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HAITI: ONU ALERTA SOBRE AGRAVAMENTO DA VIOLÊNCIA DE GANGUES EM PORTO PRÍNCIPE

Violência força pelo menos 2,5 mil haitianos a fugir
(UNDP Haiti/Borja Lopetegui Gonzalez)

16/07/2022

Área mais atingida pelos combates é o bairro Cité Soleil, nos redores da capital; entre janeiro e final de junho, foram registrados 934 assassinatos, 684 feridos e 680 sequestros em toda a capital; situação agrava sofrimento e pelo menos 2,5 mil pessoas foram forçadas a fugir.

O Escritório de Direitos Humanos da ONU está profundamente preocupado com o agravamento da violência dentro e ao redor da capital haitiana Porto Príncipe e com o aumento dos abusos das gangues fortemente armadas contra comunidades locais vulneráveis.

A coordenadora humanitária da ONU no país, Ulrika Richardson, afirmou que as pessoas estão sofrendo na região. No entanto, a insegurança está impedindo as agências humanitárias de entrarem na área.

Com fechamento de escolas no Haiti, crianças ficam na mira de
gangues armadas (UNDP Haiti/Borja Lopetegui Gonzalez)

Aumento na violência

Ela destaca que a ONU está pronta para prestar assistência a crianças, mulheres e homens afetados pelo fogo cruzado da violência dos grupos armados assim que os parceiros humanitários puderem ter acesso seguro às zonas afetadas.

O recente aumento nos combates entre gangues rivais no bairro de Cité Soleil, na capital, levou à morte de 99 pessoas, com 135 feridos, segundo dados divulgados pelo Ocha no Haiti.

Com a escalada de violência, na sexta-feira, o Conselho de Segurança aprovou a prolongação do mandato do Escritório Integrado da ONU no Haiti, Binuh, até 15 de julho de 2023.

De acordo com o porta-voz do Escritório de Direitos Humanos, Jeremy Laurence, a renovação “fortalecerá a resposta internacional coletiva à crise de direitos humanos que se desenrola no país, bem como facilitará a entrega de ajuda humanitária”.

Ele pediu às autoridades do Haiti a garantia de que os direitos fundamentais sejam protegidos e “colocados na frente e no centro de suas respostas à crise”. 

Para o porta-voz, a luta contra a impunidade e a violência sexual, juntamente com o fortalecimento do monitoramento e denúncia de atos contra os direitos humanos deve continuar sendo uma prioridade.

Vítimas civis

Segundo dados da agência da ONU, entre janeiro e final de junho, foram registrados 934 assassinatos, 684 feridos e 680 sequestros em toda a capital. Durante um período de cinco dias, de 8 a 12 de julho, pelo menos mais 234 pessoas foram mortas ou feridas em violência relacionada a gangues na área de Cité Soleil.

Jeremy Laurance afirma que a maioria das vítimas não estava diretamente envolvida em gangues e foi alvo direto de elementos de gangues. Também foram recebidas novas denúncias de violência sexual.

O Haiti enfrenta uma combinação de crises política, social e humanitária
(Foto: © UNICEF/Georges Harry Rouzier)

Desabastecimento

Segundo relatos, algumas gangues estão recorrendo a táticas extremas para controlar os habitantes locais, como negar acesso a água potável e comida. A avaliação das agências da ONU é que isso resultou na piora da desnutrição na região.

A violência também agravou a escassez de combustível, já que o principal depósito de combustível está localizado em Cité Soleil, e os custos de transporte aumentaram acentuadamente.

De acordo com o Escritório de Direitos Humanos, a situação socioeconômica e o impasse político desencadearam protestos nas ruas. A insegurança deixou muitos moradores impedidos de saírem de casas e levou empresas a fecharem.

Sofrimento diário

De acordo com um relatório divulgado pelo Ocha, em menos de uma semana, pelo menos 2,5 mil pessoas foram forçadas a fugir de suas casas por causa dos combates. Vinte pessoas foram dadas como desaparecidas. 

A agência afirma que com a continuação dos combates, mais pessoas sofrerão e serão forçadas a fugir diariamente, muitas vezes arriscando suas vidas.

Cité Soleil, com uma população de cerca de 300 mil habitantes, é um dos bairros mais pobres da capital haitiana, onde as gangues ganharam mais influência nos últimos anos.

O Ocha afirma que “uma grande proporção da população está presa em Cité Soleil enquanto as gangues tentam exercer sua influência”, acrescentando que “as pessoas em algumas áreas não têm acesso a comida ou água desde 8 de julho”. 

Com a situação, uma criança em cada cinco já sofre de desnutrição grave “uma taxa bem acima dos limites de emergência”.

Fonte: ONU News 

Luciano Huck visita comunidades no Haiti



05/06/2016

Na última quinta (2) e sexta (3), Luciano Huck postou fotos do Haiti em seu Instagram, ao lado de crianças e de paisagens do local. “Vim para ver e tentar entender o que o Brasil está fazendo aqui”, escreveu ele em texto pra o Jornal O Globo.

Na matéria, ele conta que já passou por favelas de todo o Brasil, porém nunca viu o nível de pobreza e precariedade que vê na comunidade de Cité Soleil: “Depois de tudo o que vi hoje, em Cité Soleil, uma favela com mais de 300 mil habitantes à beira do maravilhoso mar turquesa do Caribe, acho que definitivamente a Humanidade não deu certo. Falhamos.”, escreve.



Ele também conta ao jornal que em meio ao caos do local se sentiu orgulhoso ao ver um grupo de 856 cidadãos brasileiros que se voluntariam para trabalhar ali.

Em uma das fotos do Instagram, Huck diz: “Hoje meu dia foi muito especial. Tive o privilégio de entender de perto um pouco mais sobre o Haiti. Dá vontade de ficar por aqui para tentar ajudar esta gente toda. Nunca vi miséria assim. Ao mesmo tempo um povo super carinhoso e cheio de sorrisos. Parabéns ao Exército Brasileiro pelo belíssimo trabalho que faz por aqui junto a Força de Paz da ONU. Me senti muito honrado em usar este capacete azul das Nações Unidas”.



Não deve demorar muito para descobrirmos o que ele foi gravar: ele  diz que produziu mais de 12 horas de material jornalístico que, em breve, deve passar na televisão.

Fonte: Veja SP

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