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Sobre o Haiti



29/07/2025

Haiti (pronunciado em português europeu: [ajˈti]; pronunciado em português brasileiro: [ajˈtʃi]; em francês: Haïti, pronunciado: [a.iti]; em crioulo haitiano: Ayiti), oficialmente República do Haiti (République d’Haïti; Repiblik Ayiti), é um país do Caribe. Ocupa uma pequena porção ocidental da ilha de Hispaniola, no arquipélago das Grandes Antilhas, que partilha com a República Dominicana. Ayiti (“terra de altas montanhas”) era o nome indígena dos taínos para a ilha. 

Em francês o país é chamado de La Perle des Antilles (A Pérola das Antilhas), por conta de sua beleza natural. O ponto mais alto do país é Pic la Selle, com 2 680 metros de altitude. Tanto em área quanto em população, o Haiti é o terceiro maior país do Caribe (depois de Cuba e da República Dominicana), com 27 750 quilômetros quadrados e cerca de 10,4 milhões de habitantes, sendo que pouco menos de um milhão deles vivem na capital, Porto Príncipe. O francês e o crioulo haitiano são as línguas oficiais do país. 

A posição histórica e etno-linguística do Haiti é única por várias razões. Quando conquistou a independência em 1804, se tornou a primeira nação independente da América Latina e do Caribe, sendo o único país do mundo estabelecido como resultado de uma revolta de escravos bem-sucedida e a segunda república da América. A Revolução Haitiana, feita por escravos e negros libertos, durou quase uma década; todos os primeiros líderes do governo foram antigos escravos. O país é uma das duas nações independentes do continente americano (junto com o Canadá) que designa o francês como língua oficial; as outras áreas de língua francesa no continente são todos departamentos ou coletividades ultramarinas da França. 

O Haiti é o mais populoso membro pleno da Comunidade do Caribe (CARICOM). O país também é um membro da União Latina. Em 2012, o Haiti anunciou sua intenção de obter o estatuto de membro associado da União Africana. É o país mais pobre da América, medido pelo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). A violência política tem ocorrido regularmente ao longo da história do país, o que levou a instabilidade no governo. Mais recentemente, em fevereiro de 2004, um golpe de Estado originário do norte do país forçou a renúncia e o exílio do presidente Jean-Bertrand Aristide. Um governo provisório assumiu o controle com a segurança proporcionada pela Missão das Nações Unidas para a estabilização no Haiti (MINUSTAH).





Lema: “L’union fait la force” (“A união faz a força”) 

Hino nacional: “La Dessalinienne” (“A Dessaliniana”) 

Capital: Porto Príncipe 

Cidade mais populosa: Porto Príncipe 

Língua oficial: Francês e Crioulo haitiano 

Governo: República semipresidencialista 
– Presidente Jovenel Moïse 
– Primeiro-ministro Joseph Joute 

Independência da França: 
– Declarada 1 de janeiro de 1804 
– Reconhecida 1825 Moeda: Gourde (HTG)




HAITI: ONU ALERTA SOBRE AGRAVAMENTO DA VIOLÊNCIA DE GANGUES EM PORTO PRÍNCIPE

Violência força pelo menos 2,5 mil haitianos a fugir
(UNDP Haiti/Borja Lopetegui Gonzalez)

16/07/2022

Área mais atingida pelos combates é o bairro Cité Soleil, nos redores da capital; entre janeiro e final de junho, foram registrados 934 assassinatos, 684 feridos e 680 sequestros em toda a capital; situação agrava sofrimento e pelo menos 2,5 mil pessoas foram forçadas a fugir.

O Escritório de Direitos Humanos da ONU está profundamente preocupado com o agravamento da violência dentro e ao redor da capital haitiana Porto Príncipe e com o aumento dos abusos das gangues fortemente armadas contra comunidades locais vulneráveis.

A coordenadora humanitária da ONU no país, Ulrika Richardson, afirmou que as pessoas estão sofrendo na região. No entanto, a insegurança está impedindo as agências humanitárias de entrarem na área.

Com fechamento de escolas no Haiti, crianças ficam na mira de
gangues armadas (UNDP Haiti/Borja Lopetegui Gonzalez)

Aumento na violência

Ela destaca que a ONU está pronta para prestar assistência a crianças, mulheres e homens afetados pelo fogo cruzado da violência dos grupos armados assim que os parceiros humanitários puderem ter acesso seguro às zonas afetadas.

O recente aumento nos combates entre gangues rivais no bairro de Cité Soleil, na capital, levou à morte de 99 pessoas, com 135 feridos, segundo dados divulgados pelo Ocha no Haiti.

Com a escalada de violência, na sexta-feira, o Conselho de Segurança aprovou a prolongação do mandato do Escritório Integrado da ONU no Haiti, Binuh, até 15 de julho de 2023.

