Mostrando postagens com marcador Mudanças Climáticas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mudanças Climáticas. Mostrar todas as postagens

História da COP: origem e momentos mais importantes


18/11/2025

Conheça os principais marcos da COP, o evento climático mais relevante do mundo que completa 30 anos em 2025 com a edição realizada no Brasil

Em 2025, o evento mundial mais importante sobre clima completa 30 anos. Trata-se da COP, a Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, que acontece no Brasil, em novembro, na cidade de Belém, no Pará.  

O que é a COP e quem participa?  

Principal encontro internacional sobre mudanças climáticas, a COP é o momento em que líderes mundiais, representantes de empresas privadas, cientistas, ativistas e organizações internacionais e não governamentais se encontram para discutir planos de ação focados no combate à emergência climática. O evento é organizado pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima, a UNFCCC na sigla em inglês, braço da ONU para discutir o aquecimento global.  

Além de tratar sobre planos de ação, a COP é o momento em que acordos globais voltados ao enfrentamento da crise climática são feitos. Ao longo de sua história, o encontro foi fundamental por firmar decisões importantes que influenciaram desde políticas governamentais até os modos de produção de companhias de todo o mundo.  

A origem da COP  

A COP tem sua origem alguns anos antes da primeira convenção oficial. Tudo começou no Rio de Janeiro, em 1992, durante a Rio-92, também conhecida como Eco-92 ou Cúpula da Terra, evento da Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento. Naquele ano, delegações de 175 países iniciaram as discussões de planos para combater os impactos dos gases de efeito estufa e para tornar a economia global mais sustentável, usando os recursos de maneira mais racional e conservando a biodiversidade.  

Foi na Rio-92 que se estabeleceu a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, um tratado internacional para a cooperação climática, que se tornou a base das COPs por instituir a limitação dos aumentos médios da temperatura global. A partir daí, a conferência climática se materializou e, três anos depois, chegou à primeira edição.  

Momentos mais importantes das COPs

1995: COP1 – Berlim, Alemanha  

A primeira COP foi importante por reconhecer que os compromissos climáticos estabelecidos até então eram insuficientes. Foi estabelecido o Mandato de Berlim, o pontapé inicial para o desenvolvimento de um protocolo climático mais ousado.  

1997: COP3 – Kyoto, Japão  

O marco da reunião foi o nascimento do Protocolo de Kyoto, primeiro acordo global com metas obrigatórias de redução de emissões de gases de efeito estufa voltado aos países desenvolvidos. Foram necessários oito anos para que os países envolvidos ratificassem o acordo, que entrou em vigor em 2005, e contou com metas específicas para cada país participante.  

2000: COP6 – Haia, Holanda  

Cientistas e ambientalistas esperavam que, na COP6, governos concordassem com uma série de recomendações técnicas para a aplicação do Protocolo de Kyoto. No entanto, as negociações entraram em um impasse devido, principalmente, a discordâncias entre Europa e Estados Unidos sobre a mensuração dos gases de efeito estufa e as sanções aplicadas a quem descumprisse as metas. O encontro foi encerrado sem acordo.  

2005: COP11 – Montreal, Canadá  

O encontro marcou a entrada em vigor do Protocolo de Kyoto e o entendimento de que era necessário ter metas de longo prazo após o término do Protocolo, o que ficou conhecido como Acordo de Montreal. O encontro foi importante devido ao início de discussões mais ambiciosas sobre a redução das emissões de carbono, além de trazer à tona o debate sobre os impactos climáticos do desmatamento e do uso da terra.  

2015: COP21 – Paris, França

Marcando os 20 anos da COP, a reunião na capital francesa definiu um marco histórico: o Acordo de Paris. O compromisso, aprovado pelos 195 membros da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC), estabeleceu a manutenção de manter a temperatura média global abaixo de 2ºC acima dos níveis pré-industriais. Os países também concordaram em fazer um esforço para manter a temperatura média global acima de 1,5ºC acima dos níveis pré-industriais. Importante salientar que, pouco antes da conferência, vários países participantes apresentaram as primeiras Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs, na sigla em inglês), como são chamadas as metas climáticas de cada país.  

2021: COP26 – Glasgow, Reino Unido  

A COP de Glasgow consolidou o entendimento de anos anteriores que de que 2ºC de limite não são suficientes e que é necessário alcançar a meta de 1,5ºC de temperatura média global acima dos níveis pré-industriais. Além disso, o encontro aprovou o mercado global de carbono, estabelecendo regras para a comercialização de créditos de carbono.  

2022: COP27 - Sharm el-Sheikh, Egito

A reunião no Egito trouxe à tona discussões sobre a necessidade de apoiar países vulneráveis aos impactos climáticos, que sofrem com desastres naturais. Para isso, foi criado um fundo de perdas e danos com enfoque em ampliar a justiça climática.  

2023: COP28 Dubai – Emirados Árabes  

Oito anos após o estabelecimento do Acordo de Paris, o encontro de Dubai fez o primeiro balanço global do compromisso e deixou claro que o que está sendo feito atualmente ainda não é suficiente para cumprir as metas climáticas estabelecidas.  

2024: COP29 – Baku, Azerbaijão  

A COP29 avançou nas discussões sobre o financiamento climático e estabeleceu que países desenvolvidos devem liderar o aporte de pelo menos 300 bilhões de dólares até 2035 para que países em desenvolvimento possam implementar ações de redução de emissão de gases de efeito estufa e se adaptar aos impactos das mudanças climáticas.

O que deve acontecer na COP30?  

As expectativas para o encontro no Brasil, o primeiro realizado na Amazônia, são altas. Há potencial para avanços nas discussões sobre a transição justa – a mudança para uma economia de baixo carbono que não deixe ninguém para trás - e para fazer com que decisões multilaterais se conectem melhor aos locais que sofrem mais com a crise climática.  

Conclusão  

Com uma história que completa 30 anos em 2025, a Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima se mostra fundamental para pautar discussões sobre o combate à emergência climática e para firmar acordos globais que influenciam tomadas de decisão não apenas nos governos, mas também na iniciativa privada. Sem o evento, acordos que são fundamentais para os cuidados com o futuro do planeta não teriam sido firmados.

Fonte: Suzano

Síntese Diária da COP30 – 15 de Novembro

15/11/2025

Dia 6: Sábado, 15 de novembro

Preparado pela Equipe de Comunicação da COP30

Áreas Temáticas de Foco: Energy, Industry, Transport, Trade, Finance, Carbon Markets, Non-CO₂ Gases

Resumo:

Construir as bases financeiras e éticas para uma transição justa

O Dia 6 da COP30 destacou que uma transição climática mais justa e mais rápida depende do alinhamento entre sistemas financeiros, fundamentos éticos e cooperação global. O dia mostrou como países, investidores, pessoas e comunidades estão começando a construir o ambiente propício necessário para destravar capital em grande escala, ao mesmo tempo, em que fundamentam a ação climática na equidade e na responsabilidade compartilhada.

