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Grécia: fechamento do acampamento Captain Elias em Kos deixa refugiados ainda mais vulneráveis

Foto: Alva White/MSF

11/09/2015

“Agora as pessoas não têm absolutamente nenhum lugar para ir”, diz coordenadora de MSF em Kos

O dia 10 de setembro foi marcado pelo fechamento imediato do acampamento Captain Elias, na ilha de Kos, na Grécia, um prédio improvisado para onde autoridades estavam direcionando refugiados a ficarem por algum tempo enquanto aguardavam seus documentos de registro. A organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF), que usava o prédio para realizar consultas médicas, expressa sua profunda preocupação, pois agora não há oferta de qualquer tipo de acomodação para os recém-chegados, apesar dos pedidos constantes feitos por MSF às autoridades para que providenciassem instalações de recepção adequadas na ilha.

Desde março, uma equipe de MSF atuou no Captain Elias e ao redor de Kos, realizando mais de 4.450 consultas médicas, tratando pacientes, em sua maioria, para doenças crônicas que precisam de acompanhamento médico, infecções do trato respiratório superior, infecções de pele, dores musculares e doenças gastrointestinais.

“É inaceitável que esse fechamento não tenha sido acompanhado por nenhuma decisão das autoridades no sentido de oferecerem outras instalações para os refugiados que chegam a Kos”, disse Elisa Galli, coordenadora de MSF em Kos. “O Captain Elias estava longe de ser o ideal, mas agora as pessoas não têm absolutamente nenhum lugar para ir. Não está claro o que acontecerá a seguir, e as autoridades não estão assumindo sua responsabilidade sobre o bem-estar dessas pessoas vulneráveis. Como já dissemos repetidas vezes, as autoridades precisam garantir que sejam oferecidas instalações de recepção adequadas.”

O prédio abrigou várias centenas de pessoas por algum tempo. Embora as condições de vida fossem precárias, era o único lugar onde os recém-chegados podiam buscar abrigo gratuito e ter acesso à água, banheiros e chuveiros.

Atualmente, 3 mil pessoas estão espalhadas no entorno da cidade de Kos, esperando permissão para deixarem a ilha, o que, normalmente, leva cerca de oito dias.   

“Sem qualquer abrigo, os refugiados estão expostos a condições climáticas que irão piorar em breve, e eles têm pouco ou nenhum acesso à agua e saneamento”, disse Elisa Galli. “Além disso, eles estão expostos a ataques de grupos não identificados que têm agredido imigrantes na cidade de Kos durante as últimas semanas. Simplesmente, não é seguro ser um refugiado e ficar nas ruas.”

MSF também distribuiu itens de primeira necessidade, como cobertores, kits de higiene e barras de energia. Para melhorar as condições no Captain Elias e, na ausência de qualquer gestão por parte das autoridades, MSF instalou pontos de água e latrinas no local, além de limpar o prédio todos os dias.

Fonte: MSF


Bentiu, Sudão do Sul: população em acampamento enfrenta riscos de saúde crescentes

Foto: MSF

06/08/2015

Superlotação do local e condições de higiene precárias agravam a proliferação de surtos de doenças

“A situação atual é precária, com novas pessoas chegando todos os dias ao acampamento de Proteção de Civis da ONU em Bentiu, em busca de abrigo e proteção. O agravamento do conflito no estado de Unity em abril forçou a saída de muitas pessoas de suas casas e, hoje, cerca de 110 mil deslocados vivem aqui. Isso é mais do que o dobro do número de pessoas que estavam aqui há alguns meses e o local parece mais uma cidade do que um acampamento.

Instalações sob pressão

O influxo extra de pessoas aumentou a pressão sob os recursos existentes, incluindo o hospital mantido pela organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) que está operando quase em capacidade máxima. Temos observado um aumento significativo nos casos de malária ao longo do mês passado, tendo tratado mais de 2 mil casos apenas em julho, e admitido mais de 150 pessoas com malária grave com complicações em nossa instalação. A fim de reduzir esses números, e de limitar as complicações da malária grave, começamos a apoiar três clínicas de emergência no acampamento voltadas para crianças com menos de cinco anos, que oferece acesso imediato a diagnóstico e tratamento.

