Mostrando postagens com marcador Acre. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Acre. Mostrar todas as postagens

Detran orienta a preservar o meio ambiente no trânsito

Além de prejudicar o meio ambiente, práticas ruins agridem a saúde humana (Foto: Ascom Detran)

19/09/2016

A preservação do meio ambiente é uma responsabilidade de todos. Por isso, o Departamento Estadual de Trânsito do Acre (Detran/AC) orienta a população a atentar para as práticas que possam prejudicar o meio ambiente.

Uma das maiores causas da poluição é a emissão de gases produzidos pelos veículos automotores. Além de prejudicar a atmosfera, eles aumentam as chances de dano à saúde, podendo desenvolver graves problemas respiratórios, entre outras doenças.

Para evitar que o veículo emita gases poluentes, são fundamentais medidas de prevenção e cuidado, como realizar manutenção periódica do motor, controlar a pressão dos pneus, manter a bateria carregada e em boas condições, conservar o óleo do motor no nível determinado, evitar reduções constantes de marcha, acelerações bruscas e freadas em excesso e manter uma velocidade constante.

Outro contribuinte que gera a poluição do meio ambiente no trânsito é o lixo gerado pelos condutores, que na maioria das vezes é despejado nas ruas.

Para evitar essas ações, o ideal é que os motoristas tenham sempre uma pequena lixeira no veículo e os pedestres procurem o local adequado para descartar seu lixo.

“Um cidadão consciente procura sempre fazer boas ações, não só diretamente para as outras pessoas, mas para o meio ambiente como um todo. Orientamos a população a refletir um pouco mais sobre atos humanos que prejudicam nossa natureza, que é nossa maior riqueza”, aponta o diretor-geral do Detran/AC, Pedro Longo.



No AC, pesquisadores transformam óleo de cozinha em biodiesel

Projeto é desenvolvido pela Divisão de Tecnologia de Energia de Fontes 
Renováveis (Diter), da Funtac. (Foto: Caio Fulgêncio/G1)

04/08/2015

Combustível foi testado em carro durante sete meses no ano passado. 
Pesquisa é encabeçada pela engenheira florestal Nadma Farias.

Pesquisadores da Fundação de Tecnologia do Estado do Acre (Funtac) desenvolvem um projeto de produção de biodiesel com a utilização de óleos residuais de fritura descartados pelos restaurantes do Via Verde Shopping, em Rio Branco. Os testes do combustível foram feitos no ano passado. Atualmente, a Funtac negocia parcerias com o empresariado para uma produção em maior escala.

A coordenadora da Divisão de Tecnologia de Energia de Fontes Renováveis (Diter), Nadma Farias, explica que, apesar do trabalho com biodiesel não ser novo, o uso do óleo de cozinha é mais complicado, devido aos tipos de fritura feitas nos estabelecimentos. Após os estudos, o combustível foi testado em um veículo da própria fundação durante sete meses. Foi usada uma mistura de 20% do biodiesel.

"Existem vários tipos de óleo, porque tem restaurante que frita frango, outro bife ou batata frita. Esse material fica com resíduos e é preciso filtrar e, muitas vezes, corrigir a acidez. Mas conseguimos um bom resultado e, entre maio e novembro de 2014, usamos em um carro que percorreu 11.283 km. O veículo não mostrou nenhum tipo de diferença. É um projeto fantástico", diz.

Nadma defende que a produção do biodiesel com resíduos de óleo de cozinha representa a solução para o problema do descarte desse material que, anteriormente, era feito de forma errada, pela pia, direto no meio ambiente. Além disso, acaba sendo uma opção ao uso dos combustíveis não-renováveis. "Não usar combustíveis fósseis é trabalhar com biodiesel, etanol, e esse é o caminho que vamos seguir", diz.

Responsável pela pesquisa, Nadma Farias defende que a produção do biodiesel 
representa solução para o descarte do óleo (Foto: Caio Fulgêncio/G1)

Para calcular o custo da produção, segundo a pesquisadora, é necessário levar em consideração o modelo escolhido, as condições de coleta e transporte do óleo. Para os 322 litros produzidos no projeto, Nadma diz que o litro ficou equivalente ao comercializado. No entanto, ela acredita que a margem de lucro pode ficar maior quando a produção for intensificada.

Como a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), diz Nadma, permite que até 30 mil litros produzidos podem ser utilizados para consumo próprio, a ideia é conseguir fazer parcerias também com empresas de ônibus ou frotas de táxi.

"Nos cálculos, de acordo com a realidade da Funtac, a estimativa tem um equilíbrio, não está além nem abaixo do mercado. Mas somos pesquisadores, quando o interessado colocar para funcionar, será diferente. É um projeto que tem tudo para dar certo", acrescenta.

Por isso, para este ano, a responsável pelo projeto diz a ideia é fazer a concessão do equipamento existente na Funtac. "Temos o equipamento na Funtac e queremos fazer a concessão. Por isso, estamos buscando novos parceiros, juntamente com o shopping, para ampliar o projeto. Podemos trabalhar também com outros restaurantes. Estamos já em negociações. O projeto tem vários desafios, mas aí entram os parceiros", finaliza.

Os estudos realizados na Funtac foram premiados. No ano passado, os pesquisadores submeteram um artigo sobre o assunto ao Congresso Nacional de Bioenergia e foram selecionados, dentre outros mais de 300 trabalhos, conclui Nadma.

Funtac quer fazer concessão de maquinário utilizado na produção do 
biocombustível (Foto: Caio Fulgêncio/G1)
Fonte: G1


Do abrigo lotado à faculdade de direito: a saga de uma haitiana cega no Brasil

Nadine domina quatro idiomas, mas teve dificuldade de conseguir emprego ao chegar 
no Brasil; empresários só recrutavam homens - Fotos: João Fellet e Paula Fróes

15/07/2015

João Fellet - @joaofellet
Da BBC Brasil em Washington

Enquanto uma multidão se acotovelava à espera das quentinhas com o almoço, uma mulher esperava em silêncio no canto, torcendo para que sobrasse comida para ela.