As finanças ocuparam o centro das discussões, com reformas destinadas a mobilizar e direcionar capital para as linhas de frente da crise climática. O lançamento dos Princípios para Interoperabilidade de Taxonomias  — desenvolvidos com o SB COP, o IDFC e ministérios da Fazenda — avançou na interoperabilidade global de padrões de finanças sustentáveis, um passo crítico para mobilizar os USD 1,3 trilhões de dólares anuais previstos no Mapa do Caminho de Baku a Belém. Proprietários de ativos representando quase USD 10 trilhões se reuniram nesta semana para trabalhar com cientistas do clima, BMDs e governos em ações como recomendações para o relatório do Círculo de Ministros das Finanças e para implementação via o Roteiro, enfatizando a necessidade de foco nos setores de difícil descarbonização e nos EMDEs.

Brasil e o Fundo Verde para o Clima (GCF) fortaleceram a arquitetura de investimentos por meio de novas Plataformas de Países e de um Hub de Plataformas de Países, ampliando o planejamento coordenado e escalando trajetórias nacionais para financiamento climático e da natureza. A expansão da Coalizão de Solidariedade dos Passageiros Frequentes Premium e novos compromissos com taxas solidárias sinalizaram crescente impulso em torno de fontes inovadoras e equitativas de receitas para adaptação e perdas e danos.

Hoje, em Belém, milhares se reuniram para pedir justiça climática, proteção de territórios e ações governamentais mais fortes durante a Marcha Mundial pelo Clima, organizada pela Cúpula dos Povos e acompanhada por povos indígenas, jovens, movimentos sociais, comunidades tradicionais e trabalhadores.

Em conjunto, os resultados de hoje mostram que a COP30 está construindo as bases financeiras e éticas necessárias para acelerar a implementação e entregar uma transição justa, centrada nas pessoas e na economia real.

Ações e Resultados Notáveis:

Agenda de Ação:

- Avanço das Taxas de Solidariedade como Pilar do Financiamento Climático sem Endividamento

▪ Líderes na COP30 reafirmaram o crescente impulso global por taxas de solidariedade como ferramenta essencial para gerar financiamento climático justo, mais previsível e que não gere dívida. O evento destacou o fortalecimento do compromisso com a Coalizão de Solidariedade dos Passageiros Frequentes Premium e a divulgação de um novo relatório técnico detalhando o significativo potencial de receita das taxas em setores emissores e sub tributados, como transações financeiras, aviação, transporte marítimo e criptomoedas.

▪ Representantes de governos, instituições multilaterais e grupos de especialistas enfatizaram que taxas para passageiros frequentes têm enorme potencial de receita, incorporando o princípio do poluidor-pagador ao mobilizar recursos concessionais para adaptação, resiliência e perdas e danos — especialmente para países vulneráveis diante do agravamento dos impactos climáticos.

▪ A Coalizão agora inclui Benim, Djibouti, França, Quênia, Nigéria, Serra Leoa, Somália, Sudão do Sul e Espanha, e recebe Antígua e Barbuda, Brasil, Fiji e Vanuatu como observadores, reforçando o compromisso crescente com essa abordagem compartilhada, enquanto o evento apresentou fortes apelos para que mais países se juntem à coalizão até o fim da COP30.

“O lançamento da Coalizão de Solidariedade dos Passageiros Frequentes Premium prova que taxas solidárias podem sair do campo das ideias para se tornar realidade. Este é apenas o primeiro passo. Agora, conclamo mais países a se juntarem a nós na COP30 e transformarem esse impulso em mudança global duradoura.”
— Laurence Tubiana, Enviada Especial da COP30 para a Europa; Co-líder da Força-Tarefa Global de Taxas de Solidariedade

- Líderes Financeiros Traçam Caminhos para Operacionalizar o Roteiro de Baku a Belém e Entregar a Visão de USD 1,3 Trilhão

▪ A reunião ministerial de alto nível reuniu líderes climáticos, ministérios da Fazenda, BMDs, fundos climáticos e lideranças do setor privado em torno de um caminho compartilhado para destravar os USD 1,3 trilhões anuais previstos no Roteiro. Líderes, incluindo os presidentes da COP30 e COP29, o Secretário Executivo da UNFCCC Simon Stiell e o CEO da COP30, enfatizaram que entregar essa ambição depende de reformas coordenadas em financiamento de concessão, mandatos dos BMDs, estruturas domésticas de investimento, instrumentos financeiros inovadores e ecossistemas regulatórios fortalecidos — refletindo as cinco áreas prioritárias de ação do Relatório. Por meio de uma discussão orientada a resultados, participantes identificaram marcos concretos de implementação para a Presidência brasileira da COP30, posicionando o Roteiro como um plano catalisador para ampliar rapidamente o financiamento climático com mais velocidade, escala e impacto. Ao incorporar as recomendações do Círculo nas práticas institucionais e de mercado, o evento sinalizou uma clara mudança da visão para a entrega — usando o Roteiro como veículo unificador para mobilizar capital público, privado e misto necessário para cumprir as metas climáticas globais.

“Este é o início de uma era de verdade no financiamento climático”, disse Corrêa do Lago. “Para cumprir o Acordo de Paris mais rapidamente, a ação climática precisa estar integrada às reformas econômicas e financeiras reais. Com os 5Rs, o Roteiro transforma urgência científica em um plano prático de cooperação global e resultados.”
— Embaixador André Corrêa do Lago, Presidente da COP30

- 14 Novas Plataformas de Países Anunciadas, Lançamento do Hub de Plataformas de Países

▪ Na COP30, em um passo decisivo para alinhar apoio e investimentos globais com prioridades climáticas nacionais, 13 países divulgaram planos para desenvolver plataformas nacionais por meio do programa de prontidão do GCF. O evento também marcou o anúncio de um Hub de Plataformas de Países, integrating the COP30 Plan to Accelerate Solutions (PAS) integrando o Plano para Acelerar Soluções (PAS) da COP30 para conectar países a assistência técnica, conhecimento e financiamento, garantindo que sistemas de apoio globais respondam às necessidades nacionais, em vez de duplicar esforços.

▪ Country platforms support the implementation of the Relatório do Círculo de Ministros das Finanças da COP30. Os anúncios vieram de: Camboja, Colômbia, República Dominicana, Índia, Cazaquistão, Lesoto, Mongólia, Nigéria, Omã, Panamá, Ruanda, África do Sul e Togo.

“Saúdo o Brasil e Uganda por convocarem o Hub de Plataformas de Países. O Fundo Verde para o Clima (GCF) está ansioso para explorar oportunidades de apoiar esse esforço. Plataformas nacionais representam oportunidade estratégica para reunir governos, setor privado e parceiros de desenvolvimento em torno de um processo para identificar políticas e investimentos prioritários, além de alinhar financiamentos público e privado, internacional e doméstico.”
— Mafalda Duarte, Diretora Executiva do GCF.

- Primeiro Grupo de Proprietários de Ativos Apresenta Recomendações

▪ Nesta quarta, a COP30 reuniu a primeira Cúpula de Proprietários de Ativos na agenda oficial da COP.O evento reuniu cerca de 30 dos principais proprietários de ativos globais — incluindo fundos de pensão, seguradoras, e investidores soberanos — representando cerca de USD 10 trilhões em ativos. A sessão focou em soluções climáticas, incluindo setores difíceis de descarbonizar e EMDEs. Como resultado, os proprietários propuseram estabelecer uma Cúpula Permanente de Proprietários de Ativos da COP e sinalizaram compromisso em ampliar a parceria com o setor público rumo ao USD 1 trilhão necessário para atender ao NCQG.

