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A propaganda eleitoral e seu impacto no meio ambiente



27/08/2016

A propaganda eleitoral não causa apenas aborrecimento para muitas pessoas. Ela também agride o meio ambiente

De dois em dois anos, alguns meses antes das eleições, os partidos são autorizados a começar a fazer propaganda eleitoral. Isso significa, na prática, alto-falantes, realização de comícios, e muitos panfletos nas ruas. Consequentemente, isso proporciona diversas fontes de poluição e um grande impacto no meio ambiente. É o que diz o estudo em direito ambiental de Karina Marcos Bedran, chamado “Processo Eleitoral Brasileiro: Impactos ambientais e o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado“.

“É possível verificar os impactos ambientais gerados pelo processo eleitoral na ocorrência de várias formas de poluição, decorrentes principalmente da propaganda eleitoral: poluição visual, sonora, atmosférica, eletrônica, geração de resíduos sólidos e poluição do solo, além do consumo de recursos naturais”, conta Bedran, mestre em direito ambiental e desenvolvimento sustentável.

A fonte de poluição do nosso processo eleitoral mais visível é, sem dúvida, o famoso “santinho”, aquele panfleto com o número dos candidatos que é amplamente reproduzido e distribuído nessa época. O seu destino, na maioria das  vezes, é o chão, gerando uma grande quantidade de lixo, entupindo bueiros e causando enchentes, além do consumo de recursos naturais para a sua produção.

“Para cada tonelada de papel produzido, são consumidos aproximadamente 20 árvores e 100 mil litros de água. Segundo informações do TSE*, nas eleições municipais de 2012, foi necessária a derrubada de aproximadamente 600 mil árvores e o consumo de 3 bilhões de litros de água no país para a produção desse material”, diz Bedran.

Quanto à poluição atmosférica, as eleições também contribuem para o aumento de CO2 na atmosfera. “Nas Eleições de 2012, o valor declarado na prestação de contas dos candidatos referente ao consumo de combustível e lubrificante equivaleria a mais de 110 milhões de litros de gasolina, que, consumida, geraria cerca de 250 mil toneladas de CO2 equivalente”, acrescenta. 

Além da poluição atmosférica, do consumo de recursos naturais e produção de lixo, a propaganda eleitoral também corrobora para a poluição sonora, com os comícios fora do horário permitido por lei; e visual, com a fixação de propaganda eleitoral por toda a parte, até em locais não autorizados.

Mas o que fazer para minimizar os impactos?

Pouca gente para e reflete sobre o impacto ambiental causado pelas eleições. Entretanto, para Bedran, os nossos governantes deveriam fazer isso, pois há a necessidade de uma mudança na norma eleitoral para que esse impacto seja minimizado.

“A legislação eleitoral deve ser revista para que haja uma regulamentação mais adequada sobre a propaganda eleitoral, que limite o consumo de recursos naturais e exija medidas mitigadoras ou compensatórias, assim como está previsto na legislação ambiental para atividades potencialmente poluidoras ou degradadoras do meio ambiente. Dessa forma, deveria ser incluída dentre as obrigações dos candidatos e partidos políticos a comprovação de índices de reciclagem e de recomposição de vegetação nativa em áreas degradadas, de acordo com a quantidade de material gasto na campanha.”

Se houvesse uma regulamentação mais condizente com os danos causados, talvez poderíamos ter uma eleição mais limpa. Mas, pensando em atitudes mais práticas que candidatos e eleitores podem adotar nessas eleições, aqui estão algumas ideias:

Aos candidatos

• Se for fazer panfletagem, utilize papel reciclado ou papel semente. O papel semente é um tipo de papel que se regado e plantado em terra fértil, germina, pois tem sementes dentro dele. A utilização de papéis reciclado e semente agrega conceitos de sustentabilidade a sua campanha. Outra sugestão é usar os meios digitais, que não poluem;

• Utilizará camisetas em sua campanha? Por que não fazer camisetas ecológicas? Elas são criadas a partir da reutilização de garrafas PET. Além de contribuir com o meio ambiente, você estará sendo responsável socialmente, ajudando a gerar renda aos catadores e cooperativas;

• Que tal trocar "carro de som" por "bicicleta de som"? O apelo sustentável será visível, além de reduzir emissões de CO2.

