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Níger: milhares de deslocados sem assistência em Diffa

Foto: Sylvain Cherkaoui / Cosmos for MSF

12/06/2016

MSF está assistindo a população recentemente deslocada pela violência com ajuda básica

Após o ataque do dia 3 de junho contra a cidade de Bosso, na região de Diffa, no Níger, a maioria da população local e das áreas vizinhas de Yébi e Toumour fugiu em busca de segurança. A maior parte desses recém-deslocados, que agora são milhares, já havia se instalado na região da qual fugiram por causa de ataques anteriores. O último atentado realizado pelo grupo Boko Haram foi um dos mais mortais na região, deixando dezenas de soldados mortos.

Após o ataque inicial em Bosso, grande parte da população escapou para Toumour, uma cidade a alguns quilômetros a oeste. Pessoas de diversas localidades estão se deslocando novamente para diferentes direções, incluindo Diffa, a capital da região. A situação é bem volátil, o que torna difícil saber onde essas pessoas irão se estabelecer. Além disso, à medida que os dias passam, os deslocados ficam ainda mais vulneráveis.

Desde sábado (4/6), a organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) presenciou um êxodo de pessoas que escapavam de suas casas. Uma equipe de MSF tem conduzido uma avaliação para tentar determinar para onde as pessoas estão fugindo e para responder às suas necessidades mais urgentes.

“MSF está tentando ajudar a população deslocada por meio da oferta de assistência básica, incluindo atividades de abastecimento de água e saneamento, abrigo e cuidados de saúde”, diz Elmounzer Ag Jiddou, coordenador-geral de MSF no Níger. “Muitas pessoas estão fugindo para direções diferentes. Algumas estão no meio do nada e é muito difícil assisti-las. Junto a diferentes atores e ao governo, nós precisamos avaliar como facilitar o acesso e organizar a oferta de ajuda.”

Em Yébi, MSF estava gerindo um posto de saúde para oferecer assistência à população deslocada. O posto foi destruído em meio a um ataque realizado no dia 19 de maio, mas as atividades foram retomadas poucos dias depois. No entanto, o programa de MSF em Yébi está atualmente suspenso por causa da insegurança. MSF ainda mantém atividades em Nguigmi (outro distrito ao norte de Bosso) e em Diffa.

MSF atua na região de Diffa desde dezembro de 2014. A organização está apoiando diversos centros de saúde locais, assim como o principal centro de saúde materno-infantil da cidade de Diffa e o hospital distrital de Nguigmi. MSF também está oferecendo cuidados médicos no acampamento em Assaga. Em 2015, MSF realizou mais de 142 mil consultas médicas na região.

Fonte: MSF

Violência contra mulheres e crianças: uma luta diária na Papua Nova Guiné

Foto: Jodi Bieber

05/03/2016

A enfermeira de MSF Aoife Ní Mhurchú fala sobre os esforços da organização para atender vítimas de violência familiar e sexual

Papua Nova Guiné

Na primeira vez em que conheci Mary, ela veio ao projeto de cirurgia de emergência da organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) em Tari, na Papua Nova Guiné (PNG), com ferimentos por todo o seu corpo, pois seu marido havia a agredido com um pedaço de pau. Na segunda vez em que a vi no hospital, ela estava com lacerações terríveis em sua mão; seu marido havia tentado “cortar” sua cabeça com um machete e ela havia levantado a mão para se proteger. Na terceira vez, ele havia dado um soco nela e quebrou seu nariz. E, na quarta vez, menos de um mês atrás, tivemos de suturar cortes na cabeça e nas costas dela depois dele tê-la agredido brutalmente com uma pedra.

Depois, no fim de semana passado, Mary aventurou-se a sair para ir ao mercado em Tari, desafiando as ordens estritas de seu marido para que fique em casa em todos os momentos. Quando ele a encontrou, atacou-a em público, quebrando um braço e uma perna. Agora, ela está de volta ao nosso hospital – pela quinta vez – em uma cadeira de rodas, recuperando-se lentamente.

