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Plataforma Saúde do Solo BR será lançada na COP30, em Belém

Foto: Fabiano Bastos


26/09/2025

Por: Juliana Caldas - Embrapa Cerrados 

A Plataforma Saúde do Solo BR: Big Data para Solos Resilientes e Sistemas Alimentares será lançada na AgriZone, durante a COP30, que acontece de 10 a 21 de novembro, em Belém (PA). O evento de lançamento está marcado para o dia 17 de novembro, às 11h. A plataforma é uma ferramenta inédita que transforma dados em conhecimento, apoiando agricultores, pesquisadores e gestores na construção de uma agricultura sustentável, resiliente e de baixo carbono.

A iniciativa democratiza o acesso da sociedade brasileira ao maior banco de dados de saúde do solo do mundo, criado cinco anos depois do lançamento da tecnologia de Bioanálise de Solo (BioAS). “Hoje o Brasil detém um banco de dados de saúde do solo sem precedentes, baseado na atividade enzimática e nos teores de matéria orgânica. Esse banco é dinâmico e cresce a cada dia. Nesse primeiro momento, vamos disponibilizar os resultados das primeiras 52 mil amostras”, destaca a pesquisadora da Embrapa Cerrados, Ieda Mendes.

O banco de dados está sendo construído por meio de uma parceria inovadora com os 33 laboratórios comerciais de análises de solo, membros da Rede Embrapa que utilizam a tecnologia BioAS. O Brasil foi pioneiro ao incluir parâmetros biológicos nas análises de rotina, mostrando que avaliar a saúde do solo em larga escala pode ser um processo simples e acessível. Segundo a pesquisadora Ieda, a escolha da plataforma para lançamento durante a COP30 foi recebida com entusiasmo. “Foi com grande alegria que recebemos essa notícia”, comemora.

 “A criação da Plataforma Saúde do Solo é um desdobramento natural da ampla adoção da Tecnologia de Bioanálise de Solo (BioAS) no Brasil”, avalia o pesquisador Guilherme Chaer, da Embrapa Agrobiologia. Segundo ele, a análise integrada dos dados possibilita classificar cada amostra dentro de padrões de saúde do solo. O sistema de classificação considera os resultados das análises químicas e biológicas, e organiza os solos em cinco padrões: saudável, em processo de degradação (adoecendo), degradado (doente), em recuperação e intermediário.

Outro diferencial da Plataforma é o mapa de tendência do carbono do solo (TCS), que se baseia no Índice de Tendência do Carbono do Solo (ITCS), calculado a partir dos bioindicadores da BioAS em conjunto com os teores de matéria orgânica do solo (MOS). “O ITCS parte do princípio de equilíbrio entre MOS e atividade biológica: em sistemas naturais ou manejados de forma estável por longos períodos, observa-se um balanço bioquímico entre ambos. Alterações nas práticas de manejo rompem esse equilíbrio temporariamente e os bioindicadores permitem detectar a direção e a intensidade das mudanças, sinalizando tendências futuras da MOS”, explicou.

A ferramenta

A Plataforma Saúde do Solo reúne os dados de todas as bioanálises realizadas pelos laboratórios da Rede BioAS no território nacional. As informações são coletadas e armazenadas de forma anônima pela Embrapa. O grande volume de informações permite gerar mapas e estatísticas sobre a saúde dos solos em escalas municipal, estadual e nacional — o principal objetivo da Plataforma.

A plataforma disponibiliza índices de ciclagem, armazenamento e suprimento de nutrientes, além da classificação da saúde do solo e do Mapa de Tendência do Carbono do Solo (TCS), que estima se o solo tende a ganhar ou perder carbono. Os usuários poderão explorar os dados por meio de filtros que permitem consultas em diferentes escalas espaciais e temporais, seleção por culturas agrícolas e classes texturais de solo. A plataforma ainda possibilitará a visualização simultânea de dois mapas comparativos, favorecendo análises paralelas.

COP30

A AgriZone integra a Jornada pelo Clima, iniciativa da Embrapa que busca ampliar o conhecimento da sociedade sobre a questão climática e divulgar tecnologias, pesquisas e soluções desenvolvidas pela ciência brasileira nessa área. O projeto conta com patrocínio máster do Senar; patrocínio Diamante+Ouro da Nestlé; patrocínio Diamante da Bayer e do IICA; patrocínio Ouro+Bioma Local da Caixa; e parceria institucional do Sebrae.

Fonte: Embrapa

ARTIGO - ÁGUA NA AGRICULTURA E PRODUÇÃO DE ALIMENTO

Foto: Fabio Henrique Torresan

22/02/2021

Por Lineu N. Rodrigues - pesquisador da Embrapa Cerrados (DF)

No dia 22 de março, celebra-se o Dia Mundial da Água. É uma oportunidade para se discutir a importância desse recurso para a vida e para o desenvolvimento econômico e social. É fundamental que o tema seja analisado dentro das suas várias dimensões, sendo preponderante adotar estratégias de manejo que considerem os recursos hídricos de forma integrada, e que almejem uma alocação equitativa, considerando os usos múltiplos da água e a bacia hidrográfica como unidade de referência. Água é sinônimo de dialogar, de compartilhar e de integrar. Não é geradora de conflitos, mas sim de oportunidade para produzir e de criar desenvolvimento.

Nesse contexto, não teria como não aproveitar a oportunidade e trazer para a reflexão o tema água na agricultura e produção sustentável de alimento. Segurança alimentar e hídrica estão no centro das maiores preocupações da sociedade. A água é o principal fator de produção de alimentos. Como balancear produção de alimento e demanda hídrica em um mundo onde cerca de 820 milhões de pessoas não têm acesso à quantidade de alimento suficiente para manter níveis básicos de saúde e onde dois terços da população enfrentarão algum problema de falta de água é o grande desafio a ser enfrentado.

A relação água-alimento é complexa. Esses dois elementos estão intrinsecamente e fortemente interconectados. A complexidade inerente a essa interação é um dos motivos dos debates e disputas, muitas vezes desnecessárias, entre os setores usuários. Mantidas as condições atuais, o aumento na produção de alimentos demandará mais água e poderá aumentar ainda mais as disputas pelo uso da água, reduzindo a qualidade de vida da população. É nesse sentido que a ciência tem papel fundamental. As inovações modificam a situação atual, possibilitando produzir mais sem aumentar as demandas hídricas.

Atender as demandas atuais e futuras por alimento vai requerer um rápido aumento de produtividade, que precisa ser alcançado sem danos adicionais ao ambiente. Para que isso ocorra, é fundamental que os princípios de sustentabilidade sejam parte central das políticas agrícolas. As pessoas estão, em sociedade, cada dia mais conscientes sobre as questões ambientais e têm optado, de forma crescente, por alimentos produzidos nessas bases sustentáveis.

Nesse sentido, o objetivo de produzir mais alimentos deve ser visto dentro de uma abordagem mais ampla, considerando os aspectos de sustentabilidade ambiental, ou seja, buscando produzir mais alimentos com melhor qualidade e com menores danos aos recursos naturais. Para isso é necessário intensificar a agricultura de maneira sustentável e melhorar a eficiência dos sistemas agrícolas, tornando-os mais produtivos. Qualquer estratégia que vise intensificar a agricultura, reduzindo a variação na produção e aumentando a produtividade das culturas, deve necessariamente incluir a irrigação.

A irrigação é tecnologia essencial no xadrez da produção de alimentos. Atualmente, com a variabilidade climática cada vez mais acentuada, não se pode pensar no desenvolvimento de uma política de segurança alimentar e de segurança ambiental que não estabeleça políticas de longo prazo para o desenvolvimento da agricultura irrigada.