Deficiente visual e viajando sozinha, a haitiana Nadine Talleis estava há quase dois meses naquele abrigo quando a BBC Brasil a abordou durante uma reportagem sobre a crise migratória no Acre, em 2013.

Após a entrevista, ela pediu ajuda para que pudesse deixar o alojamento, um ginásio cercado por lama onde 1.300 imigrantes dividiam dois banheiros e dormiam num espaço que deveria abrigar 200.

Passados dois anos, Nadine hoje mora no Distrito Federal, cursa o terceiro semestre da faculdade de Direito e pretende ser diplomata.

"Aquele foi o momento mais difícil desde que eu cheguei aqui", lembra Nadine, de 29 anos, em conversa pelo telefone nesta semana.

Estado de emergência

As condições do abrigo em Brasileia fizeram o governo do Acre decretar estado de emergência.

Com a carteira vazia, Nadine estava angustiada porque os empresários que visitavam o centro todos os dias para contratar imigrantes só recrutavam homens, em geral para serviços braçais no Sul e Sudeste.

"Eles iam embora e eu pensava: 'vou ter que passar outra noite neste lugar'."

Sem conseguir se deslocar pela cidade, pois só tem 15% da visão, ela contava com voluntários e funcionários do abrigo para encontrar algum emprego como massagista ou telefonista.


Imigrantes viviam amontoados e em más condições de higiene no abrigo em Brasiléia, no Acre

A haitiana já havia desempenhado as duas funções ao viver por três anos na República Dominicana, antes de se mudar para o Brasil.

Na capital Santo Domingo, ela fez um curso de massagem e, ao trabalhar num call center, aprendeu a falar espanhol e inglês. Como já conhecia o francês e o creole, as línguas oficiais do Haiti, passou a dominar quatro idiomas.

Infância e terremoto

Nadine cruzou a fronteira com a República Dominicana após o terremoto que atingiu o Haiti em 2010. Ela vivia no país natal com o avô, que lhe criara desde que seus pais haviam morrido, em sua infância.

Apesar dos crescentes problemas para enxergar, conta que "tinha tudo de que precisava".

Filha única, Nadine diz ter herdado duas casas dos pais, o que lhe garantiu certa segurança financeira.
No entanto, o terremoto pôs abaixo os dois imóveis, causando-lhe um grande prejuízo.

Como o avô estava velho e não podia sustentá-la, Nadine foi morar com parentes na República Dominicana. "Eles tratam muito mal os haitianos lá", lembra.

Estima-se que 500 mil pessoas nascidas no Haiti ou de ascendência haitiana vivam na República Dominicana.

"Não vou dizer que tenho tudo, mas estou feliz porque, apesar de todos os problemas, consegui encontrar o meu caminho."Nadine Talleis

Grande parte do grupo está num limbo jurídico desde que, em 2013, a Justiça do país decidiu que filhos de imigrantes ilegais nascidos após 1929 não têm direito à cidadania dominicana, o que abriu o caminho para deportações em massa.

Nadine diz ter decidido deixar o país após gastar 30 mil pesos dominicanos (cerca de R$ 2.100) para tentar regularizar sua documentação, sem êxito. "Doeu muito o meu coração."

Ela soube que um tio havia migrado para o Brasil e que o país era mais aberto a estrangeiros.

Com as economias que lhe restavam, voou da República Dominicana até o Equador e, de lá, contou com a ajuda de outros haitianos para viajar de ônibus até a fronteira do Brasil com o Peru.

"Pensei que o Brasil poderia me ajudar, porque havia progresso no Brasil", ela disse em inglês ao ser entrevistada ainda no abrigo, em 2013.

No país, diz ter notado semelhanças entre haitianos e brasileiros. "A alegria do brasileiro se parece muito com a nossa. E quando você tem alegria, não falta nada."

'Nadjíne'

Hoje Nadine fala português com desenvoltura e se apresenta como "Nadjíne", versão abrasileirada de seu nome.

Foi sua habilidade linguística que chamou a atenção de funcionários do alojamento no Acre. Como não contavam com intérpretes, eles passaram a recorrer a Nadine para traduzir diálogos com imigrantes haitianos, senegaleses e dominicanos.

Um dos funcionários lhe sugeriu que tentasse a sorte em Brasília e lhe pôs em contato com pessoas que poderiam ajudá-la na capital.

Essas pessoas, diz ela, acabaram se tornando sua "família adotiva".

Nadine passou alguns meses na casa deles e ouviu que uma faculdade próxima, na cidade-satélite de Taguatinga, abrira inscrições para o vestibular.

Imigrantes viviam amontoados e em más condições de higiene no abrigo em Brasiléia, no Acre

Ela se registrou e fez a prova para direito. Passou. "Foi o dia mais feliz da minha vida", recorda.

Mas Nadine não tinha dinheiro para pagar o curso, e sua "mãe adotiva" sugeriu que ela procurasse um trabalho e, quando estivesse estabilizada, tentasse a vaga outra vez.

Nadine resolveu se matricular mesmo assim. "Eu disse para ela: 'eu vim aqui para estudar. Se fosse para ficar sem fazer nada, não precisaria ter vindo'."

No primeiro semestre, Nadine pagou as mensalidades da faculdade Mauá com a ajuda da família adotiva. Até que conseguiu uma emprego de auxiliar administrativa na própria instituição e ganhou uma bolsa integral para prosseguir com o curso.

Nas aulas, Nadine anda sempre com um gravador. A haitiana acessa os livros por meio de um programa de computador que lê os textos para ela.

Hoje ela aluga um apartamento perto da faculdade, em Vicente Pires.