Aos eleitores

• Aceite apenas panfletos que utilizará na sua votação. Caso pegue algum santinho de candidato que não lhe interessa, guarde-o até encontrar um lixo para descartá-lo. O ideal é procurar por lixeiras de coleta seletiva;

• Procure candidatos engajados em causas ambientais. Hoje, é impossível pensar em administração pública sem pensar em sustentabilidade.

Leve tudo isso em conta na hora do voto. O país e o meio ambiente agradecem.

*Os dados apresentados pela mestra em direito ambiental Karina Marcus Bedran estão de acordo com informações fornecidas pelo Dr. Paulo Tamburini, juiz auxiliar da Presidência do Tribunal Superior Eleitoral, no painel “Impacto ambiental da propaganda eleitoral”, apresentado no Congresso do TSE de 07 de dezembro de 2012.

Fonte: Ecycle

VEJA O IMPACTO CAUSADO PELA LAMA NO ECOSSISTEMA DO RIO DOCE E AS ALTERNATIVAS PARA RECUPERÁ-LO

Foto: Bruno Alencastro / Agencia RBS

21/11/2015

Ainda que medidas sejam tomadas, segundo especialistas, o rio nunca mais será como antes

Por: Itamar Melo

O vazamento de 55 milhões de metros cúbicos de resíduos contaminados, em Mariana (MG), colocou o Brasil diante de um desafio ambiental de proporções inéditas: o de ressuscitar um rio. Ao longo da maior parte de seus 853 quilômetros, o Rio Doce transformou-se nos últimos dias em um caudal de lama venenosa, responsável por arrasar espécies animais e vegetais — por supressão de oxigênio, soterramento ou intoxicação.

Com o passar das semanas e dos meses, à medida que o sedimento pastoso se depositar no fundo ou escoar para o oceano, água límpida voltará a correr no leito, e o Doce parecerá de novo um rio como outro qualquer. Será uma aparência enganosa. Diferentes especialistas projetam que demandará anos, décadas ou mesmo séculos para a vida recuperar-se na bacia — e mesmo assim ela jamais será como antes.

— Temos 400 quilômetros de calha em que provavelmente não sobreviveu nada. O antigo Rio Doce, ícone do Brasil, um dos grandes rios nacionais, não existe mais. Está morto. O que vamos recuperar, até onde for possível, é um novo Rio Doce, diferente. Ele nunca mais vai ser o mesmo — alerta o ambientalista Procópio de Castro, do Projeto Manuelzão, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

O rompimento da barragem da Samarco destruiu todo um ecossistema. Morreram peixes, insetos, anfíbios, moluscos, larvas, fitoplâncton. Plantas aquáticas que eram utilizadas como criadouro pelos peixes e árvores que serviam para as aves fazerem seus ninhos sumiram. Até o limo das pedras, onde vários seres se alimentavam, perdeu-se. A cadeia alimentar rompeu-se em todos os seus elos. A probabilidade de que tenha ocorrido a extinção de espécies animais e vegetais existentes apenas no Rio Doce é tida como alta.

O que está consumado é catastrófico, mas o que vem pela frente não é muito melhor. Milhões de toneladas de lama com metais pesados e contaminantes diversos estão se depositando no fundo do rio, ao longo de toda sua extensão. Esse sedimento vai se solidificar, criando uma camada que continuará a soltar arsênio, mercúrio, cromo e outros químicos durantes décadas - envenenando a água e os seres vivos. Em tempos de cheia, a enxurrada revolverá o leito, liberará a lama, suprimirá o oxigênio e causará novas mortandades.

Conversamos com Procópio de Castro, do Projeto Manuelzão, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); André Ruschi, biólogo e diretor da Estação Biologia Marinha Augusto Ruschi; Ricardo Motta Pinto Coelho, professor do Laboratório de Gestão Ambiental de Reservatórios da UFMG para saber o impacto da tragédia e o que pode ser feito para mitigá-la.

O FATOR GEOGRÁFICO
• Os rejeitos contaminados devem chegar no Oceano Atlântico até o dia 22/11. O principal risco é para os corais, que podem ser sufocados pela lama. Até eles se recuperarem, seriam necessárias décadas ou mesmo séculos. A lama também pode se depositar em algumas praias. O impacto dos produtos químicos deve ser sentido principalmente em criaturas menores e em pequenos peixes. A área de abrangência pode ser imensa: correntes marítimas podem levar os químicos até 7 mil quilômetros para o sul e 3 mil quilômetros para o norte.

