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ROMPIMENTO DA BARRAGEM DA VALE EM BRUMADINHO

Imagem mostra lama de rompimento de barragem em MG — Foto: Corpo de Bombeiros/ Divulgação

26/01/2019 

Mar de lama avançou sobre área administrativa da empresa e casas na área rural da cidade.

Uma barragem da mineradora Vale se rompeu nesta sexta-feira (25), em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Imagens aéreas mostram que um mar de lama destruiu casas da região do Córrego do Feijão.

O rompimento ocorreu no início da tarde de hoje, na Mina Feijão. A Vale informou sobre o acidente à Secretaria do Estado de Meio-Ambiente às 13h37. Os rejeitos atingiram a área administrativa da companhia, inclusive um refeitório, e parte da comunidade da Vila Ferteco.

Há ao menos sete pessoas feridas. O Corpo de Bombeiros informou por volta das 8h30 de sábado (26) que havia entre 300 e 350 pessoas desaparecidas. Os bombeiros afirmam também que as sirenes de emergência não tocaram e divulgaram uma lista de pessoas resgatadas vivas.

Foram retiradas nove pessoas com vida da lama e 189 foram resgatadas. Quase 100 bombeiros estavam no local na sexta e o número deve chegar a 200 neste sábado (26).

A empresa diz que, dos 427 empregados que estavam no local, apenas 279 foram localizados. Segundo o presidente da Vale, Fábio Schvartsman, vazaram 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos - na tragédia de Mariana, há 3 anos, foram 43,7 milhões.

Segundo o presidente da Vale, uma das barragens se rompeu e o vazamento do rejeito também fez outra barragem transbordar. Ele diz que a barragem que rompeu não era usada há três anos. Ainda não há informação sobre a causa do rompimento.



O que se sabe até agora (informações atualizadas até a manhã de sábado, 26):

Rompimento ocorreu no início da tarde na Mina do Feijão, da Vale, em Brumadinho;

Mar de lama destruiu casas;

Havia empregados da Vale no local atingido pelo rompimento;

Há 9 pessoas mortas, outras sete feridas e até 350 desaparecidas;

A Vale tinha 427 pessoas no local, e 279 foram resgatadas vivas;

Corpo de Bombeiros e Defesa Civil estão no local; helicópteros resgatam pessoas ilhadas em diversos pontos;

Ao menos seis prefeituras emitiram alerta para que população se mantenha longe do leito do Rio Paraopeba, pois o nível pode subir. Às 15h50, os rejeitos atingiram o rio;

Rodovia estadual que leva a Brumadinho está fechada;

Governo montou gabinete de crise, e 3 ministros estão a caminho; Bolsonaro vai sobrevoar o local no sábado;

Por precaução, o Instituto Inhotim retirou funcionários e visitantes do local.

As barragens recebem classificações quanto a risco e dano potencial. Quase todas as barragens da Vale no Córrego do Feijão era consideradas de Baixo Risco, mas Dano Potencial Alto (apenas a Barragem VII tinha Dano Potencial médio).

Ações de emergência

De acordo com a Defesa Civil, os moradores que vivem na parte mais baixa da cidade estão sendo retirados das casas. Vários helicópteros estão trabalhando no local no resgate de vítimas. Não há como chegar ao local por terra.

A Polícia Rodoviária Estadual informou que a MG-040, entre as cidades de Brumadinho e Mário Campos, está totalmente interditada por causa do rompimento. Em Betim, uma equipe da Defesa Civil está às margens do Rio Paraopeba. A intenção é monitorar o nível da água e verificar se há risco de o rio transbordar.

A Cruz Vermelha informou que uma equipe de 50 voluntários treinados em resgate foi enviada para a região.

A Arquidiocese de Belo Horizonte informou que iniciou uma campanha para arrecadar donativos para os atingidos pelo vazamento. As doações podem ser entregues na Rua Além Paraíba, 208, Lagoinha, na capital.