'Dom de conversar'

A haitiana já planeja os próximos passos. Depois de se formar, quer seguir a carreira diplomática. Ela pretende usar a facilidade que tem de se comunicar para ajudar países a se entenderem.

Religiosa – é adepta do adventismo –, Nadine diz ter recebido de Deus o "dom de conversar".

"Eu gosto muito de paz, de tranquilidade, e acho que posso ajudar o mundo com esse dom."

Como a legislação brasileira proíbe a contratação de diplomatas estrangeiros, Nadine sabe que talvez tenha de buscar trabalho em outros países.

Por enquanto, ela tem outro objetivo mais imediato: publicar um livro sobre sua vida. Nadine começou a escrever a obra neste mês e pretende terminá-la até o ano que vem.

Ela diz acreditar que sua trajetória possa inspirar outras pessoas.

"Não vou dizer que tenho tudo, mas estou feliz porque, apesar de todos os problemas, consegui encontrar o meu caminho."

Fonte: BBC Brasil


Prefeitura de Porto Alegre pede doações para receber haitianos

Grupo de imigrantes embarcou para a Região Sul do país (Foto: Yuri Marcel/G1)

26/05/2015

Prevendo a chegada de mais de 400 haitianos e senegaleses nos próximos dias, a Prefeitura de Porto Alegre, através da Secretaria Municipal de Direitos Humanos, pede doações para auxiliar no acolhimento dos imigrantes. Os materiais podem ser entregues a partir deste domingo (24) no Centro Humanístico Vida, localizado na Avenida Baltazar de Oliveira Garcia, 2132, no Bairro Sarandi, na Zona Norte da cidade. O mesmo local vai receber os imigrantes.

“Já preparamos o processo de recepção dos haitianos. Não é um lugar ideal, mas é adequado, com condições básicas necessárias, como banheiro e cozinha. Precisamos muito [de doações]”, afirma ao G1 o titular da pasta, Luciano Marcantônio. Colchões, lençóis, cobertores, roupas e material de higiene são os itens mais requisitados.

A transferência de refugiados do Acre, principal porta de entrada brasileira de imigrantes, para outros estados, ganhou força na semana passada. Na terça (19), no entanto, o governo federal suspendeu o envio de haitianos para a cidade de São Paulo, que era até então o destino mais procurado. Com isso, estados da Região Sul viraram alternativa.

A Prefeitura de Porto Alegre reclama de não ter sido avisada previamente sobre o envio e, com isso, não ter tido tempo para preparar um planejamento. “Nunca vi tamanha irresponsabilidade. Quero dizer que não somos contra recebê-los, de forma alguma. Imigrantes, sejam alemães, japoneses, italianos, nós recebemos todos. O que está errado, e é um amadorismo, é essa relação do governo federal com o Acre. Não existe um processo, um acordo, sobre a transferência para outras cidades brasileiras”, critica.

As viagens são pagas com o dinheiro de um convênio firmado pelo governo do Acre com o Ministério da Justiça. No dia 12 de maio, o governo acreano publicou no Diário Oficial a contratação de ônibus para transportar os imigrantes em caráter de "emergência social" para Porto Alegre. O custo estimado para o serviço é de R$ 409.920,00. Ao todo, dez ônibus devem seguir viagem em direção ao Rio Grande do Sul.

O assunto será levado para discussão na quarta-feira (27) em Brasília, em um encontro solicitado pela Prefeitura de Porto Alegre com as autoridades acreanas, mediada pelo Ministério da Justiça. “Está muito mal elaborado. Vamos tentar qualificar o processo para todas as capitais do Brasil. Afinal, não é a primeira vez que isso acontece”, desabafa.

Em novembro de 2014, chegaram à rodoviária de Porto Alegre ônibus com cerca de 300 haitianos vindos do Acre. Na época também não houve aviso prévio por parte das autoridades acreanas. Apenas 20 ficaram na cidade, onde conseguiram emprego e moradia. Os demais, partiram para outros destinos.

Data da chegada ainda é incerta
Ainda assim, informações sobre a chegada dos refugiados ainda são desencontradas. Com o impasse, a Prefeitura de Porto Alegre solicitou, na quinta (21), que os primeiros ônibus saiam de Rio Branco com destino ao Rio Grande do Sul na segunda-feira (25). Por isso, a previsão é de que os estrangeiros desembarquem na rodoviária da capital gaúcha na madrugada de quinta-feira (28). A distância entre as duas cidades é de cerca de 4,1 mil quilômetros e a viagem dura cerca de quatro dias.

Entretanto, existe a possibilidade de alguns chegarem antes. Isso porque dois ônibus partiram do Acre na quinta (21) com destino a Santa Catarina. Segundo Marcantônio, não é descartada a hipótese de alguns haitianos e senegaleses comprarem passagens para seguir para Porto Alegre. O secretário esteve com uma equipe na rodoviária no começo da madrugada deste domingo (24) para monitorar a situação.

“Não sabemos quantos vão vir nessa leva. Fomos para prevenir, pois há muitos boatos. Não temos informações do governo do acre. Através de mensagem, perguntei ao secretário [de Direitos Humanos do Acre, Nilson Moura Leite Mourão], se será mantido o nosso acordo, mas não tive retorno”, observa. “Eu acho que ele vai cumprir [o acordo]. Mas mesmo assim, estamos atentos”, pondera.

Em contato com empresas de ônibus a rodoviária de Florianópolis, ficou sabido que a previsão de chegada na capital catarinense é 22h. Considerando que o trajeto até Porto Alegre leva cerca de sete horas, eventuais estrangeiros só devem desembarcar na capital gaúcha na manhã de segunda-feira (25).

Haitianos no Brasil
A imigração de haitianos que deixaram a terra natal com destino ao Brasil ganhou força em 2010, quando um forte terremoto deixou mais de 300 mil mortos e devastou parte do país. Eles vêm ao Brasil em busca de uma vida melhor e de poder ajudar familiares que ficaram para trás.