Ao longo dos últimos oito meses, eu tenho trabalhado como enfermeira gestora do projeto de MSF em Tari – a capital remota de um distrito remoto nesse país insular pouco conhecido no norte da Austrália. Nós trabalhamos na ala cirúrgica do hospital provincial, por vezes ajudando a estabilizar pacientes com ferimentos graves de acidentes rodoviários, queimaduras e abcessos na pele. Mas quase um terço de nossos pacientes são pessoas que foram gravemente feridas por violência familiar e sexual. Quase todos são mulheres e crianças. Nós oferecemos cuidados médicos de primeira linha e cirurgia, quando necessário, no hospital e depois as levamos para receber tratamento especializado e cuidados de saúde mental no Centro de Apoio à Família de MSF logo ali ao lado.

Foto: Jodi Bieber
MSF começou a atuar na PNG há nove anos porque havia uma necessidade enorme desses serviços específicos; frequentemente, eu ouvia as pessoas da comunidade dizendo que MSF havia salvado milhares de vidas estando aqui. Essa parte – ajudar a fazer uma diferença significativa na vida de nossos pacientes – tem sido extremamente gratificante. Mas eu não posso ignorar os problemas que nós, como uma organização, não podemos resolver.

Toda vez que a Mary vinha para receber tratamento, ela estava com muito medo de voltar para casa e ser agredida novamente. Mas ela estava com mais medo ainda do que poderia acontecer se ela deixasse seus três filhos sozinhos, ou sozinhos com seu marido, então sempre recusou meus convites para passar a noite internada.

Nessa última vez, no entanto, quando eu disse a ela que seus ferimentos estavam tão graves que ela não poderia ir para casa, ela teve de ficar internada, e eu pude ver que ela estava aliviada. Ela ainda estava preocupada com seus filhos, mas agora ela teve um tempo de refúgio forçado do seu algoz.

Eu queria que a Mary fosse um caso excepcional, um extremo do que vemos no hospital e no Centro de Apoio à Família. Mas ela não é. MSF tratou 27.993 sobreviventes de violência familiar e sexual desde 2009 e o número aumenta todo ano. Muitas de nossas pacientes vieram mais de uma vez – mulheres presas em relacionamentos abusivos, ou crianças que provavelmente foram abusadas por um membro da família ou por outra pessoa conhecida.

Foto: Jodi Bieber
Isso não é uma exclusividade de PNG, claro. MSF trata pacientes de violência sexual em todo o mundo e, com exceção de zonas de conflito, onde o estupro é muito usado como arma de guerra ou por homens que se aproveitam de uma “quebra” na ordem, a maioria das pessoas que são estupradas já conhecia seu abusador. A diferença na PNG é que os sobreviventes de violência familiar ou sexual, inclusive crianças, frequentemente não tem lugar para onde ir que não seja de volta ao mesmo local inseguro onde nós e eles sabemos que é provável que sofram abusos novamente.

Quando MSF começou a manter esses programas na PNG, havia pouquíssimos programas de qualquer tipo que ofereciam assistência a vítimas de violência familiar e sexual. Hoje, após vários anos oferecendo cuidados médicos e psicológicos, treinando profissionais nacionais, compartilhando modelos de cuidados e trabalhando com o governo para priorizar as necessidades médica e de saúde mental de uma população que sofre níveis extremos de violência, tem havido algumas melhorias. Nesse mês, por exemplo, nós repassaremos o projeto em Tari para as autoridades de saúde provinciais (MSF continuará mantendo outros projetos no país, principalmente para tratar a tuberculose).

Eu senti diferentes emoções a respeito disso, para ser sincera. Enquanto tenho confiança na maravilhosa equipe nacional que MSF treinou e sei que há indivíduos comprometidos em manter esses programas de tratamento com seriedade, ainda há muito pouca proteção disponível para mulheres e crianças que sofrem padrões de abuso. Quando as fraturas de Mary cicatrizaram, não havia nenhum lugar em Tari, ou em grande parte da PNG, para ela e seus filhos buscarem segurança: nenhuma casa segura, nenhum abrigo, nenhum serviço familiar.