Vítimas

Os nove mortos localizados ainda não foram identificados.

A Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) informou que o Hospital de Pronto-Socorro João XXIII está preparado para receber feridos.

Segundo a Fhemig, a emergência do hospital vai atender apenas vítimas do acidente. Demais casos serão direcionadas para outras unidades de saúde. Ainda segundo o órgão, outros hospitais da rede estão se mobilizando para dar retaguarda ao João XXIII.

Onda de rejeitos

O vazamento de rejeitos deixou em estado de atenção municípios banhados pelo Rio Paraopeba. Há risco que, em consequência do incidente, o nível suba repentinamente. Na região Centro-Oeste de Minas, Pará de Minas e Itaúna estão fazendo monitoramento.

A Agência Nacional de Águas (ANA) informou que a "onda de rejeitos" deve ser amortecida pela barragem da usina hidrelétrica de Retiro Baixo, localizada a 220 quilômetros do local do rompimento (leia nota completa).

A estimativa da agência de águas é de que os rejeitos atinjam a barragem da hidrelétrica em cerca de dois dias.

A ANA afirmou que está monitorando a onda de rejeito e coordenando ações para manter o abastecimento de água e sua qualidade para as cidades que captam água ao longo do Rio Paraopeba.

Segundo a Copasa, o abastecimento de água na Região Metropolitana de BH não deve ser prejudicado. A companhia está monitorando a situação.

Governo federal

"Lamento o ocorrido em Brumadinho-MG. Determinei o deslocamento dos Ministros do Desenvolvimento Regional e Minas e Energia, bem como nosso Secretario Nacional de Defesa Civil para a Região. Nossa maior preocupação neste momento é atender eventuais vítimas desta grave tragédia. O Ministro do Meio Ambiente também está a caminho. Todas as providências cabíveis estão sendo tomadas", disse o presidente Jair Bolsonaro. Leia a repercussão completa.

Segundo a Casa Civil, Bolsonaro se reuniu na tarde desta sexta-feira com o ministro-chefe da pasta, Onyx Lorenzoni, para discutir o rompimento. Conforme a Casa Civil, o encontro definiu que os ministros Bento Albuquerque (Minas e Energia), Gustavo Canuto (Desenvolvimento Regional) e Ricardo Salles (Meio Ambiente) foram escalados para acompanhar o caso.

O ministro de Meio Ambiente, Ricardo Salles, disse ao jornalista Valdo Cruz, da GloboNews e do G1, que uma equipe de emergência do Ibama já foi deslocada para a região. O ministro também disse que, além do atendimento às possíveis vítimas, a preocupação é com a poluição nos rios da região.

Governo estadual

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) informou que a Mina do Feijão e a Barragem 1, que se rompeu no início desta tarde, “estão devidamente licenciadas”. "As causas e responsabilidades pelo ocorrido serão apuradas pelo governo de Minas", disse o órgão.

Uma força-tarefa do governo de Minas Gerais já está no local do rompimento da barragem em Brumadinho. “O governo de Minas Gerais já designou a formação de um gabinete estratégico de crise para acompanhar de perto as ações”, disse por meio de nota (veja íntegra ao final da reportagem).

"Todo aparato estatal está mobilizado e foi deslocado para a região de Brumadinho, onde ocorreu o rompimento, para acompanhar de perto as ações e colaborar no que for preciso. Estão a caminho da Mina do Feijão o secretário de Meio Ambiente, Germano Vieira, a secretária de Impacto Social, Elizabeth Jucá, além dos Bombeiros e Defesa Civil", diz nota do governo.

Por volta das 15h40, Romeu Zema estava saindo do interior de Minas e indo para Belo Horizonte, para comandar o gabinete de crise. "O governador está atuando e acompanhando os desdobramentos, para que as primeiras medidas sejam tomadas, e o atendimento imediato seja dado às vítimas e população local, além de acompanhar a apuração dos fatores que causaram o acidente", disse o governo.