Para chegar até o Acre, eles saem, em sua maioria, da capital haitiana, Porto Príncipe, e vão de ônibus até Santo Domingo, capital da República Dominicana. Lá, compram uma passagem de avião e vão até o Panamá. Da cidade do Panamá, seguem de avião ou de ônibus para Quito, no Equador.

Por terra, vão até a cidade fronteiriça peruana de Tumbes e passam por Piura, Lima, Cusco e Puerto Maldonado até chegar a Iñapari, cidade que faz fronteira com Assis Brasil (AC), por onde passam até chegar a Brasiléia, também no Acre.

Fonte: G1


Governador do AC diz que imigrantes são responsabilidade da União

Com a falta de ônibus, abrigo de imigrantes enfrenta superlotação em Rio Branco. 
(Foto: Veriana Ribeiro/G1)

18/05/2015

Tião Viana disse que Ministério da Justiça terá que assumir acolhimento.
Desde 2010, Acre tornou-se porta de entrada para imigrantes no Brasil.

O governador do Acre, Tião Viana, anunciou, nesta sexta-feira (17), que o Ministério da Justiça deverá assumir o trabalho de acolher e encaminhar para outros estados os imigrantes, na maioria haitianos, que utilizam o estado como porta de entrada para o Brasil. De acordo com o gestor, o estado não possui mais condições de realizar esse trabalho.

Viana esteve reunido com representantes dos Ministérios Públicos Estadual e Federal, além dos secretários de Desenvolvimento Social (Sedens) e Justiça e Direitos Humanos (Sejudh) para falar sobre a decisão. Ele também anunciou a medida em seu perfil no Twitter.

"Fomos levados a comunicar ao Ministério da Justiça a necessidade do mesmo assumir o acolhimento e encaminhamento dos imigrantes, que fizeram do Acre uma rota internacional. Já são mais de 36 mil, oriundos de 13 países, sendo essa uma responsabilidade constitucional da União", disse na rede social.

Com uma dívida de mais de R$ 3 milhões, Viana disse também que o Acre não possui mais condições de assumir integralmente a assistência aos imigrantes. "Tudo fizemos em colaboração mas, não nos é possível ir além. É uma questão de Estado Nacional, cabendo ao ministro da Justiça. O Governo do Acre, por razões humanitárias, tudo que pôde fez para prestar sua solidariedade aos imigrantes, todavia, exauriu-se no caso", explicou no Twitter.

Transição

De acordo com o secretário de Justiça e Direitos Humanos, Nílson Mourão, a passagem da responsabilidade sobre os imigrantes para o governo federal será feita de maneira gradual. "Não vamos abandonar os imigrantes. Vamos estudar para saber como será o processo de transição", explicou. No entanto, ele não disse em quanto tempo esse trabalho será concluído.

Segundo Mourão, nos próximos dias uma comissão do governo federal deve chegar a Rio Branco para analisar o processo de transição e definir os prazos.

Em coletiva, governo entrega gestão de imigrantes ao 
governo federal (Foto: Iryá Rodrigues/G1)

Dificuldades 

Com capacidade física para acolher 240 pessoas, o abrigo montado pelo governo do Acre, em Rio Branco, tem atualmente 800 imigrantes. Esse número, todavia, deve aumentar, já que segundo a Sejudh, cerca de 70 novos imigrantes chegam ao local todos os dias e poucos têm ido embora, desde que o contrato com a empresa responsável por levá-los até São Paulo foi interrompido por falta de pagamento.

A dívida do Estado com a empresa de transporte ultrapassa R$ 3 milhões. Desde 2010, quando os imigrantes passaram a utilizar o Acre como rota, mais de R$ 10 milhões já foram investidos para acolhê-los.

O procurador regional dos Direitos do Cidadão, Luiz Gustavo Mantovani, disse que vai avaliar nos próximos dias, em uma ação conjunta com os órgãos de Brasília, as medidas que podem ser tomadas para tentar solucionar a dificuldade do governo do Acre em dar continuidade à prestação do auxílio humanitário aos imigrantes.

De acordo com o procurador-geral do Ministério Público do Trabalho no Acre (MPT-AC), Marcos Cutrim, o órgão vai, juntamente com o MPF, estudar medidas no âmbito extra-judicial e se for o caso, no âmbito judicial, no intuito de trazer a União para essa responsabilidade e promover todas as políticas públicas, que inclui desde o abrigamento até a emissão de documentos, para que esses estrangeiros tenham seus direitos humanos respeitados no país.

"Uma vez que a imigração envolve eminentemente a busca de estrangeiros por trabalho, surge aí a atribuição do MPT em buscar políticas públicas adequadas que sejam prestadas a esses trabalhadores. Temos duas formas de atuar nesse caso, primeiro é chamar os órgãos do governo federal para dialogar e tentar um acordo para que prestem o serviço que o Estado tem prestado hoje. Se não for possível pelo diálogo, pretendemos buscar alguma medida judicial, possivelmente alguma ação civil pública", afirma Cutrim.

O G1 entrou em contato com o Ministério da Justiça para saber o posicionamento do órgão, mas até a publicação desta matéria não obteve resposta.

Superlotação

No dia 26 de março, chegou ao conhecimento do G1, que devido à uma dívida que supera R$ 3 milhões com a empresa de ônibus, contratada em abril de 2014 para o transporte dos imigrantes até São Paulo, foi um dos principais fatores para a superlotação no abrigo de imigrantes. Com o serviço de transporte suspenso, os estrangeiros não conseguiam deixar a cidade.

Rota de imigração

Imigrantes chegam ao Acre todos os dias através da fronteira do Peru com a cidade de Assis Brasil, distante 342 km da capital. A maioria são imigrantes haitianos que deixaram a terra natal, desde 2010, quando um forte terremoto deixou mais de 300 mil mortos e devastou parte do país. De acordo com o governo do estado, desde 2010, mais de 32 mil imigrantes entraram no Brasil pelo Acre.

