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IMIGRANTES DO HAITI E SENEGAL ENCAMINHAM DEMANDAS AO GOVERNO DO ESTADO

Demandas são relacionadas às áreas de saúde, educação, aprendizagem da língua 
portuguesa e inserção no mercado de trabalho - Foto: Divulgação/SDSTJDH

27/07/2018 

Imigrantes haitianos e senegaleses encaminharam demandas ao governo do Estado, nesta quinta-feira (26), para buscar melhor acolhimento e integração no Rio Grande do Sul. As reivindicações, entregues na Secretaria de Desenvolvimento Social, Trabalho, Justiça e Direitos Humanos (SDSTJDH), são relacionadas às áreas de saúde, educação, aprendizagem da língua portuguesa e inserção no mercado de trabalho.

Conforme a diretora do Departamento de Direitos Humanos e Cidadania da SDSTJDH, Maria da Graça Paiva, uma reunião mais ampla ocorrerá nos próximos dias, com a participação de representantes da Fecomércio, FGTAS, Delegacia do Trabalho, Sebrae-RS e Procon-RS, onde as questões de empregabilidade e empreendedorismo serão tratadas. 

Participaram do encontro Nandie Saint-Paul, do grupo de imigrantes da Lomba do Pinheiro; James Derson Chadle, da Associação de Integração Social dos Imigrantes; o padre Gustot Lucien, do Centro ítalo Brasileiro de Assistência e Instrução as Migrações; a coordenadora de Igualdade Étnico Racial da SDSTJDH, Tânia Neves de Paula; a assessora Márcia Sigal e os estagiários do departamento, Andrews Rudyard e Ana Júlia Guilherme.

Texto: Ascom SDSTJDH
Edição: Gonçalo Valduga/Secom


Do abrigo lotado à faculdade de direito: a saga de uma haitiana cega no Brasil

Nadine domina quatro idiomas, mas teve dificuldade de conseguir emprego ao chegar 
no Brasil; empresários só recrutavam homens - Fotos: João Fellet e Paula Fróes

15/07/2015

João Fellet - @joaofellet
Da BBC Brasil em Washington

Enquanto uma multidão se acotovelava à espera das quentinhas com o almoço, uma mulher esperava em silêncio no canto, torcendo para que sobrasse comida para ela.

Deficiente visual e viajando sozinha, a haitiana Nadine Talleis estava há quase dois meses naquele abrigo quando a BBC Brasil a abordou durante uma reportagem sobre a crise migratória no Acre, em 2013.

Após a entrevista, ela pediu ajuda para que pudesse deixar o alojamento, um ginásio cercado por lama onde 1.300 imigrantes dividiam dois banheiros e dormiam num espaço que deveria abrigar 200.

Passados dois anos, Nadine hoje mora no Distrito Federal, cursa o terceiro semestre da faculdade de Direito e pretende ser diplomata.

"Aquele foi o momento mais difícil desde que eu cheguei aqui", lembra Nadine, de 29 anos, em conversa pelo telefone nesta semana.

Estado de emergência

As condições do abrigo em Brasileia fizeram o governo do Acre decretar estado de emergência.

Com a carteira vazia, Nadine estava angustiada porque os empresários que visitavam o centro todos os dias para contratar imigrantes só recrutavam homens, em geral para serviços braçais no Sul e Sudeste.

"Eles iam embora e eu pensava: 'vou ter que passar outra noite neste lugar'."

Sem conseguir se deslocar pela cidade, pois só tem 15% da visão, ela contava com voluntários e funcionários do abrigo para encontrar algum emprego como massagista ou telefonista.


Imigrantes viviam amontoados e em más condições de higiene no abrigo em Brasiléia, no Acre

A haitiana já havia desempenhado as duas funções ao viver por três anos na República Dominicana, antes de se mudar para o Brasil.

Na capital Santo Domingo, ela fez um curso de massagem e, ao trabalhar num call center, aprendeu a falar espanhol e inglês. Como já conhecia o francês e o creole, as línguas oficiais do Haiti, passou a dominar quatro idiomas.