A desnutrição grave também é muito preocupante. Só em julho, nosso hospital admitiu mais de 100 crianças pequenas sofrendo de desnutrição grave com complicações para receberem tratamento terapêutico intensivo. Infelizmente, muitas crianças chegam tarde demais ao hospital, com sintomas avançados, resultando em uma alta taxa de mortalidade (23% de mortalidade reportada em julho).

Risco de surto de doença

Há um risco real de ocorrer um surto do vírus hepatite E. Embora tenha havido casos esporádicos de hepatite E detectados desde outubro de 2014, nas últimas seis semanas, parece ter havido um aumento consistente e significativo no número de pessoas com icterícia (sinais de inflamação no fígado) que testaram positivo para hepatite E por meio de teste rápido de diagnóstico. MSF está observando uma alta taxa de hospitalização (37%) e de fatalidade (4%). Três mulheres grávidas que haviam dado à luz morreram nas últimas semanas.

Higiene precária

Água contaminada, higiene e saneamento precários estão implicando fortemente no surgimento de grandes surtos de hepatite E. Diante desse suposto surto, as condições de higiene no acampamento de Bentiu precisa ser melhorado urgentemente. Isso inclui a ampliação de instalações com pontos de água limpa e a distribuição de sabonetes, junto a mensagens sobre higiene que permitam que as pessoas reduzam os riscos de transmissão para si próprias e suas famílias, e estejam atentas aos sinais e sintomas da infecção por hepatite E.

É preciso intensificar os esforços

MSF faz um apelo a todos os prestadores de cuidados de saúde, atores que fornecem água e saneamento e doadores que intensifiquem seus esforços dentro do acampamento de Proteção de Civis de Bentiu o mais rápido possível, com o intuito de deter futuras transmissões de doenças e de aliviar o sofrimento da população deslocada que vive neste acampamento.”

A Dra. Ruby Siddiqui é epidemiologista e apoia os projetos de Médicos Sem Fronteiras por meio de vigilância médica, do monitoramento e da investigação de surtos. Atualmente, ela está atuando no campo de Proteção de Civis da ONU em Bentiu, no Sudão do Sul, onde cerca de 110 mil pessoas estão abrigadas.

Fonte: MSF


Número de mortos após terremoto no Nepal ultrapassa os 7 mil

Homem em área destruída por terremoto no Nepal (Foto: Danish Siddiqui/Reuters)

03/05/2015

Tremor de 7,8 graus destruiu grande parte de Katmandu e vilarejos.
Mais de 14 mil pessoas ficaram feridas, segundo último balanço oficial.

O forte tremor que atingiu o Nepal no dia 25 de abril deixou mais de 7 mil mortos e pelo menos 14 mil feridos, segundo balanço do Centro Nacional de Operações de Emergência do país, divulgado neste domingo (3). No sábado (2), o governo do Nepal já tinha informado não ter esperanças de encontrar mais sobreviventes do terremoto.

Os números oficiais são 7.040 mortos e 14.123 feridos.

O tremor de 7,8 graus de magnitude destruiu grande parte de Katmandu e muitos vilarejos próximos ao epicentro, registrado a 70 km da capital do Nepal.

"Uma semana passou desde o desastre. Estamos fazendo todo o possível em termos de salvamento e assistência, mas já não acredito na possibilidade de encontrar sobreviventes sob os escombros", declarou à AFP o porta-voz do ministério do Interior, Laxmi Prasad Dhakal.

Prosseguem as buscas para localizar quase mil europeus, a maioria praticantes de alpinismo que estavam nas regiões do Everest e de Langtang no momento do tremor.

"Estão desaparecidos, mas não sabemos exatamente qual a sua situação", afirmou Rensje Teerink, embaixadora da UE no Nepal, à imprensa.