De acordo com o porta-voz do Escritório de Direitos Humanos, Jeremy Laurence, a renovação “fortalecerá a resposta internacional coletiva à crise de direitos humanos que se desenrola no país, bem como facilitará a entrega de ajuda humanitária”.

Ele pediu às autoridades do Haiti a garantia de que os direitos fundamentais sejam protegidos e “colocados na frente e no centro de suas respostas à crise”. 

Para o porta-voz, a luta contra a impunidade e a violência sexual, juntamente com o fortalecimento do monitoramento e denúncia de atos contra os direitos humanos deve continuar sendo uma prioridade.

Vítimas civis

Segundo dados da agência da ONU, entre janeiro e final de junho, foram registrados 934 assassinatos, 684 feridos e 680 sequestros em toda a capital. Durante um período de cinco dias, de 8 a 12 de julho, pelo menos mais 234 pessoas foram mortas ou feridas em violência relacionada a gangues na área de Cité Soleil.

Jeremy Laurance afirma que a maioria das vítimas não estava diretamente envolvida em gangues e foi alvo direto de elementos de gangues. Também foram recebidas novas denúncias de violência sexual.

O Haiti enfrenta uma combinação de crises política, social e humanitária
(Foto: © UNICEF/Georges Harry Rouzier)

Desabastecimento

Segundo relatos, algumas gangues estão recorrendo a táticas extremas para controlar os habitantes locais, como negar acesso a água potável e comida. A avaliação das agências da ONU é que isso resultou na piora da desnutrição na região.

A violência também agravou a escassez de combustível, já que o principal depósito de combustível está localizado em Cité Soleil, e os custos de transporte aumentaram acentuadamente.

De acordo com o Escritório de Direitos Humanos, a situação socioeconômica e o impasse político desencadearam protestos nas ruas. A insegurança deixou muitos moradores impedidos de saírem de casas e levou empresas a fecharem.

Sofrimento diário

De acordo com um relatório divulgado pelo Ocha, em menos de uma semana, pelo menos 2,5 mil pessoas foram forçadas a fugir de suas casas por causa dos combates. Vinte pessoas foram dadas como desaparecidas. 

A agência afirma que com a continuação dos combates, mais pessoas sofrerão e serão forçadas a fugir diariamente, muitas vezes arriscando suas vidas.

Cité Soleil, com uma população de cerca de 300 mil habitantes, é um dos bairros mais pobres da capital haitiana, onde as gangues ganharam mais influência nos últimos anos.

O Ocha afirma que “uma grande proporção da população está presa em Cité Soleil enquanto as gangues tentam exercer sua influência”, acrescentando que “as pessoas em algumas áreas não têm acesso a comida ou água desde 8 de julho”. 

Com a situação, uma criança em cada cinco já sofre de desnutrição grave “uma taxa bem acima dos limites de emergência”.

Fonte: ONU News 

HAITI RELEMBRA TRÊS ANOS DO PIOR TERREMOTO DE SUA HISTÓRIA RECENTE

Terremoto defastou o país caribenho causando uma diáspora de haitianos pelo 
continente, inclusive em Manaus.

12/07/2019

A reconstrução do país tem sido prejudicada por outros desastres naturais, como secas, enchentes e furacões, e pela dificuldade do governo para coordenar recursos públicos.

Renata Giraldi/Agência Brasil  

País mais pobre das Américas, o Haiti relembra neste sábado (12) três anos do pior terremoto da sua história recente. Em 12 de janeiro de 2010, um terremoto de 7,3 graus na escala Richter e duas réplicas de menor magnitude, atingiram o país, gerando comoção mundial e reações por parte de organizações estrangeiras, de entidades civis e da comunidade internacional. Em decorrência do terremoto cerca de 220 mil pessoas morreram e 1,5 milhão ficaram desabrigadas no Haiti.

Mas até hoje há cerca de 360 mil pessoas abrigadas em alojamentos improvisados e em busca de alternativas no exterior, como no Brasil e na República Dominicana. No terremoto morreram a médica Zilda Arns, fundadora da Pastoral da Criança, e 18 militares brasileiros.

O país foi destruído, prédios públicos, hospitais, escolas e casas vieram abaixo. O Brasil passou a ser um dos principais colaboradores do Haiti no processo de reconstrução e capacitação profissional. A reorganização do Haiti ainda está em andamento e conta com o apoio de uma ação coordenada pelos Estados Unidos e pela comunidade internacional.

Poucos dias depois do terremoto, um ciclone extratropical provocou enchentes no país.

Especialistas que acompanham o assunto informam que a prioridade no Haiti é o fortalecimento institucional a partir da formação de pessoal específico para as áreas de energia, combustíveis fósseis e no setor social, como saúde e educação.

O Brasil é o maior fornecedor de tropas para a Missão de Paz das Nações Unidas (Minustah), que está no Haiti desde 2004. As tropas têm o objetivo de garantir a estabilidade e segurança do país. Os militares brasileiros trabalham também no desenvolvimento urbano com projetos de engenharia, como pavimentação de ruas e iluminação pública, e projetos sociais.