- Iniciativa de Roteiro de Taxonomias para Avançar Interoperabilidade de Finanças Sustentáveis

▪  O Dia 6 apresentou os resultados do Roteiro para Avançar a Interoperabilidade e Comparabilidade de Taxonomias de Finanças Sustentáveis — lançado na COP29 em colaboração com SB COP e IDFC. O roteiro representa um esforço unificado entre governos e setores financeiro e privado para padronizar taxonomias e dados, um desafio central para expandir o financiamento sustentável. Foram apresentados os Princípios para Interoperabilidade de Taxonomias - o primeiro passo para uma linguagem comum em matéria de financiamento climático - e o Mapa de Taxonomia de Finanças Sustentáveis - ferramenta digital que permite comparar e analisar taxonomias entre jurisdições.

- Coalizão Aberta para Mercados de Carbono de Conformidade

▪ Representantes de governos se reuniram em mesa ministerial para avançar a Coalizão Aberta para Mercados de Carbono de Conformidade, agora com 18 apoios. Destacou-se que cooperação internacional fortalecida é essencial para melhorar transparência, integridade e eficácia desses mercados. O debate focou cooperação em sistemas de MRV, metodologias de contabilidade de carbono e uso de offsets de alta integridade. Países apoiadores incluem: Brasil, China, União Europeia, Reino Unido, Canadá, Chile, Alemanha, México, Armênia, Zâmbia, França, Ruanda, Andorra, Guiné, Nova Zelândia, Mônaco, Singapura e Noruega.

- Presidente da COP30 Abre os Trabalhos do Fórum Integrado sobre Mudança do Clima e Comércio (IFCCT)

▪ Hoje, o Presidente da COP30 abriu oficialmente os trabalhos do IFCCT, lançado na Cúpula do Clima de Belém em 7 de novembro como parte central da Agenda de Ação da COP30.

▪ A sessão contou com vice-ministros e chefes de delegação da China, Reino Unido, Austrália e outros países, além da OMC, ICC e outras organizações da sociedade civil e setor privado, e outras organizações da sociedade civil e do setor privado. O público manifestou forte apoio à iniciativa como plataforma para a colaboração em soluções concretas para reduzir os custos para os exportadores e reforçar o papel do comércio na ação climática. O Fórum responderá diretamente ao primeiro Balanço Global, promovendo a cooperação em um sistema econômico internacional aberto e solidário, capaz de alinhar o comércio e a ação climática para se reforçarem mutuamente.

- Declaração sobre o Custo Econômico da Inação Climática — Evento sobre Taxonomia — Evento de Alto Nível NGFS e BCB sobre Finanças para Sustentabilidade

▪ A Rede de Bancos Centrais e Supervisores para o Ecologização do Sistema Financeiro (Network for Greening the Financial System/ NGFS) Declaração sobre o Custo Econômico da Inação Climática, alertando para os riscos macroeconômicos e financeiros crescentes associados ao atraso nas ações climáticas. Representando 146 bancos centrais e supervisores, o NGFS enfatizou que os impactos climáticos agora representam ameaças iminentes à estabilidade financeira e exortou as instituições financeiras a integrar os riscos relacionados ao clima e à natureza por meio de análises de cenários robustas, padrões de divulgação e planejamento de transição.

“Nossos cenários mais recentes mostram que a mudança do clima não é mais um risco no horizonte, é um perigo iminente… É necessário um esforço de toda a economia para evitar severas disrupções e garantir estabilidade financeira.”
— Sabine Mauderer, Presidente do NGFS
“Gerenciar os riscos climáticos de forma eficaz não é apenas uma questão ambiental, é fundamental para construir resiliência financeira. Ao fazer isso, podemos contribuir para uma transição suave rumo a uma economia sustentável.”
— Sr. Fundi Tshazibana, vice-presidente do NGFS, vice-governador do Banco Central da África do Sul

- Grande Oportunidade para Reduzir metano e Outros Gases Não-CO₂

▪ O Super Pollutant Country Action Accelerator, anunciado durante a Cúpula de Líderes de Belém avançou com o lançamento do Plano para acelerar soluções (PAS), ajudando 30 países em desenvolvimento a reduzir gases super poluentes perigosos até 2030. O Acelerador começa com US$ 25 milhões destinados a sete países pioneiros: Brasil, Camboja, Cazaquistão, África do Sul, Indonésia, Nigéria e México. Reduzir esses poluentes é um dos caminhos mais rápidos para proteger simultaneamente a estabilidade climática, a saúde pública e o abastecimento de alimentos.

“À medida que chegamos ao final da primeira semana, observamos uma mudança significativa da ambição para a execução dentro da Agenda de Ação, enquanto governos, empresas, governos locais e regionais, povos indígenas e a sociedade civil aproveitaram o poder de articulação da COP30 para impulsionar soluções reais para uma economia mais resiliente e de baixo carbono.

114 Plans to Accelerate Solutions — desenvolvidos por coalizões em 30 Grupos de Ativação — foram publicados e já estão disponíveis no site da UNFCCC. Eles reúnem iniciativas existentes sob um mesmo guarda-chuva para cumprir objetivos específicos nos 6 eixos.

Eles detalham como empresas, investidores e comunidades estão trabalhando juntos para transformar ambição em implementação, acionando as alavancas da oferta, demanda, financiamento e política. E, nesta semana, os parceiros anunciaram um conjunto de ações imediatas para acelerar a implementação desses planos.”
— Dan Ioschpe, Campeão de Alto Nível da COP30
“Até agora, há um ambiente construtivo em Belém. É positivo que a presidência esteja mantendo um roteiro para a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis. A ciência mostra claramente que precisamos reduzir as emissões em 5% ao ano, a partir de agora, para ter qualquer chance de minimizar o overshoot e evitar a destruição dos sistemas de suporte à vida para bilhões de pessoas.”
— Carlos Nobre, renomado cientista brasileiro e membro do movimento guardiões Planetários (Planetary Guardians)

Negociações:

- As partes transferiram formalmente os rascunhos de decisões dos Órgãos Subsidiários para as principais trilhas de negociação, marcando a transição das negociações técnicas para as políticas e abrindo caminho para as decisões finais no fim da segunda semana.

Mobilização global:

- Brasil Apresenta Mobilização Nacional para Implementar o Código Florestal:

▪ Na Zona Verde, os governos federal e estaduais do Brasil, junto à Presidência da COP30, apresentaram os Mutirões do Código Florestal, um esforço nacional para acelerar a implementação prática do Código Florestal em propriedades rurais. A iniciativa oferece orientação técnica, apoio presencial para cadastro e correções no Cadastro Ambiental Rural, entrega de cadastros validados e orientações para o avanço dos Programas de Regularização Ambiental. Os participantes destacaram como o fortalecimento do cumprimento do Código Florestal aprimora a governança ambiental, apoia a produção rural sustentável e reforça as contribuições do Brasil para as metas climáticas.

- Lideranças Indígenas Pedem que Negociadores Climáticos Reforcem a Proteção das Florestas:

▪ Na Zona Azul, o Cacique Raoni e a delegação Mẽbêngôkre do Instituto Raoni realizaram um diálogo franco com negociadores climáticos na sessão “Florestas em Pé, Acordos, na Prática”. A conversa destacou saberes ancestrais e denunciou o descompasso entre as salas de negociação e as realidades enfrentadas pelas comunidades indígenas que protegem e guardam a floresta. Os participantes ressaltaram que compromissos sobre emissões, mercados de carbono e financiamento climático só têm significado quando se traduzem na proteção das florestas em pé e no reconhecimento da liderança indígena — sem isso, a ação climática permanece incompleta.

