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ARTE SE CONECTA À AJUDA HUMANITÁRIA EM SALVADOR

Arte se conecta à ajuda humanitária em Salvador - Foto: Leticia de Oliveira

22/06/2017

Parte do evento Conexões MSF, grafite Diário de Arte foi finalizado no dia 4 de junho

A organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) ganhou uma homenagem artística que marcou as paredes da estação rodoviária Nova Lapa, na cidade de Salvador, na Bahia. A entrega do grafite Diário de Arte, feito pelos artistas Éder Muniz e Raphael Ribeiro, foi parte do encerramento do evento Conexões MSF, realizado em Salvador do dia 27 de maio ao dia 4 de junho.

Arte se conecta à ajuda humanitária em Salvador

No grafite pintado por Éder e Raphael, a ação humanitária é representada por um pássaro que se conecta ao ser humano, fazendo uma alusão à mensagem de ultrapassar fronteiras para oferecer cuidado e assistência. “Esse trabalho busca a essência do médico. É a ideia de estar próximo do paciente, de entender cada caso, ou seja, de sair desse ponto comercial que a gente vê hoje, essa comercialização da medicina”, explica Éder. “É incrível poder juntar o nosso trabalho com a ajuda humanitária, e poder mostrar e falar disso aqui, na Lapa”, diz o artista.

Para Raphael, a exposição dessa obra em um lugar de grande circulação é motivo de orgulho. “MSF realiza seu trabalho de ajuda em lugares de guerra e onde as pessoas estão sofrendo. Poder fazer esse painel é compartilhar um pouco dessa história para a população, e isso, para mim, foi fantástico”, diz ele.

O painel, feito ao longo das duas últimas semanas, ficará exposto na estação pelos próximos meses na entrada dos ônibus da estação Nova Lapa.

Estação Nova Lapa
Av. Vale do Tororó, s/n
Bairro Tororó
Salvador, BA

SUDÃO DO SUL: MEDICINA HUMANITÁRIA EM MOVIMENTO

Foto: Siegfried Modola

19/04/2017

Fotógrafo Siegfried Modola fala sobre a provisão de cuidados de saúde às populações deslocadas e em perigo na província de Leer, no norte do país

O Sudão do Sul, país que se separou do Sudão em 2011 após décadas de conflito, está atualmente mergulhado em uma guerra civil entre os grupos étnicos dinka e nuer após tensões políticas entre o presidente Salva Kiir e seu antigo vice, Riek Machar.

O país é a nação mais nova do mundo. É uma região rica em óleo, mas, após anos de guerra, também é um dos lugares menos desenvolvidos no planeta.

Os confrontos dos últimos três anos forçaram milhões de pessoas a fugirem de suas casas, dividiram a população entre grupos étnicos e paralisaram as atividades de agricultura, deixando o país exposto à fome, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU). Ainda segundo a organização, ao menos um quarto dos sul-sudaneses deixaram suas casas.

A parte sul do antigo estado de Unity, região de origem de Riek Machar, foi gravemente afetada pela violência contínua e pelos confrontos duradouros entre o Exército do Governo pela Libertação da População Sudanesa (SPLA, na sigla em inglês) e pelo exército de oposição (SPLA-IO, na sigla em inglês).

Os civis estão pagando o preço mais alto, já que se encontram na frente de batalha do conflito. A população local não consegue ter acesso sequer aos serviços mais básicos e necessários à sobrevivência. Alimento e cuidados médicos são quase inexistentes, à exceção do que é oferecido por organizações humanitárias, quando há segurança o suficiente para realizarem seu trabalho.

Vilarejos inteiros foram incendiados durante confrontos contínuos. Há relatos constantes de violações graves dos direitos humanos perpetradas por diversos grupos armados que atuam na região.  

As pessoas foram deslocadas de seus lares diversas vezes, ou fugiram por completo de algumas regiões. Atualmente, há cerca de 120 mil pessoas no Complexo de Proteção aos Civis da ONU (PoC, na sigla em inglês) de Bentiu, e muitas delas vieram do antigo estado de Unity.

Após o recomeço do conflito em julho de 2016, a população teve que fugir mais uma vez, enquanto a organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) teve de evacuar suas equipes internacionais que estavam em Leer e Thoynor. Em setembro, MSF iniciou um programa de cuidados básicos de saúde para continuar chegando à população necessitada.

Por meio de uma rede de agentes comunitários de saúde, promotores de saúde e promotores de saúde da mulher – cujos membros são parte da população afetada pelo conflito – MSF conseguiu oferecer cuidados de saúde na região.

Agentes comunitários de saúde são treinados para tratar os problemas de saúde mais comuns (como doenças de pele, infecções no trato respiratório, doenças provenientes de água contaminada e malária). Eles ficam na comunidade e, caso a população dali precise fugir, eles vão junto, de modo a continuar oferecendo cuidados. MSF reabastece os grupos de profissionais locais com suprimentos médicos e oferece supervisão e treinamento por meio de suas equipes internacionais.

Decolamos no início da manhã do aeroporto internacional de Juba, capital do país, em um voo de MSF. O aeroporto de Juba é um núcleo de atividade humanitária: diversas organizações de assistência estão tentando mandar suprimentos para a população do país, que carece urgentemente até dos serviços mais básicos.