Infância e terremoto

Nadine cruzou a fronteira com a República Dominicana após o terremoto que atingiu o Haiti em 2010. Ela vivia no país natal com o avô, que lhe criara desde que seus pais haviam morrido, em sua infância.

Apesar dos crescentes problemas para enxergar, conta que "tinha tudo de que precisava".

Filha única, Nadine diz ter herdado duas casas dos pais, o que lhe garantiu certa segurança financeira.
No entanto, o terremoto pôs abaixo os dois imóveis, causando-lhe um grande prejuízo.

Como o avô estava velho e não podia sustentá-la, Nadine foi morar com parentes na República Dominicana. "Eles tratam muito mal os haitianos lá", lembra.

Estima-se que 500 mil pessoas nascidas no Haiti ou de ascendência haitiana vivam na República Dominicana.

"Não vou dizer que tenho tudo, mas estou feliz porque, apesar de todos os problemas, consegui encontrar o meu caminho."Nadine Talleis

Grande parte do grupo está num limbo jurídico desde que, em 2013, a Justiça do país decidiu que filhos de imigrantes ilegais nascidos após 1929 não têm direito à cidadania dominicana, o que abriu o caminho para deportações em massa.

Nadine diz ter decidido deixar o país após gastar 30 mil pesos dominicanos (cerca de R$ 2.100) para tentar regularizar sua documentação, sem êxito. "Doeu muito o meu coração."

Ela soube que um tio havia migrado para o Brasil e que o país era mais aberto a estrangeiros.

Com as economias que lhe restavam, voou da República Dominicana até o Equador e, de lá, contou com a ajuda de outros haitianos para viajar de ônibus até a fronteira do Brasil com o Peru.

"Pensei que o Brasil poderia me ajudar, porque havia progresso no Brasil", ela disse em inglês ao ser entrevistada ainda no abrigo, em 2013.

No país, diz ter notado semelhanças entre haitianos e brasileiros. "A alegria do brasileiro se parece muito com a nossa. E quando você tem alegria, não falta nada."

'Nadjíne'

Hoje Nadine fala português com desenvoltura e se apresenta como "Nadjíne", versão abrasileirada de seu nome.

Foi sua habilidade linguística que chamou a atenção de funcionários do alojamento no Acre. Como não contavam com intérpretes, eles passaram a recorrer a Nadine para traduzir diálogos com imigrantes haitianos, senegaleses e dominicanos.

Um dos funcionários lhe sugeriu que tentasse a sorte em Brasília e lhe pôs em contato com pessoas que poderiam ajudá-la na capital.

Essas pessoas, diz ela, acabaram se tornando sua "família adotiva".

Nadine passou alguns meses na casa deles e ouviu que uma faculdade próxima, na cidade-satélite de Taguatinga, abrira inscrições para o vestibular.

Imigrantes viviam amontoados e em más condições de higiene no abrigo em Brasiléia, no Acre

Ela se registrou e fez a prova para direito. Passou. "Foi o dia mais feliz da minha vida", recorda.

Mas Nadine não tinha dinheiro para pagar o curso, e sua "mãe adotiva" sugeriu que ela procurasse um trabalho e, quando estivesse estabilizada, tentasse a vaga outra vez.

Nadine resolveu se matricular mesmo assim. "Eu disse para ela: 'eu vim aqui para estudar. Se fosse para ficar sem fazer nada, não precisaria ter vindo'."

No primeiro semestre, Nadine pagou as mensalidades da faculdade Mauá com a ajuda da família adotiva. Até que conseguiu uma emprego de auxiliar administrativa na própria instituição e ganhou uma bolsa integral para prosseguir com o curso.

Nas aulas, Nadine anda sempre com um gravador. A haitiana acessa os livros por meio de um programa de computador que lê os textos para ela.

Hoje ela aluga um apartamento perto da faculdade, em Vicente Pires.

'Dom de conversar'

A haitiana já planeja os próximos passos. Depois de se formar, quer seguir a carreira diplomática. Ela pretende usar a facilidade que tem de se comunicar para ajudar países a se entenderem.

Religiosa – é adepta do adventismo –, Nadine diz ter recebido de Deus o "dom de conversar".

"Eu gosto muito de paz, de tranquilidade, e acho que posso ajudar o mundo com esse dom."