A Defensoria Pública de Minas Gerais informou que já está atuando em Brumadinho e que vai funcionar em regime de plantão.


Casa fica abaixo da lama após rompimento de barragem — Foto: TV Globo

Alerta das prefeituras

Nas redes sociais, a prefeitura de Brumadinho, Mario Campos, Juatuba, São Joaquim de Bicas, Igarapé e Betim já publicaram alertas para que a população não fique perto do leito Rio Paraopeba.


Visualizar esta foto no Instagram.

Uma publicação compartilhada por São Joaquim de Bicas (@prefeiturasaojoaquimdebicas) em


Tragédia em Mariana

No dia 5 de novembro de 2015, o rompimento da barragem de Fundão, da mineradora Samarco, controlada pela Vale e pela BHP Billington, deixou 19 mortos e causou uma enxurrada de lama que inundou várias casas no distrito de Bento Rodrigues, em Minas Gerais.

A barragem de Fundão abrigava cerca de 56,6 milhões de m³ de lama de rejeito. Desse total, 43,7 milhões m³ vazaram. Os rejeitos atingiram os afluentes e o próprio Rio Doce, destruíram distritos e deixaram milhares de moradores da região sem água e sem trabalho.

A Vale se tornou ré uma ação da Justiça Federal em 2016, ao lado da Samarco e da BHP, em uma ação por homicídios e crimes ambientais. Além das 3 empresas, 22 pessoas e a companhia de engenharia VogBR também respondem ao mesmo processo. Até o final de 2018, essa ação seguia correndo na comarca de Ponte Nova, na Zona da Mata, sem que os réus tenham sido julgados.

Nota da Vale

Veja a íntegra do texto:

"A Vale informa que, no início desta tarde, ocorreu o rompimento da Barragem 1 da Mina Feijão, em Brumadinho (MG). A companhia lamenta profundamente o acidente e está empenhando todos os esforços no socorro e apoio aos atingidos.

Havia empregados na área administrativa, que foi atingida pelos rejeitos, indicando a possibilidade, ainda não confirmada, de vítimas. Parte da comunidade da Vila Ferteco também foi atingida.

O resgate e os atendimentos aos feridos estão sendo realizados no local pelo Corpo de Bombeiros e pela Defesa Civil. Ainda não há confirmação sobre a causa do acidente.

A prioridade máxima da empresa, neste momento, é apoiar nos resgates para ajudar a preservar e proteger a vida de empregados, próprios e terceiros, e das comunidades locais.

A Vale continuará fornecendo informações assim que confirmadas."

A barragem da mina do Feijão, situada em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG), 
se rompeu nesta sexta-feira (25). — Foto: Uarlen Valério/O Tempo/Estadão Conteúdo

Nota do Ministério do Meio Ambiente

"No início da tarde desta sexta-feira (25/01), ocorreu o rompimento de três barragens na mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG). O empreendimento está situado em um afluente do rio Paraopeba, na Bacia do Rio São Francisco.

O Ministério do Meio Ambiente constituiu um gabinete de crise para acompanhamento do incidente. O ministro, Ricardo Salles, está se deslocando para a região acompanhado do presidente do Ibama, Eduardo Bim.

A equipe do núcleo de prevenção e atendimento a emergências ambientais do Ibama já está no local em conjunto com servidores da Secretaria de Meio Ambiente do Governo de Minas Gerais.

A preocupação inicial do governo federal é com o resgate de vítimas, atendimento à região e a proteção de pontos de captação de água."

Nota do governo de MG

"Uma força-tarefa do Estado de Minas Gerais já está no local do rompimento da barragem em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, para acompanhar e tomar as primeiras medidas.

O Corpo de Bombeiros por meio do Batalhão de Emergências Ambientais, e a Defesa Civil também já estão no local da ocorrência trabalhando e há dois helicópteros sobrevoando a região.