Estou em um avião de oito lugares com a médica de MSF, dra. Philippa Pet, e um responsável pela segurança, também de MSF, Georg Geyer, líder da nossa equipe. Fazemos um voo de quase duas horas até Thaker, na província de Leer, no norte do país. O avião está cheio de suprimentos médicos e outros equipamentos necessários para nossa estadia de oito dias na floresta.

Aterrissamos em uma parte ventosa e empoeirada da floresta. A cena é desoladora. A certa distância vemos muitos tukuls (cabanas de barro), mas há poucas pessoas por ali.

Duas semanas antes de nossa chegada, Thaker foi palco de confrontos entre diferentes grupos armados. Fomos informados de que muitos homens jovens fugiram com seu gado para outras regiões por razões de segurança.

Alguns minutos depois de nossa chegada, encontramos James*, supervisor de MSF que diz à dra. Philippa que há uma mulher com sérias complicações decorrentes de sua gravidez esperando por tratamento dentro de uma cabana próximo dali. O avião decola para partir sem nós enquanto nos aproximamos da mulher doente.

MSF tem poucos aviões em operação dentro do país, então eles voam com horários restritos. Cada minuto a mais em solo é um minuto desperdiçado em uma localidade diferente.  

A dra. Philippa examina a mulher, cuja gravidez está em estágio avançado. Ela ficou em trabalho de parto durante dois dias, mas o bebê ficou preso e há mais de 24 horas ela não sente nenhum movimento da criança. “Ela precisa ser transferida para nosso hospital de Bentiu”, diz a médica.

O avião que havia decolado há poucos minutos é chamado de volta pelo rádio após a dra. Philippa receber autorização para encaminhar a paciente à equipe de MSF em Juba. A jovem e uma acompanhante são levadas ao hospital de MSF que fica dentro da base da Missão da ONU para o Sudão do Sul (UNMISS, na sigla em inglês) em Bentiu, na província de Rubkona, para receber tratamento de emergência.

Na noite do mesmo dia, a equipe recebe a notícia maravilhosa de que a mãe está bem e de que o bebê nasceu frágil, mas vivo.

Poucas horas após nossa chegada em Thaker, a equipe estrutura sua clínica móvel ao ar livre.

Há uma área de espera, onde os pacientes recebem um cartão médico e as crianças são pesadas e avaliadas para febre e sintomas de desnutrição. Depois, os pacientes seguem para a área de consulta, onde são mandados para exames de urina, testes de malária ou diretamente para o ambulatório, onde podem receber medicamentos.

Pouco depois de meio-dia, já há dezenas de pessoas esperando ser atendidas sob a sombra de algumas árvores de acácia. São, em sua maioria, mulheres e crianças que vieram receber cuidados médicos. Há alguns homens idosos, mas, durante todos os dias em que estive aqui, vi pouquíssimos homens jovens. Ouvi dizer que a maioria deles partiu para os campos de gado.

O lugar é quente e inóspito. Ao meio-dia, a temperatura deve superar os 35 graus Celsius. A sensação é de secura. O vento queima a pele. Sinto sede constantemente. Não é um lugar em que as pessoas podem se dar ao luxo de adoecer. Eu me pergunto como essas mães e crianças sobrevivem em um ambiente tão hostil.  

Vejo uma mulher que não consegue andar direito se aproximando da clínica com o apoio de familiares. Tento entender o que aconteceu com ela.

Nyalolah*, de 16 anos, chega à clínica com a ajuda de seus familiares, que relatam uma série de episódios de colapso que testemunhamos pouco antes de sua chegada. Durante essas crises, ela fica sem reação e seu corpo inteiro fica tenso.    

A dra. Philippa me diz que a causa do problema não é clara, já que o exame físico não revelou qualquer anormalidade, que as crises não mostram qualquer característica de epilepsia e os exames feitos, ainda que limitados, tiveram resultado negativo. Nesse contexto, é difícil lidar com esse tipo de caso.  

Outra mulher chega com sua filha, que apresenta sinais de desnutrição grave. O bebê parece muito mais novo do que realmente é.

Uma idosa chega acompanhada de um parente – ela anda devagar, apoiando-se na outra mulher. Muitas das pessoas que conheci aqui percorreram longas distâncias para receber tratamento médico.

Vejo outra mulher deitada no chão, ao lado da fila para ser atendida. Ela está muito fraca para ficar sentada.

Uma mulher gravida é estabilizada após ficar inconsciente.

Nos meus três primeiros dias em Thaker, a equipe de MSF tratou mais de 600 pacientes.

Nyareat*, de 24 anos, chega acompanhada de sua filhinha de quatro meses, Nyakueka*, que tem febre. Ela andou durante uma hora para chegar até a clínica.

Há dignidade entre as pessoas que conheci, que enfrentam um grande sofrimento diário para sobreviver.

No fim da tarde, uma mulher com suspeita de meningite chega à clínica acompanhada de um grupo de familiares.

“Essa história deveria ser sobre os profissionais locais de MSF no projeto. Eles são os que enfrentam boa parte dos perigos em suas profissões. Eles são alvejados por gangues armadas que acham que eles têm dinheiro, visto que trabalham para uma organização internacional. Meu trabalho aqui é treiná-los, e garantir que eles saibam diagnosticar e tratar pacientes. Eles que ficam para trás quando vamos embora”, diz a dra. Philippa.

James*, de 33 anos, é supervisor de MSF. Ele trabalha para a organização há um ano e é o líder da equipe nesta região. Ele explica os perigos de seu trabalho.  