Como a legislação brasileira proíbe a contratação de diplomatas estrangeiros, Nadine sabe que talvez tenha de buscar trabalho em outros países.

Por enquanto, ela tem outro objetivo mais imediato: publicar um livro sobre sua vida. Nadine começou a escrever a obra neste mês e pretende terminá-la até o ano que vem.

Ela diz acreditar que sua trajetória possa inspirar outras pessoas.

"Não vou dizer que tenho tudo, mas estou feliz porque, apesar de todos os problemas, consegui encontrar o meu caminho."

Fonte: BBC Brasil


Prefeitura de Porto Alegre pede doações para receber haitianos

Grupo de imigrantes embarcou para a Região Sul do país (Foto: Yuri Marcel/G1)

26/05/2015

Prevendo a chegada de mais de 400 haitianos e senegaleses nos próximos dias, a Prefeitura de Porto Alegre, através da Secretaria Municipal de Direitos Humanos, pede doações para auxiliar no acolhimento dos imigrantes. Os materiais podem ser entregues a partir deste domingo (24) no Centro Humanístico Vida, localizado na Avenida Baltazar de Oliveira Garcia, 2132, no Bairro Sarandi, na Zona Norte da cidade. O mesmo local vai receber os imigrantes.

“Já preparamos o processo de recepção dos haitianos. Não é um lugar ideal, mas é adequado, com condições básicas necessárias, como banheiro e cozinha. Precisamos muito [de doações]”, afirma ao G1 o titular da pasta, Luciano Marcantônio. Colchões, lençóis, cobertores, roupas e material de higiene são os itens mais requisitados.

A transferência de refugiados do Acre, principal porta de entrada brasileira de imigrantes, para outros estados, ganhou força na semana passada. Na terça (19), no entanto, o governo federal suspendeu o envio de haitianos para a cidade de São Paulo, que era até então o destino mais procurado. Com isso, estados da Região Sul viraram alternativa.

A Prefeitura de Porto Alegre reclama de não ter sido avisada previamente sobre o envio e, com isso, não ter tido tempo para preparar um planejamento. “Nunca vi tamanha irresponsabilidade. Quero dizer que não somos contra recebê-los, de forma alguma. Imigrantes, sejam alemães, japoneses, italianos, nós recebemos todos. O que está errado, e é um amadorismo, é essa relação do governo federal com o Acre. Não existe um processo, um acordo, sobre a transferência para outras cidades brasileiras”, critica.

As viagens são pagas com o dinheiro de um convênio firmado pelo governo do Acre com o Ministério da Justiça. No dia 12 de maio, o governo acreano publicou no Diário Oficial a contratação de ônibus para transportar os imigrantes em caráter de "emergência social" para Porto Alegre. O custo estimado para o serviço é de R$ 409.920,00. Ao todo, dez ônibus devem seguir viagem em direção ao Rio Grande do Sul.

O assunto será levado para discussão na quarta-feira (27) em Brasília, em um encontro solicitado pela Prefeitura de Porto Alegre com as autoridades acreanas, mediada pelo Ministério da Justiça. “Está muito mal elaborado. Vamos tentar qualificar o processo para todas as capitais do Brasil. Afinal, não é a primeira vez que isso acontece”, desabafa.

Em novembro de 2014, chegaram à rodoviária de Porto Alegre ônibus com cerca de 300 haitianos vindos do Acre. Na época também não houve aviso prévio por parte das autoridades acreanas. Apenas 20 ficaram na cidade, onde conseguiram emprego e moradia. Os demais, partiram para outros destinos.

Data da chegada ainda é incerta
Ainda assim, informações sobre a chegada dos refugiados ainda são desencontradas. Com o impasse, a Prefeitura de Porto Alegre solicitou, na quinta (21), que os primeiros ônibus saiam de Rio Branco com destino ao Rio Grande do Sul na segunda-feira (25). Por isso, a previsão é de que os estrangeiros desembarquem na rodoviária da capital gaúcha na madrugada de quinta-feira (28). A distância entre as duas cidades é de cerca de 4,1 mil quilômetros e a viagem dura cerca de quatro dias.