O governo brasileiro também investe em projetos de cooperação técnica, especialmente na área de saúde, com a construção de três hospitais, dois laboratórios regionais, um centro de reabilitação, além da formação profissional de 2 mil agentes de saúde, no valor de US$ 70 milhões. Na área da energia, será doado um total de US$ 40 milhões para a construção de uma usina hidroelétrica que fornecerá eletricidade para mais de 1 milhão de famílias.

A Embaixada do Brasil no Haiti informou à Agência Brasil que esses valores são os maiores da cooperação brasileira no mundo. Paralelamente, autoridades do Brasil e do Haiti negociaram a ampliação do número de vistos concedidos para haitianos que queriam trabalhar em território brasileiro, sem exigência de emprego prévio.

Em Porto Príncipe, a capital haitiana, há um Centro Cultural Brasil-Haiti com aulas de português, divulgação da cultura brasileira e apoio à cultura haitiana. Ao longo de 2013 deverão ser enviados para o Brasil 16 policiais haitianos que serão treinados no Brasil e repassarão o que aprenderem para o restante da corporação.

O embaixador do Brasil no Haiti, José Luiz Machado e Costa, disse à Agência Brasil que a solidariedade é fundamental para o processo de reconstrução do Haiti, que é um dos países mais pobres do mundo - e o mais pobre das Américas. “No caso do Brasil, a solidariedade é um dos pilares da nossa relação com o Haiti”, ressaltou.

Fonte: A Crítica

BRASIL DOA VACINA ANTIRRÁBICA PARA O HAITI

Marcello Casal Jr./Arquivo/Agência Brasil

08/05/2019

País é um dos mais afetados pela doença

Atendendo a apelo do governo do Haiti, o Brasil doou para aquele país cerca de 7 mil doses de vacina antirrábica humana nesta terça-feira (7). O transporte a Porto Príncipe foi custeado pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), segundo o Itamaraty. A doença afeta quatro países da América Latina e do Caribe –  Guatemala, Haiti, República Dominicana e Bolívia, segundo dados da Opas.

Em 2017, o Brasil já havia doado 15 mil doses da vacina antirrábica para o Haiti.

De acordo com o Ministério da Saúde, as doações brasileiras em ações de cooperação humanitária não privam os brasileiros do direito de acesso a medicamentos, destinados a tais iniciativas apenas quando não há carência no atendimento prioritário a pacientes nacionais.


HAITI SOB TENSÃO APÓS PROTESTOS LETAIS E UMA PRESIDÊNCIA AUSENTE

Viatura policial é vista em Porto Príncipe, em 21 de novembro de 2018
AFP / Hector Retamal

22/11/2018

Uma tensão incomum reina no Haiti, onde a presidência se mostra ausente depois das grandes manifestações de domingo, manchadas pela violência e comandadas por uma juventude que denuncia a corrupção do poder e exige a renúncia imediata do chefe de Estado.

Três pessoas morreram baleadas no domingo durante esses protestos contra a corrupção e o poder, segundo a Polícia Nacional do Haiti (PNH), enquanto a oposição denuncia uma cifra de 11 mortos em todo o país.

Desde então, escolas, estabelecimentos comerciais e empresas privadas permaneceram fechados nas principais cidades, após uma convocação de greve geral lançada pela oposição.

A capital Porto Príncipe seguia quase deserta nesta quarta-feira (21) de manhã, embora alguns cidadãos se arriscassem a sair.

Embora a polícia tenha patrulhas ao longo dos principais eixos viários da cidade, além de blitz nos cruzamentos mais importantes, a situação permanece tensa, pois várias estradas foram bloqueadas por barricadas em chamas.

"A polícia opera com o mesmo dispositivo anunciado antes da manifestação de domingo, por meio do qual planejamos administrar o antes, durante e depois do protesto. Sempre estamos no depois", afirmou à AFP Gary Desrosiers, porta-voz da PNH.

"Seguimos no terreno para garantir a proteção de todos", acrescentou, sem dar mais detalhes.

Pneus incendiados por manifestantes bloqueiam as ruas de Porto Príncipe 
em 21 de novembro de 2018 - AFP / Hector Retamal

Um discurso do presidente Jovenel Moses estava previsto para ser transmitido na televisão estatal na terça-feira, mas várias horas após o anúncio do Ministério da Comunicação apenas foi divulgada uma mensagem de desculpa nas telas para anunciar o adiamento do pronunciamento.

"Tivemos falhas técnicas", afirmou nesta quarta de manhã Emmanuel Jean-François, assessor do presidente, por telefone. "Consertaremos tudo para que seja divulgada esta manhã" (de quarta-feira), acrescentou, sem especificar o cronograma e se negando a divulgar o conteúdo da mensagem.

Desde a manifestação que exigia a sua renúncia, Jovenel Moses não falou sobre a situação do país.

