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COMITIVA SERÁ RECEPCIONADA PELO PRESIDENTE DA EMPRESA, MAURÍCIO LOPES



15/03/2018

Confirmada para o dia 18 de março (domingo) a visita do príncipe herdeiro do Japão, Naruhito,  à Embrapa Cerrados, em Planaltina, DF. Ele será recepcionado pelo presidente da Empresa, Maurício Lopes, e por pesquisadores que o acompanharão ao campo experimental da Unidade.. Esta é a segunda vez que o príncipe herdeiro vai à Embrapa Cerrados. A estada dele em Brasília será de três dias, quando participará das atividades programadas para a oitava edição do Fórum Mundial da Água.
Na programação prevista para a visita, o príncipe irá ao Jardim Masato Kobayashi, uma homenagem ao técnico da Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica), falecido em 1981, e que pediu que suas cinzas fossem depositadas nos jardins da Embrapa Cerrados.  Construído em frente ao alojamento, com cerca feita de bambu, pedras e plantas ornamentais, o jardim,  inaugurado em 2008, abriga a lápide de mármore sob um ipê, árvore símbolo do bioma Cerrado.

O local já recebeu a visita do príncipe japonês Akishino, irmão de Naruhito, e sua esposa, a princesa Kiko, e do vice-presidente da JICA,  Ariyuki Matsumoto.


EMBRAPA LANÇA A PRIMEIRA CULTIVAR DE MARACUJÁ-DOCE



15/12/2017

Produtores, extensionistas, técnicos e estudantes participaram, no dia 13 de dezembro, na Embrapa Cerrados (Planaltina, DF), do lançamento da primeira cultivar da espécie Passiflora alata Curtis, maracujá-doce BRS Mel do Cerrado (BRS MC) registrada e protegida no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. A cultivar é uma nova opção para os fruticultores, tanto para os tecnificados que utilizam o cultivo em estufas, como para os pequenos produtores e agricultores urbanos e periurbanos. Com flor de cor exuberante (vermelho arroxeada), a cultivar é indicada para uso na fruticultura ornamental, com utilização das flores, frutos e da própria planta no paisagismo de grandes áreas como cercas e pérgulas.

A abertura do evento de lançamento, que contou com apoio da Agrocinco e Emater-DF, foi feita pelo chefe-geral da Embrapa Cerrados Cláudio Karia e pelo assessor de gabinete da Secretaria de Agricultura do DF, Aloísio Martins, representando o secretário de Agricultura do DF, Argileu Martins da Silva. Aloísio Martins destacou a importância do novo material para o produtor rural. “Mais uma vez a Embrapa nos entrega um produto que irá contribuir para o aumento da renda do produtor e fortalecer a cadeia produtiva do maracujá. Expresso aqui, em nome da secretaria de Agricultura do DF, nosso reconhecimento e agradecimento à Embrapa”, afirmou.

O chefe-geral da Embrapa Cerrados ressaltou o esforço da empresa em disponibilizar tecnologias para atender à demanda da sociedade e sua importância social. “A nossa missão é viabilizar soluções tecnológicas para a sustentabilidade da agricultura. A empresa não está aqui para ganhar dinheiro, mas para beneficiar a sociedade. A agricultura é importante para a sociedade brasileira e o país precisa ter uma empresa pública que responda aos interesses sociais e econômicos do país e que não tenha o foco em gerar lucro para si”, declarou Karia.

Melhoramento genético - as principais características da cultivar BRS Mel do Cerrado - alta produtividade, qualidade física e química dos frutos e maior nível de resistência a pragas e doenças - foram trabalhadas no programa de melhoramento genético da Embrapa. O pesquisador Nilton Junqueira explicou que em 1996, com o objetivo de desenvolver cultivares mais resistentes a doenças como virose e bacteriose foi montada na Embrapa Cerrados uma coleção de genótipos de maracujá procedentes da Amazônia Ocidental, Cerrados e Mata Atlântica do Nordeste, Sudeste e Sul.

“Em 1996 a virose e a bacteriose destruíram os plantios de maracujá em São Paulo e mais tarde no DF e Goiás. A cultura foi praticamente abandonada, reduzindo a pequenas áreas em estufas e a campo nos estados de Santa Catarina e Paraná, onde estas doenças não haviam chegado. Após montarmos a coleção, os genótipos selecionados foram enviados para Rio de Janeiro, Santa Catarina, São Paulo e Minas Gerais. O BRS Mel do Cerrado foi um dos genótipos desenvolvidos a partir desta coleção”, afirmou Junqueira, que foi o pioneiro dessas pesquisas na década de 1990.

A cultivar melhorada pelo melhoramento genético apresenta maior nível de tolerância às principais doenças foliares que a população original de melhoramento, entretanto ainda apresenta suscetibilidade à bacteriose e à virose. Para conviver com a virose, o pesquisador Nilton Junqueira recomenda o uso da tecnologia do “mudão”, onde as mudas são conduzidas em ambiente protegido até atingirem mais de 1,5 metros, quando então são levadas para o campo.

As principais vantagens do “mudão” são a menor perda de mudas em campo após o plantio; maior tolerância ao ataque de virose, podridão de raízes, cupins, fungos e bactérias; maior durabilidade do plantio e maior produtividade. Essas vantagens, de acordo com Junqueira, compensam o preço do “mudão” que é o dobro da muda convencional, o custo do transporte que é mais caro e mais complicado e a exigência de maior espaço dentro da estufa e do telado.

Outra orientação para os produtores de maracujá-doce conviverem com a bacteriose são as pulverizações preventivas, principalmente feitas no início das chuvas e durante as épocas do ano mais úmidas e quentes. Para minimizar os problemas enfrentados com os insetos, como mosca da fruta, besouro da flor, percevejos e tripés, o pesquisador recomenda fazer o manejo de pragas do mesmo modo que é feito com o maracujá-azedo.

