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AGRONEGÓCIO BRASILEIRO: O MODELO QUE DEU CERTO

 Colheita de soja  em São Desiderio, interior da Bahia | Hugo Harada

22/12/2017

Em duas décadas, produtividade da agropecuária cresceu 5,4% ao ano, contra apenas 0,3% no setor de serviços e uma queda de 0,8% na indústria 

*Por Tatiana Palermo

Há alguns dias, li um excelente artigo do economista José Roberto Mendonça de Barros: “Agronegócio e Indústria: por que trajetórias tão diferentes”. O trabalho analisa as razões do baixo crescimento da economia brasileira desde 1980, identificando a interligação desse fator com o fenômeno da queda ou estagnação dos níveis de produtividade da indústria e de alguns outros setores da economia brasileira nas últimas décadas. A agricultura, entretanto, se destaca com uma dinâmica contrária, de alto crescimento.

O Produto Interno Bruto (PIB) é criado pela interação entre os estoques de capital físico e de capital humano existentes. A produtividade indica a efetividade dessa interação e é o principal motor de crescimento econômico de longo prazo, já que os estoques de capital humano e físico são limitados.

Com dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Mendonça de Barros demonstra que, no período de 1995 a 2015, a produtividade do trabalho do Brasil como um todo cresceu 0,9% ao ano, um número, na opinião dele, bastante modesto.

No período de duas décadas, a produtividade no setor de serviços, que responde por 73,2% do PIB brasileiro, cresceu apenas 0,3% ao ano. A indústria brasileira, que representa 21,2% do PIB, teve resultado ainda pior, sendo responsável por uma queda de produtividade de 0,8% ao ano. Já a agropecuária, que representa 5,5% do PIB, viu sua produtividade crescer incríveis 5,4% ao ano.

Mendonça de Barros destaca o agronegócio como o único setor relevante da economia brasileira que tem o centro de seu modelo de negócios baseado no aumento da produtividade. A própria exposição significativa à concorrência internacional contribuiu com esse modelo, interligando ainda mais a agropecuária, a agroindústria, a pesquisa e os outros serviços relacionados à agricultura. Esse conjunto que compõe o agronegócio representa hoje cerca de 22% da economia brasileira.

Na contramão do agronegócio, a indústria de transformação, a construção civil, o comércio e a logística tiveram o pior desempenho em termos de produtividade nos últimos 20 anos. Em relação à indústria, o resultado negativo ainda é mais grave, se considerarmos os amplos estímulos governamentais, o crédito subsidiado e as desonerações tributárias, dirigidos a determinados segmentos.

Campeões?

Muitas vezes, as políticas governamentais tinham como foco a maior diversificação da indústria local e a criação de novos segmentos ou o fortalecimento de algumas empresas como “campeões nacionais” em áreas escolhidas pelo próprio governo e não pela lógica de mercado.

Avaliando como fracasso as caras políticas setoriais, o economista Marcos Lisboa afirma que ao invés de “tentar fazer quase tudo”, o Brasil poderia ter se especializado em alguns setores da indústria e da agricultura. O economista estima que apenas o subsídio concedido nos empréstimos do BNDES entre 2009 e 2014 custou mais de R$ 320 bilhões à economia brasileira. Os elevados dispêndios dirigidos só a alguns segmentos ou empresas empobreceram o País e aprofundaram a recessão econômica.

Ao invés de estímulos setoriais, o governo poderia ter concentrado investimentos públicos em infraestrutura e logística, desburocratização e melhoria do ambiente de negócios, reduzindo o “custo Brasil”. A economia como um todo se beneficiaria desses investimentos.

O agronegócio cresceu por conta da sua competência e não em função de apoio governamental. É o setor que menos recebeu subsídios se comparado aos seus pares no exterior (europeus, norte-americanos, chineses etc.) e em comparação com a indústria brasileira.

Como definiu a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), “a impressionante reversão de um estado de dependência externa para a vice-liderança da produção mundial de alimentos em apenas 50 anos se deu por uma série de fatores, merecendo destaque a vasta porção de terra cultivável no País, as condições climáticas favoráveis à produção diversificada, o rápido desenvolvimento da capacidade de nossas cadeias produtivas, o desenvolvimento de tecnologia agropecuária e o aumento natural da demanda.”

Esse modelo de crescimento baseado em aumento de produtividade foi estimulado, principalmente pela política governamental de investimento em pesquisa e desenvolvimento agropecuário e pela criação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em 1973.