Eles vêm ao Brasil em busca de uma vida melhor e de poder ajudar familiares que ficaram para trás. Para chegar até o Acre, eles saem, em sua maioria, da capital haitiana, Porto Príncipe, e vão de ônibus até Santo Domingo, capital da República Dominicana, que fica na mesma ilha. Lá, compram uma passagem de avião e vão até o Panamá. Da cidade do Panamá, seguem de avião ou de ônibus para Quito, no Equador.

Por terra, vão até a cidade fronteiriça peruana de Tumbes e passam por Piura, Lima, Cusco e Puerto Maldonado até chegar a Iñapari, cidade que faz fronteira com Assis Brasil (AC), por onde passam até chegar a Brasiléia.

Fonte: G1 Acre

RETROSPECTIVA: os destaques do WWF-Brasil em 2014

04/01/2015

O ano de 2014 foi de grandes desafios para o WWF-Brasil e para todas as organizações que lutam pela conservação do meio ambiente. Mas foi também um ano de conquistas importantes.

Todas essas vitórias só foram possíveis porque trabalhamos juntos com diversos atores da sociedade civil e tivemos o apoio de nossos afiliados, empresas parceiras, diversas intuições e muitas organizações e parceiros que acreditam na força e na relevância do nosso trabalho.

Listamos algumas ações mais importantes que realizamos em 2014, por ordem cronológica. Confira!

Personagem ajuda a transmitir noções de sustentabilidade e preservação ambiental. 
© Divulgação/MSP e WWF-Brasil

1. Chico Bento, embaixador das nascentes do Pantanal;

Em março, junto à Maurício de Souza Produções (MSP), nomeamos Chico Bento como o  “Embaixador da Proteção das Nascentes do Pantanal”. Produzimos uma animação sobre o assunto, que foi exibida em cinemas, metrôs, ônibus, emissoras de televisão e redes sociais.

Campanha “Chico Bento, Embaixador das Nascentes do Pantanal”: https://www.youtube.com/watch?v=GNYQGxThgtg

Hora do Planeta 2014 
© WWF-Brasil

2. Hora do Planeta;

Em 2014, 144 municípios brasileiros participaram da mobilização, apagando as luzes de 627 monumentos diferentes. Foi um número recorde, maior do que o registrado em anos anteriores. As notícias sobre o evento impactaram 32,6 milhões de brasileiros. No mundo todo, a Hora do Planeta 2014 mobilizou mais de 7 mil cidades em 162 países.

Veja como foi a Hora do Planeta 2014 em todo o mundo: https://www.youtube.com/watch?v=ZilSYaavMH4

Reserva Extrativista Mapuá é uma das UCs apoiadas pelo Arpa 
© Miguel von Behr

3. Arpa (Áreas protegidas da Amazônia);

Em maio de 2014, com forte articulação do WWF-Brasil, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) deu início à nova fase do Programa Arpa (Áreas Protegidas da Amazônia). 215 milhões de dólares serão depositados num fundo de transição que servirá para garantir, pelos próximos 25 anos, a manutenção permanente de 60 milhões de hectares em unidades de conservação. O WWF-Brasil participa de todas as discussões referentes ao Arpa, além de prestar apoio técnico e financeiro às suas ações.


Mais de 25 mil pessoas assinaram a petição da campanha SOS Juruena
© WWF-Brasil / Adriano Gambarini

4. Campanha SOS Juruena

Mais de 25 mil pessoas assinaram a petição da campanha SOS Juruena, organizada pelo WWF-Brasil para impedir a construção de duas hidrelétricas no interior do Parque Nacional do Juruena - uma unidade de conservação que faz parte do maior sistema de rios do país (Bacia do Tapajós) e possui a maior diversidade e produtividade de água doce do planeta, ocupando uma posição estratégica no chamado Arco do Desmatamento, capaz de garantir a conectividade ambiental das áreas protegidas vizinhas e entre a Amazônia e o Cerrado.


É a gota d’água: No Dia Mundial do Meio Ambiente, WWF-Brasil faz alerta 
sobre crise de abastecimento em São Paulo (SP) 
© Dino Almeida

5. “É a Gota d’Água!”

Em 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, colocamos uma gota inflável, de 10 metros de altura, na Avenida Paulista, em São Paulo (SP). Nossa mensagem: “É a Gota D’água!”, teve o intuito de alertar a população brasileira para o melhor uso de nossos recursos hídricos frente a maior crise hídrica já enfrentada pelo Estado de São Paulo.

Making of da ação: “É a Gota DÁgua!”: https://www.youtube.com/watch?v=uF-e6UyMNd0

Pegada ecológica do acre 
© WWF-Brasil

6. Pegada Ecológica do Acre

O Acre é o mais recente Estado brasileiro a fazer o cálculo de sua Pegada Ecológica – a análise que mede a quantidade de recursos naturais necessária para sustentar determinado estilo de vida. Se todo mundo vivesse como os acreanos, seria necessário 1,3 planeta Terra para dar conta da demanda de recursos. Esta Pegada Ecológica é 20% menor que a do cidadão médio brasileiro e 13% menor que a do cidadão médio global. O estudo foi uma das entregas do Programa Água Brasil, parceria do WWF-Brasil com o Banco do Brasil, Fundação Banco do Brasil e Agência Nacional de Águas. 

Confira o estudo:  Pegada Ecológica do Estado do Acre

Fest Curteco 
© Divulgação/WWF-Brasil

7. Fest Curteco

Já pensou em fazer um painel solar a partir de sucata? Pois foi isso que fez o Raimundo Nonato Filho, do Piauí. Por conta desta ideia, ele foi eleito o vencedor do nosso primeiro Festival de Curtas-Metragens Ecológicos, o Curteco, e ganhou uma viagem para as Cataratas do Iguaçu, no Paraná. O Festival buscou conscientizar as pessoas sobre o impacto de nossos hábitos na saúde do planeta.