“Como agentes de saúde, fazemos um trabalho perigoso. Seguimos a população em qualquer localidade onde esteja ou para onde quer que vá. Uma vez, passei oito horas no pântano com outras pessoas para que pudéssemos nos esconder de homens armados. Cinco pessoas foram baleadas e morreram ao meu lado nesse dia. Também me lembro de ver uma mãe segurando o filho, tentando amamentá-lo, sem saber que ele havia morrido. Contudo, eu amo esse trabalho. Amo servir a minha comunidade, porque as pessoas precisam de assistência médica. Elas precisam que nós estejamos aqui para ajudá-las. Muitas delas morrem porque não conseguem chegar a tempo ao hospital. Muitas crianças morrem de desnutrição, e também pela falta de vacinas”, diz James.

Richard*, de 34 anos, é agente comunitário de saúde de MSF. Ele trabalha para a organização desde 2013. Nesse mesmo ano, o projeto de MSF nessa região foi interrompido por questões de segurança.

“Trabalhamos em uma região de muita insegurança. Por isso, o maior problema para a população local é a falta de alimento e cuidados médicos. Temos que nos concentrar e usar da melhor forma possível os suprimentos que MSF nos manda semanalmente”, diz Richard.

Nyasunday*, de 25 anos, é mãe de quatro filhos: Nyapal*, de um ano, Nyakuoth*, de 5, Nyabora*, de 9 e Nyanhial*, de 8. Ela explica sua situação enquanto espera sua consulta médica:

“Todos estamos sofrendo aqui. Os confrontos destruíram nossas casas e agora temos que ficar na floresta. Precisamos nos esconder o tempo todo, porque tememos por nossas vidas. Meu marido está em Juba e não consegue voltar porque a estrada não é segura para uma viagem. Ele não está aqui para me ajudar, e eu estou lutando para cuidar de meus filhos. Não temos alimento e eu me preocupo muito com o futuro. Muitas vezes nos alimentamos de lírios aquáticos para sobreviver. Essa não é uma boa vida para meus filhos. Torço por um amanhã melhor”, diz Nyasunday.

A situação pode mudar de um minuto para o outro, e as equipes de MSF precisam estar preparadas para agir adequadamente. A prioridade é minimizar os riscos do perigo de grupos armados. Normalmente, equipes de MSF não são alvejados nesse tipo de contexto. Contudo, a imprevisibilidade da situação significa que as coisas podem dar errado de repente.

Na tarde do dia 22 de março, já há cinco dias no projeto, ouvimos relatos da população local sobre movimentos de tropas na região, além de rumores sobre a possibilidade de um ataque na vizinhança.

O coordenador de projeto de MSF em Juba toma a decisão de evacuar os profissionais internacionais no dia seguinte, a fim de evitar que eles sejam pegos em meio ao fogo cruzado do conflito.

Na manhã do dia 23 de março, depois de estruturarmos nossa segunda clínica em Gier, a poucos quilômetros de Thaker, voltamos ao ponto inicial para esperar o mesmo avião de MSF que nos trouxe para nos tirar da região.

Georg Geyer, ponto focal da segurança de MSF e nosso líder de equipe neste projeto, explica as dificuldades de trabalhar no Sudão do Sul:

“Trabalhei para MSF em mais de oito países, mas o Sudão do Sul se mostrou um lugar muito difícil para. Posso enxergar claramente as enormes necessidades da população aqui. Eles precisam de alimento e medicamentos. O acesso a áreas como essa de grande insegurança pode ser desafiador. Sou responsável pela minha equipe, e preciso mantê-la em segurança”, diz Georg.

* Por razões de segurança, todos os nomes foram alterados.

Violência contra mulheres e crianças: uma luta diária na Papua Nova Guiné

Foto: Jodi Bieber

05/03/2016

A enfermeira de MSF Aoife Ní Mhurchú fala sobre os esforços da organização para atender vítimas de violência familiar e sexual

Papua Nova Guiné

Na primeira vez em que conheci Mary, ela veio ao projeto de cirurgia de emergência da organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) em Tari, na Papua Nova Guiné (PNG), com ferimentos por todo o seu corpo, pois seu marido havia a agredido com um pedaço de pau. Na segunda vez em que a vi no hospital, ela estava com lacerações terríveis em sua mão; seu marido havia tentado “cortar” sua cabeça com um machete e ela havia levantado a mão para se proteger. Na terceira vez, ele havia dado um soco nela e quebrou seu nariz. E, na quarta vez, menos de um mês atrás, tivemos de suturar cortes na cabeça e nas costas dela depois dele tê-la agredido brutalmente com uma pedra.

Depois, no fim de semana passado, Mary aventurou-se a sair para ir ao mercado em Tari, desafiando as ordens estritas de seu marido para que fique em casa em todos os momentos. Quando ele a encontrou, atacou-a em público, quebrando um braço e uma perna. Agora, ela está de volta ao nosso hospital – pela quinta vez – em uma cadeira de rodas, recuperando-se lentamente.

