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GUTERRES LIDERA TRIBUTO DAS NAÇÕES UNIDAS ÀS VÍTIMAS DO TERREMOTO DE 2010 NO HAITIBR


17/01/2020

Cerimônia reuniu funcionários da ONU em Nova Iorque; tremor de 7 graus na escala Richter matou mais de 222 mil pessoas incluindo 102 funcionários das Nações Unidas; lista de boinas-azuis, mortos no sismo, inclui 20 brasileiros que serviam na Missão da ONU, Minustah.

Na abertura da cerimônia em memória das vítimas do terremoto do Haiti, ocorrido há 10 anos, o secretário-geral da ONU lembrou as mais de 222 mil pessoas que perderam suas vidas.  António Guterres prestou solidariedade aos milhares de haitianos que “continuam a sofrer os impactos da tragédia”. 

O tributo reuniu funcionários da organização, embaixadores dos países que apoiavam a Missão da ONU no Haiti, Minustah, que perdeu 102 funcionários, e outros participantes.
   
 Construção do monumento produzido pelo escultor Davide Dormino, com materiais dos escombros 

do Hotel Christopher, sede da Missão da ONU no país na época do terremoto. Foto: ONU/Mark Garten
 Confiança

O chefe da ONU lembrou que “o terremoto ocorreu, quando muitos haitianos estavam começando um novo ano com um senso de otimismo renovado e confiança no futuro de seu país.” Ele acrescentou que “em alguns segundos, essas esperanças se transformaram em pó.”

Em 12 de janeiro de 2010, um tremor de 7 graus de magnitude, deitou por terra o Hotel Christopher, sede da ONU no país caribenho.

Dentre os funcionários da ONU mortos no terremoto estava o vice-chefe da Missão, o brasileiro Luiz Carlos da Costa. Ao todo, 20 brasileiros perderam a vida.

Em seu discurso descreveu como “cidades foram destruídas, centenas de milhares de pessoas foram mortas e milhões de vidas mudadas para sempre.” Ele disse que nunca esquecerá “o choque e a tristeza em todo o mundo e nas Nações Unidas quando a escala da tragédia se tornou clara.”
Operação Humanitária

Nesta sexta-feira, Guterres destacou como “uma operação humanitária sem precedentes salvou vidas nos primeiros dias e semanas, à medida que organizações de ajuda internacional trabalhavam com haitianos e parceiros locais.” Guterres também citou que “o terremoto criou sérias novas ameaças à segurança, à estabilidade e à prosperidade do Haiti” e que a recuperação das muitas feridas físicas, emocionais, sociais e financeiras “desafiaria qualquer nação”.

Segundo ele, “após um dos dias mais sombrios de sua história, o Haiti recorreu à coragem e determinação de seu povo e à assistência de muitos amigos.” Entre os muitos desafios, Guterres disse que “as Nações Unidas lamentam profundamente a perda de vidas e o sofrimento causados ​​pela epidemia de cólera” e citou o “progresso significativo que foi feito para eliminar a doença.”

O secretário-geral adicionou que a ONU está comprometida “com a resolução de casos pendentes de exploração e abuso sexuais.” Para ele, atualmente, “a insegurança e o lento crescimento econômico estão contribuindo para o aumento das tensões sociais e a deterioração da situação humanitária.”

Guterres fez um apelo para que os haitianos “resolvam suas diferenças através do diálogo e resistam a qualquer escalada que possa reverter os ganhos da década passada.” Ele reiterou que “o Escritório Integrado das Nações Unidas no Haiti e as 19 agências, fundos e programas no país continuarão a trabalhar em parceria com o povo haitiano em seu caminho para a recuperação e a prosperidade.”

A capital do Haiti, Porto Príncipe, danificada pelo terremoto de janeiro de 2010. ONU/Marco Dormino
Monumento

Antes da cerimônia, o secretário-geral da ONU, António Guterres, inaugurou o monumento, em inglês “A Breath” em memória dos que perderam a vida no terremoto, localizado nos jardins da ONU.

O monumento veio do Haiti e foi produzido pelo escultor Davide Dormino, com materiais dos escombros do Hotel Christopher, sede da Missão da ONU no país na época.

Em 12 de janeiro de 2010, um tremor de 7 graus de magnitude, matou mais de 222 mil 

pessoas incluindo 102 trabalhadores da ONU. Minustah/Marco Dormino
 Resiliência

Segundo o secretário-geral António Guterres, na última década, “o Haiti se valeu da resiliência do seu povo e do apoio de muitos amigos para vencer este desastre.”