Na segunda-feira, a presidência apenas enviou um breve comunicado à imprensa mencionando uma reunião entre os responsáveis dos três poderes.

Junto com uma foto do presidente Moses, do primeiro-ministro Jean-Henry Céant, rodeado pelos presidentes de ambas as Câmaras do Parlamento e do presidente do Tribunal de Cassação, o texto dá uma lista de objetivos divididos em três pontos: que "o Poder Executivo continue o diálogo com todos os setores da vida nacional, resolva os problemas relacionados à insegurança e intensifique os programas de apaziguamento social".

Fonte: AFP

CRIANÇAS HAITIANAS CONTINUAM SENDO PRIORIDADE NA MINUSTAH

Foto: Divulgação/EB

16/08/2017

Porto Príncipe (Haiti) – Semanalmente, aos sábados, crianças do Orfanato Rosa Mine de Diegues, localizado em em Porto Príncipe, recebem um pouco de atenção e carinho dos “capacetes azuis” da Companhia de Engenharia de Força de Paz (BRAENGCOY). A atividade, de caráter voluntário, faz parte do calendário de cooperação civil-militar (CIMIC) da Companhia, além de também permitir que os militares conheçam mais de perto o dia a dia da comunidade haitiana.

A expectativa é que esta atividade seja repassada, gradativamente, aos órgãos e entidades do próprio país, até o final da Missão, a fim de garantir que essa assistência se mantenha com a saída da MINUSTAH (Missão das Nações Unidas para Estabilização no Haiti).

Com essa ação, a BRAENGCOY espera contribuir com o objetivo de garantir um futuro melhor para as crianças haitianas, além de colaborar com desenvolvimento social do país.
Para saber mais sobre a BRAENGCOY acesse: www.facebook.com/braengcoy.eb


Após 7 anos, Haiti ainda tenta se recuperar de terremoto

Porto Principe (Haiti) - Monumento inaugurado em 12 de janeiro de 2011, 
um ano após o terremoto, em homenagem aos militares mortos
Marcello Casal Jr./Agência Brasil

16/01/2017 

Mesmo após sete anos da tragédia, o Haiti ainda enfrenta inúmeros problemas causados pelo terremoto que devastou o país em 12 de janeiro de 2010. Milhares de pessoas ainda estão desabrigadas, vivendo em condições precárias e enfrentando surtos de doenças.

Após o sismo de 7 graus na escala Richter registrado às 16h53 do dia 12, ao menos 230 mil pessoas morreram, outras 300 mil ficaram feridas e mais de 1,5 milhão de haitianos perderam suas casas. Desde a capital, Porto Príncipe, até em cidades menores, houve devastação em larga escala. As informações são da agência de notícias Ansa.

Diversas instituições e governos anunciaram que enviariam diversos tipos de ajuda que, mesmo constantes, não foram suficientes para dar condições dignas de vida a todos aqueles que foram afetados pelo tremor.

Uma das instituições que ajuda o povo haitiano há sete anos é a Caritas Italia, entidade gerida pela Igreja Católica, e que divulgou um relatório sobre a pobreza no mundo que tem como foco o Haiti.

Segundo a instituição, "até agora foram financiados 250 projetos de solidariedade, num montante de quase 24 milhões de euros e em diversos âmbitos".
   
Além de tentar se recuperar do terremoto de 2010, o Haiti enfrentou outra catástrofe climática em 2016. Em outubro, a passagem do furacão Matthew matou mais de mil pessoas e afetou mais de dois milhões, segundo dados das Nações Unidas.

Mensagem de Natal dos bispos do Haiti: restituir esperança ao país

Cardeal haitiano, bispo de Les Cayes, Dom Chibly Langlois
24/12/2016

Porto Príncipe - Um premente apelo a renunciar à violência em todas as suas formas e os votos de que este Natal seja para todos os haitianos uma fonte inexorável de alegria, paz e amor: é o que expressam os bispos do Haiti na mensagem natalina e para o Ano Novo, difundida ao término da 123ª Assembleia Plenária da Conferência episcopal.

Por muito tempo povo do Haiti foi enganado por seus líderes

Os bispos colocam no centro da mensagem a situação do país caribenho, novamente estas semanas abalado por fortes tensões políticas após o anúncio dos resultados das eleições presidenciais de 20 de novembro passado, e duramente provado pelo recente furacão Matthew.

No documento, os prelados evocam a responsabilidade da classe dirigente: “Por muito tempo o povo do Haiti foi enganado por seus líderes”.

O resultado é um clima de difusa “frustração, pessimismo e desconfiança”, como confirma a ulterior queda de afluência às urnas no último pleito eleitoral, reduzida a 21% dos cidadãos com direito de voto. Uma participação inaceitável para uma sociedade que se quer democrática, afirmam eles.

Restituir esperança e confiança

Daí, o apelo “aos dirigentes a trabalhar para restaurar a confiança da população, que vive com a sensação de ter sido traída, ultrajada e usada. É urgente ouvir o sofrimento das pessoas e tomar decisões políticas e econômicas capazes de restituir a esperança”, acrescentam.