O Governo de Minas Gerais já designou a formação de um gabinete estratégico de crise para acompanhar de perto as ações. Assim que houver mais informações, o Governo de Minas Gerais emitirá novos comunicado"

Nota da Defesa Civil

"O ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, e o secretário Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec), coronel Alexandre Lucas, chegam hoje (25) à noite a Belo Horizonte (MG) para acompanhar e apoiar o trabalho das defesas civis locais na ocorrência do rompimento de uma barragem na Mina Feijão, no município de Brumadinho, região metropolitana da capital mineira. A prioridade, neste momento, é o socorro e assistência à população afetada.

A mobilização e o apoio do Governo Federal iniciaram logo após o rompimento da estrutura. O ministro conversou por telefone com o presidente da República, Jair Bolsonaro, que reforçou a importância de disponibilizar todo o apoio necessário ao estado e município.

Equipes do Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad) estão em frequente contato com representantes da prefeitura e governo do estado para orientar nas primeiras ações de resgate às possíveis vítimas e demais necessidades emergenciais."

Fonte: G1


PARA GARANTIR ABASTECIMENTO, MUNDO PRECISA CUIDAR MELHOR DOS SOLOS

Fórum Mundial da Água: painel sobre água e solo ocorreu no 1º dia do evento em 
Brasília (Foto: Ayr Aliski/Ed.Globo)

26/03/2018

Em um dia em que desastres ambientais e mudanças climáticas concentraram atenções no 8º Fórum Mundial da Água, em Brasília, especialistas do Brasil e do Exterior reservam espaço para também debater o tema “Práticas de conservação da água e do solo para melhor produção alimentícia”. A sessão de discussão concluiu que conservação de água e solo andam de mãos dadas e que a preservação desses insumos é extremamente importante para garantir alimentação para uma população mundial que segue em crescimento. Projeções da Organização das Nações Unidas (ONU) indicam que a população mundial chegará a 8,6 bilhões até 2030, um aumento de 1 bilhão de pessoas em 13 anos, chegando a 9,8 bilhões em 2050 e 11,2 bilhões em 2100.

A pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Maria de Lourdes Mendonça Santos alertou, nessa sessão de debates, que a atividade agropecuária não pode ser tratada como “vilã” em relação ao consumo de água. Para ela, não se pode esquecer que fome zero e agricultura sustentável formam uma das metas dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio da Agenda 2030 das Nações Unidas.

“Temos de buscar segurança alimentar com segurança ambiental. Não podemos vilanizar a agricultura, afinal também temos compromissos. E um dos primeiros é acabar com a fome. Temos de produzir alimentos de maneira sustentável, mantendo as funções do solo ao longo do tempo”, destacou Maria de Lourdes. Ela argumentou que já há um amplo conjunto de técnicas disponíveis para proteger água e solo (desde medidas como evitar deixar o solo descoberto e promover rotação de culturas). O que falta é implantar todo esse conhecimento, sem deixar de avançar na pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias.

Para Maria de Lourdes, é preciso produzir e difundir conhecimento sobre os cuidados com solo e água, promover efetivamente políticas públicas, garantir financiamento para pesquisa e implantação e investir educação. A pesquisadora da Embrapa destaca que embora muitos mecanismos estejam disponíveis, colocar as soluções em vigor não é tarefa fácil, pois envolve esforços políticos, técnicos, de crédito e difusão de informações, entre outros fatores. Maria de Lourdes citou dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), os quais apontam que 33% dos solos do mundo estão com degradação moderada ou alta.

Experiência estrangeira

O indiano Ashwin Pandya, da Comissão Internacional de Irrigação e Drenagem, disse que é preciso aprimorar técnicas atualmente aplicadas, adequando ao máximo os projetos de irrigação ao tipo de agricultura. Na Índia, explicou, há um sistema que fornece a pontuação da saúde do solo, em cálculo que envolve fatores como composição, sustentabilidade e os diversos usos da área. A partir daí, destacou, são aplicadas as melhores práticas, evitando a degradação hídrica e dos solos. “É preciso um programa holístico para os cuidados com a água, o solo, o uso de fertilizantes. A população mundial está aumentando e a terra arável não está crescendo”, destacou Pandya.