No mundo, a agricultura irrigada é responsável por cerca de 40% de toda a produção, viabilizando produzir fisicamente, em uma mesma área, até quatro vezes mais que a agricultura de sequeiro. A grande vantagem da agricultura irrigada, entretanto, está em trazer estabilidade para a produção, o que possibilita planejar estratégias de segurança alimentar e propor políticas públicas de médio e longo prazo.

O desenvolvimento de uma agricultura sustentável passa, necessariamente, pelo uso sustentável dos recursos hídricos, que por sua vez, depende de uma gestão que incorpore os usos múltiplos da água e considere os fundamentos e diretrizes da Política Nacional de Recursos Hídricos. Não se pode pensar em agricultura e desenvolvimento sustentável sem que haja um equilíbrio entre a oferta e a demanda de água. O Brasil é um país de dimensões continentais com grandes diferenças sociais, ambientais e econômicas, o que deixa a atividade de gestão muito mais complexa. Fazer a gestão de recursos hídricos de forma igualitária em todo o País pode levar a conflitos em bacias hidrográficas que já se encontram em estado crítico em termos de disponibilidade hídrica.

A água tem diversas formas e recebe diferentes nomes. A água na agricultura é sinônimo de produção de alimento e segurança alimentar. Aparentemente, a quantidade de água doce renovável anualmente no mundo é muito maior que a quantidade de água necessária para sustentar as demandas dos três usos consuntivos de água (abastecimento doméstico da população; produção industrial; e produção agrícola sob irrigação). Dentre esses usos, a agricultura irrigada é o único que faz uso tanto da água verde (água proveniente da chuva e armazenada no solo) quanto da água azul – água existente nos rios ou aquíferos. Em países tropicais como o Brasil, a água verde representa um componente significativo para a produção e estratégias devem ser desenvolvidas para maximizar o seu uso.

O crescimento das áreas irrigadas, entretanto, não pode mais ser fundamentado apenas no aumento do uso de recursos hídricos. O crescimento desejado e possível é cada vez mais dependente dos ganhos de eficiência nos sistemas já existentes. O desafio da agricultura irrigada é a promoção do irrigar com qualidade. Isso quer dizer que deve ser buscada continuamente uma elevada eficiência e produtividade de uso das águas. A agricultura irrigada deve ser capaz de utilizar os recursos de forma eficiente, com mínimas perdas e deterioração da qualidade da água. Neste cenário, a agricultura irrigada terá a grande oportunidade de contribuir para a segurança ambiental, hídrica e alimentar, podendo ainda contribuir para reduzir os impactos na produção advindos das mudanças climáticas, garantindo alimento em quantidade, qualidade e a custos acessíveis para as pessoas.

As retiradas de água dos mananciais, necessárias para garantir a prática da agricultura irrigada, devem estar previstas nos planejamentos estratégicos, especialmente em cronogramas existentes nos planos de recursos hídricos, conforme as condições climáticas, a vocação dos cultivos regionais, as potencialidades das áreas produtivas e os mercados consumidores e, posteriormente, consolidadas por meio da definição de planos de concessão de outorga de uso de água para irrigação, possibilitando que seja feita uma gestão compartilhada em cooperação e a prevenção com redução dos conflitos.

No olhar da gestão quanto à oferta, deve-se considerar as desigualdades hídricas regionais e ter um olhar diferenciado para as bacias hidrográficas críticas, onde a disponibilidade hídrica já está comprometida, assim como onde a ocorrência de conflitos pelo uso da água já é realidade. No olhar da gestão quanto à demanda, a irrigação precisa de uma gestão com olhar ampliado. O produtor precisa ter uma visão além de sua propriedade e de sua área de produção. É preciso ter sempre uma visão macro da bacia hidrográfica. A irrigação tem que ser feita considerando a bacia hidrográfica. O rio é, na verdade, reflexo daquilo que acontece na bacia como um todo. Ou seja, é preciso olhar a bacia de forma mais integrada, considerar estratégias de conservação de água e solo, que vão refletir diretamente na quantidade e na qualidade das águas.

O Brasil, com 12% da água doce superficial disponível no planeta e 28% da disponibilidade as Américas, é estratégico para suprir o aumento de cerca de 60% da demanda por alimentos, necessários para atender a uma população mundial que em 2050 será de aproximadamente 10 bilhões de habitantes. O sucesso dependerá da capacidade da sociedade em entender estrategicamente o nexo água-alimento. Para responder à pergunta sobre o quanto de água será necessário, é preciso saber antes o quanto de alimento se deseja produzir.

Segurança hídrica e alimentar devem fazer parte de qualquer política de estado que vise ao desenvolvimento e ao bem estar de sua população. Nesse contexto, é importante aprender com os erros do passado e planejar um futuro melhor, que consiste necessariamente em tratar a água como um bem estratégico para o País. Para isso, é preciso integrar a Política Nacional de Recursos Hídricos com as demais políticas públicas. É fundamental definir as prioridades de uso da água, levando-se em consideração as necessidades básicas do País e as especificidades de cada região.

Os avanços tecnológicos na agricultura irrigada vão muito além do desenvolvimento de novos equipamentos de irrigação. Os processos de tomada de decisão estão cada vez mais complexos, com necessidade de decisões mais rápidas, além de depender de análises de quantidade de dados cada vez maiores. Notam-se, nesse campo, avanços significativos relacionados às tecnologias da informação, da comunicação, de big-data e de modelos de inteligência computacional e simulação. As possibilidades tecnológicas são ilimitadas, sendo muito arriscado fazer qualquer previsão sobre o futuro.

Todo esse avanço, entretanto, não será suficiente para o desenvolvimento sustentável se, na gestão da água no meio agrícola, não forem observadas as especificidades da agricultura, que depende da chuva. É preciso criar mais valor e bem-estar com os recursos hídricos disponíveis. Isso não significa, é claro, incentivar a cultura do desperdício de água. Com uma gestão de recursos hídricos competente e aberta para incorporar os novos conceitos e tendências, é possível trazer segurança hídrica e atender a todos os usos e usuários sem comprometer a disponibilidade hídrica.

Mais informações: Embrapa Cerrados

DE PLANTAS COMESTÍVEIS A HORTA EM CASA, EMBRAPA OFERECE CURSOS GRATUITOS NA PANDEMIA

Peixinho da horta, uma das PANC mais conhecidas (Foto: Pixabay )
10/07/2020

Capacitação sobre as PANC oferece 10 mil vagas para todo o Brasil

A Embrapa está com inscrições abertas para dois cursos on-line que têm despertado o interesse de muitos brasileiros durante a pandemia. Um é sobre hortas em pequenos espaços e o outro sobre a produção de Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC).

Dividido em cinco módulos, o curso sobre PANC ensina o aluno a cultivar as hortaliças em quintais e varandas para o consumo doméstico, além de quais recipientes e solos mais adequados, como preparar a compostagem e a vermicompostagem e a forma correta de usar adubação verde.

Ao todo, são 10 mil vagas gratuitas disponibilizadas para todo o Brasil - número que pode aumentar de acordo com a procura dos interessados. Também faz parte do curso o planejamento e produção dentro do espaço disponível, aconselhamento das espécies mais apropriadas e onde encontrar mudas e sementes para iniciar a horta. 

Vídeo: Como cultivar flores comestíveis

Vídeos, leituras, receitas, informações culturais e uma avaliação de aprendizagem também fazem parte da programação. “A produção e consumo das hortaliças PANC também é uma forma de resgate histórico-cultural dos tempos em que o Brasil era um país predominantemente rural”, diz o pesquisador da Embrapa Nuno Madeira, que coordena trabalhos com as plantas desde 2006.

As PANC

De acordo com a Embrapa, a rusticidade é a principal característica dessas plantas. Elas apresentam qualidades nutricionais que representam papel importante para a segurança alimentar das famílias, que terão à disposição alimentos que fornecem nutrientes necessários para uma dieta saudável e diversificada.