Políticos sejam protagonistas da renovação tão esperada pelos haitianos

Os prelados dirigem-se em particular aos líderes políticos a fim de que coloquem de lado toda e qualquer atitude triunfalista e colaborem para garantir aquela estabilidade política e social da qual a ilha precisa para seu desenvolvimento: “Os participantes das eleições não se considerem perdedores ou vencedores, mas, sobretudo, protagonistas da renovação tão esperada por todos os haitianos”.

A mensagem cita como exemplo encorajador nesse sentido, a grande mobilização nacional em prol das vítimas do furacão Matthew: um exemplo de solidariedade a ser repetido em outras situações.

Povo haitiano tem sede de autêntica renovação

Sofrido por tanto tempo, o povo haitiano “tem sede de uma autêntica renovação em todos os níveis: espiritual, ético, social e político”, reiteram.

Para que isso seja possível é necessário “cultivar a confiança recíproca; redescobrir e promover os valores civis e humanitários da liberdade, da igualdade e da fraternidade; fundar o exercício do poder na busca desinteressada do bem comum; tomar consciência de que todo haitiano é responsável pelo presente e pelo futuro do país e pela salvaguarda do ambiente que é a nossa casa comum”, conclui a mensagem. 

Um olhar brasileiro para as dificuldades do Haiti

03/05/2016

Há um ano, no dia 28 de abril de 2015, o padre Rogério Mosimann da Silva chegou ao Haiti para reforçar a missão dos jesuítas brasileiro na capital do país, Porto Príncipe. O ex-capelão da Universidade Católica de Pelotas (UCPel) voltou à instituição na última semana para dividir com antigos colegas, acadêmicos e comunidade o seu olhar sobre as dificuldades e belezas do local, que ainda luta para se reerguer do terremoto ocorrido no ano de 2010. 

Em uma fala descontraída e que a todo o momento era interrompida pelos participantes curiosos sobre as condições do país, Padre Rogério confirmou a vida difícil dos moradores de lá, que sofrem com problemas diversos como violência, escassez de energia elétrica e água, analfabetismo, corrupção dos representantes políticos, falta de oportunidades, deficiência ou inexistência de serviços de saúde. 

“Apesar de todas as dificuldades enfrentadas pela população, é constante o sorriso no rosto, a alegria e receptividade”, avaliou. De acordo com o padre Rogério, um dos principais problemas atuais do Haiti vem sendo com a formação de seu governo. “Ainda não ocorreu as eleições diretas e o presidente substituto, que deveria ter convocado eleições gerais para o dia 24 de março, não o fez”, explicou. 

Para o ex-capelão da UCPel, assim como ocorre em vários países da América Latina, lá a classe política também se encontra distante do povo. “O Haiti ainda está dividido e sem uma grande liderança, por isso fica difícil criar uma estabilidade”, comentou. O ensino do país é privado e caro, o que torna alto os índices de analfabetismo por lá. “A saúde também é precária e é bom torcer para não ficar doente”, avaliou.

O padre Rogério também comentou sobre o papel da Igreja Católica no território. Para ele, apesar de iniciativas interessantes mas isoladas, a Igreja ainda não consegue estar à altura dos desafios que apresentam o país. “A população é predominantemente católica, mas cresce a presença de outras religiões como a Igreja Pentecostal e permanece a presença de religiões africanas como o vodu”, disse.    

Problemas estruturais 

Ainda é possível, e em especial no centro de Porto Príncipe, ver escombros e muita destruição. “De 2010 para cá, diminuiu muito a quantidade de entulho, mas a catedral e o Palácio do governo, por exemplo, ainda permanecem destruídos”. O trânsito, conforme contou, é caótico e a falta de energia elétrica faz com que não existam semáforos. Protestos desordenados também são frequentes, sem pautas específicas e geralmente acabam dando espaços para atos de violência.       

Passado ainda presente

Na avaliação de Padre Rogério, os graves problemas enfrentados pela população haitiana são anteriores ao terremoto e surgiram antes da sua independência da França. “O Haiti acabou com a escravidão 84 anos antes do que o Brasil. Devido a isso, pagou um alto preço porque outras nações escravistas não toleraram o exemplo de libertação impondo embargos econômicos, reprimindo e ameaçando a população”, avaliou. 

Retorno 

Nos planos de Padre Rogério, o Haiti deverá ser o seu lar até o ano de 2017, mas existe a possibilidade de prorrogar a estadia até 2020. Lá, o ex-capelão da UCPel desenvolve trabalho junto ao Centro de Espiritualidade, localizado em Porto Príncipe. A rápida visita à UCPel e ao Brasil se deu para comemorar o aniversário de 60 anos de casamento de seus pais, que moram na cidade de Curitiba. A integrante da Capelania, Manoela Neutzling, agradeceu em nome da Católica a presença do Padre Rogério, que veio a Pelotas apenas para rever os antigos colegas. “Queremos agradecer a visita do nosso capelão e sua generosidade de vir até aqui para dividir sua visão”, finalizou. Após a conversa, Padre Rogério resou uma missa na Capela Central do Campus I.      