Ao longo dos últimos oito meses, eu tenho trabalhado como enfermeira gestora do projeto de MSF em Tari – a capital remota de um distrito remoto nesse país insular pouco conhecido no norte da Austrália. Nós trabalhamos na ala cirúrgica do hospital provincial, por vezes ajudando a estabilizar pacientes com ferimentos graves de acidentes rodoviários, queimaduras e abcessos na pele. Mas quase um terço de nossos pacientes são pessoas que foram gravemente feridas por violência familiar e sexual. Quase todos são mulheres e crianças. Nós oferecemos cuidados médicos de primeira linha e cirurgia, quando necessário, no hospital e depois as levamos para receber tratamento especializado e cuidados de saúde mental no Centro de Apoio à Família de MSF logo ali ao lado.

Foto: Jodi Bieber
MSF começou a atuar na PNG há nove anos porque havia uma necessidade enorme desses serviços específicos; frequentemente, eu ouvia as pessoas da comunidade dizendo que MSF havia salvado milhares de vidas estando aqui. Essa parte – ajudar a fazer uma diferença significativa na vida de nossos pacientes – tem sido extremamente gratificante. Mas eu não posso ignorar os problemas que nós, como uma organização, não podemos resolver.

Toda vez que a Mary vinha para receber tratamento, ela estava com muito medo de voltar para casa e ser agredida novamente. Mas ela estava com mais medo ainda do que poderia acontecer se ela deixasse seus três filhos sozinhos, ou sozinhos com seu marido, então sempre recusou meus convites para passar a noite internada.

Nessa última vez, no entanto, quando eu disse a ela que seus ferimentos estavam tão graves que ela não poderia ir para casa, ela teve de ficar internada, e eu pude ver que ela estava aliviada. Ela ainda estava preocupada com seus filhos, mas agora ela teve um tempo de refúgio forçado do seu algoz.

Eu queria que a Mary fosse um caso excepcional, um extremo do que vemos no hospital e no Centro de Apoio à Família. Mas ela não é. MSF tratou 27.993 sobreviventes de violência familiar e sexual desde 2009 e o número aumenta todo ano. Muitas de nossas pacientes vieram mais de uma vez – mulheres presas em relacionamentos abusivos, ou crianças que provavelmente foram abusadas por um membro da família ou por outra pessoa conhecida.

Foto: Jodi Bieber
Isso não é uma exclusividade de PNG, claro. MSF trata pacientes de violência sexual em todo o mundo e, com exceção de zonas de conflito, onde o estupro é muito usado como arma de guerra ou por homens que se aproveitam de uma “quebra” na ordem, a maioria das pessoas que são estupradas já conhecia seu abusador. A diferença na PNG é que os sobreviventes de violência familiar ou sexual, inclusive crianças, frequentemente não tem lugar para onde ir que não seja de volta ao mesmo local inseguro onde nós e eles sabemos que é provável que sofram abusos novamente.

Quando MSF começou a manter esses programas na PNG, havia pouquíssimos programas de qualquer tipo que ofereciam assistência a vítimas de violência familiar e sexual. Hoje, após vários anos oferecendo cuidados médicos e psicológicos, treinando profissionais nacionais, compartilhando modelos de cuidados e trabalhando com o governo para priorizar as necessidades médica e de saúde mental de uma população que sofre níveis extremos de violência, tem havido algumas melhorias. Nesse mês, por exemplo, nós repassaremos o projeto em Tari para as autoridades de saúde provinciais (MSF continuará mantendo outros projetos no país, principalmente para tratar a tuberculose).

Eu senti diferentes emoções a respeito disso, para ser sincera. Enquanto tenho confiança na maravilhosa equipe nacional que MSF treinou e sei que há indivíduos comprometidos em manter esses programas de tratamento com seriedade, ainda há muito pouca proteção disponível para mulheres e crianças que sofrem padrões de abuso. Quando as fraturas de Mary cicatrizaram, não havia nenhum lugar em Tari, ou em grande parte da PNG, para ela e seus filhos buscarem segurança: nenhuma casa segura, nenhum abrigo, nenhum serviço familiar.

Foto: Jodi Bieber
Embora seja difícil encontrar dados nacionais confiáveis, estima-se que as taxas de abuso familiar e sexual na PNG estejam entre as mais altas do mundo, a não ser em uma zona de conflito. Os dados de MSF mostram que a maioria das nossas pacientes é abusada por parceiros, cônjuges, ou membros familiares, e mais da metade é criança. Cerca de metade das nossas pacientes disseram que foram estupradas em casa: uma em cada 10 mulheres disseram que eram violentadas sexualmente de forma rotineira, enquanto duas em cada cinco crianças foram abusadas sexualmente mais de uma vez.

Em muitos dias, vemos lembretes dolorosos da disseminação da violência aqui: nossas próprias profissionais nacionais às vezes vêm trabalhar doloridas demais ou foram espancadas e não conseguem exercer suas funções. As próprias enfermeiras, conselheiras de saúde mental, cozinheiras e profissionais de limpeza que nos ajudam a tratar as mulheres e crianças por esses abusos vis são vítimas deles em suas casas.

Divórcios são possíveis, mas muito complicados. Aqui em Tari, quando uma mulher é casada, o homem deve pagar um “dote de casamento” para a família da noiva. O dote pode ser uma grande quantia – em alguns casos, a tribo inteira do homem contribui com dinheiro e pecuária – e a família da mulher, e sua tribo, devem concordar em devolver o “preço” da noiva antes que ela possa deixar o casamento. Os tribunais tradicionais dos vilarejos podem conceder a uma mulher um divórcio, mas nesta sociedade fortemente patriarcal, eles relutam em fazê-lo.