Entretanto, existe a possibilidade de alguns chegarem antes. Isso porque dois ônibus partiram do Acre na quinta (21) com destino a Santa Catarina. Segundo Marcantônio, não é descartada a hipótese de alguns haitianos e senegaleses comprarem passagens para seguir para Porto Alegre. O secretário esteve com uma equipe na rodoviária no começo da madrugada deste domingo (24) para monitorar a situação.

“Não sabemos quantos vão vir nessa leva. Fomos para prevenir, pois há muitos boatos. Não temos informações do governo do acre. Através de mensagem, perguntei ao secretário [de Direitos Humanos do Acre, Nilson Moura Leite Mourão], se será mantido o nosso acordo, mas não tive retorno”, observa. “Eu acho que ele vai cumprir [o acordo]. Mas mesmo assim, estamos atentos”, pondera.

Em contato com empresas de ônibus a rodoviária de Florianópolis, ficou sabido que a previsão de chegada na capital catarinense é 22h. Considerando que o trajeto até Porto Alegre leva cerca de sete horas, eventuais estrangeiros só devem desembarcar na capital gaúcha na manhã de segunda-feira (25).

Haitianos no Brasil
A imigração de haitianos que deixaram a terra natal com destino ao Brasil ganhou força em 2010, quando um forte terremoto deixou mais de 300 mil mortos e devastou parte do país. Eles vêm ao Brasil em busca de uma vida melhor e de poder ajudar familiares que ficaram para trás.

Para chegar até o Acre, eles saem, em sua maioria, da capital haitiana, Porto Príncipe, e vão de ônibus até Santo Domingo, capital da República Dominicana. Lá, compram uma passagem de avião e vão até o Panamá. Da cidade do Panamá, seguem de avião ou de ônibus para Quito, no Equador.

Por terra, vão até a cidade fronteiriça peruana de Tumbes e passam por Piura, Lima, Cusco e Puerto Maldonado até chegar a Iñapari, cidade que faz fronteira com Assis Brasil (AC), por onde passam até chegar a Brasiléia, também no Acre.

Fonte: G1


Imigrantes haitianos podem chegar a Porto Alegre na madrugada de domingo

Apesar de negativa do governo acriano, motorista de ônibus informou 
que destino do veículo é Porto Alegre - Foto: Mateus Bruxel / Agencia RBS

23/05/2015

Saída de três ônibus do Acre, dois na quinta-feira e um nesta sexta, surpreende prefeitura de Porto Alegre, que esperava início de viagem apenas a partir de segunda

Porto Alegre se prepara para receber haitianos e senegaleses na madrugada de domingo. A previsão de desembarque foi informada pela empresa Eucatur, que transporta os refugiados. Dois ônibus saíram na quinta-feira de Rio Branco (AC), e outro veículo iniciou viagem na noite desta sexta-feira.

A expectativa de chegada do primeiro grupo no domingo provocou uma reação de surpresa na prefeitura. Conforme  o secretário municipal de Direitos Humanos, Luciano Marcantônio, um acordo firmado com o governo do Acre estabeleceu que os veículos (são pelo menos oito) iriam sair apenas a partir de segunda-feira. Com pouco tempo para se organizar, prefeitura, Estado e entidades montam uma operação para receber os imigrantes.

— Vamos levar até a rodoviária facilitadores, haitianos que vão fazer a primeira abordagem. A prefeitura estará lá de madrugada, com possibilidade de encaminhar os imigrantes ao alojamento da Brigada Militar, na Avenida Aparício Borges — afirmou Marcantônio.

No Acre, o secretário dos Direitos Humanos do governo estadual, Nilson Mourão, disse que o destino final dos imigrantes seria Curitiba. Os que viriam para Porto Alegre, iniciariam viagem a partir de segunda, informação contestada pela Eucatur e por Marcantônio.

A realidade na Chácara Aliança, em Rio Branco, onde fica o alojamento dos refugiados, é confusa e contraditória. Em torno das 19h desta sexta-feira, um coletivo da empresa Eucatur, que faz o traslado até o sul do Brasil, estava estacionado na ruela de chão batido que leva ao abrigo. Os assentos já estavam tomados, restava apenas a conferência dos nomes dos passageiros quando ZH questionou ao motorista o destino do veículo de placa NCU 4112, de Ji-Paraná (RO):

— Porto Alegre — respondeu o homem.