• Quando mais perto da zona onde as barragens romperam, mais graves serão os efeitos. Quando mais longe, a tendência é que sejam mais leves, porque há uma diluição da lama.

• Áreas mais baixas também sofrem mais, por terem sofrido maior assoreamento.

• A foz do rio, apesar de ser o ponto mais distante, também apresenta risco, porque muito sedimento passará por ali. A expectativa é que possam ocorrer danos consideráveis ao ecossistema.

Fonte: ZH Planeta Ciência

Embaixador do Pnuma, Don Cheadle defende o fim do chumbo nas tintas

Don Cheadle. Foto: Pnuma/Unep

28/04/2015

O ator americano Don Cheadle, que é embaixador do Programa da ONU para o Meio Ambiente, Pnuma, está defendendo o fim da utilização do chumbo nas tintas.

Cheadle apoia a Aliança Global para Eliminação do Chumbo, uma iniciativa do Pnuma e da Organização Mundial da Saúde, OMS. A nova meta, anunciada recentemente, é eliminar o chumbo das tintas no mundo todo até 2020 e o ator será o rosto da campanha.

Saúde

Ao Pnuma, Cheadle declarou que "o envenenamento por chumbo é uma grande preocupação ambiental e de saúde", principalmente para as crianças. Para o embaixador do Pnuma, é "chocante" que metade dos países do mundo ainda permita o uso de chumbo nas pinturas de casas, de escolas e de brinquedos.

Segundo o Pnuma, grandes níveis de aditivos de chumbo geram alto risco de envenenamento, principalmente para crianças e grávidas. Quando o produto é utilizado para pintar casas, escolas e parquinhos, as pessoas ficam diretamente expostas ao chumbo.

Impactos

Os impactos do envenenamento nas crianças são vários: redução do QI, dificuldades de aprendizado, hipertensão e até convulsões. A agência da ONU destaca que existem vários substitutos para as tintas com chumbo, mas seu uso continua permitido em vários países, como na decoração de casas e de brinquedos.

A aliança global está trabalhando para eliminar o chumbo das tintas e para evitar que esse produto continue sendo vendido. A Organização Mundial da Sapude acredita que por ano, a exposição de crianças a tintas com chumbo causa 600 mil casos de deficiência intelectual.

Juntos, Pnuma e OMS pedem a regulamentação e controle da fabricação, do comércio e principalmente, a eliminação do uso de chumbo nas tintas.

Fonte: Rádio ONU


No Dia da Mãe Terra, ONU defende ações de consumo sustentável

Trabalhadores em Port-au-Prince, no Haiti, constroem paredes de pedra e 
plantam vegetação para salvar o solo fértil e prevenir alagamentos. 
Foto: ONU/Logan Abassi

22/04/2015

Secretário-geral destaca que decisões simples, como usar lâmpadas mais eficientes ou comprar apenas o essencial, podem ajudar a dimuir impactos; Ban Ki-moon lembra que precisamos dos recursos naturais que o planeta oferece.

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York. 

O Dia Internacional da Mãe Terra é celebrado esta quarta-feira, 22 de abril, e o secretário-geral das Nações Unidas divulgou um comunicado lembrando que todas as pessoas dependem dos recursos naturais do planeta.

Ban Ki-moon cita a importância do ar, da água, do solo fértil e de outros "presentes incontáveis" que a Terra oferece. Segundo Ban, essa dependência é tanta que chega a ser "surpreendente" ter permitido que o desenvolvimento prejudicasse um sistema tão delicado.

Impactos

O chefe da ONU citou poluição, escassez de recursos, extinção de espécies da fauna e da flora, e por isso pediu que se mude a maneira como o planeta é tratado.

No Dia da Mãe Terra, Ban pede a todos que tomem consciência dos impactos de suas escolhas diárias e pensem sobre quais serão os reflexos desses impactos nas próximas gerações.

Futuro

O secretário-geral ressalta que nem todas as pessoas podem fazer escolhas sustentáveis. Mas para os que podem, Ban Ki-moon sugere atitudes simples, como usar lâmpadas de eficiência energética ou comprar apenas o necessário para o consumo.

Segundo Ban, quando atitudes assim são multiplicadas por bilhões de pessoas, o mundo pode mudar.

Ele acredita que a comunidade global tem a oportunidade de fazer de 2015 o ano da "transformação da história humana", ano em que serão definidos os objetivos para o futuro sustentável da Mãe Terra.


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