Fonte: COP30

COP30 - O que é a COP?

16/10/2025

Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC)

A Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês) foi aberta para assinatura na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (Rio-92). Ela inaugurou o regime multilateral para responder ao aquecimento global.

Seguindo o princípio das “responsabilidades comuns, porém diferenciadas”, o regime reconhece a obrigação de que os países desenvolvidos devem liderar os esforços para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e para oferecer recursos financeiros, tecnológicos e de capacitação para ações de mitigação e adaptação em países em desenvolvimento.

São cinco os pilares do regime: mitigação, adaptação, financiamento, tecnologia e capacitação. Além desses, outros temas têm ganhado destaque nos debates, como perdas e danos, transição justa, gênero, povos indígenas, jovens, agricultura e oceanos.

O que é a COP

A Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (CQNUMC ou UNFCCC, na sigla em inglês) criou a Conferência das Partes (COP) como órgão responsável por tomar as decisões necessárias para implementar os compromissos assumidos pelos países no combate à mudança do clima. A COP é composta por todos os países que assinaram e ratificaram a Convenção. Atualmente, 198 países participam da UNFCCC, o que faz dela um dos maiores órgãos multilaterais do sistema das Nações Unidas (ONU).

A COP é assessorada por um Órgão Subsidiário de Implementação (SBI) e outro de Aconselhamento Científico e Tecnológico (SBSTA). Além disso, a COP também atua como Reunião das Partes no Protocolo de Quioto (CMP, na sigla em inglês) e no Acordo de Paris (CMA, na sigla em inglês).

O que é conhecido como “COP” são as cúpulas anuais de mudança do clima, que normalmente acontecem em novembro ou dezembro. Nesse contexto, reúnem-se não apenas a COP, mas também a CMP, a CMA, o SBI e o SBSTA.

Protocolo de Quioto e Acordo de Paris

Protocolo de Quioto

No âmbito da UNFCCC, foi adotado, em 1997, o Protocolo de Quioto, que estabeleceu metas quantitativas individuais de redução de emissões a países desenvolvidos. O Protocolo estabeleceu obrigação para que esses países reduzissem suas emissões em 5%, entre 2008 e 2012, em relação aos níveis de 1990.

Um dos elementos importantes do Protocolo foi a criação de mecanismos de mercado para o cumprimento dos compromissos assumidos. Entre eles, destaca-se o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), que permitiu o desenvolvimento de projetos rentáveis de redução de emissão de gases do efeito estufa (GEE), garantindo benefícios de mitigação e criando incentivos para a economia sustentável.

Acordo de Paris

O Acordo de Paris, adotado em dezembro de 2015 durante a 21ª Conferência das Partes (COP21), reforçou a centralidade da Convenção-Quadro (UNFCCC), ao qual está vinculado.

O Acordo reforçou os princípios da UNFCCC e introduziu três objetivos:

(iii) manter o aumento da temperatura global bem abaixo de 2º C, com esforços para limitá-lo a 1,5º C;

(iii) incrementar capacidades de adaptação e resiliência; e

(iii) alinhar os fluxos financeiros aos demais objetivos do Acordo.

O Acordo de Paris inovou, ainda, ao criar obrigação para que todos os países, tanto desenvolvidos quanto em desenvolvimento, apresentem periodicamente “Contribuições Nacionalmente Determinadas” (NDCs, na sigla em inglês). Nas NDCs, cada país explica quais ações pretende realizar para responder à mudança do clima. A implementação dessas ações é acompanhada por um regime reforçado de transparência.

Como as NDCs são definidas por cada país, elas respeitam a realidade nacional e a soberania de cada nação.

Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima

O Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima, IPCC, foi criado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (ONU Meio Ambiente) e pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) em 1988 com o objetivo de fornecer aos formuladores de políticas avaliações científicas regulares sobre a mudança do clima, suas implicações e possíveis riscos futuros, bem como para propor opções de adaptação e mitigação. Atualmente, o IPCC possui 195 países membros, entre eles o Brasil.

Por meio de suas avaliações, o IPCC determina o estado do conhecimento sobre a mudança do clima, identifica temas de consenso na comunidade científica, e em quais áreas mais pesquisas são necessárias. Os relatórios resultantes da avaliação do IPCC constituem insumos fundamentais para as negociações internacionais que visam o enfrentamento da mudança do clima.

Grupos de Trabalho e Força-Tarefa

As avaliações e relatórios especiais do IPCC são preparados por três Grupos de Trabalho, cada um olhando para um aspecto diferente da ciência relacionada à da mudança do clima:

Grupo de Trabalho I (Base da Ciência Física),

Grupo de Trabalho II (Impactos, Adaptação e Vulnerabilidade) e

Grupo de Trabalho III (Mitigação da Mudança do Clima).

O IPCC também possui uma Força-Tarefa sobre Inventários Nacionais de Gases de Efeito Estufa, cujo principal objetivo é desenvolver e refinar a metodologia para o cálculo e relatório de emissões e remoções nacionais de gases de efeito estufa.

Os Grupos de Trabalho e a Força-Tarefa lidam com a preparação de relatórios, selecionando e gerenciando os especialistas que neles trabalham neles como autores.

Tudo isso é apoiado por Unidades de Suporte Técnico que orientam a produção de relatórios de avaliação do IPCC e outros produtos.

Glossário IPCC

O Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC) disponibiliza, em inglês, um glossário de termos técnicos utilizados em seus relatórios e nas negociações de clima. Consultar o glossário pode ajudar no entendimento dos temas discutidos e facilitar o acompanhamento dos debates.

Glossário do IPCC

Fonte: COP30

AS IDEIAS INUSITADAS E RADICAIS QUE CIENTISTAS VÃO TESTAR PARA CONTER AS MUDANÇAS CLIMÁTICAS

Apenas cortar as emissões de carbono não será suficiente para combater as 
mudanças climáticas, alertam cientistas (Getty Images)

15/05/2019

O ritmo crescente das mudanças climáticas está levando pesquisadores a pensar em possíveis soluções inusitadas e radicais.

Cientistas de Cambridge, na Inglaterra, planejam montar um centro de pesquisa para explorar novas maneiras de conter as mudanças climáticas e regenerar a Terra.

Ele investigarão abordagens radicais como recongelar os polos do planeta, reciclar o dióxido de carbono (CO2) com a produção de combustível e estimular a produção de algas nos oceanos para remover este gás da atmosfera.

A decisão de criar o centro nasce dos temores de que as abordagens atuais não serão capazes de combater e reverter danos ao meio ambiente.

A iniciativa é a primeira desse tipo no mundo e busca gerar reduções drásticas nas emissões e na presença do CO2 na atmosfera. A iniciativa é coordenada pelo ex-assessor científico do governo britânico David King.

"O que fizermos nos próximos dez anos determinará o futuro da humanidade para os próximos 10 mil anos. Não há um grande centro no mundo que se concentre neste problema", disse ele à BBC News.

Algumas das abordagens descritas por King são conhecidas pelo termo "geoengenharia".

O Centro de Reparo do Clima faz parte da Iniciativa para Futuros Neutros em Carbono da universidade, liderada pela cientista Emily Shuckburgh.