Foto: Jodi Bieber
O governo deu passos na direção certa, mas seus esforços ainda são iniciais. Unidades de violência familiar e sexual recentemente estruturadas em algumas estações policiais estão definhando sem números adequados de profissionais treinados. A Lei de Proteção à Família, de 2003, que tornou a violência familiar um crime passível de punição – pela primeira vez – não está sendo aplicada adequadamente. E, após sete anos de análise, um ato em prol do bem-estar infantil foi aprovado no ano passado, obrigando os oficiais de proteção à criança a prevenir e responder ao abuso infantil e dando a policiais o poder de remover uma criança de uma situação em que ele ou ela esteja em risco para uma casa segura licenciada. Mas regulamentações para reforçar esse ato não foram aprovadas, e o progresso tem estado estagnado. Além disso, apenas quatro das 22 províncias do país têm orçamento para sua implementação.

Tenho orgulho do trabalho que MSF desenvolveu na PNG, mas estou preocupada que embora tenhamos ajudado a tornar cuidados médicos e de saúde mental urgentemente necessários disponíveis para esses sobreviventes, nós talvez estejamos meramente “consertando-os” para que depois voltem para mais sofrimento, mais abuso, mais violência sexual. Por quanto tempo eles permanecerão sobreviventes?

A única maneira de haver qualquer esperança de um futuro para Mary e todas as outras mulheres e crianças que vivem em um ciclo de abuso na PNG é o governo encontrar vontade política para acompanhar e agir para resolver essas questões. Também é preciso vontade política por parte dos países que doam para a PNG – Austrália sendo o maior deles e os EUA e a União Europeia sendo contribuintes substanciais – para pressionar o país a fazê-lo.

O Dia Internacional da Mulher é no dia 8 de março; é uma boa hora para trazer atenção às vidas de mulheres e crianças desse lugar tão afastado, e para lembrar nossos governos do poder que têm para ajudar a fazer uma diferença significativa.


NA GUINÉ, UMA HOMENAGEM COM LETRA MAIÚSCULA

Foto: Sam Phelps

22/12/2015

Bebê sobrevivente de Ebola leva nome de enfermeira de MSF

Era madrugada do dia 28/10 quando a enfermeira Nubia Aguiar recebeu a informação de que uma paciente gestante do centro de tratamento de Ebola em Nongo, em Conacri, na Guiné, sentia dores. Depois de tentar, sem sucesso, encontrar um ginecologista para assistir o parto, uma vez que não há profissionais dessa especialidade no projeto, Nubia correu para o centro de tratamento. Ao chegar ali, soube que a mãe, portadora do vírus Ebola, havia dado à luz uma menina com a ajuda da coordenadora médica de MSF e de uma enfermeira. Algumas horas depois, infelizmente, a ela sofrera complicações pós-parto e, mesmo com ajuda médica, acabou falecendo. “A partida dela foi muito triste. Ela era jovem, tinha até nos contado que tinha outros dois filhos em casa. Fizemos o possível por ela, mas, infelizmente, não foi suficiente”, conta Nubia. A bebê, no entanto, era motivo de alegria, e respondia bem ao tratamento. Dias depois, havia testado negativo para o vírus. Dali para frente, seria necessário acompanhar bem de perto como ela reagiria diante da possibilidade de o vírus reaparecer.

Como é de costume na Guiné, sete dias depois do nascimento da criança, era preciso dar um nome ao bebê. Os tios foram chamados ao centro de tratamento, onde a menina continuava recebendo cuidados em isolamento. Mesmo à distância, sem poder tocá-la, os tios observavam a criança com carinho, e fizeram suas orações para saudá-la. Foi então que veio a surpresa: “Eles me disseram que a criança se chamaria Nubia, como eu”, relembra emocionada a enfermeira de MSF. “Naquele momento, tudo o que eu consegui dizer foi um simples ‘obrigada’. Depois, soube que meu nome foi lembrado por eu ter sido a primeira estrangeira com quem uma das tias de Nubia teve contato. Imagino que essa foi a forma que eles encontraram de agradecer os cuidados que tivemos e ainda estamos tendo com os membros da família, ainda que tenhamos perdido a mãe da bebê”, conta.

No sábado, 28 de novembro, Nubia recebeu alta do centro de tratamento. Ela é a primeira bebê nascida de mãe com Ebola a sobreviver ao vírus. Nubia, a enfermeira, explica que vai ser necessário observar a criança, e estão previstas visitas semanais. “Até mais frequentes, se necessário. Como ela é o primeiro caso de cura pós-parto com Ebola, não sabemos exatamente como ela vai reagir. Todo cuidado é pouco”, explica. A família foi instruída sobre os cuidados necessários nesse momento, já que Nubia não tem Ebola, mas está sujeita a outras infecções. Amor e carinho, no entanto, não lhe faltarão. “Os tios que se prontificaram a cuidar dela são muito afetuosos e já têm uma filha de um ano e algo. Ela é bastante amada, e isso é o mais importante”, conta a Nubia de MSF, que diz sentir-se honrada por participar de forma tão especial da história da menina.

A Guiné entra agora em contagem regressiva para ser declarada livre de Ebola. Serão necessários 42 dias sem qualquer registro de novo caso. Médicos Sem Fronteiras está, atualmente, repassando a administração do centro de tratamento de Ebola de Nongo ao Ministério da Saúde, mas deve inaugurar uma clínica para sobreviventes de Ebola em dezembro, para oferecer cuidados médicos e apoio psicológico gratuitos.