Assista aos cinco vídeos vencedores do Curteco: http://curteco.com.br/

Overshoot day 2014 
© WWF-Brasil

8. O “Dia da Sobrecarga da Terra” (“Overshoot Day”)

Em 2014, o “Overshoot Day”, ou “Dia da Sobrecarga da Terra”, ocorreu em 19 de agosto. Foi nesta data que terminamos de consumir os recursos naturais disponíveis para este ano. A partir de então, todos os recursos naturais que utilizamos “entraram no vermelho”, o que quer dizer que já estamos usando mais do que o Planeta pode repor. Se somado ao longo de um certo período, este fenômeno se converte em um cenário de perda de biodiversidade, escassez de recursos e mudanças climáticas – exatamente os grandes problemas ambientais que enfrentamos agora. O cálculo é feito anualmente pela Global Footprint Network, uma organização internacional pela sustentabilidade, parceira global da Rede WWF

Saiba mais sobre o Dia da Sobrecarga da Terra:



9. 18 anos de WWF-Brasil!

Em 2014, o WWF-Brasil completou 18 anos de existência. São quase duas décadas lutando pela conservação da biodiversidade e dos recursos naturais brasileiros – contando com o apoio de muitos afiliados, sociedade civil, empresas e instituições que confiam na importância do nosso trabalho.

Saiba mais sobre a nossa história: http://www.wwf.org.br/wwf_brasil/historia_wwf_brasil/

Cataratas do Iguaçu 
© ICMBIO/Parque Nacional do Iguaçu

10. Parceria pelas Cataratas do Iguaçu

Em agosto, fechamos uma parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID)  e a Fundación Vida Silvestre Argentina (FVSA) para apoiar a gestão das Unidades de Conservação que ficam na fronteira entre o Brasil e a Argentina. Nosso trabalho terá como foco desenvolver novas oportunidades de negócios locais, por meio da valorização da biodiversidade para gerar impactos sociais e ambientais positivos.    

Saiba mais sobre a nossa parceria em prol das Cataratas do Iguaçu

Eleições 2014 
© WWF-Brasil

11. Eleições 2014 e os compromissos com o futuro do País

Com o objetivo de aperfeiçoar o debate eleitoral realizado este ano, no final de agosto lançamos um documento que trazia propostas para colocar a sustentabilidade no centro da agenda política brasileira. O documento, intitulado “Propostas do WWF-Brasil: compromissos com o futuro do País – Água, Alimentos, Energia e Florestas para sempre”, foi entregue aos comitês dos três principais candidatos à presidência e disponibilizado para download gratuito.


Salve o Cerrado 
© WWF-Brasil

12. “Salve o Cerrado!”

Para marcar o Dia Nacional do Cerrado, celebrado em 11 de setembro, promovemos a campanha “Salve o Cerrado!”. Lançamos vídeos sobre a região, realizamos plantio de mudas nativas em Brasília (DF) e apoiamos a exposição “Cerrado, uma janela para o planeta”. Nossa proposta foi alertar para a necessidade de conservar o segundo maior ecossistema do Brasil. 

Veja os vídeos da campanha “Salve o Cerrado!”

Relatório Planeta Vivo 2014 
© WWF
13. Relatório Planeta Vivo

Em setembro, a Rede WWF lançou a mais recente edição do Relatório Planeta Vivo (ou “Living Planet Report”, no original em inglês), um documento que mostra o ‘estado de saúde’ de nosso planeta. Segundo a publicação, de 1970 até hoje a biodiversidade existente no mundo diminuiu em 52%, demonstrando que metade da vida no planeta foi extinta nos últimos quarenta anos. O documento mostra as causas desse declínio e o que pode ser feito para reverter este cenário.

Confira aqui o sumário executivo do Relatório Planeta Vivo 2014:

Fonte: WWF-Brasil


Com 17 equipes indígenas, Copa das Árvores começa em 7 de agosto



02/08/2014

Competição no interior do Acre terá presença de pelo menos 13 etnias. Além de futebol, haverá campeonato de arco e flecha, cipó de força e arremesso de lança

Haru Kuntanawa é um dos organizadores 

da Copa das Árvores (Foto: Vanísia Nery/G1)
Inspirados pela Copa do Mundo 2014, na qual o Brasil foi o país sede do Mundial, os indígenas da Aldeia Kuntamanã, localizada no Rio Tejo, no município de Marechal Thaumaturgo, no interior do Acre, decidiram organizar a 1ª Copa das Árvores, com o slogan "Essa copa tem raízes", de 7 a 11 de agosto.

Segundo a secretária estadual de Turismo e Lazer, Rachel Moreira, cerca de 13 etnias acreanas estão envolvidas no evento, mas várias tribos de fora do estado já confirmaram presença na Copa. Ao todo, 22 equipes foram convidadas para participar. Dessas, 17 já confirmaram presença na competição. 

O jogo de abertura será entre o Náuas, equipe de Cruzeiro do Sul, contra o selecionado da Copa das Árvores, formada por indígenas representando seus vários povos. Além de futebol, haverá também outras atividades esportivas como campeonato de arco e flecha, cipó de força e arremesso de lança.

- O povo Kuntanawa é quem está tomando conta organização do torneio e essa Copa não envolve apenas as tribos indígenas, mas todas as etnias, com a proposta de discutir políticas para os povos tradicionais, sejam indígenas ou não - explica Rachel Moreira.

Moreira explica que a Secretaria de Turismo e Lazer (Setul) apoia o evento ajudando com a logística para proporcionar a participação de outros povos, além de fomentar e valorizar o eco turismo no estado.  