Ela disse que a missão do projeto será "resolver o problema climático". "Não podemos falhar nisso", disse ela.

Urgência da questão ambiental nos obrigam a tentar viabilizar ideias antes 
impensáveis, argumentam pesquisadores (NASA)

O centro reunirá cientistas e engenheiros com especialistas em ciências sociais. "Este é um dos desafios mais importantes do nosso tempo, e sabemos que precisamos combatê-lo com uma combinação de diferentes recursos", disse Shuckburgh.

Conheça a seguir algumas das propostas que serão estudadas.

Recongelar os polos do planeta

Uma das ideias mais promissoras para recongelar os polos é "iluminar" as nuvens acima deles. A idéia é bombear água do mar até os pontos mais altos de mastros de navios por meio de tubos bem finos.

Isso produziria minúsculas partículas de sal que seriam dispersadas na atmosfera para formar nuvens capazes de refletir mais a luz do Sol e, assim, reduzir a temperatura das regiões abaixo delas.



Reciclagem de CO2

Outra abordagem possível é uma variante de uma ideia chamada captura e armazenamento de carbono (CAC).

A CAC envolve a coleta de emissões de dióxido de carbono de usinas elétricas a carvão ou a gás ou usinas siderúrgicas, armazenando-as no subsolo.

O professor Peter Styring, da Universidade de Sheffield, na Inglaterra, está desenvolvendo um projeto piloto de captura e utilização de carbono (CUC) com a empresa Tata Steel em Port Talbot, no sul do País de Gales, para reciclar o CO2.



Isso envolve a instalação de uma fábrica capaz de converter as emissões de carbono da empresa em combustível usando o calor residual da usina, de acordo com Styring.

"Temos uma fonte de hidrogênio, temos uma fonte de dióxido de carbono, temos uma fonte de calor e temos uma fonte de eletricidade renovável da usina", disse ele à BBC News. "Vamos aproveitar tudo isso para fazer combustíveis sintéticos."

Estimular a produção de algas nos oceanos

Outra ideia que o centro pode explorar inclui o estímulo à produção de algas nos oceanos para que eles possam absorver mais CO2.

Isso envolve o lançamento no mar de sais de ferro para promover o crescimento de plâncton. Experimentos anteriores mostraram, no entanto, que eles não absorvem CO2 suficiente e podem prejudicar ecossistemas.



Mas, de acordo com Callum Roberts, professor da Universidade de York, na Inglaterra, são pensadas atualmente abordagens que possam tornar essa iniciativa mais eficiente, porque a alternativa de que as mudanças climáticas gerem danos potencialmente irreversíveis é considerada inaceitável.

"No início da minha carreira, as pessoas ficavam horrorizadas e rejeitavam sugestões de soluções mais intervencionistas para regenerar recifes de corais", disse Roberts.

"Agora, eles estão olhando desesperadas para um ecossistema que pode desaparecer até o fim do século, e, agora, todas as opções estão na mesa."

Isso inclui a engenharia genética para criar corais resistentes ao calor ou o despejo de substâncias químicas no mar para torná-lo menos ácido.

"No momento, acho que usar a própria natureza para mitigar as mudanças climáticas é o melhor caminho. Mas considero legítimo explorar opções [mais radicais] para buscar um futuro melhor", disse Roberts.

Pensando o impensável

Tais ideias têm muitas desvantagens em potencial e podem se revelar inviáveis.

Mas Peter Wadhams, professor de física oceânica da Universidade de Cambridge, disse que devem ser avaliadas adequadamente para ver se estas desvantagens podem vir a ser superadas, porque reduzir as emissões de CO2 por si só não será suficiente.

"Se apenas reduzirmos nossas emissões, conseguiremos apenas reduzir o ritmo do aquecimento global. Isso não é suficiente, porque já está muito quente e já temos muito CO2 na atmosfera", disse Wadhams.

"Assim, precisamos retirar CO2 da atmosfera. Podemos reduzir seus níveis e de fato esfriar o clima, levando-o de volta ao que era antes do aquecimento global."

Fonte: BBC

EM MENSAGEM DE ANO NOVO, CHEFE DA ONU ALERTA PARA PERIGOS DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS E DOS CONFLITOS ARMADOS



29/12/2018

Em mensagem para o Ano Novo, o secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou para os desafios que assolam o mundo, como as mudanças climáticas, as divisões geopolíticas e os conflitos armados de difícil resolução.

“Um número recorde de pessoas está em movimento na busca de segurança e proteção. As desigualdades estão aumentando. E as pessoas questionam-se perante um mundo no qual um punhado de gente detém a mesma riqueza que metade da humanidade”, disse.

Em mensagem para o Ano Novo, o secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou para os desafios que assolam o mundo, como as mudanças climáticas, as divisões geopolíticas e os conflitos armados de difícil resolução.

“No ano passado, eu emiti um alerta vermelho, mas os perigos que mencionei ainda persistem. São tempos de ansiedade para muitos. E o nosso mundo está a passar por um teste de estresse”, declarou.

Guterres lembrou que as mudanças climáticas avançam muito mais rapidamente do que a humanidade, enquanto as divisões geopolíticas se aprofundam, tornando os conflitos mais difíceis de resolver.

“Um número recorde de pessoas está em movimento na busca de segurança e proteção. As desigualdades estão aumentando. E as pessoas questionam-se perante um mundo no qual um punhado de gente detém a mesma riqueza que metade da humanidade”, disse.

Guterres alertou também para o aumento da intolerância e para a queda da confiança. Apesar disso, afirmou haver razões para se ter esperança.

“As negociações sobre o Iêmen criaram condições para a paz. E o acordo assinado em Riad em setembro, entre a Etiópia e a Eritreia, melhorou as perspetivas de toda a região.”

“A assinatura de um acordo entre as partes do conflito do Sudão do Sul revitalizou as perspectivas de paz, trazendo mais progresso nos últimos quatro meses, do que nos quatro anos anteriores”, declarou.

Guterres lembrou ainda que a ONU foi capaz de unir os Estados-membros em Katowice, na Polônia, para aprovar o Programa de Trabalho para a implementação do Acordo de Paris para o clima.

“Agora temos de aumentar a nossa ambição para combater esta ameaça à nossa existência – as alterações climáticas. É tempo de aproveitarmos a nossa última melhor oportunidade. É tempo de travar o descontrole e a espiral das mudanças climáticas.”

O chefe da ONU disse ainda que, nas últimas semanas, as Nações Unidas supervisionaram acordos globais de referência sobre migração e refugiados, que irão salvar vidas e superar perigosos mitos.

“Em todos os lugares, as pessoas estão se mobilizando para apoiar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, o nosso projeto global de paz, justiça e prosperidade num planeta saudável”, disse.

“Quando a cooperação internacional funciona, o mundo ganha”, completou.

Segundo Guterres, em 2019, as Nações Unidas vão continuar a aproximar as pessoas, a construir pontes e a criar espaço para soluções.

“Vamos manter a pressão nesse sentido. E nunca desistiremos.”

“Ao iniciarmos este Ano Novo, juntos vamos enfrentar ameaças com que nos defrontamos, vamos defender a dignidade humana e construir um futuro melhor. Desejo a cada um de vós e às vossas famílias um Ano Novo cheio de paz e saúde”, concluiu.