O surto de Ebola na África Ocidental matou cerca de 11.300 pessoas, principalmente na Guiné, na Libéria e em Serra Leoa. Desde março, equipes de MSF trataram 10.288 pacientes de Ebola; 1.932 deles no centro de tratamento de Ebola em Conacri, na Guiné.

Sudão do Sul: situação humanitária se torna alarmante com escalada de conflito

Foto: MSF

26/05/2015

Aumento da violência forçou a interrupção de serviços médicos, destruiu estruturas de saúde e forçou a retirada de profissionais médicos

A intensificação dos confrontos no Sudão do Sul está expondo os civis à violência generalizada e restringindo gravemente o oferecimento de ajuda que é urgentemente necessária, afirmou a organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF).

Um aumento da violência nos estados de Unity, Jonglei e Alto Nilo resultou na interrupção de serviços médicos e na destruição de estruturas de saúde. Profissionais médicos tiveram de ser evacuados.

“A escalada [da violência] deixou as pessoas em zonas de conflito expostas à violência e sem cuidados médicos e assistência humanitária, que são muito necessários”, disse Paul Critchley, coordenador-geral de MSF no Sudão do Sul. “Todas as partes do conflito devem respeitar civis e estruturas de saúde, a fim de evitar ainda mais sofrimentos desnecessários.”

No estado de Alto Nilo, MSF está oferecendo assistência médica essencial para salvar vidas de pessoas que foram feridas em confrontos violentos em Melut, apesar de não poder mais enviar suprimentos médicos e profissionais. A insegurança em andamento está impedindo aviões de pousarem e forçou centenas de pessoas a buscarem abrigo no complexo de “Proteção de Civis”, da Organização das Nações Unidas (ONU), nos últimos dias. A capacidade de MSF de oferecer cuidados àqueles em necessidade está em risco, a menos que a passagem de profissionais e suprimentos seja garantida.

Em Malakal, MSF também está tratando os feridos dos recentes combates, embora os confrontos tenham impedido a prestação de assistência médica na semana passada para cerca de 30 mil pessoas que estão vivendo no complexo de “Proteção de Civis”, local que tem visto um enorme fluxo de recém-chegados. A situação altamente volátil continua impedindo a entrada de equipes na cidade de Malakal, onde boa parte dos combates ocorreram.

No estado de Jonglei, a cidade de Phom El-Zeraf (Nova Fangak) estava na linha de frente de batalha ao longo dos últimos meses. Durante uma visita à região na terça-feira (19/05), uma equipe de MSF descobriu que a cidade havia sido efetivamente destruída, com árvores e casas desabadas após incêndios e prédios escolares destruídos. O hospital, uma das principais instalações de saúde na parte norte do estado, foi demolido. Sua destruição tem grande impacto sobre as pessoas em uma área com poucas alternativas de cuidados médicos.

No estado de Unity, MSF foi forçada a evacuar seu hospital na cidade de Leer, em 9 de maio deste ano, na medida em que a linha de frente de batalha se aproximou, deixando aproximadamente 200 mil pessoas na região sem nenhum cuidado médico. MSF fez contato, no começo desta semana, com um trabalhador sul-suldanês, que relatou que ele estava escondido com muitos outros civis em uma ilha no pântano, para evitar estar em meio a tiroteios.

“Um foguete carregado de granadas caiu  na água ao lado dele, mas, felizmente, não detonou. Ele passou nove horas na água. Quando conseguiu voltar para a ilha, entregou os corpos de duas crianças que havia retirado da água para seus pais. Ele disse que uma mulher do grupo foi sequestrada e alguém está cuidando do bebê dela”, disse Paul Critchley.

Em Bentiu, os confrontos e a insegurança ao longo das últimas semanas forçaram MSF a suspender diversas clínicas móveis nos arredores da região. Em Nhialdiu, MSF estava oferecendo consultas médicas todos os dias para centenas de pessoas. A organização continua administrando um hospital dentro do complexo de “Proteção de Civis” em Bentiu, que recebeu mais de 11 mil recém-chegados – a maioria deles são mulheres e crianças. Muitas pessoas compartilharam com MSF histórias terríveis da violência da qual  estão escapando: vilarejos inteiros incendiados; famílias separadas; ataques e matanças; tendo de deixar feridos para trás; e violência sexual contra mulheres e crianças. MSF tratou uma mulher grávida que chegou com uma perna gravemente ferida de uma bomba que havia explodido. Ela não pôde receber nenhuma assistência médica por nove dias.

Aqueles que conseguiram chegar a um dos complexos de “Proteção de Civis” também não estão sendo poupados da violência. Bombardeios e tiroteiros frequentes, próximos das áreas onde os civis estão abrigados, resultaram em balas e bombas ultrapassando o local e ferindo moradores em diversas ocasiões. Em março, MSF tratou uma criança de nove anos que foi atingida por um tiro disparado do lado de fora do complexo de “Proteção de Civis” enquanto ela dormia ali dentro. Tensões sectárias também estão elevadas dentro dos acampamentos, com o hospital de MSF em Bentiu tratando o triplo do número de ferimentos relacionados à violência: foram quase 150 casos em abril e cerca de 50 casos todos os meses no ano passado. A estação chuvosa que se aproxima e as condições de superlotação agravadas pelo recente influxo de novas chegadas em vários acampamentos são causas adicionais de preocupação.