Cultivo e produção – o sistema de produção da cultivar BRS Mel do Cerrado segue as recomendações técnicas do maracujazeiro-azedo comercial, com relação às exigências edafo-climáticas, preparo e correção do solo, necessidade de espaldeiramento, podas, irrigação e adubações. A partir das informações obtidas nas unidades de validação da cultivar e áreas experimentais, os pesquisadores fizeram alguns ajustes no sistema de produção que devem ser realizados com base na realidade local do produtor.

O plantio de maracujá-doce pode ser feito de duas formas: espaldeira ou latada. A pesquisadora Ana Maria Costa apresentou resultados em que foram comparados os dois sistemas de plantio. O maracujá-doce no sistema latada foi 87% mais produtivo que em espaldeira. A vantagem do sistema de espaldeira é poder aproveitar a área para cultivos consorciados, como por exemplo, com as culturas de arroz, feijão, amendoim e maxixe.

“Os resultados de produtividade foram melhores em latada, mas isso não quer dizer que todos os produtores devem usar esse sistema. A tomada de decisão deve ser pela mão-de-obra. Como os tratos culturais são mais difíceis na latada, o produtor deve decidir se vale a pena ou não fazer o cultivo em latada. Se ele não tiver mão-de-obra para fazer os tratos culturais é preferível a espaldeira, mesmo com menor produtividade”, disse a pesquisadora.

A principal recomendação para o momento do plantio, como frisou o pesquisador Fábio Faleiro, é o uso de sementes e mudas certificadas. “O produtor não deve economizar nessa hora. A qualidade da semente ou da muda é a base para garantir a produtividade do maracujazeiro”, afirmou Faleiro.

O uso de sementes de pomares anteriores – recurso comumente utilizado pelo produtor - gera a endogamia (união entre indivíduos aparentados, geneticamente semelhantes) que provoca perda de vigor da planta, menor vingamento de frutos, menor enchimento de frutos, desuniformidade do pomar, maior suscetibilidade a doenças e maior desuniformidade dos frutos.

Para o produtor de Brazlândia (DF) Mauro César, a grande vantagem no cultivo da BRS Mel do Cerrado é o período de polinização que não coincide com o do maracujá-azedo. “A polinização do doce ocorre pela manhã e a floração do azedo é pela tarde. Então isso casou e deu a oportunidade do meu funcionário trabalhar com os dois maracujás. Outra coisa é que produzo maracujá o tempo todo, aumentando minha receita, principalmente por que o preço do doce é quatro vezes mais que do azedo”, disse o produtor que pretende aumentar o número de estufas com cultivo do maracujá-doce à medida que for abrindo mercado.

Aproveitamento integral – paralelo ao programa de melhoramento genético do maracujazeiro são desenvolvidas tecnologias para produção e agregação de valor aos maracujás do Cerrado. A pesquisadora Ana Maria Costa explicou que para todos os elos da cadeia produtiva são estudadas maneiras de aproveitamento e agregação de valor ao maracujá-doce.

Do maracujá BRS Mel do Cerrado se aproveita as folhas, a polpa, sementes e a casca do fruto. A polpa tem menos acidez que o maracujá-silvestre e por isso come-se in natura. Cerca de 80% do fruto, que tem peso variando de 120 a 300 gramas, é formado pela casca, que também é comestível. A casca pode ser utilizada para fazer farinha, saladas e doce em compotas, entre outras receitas.

As indústrias de medicamentos e de cosméticos têm interesse pelas folhas do maracujá-doce. “A Passiflora alata, conhecida também como maracujina ou maracujá-doce, já é conhecida das indústrias que utilizam suas folhas para a fabricação de medicamentos, fitoterápicos e cosméticos. As folhas são ricas em antioxidante e flavonoides. O óleo extraído das sementes é utilizado na produção de cosméticos”, afirma a pesquisadora Ana Maria.

É justamente nesses múltiplos usos do maracujá que está apostando o produtor Luiz Carlos Cotta. “No início vou comercializar o maracujá em embalagens com 10 ou 12 unidades e depois espero abrir mercado para atender os interessados em aproveitar o produto. Na próxima safra, vou abrir área para plantar mais desse maracujá para ter mais essa opção de renda na propriedade”, disse Cotta, um dos produtores que validou o material em sua propriedade em Sobradinho, no DF.  Os produtores interessados em plantar a cultivar BRS Mel do Cerrado já podem fazer a reserva de mudas com os viveiristas licenciados pela Embrapa. O contato desses viveiristas pode ser obtido em  https://www.embrapa.br/busca-de-solucoes-tecnologicas/-/produto-servico/4126/maracuja-doce---brs-mel-do-cerrado-brs-mc

Do melhoramento genético ao produtor

O pesquisador da Embrapa Cerrados Fábio Faleiro apresentou, durante o lançamento da cultivar de maracujá-doce BRS Mel do Cerrado, o programa de melhoramento genético do maracujazeiro e listou os produtos já desenvolvidos pela pesquisa. A fase de pós-melhoramento até a disponibilização dos materiais aos produtores foi abordada pelo gerente do escritório de Brasília da Embrapa Produtos e Mercado Isaac de Almeida.

Das 500 espécies conhecidas de maracujá cerca de 200 são encontradas no Brasil, sendo que 70 espécies dão frutos comestíveis. O melhoramento genético tem o objetivo de desenvolver cultivares nas linhas de maracujazeiro-azedo, doce, ornamental e espécies silvestres. “Fazemos cruzamentos com combinação de características de interesse. Nossos trabalhos vão desde a caracterização dos maracujás silvestres até a transferência de tecnologias. Para isso contamos com várias parcerias na rede de pesquisa”, ressaltou Faleiro.

Para desenvolver a cultivar BRS Mel do Cerrado, os primeiros ciclos de seleção e recombinação foram realizados em 1999, utilizando acessos e populações de Passiflora alata Curtis de diferentes origens. Faleiro explicou que o melhoramento genético populacional foi obtido por meio da seleção recorrente massal entre e dentro de família de meios irmãos. Matrizes e progênies superiores foram selecionadas e utilizadas na geração da nova cultivar.

