes, bem como planos e políticas para alcançar o equilíbrio ideal entre os setores da economia e gerar o melhor resultado possível de empregos decentes e produtivos, sem comprometer a sustentabilidade dos recursos hídricos e do meio ambiente.

“Com vistas a promover o crescimento econômico, a redução da pobreza e a sustentabilidade ambiental, deve-se considerar os métodos que reduzem a perda de empregos ou o deslocamento de pessoas, além daqueles que maximizam a criação de empregos resultantes da implementação de uma abordagem integrada na gestão dos recursos hídricos”, acrescenta o relatório.


Penedo: Peixamento da Codevasf em trecho do São Francisco encerra Semana da Água em Alagoas



28/03/2015

A soltura de 200 mil alevinos, realizada pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) no trecho do rio São Francisco próximo ao porto das balas, em Penedo, encerrou as atividades da Semana da Água em Alagoas nesta sexta-feira (27). As comemorações, um seguimento do Dia Mundial da Água celebrado em 22 de março segundo o calendário da ONU, movimentaram diversos municípios durante toda a semana e incluíram duas cidades do vale do São Francisco alagoano: Penedo e Arapiraca.

“Os peixes fazem parte da cadeia alimentar do rio e, se sumirem, isso será prejudicial para todos. Esses peixamentos ajudam na manutenção da vida no rio e, se não ocorressem, o rio São Francisco já estaria morto. Nós, que somos jovens, somos o futuro da nação. Somos nós que vamos cuidar do rio no futuro”, disse Paula Gomes da Silva, estudante do curso Técnico em Meio Ambiente do Campus Penedo do Instituto Federal de Alagoas (Ifal) e uma das participantes da atividade.

Antes do repovoamento do rio, outras atividades integraram o último dia de comemorações, como uma exposição do engenheiro agrônomo do Instituto da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos de Alagoas (Semarh/AL), Fernando Veras, e a exibição do filme “A Lei da Água – Novo Código Florestal” seguido de um debate com o professor e pesquisador da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Ulysses Gomez Cortez.

Na Praça 12 de Abril, no centro histórico de Penedo, simultaneamente à exibição e discussão do filme, estudantes e professores das escolas da rede municipal participaram dos jogos educativos do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA/AL), uma forma lúdica de discutir questões ambientais presentes no cotidiano da população como o descarte correto do lixo e as espécies animais e vegetais nativas de Alagoas.

Participação de jovens

Para o chefe da Unidade Regional de Meio Ambiente da Codevasf em Alagoas, Pedro Melo, a Semana da Água em Alagoas foi um sucesso e cumpriu o objetivo de levar a reflexão sobre a importância de ações de preservação desse bem natural.

“Por meio da parceria entre Codevasf, IMA/AL, Semarh e prefeituras municipais realizamos palestras tanto em Arapiraca quanto em Penedo, e tivemos uma grande participação, especialmente de estudantes. Nós repovoamos o lago da Perucaba e o rio São Francisco com espécies nativas como xira, piaba e matrinchã. Nosso interesse é suscitar um debate sobre a questão da água, sobre sua escassez. O Dia Mundial da Água é simbólico, mas na verdade devemos comemorá-lo todos os dias. Temos que continuar com esse trabalho de educação ambiental para despertar a consciência das pessoas sobre a preservação da água”, declarou Melo.

De acordo com o presidente do IMA/AL, Gustavo Lopes, “as atividades de reflexão são importantes porque levam educação ambiental especialmente para os jovens, pois são eles que podem fazer a diferença no futuro e mudar a realidade que vivemos no presente, de escassez hídrica, a qual é causada sobretudo pelo uso excessivo e sem controle da água”.

Presente na solenidade de encerramento da Semana da Água em Penedo, o vice-prefeito do município, Ronaldo Lopes, parabenizou as instituições que participaram do evento e lembrou o simbolismo da finalização das atividades em Penedo. “Penedo tem um apelo forte, pois estamos bem próximos à foz do São Francisco, esse rio tão importante para o Nordeste e para Alagoas e que vem sendo agredido ao longo do tempo pelo uso desordenado. Então essa discussão, trazendo jovens para o debate, é fundamental”, observou.