MSF é uma das maiores provedoras de ajuda médica e humanitária no Sudão do Sul, tendo mais de 3.500 profissionais pelo país,  além de projetos na Etiópia e em Uganda que recebem refugiados do Sudão do Sul. Até agora, MSF opera projetos em seis dos 10 estados do país, incluindo em Unity, Alto Nilo e Jonglei, onde o conflito tem tido um custo elevado para a vida da população. MSF também administra atividades na Área Administrativa de Abyei. As equipes estão respondendo a diversas necessidades de saúde, incluindo cirurgias, cuidados obstétricos, malária, calazar, vacinações contra doenças evitáveis e desnutrição. MSF pede a todas as partes do conflito que respeitem instalações médicas para permitir que organizações de ajuda tenham acesso a comunidades afetadas e que permitam que pacientes recebam tratamentos médicos, independentemente de suas origens ou etnias. Até agora, neste ano, MSF ofereceu 167.207 consultas ambulatoriais, das quais 62.269 foram para crianças com menos de cinco anos; 10.367 pacientes foram hospitalizados, dos quais 5.123 eram crianças com menos de cinco anos; realizou 5.096 cirurgias e 3.587 partos; 1.102 pacientes estão sob tratamento para calazar; 6.243 crianças foram tratadas por desnutrição, das quais 1.102 foram hospitalizadas.

Fonte: MSF


Cargueiro do Irã com ajuda para Iêmen entra em águas do Golfo de Áden



17/05/2015

Navio transporta 2.500 toneladas de farinha, arroz, medicamentos e roupas.
Arábia Saudita acusa o Irã de entregar armas à rebelião.

Um navio do Irã com ajuda humanitária destinada ao Iêmen, que navega rumo a um porto iemenita controlado pelos rebeldes, chegou neste domingo (17) ao golfo de Áden, apesar das advertências dos Estados Unidos, informou uma agência iraniana.

O cargueiro "Shahed" transporta 2.500 toneladas de ajuda de primeira necessidade como farinha, arroz, medicamentos e roupas, que são escassos no Iêmen devido aos combates.

Os Estados Unidos pediram ao Irã que entregue a ajuda de acordo com as regras da ONU, através da plataforma de distribuição montada no Djibuti, em frente à costa iemenita.

No entanto, o Irã afirmou que havia se coordenado com a ONU para que o navio descarregue no porto iemenita de Hodeida, no Mar Vermelho, sob controle dos rebeldes xiitas huthis.

No barco encontra-se um jornalista da agência iraniana Tasnim, vinculada à Guarda Revolucionária, vários médicos, assim como jornalistas e militantes anti-guerra de Estados Unidos, Alemanha e França.

O capitão do "Shahed", Masud Qazi Mir-Said, disse que espera chegar a Hodeida no dia 21 de maio se as condições meteorológicas continuarem sendo favoráveis, informou a agência Tasnim.

Os Estados Unidos anunciaram que vigiavam o cargueiro, o que irritou as autoridades iranianas, que advertiram contra qualquer tentativa de inspecionar o barco.

A Arábia Saudita, que lidera a coalizão árabe que intervém militarmente no Iêmen desde 26 de março, acusa o Irã de entregar armas à rebelião.

Por sua vez, o Irã afirma que envia apenas ajuda humanitária.

Fonte: G1


Número de mortos após terremoto no Nepal ultrapassa os 7 mil

Homem em área destruída por terremoto no Nepal (Foto: Danish Siddiqui/Reuters)

03/05/2015

Tremor de 7,8 graus destruiu grande parte de Katmandu e vilarejos.
Mais de 14 mil pessoas ficaram feridas, segundo último balanço oficial.

O forte tremor que atingiu o Nepal no dia 25 de abril deixou mais de 7 mil mortos e pelo menos 14 mil feridos, segundo balanço do Centro Nacional de Operações de Emergência do país, divulgado neste domingo (3). No sábado (2), o governo do Nepal já tinha informado não ter esperanças de encontrar mais sobreviventes do terremoto.

Os números oficiais são 7.040 mortos e 14.123 feridos.

O tremor de 7,8 graus de magnitude destruiu grande parte de Katmandu e muitos vilarejos próximos ao epicentro, registrado a 70 km da capital do Nepal.

"Uma semana passou desde o desastre. Estamos fazendo todo o possível em termos de salvamento e assistência, mas já não acredito na possibilidade de encontrar sobreviventes sob os escombros", declarou à AFP o porta-voz do ministério do Interior, Laxmi Prasad Dhakal.

Prosseguem as buscas para localizar quase mil europeus, a maioria praticantes de alpinismo que estavam nas regiões do Everest e de Langtang no momento do tremor.

"Estão desaparecidos, mas não sabemos exatamente qual a sua situação", afirmou Rensje Teerink, embaixadora da UE no Nepal, à imprensa.

O Consórcio de Redução de Riscos no Nepal, uma entidade na qual participam organismos das Nações Unidas, calcula que o terremoto causou o deslocamento de 2,8 milhões de cidadãos (a população do país é de 28 milhões pessoas).

A mesma fonte assinalou que o terremoto destruiu 160.786 casas e outras 143.673 ficaram danificadas, e reivindicou de maneira urgente US$ 415 milhões para enfrentar a crise humanitária vivida pelo país do Himalaia.