CIENTISTAS DESCOBREM NOVA POPULAÇÃO DE URSOS POLARES

Nova população de ursos polares é descoberta no Mar de Chukchi (Foto: Pixabay)

20/11/2018

O Mar de Chucki é rico em nutrientes e, consequentemente, gera boa produtividade biológica

Não é de hoje que as mudanças climáticas preocupam os cientistas. Mas, em meio à tanta tragédia, ainda há uma esperança: biólogos do Centro de Ciências Polares da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, descobriram uma nova população de ursos polares (Ursos Maritimus) ainda não estudada, no Mar de Chukchi, entre o Alasca e a Rússia. Os resultados foram publicados na revista científica Scientific Reports.

O mar de Chukchi é, de acordo com estudos anteriores, abundante em vida selvagem, incluindo focas, que são boas refeições para os ursos. "A maior parte do mar de Chukchi é rasa, com águas ricas em nutrientes vindas do Pacífico", disse disse o biólogo e um dos responsáveis pelo estudo, Eric Rogehr. "Isso se traduz em alta produtividade biológica.”

A descoberta é resultado de uma década de pesquisas. “Ele nos dá uma primeira estimativa da abundância e da situação da subpopulação do Mar Chukchi”, afirma Rogehr. Mas, apesar de ser uma excelente notícia, os pesquisadores ressaltam que os animais não estão isentos das ameaças. “A perda de gelo marinho, resultante das mudanças climáticas, continuam sendo a principal ameaça à espécie.”

Entre 2008 e 2016, os ursos de Chukchi mantiveram uma população bastante saudável. No entanto, se compararmos o período com 25 anos atrás, eles estão passando cerca de um mês a menos em gelo do mar. O habitat é onde os ursos polares costumam caçar, se reproduzir e até mesmo migrar.

Existem 19 subpopulações de ursos polares no mundo inteiro. Eles estão oficialmente listados como vulneráveis na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN. Estima-se que 26 mil ursos polares estejam nessas condições, sendo que algumas subpopulações estão diminuindo mais rápido do que outras. Uma dessas subpopulações afetadas pelas mudanças climáticas são os Beaufort, que perambulam entre os Estados Unidos e o Canadá, e estão ficando sem gelo em seu habitat natural.

O fato de os ursos passarem menos tempo no gelo é motivo de preocupação. Pesquisas recentes da NASA descobriram que mais da metade do gelo permanente do Ártico foi perdido desde 1958.

Os pesquisadores conseguem identificar 60 ursos polares anualmente, alguns inclusive com dispositivos de GPS. De acordo com o estudo, a subpopulação contava com pouco menos de 3 mil animais que tinham boas taxas de sobrevivência reprodutiva.


PARA GARANTIR ABASTECIMENTO, MUNDO PRECISA CUIDAR MELHOR DOS SOLOS

Fórum Mundial da Água: painel sobre água e solo ocorreu no 1º dia do evento em 
Brasília (Foto: Ayr Aliski/Ed.Globo)

26/03/2018

Em um dia em que desastres ambientais e mudanças climáticas concentraram atenções no 8º Fórum Mundial da Água, em Brasília, especialistas do Brasil e do Exterior reservam espaço para também debater o tema “Práticas de conservação da água e do solo para melhor produção alimentícia”. A sessão de discussão concluiu que conservação de água e solo andam de mãos dadas e que a preservação desses insumos é extremamente importante para garantir alimentação para uma população mundial que segue em crescimento. Projeções da Organização das Nações Unidas (ONU) indicam que a população mundial chegará a 8,6 bilhões até 2030, um aumento de 1 bilhão de pessoas em 13 anos, chegando a 9,8 bilhões em 2050 e 11,2 bilhões em 2100.

A pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Maria de Lourdes Mendonça Santos alertou, nessa sessão de debates, que a atividade agropecuária não pode ser tratada como “vilã” em relação ao consumo de água. Para ela, não se pode esquecer que fome zero e agricultura sustentável formam uma das metas dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio da Agenda 2030 das Nações Unidas.

“Temos de buscar segurança alimentar com segurança ambiental. Não podemos vilanizar a agricultura, afinal também temos compromissos. E um dos primeiros é acabar com a fome. Temos de produzir alimentos de maneira sustentável, mantendo as funções do solo ao longo do tempo”, destacou Maria de Lourdes. Ela argumentou que já há um amplo conjunto de técnicas disponíveis para proteger água e solo (desde medidas como evitar deixar o solo descoberto e promover rotação de culturas). O que falta é implantar todo esse conhecimento, sem deixar de avançar na pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias.

Para Maria de Lourdes, é preciso produzir e difundir conhecimento sobre os cuidados com solo e água, promover efetivamente políticas públicas, garantir financiamento para pesquisa e implantação e investir educação. A pesquisadora da Embrapa destaca que embora muitos mecanismos estejam disponíveis, colocar as soluções em vigor não é tarefa fácil, pois envolve esforços políticos, técnicos, de crédito e difusão de informações, entre outros fatores. Maria de Lourdes citou dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), os quais apontam que 33% dos solos do mundo estão com degradação moderada ou alta.

Experiência estrangeira

O indiano Ashwin Pandya, da Comissão Internacional de Irrigação e Drenagem, disse que é preciso aprimorar técnicas atualmente aplicadas, adequando ao máximo os projetos de irrigação ao tipo de agricultura. Na Índia, explicou, há um sistema que fornece a pontuação da saúde do solo, em cálculo que envolve fatores como composição, sustentabilidade e os diversos usos da área. A partir daí, destacou, são aplicadas as melhores práticas, evitando a degradação hídrica e dos solos. “É preciso um programa holístico para os cuidados com a água, o solo, o uso de fertilizantes. A população mundial está aumentando e a terra arável não está crescendo”, destacou Pandya.

Exemplos de boas práticas no manejo hídrico foram apresentadas pelo professor da Universidade de Nebraska (EUA) Charles Wortmann. Ele mostrou resultados obtidos com técnicas de diminuição do escoamento superficial nas lavouras de países da África. Em situações específicas, foi obtido aumento de 44% na relação de produtividade do milho, considerando como parâmetro principal cada metro cúbico de água aplicada na terra.

Wortmann também apresentou resultados de pesquisas que evitaram a evaporação da água do solo. Cada caso, no entanto, depende de estudos e exige aplicações especificas. Soluções que foram bem-sucedidas em uma região não apresentaram bons resultados em outras áreas.

O monitoramento dos solos por satélite também pode ser um bom instrumento para a preservação das águas e dos solos, apontou o representante da FAO Jippe Hoogeveen. O sensoriamento remoto amplia a capacidade cruzar dados como evaporação, disponibilidade de biomassas, nível de precipitação e uso da terra, entre outros fatores, permitindo uma gestão mais eficaz e equilibrada entre produção e sustentabilidade.

É impossível promover a produção de alimentos sem promover a antropização da paisagem (a modificação da paisagem original, pela presença do homem), lembrou o secretário de Meio Ambiente do município goiano de Cristalina, Bruno Marques. Ele argumentou, assim com a pesquisadora Maria de Lourdes, da Embrapa, que o desafio é encontrar o equilíbrio. “Adotar práticas de conservação da água e do solo para a melhor produção agropecuária”, disse. Ou seja, o desafio é alavancar o potencial de produção, mas com a máxima preservação ambiental.