Foto: Jodi Bieber
Embora seja difícil encontrar dados nacionais confiáveis, estima-se que as taxas de abuso familiar e sexual na PNG estejam entre as mais altas do mundo, a não ser em uma zona de conflito. Os dados de MSF mostram que a maioria das nossas pacientes é abusada por parceiros, cônjuges, ou membros familiares, e mais da metade é criança. Cerca de metade das nossas pacientes disseram que foram estupradas em casa: uma em cada 10 mulheres disseram que eram violentadas sexualmente de forma rotineira, enquanto duas em cada cinco crianças foram abusadas sexualmente mais de uma vez.

Em muitos dias, vemos lembretes dolorosos da disseminação da violência aqui: nossas próprias profissionais nacionais às vezes vêm trabalhar doloridas demais ou foram espancadas e não conseguem exercer suas funções. As próprias enfermeiras, conselheiras de saúde mental, cozinheiras e profissionais de limpeza que nos ajudam a tratar as mulheres e crianças por esses abusos vis são vítimas deles em suas casas.

Divórcios são possíveis, mas muito complicados. Aqui em Tari, quando uma mulher é casada, o homem deve pagar um “dote de casamento” para a família da noiva. O dote pode ser uma grande quantia – em alguns casos, a tribo inteira do homem contribui com dinheiro e pecuária – e a família da mulher, e sua tribo, devem concordar em devolver o “preço” da noiva antes que ela possa deixar o casamento. Os tribunais tradicionais dos vilarejos podem conceder a uma mulher um divórcio, mas nesta sociedade fortemente patriarcal, eles relutam em fazê-lo.

Foto: Jodi Bieber
O governo deu passos na direção certa, mas seus esforços ainda são iniciais. Unidades de violência familiar e sexual recentemente estruturadas em algumas estações policiais estão definhando sem números adequados de profissionais treinados. A Lei de Proteção à Família, de 2003, que tornou a violência familiar um crime passível de punição – pela primeira vez – não está sendo aplicada adequadamente. E, após sete anos de análise, um ato em prol do bem-estar infantil foi aprovado no ano passado, obrigando os oficiais de proteção à criança a prevenir e responder ao abuso infantil e dando a policiais o poder de remover uma criança de uma situação em que ele ou ela esteja em risco para uma casa segura licenciada. Mas regulamentações para reforçar esse ato não foram aprovadas, e o progresso tem estado estagnado. Além disso, apenas quatro das 22 províncias do país têm orçamento para sua implementação.

Tenho orgulho do trabalho que MSF desenvolveu na PNG, mas estou preocupada que embora tenhamos ajudado a tornar cuidados médicos e de saúde mental urgentemente necessários disponíveis para esses sobreviventes, nós talvez estejamos meramente “consertando-os” para que depois voltem para mais sofrimento, mais abuso, mais violência sexual. Por quanto tempo eles permanecerão sobreviventes?

A única maneira de haver qualquer esperança de um futuro para Mary e todas as outras mulheres e crianças que vivem em um ciclo de abuso na PNG é o governo encontrar vontade política para acompanhar e agir para resolver essas questões. Também é preciso vontade política por parte dos países que doam para a PNG – Austrália sendo o maior deles e os EUA e a União Europeia sendo contribuintes substanciais – para pressionar o país a fazê-lo.

O Dia Internacional da Mulher é no dia 8 de março; é uma boa hora para trazer atenção às vidas de mulheres e crianças desse lugar tão afastado, e para lembrar nossos governos do poder que têm para ajudar a fazer uma diferença significativa.


Síria: MSF trata pacientes com sintomas de exposição a agentes químicos em Aleppo

Foto: Robin Meldrum/MSF

06/08/2015

Violência contra civis parece não ter fim no país

Um hospital administrado pela organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) na província de Aleppo tratou quatro pacientes com sintomas de exposição a agentes químicos na noite de quinta-feira (21/08).   

Os pacientes são uma família de quatro integrantes – os dois pais, uma menina de três anos e uma bebê recém-nascida de cinco dias. Eles chegaram ao hospital uma hora após a exposição, apresentando vermelhidão nos olhos, eritema na pele, conjuntivite e dificuldades para respirar, seguidos da aparição de bolhas e de uma piora nas condições de respiração cerca de três horas depois. Foi oferecido tratamento sintomático e oxigênio a todos eles, até que fossem evacuados para outra instalação para receberem tratamento especializado.