Mais de 90% dos pomares de maracujá no Brasil são de maracujazeiro-azedo (espécie Passiflora edulis Sims). Dentro do programa de melhoramento genético do maracujazeiro-azedo, foram desenvolvidas e estão disponíveis para os produtores as cultivares BRS Gigante Amarelo, BRS Sol do Cerrado e BRS Rubi do Cerrado.

Novas espécies de maracujá estão conquistando o mercado, como a espécies de maracujazeiro-silvestre Passiflora setacea. O lançamento da cultivar BRS Pérola do Cerrado (BRS PC) em 2013 pelo programa de melhoramento genético contribuiu para o fortalecimento da cadeia produtiva desta espécie.

Das últimas cultivares lançadas, Faleiro destacou a BRS Sertão Forte (BRS SF) da espécie Passiflora cincinnata desenvolvida sob a liderança do pesquisador Francisco Pinheiro de Araújo da Embrapa Semiárido. Esta cultivar é indicada para cultivo no semiárido e também no Cerrado.
Fábio Faleiro também adiantou que estão em desenvolvimento outras variedades de maracujá-silvestre da série fruta e série minimaracujás, além de maracujazeiros-ornamentais e cultivares de porta-enxertos.

“A expectativa é que as cultivares desenvolvidas das diferentes espécies de maracujá possam diversificar os sistemas de produção gerando novas opções de geração de emprego e renda, melhorando a qualidade de vida dos produtores e proporcionando aos consumidores produtos derivados de uma biodiversidade essencialmente brasileira”, ressaltou Faleiro.

Mercado – o gerente do escritório de Brasília da Embrapa Produtos e Mercado Isaac  de Almeida explicou como as novas cultivares chegam ao mercado. Depois que os materiais são selecionados pela equipe de pesquisa, eles vão para os ensaios nacionais para definir qual desses materiais será lançado pela Embrapa. No caso da BRS Mel do Cerrado, a cultivar foi testada em 16 pontos de validação em 13 unidades federativas do país.

Com as informações obtidas até o momento, a cultivar de maracujazeiro-doce BRS Mel do Cerrado tem sido indicada para cultivo no Cerrado do Planalto Central. A expectativa é ampliar as áreas de recomendação com base nas experiências de sucesso da cultivar nos diferentes pontos de validação em todas as regiões do Brasil.

Após a decisão sobre a cultivar a ser lançada é feito o plano de posicionamento. Isaac de Almeida explicou que neste plano é feita a comparação com concorrentes, verificada a viabilidade de lançamento, definição do modelo de negócio, o planejamento das atividades de divulgação e marketing e o atendimento à legislação. Com o lançamento do produto, ocorre a inscrição no mercado e disponibilizadas sementes/mudas para viveiristas licenciados pela Embrapa. A partir daí a comercialização é feita ao produtor pela iniciativa privada.

Os modelos de desenvolvimento de parceria público privada também foram abordados por Isaac de Almeida. Ele disse que após o material genético chegar à Embrapa Produtos e Mercado são feitas as sementes genética/básica e selecionados os licenciados que multiplicarão as sementes ou mudas a serem comercializadas aos produtores. Há dois modelos para que o produto chegue ao mercado: licenciamento de viveiristas e licenciamento de produtores de sementes.

Para se tornar um viveirista e/ou produtor de sementes licenciado pela Embrapa, o interessado deve ficar atento, respectivamente, aos comunicados de oferta e edital de oferta pública, divulgados pela Embrapa. Mais informações em www.embrapa.br/produtos-e-mercado.


Acesse o vídeo sobre a BRS Mel do Cerrado https://www.youtube.com/watch?time_continue=3&v=eakXG0e74z8

Mais informações sobre a cultivar BRS Mel do Cerrado, incluindo recomendações técnicas do cultivo, podem ser obtidas na página www.cpac.embrapa.br/lancamentomeldocerrado



COMO AS RAÍZES DO CERRADO LEVAM ÁGUA A TORNEIRAS DE TODAS AS REGIÕES DO BRASIL

Plantas do cerrado atuam como uma imensa esponja, recarregando aquíferos 
que abastecem rios e reservatórios - NELSON YONEDA/ICMBIO

27/03/2017

O rio São Francisco está secando, haverá cada vez menos água em Brasília e a cidade de São Paulo terá de aprender a conviver com racionamentos.

O alerta é do arqueólogo e antropólogo baiano Altair Sales Barbosa, que há quase 50 anos estuda o papel do Cerrado na regulação de grandes rios da América do Sul.

Ele diz à BBC Brasil que a rápida destruição do bioma está golpeando um dos pilares do sistema: a gigantesca rede de raízes que atua como uma esponja, ajudando a recarregar os aquíferos que levam água a torneiras de todas as regiões do Brasil.

Formado em antropologia pela Universidade Católica do Chile, doutor em arqueologia pré-histórica pelo Museu de História Natural de Washington e professor aposentado da PUC-Goiás, Barbosa conta que a água que alimenta o São Francisco e as represas de São Paulo e Brasília vem de três grandes depósitos subterrâneos no Cerrado: os aquíferos Guarani, Urucuia e Bambuí.

Os aquíferos são reabastecidos pela chuva, mas dependem da vegetação para que a água chegue lá embaixo.

Barbosa afirma que muitas plantas do Cerrado têm só um terço de sua estrutura acima da superfície e, para sobreviver num ambiente com solo oligotrófico (pobre em nutrientes), desenvolveram raízes profundas e bastante ramificadas.

"Se você arrancar uma dessas plantas, vai contar milhares ou até milhões de raízes, e quando cortar uma raiz e levá-la ao microscópio, verá inúmeras outras minirraízes que se entrelaçam com as de outras plantas, formando uma espécie de esponja."