Diante desse cenário, Marques afirmou que é indispensável investir em gestão agroambiental, prática que envolve desde técnicas como a rotação de culturas até o aprimoramento estratégico da gestão das propriedades rurais. “Inserir a variável ambiental é um excelente negócio para quem está na agricultura”, concluiu.

Texto: Ayr Aliski, de Brasília

Fonte: Sistema FAEG

COP 23 INICIA COM APRESENTAÇÃO DE CRIANÇAS E EXPECTATIVA DE AMPLIAR ACORDO DE PARIS

Foto COP23/Divulgação/JC 

06/11/2017


Um ano e meio após entrar em vigor o Acordo de Paris, tratado internacional assinado em abril de 2016 que impõe medidas de redução na emissão dióxido de carbono a partir de 2020, iniciou nesta segunda-feira (6) a 23ª Conferência do Clima (COP) das Nações Unidas, em Bonn, na Alemanha. Meses após o presidente dos Estados Unidos Donald Trump anunciar que retirará o país do acordo, o desafio do encontro, neste ano, é manter os esforços reunidos e definir ações práticas para o combate internacional ao aquecimento global. Na abertura do encontro, um grupo de crianças (foto) fez uma apresentação com faixas e cartazes sobre as consequências das mudanças climáticas. A COP 23 será realizada até o dia 17 de novembro e o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, representará o Brasil no evento.  

COMO AS MUDANÇAS CLIMÁTICAS VÃO MUDAR O MUNDO DOS NEGÓCIOS E O MERCADO DE TRABALHO

As mudanças climáticas estão nos forçando a adotar energias renováveis, como a eólica

19/08/2017

Amanda Ruggeri
Da BBC Future

Quando falamos em mudanças climáticas, a maioria das pessoas pensa em consequências ambientais como aumento do nível do mar, temperaturas elevadas e derretimento de geleiras.

Em algumas partes do mundo, como o sul da Flórida ou as montanhas da Suíça, essas mudanças já estão afetando a vida diária. Em Miami, por exemplo, estações de tratamento de esgoto estão sendo reconstruídas em um nível mais alto, os quebra-mares estão sendo elevados e os estacionamentos de carros, planejados com estruturas contra inundação - não só uma resposta às de hoje, mas de olho na previsão do nível do mar no futuro.

Especialistas dizem que esses efeitos podem ser apenas a ponta do iceberg derretendo: as mudanças climáticas estão transformando tudo, das finanças até a saúde.

Como resultado, não são apenas os responsáveis pelo planejamento urbano em áreas de risco que terão de mudar seus projetos para o futuro. De agentes financeiros até fazendeiros, engenheiros civis e médicos, um número cada vez maior de profissionais verão seus mercados mudarem.

Isso significa que pode haver outra consequência da mudança climática que muitas vezes passa despercebida: o que isso significa para a sua carreira.

"Todo mundo vai precisar entender (as mudanças climáticas) da mesma forma que você assumiria que todos no ramo de negócios precisam ter alguma fluência em redes sociais hoje ou que todo mundo seria capaz de usar um computador 20 anos atrás", diz Andrew Winston, autor do livro The Big Pivot: Radically Practical Strategies for a Hotter, Scarcer, and More Open World ("O Grande Pivô: Estratégias Práticas Radicais para um Mundo Livre Mais Aberto, Quente e Com Menos Recursos", em tradução livre).

Transformações em curso

Já que é difícil saber exatamente quão dramáticos serão os efeitos das mudanças climáticas, é difícil saber exatamente quanto elas afetarão diferentes ramos. Mas algumas das transformações já podem ser observadas. Desastres relacionados ao clima como secas e furacões, por exemplo, estão afetando bolsos e seguradoras - com impactos em pessoas e negócios em lados opostos do mundo.

Enquanto isso, as complicadas redes de abastecimento de uma indústria de confecção globalizada indica que uma interferência em um lugar pode causar consequências em outros. Isso foi comprovado recentemente, quando terremotos atingiram o Japão em abril de 2016, causando estragos em fábricas que vendiam partes automotivas para a Toyota e forçando a empresa a suspender a produção.

As mudanças climáticas estão nos forçando a adotar energias renováveis como 
a solar, o que tem aumentado a demanda nesses setores - Crédito: ALAMY

Até mesmo a indústria da saúde pode ser afetada. Além de afetar a disponibilidade de água limpa e de alimentos, um clima mais quente está aumentando a vulnerabilidade das áreas cujos moradores já estão sob o risco de doenças como malária e dengue.

A recente epidemia de zika pode ter sido exacerbada por causa do clima mais quente. Entre 2030 e 2050, a Organização Mundial de Saúde (OMS) prevê que as mudanças climáticas causarão 250 mil mortes a mais por ano.

"Uma das coisas mais interessantes que não se fala a respeito, mas que há muito trabalho sendo feito na OMS, é o que está chegando até nós em termos de doenças e como o clima está mudando e espalhando doenças e epidemias mais rápido", diz Michelle DePass, decana da Faculdade Milano de Assuntos Internacionais, Administração e Políticas Urbanas na New School, em Nova York.

"Podemos ouvir a BBC falando sobre ebola e outras coisas e não entender que estamos muito, muito vulneráveis a esse tipo de epidemia aqui nos Estados Unidos também por causa do que está acontecendo com o clima."


O presidente francês Emmanuel Macron demonstrou interesse em atrair cientistas e 
pesquisadores à França para combater as mudanças climáticas 
Crédito: Getty Images

Aliás, este ano, o Relatório de Riscos Globais do Fórum Econômico Mundial, que é baseado em análises de 750 especialistas, descobriu que um dos cinco maiores riscos enfrentados pelo mundo em 2017 em termos de impacto em potencial são as armas de destruição em massa.

Todos os outros são relacionados ao clima: acontecimentos climáticos extremos, crises de água, desastres naturais de grande escala e fracasso no abrandamento e na adaptação às mudanças climáticas.

Apesar do tamanho do desafio, menos funcionários que o necessário são treinados para incorporar padrões climáticos nos seus planejamentos para o futuro, segundo Daniel Kreeger, diretor-executivo da ONG Association of Climate Change Officers (Associação Empresarial de Mudanças Climáticas, em tradução livre).

Uma das iniciativas da ACCO é organizar treinamentos e programas de credenciamento em habilidades relacionadas ao clima. "Nós não temos as pessoas certas com as habilidades certas nos lugares certos", diz ele.

Um dos exemplos apontados por Kreeger é a engenharia civil. "Nós não esperamos ter inundações monstruosas e então seca por seis meses. Esperamos ter quantidades pequenas e periódicas de chuva. Logo, nossos sistemas não estão equipados para lidar com grandes temporais", afirma.

"Quando esses parâmetros mudarem, você precisará de uma mão de obra para lidar com essas mudanças. Bem, nossos engenheiros civis não foram treinados para lidar com mudanças climáticas durante o treinamento. Nossos planejadores urbanos, nossos administradores de cidades, nossos arquitetos. Ninguém aprendeu essas coisas."

Empregando o clima

Agora, as dez habilidades mais desejadas para conseguir um contrato de emprego, de acordo com uma análise de dados do LinkedIn, têm a ver com tecnologia: pense em computação em nuvem, marketing SEO e arquitetura web.

Mas da mesma forma que a tecnologia transformou a mão de obra de hoje, alguns dizem que as mudanças climáticas podem transformar o amanhã.