A família é da cidade de Marea (norte de Aleppo, distrito de Azaz), que foi alvo de bombardeios pesados no dia 21 de agosto, após uma semana de ataques intensos com morteiros e artilharia. De acordo com o depoimento dos pacientes, um bombardeio com morteiros atingiu sua casa aproximadamente às 19h30. Depois da explosão, um gás amarelo se espalhou pela sala de estar. Os pais, com a ajuda de alguns vizinhos, tentaram proteger seus filhos, cobrindo-os com seus próprios corpos. Eles foram encaminhados ao hospital de Marea, onde receberam os primeiros-socorros. Na medida em que a situação se agravou, eles foram transferidos ao hospital de MSF.

“MSF não tem evidências laboratoriais para confirmar a causa desses sintomas. No entanto, as características clínicas e a evolução dos pacientes que nossa equipe tratou, assim como seus depoimentos sobre as circunstâncias acerca do momento do envenenamento, apontam para a exposição a um agente químico”, disse Pablo Marco, coordenador do programa de MSF na Síria.

Essa terrível notícia vem se juntar a uma situação humanitária que se deteriora cada vez mais na província de Aleppo, onde, em diferentes ofensivas, pelo menos 11 instalações médicas foram deliberadamente atacadas com bombas de barril nos últimos meses, e onde as poucas instalações que continuam operando não têm capacidade para responder às necessidades massivas da população.

“Qualquer uso de armas químicas constitui uma violação extremamente grave do direito internacional humanitário. Isso só representaria um nível a mais de sofrimento a uma população que já está enfrentando as consequências da pior crise humanitária dos últimos anos. Nós fazemos um apelo a todas as partes do conflito para que tenham o respeito básico pela vida humana, e que parem com a violência indiscriminada contra os civis”, disse Pablo Marco.

MSF administra seis instalações médicas na Síria e apoia diretamente mais de 100 clínicas, postos de saúde e hospitais no país. A organização também oferece serviços médicos a sírios que fugiram para a Jordânia, o Líbano, a Turquia e o Iraque.

Fonte: MSF

Sudão do Sul: situação humanitária se torna alarmante com escalada de conflito

Foto: MSF

26/05/2015

Aumento da violência forçou a interrupção de serviços médicos, destruiu estruturas de saúde e forçou a retirada de profissionais médicos

A intensificação dos confrontos no Sudão do Sul está expondo os civis à violência generalizada e restringindo gravemente o oferecimento de ajuda que é urgentemente necessária, afirmou a organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF).

Um aumento da violência nos estados de Unity, Jonglei e Alto Nilo resultou na interrupção de serviços médicos e na destruição de estruturas de saúde. Profissionais médicos tiveram de ser evacuados.

“A escalada [da violência] deixou as pessoas em zonas de conflito expostas à violência e sem cuidados médicos e assistência humanitária, que são muito necessários”, disse Paul Critchley, coordenador-geral de MSF no Sudão do Sul. “Todas as partes do conflito devem respeitar civis e estruturas de saúde, a fim de evitar ainda mais sofrimentos desnecessários.”

No estado de Alto Nilo, MSF está oferecendo assistência médica essencial para salvar vidas de pessoas que foram feridas em confrontos violentos em Melut, apesar de não poder mais enviar suprimentos médicos e profissionais. A insegurança em andamento está impedindo aviões de pousarem e forçou centenas de pessoas a buscarem abrigo no complexo de “Proteção de Civis”, da Organização das Nações Unidas (ONU), nos últimos dias. A capacidade de MSF de oferecer cuidados àqueles em necessidade está em risco, a menos que a passagem de profissionais e suprimentos seja garantida.

Em Malakal, MSF também está tratando os feridos dos recentes combates, embora os confrontos tenham impedido a prestação de assistência médica na semana passada para cerca de 30 mil pessoas que estão vivendo no complexo de “Proteção de Civis”, local que tem visto um enorme fluxo de recém-chegados. A situação altamente volátil continua impedindo a entrada de equipes na cidade de Malakal, onde boa parte dos combates ocorreram.