Mais de 300 espécies são catalogadas como PANC, segundo a entidade. O curso contempla as mais conhecidas do público em geral, como amaranto, azedinha, beldroega, bertalha, capuchinha, cará-do-ar, caruru, chaya, chuchu-de-vento, dente-de-leão, fisális, jambu, mangarito, moringa, muricato, ora-pro-nóbis, peixinho, serralha, taioba e vinagreira.

Hortas em pequenos espaços

Além da produção das PANC para consumo doméstico, a Embrapa também está com novas vagas abertas para o curso online de hortas em pequenos espaços. Gratuito, o curso é voltado ao público urbano, estabelecendo-se como atividade ideal em tempos de isolamento social.

Dividido em quatro módulos, a atividade online apresenta informações básicas das diferentes etapas de plantio, condução e manutenção de hortas em espaços urbanos reduzidos.

Em maio, as primeiras oito mil vagas já haviam sido preenchidas, o que fez com que a instituição abrisse nova turma com até 10 mil participantes. Com a procura, o curso teve melhorias, como adição de vídeos práticos e mais conteúdos sobre colheita e consumo de hortaliças.

Fonte: Globo Rural

AGRICULTURA – UMA ATIVIDADE EM MOVIMENTO



08/11/2019

Produzir alimentos, fibras e energia para atender as necessidades da população é um dos desafios da agricultura. Logicamente, esta produção precisa ser sustentável sob o ponto de vista econômico, social e ambiental. Não sendo atendido um dos três pilares da sustentabilidade, a atividade não é efetivamente sustentável. Por esse motivo, é cada vez maior o desafio para aqueles que estão direta ou indiretamente envolvidos com a produção agrícola em qualquer parte do mundo.

Em ambiente tropical, como é o caso do Brasil, este desafio é ainda maior. Plantas daninhas, fungos, vírus e bactérias que atacam as plantas cultivadas encontram condições ótimas para crescerem e se desenvolverem. Portanto, a sua capacidade de causar dano econômico é maior, quando comparado a regiões de clima temperado.

No Brasil, ao longo dos últimos anos, tem-se conseguido vários avanços que favorecem a produção sustentável de alimentos, fibras e energia. No entanto, ainda é preciso avançar tanto na geração quanto na adoção de tecnologias, muitas vezes consideradas simples, mas que fazem toda a diferença, como exemplo, o controle da erosão. A falta de controle da erosão dos solos agrícolas traz consequências altamente maléficas para toda a sociedade. O potencial produtivo dos solos agrícolas é reduzido, a conservação/manutenção das estradas rurais tem os seus custos elevados e o tratamento da água para consumo humano também fica mais caro.

Tecnologias, como o Sistema Plantio Direto (SPD) - que consiste no não revolvimento do solo, solo coberto com material vegetal e rotação de culturas quando realizado em solos onde o controle da erosão é adequado -, trazem um conjunto de vantagens para o crescimento e desenvolvimento das plantas, melhorando significativamente a sustentabilidade da produção.

Sempre pensando nas ações sustentáveis da produção agropecuária, novos conhecimentos, produtos, práticas e serviços são colocados à disposição dos produtores pela pesquisa brasileira. Um exemplo disso é a tecnologia desenvolvida pela Embrapa para o melhor aproveitamento do uso do fósforo pelas plantas - nutriente essencial, finito, do qual o Brasil importa boa parte do que consome. Trata-se de um inoculante que solubiliza o fósforo contido nos solos para incorporação pelas plantas.

Outro excelente exemplo do que a pesquisa é capaz de produzir é a redução da dose de um determinado herbicida por meio da nanotecnologia. Muitas vezes pode parecer algo abstrato, mas tudo isto está muito próximo. Hoje existem tratores autônomos (funcionam sem operadores) e já estão sendo lançados veículos de carga (caminhões) também autônomos. Inserir as novas tecnologias nos sistemas de produção é algo premente para reduzir impactos ambientais, melhorar a qualidade daquilo que é produzido, reduzir custos e melhorar a produtividade.

A produção de alimentos sintéticos também já está bem próxima de todos nós. A produção de proteína animal, carnes e ovos, em laboratório, está deixando de ser algo para um futuro distante, para se tornar quase uma realidade. A tecnologia já está dominada. O tecido sintético já é bem conhecido e está cada vez ocupando mais espaço. Com a fibra sintética (derivada do petróleo) já se produz tecidos para cama, mesa, banho e vestuário, com características que se aproximam daqueles produzidos com fibra de algodão.

O avanço da biotecnologia, de tecnologias de informação e o desenvolvimento de novos materiais a partir da nanotecnologia são exemplos daquilo que está impulsionando a agricultura cujos efeitos previstos são espetaculares quando se pensa em automação, desenvolvimento de novos produtos, melhoria da eficiência energética, aumento da produtividade da terra e do trabalho.

Em resumo, produzir alimentos, fibra e energia para atender às necessidades da população, tanto sob o ponto de vista quantitativo, quanto qualitativo, exige que cada novo conhecimento seja incorporado aos diferentes sistemas de produção vegetal e/ou animal para a melhoria dos índices de produtividade e redução dos impactos ambientais.

Isso demanda, de todos que estão envolvidos com a produção agropecuária, constante aprimoramento, para que se possa identificar aquilo que é mais adequado para cada condição, tendo como referencial a melhoria dos sistemas de produção. Desta forma, é preciso estar sempre em movimento, atualizado, para que seja possível incorporar na agricultura os elementos indispensáveis à sua sustentabilidade e que, a cada dia, estão mais disponíveis, graças aos avanços da fronteira do conhecimento.

Fernando Mendes Lamas
fernando.lamas@embrapa.br
Pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste – Dourados, MS 



LANÇADA PRIMEIRA CULTIVAR DE ARROZ VERMELHO DESENVOLVIDA NO BRASIL

Foto: Eugenia Ribeiro

02/12/2018

A Embrapa acaba de disponibilizar ao mercado a cultivar de arroz vermelho BRS 901, a primeira obtida a partir de cruzamento artificial no País. A nova variedade é indicada para cultivo nos estados do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba. Trata-se de uma opção para atender a nichos de mercado, podendo compor pratos típicos da Região Nordeste e receitas da alta gastronomia.

A produção de arroz vermelho no Brasil concentra-se nos estados da Paraíba, maior produtor, e Rio Grande do Norte, mas ele é encontrado como cultura de subsistência no Ceará, Pernambuco, Minas Gerais e Espírito Santo, onde ainda é cultivado utilizando-se técnicas tradicionais. A produção desse arroz no País, em anos de safras normais (sem escassez de chuvas), é de cerca de dez mil toneladas, um terço do que era produzido há 50 anos. O arroz vermelho tem também despertado o interesse de produtores do Sul e Sudeste, que utilizam alto padrão tecnológico em suas lavouras, e também de uma parcela de consumidores dos centros urbanos que buscam novas opções gastronômicas. 

Para ler a matéria na íntegra, acesse aqui.  

PESQUISADOR DA EMBRAPA APRESENTA EXPERIÊNCIAS BRASILEIRAS DE BIOENERGIA EM EVENTO INTERNACIONAL



22/11/2018

As experiências brasileiras no setor de bioenergia serão apresentadas, hoje, na "Semana de Agricultura e Alimentação: os desafios futuros para América Latina e Caribe", que acontece até sexta-feira (23/11), em Buenos Aires/Argentina.

A palestra, ministrada pelo Chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Agroenergia, Alexandre Alonso, está inserida na programação do painel "Cultivos energéticos".

Alonso ressalta que o evento é um grande fórum regional para troca de experiências, diálogo, aprendizagem e construção de acordos entre os diversos atores, para avançar em direção dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no mundo rural e setor Agroalimentar. 