Exemplos de boas práticas no manejo hídrico foram apresentadas pelo professor da Universidade de Nebraska (EUA) Charles Wortmann. Ele mostrou resultados obtidos com técnicas de diminuição do escoamento superficial nas lavouras de países da África. Em situações específicas, foi obtido aumento de 44% na relação de produtividade do milho, considerando como parâmetro principal cada metro cúbico de água aplicada na terra.

Wortmann também apresentou resultados de pesquisas que evitaram a evaporação da água do solo. Cada caso, no entanto, depende de estudos e exige aplicações especificas. Soluções que foram bem-sucedidas em uma região não apresentaram bons resultados em outras áreas.

O monitoramento dos solos por satélite também pode ser um bom instrumento para a preservação das águas e dos solos, apontou o representante da FAO Jippe Hoogeveen. O sensoriamento remoto amplia a capacidade cruzar dados como evaporação, disponibilidade de biomassas, nível de precipitação e uso da terra, entre outros fatores, permitindo uma gestão mais eficaz e equilibrada entre produção e sustentabilidade.

É impossível promover a produção de alimentos sem promover a antropização da paisagem (a modificação da paisagem original, pela presença do homem), lembrou o secretário de Meio Ambiente do município goiano de Cristalina, Bruno Marques. Ele argumentou, assim com a pesquisadora Maria de Lourdes, da Embrapa, que o desafio é encontrar o equilíbrio. “Adotar práticas de conservação da água e do solo para a melhor produção agropecuária”, disse. Ou seja, o desafio é alavancar o potencial de produção, mas com a máxima preservação ambiental.

Diante desse cenário, Marques afirmou que é indispensável investir em gestão agroambiental, prática que envolve desde técnicas como a rotação de culturas até o aprimoramento estratégico da gestão das propriedades rurais. “Inserir a variável ambiental é um excelente negócio para quem está na agricultura”, concluiu.

Texto: Ayr Aliski, de Brasília

Fonte: Sistema FAEG

Justiça dá cinco dias para Samarco eliminar vazamento de lama em Mariana

Além de eliminar o vazamento em 5 dias, Samarco deve construir dique em 80 dias
Lucas Lacaz Ruiz/Estadão Conteúdo

06/04/2016

A 2ª Vara da Fazenda Pública e Autarquias de Belo Horizonte determinou nesta quarta-feira (6) que a Samarco elimine o vazamento de lama no complexo denominado "Germano" onde fica a barragem de Fundão, em Mariana (MG).

Em sua decisão, o juiz Luís Fernando de Oliveira Benfatti deu prazo de cinco dias para que a mineradora, controlada pela Vale e pela anglo-australiana BHP, interrompa o fluxo de rejeitos que ainda escoa por extravasor avariado da barragem de Santarém. A estrutura foi danificada após o rompimento de Fundão. Caso não cumpra a medida, a empresa deverá ser multada em R$ 1 milhão por dia.

O colapso da barragem de Fundão, no dia 5 de novembro do ano passado, matou 19 pessoas e foi considerada a maior tragédia ambiental do país. Um mar de lama destruiu distritos em Minas Gerais e poluiu o rio Doce até a sua foz, no litoral do Estado do Espírito Santo.

Outra medida anunciada pelo magistrado, que atendeu ao pedido do MP-MG (Ministério Público de Minas Gerais), determina ainda a construção de um dique provisório de segurança no prazo de 80 dias.

Benfatti também deu prazo de 10 dias para que a mineradora apresente à Justiça, bem como a Semad (Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável) e o DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral), "projeto técnico assinado por profissional habilitado e com o ART (Anotação de Responsabilidade Técnica), contendo as medidas emergenciais adicionais para conter totalmente o vazamento de lama residual das barragens do complexo de Germano".