Esse complexo sistema radicular retém água e alimenta as plantas na estação seca. Graças a ele, as árvores do Cerrado não perdem as folhas mesmo nem mesmo no auge da estiagem - diferentemente do que ocorre entre as espécies do Semiárido, por exemplo.

Barbosa conta que, quando há excesso de água, as raízes agem como esponjas encharcadas, vertendo o líquido não absorvido para lençóis freáticos no fundo. Dos lençóis freáticos a água passa para os aquíferos.

O professor diz que essa dinâmica começou a ser afetada radicalmente nos anos 1970, com a expansão da pecuária e de grandes plantações de grãos e algodão pelo Cerrado.

A nova vegetação tem raízes curtas e não consegue transportar a água para o fundo.

Pior: entre a colheita e o replantio, as terras ficam nuas, fazendo com que a água da chuva evapore antes de penetrar o solo. Em alguns pontos do Cerrado, como no entorno de Brasília, o uso de água subterrânea para a irrigação prejudica ainda mais a recarga dos aquíferos.

Em fevereiro, Brasília começou a racionar água pela primeira vez na história - e meses antes do início da temporada seca.

Migração de nascentes

Conforme os aquíferos deixaram de ser plenamente recarregados, Barbosa diz que se acelerou na região um fenômeno conhecido como migração de nascentes.

Para explicar o processo, ele recorre à imagem de uma caixa d'água com vários furos. Quando diminui o nível da caixa d'água, o líquido deixa de jorrar dos furos superiores.

Com os aquíferos ocorre o mesmo: se o nível de água cai, nascentes em áreas mais elevadas secam.

Especialista afirma que, quando há excesso de água, as raízes agem como esponjas encharcadas
ICMBIO

Ele diz ter presenciado o fenômeno num dos principais afluentes do São Francisco, o rio Grande, cuja nascente teria migrado quase 100 quilômetros a jusante desde 1970.

O mesmo se deu, segundo Barbosa, nos chapadões no oeste da Bahia e de Minas Gerais: com a retirada da cobertura vegetal, vários rios que vertiam água para o São Francisco e o Tocantins sumiram.

O professor diz que a perda de afluentes reduziu o fluxo dos rios e baixou o nível de reservatórios que abastecem cidades do Nordeste, Centro-Oeste e Norte.

Em 2017, segundo a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec), o número de municípios brasileiros em situação de emergência causada por longa estiagem chegou a 872, a maioria no Nordeste.

Já em São Paulo as chuvas de verão aumentaram os níveis das represas e afastaram no curto prazo o risco de racionamento. Mas Barbosa afirma que a maioria dos rios que cruza o Estado é alimentada pelo aquífero Guarani, cujo nível também vem baixando.

O aquífero abastece toda a Bacia do Paraná, que se estende do Mato Grosso ao Rio Grande do Sul, englobando ainda partes da Argentina, Paraguai e Uruguai.

Fotografia do passado

Bastaria então replantar o Cerrado para garantir a recarga dos aquíferos?

A solução não é tão simples, diz o professor. Ele conta que o Cerrado é o mais antigo dos biomas atuais do planeta, tendo se originado há pelo menos 40 milhões de anos.

Segundo ele, olhar para o Cerrado é como olhar para uma fotografia do passado.

Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil aponta que 872 cidades ficaram em 
situação de emergência por causa da estiagem em 2017
RUBENS MATSUSHITA, ICMBIO

"O Cerrado já atingiu seu clímax evolutivo e precisa, para o seu desenvolvimento, de uma série de fatores que já não existem mais."

Ele exemplifica: há plantas do Cerrado que só são polinizadas por um ou outro tipo de abelhas ou vespas nativas, várias das quais foram extintas pelo uso de agrotóxicos nas lavouras. Essas plantas poderão sobreviver, mas não serão mais capazes de se reproduzir.

O Cerrado também é uma espécie de museu porque muitas de suas plantas levam séculos para se desenvolver e desempenhar plenamente suas funções ecológicas. É o caso dos buritis, uma das árvores mais famosas do bioma, que costuma brotar em brejos e cursos d'água.

Barbosa costuma dizer que, quando Cabral chegou ao Brasil, os buritis que vemos hoje estavam nascendo.

Mesmo plantas de pequeno porte costumam crescer bem lentamente. O capim barba-de-bode, por exemplo, leva mais de mil anos para atingir sua maturidade. Barbosa diz ter medido as idades das espécies com processos de datação em laboratório.

Parceria com animais

Sabe-se hoje da existência de cerca de 13 mil tipos de plantas no Cerrado, número que o torna um dos biomas mais ricos do mundo. Dessas espécies, segundo o professor, não mais que 200 podem ser produzidas em viveiros.

Ele conta que a ciência ainda não consegue reproduzir em laboratório as complexas interações entre os elementos do bioma, moldadas desde a era Cenozoica.

Barbosa diz, por exemplo, que muitas plantas do Cerrado têm sementes que são ativadas apenas em situações bem específicas. Algumas delas só têm a dormência quebrada quando engolidas por certos mamíferos e expostas a substâncias presentes em seus intestinos.

Há ainda sementes que precisam do fogo para germinar. Contrariando o senso comum, Barbosa diz que incêndios naturais são essenciais para a sobrevivência do Cerrado e podem ocorrer de duas formas.

O Cerrado tem hoje cerca de 13 mil tipos de plantas, número que o torna 
um dos biomas mais ricos do mundo
MARCELO CAMARGO, AGÊNCIA BRASIL

Uma delas se dá quando blocos de quartzo hialino, um tipo de cristal, agem como lentes que concentram a luz do sol, superaquecendo a vegetação.

A outra ocorre pela interação entre algumas plantas e animais do Cerrado, entre os quais a raposa, o lobo-guará, o tamanduá-bandeira e o cachorro-do-mato-vinagre.