Além disso, é uma oportunidade de encontro para os atores da cadeia de valor bioenergética nacional e internacional possam trocar conhecimento e compartilhar experiências, um espaço de reflexão e discussão sobre o rol da bioenergia.

Estão presentes profissionais do setor público e privado, produtores, empresários, profissionais, acadêmicos e pesquisadores de âmbito nacional e internacional que irão expor diversas temáticas relacionadas à produção, comércio, tecnologia e investigação em matéria bioenergética. 

O evento é uma realização da Secretaria de Alimentos e Bioeconomia e Secretaria de Governo de Agroindústria da Argentina. Saiba mais sobre a programa da Semana no link http://www.fao.org/americas/eventos/ver/es/c/1146950/

PARCERIA COM COOPERATIVA TESTARÁ EFICIÊNCIA DE BIOMANTA DE COCO



14/11/2018

A Embrapa Tabuleiros Costeiros (Aracaju, SE) celebrou nesta quarta (14) com a Cooperativa da Produção Sustentável Familiar de Sergipe (Coopersus) um acordo de parceria para cooperação técnica com foco no teste de eficiência da biomanta feita com a fibra da casca de coco em cultivos de hortaliças e frutas.

O chefe-geral da Unidade da Embrapa, Marcelo Fernandes, recebeu o presidente da Coopersus, José da Paixão Santos, na sede em Aracaju para assinatura do termo, que terá vigência de cinco anos, podendo ser prorrogado por consenso das partes por meio de termo aditivo.

De acordo com o termo, a Embrapa e a Coopersus atuarão em regime de cooperação para determinar a eficiência da biomanta produzida a partir da casca de coco em cultivos de tomate, alface e morango no município de Itabaiana, no Agreste Central Sergipano, onde é sediada a cooperativa, além da vizinha Areia Branca. 

O objetivo é medir e validar a eficácia da manta no controle de plantas daninhas, aumento da eficiência no uso de água para irrigação, redução da incidência de pragas e doenças e na elevação da produtividade comercial das culturas. 

O termo prevê também estudos e testes para identificar o efeito do líquido extraído da casca do coco verde (LCCV) na proteção e sanidade das três culturas.

A coordenação técnica dos trabalhos de pesquisa ficará a cargo da pesquisadora Maria Urbana Nunes, especialista em aproveitamento de resíduos de coco com foco na sustentabilidade da agricultura. Ela lidera um projeto de pesquisa que busca soluções tecnológicas para o aproveitamento de resíduos da cultura do coqueiro, que tem o Grupo Aurantiaca, com áreas cultivadas de coco verde e agroindústria para exportação de produtos em Conde, no litoral norte da Bahia.

A Embrapa Agroindústria Tropical (Fortaleza, CE) também realiza estudos para aplicações eficazes de resíduos de coco na agroindústria.

A biomanta vem sendo usada na contenção de encostas ou de áreas degradadas e em decoração de interiores, e pesquisas realizadas pela Embrapa apontam grande potencial desse material no aumento da eficiência de diversas culturas agrícolas, entre elas o próprio coco. 

O desenvolvimento de alternativas de aproveitamento da casca de coco possibilita a redução da disposição inadequada de resíduos sólidos e proporciona uma nova opção de rendimento junto aos locais de produção. 

Estima-se que o Brasil possui uma área plantada de mais de 100 mil hectares de coqueiro-anão, destinados à produção do fruto verde para o consumo da água-de-coco. As cascas geradas por este agronegócio representam 80% a 85% do peso bruto do fruto e cerca de 70% de todo lixo gerado nas praias brasileiras representa cascas de coco verde. 

Este material tem sido correntemente designado aos aterros e vazadouros sendo, como toda matéria orgânica, potenciais emissores de gases estufa (metano), e, ainda, contribuindo para que a vida útil desses depósitos seja diminuída, proliferando focos de vetores transmissores de doenças, mau cheiro, possíveis contaminação do solo e corpos d'água, além da inevitável destruição da paisagem urbana.

Fonte: Embrapa


SEBASTIÃO BARBOSA ASSUME A PRESIDÊNCIA DA EMBRAPA

Sebastião Barbosa, novo presidente da Embrapa
Foto: Jorge Duarte

15/10/2018

Sebastião Barbosa, pesquisador aposentado da Embrapa, assumiu, nesta quarta (10), a Presidência da Empresa, durante cerimônia realizada no Salão Nobre do Palácio do Planalto, com a presença do presidente da República, Michel Temer, dos ministros da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Blairo Maggi, e da Casa Civil, Eliseu Padilha, do secretário-executivo do Mapa, Eumar Novacki, e de Maurício Lopes, que transmitiu o cargo ao sucessor. Ao tomar posse, Sebastião destacou o importante papel da Embrapa, que com suas 42 Unidades Descentralizadas, atuando de norte a sul do País, no Brasil e no exterior, foi uma das instituições responsáveis pela mudança do país do patamar de importador para exportador de alimentos.

“Hoje o Brasil exporta não só alimentos e fibras,  mas conhecimento,  tecnologia, produtos e serviços para outros países localizados nos trópicos. Temos papel fundamental na garantia da segurança alimentar do planeta. Temos melhor conhecimento do nosso território e nos orgulhamos do esforço que fizemos para a sua conservação usando apenas o mínimo necessário para uma agricultura tão eficiente, competitiva e sustentável”, afirmou o novo presidente da Embrapa.

Na mesma direção, ao abrir os discursos da cerimônia, o secretário-executivo do Mapa, Eumar Novacki, também presidente do Conselho de Administração da Embrapa (Consad), ressaltou que a Empresa faz parte da história do agronegócio brasileiro e deve ocupar papel relevante na Agricultura 4.0. Novacki agradeceu o pesquisador Maurício Lopes por suas contribuições nos últimos seis anos e anunciou estar feliz por fazer parte do conselho que escolheu Sebastião para sucedê-lo.   

“Se nós tivemos sucesso no nosso governo, ele se deve em boa parte ao agronegócio brasileiro”, enfatizou o presidente da República, Michel Temer. De acordo com Blairo Maggi, a expectativa é fechar o ano comemorando 100 bilhões de dólares em exportação no agronegócio. Maggi lembrou ser a Embrapa a primeira estatal a selecionar seu principal gestor seguindo as determinações da Lei das Estatais, instituída em 2016. Para ele, “uma sucessão sem qualquer interferência política, sem pedido político, olhando o que deve ser feito”.

Ao se despedir, Maurício Lopes anunciou estar deixando relatórios que registram a história recente da Empresa, a trajetória e as entregas feitas à sociedade entre 2012 e 2018. “Espero que esses documentos ajudem a reforçar as responsabilidades da Embrapa perante a sua missão de olhar sempre adiante e de abrir caminhos para que a nossa agricultura e o nosso agronegócio sigam superando obstáculos, se fortalecendo, e fortalecendo o seu protagonismo em todo o mundo”, declarou.

Desafios para os próximos anos
    
Em seu discurso, Sebastião Barbosa lembrou a  participação da Embrapa na conquista do Cerrado, com o desenvolvimento de pesquisas que possibilitaram a tropicalização da soja, e, mais recentemente do trigo. “De uma região inóspita, com uma agriculta extensiva e de baixíssima produtividade, o Cerrado transformou-se em poucas décadas em celeiro do mundo, com a contribuição e sacrifício de muita gente”, destacou, rendendo homenagem a pesquisadores já falecidos da Embrapa que atuaram na Empresa com esse sonho e objetivo.
    
Apesar de tantas contribuições para a sociedade brasileira, Sebastião ressaltou que é hora de virar a página e pensar nos desafios que a Embrapa terá de enfrentar nos próximos anos, em um cenário mundial de consumidores mais exigentes, que querem acessar alimentos, fibras e produtos florestais mais baratos, porém modernos e produzidos com sustentabilidade econômica, social e ambiental.