Ele afirmou que o Haiti “está se esforçando para atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, incluindo o reforço das instituições tão cruciais para o bem-estar e para a prosperidade do seu povo.”  

O secretário-geral aproveitou a data para renovar “o compromisso das Nações Unidas em ajudar o Haiti e o seu povo na construção de um futuro melhor.” Ele expressou seus sentimentos a todos que perderam familiares, amigos e entes queridos no terremoto, há 10 anos. 

Fonte: ONU News


HAITI RELEMBRA TRÊS ANOS DO PIOR TERREMOTO DE SUA HISTÓRIA RECENTE

Terremoto defastou o país caribenho causando uma diáspora de haitianos pelo 
continente, inclusive em Manaus.

12/07/2019

A reconstrução do país tem sido prejudicada por outros desastres naturais, como secas, enchentes e furacões, e pela dificuldade do governo para coordenar recursos públicos.

Renata Giraldi/Agência Brasil  

País mais pobre das Américas, o Haiti relembra neste sábado (12) três anos do pior terremoto da sua história recente. Em 12 de janeiro de 2010, um terremoto de 7,3 graus na escala Richter e duas réplicas de menor magnitude, atingiram o país, gerando comoção mundial e reações por parte de organizações estrangeiras, de entidades civis e da comunidade internacional. Em decorrência do terremoto cerca de 220 mil pessoas morreram e 1,5 milhão ficaram desabrigadas no Haiti.

Mas até hoje há cerca de 360 mil pessoas abrigadas em alojamentos improvisados e em busca de alternativas no exterior, como no Brasil e na República Dominicana. No terremoto morreram a médica Zilda Arns, fundadora da Pastoral da Criança, e 18 militares brasileiros.

O país foi destruído, prédios públicos, hospitais, escolas e casas vieram abaixo. O Brasil passou a ser um dos principais colaboradores do Haiti no processo de reconstrução e capacitação profissional. A reorganização do Haiti ainda está em andamento e conta com o apoio de uma ação coordenada pelos Estados Unidos e pela comunidade internacional.

Poucos dias depois do terremoto, um ciclone extratropical provocou enchentes no país.

Especialistas que acompanham o assunto informam que a prioridade no Haiti é o fortalecimento institucional a partir da formação de pessoal específico para as áreas de energia, combustíveis fósseis e no setor social, como saúde e educação.

O Brasil é o maior fornecedor de tropas para a Missão de Paz das Nações Unidas (Minustah), que está no Haiti desde 2004. As tropas têm o objetivo de garantir a estabilidade e segurança do país. Os militares brasileiros trabalham também no desenvolvimento urbano com projetos de engenharia, como pavimentação de ruas e iluminação pública, e projetos sociais.

O governo brasileiro também investe em projetos de cooperação técnica, especialmente na área de saúde, com a construção de três hospitais, dois laboratórios regionais, um centro de reabilitação, além da formação profissional de 2 mil agentes de saúde, no valor de US$ 70 milhões. Na área da energia, será doado um total de US$ 40 milhões para a construção de uma usina hidroelétrica que fornecerá eletricidade para mais de 1 milhão de famílias.

A Embaixada do Brasil no Haiti informou à Agência Brasil que esses valores são os maiores da cooperação brasileira no mundo. Paralelamente, autoridades do Brasil e do Haiti negociaram a ampliação do número de vistos concedidos para haitianos que queriam trabalhar em território brasileiro, sem exigência de emprego prévio.

Em Porto Príncipe, a capital haitiana, há um Centro Cultural Brasil-Haiti com aulas de português, divulgação da cultura brasileira e apoio à cultura haitiana. Ao longo de 2013 deverão ser enviados para o Brasil 16 policiais haitianos que serão treinados no Brasil e repassarão o que aprenderem para o restante da corporação.

O embaixador do Brasil no Haiti, José Luiz Machado e Costa, disse à Agência Brasil que a solidariedade é fundamental para o processo de reconstrução do Haiti, que é um dos países mais pobres do mundo - e o mais pobre das Américas. “No caso do Brasil, a solidariedade é um dos pilares da nossa relação com o Haiti”, ressaltou.