- A Copa das Árvores é mais que apenas um festival indígena. O objetivo é discutir o conhecimento indígena, abordando o Povo Kuntanawa. Propõe que hajam discussões na casa dos saberes, abordando a sustentabilidade, cultura, ambiente, espiritualidade e medicina, além da valorização e manutenção das manifestações tradicionais das comunidades extrativistas e indígenas - conclui.


Brasil e Haiti, um mundo de histórias


24/04/2013

Explodir pedras, perfurar rochas, construtores. Varrer ruas, limpar praias brasileiras, garis. Depenar galinhas, subir caixotes. Por que não vender bijuterias, artesanato? Esses são os destinos de professores, técnicos de enfermagem, mecânicos, contadores, pedagogos haitianos, senegaleses, dominicanos quando encontram o solo brasileiro. 

Pessoas qualificadas e com um sonho de reerguer suas vidas com o trabalho. Muito trabalho para reconstruir o que nem mesmo terremotos ou crises econômicas e sociais podem fazer ruir: sua dignidade.

O destino desses sonhadores é um Brasil que parece aquecer cada vez mais sua economia, abrindo postos de trabalhos diversificados, muito bem anunciados entre os viajantes que aportam em Brasileia, Acre, que tem funcionado como porta de entrada para o país. Porta por onde já  passaram mais de seis mil imigrantes.

O governo do Estado oferece três refeições por dia aos imigrantes. Desde 2010 já foram gastos R$ 3 milhões
 (Foto: Angela Peres/Secom)
Desses tantos, alguns fazem questão de contar suas histórias. Correm, amotoam-se e desandam a falar, na língua que mais for compreensível - crioulo, francês, espanhol, inglês, wolof -, o importante é tentar fazer os outros entenderem cada passo de suas viagens, de seus diplomas, da vontade de encontrar um bom trabalho.

Paramos e ouvimos um rapaz de fala mansa, bem vestido, roupa quase passada a ferro. Croinchy Zache, 32, haitiano, nascido em Jaemel, pergunta em um inglês fluente: “Você sabe onde posso conseguir bons livros de português?”. 

Seu sonho é trabalhar dando aulas ou como tradutor no Brasil. Estudou inglês na República Dominicana e, com o diploma na mão, diz: “No Haiti não é fácil arrumar um bom trabalho, mesmo que você tenha graduação”. Ele aponta para mais dois amigos - um contador e outro turismólogo -, todos com o diploma à mostra. E sentencia: “Estou aqui para mudar de vida”.

Croinchy Zache exibe com orgulho diploma de inglês avançado conquistado na República Dominicana 
(Foto: Arison Jardim/Secom)
Em meio à confusão de braços e bocas na espera de uma marmita para o jantar, Chisnel Laventures pensa no passado recente de seu país e em um futuro próximo para si. Ele tira fotos dos companheiros de abrigo famintos e comenta: “Quero um dia lembrar dessas dificuldades”. Com um olhar esperançoso, continua: “Quando estivermos de volta com a dignidade que tínhamos”. 

Órfãos da pátria haitiana 

Laventures é haitiano, como a maioria dos seis mil imigrantes que passaram pelo Acre. Um país destruído por um terremoto em janeiro de 2010, mas historicamente ainda mais abalado por sua economia e desigualdade social.

Haiti convive há anos com a fuga de sua população (Foto: Angela Peres/Secom)
Apesar do seu protagonismo como a primeira colônia a se tornar independente das metrópoles europeias, em 1804, o Haiti é hoje o país mais pobre da América Latina. Antes mesmo do desastre de 2010, a situação era crítica - 80% da população vivia abaixo da linha da pobreza.

Somado à miséria extrema, a questão política esteve sempre instável entre 1820 e 1996, razão pela qual o país tem sofrido grandes impactos regionais devido a processos migratórios. Conflitos internos deslocaram mais de 300 mil pessoas para fora de suas cidades. 

Entre 1991 e 1994 os Estados Unidos foram foco de uma onda migratória que movimentou 68 mil pessoas. Deixaram o Haiti e com apenas um dia de barco chegavam ao mais poderoso país do mundo. Outros 30 mil foram para a República Dominicana.

Brasil, nova realidade e oportunidades

O casal Vilsaint se reencontrou em Brasileia após um ano de saudade. As filhas serão as próximas a vir 
(Foto: Angela Peres/Secom)
O amor e a alegria. A esposa e duas filhas ficaram para trás há  um ano para Vilsaint Letesse. Ficaram em um Haiti sem perspectivas, sem emprego, numa miséria que aumentou quando a terra tremeu em janeiro de 2010. Foram 7 graus de magnitude na escala Richter de impacto e outras 14 réplicas de magnitude 5. Quase 300 mil mortos.

Nesse cenário, Letesse resolveu procurar uma solução para a família. Juntou o dinheiro que tinha, reuniu parentes e conseguiu ao todo 3 mil dólares. Era a chance para embarcar em uma rota que se consolidava. Passou pela República Dominicana, Panamá, Peru e chegou até o Brasil por Brasileia em 4 de janeiro de 2012.

Não demorou muito e o pedagogo, que sonhava um dia estudar filosofia e bioquímica, foi contratado para explodir pedras. “Eu perfuro, coloco a dinamite, e buuuum!”, ilustra. Ele está há um ano e alguns meses trabalhando na usina hidroelétrica de Santo Antônio, em Rondônia.

Mas o que fazia o caribenho empregado em Brasileia? Ele estava ali para buscar parte de sua felicidade - sua esposa acabara de chegar ao Brasil. Lá estava sorridente Vilsaint Mirlene Charls. Letesse fez logo questão de levá-la ao seu hotel, que pôde pagar tranquilamente, graças ao salário mensal de um emprego estável. Ele já está com um contrato de mais um ano com a construtora.