Fonte: UCPEL

HAITI: UMA NOVA VIDA APESAR DOS OBSTÁCULOS

Foto: Shiho Fukada/Panos

12/12/2015

A menina Esther Clercy nasceu em meio ao aumento sem precedentes do número de pacientes em hospital de MSF após cortes na área da saúde

Cherline deixando o Cruo de MSF com sua filha recém-nascida (Foto: Shiho Fukada/Panos)

Cherline Pierre já está com oito centímetros de dilatação e sua pressão arterial estava muito alta em sua chegada ao Centre de Référence en Urgence Obstétricales (Cruo, na sigla em francês) da organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) em Porto Príncipe, no Haiti, no dia 16 de outubro. Ela é levada da área de triagem para a sala de parto imediatamente. Mas seu parto estagna, sua dilatação até mesmo se reduz para sete centímetros. Ela é transferida da sala de parto para outro leito.

Já são sete horas em trabalho de parto. Está levando muito tempo, e ela explica à enfermeira que não entende o porquê. Mas, de repente, acontece: Cherline é levada de volta à sala de parto, juntando-se a outras duas mulheres também em trabalho de parto, e dá à luz uma menina saudável. Sua filha é levada para a mesa de exames e posta sob luzes de aquecimento. O pessoal médico coloca uma pomada amarela sob as pálpebras do bebê para evitar infecções oculares que podem ocorrer durante o parto.

A obstetriz Judith Coissy segura Esther Clercy logo após o seu nascimento no 
Cruo de MSF (Foto: Shiho Fukada/Panos)

No dia seguinte, Cherline é transferida para outra ala para ser monitorada. Clercy, seu marido, visita regularmente, segurando a criança com um olhar um pouco desnorteado em seu rosto. Quando a bebê chora, ele a acalma desajeitadamente, mas ela não para. Ela está com fome. Cherline a amamenta, mas sente dores nas primeiras tentativas. A enfermeira dá alguns conselhos.

Cherline e Clercy decidem chamar sua filha de Esther Clercy, e, na manhã seguinte, Cherline, Clercy e Esther vão para casa. Clercy protege sua esposa e a filha recém-nascida contra o sol com dois guarda-chuvas novos, ainda com as etiquetas. Eles sobem em um tap tap – um tipo de micro-ônibus. Está lotado, mas os passageiros se mexem para dar lugar a Cherline e Esther. Eles descem na delegacia e andam sob seu guarda-chuva até um acampamento de refugiados estruturado após o terremoto de 2010 para as pessoas que tiveram suas casas destruídas. É uma longa caminhada em uma estrada não pavimentada no calor do meio-dia. Clercy pega a bebê e anda um pouco mais a frente, ansioso para levá-la para casa: um abrigo de 15 metros quadrados com paredes e telhado de revestimento metálico. Do lado direito, está a cama, do esquerdo, uma mesa pequena. Seus bens estão em um armário. Dentro da casa é mais quente do que do lado de fora.

Cherline deita sua bebê na cama. Ela está feliz por estar em casa.

Fonte: MSF


OPOSIÇÃO DO HAITI DENUNCIA "PROJETO DITATORIAL" DO GOVERNO

Candidato à presidência Jude Celestin aperta mão de um eleitor durante caminhada
 em Porto Príncipe (Foto: Andres Martinez Casares/Reuters)

07/11/2015

Segundo colocado em eleições diz que resultados são 'farsa ridícula'.
Partido Lapeh quer impugnar resultados eleitorais diante dos tribunais

Jude Celestin, segundo colocado no primeiro turno da eleição presidencial do Haiti, de acordo com os resultados anunciados pelo Conselho Nacional Eleitoral Provisório, assegurou nesta sexta-feira (6), em coletiva de imprensa, que "não deixará passar o projeto ditatorial" do atual governo.

O candidato do partido Lapeh, ao qual é atribuído 25% dos votos, considera que os resultados são uma "farsa ridícula". "Os resultados do povo ainda não foram anunciados", declarou. O candidato do governo, Jovenel Moise, foi o mais votado no primeiro turno, com 32%.

Celestin, de 53 anos, acusou diretamente as autoridades de "implementarem uma força de repressão para esmagar o povo, para matar as pessoas, mas não poderão matar todo o povo".

O partido Lapeh quer impugnar os resultados eleitorais diante dos tribunais, como permite a lei eleitoral, e estaria em conversações com outros candidatos à presidência, sem que sejam conhecidos detalhes destas negociações.

Um dia depois do anúncio dos resultados da eleição de 25 de outubro, os protestos da oposição se multiplicaram, com manifestações e inclusive barricadas com pneus incendiados em várias ruas da capital.