Fonte: A Crítica

Após 7 anos, Haiti ainda tenta se recuperar de terremoto

Porto Principe (Haiti) - Monumento inaugurado em 12 de janeiro de 2011, 
um ano após o terremoto, em homenagem aos militares mortos
Marcello Casal Jr./Agência Brasil

16/01/2017 

Mesmo após sete anos da tragédia, o Haiti ainda enfrenta inúmeros problemas causados pelo terremoto que devastou o país em 12 de janeiro de 2010. Milhares de pessoas ainda estão desabrigadas, vivendo em condições precárias e enfrentando surtos de doenças.

Após o sismo de 7 graus na escala Richter registrado às 16h53 do dia 12, ao menos 230 mil pessoas morreram, outras 300 mil ficaram feridas e mais de 1,5 milhão de haitianos perderam suas casas. Desde a capital, Porto Príncipe, até em cidades menores, houve devastação em larga escala. As informações são da agência de notícias Ansa.

Diversas instituições e governos anunciaram que enviariam diversos tipos de ajuda que, mesmo constantes, não foram suficientes para dar condições dignas de vida a todos aqueles que foram afetados pelo tremor.

Uma das instituições que ajuda o povo haitiano há sete anos é a Caritas Italia, entidade gerida pela Igreja Católica, e que divulgou um relatório sobre a pobreza no mundo que tem como foco o Haiti.

Segundo a instituição, "até agora foram financiados 250 projetos de solidariedade, num montante de quase 24 milhões de euros e em diversos âmbitos".
   
Além de tentar se recuperar do terremoto de 2010, o Haiti enfrentou outra catástrofe climática em 2016. Em outubro, a passagem do furacão Matthew matou mais de mil pessoas e afetou mais de dois milhões, segundo dados das Nações Unidas.

Cinco anos depois do terremoto que destruiu o Haiti, ONU continua apoiando reconstrução do país

12/01/2015

No aniversário do terremoto, dia 12 de janeiro, haitianos e funcionários da missão da ONU no país falam sobre os avanços e desafios nacionais. Apesar do progresso evidente, em Porto Príncipe os vestígios da catástrofe continuam presentes. Atravessando um impasse político, país poderá vivenciar em 2015 a redução da força de paz da ONU.


Crianças haitianas no campo de deslocados internos ‘En Face a la Catedral’ à espera do momento de voltar a viver em uma residência. Foto: UNIC Rio/Natália da Luz. Clique acima para assistir à reportagem especial em vídeo.

De Porto Príncipe. A reconstrução de um país após um desastre natural é um processo incansável e os resultados nem sempre são tão visíveis. Cinco anos depois do terremoto que abalou o Haiti, civis, militares e a ajuda internacional se esforçam para reerguer o país mais pobre do continente americano.

Em apenas 35 segundos, uma nação inteira veio abaixo. Mais de 300 mil prédios ruíram, incluindo quase todas as instituições de governo e a sede das Nações Unidas. O terremoto de 7.2 de magnitude, que deixou mais de 200 mil mortos, foi o pior já registrado nas Américas.

Entre as vítimas estavam 102 funcionários civis e militares da ONU, inclusive o vice-representante especial do secretário-geral da ONU, o brasileiro Luiz Carlos da Costa.

O policial Ricardo Couto, que participa novamente da Missão de Paz, estava no Haiti em 12 de janeiro de 2010. Além de sobrevivente, ele foi um dos milhares de brasileiros que ajudaram no resgate.

O policial Ricardo Couto, em sua primeira missão no Haiti, ajudou a resgatar os 
funcionários da ONU presos pelos escombros da sede da Organização em Porto 
Príncipe, Haiti. Foto: ONU

“Depois que recebemos o alerta, imediatamente começamos o resgate. Os próprios haitianos viram que teriam que se ajudar naquele momento. Nós não tínhamos a força humana para ajudar naquele tipo de resgate. Vimos a força de vontade deles. Esse evento foi de extrema importância para unir o povo haitiano”, contou em entrevista exclusiva ao Centro de Informação da ONU para o Brasil (UNIC Rio) o pernambucano que soma duas participações na Missão de Paz da ONU.

Diáspora haitiana

Ludger Jean Louis veio para o Brasil logo depois do terremoto. Seu irmão e primo 
também vieram estudar no Rio depois do desastre. Foto: UNIC Rio/Mariana Nissen


Com cerca de 10 milhões de habitantes, o Haiti é uma terra marcada pela diáspora. Estima-se que mais de 2 milhões de haitianos tenham deixado o país por causa das turbulências políticas, melhores ofertas de trabalho ou condições de vida. Após o terremoto, não foi diferente. Milhares de haitianos cruzaram fronteiras para recomeçar suas vidas em outros países, inclusive o Brasil. Pelo menos 30 mil deles chegaram ao território nacional desde 2010 levando memórias de um dia que mudou a história da nação caribenha.