Segundo Barbosa, esses mamíferos carregam no pelo uma carga eletromagnética que, em contato com gramíneas secas, provoca faíscas.

O professor diz que o fogo é necessário não só para ativar sementes, mas para permitir que gramíneas secas, que não têm qualquer função ecológica, sejam substituídas por plantas novas.

"Se a gramínea seca fica ali, não tem como rebrotar, então é preciso dessa lambida de fogo natural pra limpar aquele tufo."

Os incêndios também são importantes, segundo ele, para que o solo do Cerrado continue pobre - afinal, foi nesse solo que o bioma se desenvolveu.

"O fogo é paradigma para quem pensa na preservação. Se você pensa como agrônomo, o fogo é nocivo, porque acentua o oligotrofismo do solo."

Estancar os danos

Quando deixa de haver incêndios naturais, os animais e insetos nativos desaparecem e as plantas do Cerrado são derrubadas, é quase impossível reverter o estrago, diz Barbosa.

Mesmo assim, ele defende preservar toda a vegetação remanescente para estancar os danos.

Barbosa diz torcer para que, um dia, a ciência encontre formas de recuperar o bioma.

Especialista diz que incêndios naturais são essenciais para a sobrevivência do Cerrado
SEDEC/MT

"Claro que você não vai reocupar toda a área que está produzindo [alimentos], mas você pode pelo menos tentar amenizar a situação nas áreas de recarga de aquíferos."

Sua preocupação maior é com a fronteira agrícola conhecida como Matopiba, que engloba os últimos trechos de Cerrado no Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Nos últimos anos, a região tem experimentado uma forte expansão na produção de grãos e fibras.

"Se esse projeto continuar avançando, será o fim: aí podemos desacreditar qualquer possibilidade, porque não teremos nem matriz para experiências em laboratório."

Nesse cenário, diz Barbosa, os aquíferos do Cerrado rapidamente se esgotarão.

"Os rios vão desaparecer e, consequentemente, vai desaparecer toda a atividade humana da região, a começar das atividades agropastoris."

"Teremos uma convulsão social", ele prevê

Fonte: BBC Brasil

Brasil reconhece que combate ao desmatamento da Amazônia está estagnado

Floresta queimada na Amazônia (Foto: Erika Berenguer)

20/11/2016 

Durante Conferência do Clima em Marrakesh, o governo diz que as taxas de desmatamento pararam de cair – e promete monitoramento no Cerrado

Durante os últimos anos, o mote do governo brasileiro em reuniões internacionais sobre meio ambiente era mostrar como o Brasil conseguiu, com sucesso, reduzir drasticamente o desmatamento. Com razão. Em dez anos, o país reduziu em 78% o desmatamento na Amazônia. Só que, recentemente, esse progresso ficou estagnado. Pior, os dados de 2015 mostram aumento no desmate.

Em evento durante a Conferência do Clima da ONU em Marrakesh, no Marrocos, o governo brasileiro reconheceu que as taxas de desmatamento pararam de cair. O secretário de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente, Everton Lucero, disse que estamos há quatro anos sem redução na derrubada de árvores na Amazônia.

"Estamos engajados no combate contínuo ao desmatamento da Amazônia, que, nos últimos quatro anos, parece ter chegado a uma planície. Não está mais caindo, como esperávamos. Nós precisamos então olhar para isso e fortalecer as medidas de comando e controle e, ao mesmo tempo, criar alternativas econômicas viáveis e sustentáveis para os 25 milhões de pessoas que vivem na região."

O secretário também disse que o governo deve lançar em breve um programa para o monitoramento do Cerrado. "Estamos comprometidos em reduzir o desmatamento também nos demais biomas brasileiros. Vamos em breve começar um sistema de monitoramento no Cerrado", disse. O Cerrado tem hoje taxas de desmate tão altas quanto os da Amazônia, e é também menos protegido pela legislação.

Lucero disse que o Brasil ampliará os esforços no combate ao desmatamento ilegal e fará programas de compensação para repor áreas desmatadas dentro da lei. Além disso, ressaltou que o Brasil se comprometeu, no Acordo de Paris, a restaurar 12 milhões de hectares de florestas até 2020. O secretário não mencionou as críticas feitas pelo ministro da Agricultura, Blairo Maggi, que também está em Marrakesh. Maggi tem dito à imprensa que o setor agropecuário não pode se comprometer com a restauração florestal por conta do custo, que ele julga muito alto.

Apesar dos sinais de esgotamento da política atual para a Amazônia, os esforços do Brasil foram reconhecidos por ministros de vários países, como o ministro do Meio Ambiente da Noruega, Vidar Helgesen. "O que é uma implementação bem-sucedida de política florestal? A resposta mais simples é: o que o Brasil fez", disse. Segundo ele, as medidas de monitoramento e combate ao desmatamento permitiram reduzir "massivamente" o desmate no Brasil na última década, ao mesmo tempo que melhorou a vida da população local. Helgesen defendeu que outros países incluam políticas para as florestas em seus compromissos firmados no Acordo de Paris.

* O repórter viajou a convite da Earth Journalism Network

Fonte: Época


A MAÇONARIA E O MEIO AMBIENTE



02/07/2015


Publicado em 16 de Janeiro de 2013 

A Maçonaria não deve discutir opções políticas, mas também não ignora os grandes temas da Civilização e da Sociedade e procura ajudar a refletir sobre eles, estejam ou não na Ordem do Dia, sejam ou não objeto de controvérsia.

Seja no âmbito regional, nacional ou internacional um tema atinge diretamente a própria sobrevivência de todos nós, maçons ou não.

No curso do desenvolvimento das nações, vários fatores contribuem para o surgimento e agravamento dos problemas ambientais, tais como: o crescimento populacional, a industrialização, a urbanização acelerada provocada principalmente pelo êxodo rural, a poluição e o esgotamento dos recursos naturais; sendo que a forma como estes fenômenos se organizam e se reproduzem vem causando uma degradação crescente e de efeitos imprevisíveis ao meio ambiente planetário.