No estado de Jonglei, a cidade de Phom El-Zeraf (Nova Fangak) estava na linha de frente de batalha ao longo dos últimos meses. Durante uma visita à região na terça-feira (19/05), uma equipe de MSF descobriu que a cidade havia sido efetivamente destruída, com árvores e casas desabadas após incêndios e prédios escolares destruídos. O hospital, uma das principais instalações de saúde na parte norte do estado, foi demolido. Sua destruição tem grande impacto sobre as pessoas em uma área com poucas alternativas de cuidados médicos.

No estado de Unity, MSF foi forçada a evacuar seu hospital na cidade de Leer, em 9 de maio deste ano, na medida em que a linha de frente de batalha se aproximou, deixando aproximadamente 200 mil pessoas na região sem nenhum cuidado médico. MSF fez contato, no começo desta semana, com um trabalhador sul-suldanês, que relatou que ele estava escondido com muitos outros civis em uma ilha no pântano, para evitar estar em meio a tiroteios.

“Um foguete carregado de granadas caiu  na água ao lado dele, mas, felizmente, não detonou. Ele passou nove horas na água. Quando conseguiu voltar para a ilha, entregou os corpos de duas crianças que havia retirado da água para seus pais. Ele disse que uma mulher do grupo foi sequestrada e alguém está cuidando do bebê dela”, disse Paul Critchley.

Em Bentiu, os confrontos e a insegurança ao longo das últimas semanas forçaram MSF a suspender diversas clínicas móveis nos arredores da região. Em Nhialdiu, MSF estava oferecendo consultas médicas todos os dias para centenas de pessoas. A organização continua administrando um hospital dentro do complexo de “Proteção de Civis” em Bentiu, que recebeu mais de 11 mil recém-chegados – a maioria deles são mulheres e crianças. Muitas pessoas compartilharam com MSF histórias terríveis da violência da qual  estão escapando: vilarejos inteiros incendiados; famílias separadas; ataques e matanças; tendo de deixar feridos para trás; e violência sexual contra mulheres e crianças. MSF tratou uma mulher grávida que chegou com uma perna gravemente ferida de uma bomba que havia explodido. Ela não pôde receber nenhuma assistência médica por nove dias.

Aqueles que conseguiram chegar a um dos complexos de “Proteção de Civis” também não estão sendo poupados da violência. Bombardeios e tiroteiros frequentes, próximos das áreas onde os civis estão abrigados, resultaram em balas e bombas ultrapassando o local e ferindo moradores em diversas ocasiões. Em março, MSF tratou uma criança de nove anos que foi atingida por um tiro disparado do lado de fora do complexo de “Proteção de Civis” enquanto ela dormia ali dentro. Tensões sectárias também estão elevadas dentro dos acampamentos, com o hospital de MSF em Bentiu tratando o triplo do número de ferimentos relacionados à violência: foram quase 150 casos em abril e cerca de 50 casos todos os meses no ano passado. A estação chuvosa que se aproxima e as condições de superlotação agravadas pelo recente influxo de novas chegadas em vários acampamentos são causas adicionais de preocupação.

MSF é uma das maiores provedoras de ajuda médica e humanitária no Sudão do Sul, tendo mais de 3.500 profissionais pelo país,  além de projetos na Etiópia e em Uganda que recebem refugiados do Sudão do Sul. Até agora, MSF opera projetos em seis dos 10 estados do país, incluindo em Unity, Alto Nilo e Jonglei, onde o conflito tem tido um custo elevado para a vida da população. MSF também administra atividades na Área Administrativa de Abyei. As equipes estão respondendo a diversas necessidades de saúde, incluindo cirurgias, cuidados obstétricos, malária, calazar, vacinações contra doenças evitáveis e desnutrição. MSF pede a todas as partes do conflito que respeitem instalações médicas para permitir que organizações de ajuda tenham acesso a comunidades afetadas e que permitam que pacientes recebam tratamentos médicos, independentemente de suas origens ou etnias. Até agora, neste ano, MSF ofereceu 167.207 consultas ambulatoriais, das quais 62.269 foram para crianças com menos de cinco anos; 10.367 pacientes foram hospitalizados, dos quais 5.123 eram crianças com menos de cinco anos; realizou 5.096 cirurgias e 3.587 partos; 1.102 pacientes estão sob tratamento para calazar; 6.243 crianças foram tratadas por desnutrição, das quais 1.102 foram hospitalizadas.

Fonte: MSF


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