Ludger Jean Louis pegou o primeiro voo para o Brasil logo depois do terremoto. Estudante da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o haitiano é mediador de uma comunidade de conterrâneos que escolheram o Rio como lar para recomeçar.

“Aqui na cidade há muitos haitianos que, assim como eu, chegaram por causa do terremoto. Estamos sempre juntos porque falamos em créole (língua nacional) e o lema da nossa bandeira é a união faz a força”, disse ao UNIC Rio o haitiano que vive com o irmão e o primo.

Dez anos de Missão de Paz no Haiti

Criada em 2004 para trazer estabilidade ao Haiti depois que o presidente Jean-Bertrand Aristide foi deposto, o componente militar da Missão da ONU de Estabilização no Haiti (MINUSTAH) conta com a liderança do Brasil que colabora com 1.200 soldados, o maior contingente da Missão. Desde a tragédia de 12 de janeiro de 2010, o mandato do braço militar da Missão passou por muitas transformações.

“Podemos caracterizar a presença da MINUSTAH durante estes 10 anos em três etapas gerais: [a primeira é] a implantação da missão, com uma postura mais enfática para restabelecer a segurança. Com a conquista desse cenário, já se pensava em uma diminuição de tropa, mas nos deparamos com um terremoto, e entramos na segunda fase, de apoio humanitário e reconstrução do país. Entre o período de 2013 e 2016, entrará em vigor um novo plano de consolidação para o país. Hoje a postura das tropas da ONU é muito mais de apoio às instituições nacionais para manter a segurança”, disse o comandante da força de paz, o brasileiro José Luiz Jaborandy Júnior.

Este ano será decisivo para o futuro da Missão no país. O Conselho de Segurança da ONU já aprovou a redução das tropas e o número de civis que trabalham na MINUSTAH também está sendo reduzido progressivamente. Resta saber quando será o melhor momento para aplicar esse acordo.

O governo haitiano, UNOPS e UNDP lançaram o projeto 16/6 com o objetivo de possibilitar àqueles que viviam em seis campos de deslocados poderem voltar para 16 bairros.  A iniciativa inovadora aposta pela densificação das moradias no Haiti, ensinando a população local que eles também podem ser proprietários apesar da residência não ocupar diretamente o solo.  Para apresentar esse novo conceito, líderes comunitários foram utilizados e  a construção das unidades residenciais utilizou pessoas dos próprios bairros, criando oportunidades de trabalho. Foto: UNIC Rio/Mariana Nissen


O governo haitiano, UNOPS e PNUD lançaram o projeto 16/6 para que aqueles que viviam em seis campos de deslocados poderem voltar para 16 bairros. A iniciativa inovadora aposta na densificação das moradias no Haiti, ensinando aos haitianos que também podem ser proprietários, apesar da residência não ocupar diretamente o solo. Para apresentar esse novo conceito, líderes comunitários foram utilizados e a construção das unidades residenciais empregou pessoas dos próprios bairros, criando oportunidades de trabalho. Foto: UNIC Rio/Mariana Nissen

O país atravessa um período de impasse político. A partir de hoje, 12 de janeiro de 2015, a Câmara de Deputados encerra suas funções. Vinte dos 30 senadores eleitos ficarão sem mandato. Diante desse cenário, a MINUSTAH e agências da ONU terão um papel fundamental na organização das eleições seguras.

“A resolução da ONU já definiu que haverá uma redução das tropas de 5 mil para 2.370 homens e mulheres. Estamos analisando a conjuntura nacional para que, em março de 2015, o Conselho de Segurança possa realizar uma revisão da última resolução e assim decidir se começará a implementar ou não essa diminuição de tropas”, declarou o comandante.

Reconstruindo o Haiti

Já quase não há campos de deslocados em Porto Príncipe. Mais de 1,4 milhão de pessoas deixaram os acampamentos improvisados ao longo desses cinco anos. No entanto, ainda existem cerca de 80 mil deslocados em todo o país que hoje conta com cerca de 80% da população vivendo na pobreza. O desemprego atinge cerca de 30% dos haitianos, apesar do envolvimento da população em muitos projetos que geram centenas de milhares postos de trabalho relacionados à reconstrução do país.