Sobreviventes esperam por alimentos

Em várias regiões, os sobreviventes esperam por alimentos e por transporte para um local seguro. "Em muitas áreas, as pessoas não têm acesso à ajuda e é normal que estejam irritadas", admitiu Rameshwor Dangal, diretor da agência nacional de gestão de catástrofes.

"Calculamos que quase mil pessoas precisam de auxílio nas regiões de Rasuwa e Sindhupalchowk", disse. Na capital Katmandu, dezenas de milhares de pessoas continuam dormindo nas ruas. De acordo com as Nações Unidas, 600 mil casas foram destruídas ou danificadas.

De acordo com a Reuters, inspeções alfandegárias no aeroporto de Katmandu estão retendo ajuda para sobreviventes do terremoto no Nepal.

O Unicef alertou para a situação de milhares de crianças desabrigadas, com a saúde em risco, traumatizadas pela tragédia e sem acesso à água potável ou alimentos. "Os hospitais estão lotados, a água começa a faltar, muitos corpos continuam sepultados sob os escombros e as pessoas continuam dormindo nas ruas. É uma situação perfeita para a proliferação de doenças", advertiu Rownad Khan, funcionário do Fundo das Nações Unidas para a Infância.

Acampamentos

Segundo fontes militares, cerca de 75% das vítimas do terremoto de há uma semana que tinham se refugiado nos acampamentos provisórios instalados pelo governo nepalês em Katmandu abandonaram as tendas.

O maior acampamento da capital nepalesa, o de Thudikel, dá refúgio ainda a entre 1.200 e 2.000 pessoas, embora na segunda-feira passada abrigasse entre 9.000 e 12.000, assegurou uma fonte militar que preferiu manter o anonimato.

A fonte assegurou que essa situação se repete em outros 15 acampamentos instalados em diferentes pontos de Katmandu, onde segundo os últimos dados oficiais divulgados pelo Ministério do Interior nepalês, 22.905 casas foram destruídas e outras 60.855 ficaram danificadas.

Muitos dos desabrigados pela tragédia que abandonaram os acampamentos retornaram para suas casas ou ao restante delas para retirar os escombros ou tentar concertar os danos.

Fonte: G1


ONU lança campanha global no Dia Mundial da Ação Humanitária 2013

14/08/2013

Para marcar data, lembrada sempre em 19 de agosto, ONU e parceiros humanitários lançam campanha inovadora chamada “O mundo precisa de mais…” com o objetivo de transformar as palavras em apoio real para pessoas reais.


Anualmente, no dia 19 de agosto, todos os trabalhadores humanitários que perderam suas vidas na tentativa de ajudar as pessoas em necessidade são lembrados por meio da sensibilização para questões humanitárias e dos esforços para ajudar as pessoas.

Este Dia Mundial da Ação Humanitária também marca 10 anos desde que a sede das Nações Unidas em Bagdá, no Iraque, foi bombardeada e 22 trabalhadores da ONU e de agências humanitárias foram mortos – incluindo o chefe da Missão, o brasileiro Sergio Vieira de Mello.

No ano passado, a comunidade humanitária atingiu mais de um bilhão de pessoas no mundo por meio da campanha “Eu estive aqui”.

Nossa meta para 2013 é aproveitar esta incrível expressão de boa vontade em todo o mundo e fazer algo que nunca foi feito antes. A ONU e seus parceiros humanitários estão lançando uma campanha chamada “O mundo precisa de mais…” para transformar palavras em apoio real para as pessoas.

“Nós sabemos que as necessidades humanitárias estão crescendo e, se formos atender a essas necessidades crescentes, temos de fazer as coisas de forma diferente”, disse a chefe humanitária da ONU, Valerie Amos.

Acesse o kit de imprensa da campanha em www.onu.org.br/docs/whd2013.pdf

Datas-chave:

Sexta-feira, 16 de agosto: Lançamento da campanha na Internet e nas redes sociais;
Segunda-feira, 19 de agosto: Eventos comemorativos e lançamento em Nova York, Rio de Janeiro, Dubai, Nairóbi e muitos outros locais.

Recursos de mídia já disponíveis:

www.worldhumanitarianday.org – prévia do site da campanha com:
Mensagem da campanha do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon;
Vídeo do Kid President (http://youtu.be/B5wC1PBbuz0) – já visto mais de 225 mil vezes;
Perguntas e respostas: Como transformaremos as palavras nas redes sociais em favor das populações vulneráveis? Quem são nossos parceiros? Para onde será destinado o dinheiro?

Recursos de mídia em breve (em várias línguas):

A partir de 16 de agosto: Uma série de curta-metragens, incluindo Kid President entrevistando Ban Ki-moon, Valerie Amos, Beyoncé e outros;
A partir de 19 de agosto: Imagens e vídeos de eventos do Dia da Ação Humanitária realizados em mais de 50 cidades em todo o mundo.

Para outras informações e entrevistas:

OCHA Rio de Janeiro
Thereza Jatobá
Email: jatoba@un.org
Tel.: (21) 2253 2211 | (21) 9786 8332

OCHA Nova York
Porta-voz da campanha: Matthew Cochrane
Email: cochranem@un.org
Tel.: +1 646 943 3169 | +1 212 963 7961

UNIC Rio
Valéria Schilling
Assessora de Comunicação
Email: valeria.schilling@unic.org
Tel.: (21) 2253-2211 e (21) 8202-0171

Fonte: ONU


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