Reestruturação
    
De acordo com o novo presidente, a Embrapa, sob a liderança de Maurício Lopes e do Mapa, iniciou a mudança que a preparará para o novo círculo virtuoso, mas destacou que haverá necessidade de maior participação direta principalmente das Unidades Descentralizadas de pesquisa (UDs),  que, na visão do novo presidente, é "onde a Embrapa acontece e continuará acontecendo". "A partir de hoje começaremos a discutir com nossos gestores a continuidade do processo de reestruturação da Embrapa, com a participação das UDs e de nossos parceiros”.

Ele anunciou também que haverá uma aproximação ainda maior com o setor produtivo, por meio de associações, cooperativas, sindicatos, federações, trabalho a ser realizado em parceria com a Confederação Nacional de Agricultura (CNA) e a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB). “É uma instrução direta do Mapa que seguiremos à risca”, enfatizou.
    
Revisão de prioridades
    
Revisar prioridades da pesquisa, sem deixar de dar atenção a vocações típicas da agricultura brasileira. Esse é um dos desafios considerados por Sebastião. Fortalecer os setores de leite e derivados, de pescados, de frutas e essências nativas, e de produtos florestais são exemplos dados pelo dirigente. “Mas não perderemos de vista o investimento nos produtos que somos bons”, explicou. Fortalecer a agenda de pesquisa agronômica para o Semiárido também é um dos desafios da nova gestão, que buscará criar condições para favorecer um salto de qualidade para inovações tecnológicas mais avançadas que possam garantir a sustentabilidade da produção agropecuária da região.  
    
Segundo ele, a Embrapa buscará novas formas de financiamento, tendo em vista o cenário de fortes restrições orçamentárias que dificultam a renovação do quadro de cientistas da Empresa. Também citou a necessidade de implementar um programa de capacitação avançada e continuada, bem como a renovação de máquinas, laboratórios, equipamentos e veículos.  
    
Perfil
    
Sebastião é engenheiro agrônomo, especialista em Entomologia (estudo dos insetos) e foi contratado pela Embrapa em 1976 para atuar em programas de controle e erradicação de pragas. Por 17 anos trabalhou na Organização das Nações Unidas para Alimentação e a Agricultura (FAO), no Serviço de Proteção de Plantas, em Roma, Itália; e no escritório para a América Latina e o Caribe, em Santiago, Chile - nesse período manteve-se licenciado sem receber rendimentos da Empresa. Também foi coordenador de cooperação internacional da Embrapa e Chefe-Geral da Embrapa Algodão, centro de pesquisa localizado em Campina Grande, na Paraíba, além de outras atividades exercidas na estatal.

Filho de agricultor sem terra do interior de Minas Gerais, o novo presidente da Embrapa terá pela frente a missão de conduzir a mais reconhecida empresa pública de pesquisa da faixa tropical do mundo em um período de fortes restrições orçamentárias e financeiras e a possíveis mudanças no Governo Federal, com a posse de um novo presidente da República.

Além do presidente da República, ministros e autoridades, a cerimônia no Palácio do Planalto contou com a presença dos diretores da Embrapa e empregados, bem como de representares do setor produtivo. O presidente foi oficialmente empossado durante reunião extraordinária do Consad que antecedeu o evento de posse.

Saiba mais sobre a posse do novo presidente da Embrapa acessando o Canal da NBR no Youtube

Clique aqui para acessar o álbum de fotos da posse na página da Embrapa no Flickr.

Fonte: Embrapa

PRODUZIR TRIGO NO BRASIL, MAIS QUE UMA OPÇÃO, UMA NECESSIDADE




09/06/2018

A população brasileira se aproxima dos 220 milhões de pessoas. A produção de grãos deste ano, segundo estimativa da Companhia Nacional de Alimentos - CONAB, será de 232,6 milhões de toneladas, o que significa mais de uma tonelada per capita.

Quando se analisa o cenário global, estamos bem, embora ainda tenhamos potencial para crescimento, especialmente em produtividade. No entanto, em alguns produtos básicos para alimentação da população temos problemas, como é o caso do trigo. 

O Brasil consome anualmente algo em torno de 10 milhões de toneladas de trigo. Nas duas últimas safras foram produzidas menos de 5 milhões de toneladas. Somos um grande importador de trigo. Esta grande dependência da produção de outros países, especialmente do Mercosul, em tempos de economia globalizada deixa o Brasil numa situação de grande vulnerabilidade. 

Neste momento, a cotação do trigo está em alta, já ultrapassa a barreira dos U$ 200.00 por tonelada. Por estarmos passando por um momento de elevação do valor do dólar frente ao real, o impacto é imediato sobre o preço do “pãozinho francês”, alimento básico do brasileiro.

Estima-se que no Brasil, na safra 2017/2018 serão cultivados 1,9 milhões de hectares com trigo. Em Mato Grosso do Sul, onde já foram cultivados mais de 400 mil hectares, deverão ser cultivados ao redor de 20 mil hectares.

Após a colheita da soja, a maior área é ocupada com milho, ou seja, predomina a sucessão soja-milho. Do ponto de vista agronômico, o cultivo do trigo seria uma excelente opção para rotação de culturas. Essa prática, agrícola quando adequadamente planejada auxilia no controle de pragas, de doenças, de nematoides e de plantas daninhas, reduzindo os custos de produção.

O modelo de agricultura atualmente predominante, soja-milho e em algumas regiões do Brasil soja-algodão, devido a sua baixa diversidade é um modelo muito vulnerável, colocando em risco anos e anos de trabalho.

Em tempos de economia globalizada, precisamos ficar muito atentos não só com o que está ocorrendo com nossos “vizinhos de cerca” mas, principalmente, com o que está acontecendo nos países produtores. A forte seca ocorrida na Argentina impactou muito os preços do milho e da soja. A alta do preço do barril de petróleo está contribuindo para a elevação dos preços do algodão no mercado internacional, o que está proporcionando ao produtor brasileiro uma melhor remuneração na venda de seu produto.

Não precisamos pensar em produzir trigo para atender a 100% da nossa demanda, mas é necessário reduzir a dependência externa e de certa forma nos proteger das oscilações que ocorrem ao redor do mundo, especialmente dos preços, que estão muito ligados à questão da oferta e demanda, além de problemas internos nos países produtores. A Argentina produz anualmente cerca de 18 milhões de toneladas e consome 5 milhões de toneladas de trigo. Somos um grande comprador de trigo da Argentina.

Inserir o trigo no sistema de produção constitui um grande desafio, para isto, devemos fazer esforços continuando a geração de conhecimentos e a transferência destes para que o produtor brasileiro tenha à sua disposição tecnologias que minimizem os riscos e lhe assegurem uma remuneração adequada. Também, é preciso uma política de médio e longo prazos visando a produção sustentável de trigo.
Em síntese, diante desse cenário, o grande avanço é proporcionar segurança ao produtor por meio de ofertas de tecnologias e de políticas públicas para que ele possa cultivar o trigo de forma competitiva. Se aumentarmos a nossa produção de trigo, ganha o produtor, o consumidor, e o país economiza divisa e melhora sua balança comercial.

Fernando Mendes Lamas
Pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste
Fernando.lamas@embrapa.br


NO DIA INTERNACIONAL DO MEIO AMBIENTE, BRASIL DÁ IMPORTANTES PASSOS NA IMPLEMENTAÇÃO DO RENOVABIO

O chefe geral da Embrapa Meio Ambiente, Marcelo Morandi durante a abertura da 
Audiência, juntamente com o Diretor da ANP, Aurélio Amaral e do Deputado Evandro 
Gussi (PV – SP), autor do Projeto de Lei que deu origem ao RenovaBio
Foto: Divulgação

06/07/2018

Governo aprova metas de redução de emissões dos combustíveis até 2028 e ANP avança na regulamentação do RenovaBio - Programa estratégico para a segurança energética e a redução de emissões de gases causadores do efeito estufa

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) realizou ontem, no Rio de Janeiro, Audiência Pública referente à Consulta Pública nº10/2018, sobre a nova regulamentação de credenciamento de firmas inspetoras, para a certificação e emissão do Certificado de Produção Eficiente de Biocombustíveis e da Nota de Eficiência Energético-Ambiental de biocombustíveis, no Programa RenovaBio.