“Esse é um bom projeto. Antes as pessoas viviam a céu aberto. E isso é uma transformação para o desenvolvimento sustentável”, disse a haitiana Elise Saint Paul, contratada para o projeto 16/6, uma iniciativa do governo haitiano, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e do Escritório da ONU para Serviços de Projetos (UNOPS). A iniciativa revitaliza áreas afetadas pelo terremoto e gerou mais de 4 mil postos de trabalho.

Novas escolas, novos hospitais, novas estradas foram construídas, mas é preciso muito mais para revigorar o Haiti.

No país desde 2004, primeiro ano da Missão de Paz, o chefe da Missão da ONU para Assuntos Civis, Heiner Rosendahl, é um dos sobreviventes do terremoto que optaram por não deixar o país e trabalhar para sua reconstrução.

“Embora todos os ministros tenham sobrevivido, toda a infraestrutura do país desapareceu”, lembrou Rosendahl. “Uma reconstrução é muito mais lenta do que as pessoas esperam. Não podemos reconstruir os ministérios como eles eram antes. Isso requer planejamento, que demora anos e anos para ser conseguido, em qualquer país em condições normais.”




Fonte: ONUBR


Terremoto no Haiti, 4 anos depois: ONU capacita jovens de áreas vulneráveis para diversas profissões

Aula de encanamento patrocinada pela ONU para jovens de áreas 
vulneráveis do Haiti. Foto: MINUSTAH/Nektarios Markogiannis

10/01/2014

Quatro anos após o terremoto que atingiu o Haiti e mergulhou o país em uma crise humanitária ainda mais profunda, as Nações Unidas continuam trabalhando no país em diversas frentes. Para ajudar na redução da violência, por exemplo, a Organização financia projetos de formação profissional para jovens de áreas vulneráveis.

Selecionados por líderes comunitários e ONGs parceiras, como a brasileira Viva Rio, mais de 2 mil haitianos já se formaram nas áreas de alvenaria, encanamento sanitário e eletricidade. Todos recebem uma refeição quente por dia e têm as despesas de transporte pagas.

Cada turma financiada pela Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (MINUSTAH) no Centro de Formação Profissional da Reforma, na capital, Porto Príncipe, tem cem alunos. Na atual, 14 são mulheres.

Para Yveta Charles, de 22 anos, “encanamento não é difícil, é uma questão de instalação adequada, assegurando a drenagem e a instalação de tubos”, explica. Moradora de Cité Soleil, ela conta que os vizinhos ficaram surpresos ao ver seu trabalho. “Algumas pessoas zombaram, outras me incentivaram dizendo que elas confiam muito em mim e prometeram entrar em contato comigo se encontrarem alguma oportunidade [de trabalho].”

“No começo eu tinha dúvidas sobre a minha escolha”, lembra Julienne Fontilus, de 24, que tem um filho. “Mas, com o tempo, me adaptei e agora eu sou uma eletricista.”

Os jovens aprendizes são submetidos a dois exames, um no Centro de Formação e outro no Instituto Nacional de Treinamento Vocacional. Em média, 80% são aprovados na avaliação estatal. Os 50 melhores alunos fazem estágio de seis meses em empresas selecionadas para, então, partirem para o mercado de trabalho. Os demais são encaminhados a outros projetos.

O Haiti foi atingido por um terremoto de 7,3 graus na escala Richter em 12 de janeiro de 2010. Estima-se que 220 mil pessoas morreram, incluindo 102 funcionários das Nações Unidas – a maior perda já registrada em missão. Dentre as 21 vítimas brasileiras, o vice-representante especial do secretário-geral da ONU, Luiz Carlos da Costa. O tremor também provocou o deslocamento de cerca de 1,5 milhão de pessoas. Para saber mais sobre as atividades dos trabalhadores das forças de paz, clique aqui.

Fonte: ONU

Quatro anos após terremoto, milhares de haitianos seguem vivendo em condições precárias

19/12/2013

Quase quatro anos após o terremoto que devastou o Haiti, Darline Saint Luc, de 13 anos, é uma das centenas de milhares de pessoas que ainda estão sem teto. Ela e a família sobrevivem em uma barraca cheia de goteiras e infestada de ratos feita com sacos velhos dos grãos da USAID, e ela afirma que às vezes passa dias sem comer.