Em Porto Príncipe e em Cabo Haitiano vários manifestantes teriam sido detidos na manhã desta sexta-feira, mas o porta-voz da polícia nacional, Frantz Lerebours, não confirmou a informação.

Fonte: G1


Quase 2 meses após votação, Haiti divulga primeiros resultados de eleições parlamentares

Primeiros resultados de eleição no dia 9 de agosto foram divulgados quase dois meses depois
03/10/2015

Por: Wálmaro Paz 

Demais cadeiras serão disputadas no segundo turno, que, a princípio, deverá ocorrer na mesma data da eleição presidencial: 25 de outubro.

O Conselho Eleitoral do Haiti divulgou na última segunda-feira (28/09) os primeiros resultados das eleições de 9 de agosto no país. Dois senadores e oito deputados foram considerados eleitos pelo Conselho Eleitoral Provisório, de acordo com o site Alter Presse. Essa votação ficou marcada por diversos atos de violência e tentativas de fraudes.

As demais cadeiras serão disputadas no segundo turno, que, a princípio, deverá ocorrer na mesma data da eleição presidencial: 25 de outubro.

Os dois senadores eleitos representam os departamentos de Oeste, que inclui a capital Porto Príncipe, e o de L’Artibonite Norte, grande centro de produção agrícola do país. Jean Renel e Youri Latortue, respectivamente, são os eleitos.

Os resultados das eleições legislativas do Centro e de Lanse estão suspensos porque houve fraudes em alguns centros de votação e o pleito foi anulado. Eles serão revelados após a nova votação nas circunscrições de Boucan Carre e de Savannette, prevista para 25 de outubro.

A campanha eleitoral para o dia 25 de outubro começou oficialmente no último dia 9 de setembro. No total, 128 partidos e plataformas (coligações) participam desta disputa eleitoral no Haiti, que tem 54 candidatos a presidente que foram reconhecidos somente há 60 dias.

Oito dos candidatos a presidente são de grupos evangélicos. A base de suas campanhas é a posição contrária ao “pacto” que teria sido firmado com Satanás pela República Haitiana por ocasião da Guerra de Independência, em 1804. Ela, de acordo com os candidatos, é a causa das desgraças do país, incluindo a epidemia de cólera e o terremoto de 2010.

Fonte: CEERT

Especial Haiti: Porto Príncipe de cara nova para apostar no turismo

Flor de hibisco decora paredes. Foto: Governo do Haiti

19/02/2015

Cidade em obras vive ritmos de carnaval; ONU quer habilitar autoridades a implementar planos de desenvolvimento; segurança, emprego e pobreza ainda fazem parte dos desafios no país onde a língua oficial é o francês e o crioulo.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

A conversa em português com este adolescente haitiano aconteceu logo na chegada ao Aeroporto de Porto Príncipe, ao arrancar da série de programas com o apoio da Minustah, a Missão das Nações Unidas no Haiti.

A ONU quer promover uma maior autonomia do país após as eleições legislativas e presidenciais marcadas para este ano. Em janeiro de 2016 será a vez das municipais e locais, de acordo com o anúncio das autoridades no início de fevereiro.

Principal Aeroporto

Nesta primeira parte da série de reportagens especiais da Rádio ONU, vamos conhecer mais sobre a aposta do Haiti no turismo. Logo no desembarque, do principal aeroporto, a área de chegada é um verdadeiro cartão de visitas.

Através do ritmo crioulo, a soar logo à saída do avião, um quinteto atua no prédio de cor creme equivalente ao tamanho de dois estádios de futebol.

Flor de Hibisco

Caminhando pelos corredores do aeroporto, quadros de parede com o vermelho da flor de hibisco decoram as paredes. O slogan é “Haiti – experimente-o!”. Várias peças de cerâmica, que podem chegar até a cintura, são inspiradas na flor carmesim e também enfeitam o edifício.

Fora do prédio, uma saudação cordial de taxistas identificados com crachás e vários uniformes. Tudo é parte de um plano do Ministério do Turismo para receber mais visitantes.

Os aviões ficam para trás, avistamos um carro militar branco com meia dúzia de soldados de paz perto da rua.

Aqui, a língua franca é o português. E não é só brasileiro que fala não, haitiano também. Como o adolescente que abriu o programa.

Capital de turismo. Foto: Minustah.

Mas como vive aqui o boina azul e a farda verde-oliva, a cor do uniforme militar brasileiro? O major Sobreira e os soldados Rough e Idalgo são quem explicam.

Nos carros da cidade continua o ritmo de carnaval. Dados oficiais revelam que dos 10 milhões de haitianos, dois milhões moram na capital do país. E cinco anos após o terremoto, as estradas são novas e seguem as construções de hotéis e de restaurantes. Todos preparados para se tornarem a capital de turismo das Américas durante a última semana de maio.

Nessa época, 32 governantes estarão na reunião da Comissão da Organização Mundial do Turismo, OMT, para o evento.