A pergunta foi refeita, com a intenção de confirmar se o ônibus não se limitaria a chegar em Curitiba ou Florianópolis.

— Vai passar por lá. É caminho, mas é para Porto Alegre — reforçou o profissional.

Logo depois, um dos funcionários do governo estadual, de colete verde, informou o contrário. Depois da capital catarinense, daria meia volta e não seguiria ao Rio Grande do Sul. Ele ainda explicou que não haverá como coibir em caso de grupos de imigrantes se reunirem em Florianópolis para tomarem um ônibus por conta própria para seguir a Porto Alegre.

Mourão afirmou que o alojamento onde estão os haitianos e senegaleses encontra-se em situação precária:

— Não podemos demorar muito. Se isso acontecer, as pessoas não saem do abrigo, e novos imigrantes não param de chegar. São cerca de 40 por dia. Não há como suportar. No limite, podemos abrigar 200 pessoas. Depois disso, é só caos — justificou Mourão.

No momento, o alojamento está com quase 600 pessoas. A superlotação causa problemas como precariedade nas acomodações, falta de água e parcas condições sanitárias, o que coloca em risco a saúde de pessoas já vulneráveis.

— O espaço é pequeno, caixas d'água não suportam, colchões estão deteriorados — afirmou Mourão.

Ao todo, está prevista a ida de oito ônibus rumo a Porto Alegre, que irão transportar 352 imigrantes. A maioria descerá na capital gaúcha, em Florianópolis e Curitiba. O destino mais frequente dos imigrantes é São Paulo, para onde as jornadas foram interrompidas nesta semana, após ônibus chegarem sem aviso prévio.

Marcântonio disse que uma empresa já entrou em contato com a prefeitura para contratar 50 imigrantes.

Fonte: ZH

Governador do AC diz que imigrantes são responsabilidade da União

Com a falta de ônibus, abrigo de imigrantes enfrenta superlotação em Rio Branco. 
(Foto: Veriana Ribeiro/G1)

18/05/2015

Tião Viana disse que Ministério da Justiça terá que assumir acolhimento.
Desde 2010, Acre tornou-se porta de entrada para imigrantes no Brasil.

O governador do Acre, Tião Viana, anunciou, nesta sexta-feira (17), que o Ministério da Justiça deverá assumir o trabalho de acolher e encaminhar para outros estados os imigrantes, na maioria haitianos, que utilizam o estado como porta de entrada para o Brasil. De acordo com o gestor, o estado não possui mais condições de realizar esse trabalho.

Viana esteve reunido com representantes dos Ministérios Públicos Estadual e Federal, além dos secretários de Desenvolvimento Social (Sedens) e Justiça e Direitos Humanos (Sejudh) para falar sobre a decisão. Ele também anunciou a medida em seu perfil no Twitter.

"Fomos levados a comunicar ao Ministério da Justiça a necessidade do mesmo assumir o acolhimento e encaminhamento dos imigrantes, que fizeram do Acre uma rota internacional. Já são mais de 36 mil, oriundos de 13 países, sendo essa uma responsabilidade constitucional da União", disse na rede social.

Com uma dívida de mais de R$ 3 milhões, Viana disse também que o Acre não possui mais condições de assumir integralmente a assistência aos imigrantes. "Tudo fizemos em colaboração mas, não nos é possível ir além. É uma questão de Estado Nacional, cabendo ao ministro da Justiça. O Governo do Acre, por razões humanitárias, tudo que pôde fez para prestar sua solidariedade aos imigrantes, todavia, exauriu-se no caso", explicou no Twitter.

Transição

De acordo com o secretário de Justiça e Direitos Humanos, Nílson Mourão, a passagem da responsabilidade sobre os imigrantes para o governo federal será feita de maneira gradual. "Não vamos abandonar os imigrantes. Vamos estudar para saber como será o processo de transição", explicou. No entanto, ele não disse em quanto tempo esse trabalho será concluído.