Já faz meses que Darline comeu um pedaço de carne, e ela diz que não lembra bem que sabor tem os ovos. O seu pai morreu este ano, e ela teve de sair da escola porque não tinha condições de pagar os 200 dólares necessários para o uniforme escolar, calçados, livros e suprimentos.

No entanto, desde dezembro, Darline voltou a estudar por causa de uma haitiana que transformou uma câmara de tortura em escola – apoiada por alunos do ensino médio de Los Altos, na Califórnia, que arrecadaram o dinheiro para isso. Leia mais.

Retrato do Haiti após as tragédias


Livro publicado nos EUA trata em profundidade catástrofes naturais e políticas de um país onde a diplomacia brasileira exerce papel destacado

Por Mauricio Santoro, no Todos os Fogos o Fogo

Este excelente livro de Paul Farmer faz um balanço da sequência de catástrofes humanitárias que assolaram o Haiti nos últimos 5 anos – furacões, tempestades tropicais, epidemia de cólera e um grande terromoto que talvez tenham matado 200 mil pessoas – e discute as falhas nas políticas de saúde pública, (re)construção da infraestrutura e geração de emprego, em meio a desdobramentos positivos na segurança e na estabilização política. É um debate que interessa muito ao Brasil, pela liderança que o país exerce desde 2004 na missão de paz da ONU no país.

Farmer é médico, professor de Harvard, e engajado em organizações de ajuda internacional, co-fundador da iniciativa Partners for Health, que tem exercido tarefas importantes em saúde pública em países como Haiti, Ruanda e Rússia. Seu parceiro na empreitada foi outro médico, Jim Kim, nomeado há poucas semanas presidente do Banco Mundial. Farmer também ocupou cargos em instituições globais, servindo como vice de Bill Clinton quando este foi representante especial da ONU para o Haiti. Conhecer suas perspectivas é importante para entender esse novo enfoque que liga medicina e políticas para o desenvolvimento.

A presença de Farmer no Haiti tem várias décadas e vem de uma razão familiar – ele é casado com uma haitiana. Juntos com profissionais de vários países eles criaram hospitais e clínicas no país, apoiaram instituições haitianas e fizeram parcerias com outras, no exterior. Em seu livro, ele narra a melhora da situação após a instalação da missão de paz e elogia a atuação dos militares e diplomatas brasileiros, cumprimentando-os por sua dedicação, capacidade de diálogo, e de improvisação diante das dificuldades burocráticas. Também há muitas referências positivas aos esforços de profissionais dos Estados Unidos, Canadá, Cuba e, claro, dos próprios haitianos.

O terremoto de janeiro de 2010 encerrou esse período de melhora. O Haiti é um dos países mais densamente povoados do mundo e a maioria das habitações é muito precária. O impacto do tremor foi devastador. A capital, Porto Príncipe, ficou destruída, assim como a maioria dos prédios públicos, incluindo o Palácio Presidencial – o governo passou a funcionar numa delegacia. Farmer relata os desafios assustadores das equipes de saúde: lidar com centenas de milhares de feridos em condições muito, muito precárias de infraestrutura, segurança e em meio a traumas emocionais. Muitos haviam perdido amigos e parentes, outros estavam machucados.


Devido à falta de moradia, os desabrigados tiveram que ser instalados em tendas, em campos improvisados que deveriam ser temporários. A maioria continua até hoje. Condições de saúde e higiene são ruins, e a insegurança é enorme, em particular com relação a mulheres, vítimas de violência sexual. As promessas de ajuda internacional para reconstruir o país não foram cumpridas, a maior parte do dinheiro nunca chegou e grandes parcelas foram para pagar os salários da burocracia humanitária. Contudo, o apoio externo foi crucial: a chegada de profissionais estrangeiros, de um navio-hospital da Marinha dos EUA, e a ida de pacientes haitianos para a América do Norte, para serem tratados por lá.

Farmer defende posições que já ouvi de diplomatas brasileiros – a de que um estratégia de desenvolvimento bem-sucedida parao Haiti deveria priorizar o fortalecimento do Estado, a única instituição capaz de executar projetos em todo o país. Ele chama a atenção para a necessidade de reflorestar o país, de modo a permitir a retomada de uma agricultura produtiva, e frisa o tamanho da precariedade da infraestrutura, em particular das habitações e das estradas. Há um excelente capítulo no qual Farmer compara o Haiti com Ruanda, cuja liderança política pós-genocídio foi muito bem-sucedida nas tarefas de reconstrução e crescimento.