O objetivo do Programa é aumentar a produção e o consumo de combustíveis renováveis no país – etanol, biodiesel, biogás e bioquerosene de aviação, que trará impactos positivos tanto para a segurança energética do país, quanto para a redução de emissões de CO2 no setor de transportes, com vistas ao cumprimento dos compromissos assumidos pelo Brasil no Acordo de Paris.

Foram objetos de avaliação nesta consulta pública a minuta de Resolução, que estabelece os critérios de funcionamento do Programa e a RenovaCalc, ferramenta de cálculo da intensidade de carbono e geração da Nota de Eficiência Energético-Ambiental dos biocombustíveis. A RenovaCalc foi desenvolvida pelo Grupo Técnico de Avaliação de Ciclo de Vida do RenovaBio (GT-ACV), coordenado pela Embrapa Meio Ambiente e composto por especialistas da Embrapa, CTBE, Unicamp e Agroicone.

A audiência, encerrada no início da tarde, teve ampla participação e recebeu contribuições de mais de 30 instituições e empresas de todos os elos das cadeias dos biocombustíveis.

Pela análise do superintendente de Biocombustíveis e de Qualidade de Produtos da ANP, Carlos Orlando da Silva que presidiu a sessão, a audiência foi “bastante positiva, e as ponderações apresentadas tiveram características propositivas de aperfeiçoamento dos atos”.

O chefe-geral da Embrapa Meio Ambiente, (Jaguariúna, SP), Marcelo Morandi participou da mesa de abertura no evento, juntamente com o Diretor da ANP, Aurélio Amaral e do Deputado Evandro Gussi (PV-SP), autor do Projeto de Lei que deu origem ao RenovaBio.

Na oportunidade, Morandi apresentou uma contextualização acerca da construção e funcionamento da RenovaCalc. De acordo com ele, “o processo de construção da proposta, baseado na transparência e no amplo diálogo com os diferentes atores envolvidos, direta ou indiretamente com o Programa RenovaBio, trouxe robustez e credibilidade à RenovaCalc, agora já em fase de lapidação final para entrar em funcionamento”.

A pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente, Marília Folegatti, coordenadora do GT-ACV, participou da sessão de exposições, onde apresentou sugestões de ajustes na Resolução e na RenovaCalc. Conforme a pesquisadora, “o GT-ACV avaliou cuidadosamente os documentos da Consulta Pública e trouxe contribuições para aperfeiçoar a Resolução e a RenovaCalc, de forma a tornar o seu entendimento e execução mais claros, contribuindo para o sucesso do RenovaBio”.

No mesmo dia, em Brasília, em sintonia com a proposição do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), o presidente Michel Temer aprovou as metas anuais de redução de emissões de gases causadores do efeito estufa para os próximos dez anos, dentro do Programa RenovaBio.

As metas propostas e aprovadas pelo CNPE e agora também aprovadas pelo Governo Federal, preveem redução em 10,1% nas emissões de CO2 na matriz de combustíveis, passando dos atuais 74,25 g CO2eq/MJ para 66,75 g CO2eq/MJ, o que corresponde à remoção de 600 milhões de toneladas de CO2 da atmosfera até 2028.

No âmbito econômico, estima-se que o RenovaBio seja capaz de gerar investimentos de mais de 1 trilhão de reais e diminuir a importação de 300 bilhões de litros em gasolina e diesel até 2030 – os derivados de petróleo seriam substituídos pelo combustível renovável produzido no Brasil. O Governo também estima redução de, pelo menos, 0,84% do preço dos combustíveis ao consumidor até 2028.

Conforme explicou Miguel Ivan Lacerda, diretor de biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia (MME), as ações ocorridas ontem são parte integrante do processo onde os diversos atores se articulam para “estabelecer uma nova política para os biocombustíveis no país, capaz de baratear os preços da cesta de combustíveis para o consumidor, proporcionar a diminuição da dependência de preço internacional do petróleo e a desvalorização cambial e ainda, gerar uma nova fonte de renda e emprego para os brasileiros”, disse.

Fonte: Embrapa


AGROECOLOGIA E AGRICULTURA FAMILIAR MANTÊM A FORÇA PRODUTIVA NO CAMPO

A agricultura familiar de base agroecológica é suporte bastante viável para a 
sustentabilidade da produção no campo - Foto: Nabyla Carneiro

20/05/2018

Durante a realização da 16ª edição da Agro Centro-Oeste Familiar2018  (Acof2018), que aconteceu em São Luiz de Montes Belos (GO), entre os dias 9 e 11 de maio, a equipe técnica da Embrapa Arroz e Feijão (GO) apresentou palestras e oficinas, participando também em mesas redondas, fórum de trocas de experiências e conhecimentos, além do estande institucional, com demonstração de tecnologias e publicações disponíveis ao homem do campo.

Promovida pela Universidade Estadual de Goiás (UEG), em parceria com as cooperativas de agricultores, sindicatos rurais, movimentos sociais, instituições públicas em âmbito federal, estadual e municipal, centros de pesquisa agropecuária e pela sociedade civil organizada, a Agro Centro-Oeste Familiar2018 teve como tema central “Agricultura Familiar: oportunidades e desafios na produção de alimentos saudáveis”.

Durante a realização da Acof2018, a pesquisadora Flávia Alcântara, da Embrapa Arroz e Feijão ministrou palestra sobre ‘Agroecologia e Agricultura Familiar’. Ela destacou o aspecto multidisciplinar da agroecologia, isto é, mostrou a agroecologia num contexto dimensional que evolve, ao mesmo tempo, ciência - a agroecologia prioriza a pesquisa participativa, a abordagem holística e a transdiciplinariedade; como uma prática - se baseia nos conhecimentos e nas práticas que os agricultores e agricultoras exercem no dia-a-dia; e, também, como um movimento - busca fortalecer a agricultura familiar e camponesa, para que se alcance segurança e soberania alimentar.

A solução da fome no mundo passa pelo reconhecimento de que a segurança alimentar na maioria dos países em desenvolvimento só será alcançada por meio do fortalecimento da agricultura familiar; e a agricultura de base agroecológica, com seus sistemas ambiental e socialmente funcionais, resistentes a produtos industriais e mais voltada a processos ecológicos naturais, podem contribuir imensamente para esse fim, garantindo a sustentabilidade socioeconomica, ambiental e cultural dos agricultores.

Nestes 18 anos de Agro Centro-Oeste Familiar fizeram com que o evento se consolidasse em um espaço aberto de debates, diálogos e construção de conhecimento para o desenvolvimento rural, além de valorização do potencial artístico e cultural dos agricultores familiares.

Fonte: Embrapa


EMBRAPA LANÇA COLEÇÃO DE E-BOOKS COM TECNOLOGIAS SUSTENTÁVEIS



23/04/2018

Uma agenda desafiadora que tem mobilizado a atenção de 193 países, com a meta de, em apenas 12 anos, buscar caminhos em direção a um mundo que integre aspectos sociais, energéticos, econômicos e ambientais, com segurança e equidade para os povos. Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), ratificada em 2015, durante a Cúpula das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, na sede da ONU, em Nova Iorque, representam essa proposta e reforçam a necessidade de participação de todos os segmentos da sociedade internacional para que os 17 objetivos e 169 metas se transformem em ações delineadoras do futuro.
             