Segundo Mourão, nos próximos dias uma comissão do governo federal deve chegar a Rio Branco para analisar o processo de transição e definir os prazos.

Em coletiva, governo entrega gestão de imigrantes ao 
governo federal (Foto: Iryá Rodrigues/G1)

Dificuldades 

Com capacidade física para acolher 240 pessoas, o abrigo montado pelo governo do Acre, em Rio Branco, tem atualmente 800 imigrantes. Esse número, todavia, deve aumentar, já que segundo a Sejudh, cerca de 70 novos imigrantes chegam ao local todos os dias e poucos têm ido embora, desde que o contrato com a empresa responsável por levá-los até São Paulo foi interrompido por falta de pagamento.

A dívida do Estado com a empresa de transporte ultrapassa R$ 3 milhões. Desde 2010, quando os imigrantes passaram a utilizar o Acre como rota, mais de R$ 10 milhões já foram investidos para acolhê-los.

O procurador regional dos Direitos do Cidadão, Luiz Gustavo Mantovani, disse que vai avaliar nos próximos dias, em uma ação conjunta com os órgãos de Brasília, as medidas que podem ser tomadas para tentar solucionar a dificuldade do governo do Acre em dar continuidade à prestação do auxílio humanitário aos imigrantes.

De acordo com o procurador-geral do Ministério Público do Trabalho no Acre (MPT-AC), Marcos Cutrim, o órgão vai, juntamente com o MPF, estudar medidas no âmbito extra-judicial e se for o caso, no âmbito judicial, no intuito de trazer a União para essa responsabilidade e promover todas as políticas públicas, que inclui desde o abrigamento até a emissão de documentos, para que esses estrangeiros tenham seus direitos humanos respeitados no país.

"Uma vez que a imigração envolve eminentemente a busca de estrangeiros por trabalho, surge aí a atribuição do MPT em buscar políticas públicas adequadas que sejam prestadas a esses trabalhadores. Temos duas formas de atuar nesse caso, primeiro é chamar os órgãos do governo federal para dialogar e tentar um acordo para que prestem o serviço que o Estado tem prestado hoje. Se não for possível pelo diálogo, pretendemos buscar alguma medida judicial, possivelmente alguma ação civil pública", afirma Cutrim.

O G1 entrou em contato com o Ministério da Justiça para saber o posicionamento do órgão, mas até a publicação desta matéria não obteve resposta.

Superlotação

No dia 26 de março, chegou ao conhecimento do G1, que devido à uma dívida que supera R$ 3 milhões com a empresa de ônibus, contratada em abril de 2014 para o transporte dos imigrantes até São Paulo, foi um dos principais fatores para a superlotação no abrigo de imigrantes. Com o serviço de transporte suspenso, os estrangeiros não conseguiam deixar a cidade.

Rota de imigração

Imigrantes chegam ao Acre todos os dias através da fronteira do Peru com a cidade de Assis Brasil, distante 342 km da capital. A maioria são imigrantes haitianos que deixaram a terra natal, desde 2010, quando um forte terremoto deixou mais de 300 mil mortos e devastou parte do país. De acordo com o governo do estado, desde 2010, mais de 32 mil imigrantes entraram no Brasil pelo Acre.

Eles vêm ao Brasil em busca de uma vida melhor e de poder ajudar familiares que ficaram para trás. Para chegar até o Acre, eles saem, em sua maioria, da capital haitiana, Porto Príncipe, e vão de ônibus até Santo Domingo, capital da República Dominicana, que fica na mesma ilha. Lá, compram uma passagem de avião e vão até o Panamá. Da cidade do Panamá, seguem de avião ou de ônibus para Quito, no Equador.

Por terra, vão até a cidade fronteiriça peruana de Tumbes e passam por Piura, Lima, Cusco e Puerto Maldonado até chegar a Iñapari, cidade que faz fronteira com Assis Brasil (AC), por onde passam até chegar a Brasiléia.