O médico elogia bastante a capacidade da população haitiana em sobreviver às múltiplas catástrofes – naturais e políticas que abalaram o país. Dá o que pensar diante da política migratória brasileira, de restringir vistos para haitianos que queiram vir para cá.


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Haiti: “modelo” de desagregação de um país

Foto: Divulgação/IPCO


Quem se dispuser a ler as notícias sobre o primeiro aniversário do terremoto ocorrido no Haiti pode ser tentado a cair em depressão. Elas descrevem uma verdadeira catarata de desastres.

Valdis Grinsteins

No devastador terremoto do Haiti, os mortos — que inicialmente somavam 220 mil — subiram para “mais de 316.000 pessoas, segundo o último balanço tornado público pelo primeiro-ministro Jean-Max Bellerive. Os feridos ascenderam a 350.000 e mais de 1,5 milhão de pessoas ficaram sem teto”.(1) “No tempo que se emprega para mudar a luz de um semáforo caíram 40% das casas, o parlamento, o palácio presidencial, sete ministérios, a grande maioria das escolas, vários hospitais, a catedral, a penitenciária e a sede da ONU”.(2) “Cerca de 60% dos escritórios do governo, inclusive o palácio presidencial, veio abaixo com o terremoto”.(3) Leia mais…


Instituto Plinio Corrêa de Oliveira

Mapas online mostram potencial para otimizar resgates

The New York Times - 07/04/2011

No Japão, equipes de emergência foram ajudadas por mapas criados por usuários de serviços na rede com imagens sobre situação atual

Os mapas digitais montados por redes de voluntários têm se tornado poderosos instrumentos de trabalho para a ajuda humanitária nos últimos anos.

No Japão, após o terremoto seguido de tsunami no dia 11 de março, mapas criados pela multidão de usuários de serviços online ajudaram a dar a equipes de resgate locais uma imagem mais clara da situação nos pontos atingidos, assim como definir prioridades para a distribuição de alimentos, abrigo e serviços de saneamento.

Os mapas digitais também estão sendo usados para acompanhar os combates na Líbia e as necessidades dos refugiados que fogem do conflito.

Foto: The New York Times


Cidade de Kamaishi, no Japão, foi engolida em minutos pelo terremoto seguido de tsunami do dia 11 de março


Mas um novo relatório diz que o potencial total dos mapas digitais para transformar serviços humanitários não será atingido sem uma melhor coordenação e comunicação entre os voluntários e agências digitais na área de emergência, como as Nações Unidas e a Cruz Vermelha.


O relatório, Disaster Relief 2.0: The Future of Information Sharing in Humanitarian Emergencies (Resgate em Tragédias 2.0: O Futuro do Compartilhamento de Informações em Emergências Humanitárias, em tradução livre), foi feito através de uma colaboração de quatro grupos – a Fundação das Nações Unidas, o Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários, a Fundação Vodafone e a Iniciativa Humanitária de Harvard.


Os grupos humanitários dizem que o mapeamento de resposta à crise do terremoto que atingiu o Haiti em 2010 foi uma prova impressionante do potencial de novas ferramentas de mapeamento e o relatório é em grande parte sobre as lições aprendidas na ocasião.


"O Haiti mostrou a todos que vai ser crucial adotar e usar essas tecnologias para tornar o trabalho humanitário melhor, mais rápido e mais eficiente", disse Adele Waugaman, diretora sênior de tecnologia de uma parceria entre as Nações Unidas e Fundação Vodafone para programas humanitários e de desenvolvimento.


O Haiti foi um rico laboratório para as ferramentas digitais de mapeamento. A destruição foi tão extensa que a agências do governo – as fontes habituais de informação local – foram, em grande parte, destruídas. Muitas vezes era necessário começar do zero para coletar dados - uma situação que criou a oportunidade de solucionar o problema apelando à multidão.


Além disso, diversas organizações de mapeamento online com foco humanitário já existiam na época. Entre elas estavam OpenStreetMap, Crisis Mappers, Sahana e Ushahidi.


Esses esforços sem fins lucrativos foram construídos após amplas mudanças na área de imagens via satélite e mapeamento global, liderados pelas grandes empresas – principalmente Google e Microsoft – que compraram caras imagens de satélite e dados de mapeamento para criar serviços de consumo. Na época, o OpenStreetMap, fundado em 2005, tornou-se o serviço de software livre que permitiu às pessoas ver um mapa online e contribuir com informações sobre o que viram.