Potencial

O agronegócio brasileiro continuou crescendo nos últimos anos, mesmo em condições desfavoráveis, como preços internacionais baixos, real desvalorizado e elevado protecionismo por parte de seus concorrentes internacionais. Deu um show de desempenho aqui no Brasil e no exterior. E mais, os especialistas estimam que o nosso País vai se tornar o maior exportador mundial em poucos anos.

E a indústria? A produtividade decorre da capacidade de inovar e criar novos conhecimentos. A estagnação da produtividade é um problema no âmbito mundial. Conforme os cálculos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico - OCDE, a produtividade da economia mundial caiu 0,3% no ano passado e está estagnada desde 2007. A estagnação da produtividade provoca o baixo crescimento do PIB mundial que, por sua vez, se traduz em padrões de vida permanentemente mais baixos, o que pode afetar as próximas gerações.

O atual modelo da indústria manufatureira, que funciona com base na extração de matérias primas, transformando-as em produtos e depois descartando resíduos, não tem sustentação. Esse padrão extrativo está sendo substituído pela chamada “economia circular”, que busca usar insumos renováveis e soluções que restauram e regeneram resíduos, reintroduzindo-os novamente na economia para gerar energia e criar novos usos e novo valor, evitando desperdícios. Essa transformação pode dar um grande impulso ao incremento da produtividade da indústria brasileira.

A agricultura, que é a fonte da bioeconomia, terá um papel fundamental nesse novo grande complexo da economia circular. Uma maior interligação entre a agricultura e a indústria criará estímulos à agregação de valor, à inovação e à produtividade. O Brasil tem um enorme potencial na nova economia circular que está transformando o mundo de hoje.

(*) Tatiana Palermo foi Secretária de Relações Internacionais do Agronegócio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (2015-2016).


AGRICULTURA FAMILIAR, UM ESTÍMULO À ECONOMIA BRASILEIRA



01/04/2017

Por Paulo Figueiredo

O agronegócio é uma das principais atividades responsáveis por movimentar a economia brasileira. De acordo com um levantamento feito pelo Centro de Estudos de Economia Agrícola, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz de Piracicaba/SP (Cepea/Esalq), o setor emprega 19 milhões de pessoas, o que representa 20% do total das oportunidades de trabalho do país. 

Nesse cenário, uma atividade que chama a atenção é a agricultura familiar, que conta com 11,5 milhões de trabalhadores e é responsável por produzir 70% dos alimentos consumidos no país. Entre as culturas que provêm dela, estão: mandioca, feijão, milho, café, arroz e trigo, além da produção de leite e a criação de suínos, aves e bovinos.

A partir dos números positivos e do potencial de expansão que possui, diferentes segmentos da economia voltaram seus olhares aos profissionais dessa atividade. Um exemplo é a indústria de maquinários agrícolas, que se adaptou à necessidade específica dos produtores para oferecer eficiência e segurança no trabalho.

Isso porque o agricultor familiar está em busca de tecnologias com custos acessíveis, de fácil manuseio, com menos esforço físico na operação e capazes de garantir o aumento da produtividade. O uso do motocultivador no lugar da enxada, por exemplo, é indicado para atividades de preparo do solo, principalmente em hortas. Sua utilização também é muito difundida em granjas para remover a cama de frango, melhorando o ambiente de criação. Com o equipamento, o produtor consegue diminuir o tempo de trabalho de forma significativa.

Outro exemplo de inovação é o uso da derriçadora na colheita do café e também da acerola. Conhecida por "mãozinha", a tecnologia substitui a colheita manual de grãos e frutos, pois gera vibrações para que eles se desprendam das plantas e sejam projetados ao solo, sem danificar os arbustos ou o mecanismo atuador. 

Essas são apenas duas das soluções destinadas ao pequeno produtor. No entanto, é possível notar que cada vez mais a tecnologia tem um papel essencial no campo. Além de garantir o aumento da produtividade na manutenção de diferentes culturas, ela contribui com o fim das jornadas exaustivas de trabalho. 

O importante é enxergar que a agricultura familiar se transformou em uma atividade muito competitiva, por isso devemos dar uma atenção especial aos pequenos produtores rurais. Com o aumento da produtividade e a redução dos custos, é possível gerar ainda mais valor ao agricultor.

* Paulo Figueiredo consultor técnico de produtos da Husqvarna, líder global no fornecimento de equipamentos para o manejo de áreas verdes.