Segundo o MP, somente nos meses de janeiro e fevereiro deste ano, estima-se que cinco milhões de metros cúbicos de lama vazaram pela estrutura danificada, atingindo a bacia do rio Doce.

O órgão afirmou que três diques construídos pela mineradora após a tragédia de Fundão não estão sendo suficientes para conter o despejo de rejeitos sólidos no rio Gualaxo do Norte, que é um dos afluentes do rio do Carmo. O material atinge os cursos d'água "ininterruptamente", conforme a ACP do MP.

O MP ainda disse ter calculado que existam mais de 9 milhões de metros cúbicos de lama na Santarém. Esse material, conforme o Ministério Público, ainda pode atingir os cursos d'água.

O juiz destacou que a empresa deverá colocar em curso, imediatamente, medidas emergenciais visando a interrupção do escoamento da lama e apresentar relatórios semanais e mensais, com fotografias, detalhando a implantação das medidas emergenciais e as atividades de recuperação da área degradada.

A decisão judicial, por fim, impede que a Samarco retome suas atividades no complexo minerário de Germano [onde fica a barragem de Fundão] "até que seja demonstrada a completa estabilização dos impactos ambientais, por meio da contenção da lama remanescente".

Logo após o rompimento da barragem, no ano passado, o governo de Minas Gerais já tinha suspendido as atividades da empresa na região por tempo indeterminado.

A assessoria da mineradora informou que a companhia não foi notificada da decisão e que, por ora, não iria se pronunciar. 

No entanto, o setor havia adiantado, quando da Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público, que os diques de contenção de sedimentos construídos por ela apresentam o funcionamento conforme o esperado e que outras medidas emergenciais estão sendo feitas. O UOL não conseguiu contato com a Semad nem com o DNPM.

JUSTIÇA PROÍBE PESCA NA FOZ DO RIO DOCE POR RISCO DE CONTAMINAÇÃO

Barcos são vistos na foz do Rio Doce em Regência, em dezembro de 2015
Foto: Flávia Mantovani/G1

20/02/2016

Pesca voltou a acontecer após o fim do período de defeso do camarão.
Decisão obriga a Samarco a divulgar a proibição da pesca.

A Justiça Federal proibiu, por tempo indeterminado, a pesca na região da Foz do Rio Doce, no Norte do Espírito Santo.

De acordo com o Ministério Público Federal (MPF-ES), as atividades pesqueiras no local voltaram a acontecer após o fim do período de defeso do camarão.

A medida visa a preservar a saúde da população que consume os pescados da região e a sobrevivência das espécies.

A decisão começa a valer nesta segunda-feira (22) e compreende a região da Foz do Rio Doce entre a Barra do Riacho, em Aracruz, até Degredo/Ipiranguinha, em Linhares. Ficará permitida somente a pesca destinada à pesquisa científica.

Para o MPF, a interdição vai garantir a conclusão dos trabalhos técnicos que buscam diagnosticar os impactos da lama no mar e a contaminação dos recursos pesqueiros.

O órgão ressalta, ainda, que a ação é necessária porque nenhum estudo realizado até o momento garante que os peixes, moluscos e crustáceos que habitam a área da foz do Rio Doce não estão contaminados por substâncias nocivas à saúde humana depois do rompimento da barragem da Samarco em Mariana (MG).

Além disso, o ecossistema marinho, que já se encontra fragilizado pelos rejeitos de mineração, teria um novo impacto causado pela pesca sem haver um diagnóstico preciso dos danos até então verificados.

De acordo com a liminar, a Samarco fica obrigada a divulgar em seu site e na imprensa a proibição da pesca na região, conforme calendário preestabelecido pela Justiça. Foi arbitrada, ainda, multa de R$ 30 mil reais por dia caso a empresa não cumpra a decisão.