De viagens e de negócios entende o empreendedor de sucesso Pierre Leger. Haitiano e agrónomo, investe na área de óleos essenciais e fragrâncias. Faz negócios em África, mas vende especialmente nos Estados Unidos. Para ele, o seu país tem um grande potencial mesmo que 60% dos haitianos ainda vivam abaixo da linha da pobreza.

Apoio ao Haiti

Para Leger, o Haiti é um país “muito rico e próximo do mercado americano, que é o maior consumidor do mundo ocidental.” Mas ao lembrar-se da realidade dos pobres sublinha que “algo está errado.”

O potencial turístico num momento em que os haitianos se preparam para acolher a reunião regional, foi realçado pelo coordenador do Programa do Banco Mundial de Apoio ao Haiti.

O burundês Jean Pierre  Komana  falou de atributos e oportunidades a serem aproveitados pelos haitianos. Ao anunciar a injeção de US$ 50 milhões pela sua instituição, sublinhou que esta seria mais uma saída para financiar os planos da ilha caribenha.

Emprego é um dos vários desafios.Foto: Minustah.

Distância

O representante do Banco Mundial afirmou que pessoas são o maior ativo haitiano, sendo que o segundo é a natureza e o grande potencial do turismo. Ao lembrar que o Haiti está perto dos Estados Unidos, segundo ele, "o melhor mercado do mundo", disse que a diferença com o mercado turístico africano está nos altos custos de transporte devido à sua distância.

Mas mesmo assim, dezenas de jovens haitianos continuam à procura de um emprego em várias esquinas de Porto Príncipe. São vários grupos que pedem para limpar carros ou vendem produtos. Estão na estatística de desemprego formal, cuja taxa no país chega a 40,6%.

E o emprego é um dos vários desafios de desenvolvimento que a comunidade internacional tem priorizado na sua tentativa de ajudar o governo haitiano. A informação é do vice-representante do secretário-geral da ONU no Haiti.

Liderança

Peter de Clercq, contou que o sistema da Nações Unidas tenta acompanhar o governo colocando-o na liderança e dando apoio para implementar os seus próprios planos. Antes, isso era feito por organizações internacionais mas agora “as autoridades devem lidar com as próprias questões.”

Um outro desafio é a criminalidade urbana. Porto Príncipe é famosa por gangues, vários delitos e uma polícia que ainda se consolida. O país mais pobre do hemisfério ocidental sofre ainda as sequelas do terramoto de 2010.

Táxis Tap Tap

Com o cair da noite, as estradas de Porto Príncipe começam a esvaziar-se. Nas ruas que cruzam as várias montanhas, motos e cores alegres das carrinhas pickup chamadas tap tap , servem como táxis.
E o tema do Carnaval decora essa paisagem com máscaras coloridas e luzes de festa. E o som do ritmo kompa nas viaturas dos haitianos continua ecoando e se mesclam com a tradicional salsa caribenha, a marca registada do cubano Alexis Velásquez, do grupo Melão Cubano, um dos mais preferidos de caribenhos e estrangeiros para bailar.

Cara nova para visitantes. Foto: Minustah.

Em espanhol, o músico conta que é um dos que esperam muito de uma mudança radical no turismo haitiano para que todos possam ganhar.

E a receita parece estar a dar certo, segundo a OMT, houve um aumento substancial de chegadas de turistas ao Haiti em 2013. Foram cerca de 32%. Aproveitando a sua nova fase após cinco anos do terramoto, o Haiti se prepara para abrir suas portas aos visitantes de todo o mundo.

*Série produzida com o apoio da Missão Integrada das Nações Unidas no Haiti, Minustah.

Fonte: Rádio ONU

Haiti: seis pessoas ficam feridas em ato contra alta de combustíveis



06/02/2015

Seis estudantes ficaram feridos na capital haitiana, Porto Príncipe, nesta quinta-feira, durante violentos confrontos com a polícia, que usou gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersar centenas de manifestantes.

Esse foi o segundo protesto na capital, esta semana, para reivindicar a redução no preço dos combustíveis.

Recentemente, o governo anunciou uma redução de 30 centavos no preço do galão de nafta (3,8 litros), vendido a US$ 4. Os manifestantes alegam que o corte no valor é insuficiente, considerando-se a queda do preço do petróleo no mercado internacional.

No centro de Porto Príncipe, os manifestantes jogaram pedras nos policiais, que se aproximaram do prédio da Faculdade de Direito, situada a alguns metros do Palácio presidencial.

"A polícia atirou, e houve pessoas feridas. A polícia lançou bombas de gás dentro da Faculdade. Denunciamos o comportamento policial que nos impediu de exercer nosso direito de nos manifestarmos", contou um estudante.

Outras centenas de pessoas também marcharam pelas ruas da capital, onde dois carros foram incendiados, e outros sofreram danos.

Em um protesto similar na última segunda-feira, 2 de fevereiro, três pessoas ficaram feridas.



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