A solenidade de encerramento, no auditório do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Penedo (Sindpem), também contou com a presença do gerente regional de Revitalização das Bacias Hidrográficas da Codevasf em Alagoas, Ricardo Pereira – que representou o superintendente regional da Codevasf –, secretários municipais, parlamentares, ambientalistas e técnicos da Codevasf em Alagoas.

Programação em Arapiraca

Na quinta-feira (26), foi Arapiraca, o mais populoso município da bacia do São Francisco em Alagoas, que recebeu as ações da Semana da Água de Alagoas. As atividades foram realizadas no Planetário Municipal, que fica localizado às margens do lago da Perucaba. No local, foram realizadas palestras e mostra de equipamentos e matérias utilizados nas ações de educação ambiental do IMA/AL e do Batalhão Ambiental da Polícia Militar de Alagoas.

As atividades tiveram início com a palestra do engenheiro agrônomo do IMA/AL, Fernando Veras, que tratou sobre o uso racional da água. Para isso, ele apresentou as principais ameaças a esse recurso natural como o desmatamento, assoreamento dos rios e o uso excessivo de água nas atividades domésticas. “Para vocês terem ideia, apenas na descarga do sanitário está concentrado 33% do gasto de água numa residência”, afirmou para uma plateia de estudantes e professores de Arapiraca.

Já o engenheiro civil Hugo Pedrosa, gerente regional de Infraestrutura da Codevasf em Alagoas, expôs a relação entre água e desenvolvimento regional. Para isso, tratou dos múltiplos usos da água e a relação dela com os projetos estruturantes de desenvolvimento regional executados pela Codevasf nos municípios de sua área de atuação.

“Existe um paradigma entre o desenvolvimento e a preservação do meio ambiente. As pessoas criaram uma ideia de que preservar não é desenvolver; que para desenvolver deve existir degradação ambiental. A Codevasf entra nessa discussão mostrando que o desenvolvimento regional pode, sim, andar lado a lado com a preservação ambiental. Assim, a presença da Codevasf no evento em Arapiraca ajuda a quebrar esse paradigma. Queremos mostrar que temos diversas ações em agricultura irrigada, de implantação de esgotamento sanitário, de abastecimento de água para consumo humano, atividades que usam a água para promover o desenvolvimento”, frisou Pedrosa.

Uso consciente

A estudante Sara Chagas, da Escola Santa Esmeralda, de Arapiraca, participou das atividades no Planetário e se mostrou bastante consciente de seu papel junto às futuras gerações para preservação da água. “A água é um meio para a vida. Com ela, fazemos nossas atividades como tomar banho, comer, tudo isso com a água. Precisamos, em primeiro lugar, nos conscientizarmos sobre sua importância para podermos fazer algo por ela”, afirmou.

Segundo registrou o vice-prefeito de Arapiraca, Yale Fernandes, “a água hoje é o tema mais comentado no Brasil por causa da crise em São Paulo. Tem que partir de cada um de nós a consciência de que simples gestos como não deixar uma torneira pingando, tomar um banho mais rápido, não lavar a calçada com água, são de fundamental importância para que possamos ter um país e um mundo para as futuras gerações com mais qualidade de vida e com água”.

Após as atividades no Planetário de Arapiraca, estudantes, professores, técnicos da Codevasf, do IMA, da Semarh/AL, da Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal) e demais participantes acompanharam um peixamento realizado pela Codevasf no lago da Perucaba. O repovoamento inseriu cerca de 200 mil peixes de espécies nativas da bacia hidrográfica do São Francisco produzidos no Centro Integrado de Recursos Pesqueiros e Aquicultura de Itiúba (Ceraqua São Francisco).

Bruno Santos – Jornalista Mte 759/AL



No Dia da Água, um sinal de alerta

Borges critica a importação de tecnologia disponível pela UFRJ
Foto:  Alexandre Brum / Agência O Dia

22/03/2015

No Dia da Água, um sinal de alerta
Especialistas apontam necessidade de adotar medidas para evitar desabastecimento no futuro

Diante da maior estiagem dos últimos 84 anos e em meio à maior crise de abastecimento da história, o Rio celebra o Dia Mundial da Água torcendo por momentos melhores. A pouco mais de 500 dias da abertura dos Jogos Olímpicos, especialistas explicam como o estado, conhecido pela abundância de água, chegou ao nível de alerta em relação ao desabastecimento, indicam alternativas de reaproveitamento hídrico e apontam medidas para atenuar impactos futuros.