A meta agora é arrumar a nova casa, alugada especialmente para a chegada de sua esposa, e trazer as duas filhas, de 9 e 6 anos. “Elas estão com as duas avós, mas devem estar chorando”, diz o pedagogo que detona rochas. “Mirlene chorava de saudade todos os dias.” A esposa confirma com um sorriso tímido.

O casal segue esperançoso que o novo país lhes garanta uma nova chance de viver, de crescer e de criar suas crianças. Ao menos podem em junho deste ano comemorar os 10 anos de casados. “A festa vai ser simples, mas estaremos juntos”, diz Mirlene, feliz da vida.

O abrigo

O governo do Estado decretou este mês Situação de Emergência Social para alertar o governo federal
(Foto: Angela Peres/Secom)
O espaço, cedido pelo governo do Estado, tem capacidade para 200 pessoas, mas nas últimas semanas está abrigando 1.300. Um mundo de línguas e histórias, "bonjour" nas primeiras horas do dia, "buenas tardes" à medida que o calor aumenta, "merci" sempre, "gracias" ainda mais... O que poderia se tornar um caos e revolta ainda maior transparece polidez e alguns sorrisos.

Manhã cedinho e pé no chão, lá se vão lavar a roupa da semana, escovar os dentes, despertar para mais um dia de luta. Em meio ao charco que rodeia o abrigo, o risco para transmissão de doenças. Há aqueles que trabalham para deixar o ambiente um bocadinho mais limpo.

Trissaint Ezechiel segue sempre sorridente, mesmo limpando a sujeira feita pelos colegas
(Foto: Arison Jardim/Secom)
Direto de L’Estère, Hait, Trissaint Ezechiel varre com simpatia a sujeira de seus companheiros. Simpatia em pessoa, Ezechiel informava sobre seus passos: lá ia ele tentar o café da manhã - pão e café com leite -, fornecido pelo governo do Estado.

Mesmo que as condições não sejam as melhores, o sorriso era recorrente. O lugar transparece esperança, como se aquela lama, colchões no chão, mil corpos dividindo o mesmo ar poeirento fossem o último estágio de sofrimento antes de uma nova vida.

O abrigo também é lugar de ouvir histórias. René Guerson, 31, já conhecia o Brasil, ainda mais a zona rural. Em 2010 ele foi um dos jovens haitianos escolhidos pelo Movimento Sem-Terra para conhecer a cultura camponesa.

São 1.300 histórias de uma nova vida, e o Acre virou uma porta de entrada para elas
(Foto: Angela Peres/Secom)
No Brasil, Guerson teve oportunidades de vivenciar o campo em diversos Estados, como São Paulo, Espírito Santo e Sergipe. Por meses pôde estudar no Instituto Federal  do Sergipe. Agricultura agora é sua especialidade, coisa que vem de família, já que o pai e a mãe eram agricultores.

Passado um ano de experiência, voltou ao seu país, mas, insatisfeito com as oportunidades, juntou dinheiro trabalhando com o que aprendera e se mandou para o Brasil novamente, agora pela rota ilegal. O Brasil passou a conceder 1.200 vistos legais por ano para os haitianos, porém, a demanda cresce a cada dia, e a maioria prefere passar 15 dias viajando para tentar a sorte na fronteira Peru-Brasil.

Outras nacionalidades estão utilizando a rota da imigração ilegal que passa pelo Acre. Os senegaleses já são 71
(Foto: Arison Jardim/Secom)
Grupos vindos de outros países têm se formado - senegaleses, dominicanos e um rapaz de Bangladesh. Logo pela manhã, um grupo se reúne para ler o Corão, livro sagrado dos islamismo. São do Senegal, e um deles afirma: “Nós, senegaleses, não temos problemas, só queremos trabalhar, tudo é trabalho”.

Eheilham Arimar-Thiam, 34, é como se fosse um líder no grupo. Fala português e está sempre à frente na conversa. O motivo da vinda de todos é só um: “Nosso país é muito pobre, não tem guerra, mas também não tem emprego”. Passou sete meses estudando o português, viajou vários países trabalhando e agora pretende chegar a São Paulo para encontrar o irmão.

As mulheres

Liceron Marie procura por emprego em sua área; quer trabalhar como enfermeira 
(Foto: Angela Peres/Secom)


“Sou enfermeira e quero trabalhar com o que eu sei. As empresas só contratam homens”, suplica Liceron Marie, 26, vinda de Delmas, Haiti. Uma realidade ainda mais dura para as mulheres, pois a maioria das empresas que recrutam os imigrantes é de construção civil.

Um estudo que envolve profissionais do Brasil, Equador, Peru, Bolívia e Haiti, realizado por organismos nacionais e internacionais já está sendo feito. No caso do Brasil, a Organização Internacional para as Migrações (OIM), ligada às Nações Unidas, vai fazer parceria com o Ministério do Trabalho e Emprego.

O coordenador no Brasil é o professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas Gerais Duval Fernandes. O mercado de trabalho feminino já está entre os temas. “Elas não vão para a construção civil [maior contratante]. A possibilidade é conseguir trabalho em profissões como empregadas domésticas ou áreas de serviços”, diz o professor.

Apesar da dura viagem e das condições impróprias no abrigo, crianças também chegam ao Brasil pela rota ilegal
(Foto: Angela Peres/Secom)
Outro ponto importante é a expectativa dos que chegam aqui. Muitos se submetem aos "coiotes" (espécie de atravessadores humanos), com a promessa de ganhar um salário de até R$ 10 mil. Mas a realidade encontrada é outra. A enfermeira Liceron está há um mês em Brasileia e soube de oportunidades a partir de um primo, que conseguiu chegar até São Paulo.

Uma das mulheres é contadora e mostra seu cartão comprovando a formação. Helas Rose-Mythe está há mais de um mês tentando ter acesso a sua documentação para permanecer legalmente no país e tentar a sorte. Ela, como os tantos e tantos seres humanos, dignos de uma boa vida, tentam o mínimo no Brasil.



Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...