E foi na ciência desenvolvida em laboratórios e campos experimentais de todo o Brasil, com a colaboração de instituições parceiras, que a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), foi buscar seus principais resultados, para reuni-los na coleção “Objetivos de Desenvolvimento Sustentável” (Coleção ODS), que será lançada na programação de aniversário da Empresa, dia 24 de abril, em Brasília. São ao todo 18 títulos, sendo um institucional, intitulado “Pesquisa e Inovação Agropecuária na Agenda 2030: contribuições da Embrapa”, e 17 sobre as pesquisas relacionadas a cada um dos Objetivos.
                        
Ao final de cada um dos títulos, foi dedicado um capítulo sobre as perspectivas, oportunidades e desafios tecnológicos em cada tema dos ODS, com foco nos cenários para a próxima década. Para a Embrapa, os desafios institucionais, a internalização da Agenda 2030, a capacidade de antecipação, a orientação para os impactos desejados, a gestão da informação e do conhecimento, a consolidação de redes, parcerias e alianças e contribuição para as políticas públicas são apenas algumas das diretrizes que vão nortear com mais atenção a agenda dos próximos anos.  
             
Segundo a gerente de Macroestratégia da Secretaria de Inteligência e Relações Estratégicas (Sire), pesquisadora Daniela Lopes, a transversalidade das tecnologias desenvolvidas pela Embrapa reforçam a importância da pesquisa. “As fossas sépticas biodigestoras, por exemplo, se alinham aos ODS 3, 6 e 11 e os alimentos biofortificados se vinculam aos ODS 1, 2 e 3”, diz ela. “O mesmo ocorre com várias outras tecnologias”. 
            
Esforço conjunto 
            
O trabalho de produção da coleção de e-books - que reuniu algumas das contribuições da Embrapa e parceiros a todos os 17 ODS e a 76 metas, do total de 169 listadas pela ONU - envolveu o trabalho 308 autores e 70 editores, que, em cerca de quatro meses, prepararam os conteúdos para que fossem enviados para as equipes de revisão, a partir de janeiro de 2018. As reuniões para acertar os detalhes e acompanhar a produção demandaram mais de 34 horas em 17 videoconferências realizadas, sem contar centenas de telefonemas e e-mails entre os membros da rede. 
            
Para identificar essa grande equipe, o primeiro passo foi buscar no Questa,  ferramenta computacional de pesquisa em projetos da Embrapa, pesquisadores que trabalham com os temas relacionados aos ODS e, a partir dos 150 nomes evidenciados no levantamento, foram feitas as indicações para editores técnicos e autores na empresa e em instituições parceiras. 
            
Simultaneamente à preparação dos e-books, outra frente de trabalho se formou em articulação com a então Secretaria de Comunicação (Secom) da Embrapa e o Departamento de Tecnologia da Informação, para elaborar uma página na internet com informações sobre os ODS e a contribuição da pesquisa da Embrapa na agenda internacional, a partir do alinhamento com os 12 Objetivos Estratégicos estabelecidos no VI Plano Diretor da Embrapa-PDE. 
           
Como acessar

As publicações são editadas no formato ePub, padrão adotado internacionalmente para livros eletrônicos, desenvolvido para que a apresentação do conteúdo se ajuste a diferentes tamanhos de telas de dispositivos. O leitor não é obrigado a pagar pelo programa necessário para ler o arquivo diretamente na tela do seu computador, celular ou tablet, pois vários deles podem ser instalados gratuitamente, e a maioria dos tablets já vêm com programa leitor de ePub. No caso de celulares, entre os programas gratuitos estão o Google Play Livros (para sistemas Android), Calibre (para Windows e Linux) e iBook (para iOS). Para leitura em computadores e laptops, é necessário a instalção de plugins, como o EpubReader para o navegador Firefox e o Readium para usuários do navegador Chrome. 

Serviço

O lançamento da coleção de e-books ocorrerá durante a solenidade de aniversário da Embrapa
Data: 24 de abril de 2018 (terça-feira)
Hora: 15 horas (horário de Brasília)
Local: Auditório Assis Roberto De Bem 
          Embrapa Recursos Genéticos e   
          Biotecnologia – Brasília/DF

O evento será transmitido por videoconferência às Unidades Descentralizadas. Será possível acompanhar ao vivo, também, pelo canal da Embrapa no Facebook: facebook.com/embrapa


EMBRAPA COMPLETA 45 ANOS E INVESTE EM MUDANÇAS PARA ENFRENTAR NOVOS DESAFIOS



21/04/2018

Uma única pesquisa da Empresa Brasileira de Pesquisa (Embrapa), um bioinsumo formulado com bactérias que fixam o nitrogênio do ar e que hoje alcança 33,9 milhões de hectares de soja, permitiu aos agricultores e o país economizarem R$ 42,3 bilhões – cerca de 14 vezes o orçamento anual da Empresa - apenas na última safra. Com essa inovação, os agricultores não precisam gastar com fertilizante nitrogenado. Este é apenas um exemplo do resultado da ciência aplicada à agricultura brasileira.

Exemplos como esse tornaram o País um dos maiores produtores mundiais de alimento e consolidaram uma revolução na agricultura da faixa tropical do planeta. O quadro é bem diferente de quatro décadas atrás, quando o Brasil era conhecido por produzir açúcar e café, mas importava praticamente todo o resto, e até alimentos básicos como arroz, leite ou feijão.

Prestes a completar 45 anos no próximo dia 26 de abril, a Embrapa anunciará na semana que vem os resultados do seu novo Balanço Social, elaborado a partir da avaliação do impacto de 113 tecnologias e de cerca de 200 cultivares adotadas e disponibilizadas em 2017. O estudo, cujos detalhes só serão anunciados  em uma solenidade no dia 24, em Brasília-DF, mostrará um lucro social de R$ 37,18 bilhões no ano passado e que para cada real aplicado na Empresa foram devolvidos R$ 11,06 para a sociedade.

"O Balanço Social é uma prova de que o investimento em pesquisa agropecuária mudou a lógica do desenvolvimento do campo brasileiro", afirma Lúcia Gatto, diretora de Gestão Institucional da Embrapa, explicando que na década de 1970 decidiu-se por realizar investimentos sólidos em inovação para área agropecuária, com base em formação de recursos humanos, pesquisa em rede e foco nos problemas dos agricultores. O objetivo era fazer com que o Brasil pudesse alcançar a sua segurança alimentar.

A Embrapa, a rede de universidades, assistência técnica, órgãos estaduais de pesquisa, muitas e muitas parcerias e um espírito empreendedor dos agricultores não apenas fizeram com que o Brasil alcançasse a segurança alimentar para sua população como permitiu exportar os excedentes para quase todos os mercados no mundo. Ainda: ajudou a diminuir o valor da cesta básica em 50% e a cada ano amplia a presença do Brasil entre os maiores exportadores de alimentos do globo, tornando o País líder em inovação agropecuária no mundo tropical - e de onde se espera que saiam os alimentos para uma população cada vez maior.

A agropecuária brasileira é hoje uma das mais eficientes e sustentáveis do planeta. Incorporou aos sistemas produtivos uma larga área de terras degradadas dos cerrados, região que hoje é responsável por quase 50% da produção nacional de grãos. A oferta de carne bovina e suína foi quadruplicada e a de frango, ampliada em 22 vezes. Nos últimos 46 anos, o Brasil aumentou a produção de grãos em 555,6%, sem ampliar a área plantada em grandes proporções (163,43%). As crises de abastecimento de produtos básicos, como feijão, arroz e frango, ficaram como lembranças das décadas de 70 e 80. Se no passado o brasileiro só consumia determinadas frutas e hortaliças (como uva e cenoura) em meses específicos, hoje elas estão presentes nas prateleiras o ano inteiro.