“A situação vivida no Rio é diferente da de São Paulo, já que extraímos água do manancial do Paraíba do Sul, enquanto o estado vizinho aposta nos reservatórios, que permanecem baixos”, afirma o diretor de produção da Cedae, Edes Fernandes. De fato, não basta apelar para que São Pedro envie chuvas torrenciais. No Rio — estado que foge à regra nacional, onde mais de 60% do consumo é doméstico —, o uso responsável por cidadãos e indústrias é fundamental. 

Embora ainda não existam incentivos fiscais a empresas que utilizem água de reúso, é crescente a consciência corporativa. “A água tratada em estações de esgoto não é potável, mas deve ser utilizada na construção civil e indústrias, deixando o estado potável apenas para o consumo humano”, ressalta Edes, que cita o uso e larga escala no Simperj e na Reduc. 

Conter a poluição das lagoas da Barra da Tijuca e de Jacarepaguá é um dos desafios apontados
Foto:  Alexandre Vieira / Agência O Dia

Já o coordenador do curso de Engenharia Ambiental da USP, Alex Souza Silva, ressalta o número de residências sem saneamento básico, o que acentua o assoreamento de rios e polui alguns dos palcos das competições da Olimpíada de 2016: “O despejo de matéria orgânica nas águas decorre dos processos de ocupação desordenada e favelização.” 

Apesar da garantia de expansão do serviço, o panorama da Cedae para a Baía de Guanabara não é dos melhores, já que ecobarreiras e ecobarcos devem proteger os atletas de detritos maiores. Disputado pelos estados do Sudeste, o potencial do Sistema Hidráulico do Paraíba do Sul passa por uma fase de otimização.

Segundo a Secretaria Estadual de Meio Ambiente, manobras feitas já garantiram o armazenamento de mais de 700 milhões de metros cúbicos de água desde maio de 2014, o que resguardaria o estado em futuros períodos de seca. A Cedae aposta na construção da estação Novo Guandu, que deve ser finalizada em até quatro anos. Com a elevatória, a produção de água tratada aumentaria em dez mil litros por segundo.

Reúso e dessalinação são saídas 

Tecnologia desenvolvida pela Coppe, centro de pesquisa em engenharia da UFRJ, pode ser a solução contra a pior crise hídrica enfrentada pelo estado. O sistema utiliza membranas, que funcionam como um superfiltro, para purificar águas poluídas e retirar sais da água do mar. O modelo que já é usado nos países do Oriente Médio poderá baixar em até 70% a conta da água. Hoje se gasta, em média, R$ 30 por metro cúbico de água, com o reúso, o valor cai para R$ 8 pelo mesmo volume. Estados Unidos e China já adotam o sistema.

No Rio, a tecnologia da Coppe já despertou a atenção de indústrias para utilização nos sistemas de refrigeração. Responsável pelo Laboratório de Processos de Separação com Membranas do Programa de Engenharia Química, o professor Cristiano Borges espera que o governo do estado se interesse em usar o sistema disponível pela Coppe para atender à população fluminense, em vez de importar tecnologia de outros países. “Só há duas soluções para a escassez da água: o reúso que esbarra no preconceito e a dessalinização da água do mar”, diz Borges.

Há 50 anos, a Estação do Guandu 

Hugo de Mattos, coordenador das obras de criação da Estação de Tratamento do Guandu, há 50 anos, lembra da árdua tarefa que foi fazer com que o abastecimento chegasse a todas as regiões. “Na Zona Sul, o abastecimento não era pleno. Nas zonas Norte e Oeste, moradores ficavam semanas sem água. “A saída foi fazer um túnel subterrâneo de grandes dimensões que ligava Nova Iguaçu até o Jardim Botânico. De lá, outro subtrecho cortava a Zona Norte com água do Rio Paraíba do Sul”, recorda. 

Para ele, as atenções devem ser voltadas para bairros em pontas de linha, como Barra da Tijuca e Recreio. No entanto, ele descarta o tratamento da água de pequenos rios da região. “Seria caro e não daria vazão. A solução passa por expandir o sistema já existente”, conclui.