O Consórcio de Redução de Riscos no Nepal, uma entidade na qual participam organismos das Nações Unidas, calcula que o terremoto causou o deslocamento de 2,8 milhões de cidadãos (a população do país é de 28 milhões pessoas).

A mesma fonte assinalou que o terremoto destruiu 160.786 casas e outras 143.673 ficaram danificadas, e reivindicou de maneira urgente US$ 415 milhões para enfrentar a crise humanitária vivida pelo país do Himalaia.

Sobreviventes esperam por alimentos

Em várias regiões, os sobreviventes esperam por alimentos e por transporte para um local seguro. "Em muitas áreas, as pessoas não têm acesso à ajuda e é normal que estejam irritadas", admitiu Rameshwor Dangal, diretor da agência nacional de gestão de catástrofes.

"Calculamos que quase mil pessoas precisam de auxílio nas regiões de Rasuwa e Sindhupalchowk", disse. Na capital Katmandu, dezenas de milhares de pessoas continuam dormindo nas ruas. De acordo com as Nações Unidas, 600 mil casas foram destruídas ou danificadas.

De acordo com a Reuters, inspeções alfandegárias no aeroporto de Katmandu estão retendo ajuda para sobreviventes do terremoto no Nepal.

O Unicef alertou para a situação de milhares de crianças desabrigadas, com a saúde em risco, traumatizadas pela tragédia e sem acesso à água potável ou alimentos. "Os hospitais estão lotados, a água começa a faltar, muitos corpos continuam sepultados sob os escombros e as pessoas continuam dormindo nas ruas. É uma situação perfeita para a proliferação de doenças", advertiu Rownad Khan, funcionário do Fundo das Nações Unidas para a Infância.

Acampamentos

Segundo fontes militares, cerca de 75% das vítimas do terremoto de há uma semana que tinham se refugiado nos acampamentos provisórios instalados pelo governo nepalês em Katmandu abandonaram as tendas.

O maior acampamento da capital nepalesa, o de Thudikel, dá refúgio ainda a entre 1.200 e 2.000 pessoas, embora na segunda-feira passada abrigasse entre 9.000 e 12.000, assegurou uma fonte militar que preferiu manter o anonimato.

A fonte assegurou que essa situação se repete em outros 15 acampamentos instalados em diferentes pontos de Katmandu, onde segundo os últimos dados oficiais divulgados pelo Ministério do Interior nepalês, 22.905 casas foram destruídas e outras 60.855 ficaram danificadas.

Muitos dos desabrigados pela tragédia que abandonaram os acampamentos retornaram para suas casas ou ao restante delas para retirar os escombros ou tentar concertar os danos.

Fonte: G1


Sudão do Sul: um ano após assassinatos em massa em Bentiu, violência e deslocamentos continuam

Foto: Hosanna Fox/MSF

22/04/2015

MSF oferece cuidados de saúde e trabalha para garantir que as dezenas de milhares de pessoas em acampamento tenham acesso a água limpa

Sudão do Sul

Um ano após o assassinato em massa de civis na cidade petrolífera de Bentiu, no Sudão do Sul, que envolveu o abrigo de pessoas no hospital onde a organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) administrava um projeto de HIV e tuberculose (TB), a violência e o deslocamento continuam e o acesso a cuidados de saúde básicos e alimentos permanece sendo um problema para as pessoas vivendo em áreas rurais.

Após os confrontos, MSF tratou mais de 230 pessoas com ferimentos à bala e milhares dos habitantes da cidade fugiram para a base das forças de paz da Organização das Nações Unidas (ONU), cuja população aumentou de 6 para 22 mil pessoas em questão de dias. Passado um ano, o número de pessoas buscando proteção aumentou significativamente, e já são mais de 53 mil pessoas vivendo em um terreno de 1 km2 cercado por arame farpado e vigiado pelas tropas da ONU.