Uma indústria que já mostra sinais dessa evolução é a de energia. De acordo com dados do sistema de buscas de emprego Indeed, no primeiro trimestre de 2014 no Reino Unido, as ofertas de empregos no setor de energia renovável - bioenergia, geotérmica, hidroelétrica, solar e eólica - representavam um terço (32,9%) de todas as ofertas de emprego do setor de energia desse período de 2014.

Em 2017, isso aumentou para mais da metade de ofertas de todo o setor de energia, ou 51,5%.

Apesar desses números serem específicos do Reino Unido, o mesmo padrão de inclinação às renováveis tem ocorrido mundialmente, diz Tara Sinclair, uma integrante sênior da Indeed e economista na Universidade George Washington.

Essas mudanças foram o resultado de uma variedade de fatores, incluindo a queda nos preços de petróleo e a competitividade pelo gás natural: durante três anos, as ofertas de emprego de petróleo e carvão no Reino Unido caíram de dois terços (66,5%) do setor de energia para menos da metade (47,7%).

Mas também são consequência de como empregadores e pessoas buscando emprego estão se interessando em diminuir emissões e as mudanças climáticas, diz Sinclair. Depois da queda do preço de petróleo anos atrás, afirma ela, os empregos na indústria de petróleo diminuíram, assim como o interesse das pessoas que procuram empregos nesse ramo.

"Parte disso é que há menos oportunidades e as pessoas reagem ao que elas sabem que é a situação do mercado de trabalho em termos gerais", afirma ela. "Mas também parece existir essa atratividade cada vez maior em empregos na economia verde."

Da mesma maneira que muitas pessoas das indústrias de gás e petróleo conseguiram mudar para a energia verde, diz Sinclair, muitos empregados já deveriam ter habilidades transferíveis a assuntos específicos de mudanças climáticas, como cadeias de demanda e produção.

"De maneira geral, o planejamento de produção diversificado a respeito de fenômenos voláteis de clima será uma parte da habilidade que você deverá ter", diz Sinclair. "Mas eu não vejo porque isso seria muito diferente de fazer planejamento a respeito de outros fenômenos destrutivos, seja ele político ou qualquer outra coisa. Eu não acho que essa seja uma habilidade que não vimos antes."

Quebra-mares estão sendo reconstruídos em litorais que enfrentam o aumento do 
nível do mar como consequência das mudanças climáticas - Crédito: ALAMY

O poder do dinheiro

Ainda não se sabe o quanto as mudanças climáticas vão afetar as habilidades esperadas de empregados em indústrias menos afetadas imediatamente pelas mudanças climáticas do que, digamos, a engenharia civil ou seguradoras.

Mas até mesmo companhias ou ramos que pareciam ser menos afetados diretamente estão se interessando pela questão. Winston, que dá consultoria para vários negócios para ajudá-los a se manter à frente de tendências globais - inclusive a das mudanças climáticas - cita a Unilever.

A megacorporação, que faz tudo desde o sabonete Dove até o picolé Magnum, exigiu ações sérias em uma variedade de iniciativas sustentáveis - incluindo ter 100% de sua energia de produção advinda de fontes renováveis até 2030 (ela já cortou suas emissões de carbono em 43% de 2008 para 2016).

Outras companhias também têm iniciativas ambiciosas: Coca-Cola, Ikea e Walmart também se comprometeram a ter 100% de energia renovável.

Pode parecer estranho empresas adotarem discursos que parecem mais com os de ONGs, mas não é. Em primeiro lugar, é atraente para os consumidores. Uma pesquisa recente da Cone Communications, uma empresa de Relações Públicas para marcas, descobriu que 87% dos americanos dizem que eles comprariam um produto por causa do alinhamento da companhia a uma questão com a qual eles se importam.

E também atrai potenciais funcionários: cerca de dois terços dos millennials - a geração que formará metade da mão de obra dos Estados Unidos até 2020 - dizem que eles levam em consideração os compromissos sociais e ambientais de uma empresa ao considerar uma oferta de trabalho.

Mas não é apenas uma questão de marketing. Como a Unilever afirma em seu site, diminuir o uso e o desperdício de energia, por exemplo, significa cortar tanto custos quanto exposição à volatilidade de preços - a empresa diz que já cortou 700 milhões de euros (R$ 2,6 bilhões) em custos somente nessa área desde 2008.

O interesse corporativo na contenção das mudanças climáticas também é, obviamente, devido à preocupação com a saúde econômica do planeta. Um estudo de 2016 apontou que o simples efeito do aumento das temperaturas sobre a produtividade dos trabalhadores, especialmente em climas quentes como na Ásia ou na África, pode custar mais de US$ 2 trilhões (R$ 6,3 trilhões) à economia global até 2030.

"A mudança nas discussões em conselhos executivos e em companhias em geral sobre clima tem sido bastante profunda", diz Winston. "Não há uma grande companhia no mundo que não esteja falando sobre sustentabilidade ou clima. Apenas não é possível operar nossos negócios sem falar sobre isso."
Muitos fatores podem explicar por que executivos de companhias como Goldman Sachs ou Facebook expressaram raiva em relação ao anúncio de Donald Trump sobre a retirada dos Estados Unidos do Acordo Climático de Paris. Alguns CEOs americanos, incluindo Bob Iger da Walt Disney e Elon Musk da Tesla, retiraram-se do conselho de assessoria do presidente como protesto.

Outro aspecto que mostra como as corporações não estão apenas levando as mudanças climáticas a sério, mas também valorizando habilidades relacionadas a elas, é o salário pago àqueles com esse tipo de especialidade.

Em 2016, uma pesquisa sobre funcionários trabalhando no setor de responsabilidade e sustentabilidade corporativa, a maioria deles na América do Norte ou na Europa, descobriu que o salário médio anual deles era de 61 mil libras (R$ 251 mil) - 12% dos participantes da pesquisa ganhavam 100 mil libras (R$ 412 mil) ou mais.

Até mesmo no Reino Unido, onde o salário médio estava abaixo de 57 mil libras (R$ 235 mil), a média do salário do profissional de responsabilidade corporativa era o dobro da média recebida pelo funcionário emprego em tempo integral no Reino Unido - que em 2016 ganhava 28 libras (R$ 115 mil).
Ainda assim, 64% dos mesmos profissionais do estudo tinham um mestrado ou doutorado. "Sinceramente, eles recebem menos do que deveriam em relação ao conhecimento e ao valor que oferecem", diz o diretor da SystemiQ, Jeremy Oppenheim, no estudo.

Uma explicação, diz ele, é que "as companhias ainda não apreciam completamente o valor econômico que as equipes de sustentabilidade trazem aos seus negócios".

Da mesma forma, diz Winston, em sua busca por funcionários em potencial, a maioria dos departamentos de recursos humanos, especialmente nos Estados Unidos, parecem ficar para trás em termos do quanto eles valorizam as competências em mudanças climáticas dos funcionários.

"Está defasado considerando o tamanho do desafio. Isso ocorre porque por muitos anos as pessoas achavam que era algo político. Você não se meteria em uma encrenca se dissesse 'ei, todos deveriam receber um treinamento em redes sociais', mas poderia se dissesse 'ei, todo mundo deveria ser treinado em mudanças climáticas'", afirma ele.

Mas, acrescenta Winston, "isso está mudando". E essa transformação já está acontecendo, completa - com ou sem a participação dos Estados Unidos no Acordo de Paris.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...