Hugo de Mattos coordenou a implantação da Estação do Guandu
Foto:  Fernando Souza / Agência O Dia

O desenvolvimento de novas formas de captação de energia em larga escala também devem ser postas em discussão, afirma Alex Souza e Silva. “Não podemos desconsiderar um momento de escassez máxima, em que o consumo e a energia ficariam prejudicados pela falta d’água”, ressalta. Para a conscientização do uso responsável da água, a Cedae recebe por ano mais de 14 mil crianças na estação de Tratamento do Rio Guandu, onde elas acompanham todas as etapas do processo de tratamento e aprendem a importância de preservar a água.

Reportagem: Natália Figueiredo 
Colaborou: Maria Luisa Barros

Fonte: O Dia


Projeto 'Amigos do Rio' celebra Dia Mundial da Água com ação em RR

Ação de limpeza será realiza no Porto Marina Meu Caso, às margens do 

Rio Branco (Foto: Emmily Melo/G1)

21/03/2015

Limpeza às margens do Rio Branco acontece neste sábado (21).
Programação reúne palestra em escolas da capital entre os dias 23 a 27.

A Fundação Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Femarh) junto com a Companhia de Água e Esgoto de Roraima (Caer), realizam neste sábado (21), por meio do projeto 'Amigos do Rio', uma ação de limpeza às margens do Rio Branco e Caumé. A atividade em alusão ao Dia Mundial da Água, celebrado neste domingo (22), vai oferecer também paletras em várias escolas da capital.

A limpeza começará no Porto Marina Meu Caso, zona Norte de Boa Vista, a partir das 8h. A ação vai contar com apoio da Companhia Independente de Polícia Ambiental (Cipa), Departamento de Polícia de Meio Ambiente (DPMA), Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Vigiágua), Corpo de Bombeiros, associação dos Barqueiros, acadêmicos e outras entidades.

De acordo com o o diretor-presidente da Fundação Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Rogério Campos, o objetivo do evento é mostrar para a comunidade roraimense a importância dos rios do estado, além de alertar para o uso consciente dos recursos hídricos.

Entre os dias 23 a 27 de março as atividade serão realizadas em escolas de Boa Vista. "As crianças aprendem com mais facilidade e agilidade do que o adulto. O exemplo de uma atitude correta é muito mais forte e eles podem chamar a atenção dos pais para a conscientização", disse Campos.

Dia Mundial da Água

A data foi criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) no dia 22 de março, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Eco-92, no Rio de Janeiro. A proposta é promover momentos de discussão sobre os diversos temas relacionados a este recurso natural. A cada ano é escolhido um tema para nortear essas discussões. Este ano será 'Água e Desenvolvimento Sustentável'.

Fonte: G1 Roraima

ONU celebra o Dia Mundial da Água 2015 em Nova Dehli

Crédito: Divulgação

17/02/2015

Mais de 1 bilhão de pessoas no mundo têm abastecimento precário, No Brasil estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais já estão adotando rodízios para enfrentar a escassez do produto.

Faltando pouco mais de um mês para o Dia Mundial da Água (22 de março) muitas organizações e grupos já preparam eventos e atividades relacionadas. O evento oficial de ONU-Água deste ano se realizará em Nova Dehli, Índia, na sexta-feira, 20 de março.Na ocasião será apresentado o Informe Mundial sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos 2015 "Água para um mundo Sustentável".

O lema deste ano, "Água e Desenvolvimento Sustentável", se destina a fomentar a reflexão sobre como a água é fundamental para as três dimensões do Desenvolvimento Sustentável: social, econômica e ambiental, assim como a necessidade de passar de um enfoque setorial da água para um enfoque multidisciplinar, que capte as interconexões entre a alimentação, a energia, a saúde, o comércio, o meio ambiente e a água.

Cada ano, ONU-Água oferece recursos para inspirar as celebrações pelo Dia Mundial da água e acaba de lançar o portal do Dia Mundial da Água 2015. O site leva o visitante a aprender sobre a água e o Desenvolvimento Sustentável através de textos e imagens informativas antes de propor ideias para celebrar o Dia Mundial da Água ou aprender mais. Também há material disponível para download e uma seção de eventos onde as organizações e grupos podem promover e buscar eventos que acontecem em suas regiões.

Fonte: Água Online

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