Por Steve Lohr


Fonte: Último Segundo IG

HAITI: apesar da resposta maciça de ajuda, necessidades significativas permanecem um ano após o terremoto

MSF publica uma análise da resposta de emergência e das atuais lacunas em serviços médicos, além dos desafios na área de abrigo, água e saneamento e cuidados secundários de saúde 10 de janeiro de 2011



10 de janeiro de 2011 - Um ano após o terremoto devastador que matou um número estimado de 222 mil pessoas e deixou 1,5 milhão de desabrigados, os haitianos continuam suportando condições de vida deploráveis em meio a um surto de cólera que se alastrou pelo país, apesar do maior esforço da ajuda humanitária do mundo, disse a organização internacional médico-humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF).


Leia o relatório completo


Embora o acesso global a cuidados básicos de saúde tenha melhorado desde o terremoto, a rápida propagação da cólera pelo país demonstra as limitações do sistema de ajuda internacional em responder a novas emergências de modo eficiente. Agências internacionais devem fazer jus aos compromissos assumidos com o povo haitiano e com os doadores, tornando promessas em ações mais concretas.


As necessidades humanitárias urgentes devem ser respondidas, enquanto planos de reconstrução de longo prazo são encaminhados. A saúde geral da população e a capacidade de conter o risco de surtos de doenças dependem da melhoria das condições de água e saneamento e da garantia de que as pessoas que ainda vivem em tendas (cerca de 1 milhão) tenham acesso a abrigos temporários suficientes.


"A devastação massiva gerada pelo terremoto provocou uma extraordinária generosidade de doadores privados individuais ao redor do mundo e promessas da comunidade internacional de 'reconstruir um Haiti melhor'", disse Stefano Zanini, chefe de missão de MSF no Haiti. "Mas a triste realidade hoje é que mesmo com os haitianos tentando reconstruir suas vidas, muitas pessoas continuam extremamente vulneráveis, especialmente por enfrentarem um segundo desastre, que poderia ter sido evitada, como a epidemia de cólera que até agora já matou pelo menos 3,6 mil pessoas."


MSF publicou hoje uma análise de sua própria resposta de emergência após o terremoto e uma avaliação das lacunas existentes nos serviços secundários de saúde, das quais pretende se ocupar neste ano. A resposta de MSF no Haiti desde o terremoto e a epidemia de cólera constitui a maior operação em desastres da história da organização.


Até o fim de 2010, MSF empregou toda a quantia de 104 milhões de euros doados por indivíduos para possibilitar seu esforço de ajuda ao terremoto e a resposta à epidemia de cólera. Do dia 12 de janeiro ao dia 31 de outubro de 2010, as equipes médicas de MSF trataram mais de 358 mil pessoas, realizaram mais de 16 mil cirurgias e mais de 15 mil partos. Mais de 5,7 mil grandes operações foram realizadas só nos três primeiros meses, fazendo de MSF um dos maiores provedores de cuidados cirúrgicos.


Desde o início da epidemia de cólera, os Centros de Tratamento de Cólera criados por MSF trataram mais de 91 mil pessoas dos 171 mil casos relatados em todo país até o dia primeiro de janeiro de 2011.


"Como o aniversário do terremoto se aproxima, é importante refletir ainda mais sobre as deficiências do ano passado, dadas as imensas necessidades da população e a confiança delegada por indivíduos ao redor do mundo para ajudar a suprir essas necessidades," disse Dr. Unni Karunakara, presidente internacional de MSF. "Com o atual apoio generoso dos nossos doadores privados e comprometimento do nosso pessoal – muitos dos quais continuaram a trabalhar apesar da morte de familiares e amigos – MSF dedica-se a usar a experiência no Haiti para manter e melhorar os programas no país e se manter preparado para emergências futuras."


O orçamento operacional de MSF previsto para o Haiti em 2011 é de 46 milhões de Euros, que será usado para manter uma rede de seis hospitais em Porto Príncipe, com capacidade total de mil leitos, e para manter o apoio a dois hospitais do Ministério da Saúde. Três dessas unidades na capital ainda serão construídas em 2011 – incluindo a única unidade funcional de tratamento de queimados na capital – em substituição a unidades estabelecidas após o terremoto.


Fora da capital, em Leogane, MSF vai continuar gerindo um hospital geral de 120 camas recém-construído. Dentre as prioridades operacionais de MSF no Haiti estão cuidados obstétricos, emergência e trauma.


Fonte: MSF

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