"Se o Brasil conquistou o posto de influente ator mundial em dois setores de importância vital, o meio ambiente e a segurança alimentar, tal patamar é consequência do trabalho da ciência, aliado à determinação e à ousadia do setor produtivo. Essa parceria precisará ser ainda mais ampliada para se fortalecer as bases que garantirão a qualidade de vida para todos no planeta", argumenta o diretor de Pesquisa & Desenvolvimento da Embrapa, Celso Moretti. Segundo ele, o conhecimento gerado pela ciência ajuda os legisladores a produzir decisões que refletem diretamente na economia e na sociedade.

Subsídios a políticas públicas 

Mas a pesquisa agropecuária não contribui apenas com novas sementes, sistemas de produção mais eficientes, controle de pragas, equipamentos, softwares, melhoramento genético ou subsídios para o agricultor tomar a melhor decisão possível. Propriedade intelectual, transgênicos e código florestal são alguns exemplos de temas de amplo alcance e impacto social que são beneficiados pela contribuição qualificada da pesquisa.

Um exemplo pouco percebido de contribuição da pesquisa é o suporte tecnológico para o Plano Agricultura de Baixo Carbono (Plano ABC), voltado para estimular o produtor rural a desenvolver sua atividade com menos impacto ambiental e, assim, reduzir emissões de carbono. É uma medida do Brasil para atender ao compromisso firmado na Conferência do Clima das Nações Unidas (COP 15), de 2009. As principais tecnologias relacionadas são a recuperação de pastagens degradadas, a ampliação da área com integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), com reflorestamento e com plantio direto de qualidade, e a expansão das áreas que fazem uso da fixação biológica de nitrogênio e das iniciativas para aproveitamento dos resíduos sólidos.

Outro caso, pouco lembrado, é o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), que na prática, fez desaparecer do noticiário as fraudes com seguro agrícola. Trata-se de um mapeamento das áreas de produção que indica as melhores datas de plantio de mais de 40 culturas para cada município brasileiro, reduzindo o risco de perdas por fatores climáticos. O zoneamento agrícola é hoje base para o seguro agrícola brasileiro.

Prova mais recente, lançada no começo de março deste ano, é o Sistema de Inteligência Territorial da Macrologística da  Agropecuária Brasileira, que reúne, em base georreferenciada, dados sistematizados pela Embrapa sobre produção agropecuária, armazenagem e caminhos das safras dentro do mercado interno e para exportação. A novidade, que pode ser acessada por qualquer cidadão, permite gerar diversos estudos e extrair desse big data informações estratégicas para o planejamento de políticas públicas e do setor produtivo.

Futuro e Visão 2030

Estimativas da FAO indicam que até 2050 a produção agrícola precisará crescer globalmente 70%, e quase 100% nos países em desenvolvimento, para alimentar a crescente população, excluindo a demanda para biocombustíveis. Assim, os desafios para a Embrapa e seus parceiros são enormes e exigem um olhar atento para o futuro. Além das áreas tradicionais, a Empresa tem investido fortemente em tecnologias de ponta, como sequenciamento de genomas de plantas e animais, clonagem, nanotecnologia e agricultura digital.

Ainda assim, a visão é de que é preciso mudar para se adequar às exigências de um processo permanente de transformações. "A Empresa segue em movimento, buscando ajustar-se às mudanças tecnológicas e sociais e aumentar sua eficiência, simplificando seus processos. Por isso, em fevereiro, iniciamos a maior mudança administrativa de nossa história, reduzindo de 15 para seis as áreas administrativas da sede, em Brasília, com corte de funções gratificadas e alteração de toda a estrutura e processos", diz Maurício Lopes, presidente da estatal.

No final de 2017, a Embrapa já havia reduzido a quantidade — de 46 para 42 — de Unidades de pesquisa e inovação, com a extinção de cinco Unidades de serviço. Também no ano passado, ela adotou um novo Estatuto, alinhado à Lei das Estatais e produzido com a orientação da Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (SEST) e do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão. Reflexo das mudanças estruturais que estão sendo implementadas, toda a gestão da programação de pesquisa também passa neste momento por uma grande reformulação, tendo como principal objetivo aumentar a capacidade de inovação da Embrapa e aproximar mais a Empresa das cadeias produtivas.

Mudanças também redirecionarão o futuro da Embrapa. Na cerimônia dos seus 45 anos será lançado o documento “Visão 2030: o futuro da agricultura brasileira”, que consolida sinais e tendências globais e nacionais sobre as principais transformações na agricultura em questões científicas, tecnológicas, sociais, econômicas e ambientais e seus potenciais impactos. “Visão 2030” terá versões digital e impressa e oferecerá bases para o planejamento estratégico das organizações públicas e privadas de ciência, tecnologia e inovação (CT&I). Na Embrapa, vai, particularmente, subsidiar novas estratégias e prioridades da Empresa, a produção do próximo plano diretor e, consequentemente, o trabalho dos seus 2.448 pesquisadores.

Edson Bolfe, coordenador do Sistema de Inteligência Estratégica da Embrapa (Agropensa) e da produção do documento, diz que “no esforço de análise e de prospecção de cenários buscou-se antever transformações e, assim, contribuir para a definição de diretrizes que orientem a programação de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) com foco no desenvolvimento sustentável da agricultura”. O documento traz perspectivas e os principais desafios científicos, tecnológicos e organizacionais baseados em análises do ambiente interno e externo, nacional e internacional e alinhados à Agenda 2030, estabelecida pela Organizações das Nações Unidas (ONU) a partir de 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Um dos destaques é a identificação de sete megatendências: Mudanças Socioeconômicas e Espaciais na Agricultura; Intensificação e Sustentabilidade dos Sistemas de Produção Agrícolas; Mudança do Clima; Riscos na Agricultura; Agregação de Valor nas Cadeias Produtivas Agrícolas; Protagonismo dos Consumidores; e Convergência Tecnológica e de Conhecimentos na Agricultura. A publicação explora aspectos relacionados a cada uma das megatendências e sugere, por exemplo, desafios e oportunidades.

Alinhada ao documento Visão 2030 será lançada também a plataforma digital Olhares para 2030, que reunirá artigos de opinião de 90 especialistas de diferentes áreas de atuação, com projeções e expectativas de caminhos possíveis para o desenvolvimento sustentável da agricultura brasileira. Os artigos foram agrupados nas sete megatendências, sintetizando as principais forças de transformação da agricultura brasileira para os próximos anos.

De acordo com o diretor de Inovação e Tecnologia, Cleber Soares, a Embrapa tem feito ainda grande esforço para "dar agilidade, mais atenção à atividade-fim e obter maior proximidade com o mercado de inovações tecnológicas e os produtores. Em resumo: garantir que a instituição continue atendendo a sua missão”. O esforço é para garantir a otimização dos processos e o foco da Empresa em inovação e proximidade com o mercado, inclusive pela ampliação das parcerias públicas e privadas.

"Capacidade de influenciar é parte da Missão da Embrapa e será a base de motivação para as mudanças que estamos promovendo para nos alinharmos cada vez mais efetivamente às agendas relevantes do país, fazer escolhas acertadas e definir e perseguir metas de impacto que possam comprovar a qualidade das nossas entregas para a sociedade", conclui o presidente Maurício Lopes.



Serviço:

Cerimônia do 45º Aniversário da Embrapa
Data: 24 de abril de 2018
Horário: 15 horas
Local: Auditório Assis Roberto de Bem, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília-DF
Lançamentos: documento “Visão 2030: o futuro da agricultura brasileira”, Balanço Social 2017, Plataforma Olhares para 2030, Coleção de e-books sobre contribuições da Embrapa para os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, publicações, assinatura de convênios de parcerias e apresentação de tecnologias.

Texto: Jorge Duarte e Robinson Cipriano
Secretaria de Inteligência e Relações Estratégicas da Embrapa
Contato: (61) 3448-4285 - imprensa@embrapa.br


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