O MPF entende que, caso os réus não adotem medidas no sentido de impedir imediatamente a pesca, que voltou a acontecer após o término do período de defeso do camarão, os trabalhos de pesquisa que estão sendo desenvolvidos serão prejudicados, adiando ainda mais o diagnóstico dos impactos do desastre ambiental.

“E, pior, será assumido o risco de contaminação de inúmeras pessoas que venham a consumir o pescado, molusco ou crustáceo, com graves consequências para o sistema público de saúde”, destaca a ação.


OPERAÇÃO MARIANA BOLETIM - 11/12



O corpo de Antônio Prisco de Souza, de 74 anos, morador de Bento Rodrigues, foi localizado e acaba de ser reconhecido oficialmente por familiares. Ele era um dos integrantes da lista de desaparecidos desde o rompimento da barragem da Samarco, ocorrido em 5 de novembro. O cadáver estava soterrado no próprio distrito, em Mariana, e foi localizado por militares do Corpo de Bombeiros.

Com o novo reconhecimento, sobe para 16 o número de vítimas fatais do acidente. Permanecem desaparecidos três funcionários terceirizados da mineradora. São eles: Ailton Martins dos Santos (55 anos), Vando Maurílio dos Santos (37 anos) e Edmirson José Pessoa (48 anos). No momento não há corpos a serem identificados.

O inquérito que investiga as causas, os responsáveis e as consequências da queda da barragem é presidido pelo delegado regional de Ouro Preto, Rodrigo Bustamante, que obteve da Justiça a dilação de prazo por mais 30 dias para as apurações. Até o momento, 48 pessoas já foram ouvidas nos autos, entre eles o diretor-presidente da Samarco, Ricardo Vescovi, profissionais responsáveis por áreas técnicas da mineradora, funcionários terceirizados que estavam trabalhando no local no dia da tragédia e familiares das vítimas.



PERITOS DA ONU CHEGAM AO BRASIL PARA AVALIAR DESASTRE EM MARIANA

Bandeira das Nações Unidas. Foto: ONU/John Isaac

08/12/2015

Grupo sobre empresas e direitos humanos fica no país até o dia 16; além de investigar rompimento de barragem, especialistas avaliam projetos ligados aos Jogos Olímpicos no Rio; meta é checar impactos de atividades empresariais.

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York. 

O Grupo de Trabalho das Nações Unidas sobre empresas e direitos humanos chegou esta segunda-feira ao Brasil para a primeira visita oficial. O objetivo da é examinar os impactos negativos de atividades empresariais sobre os direitos humanos.

O pano de fundo é o desastre ambiental causado pelo rompimento, em 5 de novembro, de uma barragem de rejeitos de mineração no município de Mariana, no estado de Minas Gerais.

Cidades

Além de visitar a cidade de Mariana, os peritos vão cumprir agenda em Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Altamira e Belém. O grupo fica no país até 16 de dezembro.

Os especialistas da ONU também irão avaliar projetos em fase de realização ou planejamento ligados aos Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro. Um dos integrantes da delegação que chegou ao Brasil lembrou que o país é a sétima maior economia do mundo e tem portanto função de destaque nos âmbitos regional e global.

Segundo Pavel Sulyandziga, o grupo está "muito interessado em conhecer as medidas adotadas no país para prevenir e solucionar violações a direitos humanos relacionadas a atividades empresariais".

Relatório

Os peritos irão analisar como o governo brasileiro e as empresas estão implementando obrigações ligadas aos direitos humanos, em sintonia com os princípios da ONU.

Esses princípios foram endossados pelo Conselho de Direitos Humanos em 2011, e oferecem orientação sobre como prevenir e tratar dos impactos negativos de atividades empresariais sobre os direitos humanos.

Durante a visita ao Brasil, o grupo de trabalho da ONU estará reunido com representantes do governo, da sociedade civil, de empresas e de sindicatos.

As conclusões da visita ao país e as recomendações dos especialistas serão incluídas em um relatório oficial a ser apresentado ao Conselho de Direitos Humanos em junho de 2016.

Fonte: ONU


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