A contradição nas relações Homem-Natureza consiste, principalmente, nos problemas dos processos industriais criados pelo Homem. Esse processo é visto como gerador de desenvolvimento, empregos, conhecimento e maior expectativa de vida. Porém, o homem se afastou do mundo natural, como se não fizesse parte dele. Com todo esse processo industrial e com a era tecnológica, a humanidade conseguiu contaminar o próprio ar que respira, a água que bebe, o solo que provém os alimentos, os rios, destruir florestas e os habitats animais. Todas essas destruições colocam em risco a sobrevivência da Terra e dos próprios seres humanos.

Mesmo que o homem tenha hoje uma maior consciência sobre sua intervenção no mundo natural, o que podemos até considerar um avanço, mediante as grandes degradações que já ocorreram até agora, ainda não há coerência suficiente. Ou seja, muitas ações deveriam ser colocadas em prática para a preservação do meio ambiente como um todo. O que vemos atualmente é que os índices de degradação aumentaram, enquanto de um lado existem muitos lutando por um mundo melhor para todos, de outro lado, a grande maioria busca seu próprio crescimento econômico, com o objetivo de consumir cada vez mais, e como consequência, consumir mais recursos naturais, ocasionando a degradação, sem se preocupar e muitas vezes sem saber, que esses recursos muitos são renováveis e não são infinitos.

A ação da espécie humana sobre o meio ambiente tem uma característica qualitativa única: possui um enorme potencial desequilibrador, pois as mudanças que provoca nem sempre são assimiláveis pelos ecossistemas, ameaçando assim a permanência dos sistemas naturais.

A Maçonaria não está – nem deveria – de braços cruzados, e acompanha com muita preocupação e expectativa as ações nocivas que veem acontecendo com o nosso planeta. A crise ambiental enfrentada apresenta várias nuanças normalmente percebidas apenas nos sintomas que afetam diretamente o ser humano. Ocorre que diversas outras formas de vida também estão sendo afetadas pelo desequilíbrio ecológico gerado pelo homem. Foge, entretanto, de sua percepção, o fato de que grande parte deste desequilíbrio está sendo gerado, exatamente, pela profunda degradação destes seres vivos e seus ecossistemas. As novas leis de proteção ao meio ambiente desenvolvidas pelos organismos mundiais, passam a ter grande importância para a humanidade, por isso torna-se necessário a intervenção de todos, para garantirmos as mesmas condições de vida que temos hoje aos nossos descendentes.

A primeira grande investida global em defesa do meio ambiente ocorreu em junho de 1972, durante a Conferência de Estocolmo. Tendo em vista esses problemas, era necessário organizar uma convenção na qual países se propunham a fazer uma parcela de ajuda ao mundo. Foi então quando a ONU decidiu inaugurar a Primeira Conferência Mundial sobre o Homem e o Meio Ambiente.

Essa Conferência chamou a atenção das nações para o fato de que a ação humana estava causando séria degradação da natureza e criando severos riscos para o bem-estar e para a própria sobrevivência da humanidade. Foi marcada por uma visão antropocêntrica de mundo, em que o homem era tido como o centro de toda a atividade realizada no planeta, desconsiderando o fato de a espécie humana ser parte da grande cadeia ecológica que rege a vida na Terra.

Vinte anos depois foi a vez do Rio de Janeiro sediar a Conferência. As atenções do mundo se voltaram para o Brasil no período de realização da chamada Rio+20.

A Conferência do Rio consagrou o conceito de desenvolvimento sustentável e contribuiu para a mais ampla conscientização de que os danos ao meio ambiente eram majoritariamente de responsabilidade dos países desenvolvidos. Reconheceu-se, ao mesmo tempo, a necessidade de os países em desenvolvimento receberem apoio financeiro e tecnológico para avançarem na direção do desenvolvimento sustentável.

Pessimismo à parte, mas infelizmente o resultado da Conferência não foi o esperado. Os impasses, principalmente entre os interesses dos países desenvolvidos e em desenvolvimento, acabaram por frustrar as expectativas para o desenvolvimento sustentável do planeta. O documento final apresenta várias intenções e joga para os próximos anos a definição de medidas práticas para garantir a proteção do meio ambiente. Muitos analistas disseram que a crise econômica mundial, principalmente nos Estados Unidos e na Europa, prejudicou as negociações e tomadas de decisões práticas.

Sempre preocupada com o bem-estar do próximo e tendo como uma de suas principais metas tornar feliz a humanidade, a Maçonaria passou a adotar uma postura mais prática no enfrentamento da crise ambiental.

Aqui em Goiás, a Grande Loja Maçônica passou a trabalhar mais efetivamente na conscientização dos membros da Ordem, as Cunhadas e os Sobrinhos. A pauta Meio Ambiente se tornou tema obrigatório em nossos Encontros, Assembleias e reuniões. Passamos a convidar pessoas ligadas ao meio ambiente, ONGs e poder público para proferir palestras e promover debates.

Realizamos periodicamente o plantio de árvores nos espaços maçônicos e áreas públicas, numa clara demonstração à sociedade que a Ordem está fazendo a sua parte. A Grande Loja Maçônica do Estado de Goiás tem incentivado também a realização, por parte da comunidade goiana, de ações em prol da preservação do meio ambiente. Um exemplo é a Caminhada Ecológica de Goiânia ao município de Aruanã, às margens do Rio Araguaia.

Em todas as iniciativas e promoções que a GLEG tem incentivado, a responsabilidade ambiental tem sido claramente difundida e a importância da reciclagem nos aspectos econômicos, sociais e ambientais da mesma forma.

Ao buscar uma ampla reflexão sobre a questão ambiental, outro grave problema tem causado desconforto, principalmente para nós da região Centro-Oeste: o cerrado.