Ministérios, lideranças do agronegócio, FAO e I-UMA se reúnem para debater agricultura sustentável, segurança alimentar e a produtividade do campo


Presidente da Embrapa, Maurício Antônio Lopes, afirmou que, em cinco ou dez
anos, a agricultura será totalmente diferente no Brasil. (Crédito: Divulgação)

07/03/2015

Agroseminário promovido esta semana pelo Instituto de Educação do Agronegócio em Brasília (terça-feira, 3) lotou o espaço de eventos do Royal Tulip Hotel com  lideranças do alto escalão do agronegócio.  Ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente, Embrapa líderes setoriais, políticos, pesquisadores e embaixadas  convergiram para a necessidade urgente de capacitar empreendedores do campo para uma gestão mais competitiva.  No evento, o Instituto de Educação do Agronegócio (I-UMA) realizou o  pré-lançamento do AGROEDUC, um programa de educação para o campo, que irá iniciar neste semestre, totalmente a distância
para jovens da Cadeia do Leite

Os desafios da agricultura sustentável, segurança alimentar e a produtividade do campo foram os temas do seminário promovido esta semana, em Brasília,  pelo Instituto de Educação do Agronegócio (I-UMA). O evento contou com representantes dos ministérios do Meio Ambiente, Agricultura, Trabalho, da Embrapa, profissionais da imprensa especializada, personalidades e pesquisadores do agronegócio.

O Agroseminário foi realizado com painéis mediados pelo representante da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), Alan Bojanic. Logo na abertura, o presidente do I-UMA, José Américo da Silva, destacou que o evento foi pensado para refletir sobre o desafio de levar a tecnologia e o conhecimento ao campo. “Precisamos destacar pontos onde possamos evoluir ou criticar, porque no desenvolvimento do nosso trabalho nesta tarde teremos muitas oportunidades de análises e reflexões para enfrentar este desafio”, declarou José Américo.

Nas palavras do presidente do I-UMA é com investimentos em capacitação que será possível manter o produtor no campo, aumentar a produtividade, qualificar os procedimentos e, portanto, aprimorar a gestão dos empreendimentos rurais brasileiros.  Além das autoridades brasileiras, quatro embaixadas estrangeiras enviaram representantes ao Agroseminário. Diplomatas das chancelarias Espanha, Alemanha, Canadá, Suíça e Chile fizeram parte do público altamente qualificado que ouviu as exposições dos especialistas em agronegócio.

Foi bastante aplaudida a representante do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a secretaria Tania Mara Garib, que defendeu a política de apoiar e aumentar a classe média no campo. Segundo a gestora, a pasta era vista distorcidamente como apenas um espaço para fazendeiros, nesta nova gestão a pasta irá focar na área social e na distribuição de renda.

Já Paulo Guilherme Cabral, Secretário de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável do MMA, comenta que as posturas de tachar o processo produtivo como inimigo do meio ambiente foram ligados ao passado. “Para que as famílias do campo tenham avanço é necessário acesso à educação e capacitação, para tanto, são importantes ferramentas como essa”, elogiou.

“Este agroseminário tem tudo a ver com o que buscamos na pasta em relação políticas públicas, ou seja, compreender que produtividade pode andar junto com sustentabilidade, essa é a mensagem que a ministra Izabella Teixeira pediu para que manifestasse”, compartilhou.

O presidente da Embrapa, Maurício Antônio Lopes, disse que foi muito oportuna a iniciativa do I-UMA em promover o Agroseminário, pois relacionou às reflexões atuais sobre a agricultura e a alimentação mundiais na “era da complexidade”, requerem renovação e preparo constantes. “Em cinco ou dez anos, a agricultura será totalmente diferente do que temos hoje, não podemos ficar passivos perante essas mudanças, porque o mundo de hoje não é mais previsível”, defendeu o presidente da Embrapa.

O diretor geral para o Brasil da empresa Syngenta, Laercio Valentim Giampani, disse que para a empresa é um privilégio apoiar e ter parceria com a I-UMA. “É uma honra e uma oportunidade ter nosso nome associado a essa iniciativa”, reforçou.