Fonte: G1 Acre

Haitianos ficam em Manaus até três meses em média


Grupo de 130 haitianos chegou a Manaus na manhã desta terça (17). Foto: Islânia Lima


17/04/2012 - Islânia Lima . portal@d24am.com

Informação é do representante da Pastoral do Imigrante, padre Gelmino Costa. Na manhã desta terça (17), grupo de 130 haitianos chegaram a Manaus.

Manaus - Cerca de 130 haitianos desembarcaram no início da manhã desta terça-feira (17) vindos do município de Tabatinga, distante 1.106km de Manaus.

Logo após a chegada, o grupo passou por um processo de cadastramento de controle feito por voluntários da Pastoral de Imigrantes da Arquidiocese de Manaus, no Ginásio da Paróquia São Geraldo.

De acordo com um dos representantes da Pastoral do Imigrante, padre Gelmino Costa, os haitianos que chegaram hoje na capital são apenas uma parte dos 350 previstos para desembarcar nos próximos dias. "Eles foram liberados pela Polícia Federal porque já estavam a caminho quando houve o fechamento da fronteira no final de janeiro", afirmou.

Permanência em Manaus

Padre Germino afirmou que muitos haitianos apenas passam em média de dois a três meses em Manaus e seguem para outros estados do Brasil. "Alguns se estabilizam aqui na cidade,  já outros buscam salários melhores em grandes metrópoles do país", disse. 

Com as malas prontas, a haitiana Bartherlemy Wilta conta que a passagem dela por Manaus é passageira. Acompanhada do namorado, a imigrante pretende chegar até São Paulo em busca de emprego. "Lá no Haiti, ouvimos falar muito do Rio e São Paulo. Então, Manaus é apenas uma passagem para nós", declarou.

Equipes da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) também estiveram no local para fazer o cadastramento dos haitianos no Sistema Único de Saúde (SUS) e verificar o estado de saúde dos imigrantes. 

Saúde

Segundo o assistente de saúde da Semsa, Charles Gomes o objetivo do cadastramento é fazer o mapeamento dos novos haitianos e verificar o estado de saúde. "O registro deles ficará no banco nacional de dados do SUS e poderão ser atendidos em todo Brasil. A Semsa pretende procurá-los para que seja feito exames de rotina e verificar o estado de saúde deles", destacou.

Após o cadastro,  as mulheres haitianas foram encaminhadas pela pastoral para a casa Acolhida São Francisco e os homens para um galpão no bairro Shangri-lá.

Fonte: D24am.com

Haitianos transformam creche abandonada em casa em Manaus


De 15 a 20 haitianos que imigraram para Manaus em busca de emprego devem morar no local onde funcionava a creche dirigida pela Sociedade Educadora Beneficente Madre Tereza.

Cleidimar Pedroso

Manaus - Uma creche abandonada há 12 anos na Rua Chico Mendes, no bairro Zumbi 2, zona leste, está sendo reformada por um grupo de imigrantes haitianos para servir de moradia. De 15 a 20 haitianos que imigraram para Manaus em busca de emprego devem morar no local onde funcionava a creche dirigida pela Sociedade Educadora Beneficente Madre Tereza.

Vizinhos do prédio abandonado elogiaram a iniciativa. “Antes, o prédio abandonado era ocupado por usuários de drogas e ofereceram risco para quem mora ou passa pelas proximidades do prédio”, disse a dona de casa Maria do Socorro, 43.

Um dos haitianos que trabalha na reforma do prédio, Enock Sanoly, 32, disse que a reforma do prédio deve durar duas semanas. “Estamos fechando duas entradas que não tinham portas por onde pessoas entravam e ficavam escondidas no prédio. Retiramos muito entulho e lixo que elas deixaram lá dentro”, disse.

Enock e outro 40 haitianos estão morando em uma igreja católica no Conjunto Nova República, zonas leste de Manaus. “Estamos no Brasil em busca de melhores condições de vida. A maioria dos que está na igreja não está trabalhando”, disse.

De acordo com os dados da Polícia Federal, de fevereiro até dezembro do ano passado, entraram na cidade 475 haitianos. Neste ano, foram registrados 294.

No dia 12 de janeiro do ano passado, um forte terremoto atingiu o Haiti destruindo a capital, Porto Príncipe, e deixando 250 mil mortos e centenas de milhares de desabrigados.
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