Em quatro décadas, o cerrado – o segundo maior bioma do país, que se estende por uma área de 2.045.064 quilômetros quadrados pelos Estados de Minas Gerais, Goiás, Tocantins, Bahia, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Piauí e o Distrito Federal – se transformou no maior produtor de grãos e de carne em área tropical do mundo. Os benefícios para a mesa do brasileiro e para os cofres do país são amplamente sabidos. O preço, no entanto, foi o desmatamento desordenado e o surgimento de vastas áreas degradadas.

Ao longo dos últimos 50 anos, mais de 54 milhões de hectares de cerrado deram lugar a pastagens e outros 22 milhões estão ocupados por plantações de grãos, mas grande parte dessas áreas, sobretudo as ocupadas pela pecuária, estão degradadas e produzem muito menos do que poderiam produzir.

O que mais nos preocupa é que, nesse ritmo, não demora duas décadas para que o Cerrado Brasileiro esteja sem vegetação natural e, quando isso ocorrer, essa que é reconhecida como a segunda savana mais rica do mundo em biodiversidade, com a presença de inúmeros ecossistemas, riquíssima flora com mais de 7.000 espécies de plantas, sendo 4.000 endêmicas desse bioma, e mais de 1.500 espécies de animais, grande parte deles já correndo risco de extinção em virtude da ação criminosa do homem, poderá ser vista apenas nos livros de biologia.

A ambição humana destrói a natureza desde o início da civilização mundial, no entanto, para que haja mudanças nesse aspecto, a educação é fundamental. É preciso que as escolas, as igrejas, ONGs e a sociedade em geral, assumam esta temática como conteúdo de aprendizagem e debatam o tema de maneira interdisciplinar e responsável, visando, principalmente, a formação de cidadãos conscientes quanto à preservação do meio ambiente. É exatamente esse caminho que a Maçonaria goiana adotou ao incentivar a conscientização dos Demolays e Filhas de Jó, pois entendemos que a preservação do meio ambiente depende de uma consciência ecológica e a formação da consciência depende da educação. A partir desse ponto de vista, percebe-se que a educação age diretamente na formação do cidadão, pois está presente em todos os setores da sociedade. Neste sentido, e é o que estamos repassando à família maçônica, é necessária uma educação que induza o indivíduo a cuidar do próprio ambiente, isto é, uma educação que forme “sujeitos ecológicos”, verdadeiramente compromissados com a preservação do meio ambiente, ou seja, que estes possam agir na sociedade de forma responsável, e ainda, que a educação ambiental também esteja presente na relação entre os valores éticos e morais na questão ambiental. Assim, a educação ambiental deve ser abordada num contexto de interdisciplinaridade, ou seja, não deve atuar somente no campo biológico, mas também, no campo ético, político, econômico e social. Desta forma estaremos, de fato, dando um importante passo rumo à salvação de nosso planeta.


RETROSPECTIVA: os destaques do WWF-Brasil em 2014

04/01/2015

O ano de 2014 foi de grandes desafios para o WWF-Brasil e para todas as organizações que lutam pela conservação do meio ambiente. Mas foi também um ano de conquistas importantes.

Todas essas vitórias só foram possíveis porque trabalhamos juntos com diversos atores da sociedade civil e tivemos o apoio de nossos afiliados, empresas parceiras, diversas intuições e muitas organizações e parceiros que acreditam na força e na relevância do nosso trabalho.

Listamos algumas ações mais importantes que realizamos em 2014, por ordem cronológica. Confira!

Personagem ajuda a transmitir noções de sustentabilidade e preservação ambiental. 
© Divulgação/MSP e WWF-Brasil

1. Chico Bento, embaixador das nascentes do Pantanal;

Em março, junto à Maurício de Souza Produções (MSP), nomeamos Chico Bento como o  “Embaixador da Proteção das Nascentes do Pantanal”. Produzimos uma animação sobre o assunto, que foi exibida em cinemas, metrôs, ônibus, emissoras de televisão e redes sociais.

Campanha “Chico Bento, Embaixador das Nascentes do Pantanal”: https://www.youtube.com/watch?v=GNYQGxThgtg

Hora do Planeta 2014 
© WWF-Brasil

2. Hora do Planeta;

Em 2014, 144 municípios brasileiros participaram da mobilização, apagando as luzes de 627 monumentos diferentes. Foi um número recorde, maior do que o registrado em anos anteriores. As notícias sobre o evento impactaram 32,6 milhões de brasileiros. No mundo todo, a Hora do Planeta 2014 mobilizou mais de 7 mil cidades em 162 países.

Veja como foi a Hora do Planeta 2014 em todo o mundo: https://www.youtube.com/watch?v=ZilSYaavMH4

Reserva Extrativista Mapuá é uma das UCs apoiadas pelo Arpa 
© Miguel von Behr

3. Arpa (Áreas protegidas da Amazônia);

Em maio de 2014, com forte articulação do WWF-Brasil, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) deu início à nova fase do Programa Arpa (Áreas Protegidas da Amazônia). 215 milhões de dólares serão depositados num fundo de transição que servirá para garantir, pelos próximos 25 anos, a manutenção permanente de 60 milhões de hectares em unidades de conservação. O WWF-Brasil participa de todas as discussões referentes ao Arpa, além de prestar apoio técnico e financeiro às suas ações.


Mais de 25 mil pessoas assinaram a petição da campanha SOS Juruena
© WWF-Brasil / Adriano Gambarini

4. Campanha SOS Juruena

Mais de 25 mil pessoas assinaram a petição da campanha SOS Juruena, organizada pelo WWF-Brasil para impedir a construção de duas hidrelétricas no interior do Parque Nacional do Juruena - uma unidade de conservação que faz parte do maior sistema de rios do país (Bacia do Tapajós) e possui a maior diversidade e produtividade de água doce do planeta, ocupando uma posição estratégica no chamado Arco do Desmatamento, capaz de garantir a conectividade ambiental das áreas protegidas vizinhas e entre a Amazônia e o Cerrado.