Inicialmente, as condições de vida no local eram ameaçadoras devido à superlotação e à falta de água e saneamento. A situação piorou durante a estação chuvosa do último ano quando o acampamento ficou completamente alagado. Com o nível da água acima do joelho, muitas pessoas se viram obrigadas a dormir em pé com seus filhos em seus braços. Muitos se afogaram. Desde que a estação da seca se estabeleceu, as condições no local melhoraram e diversas organizações de ajuda estão oferecendo serviços básicos para as dezenas de milhares de pessoas ali. MSF estruturou um hospital em tendas para oferecer cuidados de saúde secundária de qualidade e trabalhar para garantir que as pessoas tenham acesso a uma quantidade suficiente de água limpa e instalações sanitárias.

Oferecer assistência humanitária em uma base da ONU é algo feito por MSF em último caso. Como organização médica independente, imparcial e neutra, precisamos permanecer dissociados de atores políticos e militares. Mas diante de circunstâncias extraordinárias como essa, com alto nível de tensão e medo, é importante que as pessoas possam ter acesso a serviços médicos onde se sintam seguras.

MSF também está trabalhando do lado de fora do acampamento de “Proteção de Civis” da ONU, na medida em que a maioria das pessoas afetadas pelo conflito em andamento permanecem dispersas por regiões rurais de difícil acesso, sendo que muitas delas já se deslocaram múltiplas vezes por conta dos confrontos. MSF está operando clínicas móveis em Ding Ding, Nhialdiu e na própria cidade de Bentiu, concentrando esforços em atendimento ambulatorial básico e cuidados de saúde maternos. Avaliações das regiões do entorno continuam. As últimas a serem analisadas foram Nimni, na província de Guit, e Ngop, em Rubkona. Uma mulher de 28 anos de Ngop, cujo filho gravemente desnutrido foi hospitalizado por MSF em fevereiro, disse: “As pessoas sofreram muito com as enchentes, que destruíram toda a nossa plantação. Por isso, não há o que comer. Se você fica doente, não há lugar para onde possa ir. A instalação de saúde mais próxima que costumávamos frequentar antes da crise já não tem mais medicamentos”.

Nessas regiões rurais, particularmente, o conflito em andamento reduziu o acesso das pessoas a cuidados de saúde. É comum a falta de suporte e suprimentos médicos adequados em instalações locais. Frentes de batalha, movimentações militares, bombardeios e tiroteios causam medo às pessoas, que, assustadas, não se dispõem a caminhar longas distâncias até as poucas instalações de saúde ainda funcionais.

Bentiu, a antes vibrante capital do estado, tornou-se uma cidade das tropas, com a maioria dos comércios administrados por soldados do governo. Embora os corpos dos civis que tomavam as ruas tenham sido removidos, as carcaças dos veículos abandonados permanecem nas laterais da estrada. A maioria das casas da cidade foram incendiadas e não foram reconstruídas. Um controle remoto de TV derretido ou o estrado de uma cama de solteiro queimados são as únicas pistas do que antes havia ali. O moderno hospital da cidade, onde MSF oferecia cuidados para TB e HIV, foi saqueado, suas janelas e portas foram arrombadas, o equipamento médico e os medicamentos espalhados pelo chão. Infestado com morcegos e vermes, a instalação não está mais em uso, embora MSF conduza atividades da clínica móvel com foco em cuidados de pré-natal em um anexo, que foi limpo.

Na medida em que o conflito no Sudão do Sul continua, não há previsão de fim para a situação humanitária em Bentiu. A insegurança contínua, os confrontos e bombardeios ativos e a violência contra civis na vizinhança não deixam alternativa para as muitas pessoas deslocadas que hoje vivem no acampamento “Proteção aos Civis” que não seja permanecer ali, observando seu futuro previsível. A necessidade de assistência dessa população, em um local onde se sintam seguros, vai continuar.

Enquanto isso, MSF continua oferecendo cuidados médicos a mais de 100 mil pessoas na região do entorno de Bentiu. Mas garantir o respeito às instalações médicas e humanitárias, ao pessoal e aos pacientes, permanece sendo um desafio.


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