Agroeduc
Durante o seminário foi anunciado pelo I-UMA que dentro de um mês será disponibilizado o PROGRAMA AGROEDUC ferramenta inovadora de ensino à distância voltada para promover e revolucionar a formação no agronegócio brasileiro. O Programa disponibiliza educação complementar para quem necessita de conhecimento em gestão de empreendimentos rurais, com foco nas principais cadeias produtivas do agronegócio. O curso de lançamento do Programa está voltado para a cadeia produtiva do leite.

Nas palavras do presidente da I-UMA, José Américo da Silva, o Agroeduc foi desenvolvido para levar “tecnologia, conhecimento de forma interativa, e as práticas de tomada de tomada de decisão na gestão da propriedade rural. Com recurso tecnológico inovador o AGROEDUC disponibiliza uma nova forma de aprendizagem no campo com o AGRIBUSINESS GAME, um jogo virtual que possibilita ao aluno colocar em prática o que aprendeu durante a capacitação científica. O jogo totalmente parametrizado com dados reais da cadeia produtiva do leite,  exercita avaliação tanto do ambiente interno ( propriedade rural) quanto do ambiente externo ( mercado ).

Somente no Rio Grande do Sul, detalha José Américo, existem 134 mil famílias dedicadas à Cadeia do Leite. Em todo o Brasil são 1,2 milhão de estabelecimentos. Estes números são indicadores da importância desta cadeia na produtividade setorial nacional.  Trata-se de um importante elo econômico e social que necessita de qualificação e capacitação de gestão de suas propriedades para ampliar a capacidade produtiva com qualidade e segurança alimentar.

Neste contexto o I-UMA elegeu este setor e desenvolveu o primeiro curso do Programa AGROEDUC,  Gestão para Jovens no Campo – Cadeia do Leite, com objetivo de capacitar  jovens para a gestão do negócio familiar preparando-os como futuros empreendedores rurais.

Jose Américo explica que a meta é a evolução e a mobilização de toda a família a partir dos conhecimentos que vão adquirir. “A ferramenta instrumentaliza conteúdos sobre previsão de preço, produção, máquinas e rebanho, manejo do rebanho, compra de insumos, finanças, investimentos e questões de sanidade.  “Queremos com o Programa AGROEDUC ser um caminho para estimular a permanência no campo, o desenvolvimento da propriedade rural e o aumento da renda familiar”.

Os alunos do Agroeduc serão orientados para superar e dar soluções a desafios administrativos por meio de simulações reais que podem ocorrer numa propriedade rural. O Programa estará disponível neste primeiro semestre. O I-UMA terá como clientes diretos cooperativas, sindicados rurais, corporações ligadas ao agronegócio, prefeituras e escolas. Também parceiros potenciais junto ao governo federal o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Ministério da Educação (MEC),  Ministério do Trabalho e Ministério de Ciências, Tecnologia e Inovação.

A metodologia do curso está dividida em duas etapas, uma teórica e outra prática. Ambas as fases são totalmente à distância, com tecnologia Blackboard, considerada a melhor plataforma em ensino a distância do mundo, utilizada pelas principais instituições de ensino.  Desde a sua concepção, pesquisa e desenvolvimento o AGROEDUC constituiu uma equipe multidisciplinar de trabalho envolvendo profissionais altamente qualificados, doutores em tecnologia, pesquisadores e especialistas na cadeia do leite.

Com sede em Porto Alegre (RS), o I-UMA há mais de uma década capacita empresários, gestores de empresas, profissionais e negociadores no segmento rural. Para atingir essa meta, o I-UMA dedica-se num contexto brasileiro a ofertar especializações nas relações de negócios e marketing no agronegócio. O instituto visa a ampliação de conhecimentos e conteúdos por meio de uma proposta multidisciplinar. “O agronegócio requer permanente reciclagem e fortalecimento ante ao desafio de um mercado socioeconômico internacional cada vez mais competitivo”, diz José Américo.  

A secretaria Tania Mara Garib considera que o Agroeduc “é a ferramenta de que precisamos no campo, pois permite que as pessoas estudem a qualquer hora e está disponível a todo momento e ainda integra poder público e privado”.

Paulo Guilherme Cabral reforça que está consolidado o pensamento de que as dimensões de meio ambiente, desenvolvimento social e econômico têm que andar juntas, “é importante esse arranjo no que toca à difusão do conhecimento”, defende.

O presidente da Embrapa, Maurício Antônio Lopes, relacionou o tema do seminário e a proposta da Agroeduc às reflexões atuais sobre a agricultura e a alimentação mundiais na “era da complexidade”, que requer renovação de preparo constantes.


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