É a gota d’água: No Dia Mundial do Meio Ambiente, WWF-Brasil faz alerta 
sobre crise de abastecimento em São Paulo (SP) 
© Dino Almeida

5. “É a Gota d’Água!”

Em 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, colocamos uma gota inflável, de 10 metros de altura, na Avenida Paulista, em São Paulo (SP). Nossa mensagem: “É a Gota D’água!”, teve o intuito de alertar a população brasileira para o melhor uso de nossos recursos hídricos frente a maior crise hídrica já enfrentada pelo Estado de São Paulo.

Making of da ação: “É a Gota DÁgua!”: https://www.youtube.com/watch?v=uF-e6UyMNd0

Pegada ecológica do acre 
© WWF-Brasil

6. Pegada Ecológica do Acre

O Acre é o mais recente Estado brasileiro a fazer o cálculo de sua Pegada Ecológica – a análise que mede a quantidade de recursos naturais necessária para sustentar determinado estilo de vida. Se todo mundo vivesse como os acreanos, seria necessário 1,3 planeta Terra para dar conta da demanda de recursos. Esta Pegada Ecológica é 20% menor que a do cidadão médio brasileiro e 13% menor que a do cidadão médio global. O estudo foi uma das entregas do Programa Água Brasil, parceria do WWF-Brasil com o Banco do Brasil, Fundação Banco do Brasil e Agência Nacional de Águas. 

Confira o estudo:  Pegada Ecológica do Estado do Acre

Fest Curteco 
© Divulgação/WWF-Brasil

7. Fest Curteco

Já pensou em fazer um painel solar a partir de sucata? Pois foi isso que fez o Raimundo Nonato Filho, do Piauí. Por conta desta ideia, ele foi eleito o vencedor do nosso primeiro Festival de Curtas-Metragens Ecológicos, o Curteco, e ganhou uma viagem para as Cataratas do Iguaçu, no Paraná. O Festival buscou conscientizar as pessoas sobre o impacto de nossos hábitos na saúde do planeta.

Assista aos cinco vídeos vencedores do Curteco: http://curteco.com.br/

Overshoot day 2014 
© WWF-Brasil

8. O “Dia da Sobrecarga da Terra” (“Overshoot Day”)

Em 2014, o “Overshoot Day”, ou “Dia da Sobrecarga da Terra”, ocorreu em 19 de agosto. Foi nesta data que terminamos de consumir os recursos naturais disponíveis para este ano. A partir de então, todos os recursos naturais que utilizamos “entraram no vermelho”, o que quer dizer que já estamos usando mais do que o Planeta pode repor. Se somado ao longo de um certo período, este fenômeno se converte em um cenário de perda de biodiversidade, escassez de recursos e mudanças climáticas – exatamente os grandes problemas ambientais que enfrentamos agora. O cálculo é feito anualmente pela Global Footprint Network, uma organização internacional pela sustentabilidade, parceira global da Rede WWF

Saiba mais sobre o Dia da Sobrecarga da Terra:



9. 18 anos de WWF-Brasil!

Em 2014, o WWF-Brasil completou 18 anos de existência. São quase duas décadas lutando pela conservação da biodiversidade e dos recursos naturais brasileiros – contando com o apoio de muitos afiliados, sociedade civil, empresas e instituições que confiam na importância do nosso trabalho.

Saiba mais sobre a nossa história: http://www.wwf.org.br/wwf_brasil/historia_wwf_brasil/

Cataratas do Iguaçu 
© ICMBIO/Parque Nacional do Iguaçu

10. Parceria pelas Cataratas do Iguaçu

Em agosto, fechamos uma parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID)  e a Fundación Vida Silvestre Argentina (FVSA) para apoiar a gestão das Unidades de Conservação que ficam na fronteira entre o Brasil e a Argentina. Nosso trabalho terá como foco desenvolver novas oportunidades de negócios locais, por meio da valorização da biodiversidade para gerar impactos sociais e ambientais positivos.    

Saiba mais sobre a nossa parceria em prol das Cataratas do Iguaçu

Eleições 2014 
© WWF-Brasil

11. Eleições 2014 e os compromissos com o futuro do País

Com o objetivo de aperfeiçoar o debate eleitoral realizado este ano, no final de agosto lançamos um documento que trazia propostas para colocar a sustentabilidade no centro da agenda política brasileira. O documento, intitulado “Propostas do WWF-Brasil: compromissos com o futuro do País – Água, Alimentos, Energia e Florestas para sempre”, foi entregue aos comitês dos três principais candidatos à presidência e disponibilizado para download gratuito.


Salve o Cerrado 
© WWF-Brasil

12. “Salve o Cerrado!”

Para marcar o Dia Nacional do Cerrado, celebrado em 11 de setembro, promovemos a campanha “Salve o Cerrado!”. Lançamos vídeos sobre a região, realizamos plantio de mudas nativas em Brasília (DF) e apoiamos a exposição “Cerrado, uma janela para o planeta”. Nossa proposta foi alertar para a necessidade de conservar o segundo maior ecossistema do Brasil. 

Veja os vídeos da campanha “Salve o Cerrado!”

Relatório Planeta Vivo 2014 
© WWF
13. Relatório Planeta Vivo

Em setembro, a Rede WWF lançou a mais recente edição do Relatório Planeta Vivo (ou “Living Planet Report”, no original em inglês), um documento que mostra o ‘estado de saúde’ de nosso planeta. Segundo a publicação, de 1970 até hoje a biodiversidade existente no mundo diminuiu em 52%, demonstrando que metade da vida no planeta foi extinta nos últimos quarenta anos. O documento mostra as causas desse declínio e o que pode ser feito para reverter este cenário.

Confira aqui o sumário executivo do Relatório Planeta Vivo 2014:

Fonte: WWF-Brasil


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